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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Milagres de Lourdes: exemplo de cooperação harmoniosa entre a Igreja e a ciência


Um dos pontos mais delicados nas relações entre as ciências naturais e o mundo sobrenatural diz respeito ao milagre.

Tal vez em nenhuma parte do mundo este problema é tão central quanto no santuário de Lourdes.

O santuário recebeu mais de 300 milhões de peregrinos desde 1848. Destes, 20 milhões peregrinaram oficialmente enquanto doentes.

Um número infindo garante ter sido curado. Porém a maioria não abre o processo médico que poderá constatar a cura.

Dos que abriram processo, em 7.200 casos catalogados a medicina reconheceu que a cura era inexplicável à luz dos conhecimentos da época.

Desses 7.200 casos, apenas 67 foram proclamados oficialmente como milagres pela Igreja.

Esses 7.200 casos conformam um dos mais impressionantes conjuntos documentais em que a ciência confirma a Igreja.

Vejamos apenas um dos casos oficialmente proclamados pela Igreja: o de Jeanne Fretel.

A matéria foi reproduzida do blog “Lourdes e suas aparições” que traz informação seleta a abundante sobre esse santuário e os milagres ali operados.

Jeanne Fretel, nascida a 27 de maio de 1914 na Bretanha, teve uma infância sofrida: rubéola, escarlatina, difteria etc.

Em janeiro de 1938, quando conta vinte e quatro anos, é operada de apendicite no Hôtel-Dieu em Rennes. Depois disto, passará dez anos no hospital, praticamente sem interrupções. Primeiro tem que operar um quisto tuberculoso nos ovários, depois, uma peritonite tuberculosa que a acometeu, logo seguida por uma fístula estercoral.

É somente no fim da guerra que sai, finalmente, do hospital, porém aparece uma erisipela, em seguida um hallux valgus bilateral, finalmente uma osteíte do maxilar superior, que não lhe deixou mais do que três dentes na arcada superior e seis na inferior.

A 3 de dezembro de 1946, dá entrada no hospital de Pontchaillou, em Rennes, onde já estivera internada durante algum tempo após a guerra. Desta feita, diz ela, é “para morrer lá”.

Está sempre acamada e todas as noites a febre atinge os 39° 5. Tem o abdômen inchado, distendido, terrivelmente dolorido: faz-se necessário uma aplicação diária de seis centigramas de morfina. Apesar de se ter submetido a um prolongado tratamento de estreptomicina, cuja descoberta era recente, o estado de Jeanne Fretel não apresenta melhoras, segundo o demonstra este atestado médico redigido pelo Dr. Pellé:

“De agosto de 1948 a outubro de 1948, a enferma mostra-se cada vez mais cansada: só consegue ingerir pequenas quantidades de líquido. Surgem sinais meningíticos. Um deles é o ventre, volumoso e dolorido. Há um escoamento abundante de pus com as fezes, bem como nos vômitos, acompanhado de sangue negro. Os desfalecimentos cardíacos são freqüentes e colocam em perigo a vida da paciente. Toda esperança parece estar perdida.”

Pela terceira vez em cinco anos, a 20 de setembro de 1948, a doente recebe a extrema-unção. A temperatura oscila todos os dias entre 40° à noite e 36° pela manhã. As aplicações de morfina são feitas de três a quatro injeções diárias de dois centigramas cada uma: “O simples esforço para sentar-se na cama já lhe é quase impossível”. Deixa-a extenuada.

E, no entanto, é neste estado que empreende a peregrinação a Lourdes, no dia 4 de outubro de 1948, levando consigo o seguinte atestado do Dr. Pellé:
“Peritonite tuberculosa. A enferma foi submetida a sete intervenções cirúrgicas abdominais a partir de 1938. Há três anos encontra-se em completo repouso, alimenta-se muito pouco e as dores no ventre obrigam-na a permanecer quase que totalmente imóvel”


Ao ser levada a Lourdes, está semi-consciente, sempre acometida por vômitos que a impedem de alimentar-se e dormir. Na sexta-feira, 8 de outubro, levam-na muito cedo, às 7h30, para assistir a missa dos doentes no altar de Santa Bernadette.

O padre que oficia a cerimônia, assustado e constrangido com a presença dessa doente dominada pelas náuseas, hesita em lhe administrar a comunhão. O maqueiro que carrega Jeanne FreteI insiste. E assim a enferma recebe a hóstia...
“Foi então ‒ contará ela mesma mais tarde ‒ que comecei a perceber que estava melhor e que me achava em Lourdes. Perguntaram pela minha saúde. Respondi que me sentia outra! Meu ventre continuava duro e inchado, mas já não padecia nenhuma dor. Deram-me uma xícara de café com leite que tomei com apetite e prazer.

