segunda-feira, 28 de novembro de 2022

O Santo Cálice da Última Ceia

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Dados arqueológicos, testemunhos da tradição e documentos históricos nos falam do precioso cálice que Nosso Senhor, na Última Ceia.

Aquele que, na vigília da sua Paixão, tomou com suas santas e veneráveis mãos, e, dando graças, abençoou-o e deu-o aos seus discípulos dizendo: “Tomai e bebei todos vós, porque este é o cálice do meu Sangue. Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos os homens para remissão dos pecados. Faça isso em memória de mim”, instituindo a Santa Missa. (Oração Eucarística I, Cânone Romano. Cf. Mateus 26-29; Marcos 14, 22-25, Lucas 22, 1520 e I Coríntios 11, 23-25)


Onde está esse cálice? Chegou até nossos dias?

De fato, ele existe e está conservado na catedral de Valência, na Espanha.

Mas, como chegou até lá e quais provas autentificam que esse é o cálice da Última Ceia?

Como pode aquele cálice de aparência medieval ser o cálice da Última Ceia? Por que em Valência? Por que não é tão famoso quanto o Sudário de Turim ou o Manto de Treveris (ou Trier, Alemanha)?

Sua forma é perfeita, mas é estranha para os critérios modernos com seus esplêndidos detalhes de ouro, pérolas e pedras preciosas.

O peregrino ou o visitante fica logo cativado pela beleza do Santo Cálice exposto na catedral, mas isso não é suficiente para provar que seja o usado por Nosso Senhor.

Acresce que há séculos corre uma saga imaginosa – a do Santo Graal – que vem retomada em lendas, filmes, romances e literatura pseudocientífica embaralhando sua reputação de autenticidade.

Por isso é o caso de deixar de lado fantasias ou relatos novelescos, para alguns atraentes, mas despojados de veracidade, e pôr a lupa nas informações reunidas na catedral da cidade espanhola

Porque a Catedral de Valência acumulou documentação ao longo dos séculos para responder a todas as perguntas.

Em 1952, por ocasião do XXXV Congresso Eucarístico Internacional, que se realizou em Barcelona, veio a lume o livro de Mons. Juan Angel Oñate, “El Santo Grial”, o qual, com farta bibliografia, relaciona os mais antigos documentos, que qualificam a citada relíquia como sendo aquela utilizada na primeira Missa. (Cfr. Con. Juan Angel Oñate Ojeda, “El Santo Grial”, Valência, lmprenta Nacher, 1972. Também Con. Elias Olmos Canalda, “Santo Caliz de la Cena”, Valência, Edição do Autor, 8ª. edição, 1959).

Etimologicamente a palavra Graal, ou Grial, origina-se do hebraico Goral, espécie de pedra que designa também cálice.

O Santo Cálice, que é a relíquia propriamente dita, é, na verdade, a parte superior da foto que apresentamos. Se trata de uma taça de ágata finamente polida, mostrando faixas de cores quentes quando refrata a luz.

É uma preciosa “taça alexandrina” que os arqueólogos consideram de origem oriental e feita nos anos 100 a 50 a.C.

Esta foi a conclusão do estudo realizado pelo professor D. Antonio Beltrán e publicado em 1960 (“O Santo Cálice da Catedral de Valência”), nunca refutado, e que está na base do crescente respeito e conhecimento da santa relíquia ali venerada.

As asas e o pé de ouro finamente gravado foram acrescentados no período medieval, portanto muito mais tarde, como também as joias que adornam a base.

A base é composta por um vaso invertido em alabastro de origem medieval. As dimensões são harmônicas e, portanto, modestas: 17 cm. De altura, 9 cm de largura do copo e 14,5 x 9,7 cm. da base elíptica.

Em Veneza e outros lugares se preservam cálices semelhantes feitos com pedras semipreciosas de origem bizantina e na Espanha há exemplos dos séculos XI e XII.

Mas são vasos litúrgicos, encastoados em ouro e prata cujo interior está revestido de metal precioso.

No caso do Santo Cálice de Valência, os ourives que o compuseram decidiram não tocar na taça que esteve em contato com as divinas mãos do Redentor.

A taça ficou desprovida de decorações, com grandes alças externas para transportá-la sem tocar na preciosa e delicada peça de ágata translúcida.

Esse dado joga em favor da excepcionalidade da peça.

A tradição nos diz que esse foi o cálice que o Senhor usou na Última Ceia para a instituição da Eucaristia, e que depois foi levado a Roma por São Pedro e guardado pelos Papas sucessores.

Um deles, São Sisto II, a pedido das súplicas de seu diácono São Lorenzo, natural da Espanha, aprovou que fosse enviado à Huesca no século III para protegê-la da perseguição do imperador Valeriano.

