Milagres Eucarísticos

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



Alatri: milagre da Hóstia Encarnada
ratificou o dogma da Transubstanciação

Restos da Hóstia profanada e restituída duram até hoje
Restos da Hóstia profanada e restituída duram até hoje
Em Alatri, Itália, o 13 março de 1228 se comemorou com nota especial o solene ato em que o Papa Inocêncio III, acompanhado pelo IV Concilio Lateranense, proclamou o dogma da Transubstanciação usando, por vez primeira, esse termo especifico e hoje obrigatório.

Naquele ano de 1228, o Papa Gregório IX publicou a Bula “Fraternitatis tuae” (13.3.1228) recolhendo os elementos essenciais do milagre eucarístico acontecido em Alatri.

Esse foi uma confirmação sobrenatural da proclamação do dogma da transubstanciação.

Um milagre que teve um efeito comparável à aparição de Nossa Senhora em Lourdes confirmando o dogma da Imaculada Conceição.

Esta verdade de Fé da transubstanciação ensina que a fórmula da consagração, pronunciada pelo sacerdote celebrante segundo prescreve o Missal, muda eficazmente a substância do pão e do vinho que passam a ser o verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo.

Essa definição condenou a heresia de Berengário (filósofo e teólogo de Tours, França) que negava a transubstanciação e foi condenado por diversos Concílios.

No fim, Berengário se arrependeu e morreu reconciliado com a Igreja, mas muitos de seus sequazes continuaram com a heresia causando escândalos, lutas, cismas e desordens.

Lutero e os protestantes retomaram a mesma heresia, dizendo que na consagração o celebrante apenas rememora as palavras de Cristo.

Esses heresiarcas negam que há transubstanciação alguma, e o pão e o vinho continuam sendo mero alimento. Muitas vezes o consumem numa ceia gastronômica e solidária.

Os mesmos erros são propagados hoje por “católicos” ditos “progressistas”.

Eles costumam apresentar a Missa como mera comemoração da comunidade que reproduz a última ceia. Essa não teria passado de mais um jantar festivo pascal.

Esses erros são satanicamente obstinados e suscitam toda espécie de males doutrinários enganando muitos cristãos inconscientes.

Catedral de Alatri onde está exposto o milagre
Catedral de Alatri onde está exposto o milagre
Então se deixam tentar e cometem abusos contra o Santíssimo Sacramento.

Mas, a Divina Providência permitiu casos exemplares para preservar o respeito ao Corpo de Cristo presente nas Sagradas Espécies em virtude da transubstanciação.

Um desses foi o Milagre Eucarístico de Alatri que hoje podemos ler no próprio site da Prefeitura da cidade.

O caso se deu assim, segundo descreveu o Padre Nasuti no livro dedicado à narração de 17 milagres eucarísticos acontecidos na Itália:

“Uma moça, pouco maior do que uma adolescente, entristecida por um amor não correspondido, procurou uma feiticeira para ter de volta o amado de seu coração (...).

“A bruxa lhe sugeriu como solução arrumar uma hóstia consagrada com a qual ela prepararia um eficaz filtro amoroso.

“Vai na tua igreja – disse – e tira uma hóstia consagrada e eu te darei um filtro portentoso que trará teu namorado de volta a teu coração.

“A fim de recuperar o sujeito que desejava, a ingênua menina acabou mordendo a isca, abafou na hora a fraca voz de sua consciência.

– Mas é um pecado! sussurrou a garota.

– Cale a boca! Boba! Você quer ter seu namorado de volta?

– Sim.

– Então siga minhas instruções; vai à tua igreja amanhã, assiste à missa. E na hora certa, você se aproxima para receber a comunhão e sem atrair a atenção – recomendo – apressa-te para embrulhar a hóstia consagrada pelo sacerdote num lenço ou num pano de linho. Agora vai e quando você tiver a hóstia, volta aqui.

“Toda ofegante, com o coração inchado, a moça foi à missa do dia seguinte fez a comunhão e sem ser vista conseguiu levar para casa a hóstia consagrada envolta em um lenço.

“Enquanto aguardava para levar à feiticeira escondeu a partícula que lhe era de grande peso, dentro do armário do pão.

“Passou uma noite terrível, combatida pela dúvida entre levar a cabo o sacrílego intento ou devolver o Santíssimo ao Sacerdote.

“Passou assim três dias em uma tremenda dúvida: o que eu faço?

“Quando se decidiu a levar a hóstia consagrada para a feiticeira, abrindo o armário ela ficou atônita: em vez da hóstia branca ela encontrou uma porção de carne viva.

“Meu Deus, meu Deus! A pobre menina sacrílega começou a chorar, horrorizada. Agora o que eu faço? O que eu faço?

“Ela fugiu da casa tomada de pavor. Quando chegou à igreja, foi até o padre e, chorando, confessou seu terrível pecado.

“O ministro de Deus foi recolher o embrulho e o levou ao bispo, que era João V.

“O bispo se apressou em comunicar a notícia ao Sumo Pontífice Gregório IX, por escrito, pedindo conselhos sobre o que fazer”.

A Bula Fraternitatis tuae do Papa Gregório IX reconhecendo o milagre em 1228
A Bula Fraternitatis tuae do Papa Gregório IX reconhecendo o milagre em 1228
A Bula “Fraternitatis tuae” do Papa Gregório IX acima referida recolhe os elementos essenciais da carta em que o bispo Mons. Giovanni de Alatri informava sobre o prodigioso episódio e lhe solicitava instruções sobre como proceder.

O Papa não teve dúvidas e respondeu nessa Bula:

“Gregório bispo, servo dos servos de Deus ao venerável irmão de Alatri, saúde e bênção apostólica.

“Recebemos vossa carta, querido irmão, que nos informou, como uma certa jovem influenciada pelo mau conselho de uma mulher maléfica, depois de ter recebido das mãos do Sacerdote, o Corpo Santíssimo de Cristo, segurou-o na boca até que, aproveitando a oportunidade favorável, pôde escondê-lo num pano; onde, depois de três dias, encontrou o mesmo corpo que recebera em forma de pão transformado em carne, como todos ainda podem ver com seus próprios olhos.

“Já que ambas as mulheres têm tudo isso humildemente revelado a Vós, Vós solicitais nossa opinião sobre qual punição deve ser infligida aos culpados.

“Em primeiro lugar, devemos dar graças com todas as nossas forças Àquele que em todas as coisas opera de maneira maravilhosa, e em algumas ocasiões repete os milagres e suscita novos prodígios, com a finalidade de fortalecer a fé na verdade da Igreja Católica, sustentando a esperança, reacendendo a caridade, atraindo os pecadores, convertendo os iníquos e confundindo a maldade dos hereges.

“Portanto, meu caro irmão, através desta carta apostólica, nós dispomos que você inflija uma punição mais branda à jovem que acreditamos ter realizado a ação criminal mais por fraqueza do que por malícia, especialmente porque se acredita que ela se arrependeu o suficiente para confessar seu pecado.

“À instigante, porém, quem com sua perversidade a levou a cometer sacrilégio, depois de aplicar aquelas medidas disciplinares que julgamos apropriado confiar a seu critério, impõe-lhe que visite os bispos mais próximos e que confesse humildemente seu crime, implorando o perdão com devoção e submissão”.

A relíquia da partícula transformada em carne, hoje se encontra preservada num ostensório de cristal.

Nesse relicário é exibida permanentemente numa capela na nave direita da Basílica Co catedral de São Paulo, perto da Acrópole de Alatri.


(Fonte: Città di Alatri).




Milagre eucarístico de Cássia
para padre relaxado com o Santíssimo

Pedaço da folha do breviário impregnado pelo Sangue de Cristo, Cássia
Em Cássia, na mesma basílica dedicada a Santa Rita, se conserva a relíquia de um milagre eucarístico acontecido perto de Siena em 1330.

De acordo com antigos documentos conservados no convento agostiniano de Cássia, naquele ano solicitaram a um sacerdote relaxado que levasse a Comunhão para um camponês doente.

O religioso achou melhor simplificar dispensando o cuidadoso procedimento da Igreja na condução do Santíssimo Sacramento e evitar o acompanhamento de fiéis comum nos bons tempos de piedade eucarística.

Ele colocou a hóstia consagrada entre as páginas do breviário, livro de orações que outrora os padres deviam rezar todos os dias.

Chegando junto ao doente, no momento de lhe administrar o Sacramento, ele notou que a partícula havia se transformado em sangue, embebendo as duas páginas do breviário.

O sacerdote se arrependeu logo de sua leviandade e foi até o convento agostiniano em Siena, confessado sua falta ao padre Simone Fidati da Cascia, hoje beatificado.

O confessor lhe deu a absolvição considerando a contrição que mostrava o sacerdote.

Mas lhe pediu as páginas impregnadas com o Preciosíssimo Sangue para que todos pudessem ver o milagre operado.

Assim, as páginas ficaram preservadas: uma em Siena, e outra em Cássia.

Em Cássia está exposta no santuário construído sobre a antiga igreja de Santo Agostinho, e que abriga os restos de Santa Rita e do Beato Simone Fidati, confessor do sacerdote relaxado e arrependido.

Muitos soberanos Pontífices promoveram a adoração e concederam indulgências a quem rezar diante dessa relíquia.

O documento de reconhecimento do milagre eucarístico foi lavrado em Cássia em 1687 e reproduz um código muito antigo do convento de Santo Agostinho com informações valiosas sobre o prodígio.

Basílica de Santa Rita em Cássia, onde também se guarda o milagre eucarístico
Basílica de Santa Rita em Cássia,
onde também se guarda o milagre eucarístico
O episódio miraculoso impressionou tanto as pessoas que também ficou registrado nas Atas da Prefeitura de Cássia do ano 1387.

Essas atas também ordenam que todos os anos na festa de Corpus Christi, todas as autoridades e todos os cidadãos da cidade compareçam na igreja de Santo Agostinho e acompanhem a procissão em que o clero da cidade leva pelas ruas a venerável relíquia do Santíssimo Sacramento.

No dia 10 de janeiro de 1401, o Papa Bonifácio IX por meio de uma Bula proclamou o milagre e concedeu as mesmas indulgências dadas aos peregrinos que visitam o santuário da Porciúncula, ligado a São Francisco de Assis, e que visitem “contritos e confessados” a igreja onde está exposta a santa relíquia, no dia de Corpus Christi.

Essa é venerada há séculos no local. Algumas testemunhas garantem que se distingue um rosto humano que sofre na mancha de sangue impressa na página do breviário.

Também dizem que da relíquia emanaria por vezes o mesmo perfume percebido em volta do corpo de Santa Rita.

Infelizmente, não ficaram restos da outra página conservada na cidade de Siena, mas da qual existem documentos escritos de época confirmando a devoção que outrora a rodeava.


Mais dados em Wikipédia, verbete Miracolo Eucaristico di Cassia




Daroca: um milagre eucarístico
na guerra contra os islâmicos

A missa antes da batalha, azulejo do milagre de Daroca
A missa antes da batalha, azulejo do milagre de Daroca
No dia 23 de fevereiro de 1239, as tropas católicas de Daroca, Teruel e Calatayud, reino de Aragão, empreenderam o assalto do castelo de Chío, perto de Luchente, do qual os muçulmanos tinham se apossado, segundo evocou Aleteia.

Tratava-se de mais um episódio da guerra de Reconquista que durou oito séculos para recuperar a península ibérica invadida a sangre e foto pelos fanáticos islâmicos.

Momentos antes da batalha, o capelão de Daroca celebrava uma Missa, em que consagrou seis hóstias para a Comunhão de cada um dos capitães das tropas.

Os Corporais de Daroca com o Sangue das hóstias
Os Corporais de Daroca com o Sangue das hóstias
Mas um ataque surpresa dos maometanos obrigou o sacerdote a interromper a Missa.

O capelão saiu correndo com as hóstias embrulhadas nos corporais [pequena peça de pano usada na liturgia antiga] e as escondeu em um monte.

Afastados os assaltantes árabes, os comandantes pediram ao sacerdote que lhe desse a Comunhão.

Quando o padre foi buscá-las no esconderijo, encontrou as seis hóstias manchadas de sangue e grudadas nos corporais.

Os comandantes entenderam aquilo como um sinal de Jesus de que eles seriam vencedores.

Então fizeram com que o sacerdote encabeçasse a batalha, levantando os corporais com as hóstias ensanguentadas como estandarte.

Os muçulmanos foram derrotados.

Uma versão parecida contavam mouros de mais de sessenta anos que ouviram de pais e avós terem recebido ordem de cercar ao nobre Berenguer de Entenza que cavalgava pelo reino de Valência com homens de Calatayud, Daroca y Teruel.

Berenguer sentiu-se rodeado e encomendou uma missa a um clérigo de Daroca. Esse, após a consagração depositou o Corpo de Cristo nos Sagrados Corporais, panos litúrgicos do altar.

Instantaneamente a hóstia consagrada com forma de pão ficou visível como carne embebida em verdadeiro sangue.

Altar onde estão expostos os Corporais em Daroca.
Altar onde estão expostos os Corporais em Daroca.
Diante de tão grande sinal da transubstanciação que confirmava a fé, o exército católico marchou por cima dos mouros.

Eles avançavam atrás do sacerdote que, paramentado de vermelho, montava numa mula branca e levantava bem alto os sagrados corporais.

Foi assim que com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, “obtiveram grande vitória contra os mouros”, segundo reza antiga crônica.

Após os últimos choques e consolidada a sorte da batalha, os chefes católicos disputaram para saber qual cidade teria a honra de guardar os corporais.

Três universidades – a de Teruel, a de Daroca e a de Calatayud –desejavam possuir a Sagrada Relíquia e jogaram o caso à sorte.

E as três vezes deu Daroca.

Porém, para afastar a desconfiança de alguma manobra que pudesse ter adulterado o resultado, Daroca consentiu que os Corporais ficariam no local em que parasse uma mula branca sobre a qual seria levada a relíquia.

Sobre dita mula branca iria o sacerdote com os Corporais, precedido pela multidão dos fiéis.

A mula viajou durante 12 dias e passou sem se imutar por Teruel.

Corporais levados na procissão de Corpus Christi em Daroca.
Corporais levados na procissão de Corpus Christi em Daroca.
Na passagem pela estrada de Luchente a Daroca, aconteceram vários milagres.

Em Játiva, ouviu-se um coro de vozes celestiais.

Perto de Alcira, uma mulher possessa foi libertada dos demônios. Em Jérica, dois ladrões, que estavam em ponto de matar um comerciante, se arrependeram e devolveram os bens que tinham roubado.

Mas, chegando perto da cidade de Daroca “fincó aquí los genillos por voluntad de Ihesu Cristo”, “fincou ali os joelhos por vontade de Jesus Cristo” e morreu diante da igreja de São Marcos (hoje Igreja da Trindade).

Os fiéis viram nisso um sinal divino de que os Corporais deviam ficar nessa igreja até serem trasladados para a igreja de Santa Maria que haveria de ser construída maior para que os Sagrados Corporais pudessem ser vistos por todo o mundo.

É a atual igreja de Santa Maria Colegiada desde onde, na festa de Corpus Christi, a cidade leva em procissão os Santos Corporais para fora das muralhas e os exibe aos numerosos peregrinos.

Daroca se converteu em grande centro de peregrinação a partir do século XIV com a visita de reis e personalidades importantes.

Pela afluência de devotos a festa de Corpus Christi chegou a se estender durante quase um mês. Cfr. Espacio Xiloca,




Peixes recuperaram as formas eucarísticas

Local e mosaico do 'Milagre dos Peixes', Alboraya, Valencia, Espanha
Local e mosaico do 'Milagre dos Peixes', Alboraya, Valencia, Espanha
O “milagre dos peixes” (em valenciano, língua local: miracle dels peixets) foi um prodígio eucarístico acontecido em julho de 1348, entre os atuais municípios de Alboraya e Almácera, na região autônoma de Valencia, uma das mais importantes da Espanha. Cfr. Wikipedia, verbete Milagro de los Peces.

