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segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

A cidade que viu a luta entre Davi e Golias

Davi vitorioso sobre Golias.
Bartolomeo Bellano (Padua 1437–1497).
Metropolitan Museum of Art, New York City.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Khirbet Qeiyafa, vale de Israel, é o nome moderno do local que serviu de quadro para um evento que marcou época há milênios.

Uma equipe de arqueólogos acredita ter desenterrado os restos da cidade que ali ficava e que teria testemunhado de alguma forma a batalha singular entre Davi e Golias.

Essa cidade de onde partiu o jovem pastor Davi, futuro rei de Israel, havia entrado no mistério da História e agora reaparece, segundo informa o Jewish News Service.

Os restos apontam uma cidade que há três mil anos tinha duas portas de acesso e que é mencionada no relato bíblico da luta de Davi contra Golias

Foram necessários sete anos de escavações. Mas os frutos agora podem ser vistos na mostra “No Vale de Davi e Golias” inaugurada em Jerusalém.

Os achados em Qeiyafa intrigaram historiadores e arqueólogos desde o primeiro momento em que foram revelados.

As ruínas foram desenterradas entre Soco e Azeca, na fronteira dos territórios filisteus e judeus, dois povos que se digladiaram a morte entre si simbolizando a luta entre o Bem e o Mal, entre os filhos de Deus e os filhos da serpente.

De um lado, os judeus, o povo eleito e amado por Deus no qual haveria de nascer o Messias, Redentor do Mundo, das entranhas imaculadas de Maria, descendente de Davi.

Do outro lado, os filisteus, povo do qual se poderia reputar entregue a todas as formas de mal. Confira a respeito: Arqueólogos acham restos do povo filisteu açoite dos israelitas

A luta desses povos símbolos teve um auge simbólico, místico e militar na luta entre Davi e Golias, do qual nos fala o primeiro livro de Samuel:
As ruínas de Khirbet Qeiyafa são do tempo de Davi.
As ruínas de Khirbet Qeiyafa são do tempo de Davi.
1. Mobilizaram os filisteus as suas tropas para a guerra e concentraram-se em Soco, em Judá. Acamparam entre Soco e Azeca, em Efes-Domim. (...)

4. Saiu do acampamento dos filisteus um campeão chamado Golias, de Get, cujo talhe era de seis côvados e um palmo. (...)

8. Apresentou-se ele diante das tropas israelitas e gritou-lhes: Por que viestes dispostos a uma batalha? Não sou eu filisteu, e vós os escravos de Saul? Escolhei entre vós um homem que desça contra mim.

9. Se ele me vencer, batendo-se comigo, e matar-me, seremos vossos escravos; mas, se eu o vencer e o matar, então sois vós que sereis nossos escravos e nos servireis!

23. (...) Todo o Israel recuava à vista do homem, tremendo de medo. (...)

26. Davi perguntou aos que estavam perto dele: Que será feito àquele que ferir esse filisteu e tirar o opróbrio que pesa sobre Israel? E quem é esse filisteu incircunciso para insultar desse modo o exército do Deus vivo? (...)

32. Davi disse-lhe [ao rei Saul]: Ninguém desanime por causa desse filisteu! Teu servo irá combatê-lo.

33. Combatê-lo, tu?!, exclamou o rei. Não é possível. Não passas de um menino e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade.

34. Davi respondeu a Saul: Quando o teu servo apascentava as ovelhas do seu pai e vinha um leão ou um urso roubar uma ovelha do rebanho,

35. eu o perseguia e o matava, tirando-lhe a ovelha da boca. E se ele se levantava contra mim, agarrava-o pela goela e estrangulava-o.

A luta de Davi e Golias, Bíblia dos Cruzados.
A luta de Davi e Golias, Bíblia dos Cruzados.
36. Assim como o teu servo matou o leão e o urso, assim fará ele a esse filisteu incircunciso, que insultou os exércitos do Deus vivo.

40. E, tirando a armadura, tomou seu cajado e escolheu no regato cinco pedras lisas, pondo-as no alforje de pastor que lhe servia de bolsa. Em seguida, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu.

41. De seu lado, o filisteu, precedido de seu escudeiro, aproximou-se de Davi,

42. mediu-o com os olhos, e, vendo que era jovem, louro e de delicado aspecto, desprezou-o.

43. Disse-lhe: Sou eu porventura um cão, para vires a mim com um cajado? E amaldiçoou-o em nome de seus deuses. (...)

45. Davi respondeu: Tu vens contra mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos exércitos, do Deus das fileiras de Israel, que tu insultaste.

46. Hoje o Senhor te entregará nas minhas mãos, e eu te matarei, cortar-te-ei a cabeça, e darei os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra. Toda a terra saberá que há um Deus em Israel; (...)