“Após a missa, levaram-me até a gruta, sempre carregada na maca. Chegando ali, ao cabo de alguns minutos, tive a impressão que uma pessoa me amparava sob as axilas para me ajudar a sentar. E vi-me sentada. Virei-me a fim de ver quem me havia auxiliado, porém não vi ninguém. Tão logo me sentei, tive a sensação de que as mesmas mãos que me tinham ajudado a sentar seguravam as minhas para colocá-las sobre minha barriga.

“Perguntei a mim mesma o que estava me acontecendo: se estava curada ou saindo de um sonho. Notei que meu ventre tinha voltado ao normal. E então senti uma fome fora do comum.”

Volta para o hospital ainda na maca. Pede algo para comer. O Dr. Guégan examina-a e dá-lhe autorização para alimentar-se. Faz uma refeição frugal: um pedaço de vitela e purê de batatas com três pedaços de pão. Mas para ela é um banquete extraordinário: já faz dez anos que não tem uma refeição igual.

“Ao terminar ainda continuava com fome. Pedi mais uma porção. Fui atendida e pedi mais. Então me trouxeram como sobremesa um prato de sêmola de arroz, com receio que me sentisse mal.”


À tarde, a recuperada, satisfeita sem estar saciada, levanta-se, veste-se sozinha e sai para dar um passeio:


Décadas depois Jeanne Fretel narra pela TV como ficou instantânea e permanentemente curada

“Já fazia três anos que eu não andava e naquele instante caminhei com a mesma desenvoltura de hoje ‒ esclarece Jeanne Fretel –. Assim que cheguei às piscinas, tomei um banho de pé, sem me cansar.”

À noite, torna a ingerir uma refeição (sopa, pão e patê, sobremesa) e adormece, mas desperta por volta da meia-noite, ainda atormentada pela fome; serve-se de pão, manteiga, doces, bolo e readormece.

No dia seguinte, levam-na até a Junta das Constatações onde cinco médicos assinam em conjunto um boletim em que declaram:

“Enorme melhora, talvez cura completa.”

Jeanne Fretel sente-se tão aliviada no trem de volta que pede e suporta muito bem a parada brusca das injeções de morfina, sem experimentar as perturbações graves e costumeiras de uma desintoxicação tão violenta.

E podemos imaginar o assombro do médico assistente da doente, o Dr. Pellé, que escreve a 13 de outubro de 1949:
“Voltamos a ver a senhorita Fretel no mesmo dia de seu retorno de Lourdes para Rennes, onde a examinamos e observamos o desaparecimento completo de todos os sinais patológicos. Temos acompanhado a paciente com regularidade e constatamos que a melhora do seu estado geral prossegue. Seu peso que era de 44 quilos no dia 5 de outubro de 1948 passou para 58,200 quilos. Durante os oito primeiros dias, esta jovem ganha 1,350 por dia. A temperatura é normal: 36°8 pela manhã, 37°2 à noite. O apetite e o sono são muito bons.”

Jeanne Fretel, após o seu regresso, teve condições de reencetar uma vida ativa que prossegue sempre sem qualquer acidente patológico. Nunca mais sentiu qualquer tipo de dor. A vida normal retomou seu curso na plenitude de uma saúde perfeita. Todos os dias levanta-se às 5h30 e recolhe-se às 11 da noite. E, no entanto, tem que fazer as tarefas mais cansativas da casa.

Um ano depois, a jovem comparecerá diante dos vinte e oito médicos da Junta médica de Lourdes. Em 1950, após terem concluído tratar-se de uma “cura inexplicável”, o processo de Jeanne Fretel é enviado à Comissão canônica criada expressamente para examinar este caso pelo cardeal Roques, arcebispo de Rennes. E a 8 de novembro de 1950, a Comissão canônica declara:

“O caso da senhorita Fretel situa-se na série das curas extraordinárias, cientificamente inexplicáveis, na presença das quais só podemos repetir: 'O dedo de Deus se faz sentir'.”

Em seguida, o cardeal Roques, na data de 20 de novembro, apresenta um “reconhecimento de milagre” assim redigido:

“Reconhecemos que a senhorita Jeanne Fretel, acometida de peritonite tuberculosa com sinais meningíticos e em estado muito grave de caquexia, foi curada súbita e radicalmente a 8 de outubro de 1948, no momento em que comungava no altar de Santa Bernadette em Lourdes, e nós julgamos e declaramos que a cura é milagrosa e deve ser atribuída à Nossa Senhora de Lourdes.”


