Entre muitos outros exemplos da transmissão da narração do Dilúvio em povos muito antigos se pode citar o mito caldeu que evoca Noé com o nome de Utnapishtim (“ele encontrou a vida”, ou “muitíssimo sábio”).
Segundo essa lenda Utnapishtim teria sido um rei da antiga cidade de Shuruppak, no sul do Iraque.
Essa figura faz pensar em Noé que sobreviveu ao Dilúvio construindo e ocupando um barco descrito no mito do dilúvio de Gilgamesh. Cfr. Wikipedia, “Utnapistim”.
Ele é chamado por nomes diferentes: Ziusudra (“Vida de longos dias”), Shuruppak (em homenagem à sua cidade), Atra-hasis (“extremamente sábio”) nas primeiras fontes acadianas, e Uta-napishtim em fontes acadianas posteriores, como a Epopeia de Gilgamesh.
A Epopeia de Gilgamesh e o relato mais antiga da história da humanidade, respeitada malgrado seus aspectos lendários
A Acádia é mencionada no Génesis (10:10) como sendo uma das cidades principais no nível de Babel, do império de Ninrode o fautor da Torre de Babel.
Levado pelo orgulho e a vontade de “ser como Deus” Ninrode que dizia ser filho de uma virgem, levou a humanidade então toda unida a construir a Torre de Babel:
“Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo topo toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.” (Gênesis 11:4).
Na língua acadiana Babel significaria “Portão de Deus”, mas para os hebreus desde antigo era sinônimo de “confusão” ou “caos”, pois Deus castigou seu orgulho com o contrário do que pretendiam, dispersando-os pela terra com suas línguas confundidas.
O Império Acadiano incluiu os sumérios e atingiu seu ápice entre os séculos XXIV e XXII a.C., e na sua decadência foi substituída pelos das cidades de e Ur, Nínive e Babilônia. É o mais antigo império conhecido nos reportando às origens da História.
Uta-napishtim é o oitavo dos reis antediluvianos na lenda mesopotâmica, enquanto Noé foi o terceiro depois de Enoque na genealogia do Gênesis.
Ele teria vivido por volta de 2900 a.C., nas narrativas mesopotâmicas, que o apresentam como o Herói do Dilúvio, encarregado por um Deus de criar um navio gigante chamado de Preservador da Vida em vistas de uma inundação universal que destruiria toda a vida.
O castigo pela Torre de Babel foi a confusão das línguas e a dispersão dos homens. Colorização de gravura de Gustave Doré
A lenda caldéia diz que a Arca ou o Preservador da Vida era feita de madeira sólida, e tinha em comprimento e largura 200 pés, em todos os sentidos, ocupando o espaço de um acre.
No interior tinha sete andares, cada um dividido em 9 seções. Essa Arca teria sido terminada completamente no sétimo dia e a entrada do navio foi selada assim que todos embarcaram.
O personagem central também levou sua esposa, família, parentes es artesãos de sua aldeia, filhotes de animais e grãos. A enchente que se aproximava eliminaria todos os animais e pessoas que não estivessem no navio.
Após doze dias na água, Uta-napishtim abriu a escotilha de seu navio para olhar ao redor e viu as encostas do Monte Nisir, onde ele posou seu navio por sete dias.
No sétimo dia, ele enviou uma pomba para ver se a água havia recuado, e a pomba não conseguiu encontrar nada além de água, então ela retornou.
Então ele enviou uma andorinha, e assim como antes, ela retornou, não tendo encontrado nada.
Finalmente, Uta-napishtim enviou um corvo que vendo o recuo das águas voou em círculos ao redor da arca, mas não retornou. Uta-napishtim então libertou todos os animais e fez um sacrifício aos deuses.
Ele havia preservado a semente do homem permanecendo leal e confiante a seus deuses.
A lenda é uma confirmação colateral da verdade da narração da Bíblia, transmitida por uma outra civilização muito dedicada aos fenômenos astronômicos e de uma das de muito maior antiguidade da humanidade.
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
O dilúvio universal narrado na Bíblia é um fato lembrado em todas as religiões, inclusive as mais primitivas e sem escritura e orais.
E o mapa mais antigo conhecido pelo homem, recém decifrado, também fala da Arca de Noé.
Trata-se de um fragmento de argila de apenas 12 centímetros que fascina arqueólogos e pesquisadores desde sua descoberta na Mesopotâmia há 143 anos, informou “El Mundo” de Madrid.