48. Levantou-se o filisteu e marchou contra Davi. Davi também correu para a linha inimiga ao encontro do filisteu.

49. Meteu a mão no alforje, tomou uma pedra e arremessou-a com a funda, ferindo o filisteu na fronte. A pedra penetrou-lhe na fronte, e o gigante caiu com o rosto por terra.

50. Assim venceu Davi o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. E como não tinha espada na mão,

51. correu ao filisteu, subiu-lhe em cima, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu campeão, os filisteus fugiram.

52. Os homens de Israel e de Judá levantaram-se então, soltando gritos de guerra, e perseguiram os inimigos até a entrada de Get e até as portas de Acaron. Os cadáveres dos filisteus juncavam o caminho desde Saraim até Get e até Acaron. (I Samuel, 17, 1-52)

Davi contra Golias. Mestre Honoré, Breviário de Felipe o Belo (1296), BNF, folio7v.
Davi contra Golias. Mestre Honoré, Breviário de Felipe o Belo (1296), BNF, folio7v.
O enfrentamento foi por excelência um combate entre um filho da luz e um filho das trevas.

Davi era puro, nobre, limpo de coração e corpo, jovem, louro e de delicado aspecto, e por isso Golias “desprezou-o”.

Como arma só tinha a funda e cinco pedras colhidas num córrego.

Do ponto de vista material carecia de tudo, mas tinha uma fé que ardia de zelo por Deus.

E, o mais importante de tudo, o Senhor Deus dos Exércitos se aprazia nele e lhe comunicava sua bênção e auxílio.

A Bíblia descreve Golias em seu descomunal tamanho, força material, armamento, invencibilidade e ousadia.

Sua boca só proferia blasfêmia, provocação e ofensas. Sua presença causava terror.

Entretanto, Davi o filho da luz derrotou-o contra todas as aparências humanas como descreve o livro de Samuel acima.

Voltando à notícia do Jewish News Service, a descoberta arqueológica de Khirbet Qeiyafa nos conduz a uma cidade desde cujas muralhas teria se assistido ao extraordinário duelo entre o aristocrático Davi e o boçal filisteu.

O professor Yosef Garfinkel explica o significado de um dos objetos exumados.
O professor Yosef Garfinkel explica o significado de um dos objetos exumados.
O teste do carbono-14 datou 28 jarras de azeite encontradas nas ruínas da cidade como sendo do XI século ou início do X antes de Cristo. Portanto, dos dias do rei Saul e do jovem Davi.

“Ninguém pode contestar esta data” disse o professor Yosef Garfinkel, do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Ele conduziu as escavações junto a Sa’ar Ganor da Autoridade para Antiguidades de Israel e do professor Michal Hazel da Universidade Adventista do Sul, de Tennessee, EUA.

Foi possível identificar duas portas nos muros, fato algo inusual. Uma está voltada para Filisteia e a outra para a Judeia.

As duas portas fazem pensar em Saraim, nome hebreu que significa “duas portas”. E o nome com que é mencionada uma cidade no I livro de Samuel (17:52), quando descreve a luta entre os campeões de Deus e da impiedade.

O achado de ossos de animais habitualmente oferecidos em sacrifícios a Deus (e a ausência de ossos de porco considerado impuro), nomes hebreus nos vasos (incluindo o de “rei” e de “juiz”, tal vez os mais antigos rastros da linguagem hebraica até agora recolhidos); cinco grandes pedras em pé (Massebot), altares de basalto, ausência de imagens humanas, decorações que evocam o futuro Templo de Salomão e outros objetos de culto ratificam que os moradores de cidade observavam as prescrições mosaicas.

Também foram encontradas 24 armas, 67% delas em aço, mais um sinal característico dos povoados hebreus.

Os muros com forma de casamata estão constituídos por duas paredes finas e paralelas entre as quais estão embutidas moradias, uma planificação exclusiva de Judá e da Transjordânia.

Vista aérea de Khirbet Qeiyafa, seu muro duplo como casamata e, no centro, uma porta amuralhada de entrada.
Vista aérea de Khirbet Qeiyafa, seu muro duplo como casamata
e, no centro, uma porta amuralhada de entrada.
É a primeira cidade fortificada de Judá no tempo do rei Davi que foi tirada à luz, observou o Prof. Garfinkel.

Segundo o professor Jacob L. Wright, da Universidade Emory de Atlanta, nos EUA, “em parte alguma do mundo se encontram semelhantes ligações com a Bíblia. Tudo o que você toca em Khirbet Qeiyafa te conduz à época bíblica”.

Compreende-se essa importância.

Sobre tudo se consideramos que naquele épico e sobrenatural lance vemos o nascedouro da Casa real de Davi na qual haveria de desabrochar o Redentor da humanidade.

Aquele que sendo Deus, enquanto homem foi a culminação da linhagem real hebraica, embora em seu tempo já não reconhecida pelos judeus, e o auge das perfeições humanas adorado justamente como Cristo Rei no orbe católico.

Sim, Aquele que no alto da Cruz venceu o “Golias do pecado” que é o mundo esquecido de Deus em consequência do pecado de nossos primeiros pais.