Video (em espanhol) com o testemunho de Jeanne Fretel




(Fonte: Philippe Aziz, “Os milagres de Lourdes ‒ A Ciência face à fé”, 1981, Tradução de WiIma Freitas Ronald de Carvalho, )

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5 comentários:

  1. Primeiro eu parabenizo pelo belissimo trabalho, que esse blog continue por muitos e muitos anos.
    Eu já li algo a respeito dos milagres de Lourdes e talvez esses casos sejam as provas contundentes da existência de Deus e da vericidade da Igreja Católica.
    Ainda não tinha conhecimento sobre a cura dessa senhora, é um caso realmente maravilhoso, mostra o Poder de Deus de maneira inequívoca.

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  2. Por meio dos diagnósticos do Lourdes Medical Bureau chegou-se a 67 curas "instantâneas" entre centenas de milhões de devotos que já visitaram o local desde 1884 e tocaram a água de Massabielle, ótima para matar a sede. A Igreja os considerou milagres. O número de curas inexplicadas foi diminuindo à medida em que a ciência avançou. Nem sei quando foi a última. Por isso o bispo local quis relaxar os critérios usados pelos médicos, que se rebelaram. Hoje aceitam analisar os casos encaminhados, já que são médicos, mas se recusam formalmente a considerar uma cura como "inexplicável" - além de hoje o LMB não ficar mais sem explicação como acontecia antigamente. Em trecho de reportagem da Agência Estado, de dezembro de 2008, o doutor Patrick Theillier, do Lourdes Medical Bureau diz:

    "O corpo médico deve ser independente do poder eclesiástico". "Antes, o que apresentávamos à igreja era um presente embrulhado, e tudo o que a igreja tinha a dizer era 'Eu aprovo', sem fazer muito esforço", disse Theillier, referindo-se à questão de julgar os milagres. "Agora, não." A decisão também tomou corpo com o recente reconhecimento da comunidade médica sobre seus limites para diagnosticar e curar doenças ou ferimentos, em comparação com sua tendência entre meados e o final do século 20, disse ele. "A comunidade médica não tem tantas certezas sobre si mesma como tinha 20 ou 30 anos atrás", afirmou Theillier."

    Ou seja: os diagnósticos não eram confiáveis e muitas curas eram apenas inexplicadas. Mesmo assim, 67 casos em centenas de milhões não é praticamente nada. Nos registros médicos de países como a China, que não é cristã, há todo ano um bom número de curas surpreendentes e "inexplicáveis" de câncer terminal e de outras doenças. Só quem acha que a ciência é infalível são os crentes, que têm mais fé na ciência do que qualquer cético... Se ela não explica, é porque é milagre! Acostuma-se a ter fé, né, fazer o quê...

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  3. Catellius,

    gostaria que indicasse a fonte dessa informação, pois tentei procurá-la e não encontrei!

    Se isso é verdade, por quê então o Bureal Médico de Lourdes e o Comitê Médico Internacional de Lourdes já constataram mais de 7.200 curas sem explicação pela medicina até hoje; e, entre essas, a Igreja reconheceu oficialmente apenas 68 como milagres?

    Ou seja, os bispos da Igreja têm sido bem mais rigorosos do que os próprios médicos!

    E, segundo essa entrevista de Patrick Theillier em 08/02/2010, não parece que ele duvida dos milagres de Lourdes:

    "
    Diz o ex-presidente do Escritório Médico do Santuário

    LOURDES, segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org). – “Todos podemos receber uma graça em Lourdes se pedirmos com fé e perseverança”, afirma o Dr. Patrick Theillier, ex-presidente do Escritório Médico do Santuário.

    Em um artigo que será publicado na revista France Catholique na próxima sexta, Theillier explica que tal graça “pode não ser tão espetacular a ponto ser considerada um milagre”.
    De qualquer modo, “interessa de maneira profunda e duradoura, em todo o seu ser, corpo, alma e espírito”.

    “Curas assim são realmente incontáveis”, diz.

    O médico observa que isto não significa que não ocorram graças de fato milagrosas – 67 foram oficialmente reconhecidas em Lourdes até hoje.

    “Estes milagres foram necessários no início da Igreja”, explicou.

    “Não teríamos hoje, talvez, mais necessidade de que há 100 ou 150 anos atrás, de sermos aliviados de nosso sofrimento moral e de nossas feridas de ordem psicológico-espiritual, que estão para além do alcance da medicina?”, se pergunta.

    E responde: “é nisto que Lourdes responde a uma necessidade muito atual”.

