segunda-feira, 22 de maio de 2017

A ciência impotente para explicar a imagem do Santo Sudário

O Dr Paolo di Lazzaro ao trabalho no ENEA.
O Dr Paolo di Lazzaro ao trabalho no ENEA.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A Agência Nacional da Itália para Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Econômico Sustentável – ENEA, após cinco anos de experimentos em seu Centro de Frascati, não conseguiu imitar “a cor que se encontra no tecido de linho do Santo Sudário”.

Os cientistas tentaram produzi-la sem sucesso, apelando para raios ultravioletas.

Em palavras simples, escreveu o “Vatican Insider”, não foi possível “identificar os processos físicos e químicos capazes de produzir cores semelhantes às que formam a imagem do Sudário”.


Os cientistas Di Lazzaro, Murra, Santoni, Nichelatti e Baldacchini partiram do último e único exame completo interdisciplinar do sagrado lençol, efetivado em 1978 pela equipe de cientistas americanos do STURP (Shroud of Turin Reasearch Project).

O novo relatório do ENEA desmente, quase sem esforço e com muita clareza, a hipótese de que o Santo Sudário possa ser uma falsificação medieval.

Hipótese que já se tentou veicular com insucesso explorando uma análise com Carbono 14 marcada por erros de procedimento e cálculo.

O documento do ENEA aponta outras circunstâncias que constituem um quebra-cabeça até hoje insolúvel:

“A dupla imagem (frontal e dorsal) de um homem flagelado e crucificado, fracamente visível no tecido de linho do Sudário de Turim, tem muitas características físicas e químicas de tal maneira peculiares, que tornam impossível obter em laboratório uma cor idêntica em todos os seus matizes, como já foi discutido em vários artigos e está listado nas referências bibliográficas.

“Esta incapacidade de replicar (e, por conseguinte, de falsificar) a imagem impede que se possa formular uma hipótese crível sobre o seu mecanismo de formação.

“De fato, até hoje a ciência ainda não é capaz de explicar como se originou a imagem do corpo no Sudário”.

Os especialistas Daniele Murra, Paolo Di Lazzaro e  Giuseppe Baldacchini que participaram nos trabalhos
Os especialistas Daniele Murra, Paolo Di Lazzaro e  Giuseppe Baldacchini
que participaram nos trabalhos
As primeiras análises experimentais das propriedades físicas e químicas da imagem do Santo Sudário foram realizadas em 1978 por 31 cientistas do projeto STURP.

Eles trouxeram dos EUA instrumentos de vanguarda de valor milionário no campo da espectroscopia de infravermelho, ultravioleta e visível, fluorescência de raios X, termografia e pirólise, espectrometria de massa, análise de micro-Raman, transmissão de fotografia, microscopia, remoção de fibrilas e teste microquímico.

Essas análises não encontraram quantidades significativas de pigmentos, como corantes ou vernizes, nem restos de desenhos. Por isso concluíram que a imagem não está pintada, nem impressa, nem foi obtida por aquecimento.

Acresce que a coloração da imagem reside apenas na parte mais externa e superficial das fibras constitutivas dos fios do tecido de linho. Medições recentes demonstram que a espessura da parte com cor é extremamente sutil.

Quer dizer, por volta de 200 micrômetros (= 200 milionésimos de metro), ou um quinto de milésimo de milímetro. Isto equivale à parede celular primária de cada fibra de linho. Cerca de 200 dessas fibras constituem um fio do tecido.

Trata-se de uma espessura quase impalpável, embora perceptível ao olho humano e captada tecnicamente com segurança.

Mais outros dados constatados pela equipe do STURP:

1) Há sangue humano no Santo Sudário, mas onde ele está presente não há imagem; portanto, não há imagem sob as manchas de sangue;

2) As nuances da cor contêm informações tridimensionais do corpo;

3) As fibras coloridas da imagem são mais frágeis que as coloridas;

4) A coloração superficial das fibras da imagem provém de um processo desconhecido que causou oxidação, desidratação e conjugação da estrutura da celulose do linho.