O milagre é comemorado com uma romaria na segunda-feira de Pentecostes que vai até a capela neogótica construída em lembrança do fenômeno sobrenatural. Ela é conhecida como “Ermida do Milagre” ou também “'Ermita dels peixets”.

Centenas de fiéis da região e de cidades vizinhas comparecem para as cerimonias nessa ermida. Assim foi no último ano segundo informou o jornal regional “Las Provincias”.

No remoto ano de 1348, o pároco de Alboraya levava o Santíssimo Sacramento para os doentes. Notadamente para um mouro recém convertido de nome Hassam-Arda, gravemente ferido.

Naquela época, o Santíssimo era conduzido com honras exteriores, coroinhas, sinos, etc. e acompanhado por pessoas.

A âmbula do 'Milagre dos Peixe'. paróquia de Almácera
A âmbula do 'Milagre dos Peixes'. paróquia de Almácera
Porém, cruzando o córrego Carraixet que estava muito crescido por fortes chuvas, o cavalo do pároco escorregou.

No acidente, a âmbula que continha as sagradas formas se abriu e as hóstias caíram nas águas e foram puxadas por forte correnteza.

Sem poder recuperá-las, o padre voltou para sua igreja.

Segundo antiga crônica, o fato causou consternação entre os camponeses. E saíram todos a procurar as hóstias perdidas.

Aqueles que foram até a praia viram que dois peixes – outros falam três – punham sua cabeça fora da água e seguravam as hóstias em suas bocas.

A população local correu a ver o prodígio enquanto alguns foram bater à porta do pároco contando que tinham percebido umas luzes brilhando junto ao barranco.

O sacerdote, revestido de sobrepeliz e estola, com um cálice na mão entrou na água. Assim que viram ele, os peixes se aproximaram e depositaram as Formas Eucarísticas no cálice.

Afresco do 'Milagre dos Peixes'
Afresco do 'Milagre dos Peixes'
Esse cálice se conserva até hoje em Alboraya, enquanto que a âmbula do milagre é venerada o ano todo na paróquia da Assunção de Nossa Senhora, na mesma cidade.

Ela só é usada na festa de São Vicente Ferrer, para levar a comunhão aos doentes em suas casas e na procissão de Corpus Christi.

O “milagre dos peixes” impressionou até a Santa Sé que concedeu datas especiais para comemorar o Corpus Christi a cada uma das cidadezinhas envoltas no fato.

No escudo da cidade de Alboraya aparecem três peixes e no de Almácera, dois, em lembrança do milagre.




Milagre eucarístico de Alcalá de Henares,
um ensinamento para a humanidade pecadora

Há mais de quatro séculos todo ano a cidade de Alcalá de Henares, perto da capital espanhola Madri, leva em solene procissão pelas ruas a Custodia das Santas Formas desde a paróquia de Santa Maria Mor, onde se conservam 24 hóstias até a catedral, noticiou “Infocatólica”.

A belíssima Custódia tem uma forma peculiar. Pois foi feita para expor à piedade pública 24 hóstias de tamanho normal, como as destinadas à comunhão dos fiéis, e não uma grande hóstia.

Isso se deve ao milagre que comemora esta procissão.

No fim do traslado processional da custódia, o bispo diocesano celebra a Missa e depois preside uma vigília de oração com as Sagradas Formas Expostas.

No domingo, após a celebração de vésperas na Catedral, se realiza uma nova procissão solene de retorno à capela das Santas Formas na igreja de Santa Maria Mor. Ela culmina com a bênção do Santíssimo no pátio do Palácio Arcebispal.

A origem desta solenidade é mais um milagre eucarístico que impressionou profundamente a cidade.

Aconteceu no longínquo ano de 1597.

Um penitente muito arrependido foi se confessar no Colégio da Companhia de Jesus de Alcalá de Henares.

Aproximou-se do Padre Juan Juárez SJ e lhe confessou um pecado horrível: ele tinha roubado sacrilegamente hóstias de vários templos.

O penitente entregou ao sacerdote as sagradas formas embrulhadas em papel e lhe garantiu que as tinha roubado sabendo que estavam consagradas.

Naquela época havia muitos atentados contra o clero por parte do anticlericalismo, dos protestantes e dos maçons. E o Pe. Juárez SJ sabia que as hóstias poderiam estar envenenadas.

Por isso dispôs, como era norma prudencial, que ficassem guardadas na igreja dos padres jesuítas durante longo tempo.

Normalmente elas deveriam se degradar e perder a forma exterior, sinal de que havia cessado a presencia eucarística.

Porém, após passarem muitos anos, com grande surpresa se comprovou que as formas permaneciam intactas, frescas, sem o mais mínimo sinal de corrupção como acontece nesses casos.

Isso posto, os religiosos decidiram levar as hóstias a uma cripta especialmente úmida, onde foram depositadas junto com hóstias não consagradas.

E eis que as não consagradas se corromperam rapidamente e as consagradas, roubadas, devolvidas e depois guardadas durante anos estavam perfeitas.

No ano 1608, decidiu-se convocar o Provincial dos jesuítas de Toledo – o superior regional – ao Colégio dos Jesuítas de Alcalá de Henares onde se encontravam as hóstias, para ouvir seu parecer.

Ele analisou atentamente as formas e ratificou que se encontravam completamente intactas, e ordenou seu traslado ao altar-mor do templo.

As hóstias prodigiosamente preservadas passaram por uma bateria de exames para testar sua incorruptibilidade.

Diversos especialistas convocados, inclusive teólogos e doutores, não encontraram explicação alguma do fenômeno.

Só ficava uma única resposta: se tratava de um milagre.

Os anos continuavam passando e em 1619, o Dr. Cristóbal de la Cámara y Murgía, Vigário Geral da Corte Arcebispal de Alcalá de Henares, reconheceu oficialmente o sucesso prodigioso.

Assim as hóstias de Alcalá de Henares resistiram ao crime e às intempéries durante séculos.

Entretanto, um mal muito pior que os anteriores se abateu sobre as hóstias divinas. E Deus parece ter permitido para fazer compreender o mal infernal incubado nesse engendro diabólico.

Qual era esse?

O socialismo e o comunismo contra o qual Nossa Senhora veio em Fátima a prevenir o mundo, mas não foi ouvida.

Na Guerra Civil Espanhola, o templo foi saqueado e as hóstias desapareceram na destruição geral.

Ficou, porém, a lembrança dos séculos de milagre permanente à vista de todos.

Por isso, quiçá como reparação, Alcalá de Henares relembra ainda o milagre com uma procissão.

O remorso é grande, e em agradecimento a Deus pela misericórdia do milagre, se ergueu uma capela de adoração perpétua que hoje conta com 350 membros.

Quantas vezes vemos ou ouvimos falar do desrespeito da Eucaristia por vezes em cerimônias litúrgicas superficiais ou até fandangueiras?

Em quantos países socialistas ou comunistas hoje os agentes marxistas invadem e fecham igrejas sem o mais mínimo respeito por Jesus verdadeiramente presente no sacrário?

Na China, na Rússia, em países comunistas, islâmicos ou pagãos ...

E por que não olhar de frente: até no Brasil se cometem atentados do gênero.

Alcalá de Henares está aí nos dando um exemplo de reparação e penitência.

E nos mostra que a misericórdia divina não tem limites inclusive diante de certos pecados nefandos, como o socialismo e o comunismo, que fazem mal ao país.

Então Jesus se afasta. Mas, basta um gesto de arrependimento e reparação para que Ele volte até nós mais misericordioso do que outrora.

É esse tipo de penitência que Nossa Senhora veio pedir ao mundo em Fátima.








Rosto de Jesus apareceu em hóstia consagrada

Na paróquia da Imaculada Conceição, na cidade de Tigre, diocese de San Isidro, na Grande Buenos Aires, o rosto de Jesus Cristo, tal como é visto no Santo Sudário de Turim, apareceu na hóstia que um sacerdote acabara de consagrar, causando grande surto de piedade entre os fiéis, noticiou a agência ACIPrensa.

O fato foi também testemunhado por leigos, enquanto o sacerdote caía de joelhos e exclamava com voz forte: “Eu não sou digno!”.

Diversos depoimentos foram lavrados e encaminhados ao bispo, que fez o inquérito devido e reconheceu publicamente a autenticidade sobrenatural do prodígio.

Um outro sacerdote presente afirmou:

“Era o rosto gravado no Santo Sudário. Via-se muito bem um Cristo com os olhos fechados, morto, próprio à Sexta-Feira Santa”.

Numa época em que o inferno multiplica as ofensas contra a Igreja e o Santíssimo Sacramento, Nosso Senhor mais uma vez patenteou, com a severidade do rosto do Santo Sudário, a presença real na hóstia consagrada.

O fenômeno milagroso se deu na paróquia da Imaculada Concepção, uma capela do tempo do vice-reinado, na localidade de Tigre.

Capela paróquia da Imaculada Conceição onde aconteceu o milagre
Capela paróquia da Imaculada Conceição onde aconteceu o milagre
O bispo diocesano, Mons. Oscar Ojea, se pronunciou favoravelmente ao relato elaborado pelo Pe. Agustin Bollini, sacerdote do Verbo Encarnado (IVE), quem estava confessando durante a missa celebrada pelo Pe. José Luis Quijano, em cujas mãos se operou o milagre.

Também interrogou ao sacerdote com quem se deu o milagre.

O Pe. Bollini escreveu: “aguardando o momento da elevação, durante o canto, o padre segurava a hóstia com suas mãos e nós vimos que chamava a Harry, um homem de idade, freguês desta igreja.

“E depois de falar com ele, segurando sempre a hóstia em suas mãos, irrompeu num pranto forte e desconsolado”.

“Todos ficamos estupefatos e quando reagi para subir no altar, o Pe. Fazendo esforço e secando as lágrimas, começou a dizer com palavras entrecortadas: ‘isto não é para mim, eu não sou digno, é uma graça para vocês” e caiu de joelhos junto com Harry.

“O coroinha e a maioria dos fiéis o imitamos impressionados pela sua reação, e ficamos assim até que ele se pôs de pé e pode continuar a celebração”.

“Quando o Pe. viu a cara de Jesus na hóstia, não podendo dar crédito àquilo que via chamou a Harry e perguntou: ‘Que vedes?’ E ele confirmou: ‘o rosto de Jesus’”.

O bispo, na sua mensagem reafirmou que os católicos temos certeza pela fé que Deus se torna presente de forma real e verdadeira em cada consagração.

Mas, o fato de manifestar essa presença de modo sensível é um convite a aprofundar a fé na Eucaristia e na prática da caridade.

Segundo “La Nación” o bispo afastou qualquer “interpretação apressada que distorça os fatos”, mas confirmou que o testemunho do padre lhe pareceu “totalmente confiável”.

O Pe.José Luis Quijano que viu o rosto de Jesus na hóstia recém consagrada
O Pe.José Luis Quijano que viu o rosto de Jesus na hóstia recém consagrada

O padre Quijano tem 62 anos, 35 de sacerdócio, e há três anos se desempenha como pároco.

“Era a imagem do Santo Sudário de Turim, contou. Por isso afirmo que era o rosto de Jesus e não outro. O reconheci logo. Era o rosto que ficou gravado no Santo Sudário.

“Um Cristo com os olhos fechados. Um Cristo morto, próprio para uma sexta-feira de Quaresma”.

“O rosto estava muito claro, muito definido, nítido, não esfumaçado. Também o cabelo. Quando dividi a hóstia sobre a patena, desapareceu”.

“Depois da bênção do Santíssimo, tirei os óculos e comecei a chorar. Olhei para as pessoas, não falei de milagre, mas de graça eucarística. Não falei que vi o rosto de Jesus. Só depois no átrio”.

“Eu nasci numa família católica, toda minha vida fui a missa, nunca duvidei da presença de Deus na Eucaristia.

“Tenho a certeza da fé de que Deus está aí. O mais importante é que o fato foi real, aconteceu, e não foi com uma só pessoa, mas que outrem pode verificar.

“Um dos padres que ficaram sabendo e que me conhece há anos, disse: “se for de um outro não sei se acredito. Mas o Sr. não é de inventar essas coisas”. Sou uma pessoa muito racional, que vive dos fatos ordinários e não dos extraordinários”, concluiu.




Fogo devora carro, mas Teca para a Eucaristia fica intacta em Franca - SP


Teca intacta em carro consumido pelo fogo, Paróquia Santa Rita de Cássia, Franca - SP.
Teca intacta em carro consumido pelo fogo,
Paróquia Santa Rita de Cássia, Franca - SP.
Um fato inacreditável para quem não tem Fé católica deu-se em Franca cidade do interior paulista: um carro ficou carbonizado pelas chamas quando levava uma teca (caixinha metálica onde é levada a Hóstia consagrada, para um doente por exemplo).

Sobre um banco do veículo, junto com a teca, ia uma folha com orações e um Terço.

E eis que esses três objetos sagrados não foram consumidos pelo fogo e ficaram intactos sobre o quase irreconhecível banco.

A surpresa inicial foi dos bombeiros que quando terminaram de apagar o fogo se depararam no interior carbonizado do carro a teca perfeitamente intacta. Não houve feridos.

As fotos foram postadas numa rede social e o sentimento geral é de que se está diante de um milagre, informou a imprensa

A teca pertence à igreja de Santa Rita de Cássia, e quando se deu a ocorrência era custodiada por uma ‘ministra extraordinária da Eucaristia’ que pegaria a Eucaristia na igreja e levaria para um doente.

A ‘ministra extraordinária da Eucaristia’ Dona Maria Emília da Silveira Castaldi, de 76 anos, também é Carmelita da Ordem Secular, e descreveu:

Bombeiro apaga o fogo do carro que levava a teca, Paróquia Santa Rita de Cássia, Franca - SP.
Bombeiro apaga o fogo do carro que levava a teca,
Paróquia Santa Rita de Cássia, Franca - SP.
“A Providência de Deus se fez presente no dia de hoje! O carro incendiou-se totalmente, não houve feridos. E ainda o milagre presente.

“Por causa do fogo só restaram cinzas, exceto a Teca, onde se carrega o corpo de Cristo, o terço e o panfleto de uma oração, que rogava pelo Papa e falava da Eucaristia.

“Ficaram intactos, sem se queimarem ou se molharem pelas águas dos bombeiros. E há quem não acredite na força da oração e da Eucaristia”.

É preciso esclarecer que a teca estava vazia.

“Eu tinha pegado todo o material e coloquei no carro o jaleco, o livro da liturgia diária e, em cima, tinha colocado a bolsinha em que carrego a teca, além do sanguíneo e de um corporal”, contou Dona Maria Emília. Cfr. Santuário Santa Rita de Cássia.

E ressaltou que “a teca estava vazia”, pois quando termina de levar a Sagrada Comunhão aos enfermos, a primeira coisa que faz é “a purificação” do objeto.

Ficou patente como uma cuidadosa purificação é indispensável, embora, certas vezes seja omitida ou feita de modo apressado até em Missas.

Material para a Eucaristia intacto em carro consumido pelo fogo. Paróquia Santa Rita de Cássia, Franca - SP
Material para a Eucaristia intacto em carro consumido pelo fogo.
Paróquia Santa Rita de Cássia, Franca - SP
Ela precisou: “queimou o carro todo, o jaleco, o livro da liturgia, o corporal, o sanguíneo.

“Ficou apenas a teca, o terço e uma oração que rezamos toda primeira sexta-feira do mês na Missa do Sagrado Coração de Jesus na Catedral de Franca. Esse folheto com a oração não queimou nem molhou com a água do bombeiro”.

Segundo a Rádio Vicente Pallotti, o fato aconteceu no último dia 8 de julho (2018), mas demorou em ser divulgado pelas redes sociais e imprensa.