A descoberta foi feita em 1882 pelo proeminente assiriólogo Hormuzd Rassam. Ele é considerado uma das figuras mais importantes no estudo da civilização assíria, e desenterrou o mapa nos restos da cidade babilônica de Sippar, às margens do Rio Eufrates, ao sul do atual Iraque.
A peça foi adquirida pelo Museu Britânico em 1882 e o texto foi traduzido pela primeira vez em 1889.
O Mapa Babilônico do Mundo é o mais antigo da humanidade
No Museu Britânico, em Londres, os pesquisadores passaram anos tentando decifrar seu conteúdo que permanecia enigmático.
Em 1995, Irving Finkel e a pesquisadora Edith Horsley, fizeram uma descoberta crucial: uma parte da tabuleta que se inseria no ponto mais alto dela.
Eles localizaram esse fragmento esquecido nos depósitos do imenso Museu Britânico. Ao montá-lo no canto quebrado da tabuleta, eles se depararam com uma das histórias mais emblemáticas e repetitivas da humanidade: a narração do Grande Dilúvio e da Arca de Noé.
A tabuleta consiste em três partes: o mapa-múndi, um texto acima dele e um texto no verso. Diferenças sistemáticas entre os textos sugerem que ela pode ter sido compilada a partir de três documentos separados.
Conhecida como Imago Mundi, a tábua de argila tem 3.000 anos é considerada o mapa-múndi mais antigo já encontrado.
O Mapa Babilônico do Mundo (também Imago Mundi ou Mappa mundi) foi datado como não anterior ao século IX a.C. sendo mais provável que tinha sido feito pelo final do século VIII ou VII a.C., segundo a Wikipedia.
É a mais antiga representação conhecida do mundo. Outro fragmento pictórico classificado como VAT 12772, apresenta uma topografia semelhante, mas seria anterior de aproximadamente dois milênios.
O explorador e arqueólogo Hormuzd Rassam, descobriu a Imago Mundi no século XIX
O mapa é centrado no Eufrates, fluindo do norte (topo) para o sul (embaixo), com sua foz rotulada de “pântano” e “vazão”. A cidade da Babilônia é mostrada no Eufrates, na metade norte do mapa.
Aparecem assim a Mesopotâmia cercada por um “rio amargo” circular ou oceano, e sete ou oito regiões estrangeiras.
O mapa é circular com dois círculos de limite. A escrita cuneiforme rotula todos os locais no mapa circular, bem como algumas regiões fora.
Os dois círculos representam um corpo de água rotulado id maratum “rio amargo” ou mar salgado.
Babilônia é posta ao norte do centro; linhas paralelas na parte inferior parecem representar os pântanos do sul da Mesopotâmia, e uma linha curva vinda do norte-nordeste parece se referir às montanhas Zagros do Irã.
Irving Finkel conseguiu transcrever as inscrições do Imago Mundi.
Existem sete pequenos círculos internos dentro do perímetro do círculo, parecendo representar sete cidades. Sete ou oito seções triangulares fora do círculo de água representam “regiões” nomeadas nagu. Sobreviveram as descrições de cinco delas.
Na parte da frente, acima do mapa, um texto de 11 linhas descreve parte da criação do mundo por Deus, que diz ser o patrono da Babilônia, e que separou o Oceano primordial criando a Terra e o Mar.
E acrescenta que criou os peixes no Mar incluindo “a grande serpente marinha”.
Em seguida, descreve a Terra, e menciona pelo menos quinze animais terrestres, entre eles a cabra montesa, gazela, leão, lobo, macaco e macaca, avestruz, gato e camaleão.
Esquematização do Mapa Babilônico do Mundo
Com exceção do gato, todos esses animais eram típicos de terras distantes da Caldeia onde foi feito o mapa.
No verso de 29 linhas parece descrever pelo menos oito nagu ou regiões. Após uma introdução, possivelmente explicando como identificar o primeiro nagu, é dada uma breve descrição de cada um dos oito nagu.
Mas os do primeiro, segundo e sexto estão muito danificados para serem lidos. O quinto nagu tem a descrição mais longa, mas também está danificado e indecifrável.
Concluindo, o mapa é uma descrição panorâmica dos Quatro Quadrantes do mundo.
Por fim, as duas últimas linhas registram o nome do escriba que fez a tabuinha e que diz tê-la copiado de um exemplar ainda mais antigo.
A Igreja não só fez a Civilização Cristã, mas acolheu elementos de outras civilizações, cristianizando-os. Na foto o Castel Sant'Angelo, túmulo de um imperador romano
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
Uma propaganda insistente quer apresentar os séculos marcados pela influência benéfica da Igreja, como eras de retrocesso, barbárie e ignorância provocada pela própria Fé e costumes pregadas pela Igreja Católica.