Santo Sudário: montagem tridimensional por Thierry Castex
Santo Sudário: montagem tridimensional por Thierry Castex
“Em outras palavras, a coloração é consequência de um processo de envelhecimento acelerado do linho”, escreve o ENEA.

Até hoje fracassaram todas as tentativas de reproduzir uma imagem com as mesmas características sobre um pano de linho.

Alguns cientistas conseguiram reproduzir alguns efeitos, mas ninguém logrou obter o conjunto de características do original.

“Neste sentido, a origem da imagem do Sudário hoje é desconhecida. 

“Esse é o ponto central do chamado ‘mistério do Sudário’: independente de sua data ou dos documentos históricos (...)

“a ‘pergunta das perguntas’ continua sendo a mesma: como foi gerada a imagem do corpo do Sudário?”.

E há ainda mais.

1) Há uma relação precisa entre a intensidade das nuances da imagem e a distância entre as partes do corpo e o tecido que o cobriu.

Porém, há partes do corpo retratadas na imagem que não podiam estar em contato com o tecido como se verifica acima e abaixo das mãos.

2) não estão presentes as deformações geométricas típicas de um corpo de três dimensões posto em contato com um lençol de duas dimensões. “Portanto, podemos deduzir que a imagem não se formou por contato do linho com o corpo”.

Estas características somadas à “extrema superficialidade da cor e a ausência de pigmentos (...) torna extremamente improvável obter uma imagem semelhante por meio de métodos químicos de contato, seja num laboratório moderno, ou com maior razão por obra de um hipotético falsificador medieval”.

O fato de não haver manchas de sangue sob a imagem significa que elas se formaram antes da imagem.

Portanto, a imagem do Santo Sudário se formou após a deposição do cadáver no Sepulcro.

Acresce que as manchas de sangue possuem contornos bem definidos, pelo que se pode pensar que o cadáver não foi carregado com o lençol.

“Faltam sinais de putrefação perto dos orifícios corpóreos. Esses sinais aparecem por volta de 40 horas depois da morte. Em consequência, a imagem não ser atribuída aos gases da putrefação, pois o cadáver não permaneceu no tecido durante mais de dois dias”.

Uma hipótese aventa a possibilidade de uma forma de energia eletromagnética (como seria um relâmpago de luz de onda curta), que poderia reproduzir as características do Sudário.

Porém, as tentativas de reproduzir uma imagem como a do Sudário usando raios laser foram frustras.

Santo Sudário: montagem tridimensional por Thierry Castex
Santo Sudário: montagem tridimensional por Thierry Castex
O ENEA tentou outra via, usando um flash de radiação direcional ultravioleta, obtendo resultados em algo comparáveis ao Santo Sudário.

Porém, advertem os cientistas do ENEA, “deve-se sublinhar que a potência total de radiação ultravioleta necessária para colorir instantaneamente a superfície de um tecido com o tamanho de um corpo humano de estatura média equivale a 34 trilhões de watts.

Essa potência torna impraticável a reprodução da imagem por inteiro, porque ela não pode ser produzida por fonte alguma construída até os dias de hoje. As mais potentes que se podem encontrar alcançam alguns bilhões de watts”.

34 trilhões de watts equivalem à produção total da hidrelétrica de Itaipu durante 20 minutos no ápice de seu funcionamento (103.098.355 Megawatts por hora em 2016).

O trabalho do ENEA encerra dizendo que “não chegamos a uma conclusão, estamos compondo as pecinhas de um quebra-cabeça científico fascinante e complexo”.

