segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Arqueólogos e peritos policiais investigam casas de Lutero e descobrem deshonestidades do heresiarca

A arqueologia às vezes traz surpresas onde menos se imaginaria. É o caso, ao menos, da vida privada do heresiarca Martinho Lutero, fundador do protestantismo.

O "Der Spiegel", a maior revista alemã, publicou singular reportagem, traduzida e difundida no Brasil pelo portal UOL Midia Global.

As descobertas fazem parte duma exposição que verte uma nova luz sobre a vida privada do reformador religioso, informou Der Spiegel. A amostra acontece no Museu de Pré-História do Estado Alemão em Halle, e iniciou-se em 31 de outubro.

O catálogo descreve o conteúdo da exibição como "sensacional", dizendo que ele nos permite reexaminar "capítulos inteiros da vida humana", escreveu Der Spiegel.
As escavações no Monastério de Wittenberg foram conduzidas pelo arqueólogo Mirko Gutjahr.

Peritos e arqueólogos analisaram com critérios policiais o lixo das casas em que nasceu (foto acima), viveu e morreu o instigador da revolta protestante, em Eisleben, Mansfeld e Wittemberg (foto embaixo), na Alemanha.

O laudo técnico constatou a desonestidade dos relatos do pai do protestantismo.

Por exemplo, provou que ele mentiu dizendo ser filho de um “minerador pobre” cuja “mãe carregava toda a madeira nas costas até em casa”.

Na verdade, o pai de Lutero dirigia fundições de cobre, tinha boas conexões com a administração real das minas, era prestamista e dono de terras. Escreveu o Speigel:
Em 1484, quando Martinho Lutero ainda era criança, a família se mudou para Mansfeld, onde o pai logo se tornou um capataz bem sucedido. Ele operava três fundições de cobre, era dono de 80 hectares (198 acres) de terra e emprestava dinheiro a juros.
O tamanho e grandiosidade de sua casa, conforme revelou a escavação, estavam de acordo com seu status econômico. "A frente da casa, que dava para a rua, tinha 25 metros de comprimento", diz o arqueólogo Björn Schlenker. A escavação revelou grandes cofres no porão e um quintal cercado por grandes construções.
As casas em que viveu eram próprias de burgueses ricos. Em uma delas encontraram grandes cofres no porão.

Os brinquedos que Lutero usou quando criança, poucas famílias podiam comprar.

Sobre seu nivel de vida nos últimos anos de existência, a reportagem do Spiegel acrescenta:
O pensador era tremendamente prolífico, escrevendo uma média de 1.800 páginas por ano.

Seu tom tornou-se cada vez mais brusco com o passar dos anos.

Ele chamou os turcos de "demônios", os judeus de "mentirosos" e os padres gays de "irmãos de jardim que fazem aquilo uns com os outros". Roma, escreveu, estava cercada de "porcos-teólogos".

Depois de escrever palavras tão afiadas, o eloqüente reformista comia em tigelas de cerâmica e bebia de jarras turcas magníficas.

Os arqueólogos encontraram azulejos de forno decorados com motivos do Velho Testamento, além de mais de 1.600 cacos de copos que Lutero, um glutão voraz, usava para matar sua sede considerável de cerveja.
As seitas protestantes obviamente não gostaram da análise e de seus resultados ...

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