domingo, 13 de novembro de 2011

Manuscritos do Mar Morto que confirmam Jesus como o Messias aguardado, agora disponíveis online

Especialista digital mostra diferenças nas fotos de fragmentos do Manuscrito do Mar Morto

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Desde o 26 de setembro, já podem ser consultados os primeiros manuscritos do Mar Morto digitalizados, informou o jornal de Paris "Le Monde".

Por sua vez, a editora de Paris Editions du Cerf empreendeu há poucos anos a publicação da totalidade dos 900 manuscritos do Mar Morto, ou Qumran, transcritos para o francês.

O primeiro volume da “Biblioteca de Qumran” já apareceu, informou o diário suíço “Le Temps”.

Por sua parte, o Conselho de Antiguidades de Israel, custódio dos precisos documentos já tinha anunciado em agosto de 2008 o projeto de disponibilizar para download na internet as fotografias digitalizadas destes valiosíssimos Manuscritos.


O projeto levará anos para ser completado. Os primeiros documentos online já podem ser consultados no site The Digital Dead Sea Scrolls  (em inglês) promovido pelo Museu de Israel.

Poucas descobertas arqueológicas criaram tanto interesse e controvérsia. Os documentos desenterrados desde 1947 incluem mais de 900 rolos, e muitos fragmentos, hebraicos, aramaicos e gregos. Eles pertencem essencialmente ao período que vai do ano 250 a. C. até a metade do século I.

O biblista francês André Paul, um dos diretores da iniciativa sustenta que é preciso rever muitas afirmações sobre esses manuscritos. Segundo ele, não se trataria apenas ou essencialmente de textos da seita dos essênios, como se acreditou nos últimos 50 anos.

Antes bem, de acordo com as novas hipóteses, os documentos refletem as diversas correntes de pensamento, por vezes antagônicas, que trabalhavam a sociedade hebraica do tempo. Em qualquer hipótese, diz Paul, neles pode se apalpar o cristianismo em gestação.

Qumran, rolo com salmosNa edição francesa mencionada, os documentos foram classificados em três grupos:

1º) “bíblicos”, pois estão presentes na Bíblia (23% do total);

2º) relativos à Tora (correspondente ao Pentateuco, ou cinco primeiros livros do Antigo Testamento) e aos Profetas (75%). Neles estão incluídos alguns textos célebres de Qumran como a “Regra da comunidade”, a “Instrução sobre os dois Espíritos” e a “Regra da guerra dos filhos da luz e dos filhos das trevas”.

3º) um grupo muito minoritário constituído de escritos de dimensão mística e/ou gnóstica.

André Paul publicou também um livro (“Qumrân et les esséniens ‒ L'éclatement d'un dogme”, Cerf, Paris) destinado ao grande público. Nele defende que o judaísmo rabínico formado após a destruição do Templo de Jerusalém em 70 d.C. já pode ser discernido nos textos de Qumran.

Sobre os essênios, ele defende que não há rastros nos documentos do Mar Morto, nem mesmo nos escritos gnósticos que, segundo ele, provêm de um veio místico ligado à Cabala. Teses que por certo darão muita matéria para discussão.

Qumran, a região dos documentos enterrados
Local onde foram feitas as descobertas
Historiadores do século I d.C., como Plinio o Velho, Philon de Alexandria e Flavio Josefo descreveram a existência de ascetas do deserto. Plinio o Velho supunha que habitassem no oeste do Mar Morto.

No século XIX o escritor anti-católico Ernest Renan na sua “Vida de Jesus”, defendeu sem provas que o cristianismo era a vitória da seita essênia.

Voltaire, filósofo revolucionário anticristão também soltou uma analogia entre essênios e cristãos sem prova alguma, como era habitual nos seus deboches da religião.

Nos anos 134 a 63 a. C., no local teria havido uma cidadela fortificada, e um centro produtor de vasos de argila.

Nos manuscritos registra-se a expectativa judaica pela vinda do Redentor, i. é, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é imaginado com três grandes representações:
1) a do Messias de Israel, figura régia e guerreira;
2) como Sacerdote supremo;
3) como um personagem de funções celestes.