O Bispo diocesano de Franca, Dom Paulo Roberto Beloto, após avaliar os fatos assinalou como Deus pode falar “conosco através dos fatos da vida”, dando apoio à ideia de mais um signo sobrenatural. Cfr. Santuário Santa Rita de Cássia.




Milagre eucarístico?
40 hóstias intactas na igreja destruída por terremoto em 2016


Ruínas de Arquata del Tronto depois do terremoto, foto de 2 novembro 2016
Ruínas de Arquata del Tronto depois do terremoto, foto de 2 novembro 2016
A igreja de Santa Maria Assunta, na cidade de Arquata, Itália, foi destruída pelo terremoto de 2016.

Tudo desabou e os restos, inclusive obras de arte, foram dados por perdidos, conta o jornal italiano “Avvenire”.

Um ano e meio depois da calamidade, uma equipe de carabinieri, gendarmaria italiana, especializada em bens culturais, comunicou que havia resgatado o tabernáculo e o conservava em custódia e que queria restitui-lo à diocese.

Aconteceu então a surpresa que evocou o milagre eucarístico de Siena de 1730 (ver embaixo).

Dentro do tabernáculo do século XVI, encontraram a âmbula bem fechada, embora derrubada, e quarenta hóstias perfeitamente conservadas dentro dela.

Tinham passado um ano e meio no abandono, mas estavam pasmosamente íntegras, sem nenhum sinal de mofo ou alteração de espécie alguma.

As hóstias encontradas em perfeito estado na píxide. Foto Avvenire
As hóstias encontradas em perfeito estado na píxide. Foto Avvenire
“Percebia-se ainda o cheiro das hóstias novas. É como se Jesus tivesse sido engolido pelo terremoto e saído vivo dentre as ruínas”, comentou o bispo de Ascoli Piceno, a diocese da paróquia.

O Pe. Angelo Ciancotti, da catedral não conseguia segurar as lágrimas. Ele foi o primeiro em ter a píxide em mãos.

Ele tinha promovido as tentativas de recuperação que só agora foi possível efetivar, retirando o tabernáculo todo golpeado pelos detritos e coberto de pó.

As chaves não deveriam servir mais. Porém, o Pe. Angelo havia conservado uma na esperança de voltar a abrir a casa de Jesus. E essa funcionou imediatamente.

“Na primeira tentativa, o tabernáculo abriu, conta ele. A píxide estava deitada, mas fechada. Nela, o Corpo de Cristo após um ano e meio enterrado, estava perfeito, do ponto de vista da cor, da forma e do odor.

“Não havia nenhuma bactéria ou mofo que pode aparecer em qualquer hóstia depois de semanas enclausurara. Pelo contrário, após um ano e meio, aquelas pareciam ter sido feitas o dia anterior”.

E uma sensação tomou conta das testemunhas: “Ele está presente”.

O terremoto teve uma magnitude de 6.6 no local e atingiu a região de Arquata del Tronto e adjacências em 30 de outubro de 2016 causando imensos danos.

O tabernáculo onde estava a píxide contendo as hóstias Foto Avvenire
O tabernáculo onde estava a píxide contendo as hóstias. Foto Avvenire
A basílica de Núrsia, erigida no local onde nasceu São Bento foi quase totalmente destruída. Novos tremores de terra acabaram matando em total por volta de 300 pessoas.

“Sim para mim é um milagre”, disse o Pe. Angelo, para o jornal regional Il Resto del Carlino.

“Quem não tem fé não vai acreditar em nada. O Senhor fez tudo por Si próprio”, comentou o “National Catholic Register” dos EUA.

O sacerdote sabia que as hóstias tinham sido feitas pelas freiras do convento de Santo Onofre e foi tirar a limpo com elas se tinham usado algum tipo de conservante.

“Não, responderam elas, apenas farinha e água”.

Para o Pe. Angelo foi um “achado prodigioso e inexplicável. (...) Para mim é um milagre e uma mensagem para todos que nos relembra a centralidade da Eucaristia.

“Jesus nos diz: Eu existo e estou convosco. Confiai em Mim”.






O milagre eucarístico de Sokólka:
hóstia é tecido do coração de uma pessoa em agonia!


Carne e Sangue de Cristo no corporal
Carne e Sangue de Cristo no corporal
Todos os dias, em todos os altares do mundo onde a Missa é dignamente celebrada, dá-se o maior dos milagres: a transubstanciação do pão e do vinho no verdadeiro Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo.

No entanto, ao recebermos a comunhão, podemos tocá-lO apenas pela fé, pois aos nossos sentidos é oferecida apenas a aparência do pão e do vinho.

Entretanto, uma discreta mas profunda ação da graça nos faz sentir que Cristo está aí. Ele nos fala, nos diz coisas ao coração, nos dá forças. É uma presencia ativa, eficaz, incomparável.

Virá o homem sem fé e dirá: “você está seguro disso? Você não estará enganado? Uma autossugestão quiçá? Olha bem, é pão que a comunidade partilha num ágape.

“Está muito bom, é uma festa e você acredita. Mas, onde está o cientista que prove que isso não é mais que um pão fraternalmente partilhado numa comemoração e por isso você sente o que sente?”

Na nossa época onde há necessidade de ver para crer, Nosso Senhor não deixa de fazer obras que desconcertam os homens a ponto de permitir que seu divino Corpo e Sangue sejam analisados em laboratórios.

E, os cientistas, às vezes sem fé, têm que reconhecer: isto é verdadeira carne de um homem!

E como os corações estão duros, esses milagres se repetem misericordiosamente.

Foi o que aconteceu recentemente em Sokólka, na Polônia, no domingo, 12 de outubro de 2008, logo após a beatificação do servo de Deus Pe. Miguel Sopocko (1888-1975).

O novo beato, em vida foi confessor e diretor espiritual de Santa Faustina Kovalska, quando a santa residiu no convento de sua ordem em Vilna, Lituânia (1933-36). Veja mais em Santa Faustina, apóstolo da Divina Misericórdia para um mundo cujos pecados clamam por punição

Durante a distribuição da Comunhão na Santa Missa na igreja paroquial de Santo Antônio de Sokólka, às 8h30, caiu a um dos sacerdotes uma Hóstia consagrada.

Ostensão do corporal com o Corpo de Cristo
Ostensão do corporal com o Corpo de Cristo
O sacerdote agiu segundo as boas normas litúrgicas, infelizmente cada vez menos respeitadas: interrompeu a distribuição da Comunhão, pegou na Hóstia e a colocou-a no vasculum.

Esse é um pequeno recipiente com água que se encontra normalmente ao lado do sacrário, servindo para o sacerdote lavar os dedos após a distribuição da Comunhão.

A Hóstia deve se dissolver nesse recipiente, perdendo a forma e deixando de ser o Corpo de Cristo.

No fim da Missa, a irmã Júlia Dubowska, sacristã da Congregação das Irmãs Eucarísticas, sabendo que a Hóstia consagrada levaria algum tempo a dissolver-se, a pedido do pároco Pe. Stanislaw Gniedziejko, despejou o conteúdo do vasculum noutro recipiente.

E colocou-o no cofre que se encontra na sacristia. Só a Irmã e o Pároco tinham as chaves do cofre.

Uma semana depois, no dia 19 de Outubro, a mesma religiosa foi ver o cofre.

Ao abrir a porta, sentiu um aroma delicado de pão ázimo.

Quando abriu o recipiente, viu a água limpa com a Hóstia a dissolver-se. Mas no meio dela havia uma mancha arqueada com uma cor vermelha intensa.

Lembrava um coágulo de sangue, com a forma de uma espécie de partícula viva de um corpo. A água permanecia incolor.

A irmã informou imediatamente o pároco, que veio logo com os sacerdotes locais e o missionário Pe. Ryszard Górowski. Todos ficaram surpreendidos e atônitos com o que viram.

Imediatamente notificaram o Arcebispo Metropolitano de Bialystok, Edward Ozorowski.

Esse se dirigiu a Sokólka juntamente com o chanceler da cúria, sacerdotes prelados e catedráticos.

Todos ficaram profundamente comovidos com o que viram. O arcebispo mandou proteger a Hóstia, esperar e observar o que iria acontecer.

Foto ampliada do divino Corpo e Sangue miraculosamente evidenciado
Foto ampliada do divino Corpo e Sangue miraculosamente evidenciado
No dia 29 de Outubro, o recipiente com a Hóstia foi transportado para a capela da Misericórdia Divina e colocado no sacrário.

No dia seguinte, retirou-se a Hóstia com a mancha visível da água, colocou-se num pequeno pano denominado corporal e destinado aos vasos sagrados e em seguida voltou a ser guardada no sacrário.

Assim se conservou a Hóstia durante três anos.

Até meados de janeiro de 2009, o fragmento da Hóstia alterada secou de forma natural e permaneceu como coágulo de sangue. Desde esse momento não mudou de aparência.

Exames científicos

Em Janeiro de 2009, o arcebispo ordenou que se fizessem análises pato-morfológicas da Hóstia. A 30 de março desse ano criou uma comissão eclesial para analisar o fenómeno.

O fragmento da Hóstia foi analisado pela Prof.a Dr.a Maria Sobaniec-Lotowska e pelo Prof. Dr. Stanislaw Sulkowski especialistas do Instituto de Anatomia Patológica da Universidade de Medicina de Bialystok.

Cada um agiu de forma independente do outro.

O trabalho de ambos foi regido pelas normas e obrigações definidas pelas diretrizes do Comité de Ética da Ciência da Academia das Ciências Polonesas.

Quando foram recolhidas as amostras para análise, a parte não dissolvida da Hóstia consagrada estava já embebida no tecido.

Porém, a estrutura de sangue acastanhado do fragmento da Hóstia não perdeu nada da sua clareza. Este fragmento estava seco e frágil, intimamente ligado à restante parte da Hóstia em forma de pão.

A amostra recolhida foi o suficiente para realizar todas as análises indispensáveis.

As análises foram descritas e fotografadas exaustivamente.

Os autores das análises
Os autores das análises
Os resultados das análises conduzidas independentemente se sobrepuseram perfeitamente.

Ambas concluíram que a estrutura do fragmento da Hóstia analisado é idêntica ao tecido do músculo do coração de uma pessoa viva, mas em estado de agonia.

A estrutura da fibra do músculo do coração e a estrutura do pão estavam interligadas de forma muito estreita, de forma impossível de ser realizada por ingerência humana (vide declaração da Prof.a Sobaniec-Lotowska na reportagem “O Milagre Eucarístico de Sokólka”, Lux Veritatis 2010. Em inglês em “Eucharistic Miracle of Sokólka” ).

As análises realizadas provaram que não foi adicionada nenhuma outra substância à Hóstia consagrada, mas que o seu fragmento tomou a forma de tecido do músculo do coração de uma pessoa em estado de agonia.

Este tipo de fenômeno não é explicável pelas ciências naturais.

Ele só faz sentido à luz dos ensinamentos da Igreja que nos dizem que a Hóstia é o Corpo do próprio Cristo transubstanciado pelo poder das Suas próprias palavras pronunciadas pelo sacerdote quando ordena de modo imperativo a consagração.

O resultado das análises anatomopatológicas datadas de 21 de Janeiro de 2009 foram incluídas no protocolo entregue na Cúria Metropolitana de Bialystok.

Até ali pode chegar a ciência. O reconhecimento do milagre é uma decisão de natureza religiosa que não cabe à ciência assumir. É responsabilidade da hierarquia eclesiástica.

E foi feito em comunicado oficial emitido pela Cúria Metropolitana da diocese de Bialystok.

Ele diz o seguinte:

“O acontecimento de Sokolka não se opõe à fé da Igreja, antes pelo contrário, confirma-a.

“A Igreja professa que, após as palavras da consagração, pelo poder do Espírito Santo, o pão se transforma no Corpo de Cristo e o vinho no Seu Sangue.

“Para além disso, trata-se de um chamamento para que os ministros da Eucaristia distribuam o Corpo do Senhor com fé e cuidado e que os fiéis O recebam com adoração”.

A ciência confirmou à Igreja mais uma vez.



O milagre eucarístico de Sokólka: hóstia é tecido do coração de uma pessoa em agonia!













(Fonte: Senza Pagare, segunda-feira, 19 de junho de 2017. Ver também Aleteia, Jun 23, 2017; e o site em polonés sokolka.archibial.pl)






São Jacinto e o milagre eucarístico de Legnice:
para médicos, hóstia é tecido humano


São Jacinto foge de Kiev em chamas salvando a Eucaristia e a imagem de Nossa Senhora. Leandro Bassano (1557-1622), igreja de São João e São Paulo, Veneza
São Jacinto foge de Kiev em chamas salvando a Eucaristia e a imagem de Nossa Senhora.
Leandro Bassano (1557-1622), igreja de São João e São Paulo, Veneza
São Jacinto (1185-1257), chamado de “Apóstolo do Norte”, foi um religioso dominicano polonês do século XIII, grande pregador da Eucaristia e da Adoração do Santíssimo Sacramento.

Em 1240, hordas de mongóis pagãos invadiram o mundo eslavo em fase de conversão, devastando cidades, campos e pilhando as igrejas.

Atacaram então a cidade de Kiev, hoje capital da Ucrânia, onde São Jacinto rezava diante do Santíssimo Sacramento.

Percebendo que a cidade iria cair nas mãos dos bárbaros, ele tirou do sacrário o cibório contendo as sagradas hóstias do sacrário com a intenção de fugir e assim salvar as sagradas espécies.

Nessa hora o santo ouviu uma voz, proveniente de uma imagem de Nossa Senhora feita em alabastro:

– “Jacinto, você vai fugir e deixar-me sozinha? Leve-me com você”.

– “Querida Mãe, sua estátua é muito pesada, como poderei levá-la?”, disse ele.

– “Meu Filho vai torná-la ligeira, leve-me”, replicou Nossa Senhora.

E, com efeito, a estátua ficou leve como uma pluma. São Jacinto colocou então o cibório com o Santíssimo Sacramento e a estátua da Virgem sob a sua capa dominicana.

São Jacinto, vitral da igreja de Santo Domingo, Washington, D.C..
São Jacinto, vitral da igreja de Santo Domingo, Washington, D.C..
Acompanhado por outros religiosos, conseguiu milagrosamente cruzar o grande rio Dnieper que corta a cidade e atravessar o acampamento dos bárbaros mongóis sem ser detectado.

São Jacinto fundou mosteiros dominicanos na Ucrânia e na sua Polônia natal, onde faleceu na cidade de Cracóvia.

Mas sua influência não se esgotou nos tempos medievais.

Três séculos depois, quando os protestantes apareceram para negar a Presença Real de Jesus Cristo na Eucaristia e se revoltarem furiosamente contra a devoção a Nossa Senhora, o nome e as imagens do religioso, cujo processo de canonização ainda estava em andamento em Roma, multiplicaram-se piedosa e assombrosamente em ícones, pinturas e esculturas.

Foi então que os Papas aprovaram a difusão de sua devoção. Ele foi canonizado no dia 17 de abril de 1594 pelo Papa Clemente VIII. O Papa Inocêncio XI nomeou-o padroeiro da Lituânia.

Ele é apresentando com uma grande estátua da Virgem numa mão e um belo ostensório eucarístico na outra, atravessando miraculosamente o rio e o acampamento dos bárbaros.

Os devotos de São Jacinto sublinham que a aprovação de recente milagre eucarístico na Polônia tenha acontecido no dia 17 de abril de 2016, aniversário da canonização do santo.

São Jacinto é mundialmente cultuado pelos seus milagres e pelo exemplo heroico de arriscar sua vida para não permitir que a Eucaristia fosse objeto de sacrilégio ou profanação por aqueles que não são dignos.

Por isso também é significativo que o mais recente milagre eucarístico proclamado pela Igreja tenha acontecido no santuário a ele consagrado em seu país natal.