E o venceu redimindo desse pecado os homens todos. Abriu assim o caminho para levar o povo eleito ao porto seguro de sua Santa Igreja, militante neste vale de lágrimas e triunfante para sempre no Céu, destino derradeiro dos sinceramente fiéis.


Teste mostra como Davi pode ter derrotado Golias





segunda-feira, 28 de junho de 2021

A luta de Davi contra Golias:
indícios arqueológicos e testes científicos

Davi combate contra Golias, Bibliotèque Nationale de France, breviário de Martim de Aragão
Davi combate contra Golias, Breviário de Martim de Aragão,
Bibliotèque Nationale de France.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Arqueólogos de Jerusalém descobriram no ano 2007 vestígios que confirmam, de modo colateral mas precioso, o relato bíblico da luta e vitória do Rei-profeta Davi contra o gigante filisteu Golias.

O local situa-se em Tel es-Safi, no sul de Israel, onde antigamente esteve Gate [= Get ou Gath], a cidade filistéia de onde provinha Golias.

O Dr. Aren Maeir, diretor das escavações, confirmou ao jornal Jerusalem Post que os achados provam que o combate de Davi contra Golias não é lenda, e que existiam representações artísticas dele feitas aproximadamente 50 anos após o fato bíblico.

O mesmo Aren após presidir as escavações nas ruínas de Gath durante 23 anos, afirmou que os arqueólogos tomaram uma surpresa, segundo informou o jornal israelense "The Jerusalem Post".

Ela resultou das dimensões extraordinariamente grandes das casas e prédios. Sabia-se que os muros e defesas assim o eram, mas se explicava por razões militares. Cfr. Desenterrado o pórtico de acesso à cidade de Golias

segunda-feira, 29 de março de 2021

A púrpura real desde Davi e Salomão até Cristo e a Igreja

Fibras de tecido tingidas com púrpura 1,000 anos antes de Cristo, descoberta no vale de Timna, Israel, (Foto Dafna Gazit, Israel Antiquities Authority)
Fibras de tecido tingidas com púrpura 1,000 anos antes de Cristo,
descoberta no vale de Timna, Israel, (Foto: Dafna Gazit, Israel Antiquities Authority)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O que é que pode se dizer – além da importância histórica e arqueológica – dos restos de tecidos tingidos com púrpura real encontrados em escavações no Vale do Timna, Israel, nas famosas Minas de Cobre do Rei Salomão?

Eles teriam cerca de 3.000 anos, portanto, são da era dos Reis Davi e Salomão, noticiou entre outros “Clarín”.

Davi é o fundador da estirpe na qual nasceu Jesus Cristo, como ensinam os Evangelhos. Esse rei, também tratado como São Davi, em certo momento pecou. Mas fez uma penitência exemplar cujos gemidos a Igreja faz seus nos Salmos de sua autoria, soprados pelo Espírito Santo.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Arqueólogos acham restos do povo filisteu açoite dos israelitas

Filisteu, relevo nos muros do templo egípcio de Medinet Habu,
feito pelo faraó Ramsés III.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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No sul de Israel, Daniel Master, arqueólogo da Universidade de Harvard, conduz o desvendamento de um cemitério filisteu, povo do Antigo Testamento ao qual pertenceu Golias.

O local foi outrora uma câmara mortuária e se situa na cidade israelense de Ascalon (também Ashkelon), segundo noticiou o jornal “Clarín” de Buenos Aires.

O achado está revelando segredos de uma civilização desaparecida há 2.600 anos, inimiga acérrima do povo eleito.

Também está ajudando a compreender melhor o contexto cultural de importantes fatos bíblicos.

O Antigo Testamento fornece o relato mais cheio de detalhes sobre esse povo.

E agora está sendo conferido e confirmado pela arqueologia.

Diante do jornalista, o professor Master extraiu da terra arenosa o esqueleto intacto de um filisteu, enterrado junto com um frasco de perfume de terracota que sob os efeitos do tempo tinha ficado colado a seu crânio.
No cemitério filisteu de Ascalon, o arqueólogo chefe explica a importância do achado.
No cemitério filisteu de Ascalon,
o arqueólogo chefe Daniel Master explica a importância do achado.
E explicava: “Isto é o resultado de anos de escavações e a ocasião de se encontrar de novo em face de um deles. Há um total de 145 corpos exumados. Nós não só queremos entender seus ritos funerários, mas também reunir indícios a partir das ossadas que permitam entender como viviam”.

De fato, os filisteus constituíram para Israel um açoite sempre prestes a se abater sobre o povo eleito quando decaia. A Bíblia os menciona abundantemente.

Por que é que Deus teria permitido um povo desses morar encostado no povo amado e flagela-lo tão cruelmente?

O Papa Leão XIII explicou a razão de ser nos planos de Deus da presença constante de um povo inimigo encostado no povo eleito. E o fez com uma analogia com o perigo islâmico instalado nas fronteiras da cristandade europeia.