Jesus Cristo, de fato, foi acolhido como o Messias régio, e após a sua Morte e Ressurreição como o Sumo Sacerdote.

André Paul levanta muitos outros problemas a partir de analogias e/ou oposições entre os textos de Qumran e o ensino da Igreja, patenteando o quanto Nosso Senhor cumprira as expectativas suscitadas pelas promessas divinas e os anúncios dos profetas.

Também, os textos mostram diferenças entre o judaísmo vetero-testamentário e a Boa Nova trazida pelo Salvador.



 

6 comentários:

  1. Eu gostaria de ler os trechos que cofirmam Jesus como Messias.

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    1. O capítulo de Isaías 53 é apenas um deles, mas existem outros no livro de Isaías, busque na Bíblia e achará.

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  2. A tradução integral dos Manuscritos do Mar Morto foi editada pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. Para aqueles que esperavam pelo menos alguma menção a Jesus ou aos primeiros cristãos, o resultado desse trabalho foi decepcionante. Só fala da vinda do Messias, tanto antes do ano zero, quanto depois, até mesmo 20 anos depois da suposta morte de Jesus.

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    1. Os Pergaminhos do Mar Morto são uma vasta coleção de documentos judaicos escritos em hebraico, aramaico e grego e que contêm muitos temas e estilos literários. Eles incluem manuscritos ou fragmentos de cada livro da Bíblia hebraica, exceto o Livro de Ester, todos criados cerca de mil anos antes de quaisquer manuscritos bíblicos previamente conhecidos. Os pergaminhos também contêm o mais antigo comentário bíblico existente, sobre o Livro de Habacuque, e muitos outros escritos, entre eles obras religiosas pertencentes a seitas judaicas da época.
      A grande maioria dos Manuscritos do Mar Morto era simplesmente cópias dos livros do Antigo Testamento de cerca de 250-150 a.C. Também foram encontrados livros extra-bíblicos e apócrifos, mas, mais uma vez, a grande maioria dos pergaminhos eram cópias do Antigo Testamento hebraico. Os Pergaminhos do Mar Morto foram uma descoberta surpreendente por estarem em excelente estado e terem permanecido escondidos por tanto tempo (mais de 2.000 anos). Esses Manuscritos também podem nos dar certeza da confiabilidade dos manuscritos do Antigo Testamento, uma vez que existiam apenas diferenças mínimas entre os manuscritos previamente descobertos e os encontrados em Qumran. Claramente, esse é um testemunho da maneira em que Deus tem preservado a Sua Palavra através dos séculos, protegendo-a da extinção e guardando-a contra qualquer erro significativo.
      Eles não falam nada sobre Jesus de um modo direto, mas nos ajudam a compreender uma fala de Jesus (citando o profeta Isaías), que O identifica como o Messias.
      O Dr. John McRay, professor de Novo Testamento e de arqueologia em Wheaton; ex-pesquisador adjunto e curador do Instituto de Pesquisas Arqueológicas F. Albright, de Jerusalém, desvendou o mistério. O evangelho de Mateus descreve como João Batista, quando estava preso e lutava com dúvidas sobre a identidade de Jesus, mandou que seus seguidores fizessem a Jesus uma pergunta de monumental importância: “És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro?” (Mt 11:3). Ele queria saber, sem sombra de dúvida, se Jesus era mesmo o Messias tão aguardado.
      Ao longo dos séculos, os cristãos sempre refletiram muito sobre a resposta enigmática que Jesus deu a essa pergunta. Em vez de dizer objetivamente sim ou não, Jesus disse: “Voltem e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos veem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e as boas novas são pregadas aos pobres” (Mt 11:4-5).
      A resposta de Jesus era uma alusão a Isaías 61. Mas, por alguma razão, Jesus acrescentou a frase “os mortos são ressuscitados”, que claramente não faz parte do texto do Antigo Testamento.
      É aí que entra o 4Q521. Esse manuscrito extrabíblico, pertencente à coleção dos manuscritos do mar Morto, escrito em hebraico, remonta a 30 anos do nascimento de Jesus. Ele contém uma versão de Isaías 61 em que consta a frase “os mortos são ressuscitados”.
      Craig Evans, especialista nos manuscritos, ressaltou que essa frase do 4Q521 pertence sem dúvida nenhuma ao contexto messiânico. Ela se refere às maravilhas que o Messias fará quando vier e quando o céu e a terra lhe obedecerem. Portanto, quando Jesus respondeu a João, ele não estava sendo nem um pouco ambíguo. João teria reconhecido imediatamente suas palavras como uma afirmação objetiva de que ele era o Messias.
      As palavras de Evans são citadas num artigo: “O 4Q521 deixa claro que a referência de Jesus a Isaías 61 é verdadeiramente messiânica. Basicamente, Jesus está dizendo a João, por meio de seus mensageiros, que coisas messiânicas estão ocorrendo. Isso, portanto, responde à pergunta de João: Sim, ele é o que haveria de vir“. [Kevin D. MILLER, The war of the scrolls, Chrístianity Today, 6 Oct. 1997, p. 44.]
      A descoberta de Evans confirmava de modo extraordinário a identidade de Jesus. A arqueologia moderna foi capaz de, finalmente, desvendar o significado de uma declaração em que Jesus afirmava ousadamente, há aproximadamente mil anos, que ele era, de fato, o Ungido de Deus.