A hóstia que devia se dissolver começou a transudar sangue e formar tecido (foto acima). Embaixo ampliação.
A hóstia que devia se dissolver começou a transudar sangue
e formar carne com aparência de humana (foto acima).
Embaixo ampliação.
Com efeito, o bispo de Legnica, na Polônia, Mons. Zbigniew Kiernikowski, proclamou oficialmente um prodígio do Santíssimo Sacramento acontecido na igreja de São Jacinto dessa cidade.

O bispo autorizou os fiéis venerarem a hóstia ensanguentada que, segundo o decreto episcopal, “tem as características que definem um milagre eucarístico”, informou o site “Religión en Libertad”.

A cidade de Legnica (em alemão: Liegnitz, em polonês: Legnicy) fica na região da Baixa Silésia, no sudoeste da Polônia.

O milagre aconteceu na Missa de Natal de 2013, quando uma hóstia consagrada caiu no chão durante a distribuição da Sagrada Comunhão no santuário de San Jacinto.

A hóstia foi recolhida e colocada num recipiente com água (“vasculum”) para se dissolver, como mandam as sapienciais normas canônicas nesses casos, nem muitas vezes respeitadas nos dias de hoje.

Porém, uma vez na água, apareceu na hóstia uma mancha vermelha de textura singular, que fazia pensar em tecido humano.

O então bispo de Legnica, Mons. Stefan Cichy, instituiu uma comissão para investigar o acontecido com a sagrada forma.

Em fevereiro de 2014, com a permissão da diocese, um fragmento da hóstia com aspecto de tecido ensanguentado foi retirado e colocado sobre um corporal. Depois foram recolhidas amostras para serem analisadas em laboratórios de diferentes institutos forenses.

Os médicos dos Departamentos de Medicina Legal consultados verificaram que os fragmentos recolhidos contêm células de músculo estriado transversal semelhantes às do músculo cardíaco.

O bispo de Legnice proclama o milagre eucarístico no santuário de São Jacinto.
O bispo diocesano proclama o milagre eucarístico
no santuário de São Jacinto.
Segundo o “Catholic Herald”, os testes foram realizados no Departamento de Medicina Legal, em Wroclaw (em alemão: Breslau), no início de 2014.

Outro estudo foi realizado posteriormente pelo Departamento de Medicina Legal da Universidade de Medicina da Pomerania, em Szczecin (em alemão: Stettin, em português: Estetino), acrescentou a revista britânica.

Esse laboratório concluiu que “na imagem histopatológica, nos fragmentos (da Hóstia) foram achadas partes fragmentadas de músculo estriado transversal. É mais semelhante ao músculo cardíaco.

“Os testes também determinaram que o tecido é de origem humana, e verificou-se nele sinais de agonia”.

Considerando a relevância dos pareceres médico legais, em janeiro de 2016 D. Kiernikowski encaminhou o caso ao Vaticano, submetendo-o à consideração teológica da Congregação para a Doutrina da Fé.

Essa importantíssima Congregação vaticana declarou-se favorável à exposição da hóstia miraculosa à veneração pública, e recomendou que se explicassem bem os fatos aos fiéis.

A hóstia fica exposta numa capela do santuário de São Jacinto sob a responsabilidade do pároco, Pe. Andrzej Ziombrze.

No documento de proclamação do milagre, o bispo afirma: “Espero que isso sirva para aprofundar a adoração da Eucaristia e tenha um impacto inconfundível na vida das pessoas que se aproximam da relíquia. Vemos isso como um exemplo maravilhoso, uma expressão particular da bondade e do amor de Deus”.

Médicos forenses tiraram amostras, analisaram em laboratórios e concluíram 'é tecido muscular humano' como o de um coração de um homem em agonia.
Médicos forenses tiraram amostras, analisaram em laboratórios
e concluíram: 'é tecido muscular humano'
como o de um coração de um homem em agonia.
O texto completo do decreto do bispo, vertido para o inglês, pode ser lido AQUI:

A esperança do bispo é de grande importância para a nossa época, quando se pretende entregar a Eucaristia a pecadores públicos, esquecendo que n’Ela estão verdadeira, real e substancialmente presentes o Corpo, o Sangue, a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

No site da paróquia onde ocorreu o milagre há mais fotos e explicações, mas só em língua polonesa.

Obedecendo às instruções do bispo, um livro aberto recolhe no santuário o testemunho das graças recebidas e “outros eventos milagrosos”.


Novo milagre eucarístico na Polônia (espanhol, notícia breve)



Milagre Eucarístico de Legnica na Polônia em 2013 - Testemunho padre Andrzej Ziombra
com tradução em português, vídeo longo






Origem, história e significado da festa de Corpus Christi


No século XIII nasceu um Movimento Eucarístico que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo SacramentoNa Idade Média, os homens tinham uma devoção enlevada pela pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para libertar seu túmulo dos pagãos muçulmanos fizeram cruzadas.

A história da festa de Corpus Christi tem origem nessa devoção.

Pelo fim do século XIII, na Abadia de Cornillon, em Lieja, Bélgica, nasceu um Movimento Eucarístico que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos na elevação na Missa e a própria festa do Corpus Christi.

A abadessa Santa Juliana de Mont Cornillon ardia em desejos de que o Santíssimo Sacramento tivesse uma festa especial.

O Concílio de Trento reforçou a devoção eucarística ao Corpo de Cristo, Corpus Christi
Ela teve uma visão em que a Igreja aparecia como uma lua cheia com uma mancha negra, sinal da ausência da solenidade.

Santa Juliana comunicou a visão a vários prelados. Entre estes estava o futuro Papa Urbano IV.

O bispo Roberto de Lieja, em 1246, instituiu a celebração na diocese. O exemplo se estendeu especialmente por toda a atual Alemanha.

Em 1263, o Papa Urbano IV estava em Orvieto, ao norte de Roma.

Na vizinha localidade de Bolsena, o padre Pedro de Praga, originário da Boemia, celebrava sua missa na Igreja de Santa Cristina.

Um dia, em plena Missa, ao partir a Sagrada Forma, saiu dEla sangue que empapou o corporal.Ele tinha sérias dúvidas sobre a realidade da presença de Cristo na Hóstia consagrada.

Assim que ele completou as palavras da Consagração, o Sangue começou a escorrer da Hóstia Consagrada por suas mãos abaixo, sobre o altar e sobre o linho (corporal).

Vendo isto, ele interrompeu a Missa e viajou depressa a Orvieto onde o Papa Urbano IV residia nesse momento.

Ao ouvir a história dele, o Papa o perdoou por ter dúvidas e enviou os representantes a Bolsena, para investigarem.

Paroquianos e outras testemunhas confirmaram a história do padre; e a Hóstia e os linhos manchados estavam lá para todos verem.

O linho, conhecido como corporal, se conserva até hoje na basílica de Orvieto ― construída, aliás, para guardá-lo ― onde pode ser visto e venerado pelos fiéis.

O Santo Padre movido pelo prodígio, e a petição de vários bispos, estendeu a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula "Transiturus" de 8 setembro do mesmo ano de 1264.

Urbano IV encarregou o ofício e a liturgia das horas a São Boaventura e a Santo Tomás de Aquino.

o corporal ensanguentado está na basílica de Orvieto onde pode é visto e venerado pelos fiéis
Altar com o corporal de Bolsena, na basílica de Orvieto, Itália
Mas quando o Pontífice começou a ler em voz alta o ofício feito por Santo Tomás, São Boaventura, despretensiosamente foi rasgando o seu em pedaços.

As procissões de Corpus Christi se fizeram comuns a partir do século XIV.

Quando os protestantes conceberam a estultice de negar a Presencia Real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Hóstia consagrada, o Concílio de Trento reforçou o costume.

O Concilio de Trento dissipou os ignaros erros contestatários.

E determinou que fosse celebrado este excelso e venerável sacramento com singular veneração e solenidade; e reverente e honorificamente seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos.

A contestação reapareceu no século XX, sob rótulo de progressismo, particularmente desconhecedor da Igreja e odiento de tudo quanto o Espírito Santo inspirou à Esposa Mística de Cristo, em especial, durante a Idade Média.





Corpus Christi: Fé combativa no Santíssimo Sacramento


Procissão de Corpus Christi em La Orotava, ilhas Canárias, Espanha.
Procissão de Corpus Christi em La Orotava, ilhas Canárias, Espanha.
O Corpus Christi é a festa católica que glorifica especialmente a presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. A festa da instituição do Santíssimo Sacramento é na Quinta-feira Santa, na Última Ceia.

Mas a Igreja percebeu a necessidade da comemorar separadamente o Corpus Christi.

E essa festa vem sendo acompanhada de graças tão insignes, e assim o será até o fim dos tempos em que num dia glorioso mais desditado será comemorada pela última vez antes do fim do mundo.

Protestantes e hereges negam a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. Esse é um dos piores escândalos da história.

Os medievais tinham uma profunda fé na presença real, que dizer que Nosso Senhor Jesus Cristo está presente verdadeira e substancialmente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade nas espécies consagradas pelo sacerdote na Missa.

Portanto, é uma devoção enorme à Santa Missa e à adoração do Santíssimo Sacramento.

Lutero e os protestantes, hoje também os progressistas, negam boçalmente a presença real.

Essa negação foi um dos pontos de fratura dos protestantes que os católicos receberam como um dos piores ultrajes jamais feitos contra Nosso Senhor.

Qual foi a tática pastoral usada pela Igreja em face dessa negação?

A Igreja teria podido dizer:

Ostensório: objeto litúrgico
para expor dignamente o Corpo de Cristo
“bem, nossos irmãos separados protestantes estão negando a presença real. Se nós vamos afirmar protuberantemente a presença real, nós aumentamos a separação. Como eles não querem saber de nenhum modo desse dogma, vale a pena então nós repensarmos o dogma da presença real.

“E tomando em consideração que os tempos mudaram, era muito natural que nós agora exprimíssemos a presença real num vocabulário diferente que agradasse aos protestantes.

“Não seria uma negação da presença real. Isto jamais! É um dogma definido por Nosso Senhor Jesus Cristo e, por causa disto, não vamos nos dizer contrários a esse dogma.

“Mas em vez de afirma-lo tão afirmativamente poderíamos dizer que Deus está presente por toda parte. Os bons amigos protestantes podem achar que Deus está presente ali, como também numa flor ou num pão qualquer.

“Nós entendemos que não é. Que Ele está realmente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, mas não vamos dizer isto para não criar uma cisão.

“Vamos usar um termo confuso, equívoco e assim eles ficam conosco.

“Depois, vamos começar o diálogo. No diálogo, diremos para eles: fulano, que tal seria se nós reestudássemos os fundamentos do dogma da presença real?

“Que tal verificamos juntos até que ponto esse dogma tem ou não seu fundamento da Sagrada Escritura?”

O protestante diria: “a sua dúvida é irmã da minha. E eu tenho vontade de re-pesquisar o assunto, como você tem também”.

Então, começa uma conversa a respeito do Santíssimo Sacramento em que o católico insincero diz: “olha, poderíamos chegar a um acordo, a uma terceira posição.

“Que não é inteiramente uma coisa nem inteiramente outra. Você cede um pouco, eu cedo um pouco. E afirmaremos juntos que Jesus Cristo está presente de fato na Eucaristia.

“Agora, se Ele está presente apenas enquanto Deus, ou enquanto Homem-Deus é um pormenor a respeito do qual cada um de nós reclama sua liberdade de posição. Então, nós teremos chegado finalmente a uma síntese”.

Desta forma poderia se ter evitado a ruptura entre protestantes e católicos.

Satanás, se tivesse que fazer uso da palavra, com mais inteligência e com mais charme, teria dito mais ou menos a mesma coisa.

Mas os santos, os teólogos e os papas seguiram uma política inteiramente diversa.

Procissão de Corpus Christi em Toledo, Espanha.

Eles pensaram que a Igreja Católica foi instituída por Jesus Cristo para ensinar a verdade.

E Ela não tem o direito de dar um ensinamento confuso porque o ensinamento confuso não é um ensinamento digno desse nome.

Ainda que seja involuntariamente, que seja por incompetência, ele não é digno. Porque a clareza é a primeira das qualidades do mestre.

O ensino exige, como pressuposto, a clareza.

Depois, exige a categoria do conteúdo. Um homem pode ser sábio e não ser claro.

Mas um professor confuso não pode ser professor. É mais ou menos como um homem que fabrica óculos com um cristal excelente e uma montagem muito boa.

Só que usa cristais um pouco embaçados: é uma porcaria! Pode ser o que for, é uma porcaria! Porque se não dá para ver com clareza, é uma porcaria!

Se o mestre intencionalmente não ensina com clareza, ele é pior do que um incompetente: ele é um desonesto.

Procissão de Corpus Christi na Itália.
Procissão de Corpus Christi na Itália.
Porque é uma desonestidade, é uma fraude, apresentar-se alguém com a segunda intenção de não lhe dar a verdade inteira.

Se aqueles grandes teólogos e Doutores, e a Igreja pela voz de seus Papas fizessem o silêncio a esse respeito, os fiéis receberiam um ensinamento confuso sobre uma verdade indispensável à salvação.

Então, eles estariam fraudando os fiéis e faltando com a sua missão.

Em segundo lugar, se a Igreja, fosse silenciar a respeito da Eucaristia, faria que os fiéis comungassem mal. Porque não tendo o ensinamento claro, não podiam receber bem o que eles estavam recebendo.

Quer dizer, na primeira hipótese a Igreja sacrificaria a vida espiritual de seus fiéis para manter uma unidade pútrida.

A força de toda instituição consiste em levar seus próprios princípios às últimas consequências. A partir do momento em que ela acha que tem que adoçar os seus princípios para sobreviver, ela reconhece que já morreu.

A partir do momento em que um Ministro da Guerra dissesse: “o Brasil é um país ao qual repugna tanto o estado militar que, ou o militar toma ares de civil, ou não haverá mais militares”.

Não adianta mais o militar tomar ares de civil. Porque, se repugna tanto a coerência do estado militar é preciso reconhecer de frente que o estado militar morreu. Não vale a pena entrar com voltas.

Vocações clericais: um padre deve ser, pensar, se vestir e viver como padre. Se alguém vem e diz: “bem, então, não haverá mais padres no Brasil”. A resposta só pode ser: “não adianta pôr padre de macacão para ver se alguém quer ficar padre”.

Se o país não quer ter mais padres, é porque ficou pagão. Vamos tomar a questão de frente.

Sobre a instituição da família: alguém poderá dizer: “bem, se não se fizer o divórcio, no Brasil muita gente começa a não se casar mais e a viver no amor-livre”.

A resposta é: então diga que morreu a instituição da família no Brasil. Não vale a pena fazer uma famélica, moribundinha, caricatura abastardada daquilo que deve ser, mas diga logo de uma vez: morreu a família.


Na festa de Corpus Christi: o hino Pange Lingua

Então, vamos logo dizer: morreu o Brasil. Porque um país onde não há compreensão para o estado militar, para o estado eclesiástico e nem apreço pela família, isso é um país morto.

Eu estou falando do Brasil, porque eu estou no Brasil. Eu poderia, a igual título, falar de qualquer outro país onde me encontrasse. É um exemplo hipotético que eu estou tomando.

Foi a política da honestidade, da lealdade, da integridade, da coerência.

Então, os padres do Concílio de Trento entenderam que era preciso fazer o contrário da posição dialogante.

Em oposição ao protestantismo, acentuaram o culto do Santíssimo Sacramento, instituíram uma festa para a adoração do Santíssimo Sacramento e uma procissão em que o Santíssimo Sacramento sai à rua, adorado por todos, para as multidões todas ver.

O adoram de joelhos postos em terra, reconhecendo que debaixo das aparências eucarísticas, ali está Nosso Senhor Jesus Cristo.

Foi a política de enfrentar, de não conceder, de lutar, de afirmar, de proclamar.

Daí veio para a Igreja uma torrente de graças. Exatamente a Contra-Reforma, que representou uma das maiores chuvas de graça que a Igreja tem recebido.