Enquanto os cientistas continuam debatendo, nós, pobres homens, com toda a nossa ciência e tecnologia, ficamos maravilhosamente postos na nossa dimensão de criaturas diante da infinitude de poder de Deus e da imensidade do milagre espiritual e material da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Físicos do ENEA na TV Raitre: “a imagem do Sudário hoje não é reproduzível”




segunda-feira, 8 de maio de 2017

Segundo maior sítio arqueológico da região de Jerusalém
confirma abolição do culto aos ídolos por Ezequias

Laquis ou Tel Lachish, vista aérea do maior sítio arqueológico perto de Jerusalém
Laquis ou Tel Lachish: vista aérea do maior sítio arqueológico perto de Jerusalém
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A antiga porta da cidade de Laquis (Tel Lachish em hebraico), que servia de templo idolátrico e foi demolida pelo rei Ezequias no século VIII a.C., foi identificada e desenterrada por cientistas de Israel, noticiaram sites voltados para a arqueologia, como Live Science.

As ruínas desse portão-santuário confirmaram aquilo que a Bíblia nos transmite a respeito de Ezequias, 12º rei de Judeia, que se empenhou em abolir o culto aos ídolos, reconheceu a Autoridade de Israel para as Antiguidades (IAA, na sigla em inglês).

O rei Acaz, pai de Ezequias, era tido em conta de deidade. Por isso, assim que Ezequias assumiu o trono, ordenou a destruição em todo o reino dos ídolos de qualquer tipo, incluindo objetos com formas humanas ou animais que o povo cultuava achando que tinha algo de divino.

Assim diz o II livro dos Reis:

1. No terceiro ano do reinado de Oséias, filho de Ela, rei de Israel, Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá, começou a reinar.

O rei Ezequias representado junto com o profeta Isaías na coroa do Sacro Império Romano-Alemão, século X. Schatzkammer, Viena.
O rei Ezequias representado junto com o profeta Isaías
na coroa do Sacro Império Romano-Alemão,
século X. Schatzkammer, Viena.
2. Tinha vinte e cinco anos quando subiu ao trono, e reinou durante vinte e nove anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Abi, filha de Zacarias.

3. Fez o que é bom aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai.

4. Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os ídolos de pau asserás. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque os israelitas tinham até então queimado incenso diante dela. (Chamavam-na Nehustã).

5. Ezequias pusera sua confiança no Senhor, Deus de Israel; não houve outro como ele, entre todos os reis de Judá, tanto entre os predecessores como entre seus sucessores.

6. Conservou-se unido ao Senhor, e nunca se desviou dele, e observou todos os mandamentos que o Senhor prescreveu a Moisés.

7. Por isso o Senhor esteve com ele e fê-lo bem sucedido em todos os seus empreendimentos. (II Reis, 18, 1-7)

O portão-santuário de Laquis (Tel Lachish) mede 24,5m x 24,5m e comporta seis salas, três de cada lado. A rua central da cidade passava pelo meio, constrangendo o povo a atravessar o templo idolátra.

A parte norte desse portão-santuário já havia sido desenterrada por arqueólogos britânicos e da Universidade de Tel Aviv.

Na fase atual foi desentulhada a totalidade da porta, a maior de Israel do período do Primeiro Templo construído pelo rei Salomão.

“O tamanho da porta concorda com o conhecimento histórico e arqueológico que possuímos”, disse Sa'ar Ganor, diretor das escavações.

Segundo o relato bíblico, “tudo acontecia” nas portas da cidade de Laquis (Tel Lachish), onde havia sido erigido o templo contrário à Lei de Moisés.

Os personagens de alto nível, como os anciãos da cidade, juízes, governadores, reis e oficiais, sentavam-se nos degraus desse templo, segundo os relatos. E esses degraus foram encontrados, explicou Ganor.

Laquis ou Tel Lachish: restos que permitem identificar as atividades no local
Laquis ou Tel Lachish: restos que permitem identificar as atividades no local
Ze'ev Elkin, ministro do Meio ambiente e proteção cultural de Jerusalém, também membro do Parlamento, sublinhou que a descoberta prova que muitas coisas tidas como “lendas bíblicas” na verdade relatam fatos genuinamente históricos, corroborados pela arqueologia.