“Da mesma maneira que outrora em relação a seu povo privilegiado, Deus quis para sua Igreja uma ameaça constante e um castigo sempre pronto.

“É um plano providencial que o islamismo esteja às portas da Cristandade para castigar as revoltas dos povos batizados, acordá-los de seu sono, estimular suas virtudes e excitar seu heroísmo”.

S.S. Leão XIII, in Mons. Cauly, “Cours d'instruction religieuse”, lib. Ch. Poussielgue, Paris, 1900, apud Pierre Augier, “Dialoguer avec l'Islam?”, Centre Montauriol, 1992, página 38.

Mapa da Filistéia e das invasões sofridas por Israel.
Mapa da Filistéia e das invasões sofridas por Israel.
Foi assim que Deus permitiu os filisteus sempre ameaçantes contra Israel, um povo dominado pelas trevas voltado contra o povo eleito.

Quando por desleixo deixava se apagar a Luz de sua vocação divina e decaia na fidelidade e observância aos Mandamentos o inimigo vinha o assediar e então os hebreus lembravam-se de Deus e o invocavam com renovado fervor para serem libertos da opressão dos iníquos.

Os israelitas continuaram a fazer o mal aos olhos do Senhor, que os entregou nas mãos dos filisteus durante quarenta anos. (Juízes 13, 1)

Faz parte das promessas bíblicas que Jesus Cristo livrará os fiéis de seus perseguidores prefigurados pelos filisteus

A navalha não tocará a sua cabeça, porque esse menino será nazareno de Deus desde o seio de sua mãe, e será ele quem livrará Israel da mão dos filisteus. (Juízes 13, 5)

Como profetizou Sofonias, Deus em sua cólera extinguiu os filisteus:

A palavra do Senhor foi pronunciada contra vós, Canaã, terra dos filisteus: Destruir-te-ei de tal forma que ninguém te habitará mais. (Sofonias 2, 5)

E de fato, não sobrou nenhum filisteu, tendo todos desaparecido antes da vinda do Redentor.

Mas quem era e como vivia esse povo tão singular, arauto do mal e flagelo dos bons? É o que as atuais descobertas estão ajudando a compreender deitando uma luz indireta, mas valiosa sobre o relato bíblico.

Peças de cerâmica filisteia provenientes de outros sítios arqueológicos
Peças de cerâmica filisteia provenientes de outros sítios arqueológicos
Os arqueólogos, prossegue o jornal, levavam 30 anos tentando encontrar um cemitério para fazer um estudo em grande escala sobre os filisteus.

Umas primeiras fossas foram descobertas em 2013 em Ascalon, cidade que chegou a ter 13.000 habitantes num local onde hoje há um parque natural junto ao mar, no sul de Tel Aviv.

Sabe-se pouco da origem desse “povo do mar”, mas há várias hipóteses. Tal vez tiveram relação com a civilização micénica, nascida nas ilhas gregas, mas poderiam proceder do deserto ou das montanhas.

“O único certo é que eram alheios à região”, explica Master. Eles estiveram presentes entre os anos 1.200 e 600 antes de Cristo numa pequena área costeira, entre a atual Faixa de Gaza e Tel Aviv.

Eram comerciantes e marinheiros, falavam uma língua indo-europeia, não praticavam a circuncisão e comiam carne de porco e de cachorro, segundo demonstram os ossos achados em Gat, Gaza, Asdod, Ecrón, cidades que junto com Ascalon constituíam o estado filisteu.

Os filisteus aparecem notadamente no Gênesis e no Livro de Samuel. Nesse último está explicado que os guerreiros filisteus roubaram a Arca da Aliança dos judeus (I Samuel 4, 11): “desapareceu a glória de Israel, foi tomada a arca de Deus.”

Representação pedagógica apresenta a Arca da Aliança e o ídolo Dagon despedaçado por terra.
Representação pedagógica apresenta a Arca da Aliança
e o ídolo Dagon despedaçado por terra.
Os filisteus colocaram a Arca no templo do ídolo Dagon na cidade de Azot. Mas todos os dias de manhã o ídolo era encontrado com o rosto por terra, até que ficou despedaçado.

Concomitantemente, os habitantes da cidade e do território ficaram com horríveis tumores de hemorroidas.

No desespero mandaram a Arca para outra cidade filisteia: Get. Mas Deus mandou mais tumores de hemorroidas a todos seus habitantes.

Doentes e aterrorizados, mas obcecados no mal, os habitantes de Get passaram a Arca da Aliança para a cidade de Acaron.

Nessa “reinava um pavor mortal, e a mão de Deus fazia-se sentir rudemente. Aqueles que escapavam à morte, eram feridos de hemorroidas, e da cidade subia até ao céu um clamor angustiado” (I Samuel, 5-12).