Enquanto o protestantismo dura e a Igreja é católica em todo o seu conteúdo, essas respostas se acentuam.

No século XIX ainda, a proclamação da infalibilidade papal, do dogma da Imaculada Conceição. No século XX, o dogma da Assunção, etc.

Até que outros ventos sopraram. Vamos dizer a verdade de frente: há incontáveis católicos que já não têm mais a coerência de sua Fé, a pugnacidade, a integridade que caracteriza a instituição quando está viva.


Hino Ave Verum


A Igreja é imortal porque é divina. Mas a correspondência de seus filhos a Ela pode diminuir e a densidade de fé decair no espírito de muitos deles.

Na festa de Corpus Christi no dia de hoje vemos como a coragem de proclamar os dogmas diminuiu. E como, portanto, há uma diminuição da Fé, em incontáveis desses que se dizem católicos.

Em 1970, no Congresso Eucarístico de Brasília, segundo os jornais, compareceram menos de 50.000 pessoas.

No ano de 1943, em São Paulo foi realizado um Congresso Eucarístico que encheu o vale de Anhangabaú inteiro, desde a Praça das Bandeiras até a praça do Correio oito vezes mais, muito aproximadamente!

A comparação é verdadeira e oportuna para mostrar como é verdadeira a afirmação da Escritura de que viria um dia em que as verdades estariam diminuídas entre os filhos dos homens.

Não propriamente negadas, mas murchas, reduzidas, apoucadas, amesquinhadas entre os filhos dos homens.

Por isso devemos nos voltar, pela intercessão imerecida mas incessante de Nossa Senhora para conosco, para aumentar a vitalidade, a correspondência à Fé, a energia e a plenitude no crer, na intransigência e na combatividade da Fé na presencia real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento.


Procissão de Corpus Christi, Friburgo, Suíça, 20.06.1956


A festa de Corpus Christi é a festa do Santíssimo Sacramento. Hoje só pode ser uma grande lição de combatividade.

Aprendamos essa lição, e procuremos ser cada vez mais combativos por amor a Nossa Senhora e por adoração ao Santíssimo Sacramento.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra proferida na quinta-feira 28.5.1970. Sem revisão do autor)





A festa de Corpus Christi para adorar o Santíssimo Sacramento


O corporal com as gotas do divino Sangue do milagre de Bolsena na saída da basílica de Orvieto
O corporal com as gotas do divino Sangue do milagre de Bolsena na saída da basílica de Orvieto
A festa de Corpus Christi é dedicada a honrar e adorar o Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo realmente presente na Eucaristia, sob as aparências do pão e do vinho.

Corpus Christi é a manifestação pública da fé no dogma da Presença Real na Hóstia consagrada. Daí as belas procissões realizadas no mundo inteiro.

No Brasil, de norte a sul, cidades enfeitam suas ruas com encantadores “tapetes” de flores para glorificar o Deus humanado.

A festa de Corpus Christi foi inspirada a uma religiosa agostiniana, Santa Juliana de Cornillon (1193–1258), a quem Deus revelou a conveniência para a Igreja dessa celebração.

Santa Juliana foi superiora da abadia de Mont-Cornillon de Liège (Bélgica), fundada em 1124.

A partir dela surgiu um movimento eucarístico que incentivou várias práticas de adoração à Hóstia Consagrada, como a Exposição e a Bênção do Santíssimo Sacramento.

Deus pediu a Santa Juliana, abadessa de Mont-Cornillon,
a celebração da festa do Corpus Christi
Em 1246, Santa Juliana pediu ao bispo de Liège, Dom Roberto de Thorote, a instituição da festa de ação de graças pela presença real, em Corpo e Alma, de Nosso Senhor na Eucaristia.

O Bispo concordou com a celebração na diocese, mas não chegou a ver cumprida a solenidade, pois falecera no mesmo ano.

Em 1250 o Cardeal Cher, também de Liège, instituiu em toda a diocese a nova festividade com o nome de “Fête-Dieu”.

A primeira vez foi realizada no interior da igreja de Saint-Martin, num cerimonial dirigido pelo próprio Cardeal.

Entretanto a primeira procissão de Corpus Christi realizada publicamente, ocorreu em 1264 — há mais de 750 anos — nas ruas da cidade de Orvieto na Itália.

Ela vem sendo realizada todos os anos e certamente constitui a mais bela manifestação pública em honra do Santíssimo Sacramento, embora muitas outras, como a de Toledo, possam ser mencionadas pelo seu brilho e piedade.

Em 11 de agosto de 1264, o Papa Urbano IV estendeu a todo o Orbe católico a Festa de Corpus Christi.

Ele ordenou com a bula Transiturus de hoc mundo que fosse celebrada publicamente e de modo solene pelas ruas e praças.

A data foi fixada para a quinta-feira após o dia da Santíssima Trindade.

Ela é rezada em memória da primeira Missa celebrada por Nosso Senhor, na Última Ceia com os Apóstolos, na Quinta-Feira Santa, quando instituiu o incomparável Sacramento da Eucaristia.

O que determinou decisivamente o Papa para atender os pedidos que se originaram em Santa Juliana na Bélgica?

Um milagre. Mas na Itália e com um sacerdote checo!

Santo Tomás de Aquino compôs os hinos do oficio de Corpus Christi.
Bandeira bordada, Santa Rosa, Springfield, EUA.
Ele aconteceu em Bolsena, na província de Viterbo, diocese de Orvieto, em 1264.

O Padre Peter, oriundo de Praga, empreendeu uma viagem desde a Boêmia, sua região natal, até Roma.

Ele desejava revigorar sua fé na Cidade Eterna, pedir ao Papa alguns esclarecimentos e expor-lhe dúvidas a respeito da doutrina da transubstanciação, a mudança da substância do pão e do vinho em Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, permanecendo, contudo, as aparências do pão e do vinho.

Chegando à cidade de Bolsena, o sacerdote celebrou a Missa na igreja de Santa Cristina.

Foi essa a última vez que o atormentaram as dúvidas de fé sobre a presença Real de Jesus na Santíssima Eucaristia!

No momento da Consagração, na Sagrada Hóstia ocorreu uma transbordante efusão do preciosíssimo Sangue.

Gotas se verteram sobre o corporal (tecido de linho branco que fica debaixo do Cálice), tingindo-o de sangue.

Assustado com aquele inexplicável acontecimento, o sacerdote dubitativo procurou esconder o sagrado corporal, pois julgava que isso ocorrera em castigo devido às suas dúvidas de fé.

Mas o sangue transpôs o linho e quatro gotas caíram sobre os degraus do altar, deixando impressos no mármore sinais evidentes do adorável Sangue.

Não podendo mais ocultar o milagre, foi à procura do Papa Urbano IV que se encontrava em Orvieto, cidade bem próxima de Bolsena.

Ele narrou o acontecido e o Papa fez trazer à sua presença aquele corporal e ordenou uma apuração meticulosa, que resultou na comprovação inequívoca do milagre.

Essa é a origem da edificação da Catedral de Orvieto: a guarda e veneração do sacrossanto Corporal, venerado hoje por muitas peregrinos do mundo inteiro.

O corporal do milagre de Bolsena na procissão de Corpus Christi em Orvieto.
O corporal do milagre de Bolsena na procissão de Corpus Christi em Orvieto.
O mármore sobre o qual pingaram gotas do preciosíssimo Sangue, conserva-se até hoje na Igreja de Santa Cristina de Bolsena, para prodigiosa comprovação da presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Hóstia consagrada.

Naquelas circunstâncias, o próprio Papa Urbano IV pediu a Santo Tomás de Aquino compor cânticos para se festejar com maior esplendor o dia de Corpus Christi.

O Doutor Angélico então compôs cinco hinos em louvor ao Santíssimo Sacramento — o “Lauda Sion”, “Adoro Te Devote”, “Pange Lingua”, “Sacris Sollemnis” e “Verbum Supernum”.

Conta-se que para a criação dos hinos, o Papa também apelou ao grande São Boaventura que estava presente na cidade.

Mas quando o Romano Pontífice fez leitura em voz alta do ofício composto por Santo Tomás, São Boaventura, despretensiosamente, foi rasgando a sua composição enquanto lia o célebre e belíssimo hino “Lauda Sion” (Louva Sião).





Vídeo: Corpus Christi: procissão em Granada







Na festa de Corpus Christi, o hino “Ave Verum”
(“Salve, ó verdadeiro corpo”)


Na Idade Média foram compostas muitas músicas e poesias religiosas em louvor do Santíssimo Sacramento.

Esta grande devoção teve, aliás, imenso incremento no período medieval.

Podemos então dizer que ela ‒ aperfeiçoada pela Contra-Reforma ‒ chegou até nós impregnada do perfume da Idade Média.

A presencia real de Nosso Senhor Jesus Cristo, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia está fundamentada nas próprias palavras de Cristo na Última Ceia: “Este é meu corpo, esta é minha sangue”.

A Fé na presença real de Cristo na Eucaristia foi professada universalmente por toda a Igreja desde sua fundação.

Só com o protestantismo que apareceram contestações, aliás mais próximas da chicana do que qualquer outra coisa. Foram sobejamente refutadas pelos Doutores e notadamente pelo Concílio de Trento.

Na crise da fé no século XX, reapareceram falsos teólogos que pretenderam reviver os erros protestantes com outro nome.

É o malfadado progressismo, que tem menos fundamento na verdade que os próprios protestantes. Todos esses erros acabarão ficando à margem da História, como já ficaram os de Calvino, Zwinglio, Melanchton ou Lutero.

Elevação do cálice na Missa, Dorchester Abbey, ©Fr Lawrence OP
No século XI, portanto em plena Idade Média, a Igreja aprofundou o estudo racional da Presença Real.

Esse genuíno desenvolvimento do dogma católico gerou um grande movimento de piedade eucarística.

Um dos seus momentos culminantes foi a instituição da festa de Corpus Christi, em 1264.

Como o povo penetrado de verdadeira fé aspirava ver a Deus feito carne na Hóstia consagrada, foi introduzido na Missa o rito da elevação. Ele acontece logo depois da Consagração.

Durante a elevação, os medievais faziam soar um sino especial, e os fiéis espalhados pela catedral ou pela igreja acorriam para ver e adorar a Hóstia divina.

Também se acendia um círio num alto candeeiro. Posteriormente acendeu-se um castiçal pequeno, também chamado de palmatória, que assim ficava até a comunhão, para significar a presença real de Cristo na Eucaristia.

Nesses felizes tempos medievais em que florescia a fé foram compostos vários hinos ao Santíssimo Sacramento cantados até hoje, ou, pelo menos, até que a desordem progressista não os bloqueou. É de se esperar que essa sabotagem não dure muito.

São Tomás de Aquino, Vaticano

Entre esse hinos fiéis reflexos do dogma católico figura o Ave Verum em posição de destaque.

Ele cantava-se especialmente após a Consagração, quando o verdadeiro corpo de Cristo estava realmente presente no altar, pois o hino começa “Salve, ó verdadeiro corpo”.

A maioria dos autores concorda em atribuir a autoria a São Tomás de Aquino (+ 1274).

Ele fez outros hinos também famosíssimos, cheios de lógica e unção, consagrados a Cristo Sacramentado.

Citemos, pelo menos, o Pange língua, o Verbum supernum prodiens, o Sacris solemnis, o Adoro te devote e a não menos divinamente inspirada seqüência Lauda, Sion, Salvatorem.

Eis o texto do Ave Verum, com sua tradução ao português e sua partitura (gregoriano):

Clique aqui para ouvir (Coro da TFP americana):



Ave verum corpus natum de Maria Virgine
Salve, ó verdadeiro corpo nascido da Virgem Maria

Vere passum, immolatum in cruce pro homine
Que verdadeiramente padeceu e foi imolado na cruz pelo homem

Cuius latus perforatum fluxit aqua et sanguine
De seu lado transpassado fluiu água e sangue

Esto nobis praegustatum mortis in examine
Sê para nós remédio na hora tremenda da morte

O Iesu dulcis, o Iesu pie, o Iesu fili Mariae.
Ó doce Jesus, ó bom Jesus, ó Jesus filho de Maria.

As exclamações finais foram objeto de pequenas adaptações segundo as dioceses.

Fonte: Pe. Manuel Jesús Carrasco Terriza, “Cuerpo de Cristo, arte y vida de la Iglesia”.

O AVE VERUM em gregoriano, monges de Santo Domingo de Silos :



AVE VERUM segundo Wolfgang A. Mozart (interpretação do Coro do King's College, Inglaterra :








O Milagre Eucarístico de Turim (ano 1453)


Placa com a narração do milagre onde esse aconteceu, basílica do Corpus Domini, Turim
Placa com a narração do milagre onde esse aconteceu, basílica do Corpus Domini, Turim
Na Basílica de Corpus Christi de Turim encontra-se uma grade de ferro que protege o lugar onde ocorreu o primeiro milagre eucarístico daquela cidade, em 1453.

No chão, atrás da grade, está escrito como ocorreu o milagre:

“Eis o lugar onde caiu prostrado o jumento que transportava o Corpo Divino. O lugar onde a Sagrada Hóstia, saindo de uma bolsa, elevou-se sozinha, descendo com clemência nas mãos dos cidadãos de Turim. Eis o lugar santificado pelo Milagre. Recordando-o e rezando ajoelhado, presta-lhe veneração com santo temor”. (6 de junho de 1453)
A igrejinha de Exilles onde foi perpetrado o roubo sacrílego
A igrejinha de Exilles onde foi perpetrado o roubo sacrílego
A história começou na cidade piemontesa de Exilles, na região de Alto Val Susa, fronteira com a França, onde as tropas francesas de Renato d’Anjou lutavam contra as milícias italianas do duque Ludovico de Savóia.

Os franceses saquearam o vilarejo e entraram na igreja.

Um dos soldados forçou a porta do Tabernáculo e roubou o Ostensório com a Hóstia consagrada, envolvendo-a numa bolsa.

Montou depois num jumento e partiu para a cidade de Turim com a intenção de vendê-la.

Ele ingressou dissimuladamente na cidade no dia 6 de junho, quando se comemorava o Corpus Christi.

Na praça principal, perto da então igreja de São Silvestre, hoje do Espírito Santo – onde futuramente seria erguida a Basílica de Corpus Christi – o jumento empacou e caiu no chão.

Então a bolsa se abriu e o Ostensório com a Hóstia se elevou sobre as casas vizinhas para maravilhamento do povo.

Entre os presentes estava o padre Bartolomeu Coccolo, que foi correndo avisar o bispo Ludovico, da família dos marqueses de Romagnano.

O bispo, acompanhado por um cortejo formado pelo povo e pelo clero, se dirigiu à praça, prostrou-se em adoração e rezou com as palavras dos discípulos de Emaús “Permanecei conosco, Senhor”.

Afresco representando o milagre eucarístico de Turim
Afresco representando o milagre eucarístico de Turim
Naquele mesmo momento se verificou outro milagre: o Ostensório caiu no chão, deixando livre a Hóstia consagrada, que reluzia como o sol.

O bispo elevou o cálice que tinha nas mãos, e lentamente a Hóstia consagrada começou a descer, pousando dentro do cálice.

A devoção ao Milagre Eucarístico de 1453 foi imediatamente difundida por toda a cidade, que promoveu a construção de um nicho no lugar onde ocorreu o fato sobrenatural.

Posteriormente, o nicho foi substituído pela Igreja dedicada ao Corpo de Cristo.

A história do milagre eucarístico de Turim resumida numa sacra
A história do milagre eucarístico de Turim resumida numa sacra
O milagre foi comemorado especialmente nas solenidades organizadas por ocasião do cinquentenário e do centenário do milagre (1653-1703;1753-1853; e parcialmente em 1903).

São muitos os documentos que relatam o milagre: os mais antigos são três Atos Capitulares dos anos de 1454, 1455 e 1456, bem como alguns documentos da prefeitura de Turim.