    Para Theillier, milagres assim são maiores que aqueles operados sobre o corpo, “porque é a alma que está sendo regenerada”.

    “As graças físicas extraordinárias se tornam cada vez mais raras”, diz ele, “visto que Deus tem agido através das intervenções humanas, como a medicina”. Neste sentido, ao explicar como é o trabalho desenvolvido em Lourdes, enfatiza que o primeiros beneficiados por tais curas são os próprios médicos.
    Em 2005 e em 2007, o Santuário motivou congressos que reuniram mais de 300 médicos de língua francesa.
    Neste ano, entre os dias 6 e 9 de maio, será realizado o Congresso Mundial da Federação internacional das Associações Médicas Católicas (FIACMC), que terá como tema “Nossa fé de médico”.
    Theiller convida todos os médicos a comparecerem a Lourdes nesta ocasião, para “encontrar colegas de todo o mundo, participar das palestras sobre o tema da fé no exercício médico”, além de “realizar sua peregrinação, tendo a oportunidade de viver as graças de que todos precisamos”.

    “Como podem comprovar os que estiveram presentes nos congressos anteriores, os médicos podem experimentar a misericórdia de Deus neste lugar de graça”, concluiu Theiller.

    ".

    FONTE: www.zenit.org/rssportuguese-24041

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  4. Catellius,

    já em outro artigo, de Setembro de 2008:

    "
    ...

    Q: Apenas no momento em que estavam a aceitar esta missão, Lourdes estava fazendo manchetes em todo o mundo. Parece que houve conversa de propor uma nova forma de abordar o assunto de curas e milagres que acontecem no santuário em uma base regular. Você pode nos dizer mais sobre isso?

    Ficocelli: Desde as aparições ocorreu há 150 anos, milhões de pessoas já visitaram Lourdes. Gerações de pessoas têm creditado o santuário e suas águas termais para os resultados milagrosos. Mas se você olhar para o número de aprovados pela Igreja milagres, você verá uma história diferente: Há apenas 67. Por que tão poucos?

    Segundo o Dr. Patrick Theiller, diretor médico de Lourdes, a disparidade é o resultado de três fatores.

    Primeiro, os critérios utilizados para avaliar os milagres - os mesmos critérios utilizados hoje para autenticar milagres no processo de canonização - foram estabelecidos em 1734. Estes critérios excluir curas espirituais e psicológicas, como estes não pode ser medido cientificamente. Isso elimina automaticamente um número significativo de curas que as pessoas experimentam em Lourdes.

    Segundo, nem todo peregrino que experimenta uma melhoria profunda no seu ou seus desejos de saúde física para se submeter ao processo de exame intenso e longo necessário para a cura para ser autenticado - ou o publicidade que muitas vezes vai com ele. Um receptor cura, por exemplo, é esperado para retornar ao departamento médico às vezes Lourdes vários ao longo de cinco ou mais anos para provar que a cura é duradoura. Isso simplesmente não é possível para todos os povos, especialmente aqueles vindo de grandes distâncias.

    Terceiro, o processo requer o consentimento e a cooperação do médico pessoal do indivíduo em casa e, mais importante ainda, o bispo dele ou dela. Muitas vezes, os médicos e os bispos não desejam ou são incapazes de se envolver em tais assuntos.

    Segundo o Dr. Theillier, há mais de 7.000 relatos de curas cientificamente inexplicáveis ​​em arquivo com o departamento médico que falta algum requisito que lhes permitam avançar para a fase final de ser considerado milagroso. Para Lourdes de ser capaz de apresentar ao ao mundo uma imagem mais equilibrada do que realmente está acontecendo no santuário, o diretor bispo e médicos apelaram para Roma. Sua intenção não é mudar a forma como a Igreja autentica milagres. Ao contrário, eles procuram criar uma nova categoria de "curas autenticadas."

    A nova categoria teria de modo algum reduzir o processo de avaliação rigoroso. A condição da pessoa ainda precisa ser verificado medicamente tão grave e sua reversão como cientificamente inexplicável. Seria, no entanto, para a função pela primeira vez o desafio de avaliar os benefícios espirituais da cura também. E seria permitir que uma pessoa a testemunhar a sua cura e conversão espiritual em suas paróquias e em retiro, que eles não têm a aprovação da Igreja para fazer atualmente.

    Outro passo importante é que Lourdes, através da sua Comissão Médica Internacional, que se reúne anualmente em Paris, também é seriamente reflectir sobre a pertinência de cura nos casos de doenças psicológicas e mentais, e como estes podem ser avaliados e apresentados.

    ...". (traduzido pelo Google)

    FONTE: www.zenit.org/article-23565?l=english

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