E, em consequência, essa falsa propaganda canta louvores exagerados dos progressos tecnológicos atuais, sobre tudo quando ligados à crescente paganização dos povos modernos.
A Igreja entretanto só promoveu o desenvolvimento das artes, técnicas e ciências como nunca se viu outra religião ou instituição fazer na História. Confira por exemplo, uma extensa informação a respeito (mas pequena se comparada com tudo o que a Igreja fez em 2.000 anos de existência), em: “Invenções, progresso, ciência e técnicas medievais”.
A Igreja também acolheu, e salvou, as contribuições de civilizações – que em muitos casos acabou convertendo ao ensinamento de Cristo – que contribuíram ao verdadeiro progresso da humanidade.
Entre essas civilizações originalmente pagãs destacou-se o Império Romano que acabou cedendo sua capital para sede do Papado. A Igreja cristianizou esse império de pecado e costumes horrorosos e, por outro lado, acolheu o que tinha de aproveitável, corrigindo os defeitos, como fez com o Direito Romano.
O açude romano de Almonacid , aproveita degraus da pedra para ralentizar a enxurrada
Também sua arquitetura, cujas basílicas foram adaptadas com facilidade para o culto divino e brilham até hoje.
Por essa aceitação do Evangelho e seus divinos ensinamentos tais civilizações também são objeto do esquecimento, malgrado suas boas realizações.
As últimas mortíferas enchentes no sul da Espanha, patentearam a inteligência com que a Igreja preservou as obras dos romanos.
Nos referimos à Depressão Isolada em Altos Níveis (DANA) que causou estragos em Valência, e deixou mais de 200 mortos. As imagens das tempestades e das graves inundações geraram choque no mundo.
No entanto, uma barragem em Saragoça mostrou a sua eficácia, evitando o desastre que atingiu muitas cidades, informou “La Nación”.
Essa barragem foi construída em tempos do Império Romano em Almonacid de la Cuba e tem quase 2.000 anos.
Nos vídeos é possível ver a água subindo até o limite da barragem e depois cai por etapas criadas com o propósito de frear o impulso.
O açude romano cortando o empuxo da enchente
Tudo o contrário de outras cidades de Valência, que sofreram inundações arrasadoras em questão de segundos.
Dezenas de usuários expressaram seu carinho por esta obra arquitetônica da civilização romana e sua utilidade hoje.
Em Almonacid de la Cuba não foram relatados danos ou feridos, o que aliviou o município.
Os espanhóis ficaram satisfeitos com a eficiência da barragem 2.000 anos depois, pois foi construída na segunda metade do século I d.C., na época do imperador Augusto, sob cujo reinado nasceu Jesus em Belém. É a barragem romana mais alta do mundo e é conhecida como La Cuba.
Como a construção é enormemente antiga, diversas modificações foram feitas para torná-la viável até hoje.
Durante a época muçulmana (século III) foi abandonada e depois serviu como barragem de desvio de fluxos para a zona de Belchite, que ainda hoje vigora.
A basílica e palácio de São João de Latrão foram residência do imperador Constantino, que a Igreja preservou e aprimorou
As referidas condições meteorológicas causaram destruição e fortes inundações que provocaram a morte de centenas de pessoas.
O fenômeno tem origem em uma corrente de ventos polares muito intensos – entre 150 e 300 quilômetros por hora, aproximadamente – que circulam na parte alta da atmosfera, a 9 mil metros de altitude, e cujo percurso gira em torno do Polo Norte e do Oeste para Leste.
Ao contrário das tempestades habituais, pode permanecer no mesmo local durante vários dias, o que aumenta os danos eventuais das muito intensas chuvas que provoca, como aconteceu desta vez, infelizmente.
Mais uma vez ficou provado como a Igreja e os povos convertidos souberam conservar o que outros tinham feito para o bem da humanidade e o encaixaram no progresso da Civilização Cristã,
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
Ficou em exibição em Washington (no Museum of the Bible até julho 2025) o maior objeto arqueológico bíblico depois dos Manuscritos do Mar Morto pela sua antiguidade e relevância, informou o blog Thyself, O Lord.
Trata-se de mosaicos dos primeiros séculos descobertos durante os trabalhos dos prisioneiros em Megido, perto da Galileia, Israel. No local onde foram dar com os mosaicos há atualmente uma prisão de segurança máxima.