A atual Basílica do Corpus Domini construída para perpetuar a lembrança do milagre
A atual Basílica do Corpus Domini
construída para perpetuar a lembrança do milagre
No ano de 1853, o Beato Papa Pio IX celebrou solenemente o IV centenário do milagre, cerimônia da qual participaram São João Bosco e o Padre São Miguel Rua.

Para essa ocasião, Pio IX aprovou o Ofício e a Missa própria do milagre para a diocese de Turim.

No ano de 1928, Pio XI elevou a Igreja do Corpus Christi à dignidade de Basílica Menor.

A hóstia do milagre foi conservada até o século XVI, quando a Santa Sé ordenou consumi-la “para não forçar Deus a fazer um milagre eterno mantendo incorrupta, como estiveram até aquele momento, as próprias espécies eucarísticas”.






O milagre eucarístico de Lanciano
segundo o cientista que comprovou sua autenticidade


Lanciano: carne de Cristo em custódia de prata
Lanciano: carne de Cristo em custódia de prata
O doutor Eduardo (Odoardo) Linoli afirma que portou em suas mãos um verdadeiro tecido cardíaco, ao analisar anos atrás as relíquias do milagre eucarístico de Lanciano (Itália), o mais antigo dos conhecidos.

O fato miraculoso se remonta ao século VIII.

Em Lanciano, na igreja dedicada a São Legonciano, um monge basiliano que celebrava a missa em rito latino começou a duvidar da presença real de Cristo sob as sagradas espécies após a consagração.

Nesse momento, o sacerdote viu como a sagrada hóstia se transformava em carne humana e o vinho em sangue, que posteriormente se coagulou.

Professor de Anatomia e Histologia Patológica, de Química e Microscopia Clínica, e ex-chefe do Laboratório de Anatomia Patológica no Hospital de Arezzo, o doutor Linoli foi o único que analisou as relíquias do milagre de Lanciano. Seus resultados suscitaram um grande interesse no mundo científico.

O Dr. Edoardo Linoli, autor das análises
O Dr. Eduardo (Odoardo) Linoli, autor das análises
Em novembro de 1970, por iniciativa do arcebispo de Lanciano, Dom Pacífico Perantoni, e do ministro provincial dos Conventuais de Abruzzo, contando com a autorização de Roma, os Franciscanos de Lanciano decidiram submeter a exame científico as relíquias.

Encomendou-se a tarefa ao professor Linoli, ajudado pelo professor Ruggero Bertelli, da Universidade de Siena.

Com a maior atenção, o professor Linoli extraiu partes das relíquias e submeteu a análise os restos de “carne e sangue milagrosos”.

Em 4 de março de 1971 a equipe apresentou os resultados.

Estes evidenciam que a carne e o sangue são com certeza de natureza humana. A carne é inequivocamente tecido cardíaco, e o sangue é verdadeiramente de homem pertencendo ao grupo AB.

Consultado pela agência Zenit, o professor Linoli explicou que, “no que diz respeito à carne, encontrei que a carne que tinha na minha mão provinha do endocárdio. Portanto não há dúvida alguma de que se trata de tecido cardíaco”.

Trabalho do Dr. Linoli  publicado pelo diário vaticano "L'Osservatore Romano"
Trabalho do Dr. Linoli
publicado pelo diário vaticano "L'Osservatore Romano"
Quanto ao sangue, o cientista sublinhou que “o grupo sanguíneo é o mesmo do homem do Santo Sudário de Turim, e é singular porque tem as características de um homem que nasceu e viveu nas zonas do Oriente Médio”.

“O grupo sanguíneo AB, de fato, se encontra numa porcentagem pequena que vai de 0,5 a 1%, enquanto que na Palestina e nas regiões do Oriente Médio é de 14-15%”, apontou.
Prof. Ruggero Bertelli aprova trabalho do Dr. Linoli
Prof. Ruggero Bertelli aprova trabalho do Dr. Linoli
A análise do professor Linoli revelou também que não havia na relíquia substâncias conservantes e que o sangue não podia ter sido extraído de um cadáver, porque se teria alterado rapidamente.

O informe do professor Linoli foi publicado em “Quaderni Sclavo di diagnostica clinica e di laboratório” (1971, fasc 3, Grafiche Meini, Siena).

Em 1973, o conselho superior da Organização Mundial da Saúde (OMS) nomeou uma comissão científica para verificar as conclusões do médico italiano.

Os trabalhos se prolongaram por 15 meses, com um total de quinhentos exames.

As conclusões de todas as investigações confirmaram o que havia sido declarado e publicado na Itália.

O extrato dos trabalhos científicos da comissão médica da OMS foi publicado em dezembro de 1976, em Nova York e em Genebra, confirmando a impossibilidade da ciência de dar uma explicação a este fenômeno.

O professor Linoli falou novamente no Congresso sobre os milagres eucarísticos organizado pelo Master em Ciência e Fé do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (Roma), em colaboração com o Instituto São Clemente I Papa e Mártir, por ocasião do Ano Eucarístico de 2005.
Lanciano: relíquias expostas
Lanciano: relíquias expostas

“Os milagres eucarísticos são fenômenos extraordinários de diferente tipo”, explicou o diretor do Congresso, padre Rafael Pascual LC, em “Rádio Vaticano”:

“Por exemplo, há a transformação das espécies do pão e do vinho em carne e sangue, a preservação milagrosa das Hóstias consagradas, ou algumas hóstias que vertem sangue”.

“Na Itália, há vários lugares onde ocorreram esses milagres eucarísticos – declarou – mas também os encontramos na França, Alemanha, Holanda, Espanha” e alguns “na América do Norte”.

Fala o Dr. Eduardo (Odoardo) Linoli:




Visita 3D da igreja do milagre eucarístico de Lanciano












O milagre eucarístico de Santarém


Corria o ano de 1247, segundo uns cronistas, ou o de 1266, segundo outros.

Em Santarém, hoje cidade e então vila de Portugal, vivia uma pobre mulher a quem o marido muito ofendia, andando desencaminhado com outra.

Cansada de sofrer, foi pedir a uma bruxa judia que, com os seus feitiços, desse fim à sua triste sorte.

Prometeu-lhe esta remédio eficaz, para o que necessitava de uma Hóstia Consagrada.

Depois de naturais hesitações, a mulher consentiu no sacrilégio.

Foi à Igreja de Santo Estêvão, confessou-se e pediu comunhão.

Recebida a sagrada partícula, com cautela tirou-a da boca, embrulhando-a no véu.

Saiu logo da igreja e encaminhou-se para a casa da feiticeira.

Sem que ela notasse, do véu começou a escorrer Sangue. V

isto o fenômeno por várias pessoas, perguntaram que ferimentos tinha, que tanto sangue fazia jorrar.

Confusa em extremo, a mulher correu logo para casa e encerrou a Hóstia miraculosa numa de suas arcas.

À tarde voltou o marido. Alta noite, acordam os dois e vêem a casa toda resplandecente.

Da arca saíam misteriosos raios de luz.

Inteirado o homem do ato pecaminoso da mulher, passaram de joelhos o resto da noite, em adoração.

Mal rompeu o dia, foi o pároco informado do prodígio sobrenatural. Espalhada a notícia, meia Santarém acorreu pressurosa a contemplar o milagre.

A Sagrada Partícula foi então levada processionalmente para a Igreja de Santo Estêvão, onde ficou conservada dentro duma custódia feita de cera.

Passado algum tempo, ao abrir-se o sacrário para expô-la à adoração dos fiéis, como era costume, encontrou-se a cera feita em pedaços.

Com espanto se viu estar a Sagrada Partícula encerrada numa âmbula de cristal, miraculosamente aparecida.

Esta pequena âmbula foi colocada numa custódia de prata dourada, onde ainda hoje se encontra. Santo Estêvão é hoje a Igreja do Santíssimo Milagre.







(Texto de postal distribuído em Santarém, o qual apresenta foto da âmbula com a Sagrada Partícula)






Corpus Christi e sua solene procissão em Toledo


Santissimo Sacramento na procissão

Na Idade Média, o Papa Urbano IV (1195 — 1264) instituiu a festa de Corpus Christi após o portentoso milagre eucarístico de Bolsena.

Agindo assim atendeu o apelo insistente de muitas almas que ardiam de devoção pelo Ssmo. Sacramento.

Sobre como aconteceu a instituição da festa de Corpus Christi, veja embaixo: “Origem da Festividade de Corpus Christi”.

Esta festa, uma das mais solenes da Igreja, é marcada por grandes procissões eucarísticas, inclusive nos nossos tão conturbados dias de abandono da fé, em que se contraria o que a Igreja Católica ensina.

Apresentamos a seguir uma descrição por Felipe Barandiarán de uma das mais belas procissões nesta magna festa. Ela acontece todos os anos na cidade de Toledo (Espanha).

Muitos dos aspectos relatados pelo jornalista podem ser vistos no vídeo embaixo.
Todos os corpos sociais participam oficialmente

A manhã está luminosa. Subo a pé, ofegante, as empinadas encostas de Toledo.

Deixei o carro embaixo, estacionado junto ao rio Tejo, pois se é tarefa difícil circular habitualmente pela cidade, no dia de Corpus Christi torna-se impossível.

As estreitas ruas do centro histórico estão impedidas, porque a cidade está situada no alto de uma pronunciada elevação, defendida pelo próprio rio e pelas muralhas medievais.

No caminho, vou me unindo a muitos outros toledanos ou visitantes que se apressam como eu para assistir à grandiosa procissão.

Embora os ventos de vulgaridade que varrem o mundo moderno tenham desterrado o bom costume de se vestir melhor nos domingos e dias de festa, em Toledo, hoje, todos ostentam suas melhores vestes.

E não há mulher que não estreie algo. Divirto-me ao ver as pessoas, encantadas, mostrando suas novidades em matéria de vestuário.

Ainda não cheguei à Praça de Zocodover, ao alto, centro nevrálgico desta pequena e imperial cidade, quando ouço uma salva de morteiros.

Voluntárias de Lourdes
Ela indica que a Missa Pontifical terminou e que a procissão começa a sair da chamada Porta Plana da catedral.

As pessoas estão postadas ao longo de todo o percurso. Somente os participantes do cortejo — metade de Toledo — e alguns convidados puderam assistir ao ofício divino no interior do templo.

Restringindo-se às preces, imóvel, para deixar livre o caminho, a outra metade de Toledo aguarda impaciente.

A rua está salpicada de areia molhada e plantas odoríferas, e os balcões engalanados com ricos tecidos bordados, bandeiras, mantas coloridas, grinaldas, vasos e alegres cestos de flores.

Em sinal de respeito e para acolher o Santíssimo Sacramento, antigos toldos de lona branca, provenientes das confrarias de tecelões e de especialistas em sedas, cobrem as ruas, estendidos ao longo das casas.

Agora já pode ser vista, abrindo o cortejo, a cavalaria da Guarda Civil. Atrás, a banda de música desta corporação e os timbaleiros da Prefeitura.

Riquíssima custódia reservada para a procissão
Em seguida, ostentando uma vara da mesma altura da custódia do Santíssimo Sacramento, com a qual medira na véspera os espaços das ruas, para que nada impedisse o reluzimento do cortejo, vinha, vestido de negro, o mestre de cerimônias.

Segue-lhe a cruz processional do século XV, presente do Rei Afonso V de Portugal, o Africano.

Valendo-me de minha credencial de jornalista, avanço discretamente em sentido oposto ao da procissão, cujo percurso é coberto pelos cadetes da Academia de Infantaria, instituição protagonista da legendária defesa do Alcácer de Toledo, na guerra de 1936 contra o comunismo.

A procissão transcorre em duas filas paralelas, tendo ao centro os priores, capelães ou dignidades de cada irmandade, cada qual portando báculo, medalha ou algum elemento que o distingue dos restantes de seus membros, e precedidos pelo estandarte correspondente.

Passo junto à confraria dos Cultivadores de Hortelã. Logo vêm os meninos e as meninas que fizeram a Primeira Comunhão, os grupos de Apostolado Secular e da Adoração Eucarística Perpétua, mais de 20 Confrarias e Irmandades com seus pendões correspondentes, a Hospitalidade de Lourdes e as Ordens Terceiras.

Ao som de seus instrumentos, a banda de música da Prefeitura arranca lágrimas de emoção.

Continuo avançando. Quero chegar até a porta da Catedral. O espaço é exíguo. Fascina-me a maravilhosa simbiose entre cortejo e público estuante de vida, mas conservando a ordem com naturalidade.

Sucessivamente, passo pelas religiosas de vida apostólica, pelos Cavalheiros da Ordem de Malta, pelo Capítulo dos Cavalheiros Mozárabes e pelo do Santo Sepulcro, pelos Fidalgos de Illescas e os Cavalheiros de Corpus Christi, além de outros, que ostentam com galhardia suas cruzes distintivas nas capas.

Agora é a vez de passarem os seminaristas, o clero regular e secular, a Irmandade da Santa Caridade, a famosa Cruz de Mendoza, os acólitos e o Cabido Primado.

Estou felizmente diante da Catedral, junto à companhia militar perfilada para prestar honras ao Santíssimo Sacramento.

Das paredes externas do magnífico templo gótico, em cuja entrada sorri encantadora a famosa imagem de Nossa Senhora, La Virgen Blanca.

Crianças da Primeira Comunhão
Da parede pendem 48 enormes tapetes flamengos com alegorias eucarísticas, datados do século XVII e confeccionados especialmente para esta festividade.

A famosa custódia toledana, encomendada pelo Cardeal Cisneros ao grande ourives do século XVI, Henrique de Arfe, está a ponto de cruzar o limiar da Porta Plana.

Sinto, em torno de mim, a respiração contida. Um emocionante silêncio precede a custódia do Santíssimo.

Sua aparição estala numa apoteose de aplausos, afogados pelo estrondo de salvas de 21 tiros de canhão (as mesmas devidas a um rei) e o repique dos sinos.

A formação militar saúda e a banda de música interpreta com força a Marcha Real. Através da nuvem de incenso que nos envolve, o Santíssimo Sacramento avança lentamente. Deus está aqui!

A rica custódia gótica, de 183 quilos de prata e dezoito de ouro, é transportada numa carruagem florida sob a escolta dos cadetes da Academia de Infantaria.

A procissão em andamento
Atrás, na segunda parte da procissão, vêm as máximas representações: o Arcebispo-primaz de Toledo com seu séquito, as autoridades regionais e provinciais, o prefeito da cidade acompanhado de seu gabinete, e o corpo docente universitário.

Encerrando o cortejo, desfila a Companhia de Honras da Academia de Infantaria com sua bandeira e banda de música.

Diante de um pequeno palanque montado na Praça de Zocodover repleta de gente, a custódia se detém e um orador sacro pronuncia um sermão de exaltação eucarística.

Ao terminar, acompanhando a procissão de regresso à catedral, a multidão entoa com devoção o popular hino de adoração ao Santíssimo:

“Cantemos ao Amor dos amores, cantemos ao Senhor. Deus está aqui! Vinde, adoradores; adoremos a Cristo Redentor.

“Glória a Cristo Jesus! Céus e Terra, bendizei ao Senhor. Louvor e glória a Ti, ó Rei da glória; Amor para sempre a Ti, Deus de amor!”

Se o sol de Toledo ilumina de verdade, mais do que ele resplandece e ofusca, elevado na custódia, o Santíssimo ao passar pelas suas ruas.


Clique aqui para ouvir (Coro da TFP americana):



o corporal ensanguentado está na basílica de Orvieto onde pode é visto e venerado pelos fiéis
Corporal com gotas do Preciosíssimo Sangue do milagre de Bolsena,
na basílica de Orvieto
Origem da Festividade de Corpus Christi

Em fins do século XIII surgiu em Liège, na Bélgica, um movimento eucarístico cujo centro foi a Abadia de Cornillon, fundada em 1124 pelo bispo Albero de Liège.