Os augures filisteus aconselharam devolver a Arca aos judeus junto com um tributo. Esse consistia em cinco objetos com a forma de tumores de hemorroidas e cinco de ratos que devastavam a terra. Tudo feito de ouro maciço.

Subiram a Arca e os tributos numa charrete puxada por duas vacas que, sozinhas, chegaram até terra de Israel. Cinco príncipes filisteus acompanhavam atrás e voltaram a sua terra após os hebreus receberem a Arca e o tributo.

Samuel, que foi o último dos Juízes de Israel e o primeiro de seus profetas, exortou então os judeus a abandonarem o culto idólatra de Baal, afigurado como demônio, e das estatuetas sexuais da impura deusa da fertilidade Astartot.

Era essa a causa pela que Deus permitiu a perda da Arca da Aliança. Os judeus então destruíram os ídolos.

Afresco da captividade da Arca nas mãos dos Filisteus. Na sinagoga de Dura-Europos
Afresco da cativério da Arca nas mãos dos Filisteus. Na sinagoga de Dura-Europos
Um dos tributos com forma de tumor de hemorroidas que os filisteus ofereceram como oferta expiatória representava a cidade de Ascalon cujo cemitério agora está sendo escavado.

O adjetivo “filisteu” passou a significar “de espírito vulgar ou escassos conhecimentos”.

“Nas palavras de sus inimigos, eles são descritos como o pior povo imaginável”, comentou Master, que quer comparar os relatos escritos com os dados dos restos localizados.

Junto à escavação e a poucos metros das fossas, os especialistas montaram um laboratório ao ar livre. Sherry Fox, arqueóloga especialista na análise de restos humanos, ficou encarregada de desvendar os segredos das ossadas.

“Olhando para os dentes nós percebemos que haviam escolhido uma vida muito dura. Encontramos sinais que indicam uma interrupção do crescimento, provavelmente por febres ou fomes na infância”, explicou Sherry.

Golias é o filisteu mais famoso, mas nada indica que o cemitério de Ascalon contenha seus restos. Bíblia dos Cruzados descreve a luta com David.
Golias é o filisteu mais famoso, mas nada indica
que o cemitério de Ascalon contenha seus restos.
Bíblia dos Cruzados descreve a luta com David.
“Pelos ossos dá para perceber que eram muito trabalhadores, que praticavam a consanguinidade casando com irmãos ou primos e que usavam os dentes como se fosse ferramenta, provavelmente para tecer”, acrescentou ela.

Seu corpo não era “especialmente desagradável” e sua altura era normal permitindo supor que o gigante Golias descrito na Bíblia tenha sido uma exceção.

Daniel Master, o arqueólogo chefe, afastou qualquer hipótese de parentesco ou continuidade entre os antigos filisteus e os atuais palestinos.

“Os nomes se parecem, mas não os povos. A cidade de Ascalon foi totalmente destruída em dezembro do ano 604 antes de Cristo por Nabucodonosor e os que sobreviveram foram levados escravos a Babilônia pelos persas. Tudo o que veio depois nada tem a ver com os filisteus”, afirmou.

Supõe-se que eles se misturaram com a população de Babilônia e desapareceram da História.


Vídeo: cemitério filisteu descoberto perto de Ascalon







segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Desenterrado o pórtico de acesso à cidade de Golias

O pequeno pastor Davi enfrenta o gigante Golias, século XII. Museu des Beaux-Arts de Cambrai, França.
O pequeno pastor Davi enfrenta o gigante Golias, século XII.
Museu des Beaux-Arts de Cambrai, França.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Gate, ou Get, a cidade de Golias, foi uma das maiores metrópoles da Filisteia, região contígua a Israel, hoje parte da faixa de Gaza.

Gate estava ocupada desde o século IX antes de Cristo. O Antigo Testamento também se refere a ela, só que com o nome de Golias.

O mesmo nome do gigante nela nascido e que o jovem Davi, futuro rei de Israel, derrubou com sua funda e em seguida degolou com a espada.

Os filisteus eram inimigos de morte dos israelitas e sua inimizade como que revive no atual conflito de Gaza. A História se repete e é mestra da vida.

Os egípcios foram os primeiros a falar dos filisteus, incluindo-os entre os “povos do mar”, levas de imigrantes que atravessaram o Mediterrâneo e desembarcaram no atual Egito.

Também aqui a História se repete.

Pentápolis Filisteia no ano 830 a.C.
Pentápolis Filisteia no ano 830 a.C.
Por fim, o faraó Ramsés III os derrotou e eles foram procurar terras costeiras perto de Israel, onde fundaram cinco cidades: Asdode, Ascalon, Ecrom, Gaza e, a maior delas, Gate [= Get]. As cinco formaram a Pentápolis Filisteia.

Os filisteus eram mestres na metalurgia, fato que conferia aos seus soldados uma grande superioridade.

Mas adoravam deuses perversos, entre eles Baal, mencionado na Bíblia como sinônimo do demônio e de cujo nome deriva Belzebu.