Eles faziam parte de uma casa ou local de culto cristão no ano 230 d.C. aproximadamente, mais de cem anos antes do imperador romano Constantino dar liberdade o cristianismo. Portanto em época de perseguições e martírios.
No mosaico se pode ler:
“Akeptous, adorador de Deus, ofereceu a mesa a Deus Jesus Cristo como um memorial”.
Os especialistas sublinham que na inscrição há três coisas extremamente significativas:
1º) Jesus Cristo é reconhecido como Deus;
2º) Foi erguido um altar para cultuar a Cristo;
3º) Já havia romanos que adoravam Jesus Cristo, posto que no local havia uma instalação de soldados romanos na época do mosaico.
Segundo a revista especializada “Biblical Archeaeology”, o mosaico foi descoberto quando se procedia a uma escavação em Kfar Othnay, antigo assentamento da era romana e bizantina descoberto dentro do terreno da moderna prisão israelense de Megido.
O mosaico exposto
O mosaico é grande, medindo cerca de 9,75 metros por 4,88 metros e formava o chão de um salão de culto cristão.
Este salão constituía uma ala de um grande edifício residencial usado pela Sexta Legião Encouraçada estacionada no acampamento militar próximo de Legio.
É o primeiro monumento conhecido em Israel dedicado ao culto cristão. Arqueólogos da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) exploraram o assentamento rural de Kfar Othnay entre 2003 e 2005.
O trabalho feito em parceria com a IAA, foi apresentado em The Megiddo Mosaic: Foundations of Faith. Ele destaca três inscrições gregas que aparecem no mosaico ao lado de muitos motivos decorativos e figurativos.
Essas inscrições reconhecem sete pessoas por seus papéis benéficos na igreja local. Cinco eram mulheres, confirmando sua importância nesta comunidade cristã primitiva.
Uma inscrição reconhece uma mulher chamada Akeptous e contém as palavras abreviadas “Deus Jesus Cristo” — uma afirmação inicial da divindade de Jesus, oficialmente consagrada pelas autoridades da Igreja Católica um século depois.
Especialistas limparam e conservaram o mosaico antes de transportá-lo para Washington, e depois será exposto num espaço especial perto do local original, na vizinhança de Megido.
As inscrições estão em grego, língua culta na época
O mosaico evidentemente pertence a uma igreja que é das poucas conhecidas que remontam à primeira metade do século III.
A datação baseia-se em vários vestígios, que incluem moedas da época, pedaços de barro de objetos de cerâmica e inscrições que sugerem o ano 230 d.C.
Nesse caso teria pertencido à sala de oração cristã mais antiga já encontrada, segundo Wikipedia.
O piso foi cuidadosamente escondido durante a grande perseguição às primeiras comunidades cristãs da Judeia empreendida pelo imperador romano Diocleciano por volta do ano em 303 d.C.
O local foi identificado em 2005 pelo arqueólogo israelita Yotam Tepper da Universidade de Tel Aviv. Segundo outra versão a descoberta teria sido feita por um recluso da prisão adjacente de Megido.
O local foi escavado e limpo por reclusos do referido presídio militar, e atraiu desde o início muitas manchetes da imprensa da época.
Após um minucioso processo de datação que levou ao século III; concluiu-se que foi feito por fiéis do local durante algum período de tranquilidade, suficiente para desenvolver objetos de arte sacra.
Portanto, a igreja foi anterior aos tempos turbulentos da segunda metade do século.
O mosaico de 54 m² está em muito bom estado e reúne textos, figuras geométricas e representações de peixes, típico dos primeiros cristãos.
É composto por quatro painéis, um de cada lado do que deve ter sido um altar, hoje desaparecido, rodeados por tesselas (peças quadradas ou cúbicas que podem ser utilizadas para revestir pavimentos, mosaicos ou marqueteria) monocromáticas decoradas com rosetas e mosaicos de losangos, e delimitados por molduras de formas entrelaçadas.
Os textos estão escritos em grego antigo e, segundo a própria peça, o artista da obra foi um certo Brutius.
Imagem aérea do mosaico dos primeiros séculos com a inscrição 'Jesus Cristo é Deus'
O painel sul, adornado com tapete de rosetas, apresenta duas das três inscrições do mosaico.
Uma terceira está no painel norte, e apresenta um octógono rodeado por quadrados separados por losangos e triângulos, e formas que incluem um traste (meandro grego), um escudo, duas luas, uma flor, um tabuleiro de xadrez e, ao centro, um prisma “tridimensional” que encerra um medalhão com imagens dos dois peixes, possivelmente um robalo e um atum.