Este movimento deu origem a vários costumes eucarísticos, como, por exemplo, a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso da campainha durante a elevação na Missa e na festa de Corpus Christi.

A festividade foi celebrada pela primeira vez em 1246, tendo sido fixada para a quinta-feira posterior à comemoração do dia da Santíssima Trindade.

O Papa Urbano IV (1195 — 1264) tinha então sua cúria em Orvieto, um pouco ao norte de Roma.

Muito próximo dessa localidade encontra-se Bolsena, onde em 1264 ocorreu o famoso Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração fosse real.

Ao partir a Hóstia, dela saiu sangue, o qual foi empapando o tecido chamado corporal. A venerável relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 de junho de 1264.

Um dia, em plena Missa, ao partir a Sagrada Forma, saiu dEla sangue que empapou o corporal.
O padre celebrava mas com sérias dúvidas
sobre Presença Real de Cristo na Hóstia consagrada
quando essa começou a pingar sangue.
Hoje se conservam em Orvieto os corporais — onde o cálice e a patena se apoiam durante a Missa do milagre —, podendo-se também ver a pedra do altar de Bolsena manchada de sangue.

Movido por aquele prodígio e a pedido de vários bispos, o Santo Padre determinou que a festa de Corpus Christi se estendesse a toda a Igreja por meio da bula Transiturus, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes.

Depois, segundo alguns biógrafos, o Papa Urbano IV encomendou um Ofício — liturgia das horas — a São Boaventura e a Santo Tomás de Aquino; quando o Pontífice começou a ler em voz alta o Ofício composto pelos dois santos, foi rasgando o de sua autoria em pedaços...

Nenhum dos decretos exarados então se refere à procissão com o Santíssimo Sacramento como um ato da celebração.

Entretanto, a mesma foi dotada de indulgências pelos Papas e o Concílio de Trento enaltece esse piedoso costume.


Comemoração nas ruas da festa de Corpus Christi em Orvieto







São Tomás de Aquino e o hino Pange Lingua:
“Canta ó língua, o glorioso mistério do Corpo e do Sangue precioso”


Santo Tomás de Aquino (Rocca Secca, 1225/1227 – Fossa Nuova, 7 Março, 1274) tinha uma vocação eminentemente filosófica, e não de atividade externa.

Ele percebeu que deveria, de acordo com a sua luz primordial, dedicar-se à Teologia e à Filosofia.

Mas declarou que, além da capacidade para esses estudos, sentia certa inclinação artística.

Quem quiser disto se certificar, basta ouvirr o hino Pange lingua, que contém as estrofes do Tantum ergo, composto por ele.

Ele percebia sem dúvida que sua vocação não era a artística – a de compor hinos sacros ou grandes poesias, para as quais estava capacitado –, mas a de se dedicar completamente à Filosofia e à Teologia.

E isso se entende.

O homem tem dois impulsos fundamentais – que os franceses chamam de “élans”.

Por um lado, ele deseja o maravilhoso, porque no católico vive um sonho que não é uma fantasia nem mera poesia.

Trata-se de uma visão das coisas movida pela Fé. A virtude teologal da Fé impulsiona o voo da alma desejosa de atingir esse sonho maravilhoso.

É, portanto, algo que põe em movimento os melhores aspectos da alma.

Por outro lado, o homem vê que esse mundo com maravilhas entretanto não é maravilhoso. Não é o Paraíso. Ao contrário, é uma terra de exílio. Então, o homem procura se acomodar ao mundo e às coisas como são na realidade, recorrendo ao bom senso.

Porque o bom senso procura ver a realidade ao pé da letra como ela é, mas sem renunciar ao maravilhoso que a alma procura.

Assim sendo, quando a alma católica tem esses dois impulsos bem ordenados, ela consegue resolver superiormente com bom senso os problemas concretos, porque está inspirada no maravilhoso.

E quando se apresenta a ela um problema maravilhoso, ela voa sem ter nostalgia da realidade mais baixa.

Essa excelência da alma se vê no caso citado de São Tomás.

Ele era chamado de “boi mudo” porque era plácido, calmo, terra-a-terra.

Porém, nessa calma de boi brotavam voos de águia.

E essa perfeição pode se apalpar no hino “Pange língua” que ele escreveu:

Vídeo: Pange Lingua



“Canta ó lingua, o glorioso mistério do Corpo e do Sangue precioso...”, etc.

O “Pange língua” revela um amor de Deus cogente, que pega, que segura, que agarra, que invade a alma. E é uma obra do “boi mudo”!

Porventura há algo mais simples que as palavras desse hino “Tantum ergo sacramentum venerémur cérnui...” (“Portanto veneremos inclinados um tão grande sacramento”)?

Em verdade, qualquer devota idosa com achaques reumáticos sabe disso ao fazer sua penosa genuflexão diante do Santíssimo Sacramento exposto.

Mas como a frase contém a grandeza do sacramento que é preciso venerar!

Quantas profundidades se exprimem nessa simplicidade!

Porque São Tomás atingiu o fundo da simplicidade e teve um pensamento riquíssimo, estabelecendo um veículo perfeito da simplicidade com o pensamento riquíssimo.


Vídeo: hino Pange Lingua




(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 13/5/88, excerto sem revisão do autor)






O milagre eucarístico de Avignon


Palácio dos Papas de Avignon
A confraria dos Pénitents gris de Avignon teve por fundador Luís VIII, pai de São Luís IX. Ela tem a sua sede na capela da Santa Cruz, chamada dos Pénitents gris.

O Santíssimo Sacramento está aí exposto noite e dia, desde 14 de setembro de 1226.

A cidade de Avignon está situada a algumas centenas de metros da confluência dos rios Rhône e Durance, e é atravessada por um de seus afluentes, o Sorgue.

Em 1433, chuvas torrenciais fizeram transbordar os três rios, que inundaram as partes baixas da cidade. A água entrou na capela dos Pénitents gris, que fica às margens do Sorgue.

A inundação tomou tais proporções durante a noite, que na manhã seguinte os superiores da Ordem, temendo que a água atingisse o trono onde estava exposto o Santíssimo Sacramento, tomaram uma canoa e foram até a capela.
Capela da Santa Cruz, chamada dos Pénitents gris

Qual não foi a sua surpresa quando, depois de aberta a porta, constataram que as águas, à semelhança do Mar Vermelho e do Jordão, se mantinham à direita e à esquerda, elevadas como grandes paredes, deixando absolutamente livre e seca a passagem que conduzia ao altar.

O prodígio lhes pareceu ainda maior quando, chegados ao altar, que fica ao nível do piso da capela, sem degraus, viram em volta tudo igualmente seco.

As águas se levantavam ao longo das paredes como verdadeiras tapeçarias, formando arcobotantes no alto, como uma espécie de teto. Assim diz o antigo relato conservado nos arquivos da confraria.

Os dois frades, depois de terem adorado o Autor desse prodígio, se apressaram em comunicá-lo aos outros confrades.

Vieram doze, e todos juntos foram chamar quatro frades menores da Ordem de São Francisco, dos quais três eram doutores em Teologia.

A água se mantinha no meio do banco que fica ao longo do adro da capela, de maneira a deixar uma parte inteiramente seca.
Ponte de Avignon

Para comemorar o milagre, celebra-se todos os anos com solenidade a festa no dia 30 de novembro, dia de Santo André.

Pela manhã, todos os membros da confraria vão à comunhão percorrendo de joelhos até a mesa da comunhão o caminho sagrado preservado milagrosamente pelas águas.

Na véspera o pregador relembra o milagre, e o cântico "Cantemus Domino", que foi entoado por Moisés depois da passagem do Mar Vermelho, precede a adoração e a bênção do Santíssimo Sacramento.

(Fonte: "Vie des Saints" - Bonne Presse, Paris)






Em Siena: um milagre eucarístico permanente


Milagre eucarístico de Siena
Na basílica de São Francisco na cidade de Siena, na Toscana, norte da Itália, venera-se um dos mais impressionantes milagres eucarísticos já acontecidos e que perdura até hoje.

Trata-se de 223 hóstias consagradas há 280 anos e que até agora estão intactas em uma das capelas laterais da basílica.

Os peregrinos “vêm de todo o mundo, onde há católicos. Vêm para ver o milagre. Quando chegam, cantam, comovem-se e choram de alegria”, explicou à agência Zenit o sacerdote franciscano Frei Paolo Spring, responsável da custódia das hóstias consagradas.

O fato sobrenatural aconteceu 14 de agosto de 1730. Mais precisamente, na véspera da festa da assunção de Nossa Senhora.

Na previsão da festa em todas as igrejas de Siena, os sacerdotes consagraram hóstias adicionais para quem quisesse receber o Corpo de Cristo no dia seguinte.

Na noite daquele dia, todos os sacerdotes de Siena se reuniram na catedral para fazer uma vigília e deixaram suas respectivas igrejas sozinhas. Alguns ladrões aproveitaram e entraram na basílica de São Francisco para roubar o copo de ouro com as hóstias consagradas.

Na manhã seguinte se deram conta do sacrilégio: as hóstias não estavam e, no meio da rua, um paroquiano encontrou a parte de cima do copo confirmando que a Sagrada Eucaristia havia sido roubada.

Siena, basílica de São Francisco
Os habitantes de Siena começaram então a rezar para que aparecessem as partículas que do Corpo, Sangue, alma e divindade de Jesus Cristo.

Três dias depois, um homem que rezava na igreja de Santa Maria em Provenzano, bem perto da Basílica de São Francisco, viu algo de cor branca numa caixa destinada para doação dos pobres.

Quando abriram a caixa, encontraram as 351 hóstias consagradas ‒ o número exato de hóstias roubadas.

Elas estavam cheias de poeira e teia de aranha e os sacerdotes as limparam cuidadosamente.

Milhares de fiéis foram até a basílica em espírito de adoração e reparação para agradecer a descoberta. Essas não foram distribuídas, ao que parece, porque os franciscanos queriam que os peregrinos as adorassem até o momento em que se deteriorassem (porque ao se deteriorar, desaparece a presença real de Cristo).

Mas as hóstias permaneciam intactas e com um odor muito agradável. O povo começou a considerá-las milagrosas e cada vez iam mais peregrinos para adorá-las. Algumas poucas foram distribuídas em ocasiões especiais.

Milagre eucarístico de Siena
Hoje, 280 anos depois, ainda permanecem 223 hóstias exatamente no mesmo estado que tinham no dia em que foram consagradas.

“Em diversas etapas foram examinadas e fisicamente conservam todas as características de uma hóstia recém-feita”, explica o padre Paolo.

Em 1914, foi feito um exame mais rigoroso desse milagre, por disposição do Papa São Pio X. “As Sagradas Partículas resultaram em perfeito estado de consistência, lúcidas, brancas, perfumadas e intactas”, disse padre Spring.

Na mesma ocasião os exames constataram que as hóstias roubadas estavam conservadas sem precauções científicas e guardadas em condições normais, e que, por isso mesmo, a deterioração deveria ter sido rápida.

Numerosos Papas e Santos ‒ como Don Bosco ‒ foram adorar o Corpo de Cristo miraculosamente preservado até hoje.

“Aqui existem duas coisas milagrosas”, diz o padre Spring, apontando as hóstias consagradas há quase três séculos. “O tempo não existe, se deteve”.

E o sacerdote explica o segundo milagre: “os corpos compostos e as substâncias orgânicas estão sujeitos a murchar”. É um milagre vivo, contínuo, não sabemos até quando o Senhor o permitirá”, concluiu. Cfr. Ag


Fonte: Agência Zenit, ZP10032405.










O milagre eucarístico de Bolsena


Altar com as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena
Altar com as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena
Na Basílica de Santa Cristina em Bolsena, Itália, conserva-se zelosamente há sete séculos, as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena.

Dizemos as ‘menores’ pois as ‘maiores’ estão na catedral de Orvieto.

Trata-se de uma das pedras sagradas onde ainda são bem perceptíveis grumos do precioso Sangue de Nosso Redentor.

O fato miraculoso aconteceu em 1264 e está ligado a dois dos mais poderosos expoentes do pensamento teológico universal: São Tomás de Aquino e São Boaventura.

Marcas do Preciosíssimo Sangue na pedra do altar e no corporal. Milagre eucarístico de Bolsena.
Um sacerdote de Praga era atormentado por dúvidas acerca da presença real de Jesus Cristo na Eucaristia.

Enquanto dividia a Hóstia consagrada na celebração da Missa, ele viu o corporal cheio de sangre.

O sangre brotava das Sagradas Espécies, sobre o altar onde ele celebrava, sob o baldaquino de mármore lombardo da basílica.

Espantado e atordoado diante de tão grande prodígio, concebeu a dúvida de se haveria de pôr fim ou prosseguir com a Missa.

Achando que seria melhor ocultar o fato acontecido aos fiéis presentes e procurando ajuda e explicação da autoridade decidiu suspender a Santa Missa.

O milagre de Bolsena, Simone Martini.
O milagre de Bolsena, Simone Martini.
Ele recolheu as sagradas espécies nos panos sagrados e correu para a sacristia, sem reparar que gotas do Preciosíssimo Sangue iam caindo sobre o mármore do chão.

Naquela época, o Ministro General dos Franciscanos era São Boaventura de Bagnorea, cidade natal do Santo que fica a poucos quilómetros de Bolsena.

O Santo foi encarregado pelo Papa Urbano IV de presidir a comissão de teólogos que devia controlar a veracidade dos fatos.

A comissão confirmou a verdade do milagre.

Então, o Papa ordenou a Dom Jaime Maltraga, bispo de Bolsena, levar até Orvieto, onde o Papa estava residindo, o sagrado corporal, o purificador e os linhos manchados de sangue.

O Papa acompanhado pela sua Corte, foi ao encontro das divinas relíquias que recebeu sobre a ponte Rivochiero e as conduziu em suas próprias mãos até Orvieto.



(Fonte: “L'Osservatore Romano”, 21 de maio de 1961, pág. 6. Pe. Deodato Carbajo, O.F.M.).



Vídeo: O milagre eucarístico de Bolsena




A instituição da festa de Corpus Christi







O prodígio eucarístico de Ettiswil (Suíça, 1447)


Ettiswil: achado do Ssmo Sacramento, século XVII, anônimo italiano, Musée du Hiéron, Paray-le-Monial
Ettiswil: achado do Ssmo Sacramento, século XVII,
anônimo italiano, Musée du Hiéron, Paray-le-Monial
Em Ettiswil, existe um Santuário dedicado a um prodígio eucarístico acontecido em 1447.

Anna Vögtli pertencia a uma seita satânica e conseguiu subtrair a píxide que continha a hóstia magna da igreja paroquial usada na Adoração do Santíssimo Sacramento.

A Hóstia foi encontrada perto de uma cerca, entre arbustos e urtigas, exposta ao ar, cercada por um luz brilhante e dividida em 7 peças unidas entre elas de maneira a ter a forma de uma flor.

O documento mais importante que descreve o Milagre é o “Protocolo da Justiça” constituído em 16 de julho de 1447 por Hermann von Rüsseg, Senhor de Büron.

A tradução diz:

“Na quarta-feira, 23 de maio de 1447, o Ssmo. Sacramento foi roubado da igreja paroquial de Ettiswil e pouco depois que foi encontrado por uma jovem guardiã de porcos, chamada Margarida Schulmeister, não longe da igreja paroquial perto de um cerca, jogado no chão, no meio das urtigas; parecia uma flor brilhante”.

Ettiswil: a igreja paroquial onde foi roubada a Hóstia.
Ettiswil: a igreja paroquial onde foi roubada a Hóstia.
Depois de um minuto investigações, a polícia prendeu a jovem Anna Vögtli de Bischoffingen, que confessou espontaneamente imediatamente tudo.

“Depois de passar minha mão apertada através da grade de ferro, fui roubando a Hóstia Magna, mas logo após a parede do cemitério, o Santíssimo Sacramento começou a se tornar tão pesado que eu era incapaz de levá-lo além.