Baal era representado e cultuado como um deus cruel, com raios na mão pronto a fulminar e que exige sacrifícios humanos, sádicos ou obscenos.

Crianças de ambos os sexos eram queimadas em sacrifícios imoralíssimos, durante os quais os sacerdotes se feriam com facas e punhais, em ritos sadomasoquistas.

A ‘cultura da morte’ da época...
O deus-demônio Baal acostumava ser representado ameaçando com raios na mão.
O deus-demônio Baal acostumava ser representado
ameaçando com raios na mão.

Outros deuses eram Astarte – deusa da impureza e do erotismo, invocada pelo satanismo até nossos dias – e Dagon, metade homem, metade peixe, de significado fálico, cujo templo em Gaza foi destruído por Sansão.

Em 587 a.C. o rei caldeu Nabucodonosor – que conquistou Jerusalém e levou seus habitantes escravos para Babilônia – fez o mesmo com as cidades filisteias de Asdode, Ascalon e Ecrom (Gate já havia sido destruída 200 anos antes).

Os filisteus desapareceram da História. Ainda não se sabe como nem por que. 

Acreditam alguns que teriam se dissolvido e misturado culturalmente com os caldeus durante a sua estadia na Babilônia.

Nada restou da Filistéia, país dominado por falsos ídolos e governado por líderes do mal.

Aquele reinado prefigurou, sob muitos aspectos, o mundo moderno anticristão, ao qual talvez esteja reservada sorte semelhante.

Arqueólogos chefiados pelo professor Aren Maeir, da Universidade Bar-Ilan de Israel, julgam ter achado os fundamentos da impressionante urbe filistéia de Gate, de onde saiu Golias.

“Sabíamos que entre os séculos X e IX a.C. a cidade filistéia de Gate era uma grande aglomeração, talvez a maior da região naquela época. As monumentais fortificações sublinham quão ampla e poderosa foi a cidade”, disse Maeir ao site Live Science.

Os arqueólogos israelenses desenterraram um pórtico em Tell es-Safi (ex-Gate), utilizado durante 5.000 anos até 1948, quando uma aldeia árabe existente no local foi abandonada, disse Maeir.

Gate: um altar desenterrado e o chefe da expedição prof. Aren Maeir.
Gate: um altar desenterrado e o chefe da expedição prof. Aren Maeir.
Os arqueólogos escavavam o local desde 1899, mas só nas últimas décadas se deram conta da importância dos restos da Idade do Ferro ali encerrada.

As características da cidade que está sendo exumada coincidem com as narrações bíblicas acerca da histórica Gate da época dos reinos de Judá e Israel.

A equipe localizou a parte superior de uma porta monumental e das fortificações.

Mas elas são tão gigantescas que levará vários anos para desenterrá-las por completo, disse Maeir.

O topo, agora visível, dessas estruturas já permite conjecturar sua dimensão total. Uma fortificação tão poderosa provavelmente visava desanimar o Reino de Judá de qualquer empresa de expansão.

Perto da Porta Monumental foram encontrados, além dos objetos de ferro, um templo filisteu e peças de cerâmica típicas de seu culto, nas quais se pode notar a influência da cultura judaica.

Estátua do profeta Santo Elias no Monte Carmelo,
onde degolou 750 sacerdotes e profetas de Baal.
De fato, nos períodos de diminuição da fé, o culto de Baal penetrou entre os judeus decadentes.

Por obra da rainha Jezabel, esposa do rei Acab (entre 874 e 853 a.C.), o deus símbolo do demônio chegou a ser cultuado no Templo de Jerusalém.

Jezabel era fenícia de nascimento. Seu nome significa “Baal é marido de”.

Ela impôs o culto de Baal e de Astarte e  perseguiu os adoradores do verdadeiro Deus.

Contra a idolatria e a profanação, “como uma chama do fogo sagrado de indignação” levantou-se o Profeta Elias, cujo nome significa “o Senhor é Deus!”.

 Após vencer 700 cruéis sacerdotes de Baal em um duelo durante o qual fez descer fogo do céu sobre o altar do sacrifício no Monte Carmelo, Elias os degolou.

Jehu, seu seguidor, jogou Jezabel pela janela e seu corpo foi disputado pelos cachorros da rua, como Elias profetizara. (II Reis 9, 10)

Porém, a notícia da descoberta dos restos de Gate nos remete para o combate bíblico de David contra Golias.

Sobre o combate de Davi contra Golias, veja mais em: “Indícios arqueológicos e testes científicos da luta de Davi contra Golias”

Gate, no local: esquema do sítio arqueológico.
Gate, no local: esquema do sítio arqueológico.
Os arqueólogos acham que realmente descobriram a cidade natal do gigante do mal em Israel, segundo o Daily Telegraph, de Londres.

A expedição da Universidade de Bar-Ilan, conduzida pelo professor Aren Maeir, localizou os restos perdidos de Gate em escavações numa área dividida pelo conflito entre Palestina e Israel.