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  3. Quem é este servo do Senhor que tem a missão de restaurar as tribos e trazer de volta o remanescente de Israel?

    Ouvi-me, terras do mar, e vós, povos distantes, escutai! O Senhor me chamou desde o ventre, e quando eu ainda estava no seio de minha mãe ele fez menção de meu nome. Ele fez a minha boca como uma espada afiada, e me escondeu na sombra da sua mão. Ele me fez como uma flecha polida, e me guardou na sua aljava. Ele me disse: Tu és o meu servo, és Israel, por quem hei de ser glorificado. Porém eu disse: Foi em vão que trabalhei arduamente. Gastei as minhas forças inutilmente, para nada. Porém eu sei que o Senhor me fará justiça, e a minha recompensa está perante o meu Deus. E agora diz o Senhor, aquele que desde o ventre me formou como o seu servo que tornará a trazer Jacó e que perante ele reunirá Israel. Porque eu sou glorificado diante do Senhor, e o meu Deus tem sido a minha força. Ele me disse: Não basta que sejas o meu servo [apenas] para que restaures as tribos de Jacó e tornes a trazer o remanescente de Israel que eu preservei; também farei de ti uma luz para as nações, para que leves a minha salvação até aos confins da terra. Assim diz o Senhor, o Redentor e Santo de Israel, ao que foi desprezado e detestado pela nação, ao escravo dos tiranos: Os reis o verão e se levantarão, como também os príncipes, eles virão e se prostrarão, porquanto eu sou fiel; eu, o Santo de Israel, que te escolheu! Assim diz o Senhor: No tempo oportuno eu te responderei, e no dia da salvação eu te ajudarei. Eu te guardei para te dar por aliança ao povo, para que lhes restaures a terra [de Israel], e para que eles tomem posse das herdades desoladas; e para dizeres aos presos, que estão na escuridão: Venham para fora! Vocês estão livres! Eles pastarão pelo caminho, e em todos os altos desnudados haverá pasto para eles. Nunca mais terão fome nem sede; e nem serão afligidos pelo calor abrasador ou pelo sol; porque aquele que se compadece deles os guiará, e os levará mansamente a mananciais de água fresca. E farei com que todas as minhas montanhas se tornem um caminho plano; e minhas estradas serão levantadas. Eis que eles virão de longe; alguns do norte, e do ocidente, e outros da terra de Sinim. Cantai de júbilo, ó céus, e alegra-te tu, ó terra; e vós montes, gritai de alegria; porque o Senhor consolou o seu povo, ele teve compaixão de seus aflitos. (Isaías 49:1-13)

    Esta é a mesma duvida do Eunuco: Pois quem quer que seja o servo de Isaías 49 será o mesmo servo de Isaías 53.

    O eunuco perguntou a Filipe: Diga-me, por favor: de quem o profeta está falando? De si próprio ou de algum outro? Então Filipe, começando por essa passagem da Escritura, anunciou-lhe as boas novas de Jesus. (Atos 8:34-35)

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