Foram também desenterrados restos de objetos, inclusive armas provavelmente destinadas às movimentações militares do Reino de Judá em guerra contra Senaqueribe, rei da Assíria, no final do século VIII a.C., disse a IAA.

“O portão-santuário incluía degraus ordenados como uma escada ascendente rumo a uma grande sala onde havia um altar sobre o qual eram colocadas as oferendas aos deuses”, explicou Ganor.

“Encontramos dois altares de quatro chifres e dezenas de cerâmicas resultantes de lâmpadas, tigelas e estandes nessa sala. No entanto, os chifres do altar foram cortados intencionalmente.

“Isso provavelmente é prova da reforma religiosa do Rei Ezequias, que centralizou o culto religioso em Jerusalém e destruiu os templos construídos fora da capital”, disse Ganor.

Entre os objetos desenterrados, os arqueólogos encontraram uma pedra entalhada para ser latrina num canto do portão. Segundo a IAA, essa peça deve ter tido um significado simbólico.

A Bíblia menciona, em outras partes, o costume de instalar toaletes em locais de culto pagão com a finalidade de execrar as falsas religiões neles veneradas ou adoradas.

O rei Jeú, por exemplo, ordenou a extinção do culto de Baal, deidade impura símbolo do demônio, espalhado na Samaria.

Laquis ou Tel Lachish: latrina simbólica instalada no local para manifestar a execração pelo culto falso ali praticado
Laquis ou Tel Lachish: latrina simbólica instalada no local
para manifestar a execração pelo culto falso ali praticado
O segundo livro dos Reis fala do fato:

25. Terminados os holocaustos [N.T.: dos sacerdotes de Baal], ordenou Jeú aos guardas e aos oficiais: Entrai e feri-os! Não deixeis escapar nenhum deles! E assim caíram todos ao fio da espada. Depois disso, os guardas e oficiais lançaram fora (os cadáveres), entraram no santuário do templo de Baal,

26. tiraram dali o ídolo e o queimaram.

27. Derrubaram a estela de Baal e demoliram o templo, transformando-o em privadas, que ainda hoje existem.

28. Foi assim que Jeú exterminou Baal de Israel. (II Reis, 10: 25-27)

Fatos análogos estão consignados no Antigo Testamento, mas até agora nunca tinham sido achados restos das referidas privadas ou peças semelhantes.

Desta vez, o costume ficou comprovado com objetos de pedra, segundo explicou o IAA.

Testes de laboratório sugerem que a privada de pedra desenterrada jamais foi usada, mas tinha um objetivo simbólico alusivo à baixeza e repugnância do falso culto.

Arqueiros assírios: relevo permite imaginar os soldados de Senaquerib.
Arqueiros assírios: baixo-relevo permite imaginar os soldados de Senaquerib.
A porta-santuário foi selada e posteriormente destruída por Senaqueribe (rei da Assíria de 705 a 681 a.C.), que em 701 tentou infrutiferamente se apoderar de Jerusalém e acabou morrendo em Nínive, na Caldéia.

As escavações trouxeram à luz restos de armas reveladores de combates militares corpo-a-corpo perto da porta, relacionados com a campanha militar de Senaqueribe.

Essa operação guerreira também só era conhecida pelo relato do segundo livro dos Reis, capítulo 18, e pelo segundo livro das Crônicas, capítulo 32, e agora ficou provada empiricamente.

Também no palácio de Senaqueribe, em Nínive, haviam sido recuperados baixos-relevos entalhados nos muros que faziam menção à batalha e à conquista de Laquis (Tel Lachish).

Mais uma vez as descobertas científicas confirmaram a historicidade dos episódios narrados nos Livros Sagrados.