Segundo o Antigo Testamento, Gate foi uma das cinco cidades que formavam a Pentápolis filisteia na Terra Santa, de onde veio Golias (I Samuel 17, 4).

Para Louise Hitchcock, professora assistente da Universidade de Melbourne, Austrália, a descoberta do Pórtico de Entrada da cidade bíblica foi um dos maiores achados já feitos por um investigador.

Acredita-se que esse pórtico corresponde à descrição das portas mencionadas no I Livro de Samuel, cap. 21:

Davi fugindo da cólera de Saúl, recebe do sacerdote Aquimelec
a espada de Golias que o próprio Davi tinha ganho (ver I Samuel 21,9).
Arent de Gelder (1645 - 1727).
10. Levantou-se Davi e prosseguiu sua fuga diante de Saul, indo para junto de Aquis, rei de Get [=Gate].

11. Os servos de Aquis disseram ao rei: Não é este Davi, o rei da terra? Aquele de quem cantavam em coro: Saul matou seus milhares, mas Davi seus dez milhares?

12. Davi, impressionado com essas palavras, teve medo de Aquis, rei de Get [=Gate].

13. Simulou loucura diante deles, comportando-se como demente: tamborilava nos batentes da porta e deixava correr saliva pela barba.

A professora Hitchcock acrescentou que fez uma série de outras descobertas que convergem com essa teoria. Inclusive uma inscrição do nome Golias, de templos filisteus, altares e objetos rituais.


segunda-feira, 23 de março de 2015

Davi, Salomão e seus reinados:
existências confirmadas arqueologicamente

Davi, marfim alemão do século XII. Cloisters Museum, NYC
Davi, marfim alemão do século XII. Cloisters Museum, NYC.



Com frequência ouve-se dizer que a Bíblia e os Evangelhos, seus acontecimentos e personagens são fruto da fantasia. Ou simples construções alegóricas ou mitológicas em que os antigos teriam condensado suas experiências.

Chega-se a dizer até que Nosso Senhor Jesus Cristo como é apresentado nos Evangelhos não existiu. Teria sido no máximo um homem cuja figura teria sido elaborada por comunidades populares de base oprimidas pelo imperialismo romano.

Segundo essa visualização, os livros sagrados não são obviamente sagrados, mas meras coletâneas de fábulas.

No entanto, tudo isso não passa de alegação antirreligiosa. Além do valor intrínseco do Antigo e do Novo Testamento, são inúmeros os dados históricos e científicos que falam em favor da fidelidade dos Livros Sagrados à História.

Em nosso blog estamos continuamente publicando as mais recentes descobertas que chegam até nós por meio de fontes científicas respeitáveis.

Mais recentemente, uma equipe de arqueólogos da Mississippi State University (MSU) trouxeram à luz um conjunto de seis selos de terracota encontrados numa pequena localidade de Israel, os quais provam a existência histórica dos reis Davi e Salomão.

Os achados desfazem as alegações – essas sim, quiméricas e sem fundamento – de que os dois reis não seriam senão figuras alegóricas, e que o reino deles não existiu, pelo menos no tempo e na região mencionados na Bíblia.

Sobre os dos reis profetas, lemos no Antigo Testamento:

domingo, 22 de julho de 2012

Escavações põem à luz do sol as minas de cobre do rei Salomão

Prof. Thomas Levy, arqueólogo da Universidade da Califórnia–San Diego
Prof. Thomas Levy, arqueólogo da Universidade da Califórnia–San Diego
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O Prof. Thomas Levy (foto) arqueólogo da Universidade da Califórnia – San Diego encontrou as provas da existência das famosas “minas de cobre de Salomão”.

Tais minas exploradas pelo rei-profeta Davi e seu filho o rei Salomão, segundo o relato bíblico encontravam-se no reino de Edom, ao sul do Jordão.

O Prof. Levy dirigiu uma equipe internacional de arqueólogos que publicaram uma matéria sobre a descoberta em The Proceedings of the National Academy of Sciences dos EUA em 28/10/2008.

Ele anunciou que apresentaria ainda mais revelações numa reunião no 18 de fevereiro próximo (2009) no Social Sciences Supper Club, da sua Universidade.

Junto com Mohammad Najjar, dos Jordan's Friends of Archeology, o arqueólogo escavou um antigo centro de produção de cobre em Khirbat en-Nahas (que significa “ruínas de cobre” em árabe).

Restos das fundições
Restos das fundições
As amostras ali encontradas passaram por testes de radiocarbono.

Estes lhes atribuíram uma antiguidade que remonta ao século X antes de Cristo.

Nisto concordam com a narração bíblica que põe nessa época os reinados de David e Salomão.

A pesquisa apontou também um crescimento da atividade metalúrgica no local durante o século IX antes de Cristo, fato que concorda com o que o Antigo Testamento nos fala dos edomitas.