No centro da superfície, ao pé do que parece ter sido um arco, existem duas pedras retangulares que se acredita terem sido duas das pernas do trapézio.
A inscrição no topo do painel norte é dedicada a Gaiano, o centurião que pagou pela criação do piso de mosaico:
“Gaiano, também chamado Porfírio, centurião, nosso irmão e dignitário, fez com que este terreno fosse feito às suas próprias custas como um ato de liberalidade. O Brucio realizou [realizou/concluiu] o trabalho”.
A inscrição no lado oeste do painel sul é dedicada a “Akeptous, que ama a Deus... e ofereceu o altar a Jesus Cristo Deus como memorial [ou lembrança/homenagem]”.
Vista aérea do sitio arqueológico de Megido
Por ‘memorial’ refere-se provavelmente à sagrada comunhão, o que significaria a mesa eucarística, coincidindo com a interpretação atribuída às pernas de pedra no meio da sala, e seria uma das referências arqueológicas (ou seja, não baseadas em textos) mais antiga da missa.
A localização do altar coincide com a disposição de restos de mesas semelhantes nas igrejas do Norte de África, sugerindo que a Missa era celebrada nos séculos III-IV no meio da congregação de fiéis, e não numa parte de o santuário reservado ao clero.
Do ponto de vista teológico, a descoberta confirma que Jesus Cristo era adorado como Deus desde os primórdios da religião católica, desfazendo confusões progressistas modernas ao respeito.
A abreviatura do nome de Jesus Cristo, que usa a primeira e as últimas letras do nome designando-o como um nome sagrado, e a evidência mais antiga desta prática mais conhecida em épocas posteriores, e usada para desnortear aos pagãos nos tempos das perseguições.
O nome do doador Akeptous não permite reconhecer com certeza a quem se refere. O nome poderia ser um derivado do latim Acceptus, e então se referir a um escravo.. Isso seria possível considerando que o salão é uma adaptação de uma habitação humilde preexistente.
No lado oposto do mesmo painel há a chamada “Inscrição Feminina” porque evoca a memória de “Primilla, Cyriaca e Dorothea, e também de Chreste”.
Estas quatro mulheres, do modo que são nomeadas, poderiam ter sido mártires da comunidade primitiva. A disposição dos painéis de mosaico, confrontando as inscrições das mulheres com as dos homens, sugeree que no cristianismo primitivo, homens e mulheres sentavam-se em lados opostos da igreja durante os eventos religiosos, costume que perdurou até antes da reforma litúrgica do Concilio Vaticano II.
Se se confirma que o mosaico é do século III a igreja de Megido disputaria em antiguidade com a igreja doméstica de Dura Europos, situada no leste da Síria, às margens do Eufrates, num local que teria correspondido à província romana da Cele-Síria.
Dura Europos: fragmento de imagem da samaritana junto ao poço ou tal vez da Virgem Maria
A igreja doméstica de Dura Europos, na Síria às margens do rio Eufrates, vinha sendo considerada a igreja / local de oração cristã mais antiga conhecida até hoje pois é datada de por volta de 233/235 d.C., ou 241 para outros.
Nessa casa síria, foram recuperados valiosos objetos de culto religioso, como uma pia batismal e murais internos que representam cenas bíblicas do Antigo e do Novo Testamento.
Embora em ambos casos não se chegou a uma datação definitiva, considera-se certo que tenham sido residências particulares, tal vez antigas dependências romanas, que foram modificadas para uso religioso. Poderia se acrescentar a necessidade d sigilo em tempo de perseguição.
O antropólogo Joe Zias, ex-professor e curador do Departamento de Arqueologia e Antropologia da Autoridade de Antiguidades de Israel, defendeu a existência do edifício nas primeiras décadas do século III.
Casos análogos se deram com a igreja de Abu Mena, no Egito; os espaços subterrâneos da Basílica de São João e São Paulo, em Roma, que antes foram quartel romano entre os séculos I e III, e só foram igreja no final do século IV, embora uma igreja clandestina no século I.
Estas igrejas domésticas atendiam à necessidade de eludir as perseguições.
Na verdade, o edifício mais antigo que foi erguido como templo católico desde a sua concepção, do qual há evidências hoje, é a igreja de Aqaba, no sul da Jordânia, a dois quilômetros da fronteira com Israel.
Dita igreja foi construída em duas fases. A primeira remonta a por volta do ano 300 d.C. alguns anos antes da perseguição de Diocleciano.