“Não podendo ir mais longe, nem para trás, deixei cair o Hóstia que eu coloquei perto de uma cerca, nas urtigas”.

A partícula foi descoberta pela Sra. Margarida Schulmeister, guardiã de uma fazenda de porcos.

Ela disse que “assim que eu cheguei com meus porcos perto do lugar onde estava o abençoado Sacramento, meus animais não queriam ir mais longe.

Ettiswil: a capela do Ssmo Sacramento construída no local do milagre.
Ettiswil: a capela do Ssmo Sacramento construída no local do milagre.
“Foi quando eu solicitei ajuda a dois homens que iam andando a cavalo.

“Eles viram a Hóstia roubada no meio do capim, dividida em sete partículas. Seis delas formaram uma flor semelhante a uma rosa e uma ótima luz a cercava”.

O pároco foi imediatamente avisado e foi pegar logo a Hóstia para leva-la de volta para a igreja, seguido por todos os paroquianos.

Ele pegou as seis peças, mas quando ele quis pegar a central ela entrou na terra na frente dos olhos de todos.

Este desaparecimento foi interpretado como um sinal e ficou decidido construir uma capela exatamente onde a parte da Hóstia havia desaparecido.

As 6 partículas foram preservadas na igreja de Ettiswil que se tornou um centro de grande veneração que atrai aldeões e estrangeiros.

E Deus realizou numerosas curas por meio dele. A capela e altar foram consagrados em 28 de dezembro de 1448: um ano e meio depois dos eventos.

Muitos Papas concederam indulgências para os visitantes do santuário; o último foi Pio XII em 1947.

A grande festa da Capela do Milagre acontece no domingo «Laetare» e nos dois dias subsequentes.





A Sdoração das Quarenta Horas


No século XIII nasceu um Movimento Eucarístico que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento
No século XIII nasceu um Movimento Eucarístico
que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento

Rei e Senhor do Universo, merece Jesus Cristo Nosso Senhor, real e verdadeiramente presente na Sagrada Eucaristia, que se Lhe prestem honras públicas, devidas a seus direitos sobre toda a criação.

Entre elas, a piedade católica, sancionada posteriormente por decretos pontifícios, excogitou a Adoração das 40 Horas, em que durante três dias o Santíssimo Sacramento é solenemente exposto, noite e dia, à pública adoração. Neste período, nenhum leigo deve entrar a rezar no presbitério.

Os Romanos Pontífices concederam inúmeras indulgências aos que publicamente façam atos de veneração ao divino Juiz e Rei Soberano, entre elas a de poder ganhar, em cada um dos três dias, uma indulgência plenária, fazendo uma visita a Sua Divina Majestade, tendo-se confessado e comungado, rezando diante do Santíssimo cinco Pater, Ave e Gloria, acrescentando mais um pelas intenções do Romano Pontífice. Outrossim, tantas vezes quantas se faça tal visita, podem-se ganhar quinze anos de indulgência.

A seguir, um resumo da história desta devoção, das principais normas litúrgicas e de algumas normas práticas, adequadas às dificuldades das capelas pequenas, nas quais um só sacerdote estará presente.


História

Na Idade Média (pelo menos desde o século X), difundiu-se em muitos lugares a devoção ao Santo Sepulcro do Salvador. Mantinha-se este erigido desde a Adoração da Cruz, na Sexta-Feira Santa, até a Missa de Ressurreição do Domingo de Páscoa.

O Concílio de Trento reforçou a devoção eucarística ao Corpo de Cristo, Corpus Christi
O Concílio de Trento reforçou a devoção eucarística ao Corpo de Cristo, Corpus Christi
Durante este tempo (cerca de 40 horas) os fiéis oravam diante dele, recitando ou cantando salmos e outras preces, em memória e reconhecimento da morte e sepultura do Senhor, que também esteve no Sepulcro cerca de 40 horas, segundo fundada opinião,

Ao princípio, punha-se no sepulcro o símbolo de Jesus Cristo: a Cruz. No século XII, depositava-se nele o Crucifixo ou a imagem de Cristo.

Mais tarde, no século XIV, colocou-se em relicário, incrustado no flanco desta imagem, o mesmo Corpo sacramentado de Jesus (com o qual a função adquiria um caráter de viva realidade, que excitava extraordinariamente a devoção dos fiéis).

Por último, colocou-se no Sepulcro — digamos Tabernáculo — unicamente Jesus Sacramentado.

Entretanto, esta devoção não seguiu em todas as partes o mesmo processo.

Já no século X o santo Bispo Ulrico, de Augsburgo, depositava no Sepulcro somente o Santíssimo Sacramento.

E no século XII os habitantes de Zara, metrópole da Dalmácia, também velavam Jesus Sacramentado, encerrado no Sepulcro, desde o entardecer de Quinta-Feira Santa até o meio-dia do Sábado Santo, por antecipar-se para este dia a Missa de Ressurreição, como se faz hoje.

Bastava que esta função — chamada já no século XIII Oratio XL Horarum in Passione Domini — se transferisse para outros dias do ano, para que dela resultasse a atual função das 40 Horas. O traslado fez-se no século XVI.

Em 1527, Antonio Belloto fundou na Igreja do Santo Sepulcro de Milão uma confraria, cujo objetivo precípuo era orar durante quarenta horas diante do Santíssimo posto no sepulcro, nas quatro principais festividades do ano, em memória da morte e sepultura de Jesus, com o fim de impetrar remédio para as grandes calamidades que então afligiam a Cristandade.

Dois anos mais tarde, o Pe. Tomás Nietto, OP, começou a propagar em todas as igrejas paroquiais de Milão essa devoção, divulgada em seguida por Santo Antonio Maria Zaccaria, com fruto ainda mais abundante, tanto em Milão como em Vicenza, pelos anos 1530 a 1534; com a particularidade de que este principiou a celebrar as 40 Horas com o Santíssimo Sacramento visivelmente exposto, como se fazia desde o século XIV em muitos lugares, em outras funções de Exposição.

Vale esclarecer que, quando foi introduzida a procissão de Corpus Christi, na segunda metade do século XIII, o Santíssimo era levado num vaso ou cálice cerrado e coberto por um véu.

As custódias ou monstratoria, que através de um cristal deixavam ver o Santíssimo Sacramento, parece que começaram a ser usadas no século XIV, e somente em alguns lugares.

Nos tempos de São Carlos Borromeo (1538-1584), observava-se em Milão um vestígio dessa disciplina antiga, pois, se bem que exposto o Santíssimo dentro de um vaso cilíndrico de cristal rematado em pirâmide, através do qual se podia ver a Sagrada Hóstia, tal vaso se cobria com um largo véu, por reverência à Sua Divina Majestade.

A Exposição do Santíssimo — visível ou velado no cálice — para sua adoração pelos fiéis é uma das principais manifestações do desenvolvimento do culto direto a Jesus na Sagrada Eucaristia, que teve lugar sobretudo a partir do século XIII, influindo não pouco sobre essa iniciativa o combate às heresias contra a presença real de Jesus Cristo no Sacramento, que apareceram a partir do século XI até o século XVI.

Tais heresias, avivando a crença do povo cristão na divina Eucaristia, fizeram sentir a necessidade de render a Nosso Senhor a homenagem que reclamam Sua divindade e Sua bondade no Santíssimo Sacramento.

Claro que contribuíram para estender mais e mais as Exposições, públicas ou privadas, a Festa de Corpus Christi e o exercício das 40 Horas.

Estas manifestações foram o termo feliz da evolução da devoção ao Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo. Deus reservava aos tempos modernos esse foco de piedade da Exposição da Sagrada Eucaristia, que sua Providência nos depara com a habitual suavidade de seus traços divinos.

Por fim, o famoso pregador Pe. José de Fermo promoveu, nos anos 1537 e 1538, a instituição da Adoração Perpétua nas igrejas de Milão, pela qual nestas se sucedia, sem interrupção, a celebração das 40 Horas.

Santo Inácio de Loyola, com os seus, levou esta devoção a Roma. Foram também os jesuítas que a introduziram na Alemanha.

Paulo V a aprovou por primeira vez em 1539, e Clemente XI ordenou definitivamente seu rito, estabelecendo-a em Roma, em turno de Adoração Perpétua, mediante a famosa Instrução Clementina, publicada em 1705.

Da capital do orbe católico, estenderam-se as 40 Horas por todo o mundo.


(Fonte: Pe. José Vendrell, Pe. Antonino Tenas, Pe. Pedro Farnés, Pe. Joaquín Solans, "Manual Litúrgico" - Subirana, Barcelona, 1955, 2º vol., pp. 351-352, 189-390)


Video: Pange Lingua






De joelhos, sozinho, na meia luz e no silêncio ante o Santíssimo Sacramento



O maná que Deus enviou para alimentar os judeus durante a travessia do deserto, após abandonar o Egito sob a direção do profeta Moisés rumo à Terra Prometida, mudava de gosto.

Por causa disso diante do Santíssimo Sacramento exposto, antes de dar a bênção, o padre ajoelhado usando uma muito bonita capa pluvial cantava: Panem de caelo, prestistis eis alelluia, Vós destes a eles pão do Céu, aleluia. Quer dizer, o maná.

O coro respondia: Omne delectamentum in se habentem, alelluia, Que tinha em si todos os sabores aleluia.

Isso fazia parte daquela distinção, daquela classe, daquela categoria, de uma bênção do Santíssimo Sacramento bem dada.

Com o Santíssimo resplandecente dentro de um sol de ouro, a interlocução entre o oficiante e o povo representado pelo coro, era esta: vós destes a eles um pão do Céu.

E o coro respondia: que contém em si todos os sabores.

Arranhando pedaços de latim, ou nada entendendo, o fiel percebia alguma coisa de uma superior beleza que excede em categoria todo o cerimonial humano.

Na igreja de São Bento, no centro de São Paulo, há uma belíssima capela do Santíssimo Sacramento.

É um dos lugares de São Paulo onde, fugindo da agitação da cidade, se pode comungar com mais agrado.

Ou, mais simplesmente, passar por lá durante o dia, e fazer visitas ainda que rápidas ao Santíssimo Sacramento.

Não há o que incite mais à piedade do que algo composto. E a capela, prima pela beleza, pela distinção e compostura.

Essa capela tem o teto baixo e é separada por alguns degraus da igreja.

O conjunto de circunstâncias arquitetônicas e artísticas ajuda a dar a impressão de estar ali Jesus prestando atenção em cada visitante.

Nossa Senhora tem um papel nisso. Ela não faz entre Deus e nós o papel de corpo opaco nem mesmo translúcido, mas o da lente.

A devoção a Maria representa o cristal que se coloca no ostensório diante da Hóstia: todo olhar deve passar por ele para se chegar a ver as Sagradas Espécies.

Ele não prejudica a visão; pelo contrário, necessariamente é preciso passar-se por ele para vê-lO de uma maneira mais nítida.

São Luís Grignion de Montfort explica muito bem o fundamento teológico disso: Nossa Senhora é como uma lente poderosa e pura, que concentra em nós as graças que vêm de Deus.

Como é lindo o operar discreto de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento!

Porque Ele tem pena de nós.

Todos nós de algum modo quando entramos num recinto sagrado onde está o Santíssimo Sacramento, o mais das vezes algo nos diz que Ele está lá.

Então Ele conversa conosco na noite dos nossos sentidos, mas de uma forma que é muito mais nobre do que o puro ver e o puro sentir material.

Ele nos diz: “Eu estou presente”.

O convívio eucarístico é inteiramente indescritível. Ele nos consola com uma esperança, que é um prenúncio de toda a alegria que vamos ter em vê-lO no Céu por toda a eternidade.

Há um jogo da misericórdia infinita dEle.

Porque Ele sustenta com condescendência a fraqueza do homem.

Um homem que tenha visto Nosso Senhor com os olhos carnais no tempo em que Ele estava nesta vida, vamos dizer por exemplo Pilatos ou Herodes, talvez não tivesse sentido nada do que cada um de nós sente aos pés do Sacrário ou do ostensório.

Nós, entrando na igreja, já vamos sentido a influência divina sabendo que a 20, 30 metros de nós, sozinho, numa sala com lamparina acesa e circundado de anjos numa quantidade inexprimível, está Nosso Senhor Jesus Cristo realmente presente.

Nosso Senhor fez uma coisa grandiosa, divina, quando instituiu a Eucaristia.

Ele pensou nessa magnífica influencia que Ele exerceria sobre todos os homens que se aproximariam até Ele durante milênios.

Santíssimo Sacramento adorado na igreja das Bernardinas, Cracóvia, Polônia
Santíssimo Sacramento
adorado na igreja das Bernardinas, Cracóvia, Polônia
Nós conhecemos por aí os aspectos diferentes da nossa própria vocação de católico que Nossa Senhora pôs em nós pela mediação que fez da graça que nos trouxe à Igreja.

Por isso podemos dizer com a alma cheia, como os judeus no deserto diziam do maná: Omne delectamentum in se habentem.

Quer dizer, o Santíssimo Sacramento tem em si toda espécie de deleites. Sobretudo quando as nossas almas se abrem para a beleza, a honra e a glória, o lumen – a luz divina – da vocação de católico.

Porque o maná era assim.

O nosso lado bom é assim, e só o conhecemos bem quando nós nos detemos a degustar esse convívio, sozinhos, ajoelhados, numa meia luz, no silêncio, diante do Monumento que conserva a Jesus vivo mas que nos fala no mais fundo da alma.

Assim, percebemos melhor como a balbúrdia e o caos em que o mundo afora afunda cada dia mais não é nada, e está condenado a passar e desaparecer.

E ao mesmo tempo podemos ouvir ao infinito no fundo das nossas almas o canticum novum do Reino de Maria que se regozija em cada um de nós.



Vídeo: “Adoro te devote” (“Adoro-Vos devotamente”) hino a Jesus Sacramentado






3 comentários:

  1. Sempre acreditei na hóstia consagrada mas nunca imaginei que existissem tão preciosa confirmações, vejo tantas pessoas duvidarem, porque a Igreja não divulga mais em pregações e vídios principalmente na festa do Corpo de Cristo que geralmente um monte de pessoas caminham pelo tapete sem saber certo porque nem eu sabia a razão dessa festa! vejo a Igreja como uma mãe com enormes seios cheios de leite precioso enquanto que tantos fies estão morrendo a míngua espiritual por não saberem onde e nem como chegar a esses seio dessa mãe altiva que não se assenta e mostra todo esse precioso alimento!!! Sempre diariamente quando reso os mistérios do terso quando Jesus envia o Espirito Santo peço que esse mesmo Espirito dessa sem sessar sobre a igreja e é nessa mesma intenção que escrevo agora! Jesus se deixou ficar junto de nos no sacrário mas os padres mandam trancar as portas das igrejas e nos não podemos entrar, porque Jesus esta preso e sozinho! E nos não podemos velar com ele nem uns minutos! Dizem que ladroes podem entrar, e eu digo porque não põe guarda? quiça se ladrões entrassem as nossas hóstias consagradas fariam Jesus falar e muitas pessoas se converteriam! Jesus é mais, não precisa de tantos cuidados ele sabe se defender, oque ele quer e ter nos por perto Dele!Por amor de Deus abrem as Igrejas e reanimem os sacerdotes tão distantes! Hoje quando comecei de contar os carros na igreja evangélica onde o pastor falava entusiasmado para uma igreja cheia ate na calçada, tinha mais de 50 carros; enquanto que diante da nossa enorme e bela igreja havia 5 carros e tive a pertinência de contar 36 pessoas e um padre falando com um fio de voz!!!! Me desculpem anastacia heck.

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  2. A igreja Católica é Santa e Imaculada , nós católicos somos santos mais também pecadores.

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  3. realmente devíamos publicar esses milagres em toda parte!
    uem recebe a santa comunhão sem estar dignamente preparado deveria ler esses relatos de milagres eucarísticos.

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