Khirbat en-Nahas encontra-se no local que a Bíblia identifica como Reino de Edom, um feudo do antigo Reino de Israel.

Excavações confirmam historicidade das narrações da Bíblia
Excavações confirmam historicidade das narrações da Bíblia
De fato, já nos anos ’30 do século passado, o arqueólogo americano Nelson Glueck declarou ter descoberto as “minas de Salomão” na região.

Mas os seus achados foram menosprezados com a alegação de que a Bíblia teria sido “pesadamente re-escrita” no século V antes de Nosso Senhor.

Este argumento não era estritamente científico e estava viciado de preconceito anti-cristão, mas pegou, tão forte estava a animadversão anti-católica.

“Agora”, diz Levy, “nos temos a evidência de que complexas sociedades estiveram ativas nos séculos X e IX antes de Cristo, e isto nos conduz ao debate sobre a historicidade das narrações da Bíblia”.

Excavações confirmam historicidade das narrações da Bíblia. Ruínas em Khirbat en-Nahas
Excavações em Khirbat en-Nahas confirmam historicidade da Bíblia
A jazida arqueológica de Khirbat en-Nahas inclui por volta de 100 prédios  – inclusive uma fortaleza – colocados no centro de uma vasta área que pode ser vista claramente em Google Earth.

Há minas e trilhas de mineração em abundância.

Uma prova adicional foi fornecida por objetos egípcios trazidos à luz no local.

Ditos objetos ‒ um escarabeu e um amuleto ‒ foram achados numa camada geológica que corresponde à brusca interrupção da produção.

Esse conjunto de indícios aponta para a bem documentada invasão militar do Faraó Sesac que tentou destruir a atividade econômica da região após a morte de Salomão.

Episódios da vida do rei-profeta David. Salomão com muitas mulheres que o levaram à perdição. Manuscrito da Spencer Collection, Ms 002.
Episódios da vida do rei-profeta Davi.
Salomão com muitas mulheres que o levaram à perdição.
Manuscrito da Spencer Collection, Ms 002.
O segundo livro das Crônicas (12; 1-12) fala abundantemente dessa guerra, como punição ao relaxamento do povo judeu na prática dos Mandamentos :
1. Estando seu reino constituído e firmado, Roboão abandonou a Lei do Senhor, e todo o Israel seguiu-lhe o exemplo.

2. Durante o quinto ano de seu reinado, por causa dos pecados de Jerusalém contra o Senhor, Sesac, rei do Egito, veio atacar a cidade

3. com 1.200 carros e 60.000 cavaleiros. Um inumerável exército de líbios, suquitas e etíopes acompanhavam-no desde o Egito.

4. Apoderou-se das cidades fortes de Judá e chegou a Jerusalém.

5. O profeta Semaías dirigiu-se a Roboão e aos chefes de Judá que se tinham concentrado em Jerusalém, com a aproximação de Sesac. Eis, disse-lhes ele, o que diz o Senhor: Vós me abandonastes; eu também vos abandono nas mãos de Sesac.

6. Então os chefes israelitas e o rei se humilharam e disseram: O Senhor é justo.

7. Em vista deste ato de humildade, a palavra do Senhor foi dirigida a Semaías nestes termos: Eles se humilharam; não os deitarei a perder. Dar-lhes-ei em breve um meio de salvação. Minha ira não se desencadeará sobre Jerusalém pela mão de Sesac.

O rei Davi compondo os Salmos inspirado por Deus, Manuscrito na Universidade de California - Berkeley, nº 131
O rei Davi compondo os Salmos inspirado por Deus
8. Mas eles terão que servir para que saibam distinguir entre o meu serviço e o serviço dos reis estrangeiros.

9. Sesac, rei do Egito, atacou, pois, Jerusalém. Levou os tesouros do templo do Senhor e os do palácio real, sem nada deixar. Levou especialmente os escudos de ouro que Salomão tinha fabricado.

10. Para substituí-los, o rei Roboão mandou fazer escudos de bronze e os entregou em mãos dos chefes das guardas da porta do palácio real.

11. Cada vez que o rei ia ao templo do Senhor, esses guardas os levavam; em seguida, devolviam ao corpo da guarda.

12. Portanto, em virtude de seu ato de humildade, a ira do Senhor apartou-se dele, e sua ruína não foi total. Em Judá havia ainda coisas boas. Fonte: Bíblia Católica

E também o primeiro livro dos Reis (14;25): “No quinto ano do reinado de Roboão, Sesac, rei do Egito, atacou Jerusalém”. Fonte: Bíblia Católica.
O Prof. Levy partilha certo ceticismo com respeito aos Livros Revelados, porém teve que ceder ante a evidência científica:

“Não podemos acreditar em tudo o que nos dizem os antigos livros, porém esta descoberta mostra uma confluência entre os dados arqueológicos e científicos e a Bíblia”, declarou ele ao “The Jerusalem Post”.