Tendo em vista a ameaça dessas perseguições, cada vez mais violentas, segundo uma antiga tradição, Lourenço encaminhou o Santo Cálice para sua terra natal, a cidade de Huesca.

Santo Cálice de Valência em seu altar
Santo Cálice de Valência em seu altar
As palavras pronunciadas pelo celebrante pouco antes da consagração que faziam parte do rito da Missa aprovado por São Pio V diziam: “Accipiens et hunc Praeclarum Calicem in Sanctas ac venerabiles manus suas” (“Tomando este preclaro cálice em suas santas e veneráveis mãos”), deixam subentendido que o cálice usado pelo Pontífice era exatamente o mesmo que Nosso Senhor teve em suas mãos divinas.

No ano 712, diante da invasão muçulmana, os moradores de Huesca, tendo à frente o Bispo Acisclo, abandonaram sua cidade, levando consigo o Cálice Sagrado, buscando refúgio em Cueva de Yebra, região situada junto aos Pirineus.

A partir do ano 713, o Santo Cálice esteve escondido na região dos Pirineus, passando por Yebra, Siresa, Santa Maria de Sasabe (hoje São Adrío), Bailio e, finalmente, no mosteiro de San Juan de la Peña (Huesca), onde um documento do ano 1071 menciona o cálice feito de pedra preciosa.

Em 1071, a Santa Sé empenhou-se em substituir a liturgia mozárabe, que então era adotada em algumas regiões da península ibérica, misturando elementos árabes.

O Cardeal Hugo Cândido esteve no Mosteiro de San Juan de Peria, iniciando ali sua missão como Legado do Papa Alexandre II.

Para solenizar, como era devido, o significativo acontecimento, o Purpurado utilizou o venerando Cálice — que era guardado naquela casa religiosa — na Missa solene que celebrou.

A relíquia foi entregue em 1399 ao rei de Aragão, Martin o Velho, que a guardou no palácio real de La Aljafería em Zaragoza e depois, até à sua morte, no Palácio Real de Barcelona em 1410.

O Santo Cálice está mencionado no inventário de seus bens (Manuscrito 136 de Martinho, o Humano. Arquivo da Coroa de Aragão. Barcelona, onde a história do vaso sagrado é descrita)

Por volta de 1424, o segundo sucessor de Dom Martin, o rei Alfonso V o Magnânimo, levou o relicário real a seu Palácio de Valência.

Tendo viajado a Nápoles, o Rei quis que fosse entregue com as demais relíquias reais à custodia da Catedral de Valência no ano de 1437 (Volume 3.532, fol. 36 v. Arquivo da Catedral).

Desde então foi conservada e venerada durante séculos entre as relíquias da Catedral.

No século XVIII até foi utilizada para conter as formas consagradas no “Monumento” da Quinta-feira Santa.

Durante a Guerra da Independência para se livrar da opressão napoleônica, entre 1809 e 1813, foi sendo transferido por Alicante e Ibiza até Palma de Mallorca, para fugir da rapina dos invasores revolucionários.

Em 1916 foi finalmente instalada na antiga Casa do Capítulo, consagrada como Capela do Santo Cálice.

Esta exposição pública permanente da relíquia sagrada permitiu divulgar o seu conhecimento, que era muito limitado enquanto permanecia resguardada no relicário da catedral.

21 de julho de 1936. Os sinos da histórica Catedral de Valência não repicam. Suas portas estão fechadas. Turbas de agitadores e incendiários socialistas e comunistas percorriam as ruas roubando, matando e incendiando.

Ninguém alimentava dúvidas quanto às suas intenções: o templo religioso, como aconteceu com tantos outros, seria invadido, saqueado e talvez incendiado pelos vermelhos.

Mons. Elias Canalda retirou o Cálice, e entregou-o a uma jovem. Esta, correndo o risco de ser presa e trucidada, levou-o, devidamente dissimulado, para sua residência.

A preciosa relíquia foi depositada num compartimento de guardar panelas, na cozinha da casa, local onde ficou escondida por algum tempo. E ficou escondido na cidade de Carlet para não ser atingido pelos comunistas.

Em 1943, restaurada a Capela do Santo Cálice, na Catedral de Valência, este foi exposto definitivamente à veneração pública, onde se encontra até hoje.

João XXIII concedeu a indulgência plenária em sua festa anual;

João Paulo II celebrou a Eucaristia com o Santo Cálice durante sua visita a Valência em 8 de novembro de 1982;

Bento XVI também quis celebrar com ele a Eucaristia por ocasião do V Encontro Mundial das Famílias, em 8 de julho de 2006.

Um costume israelita nos dá um fato positivo importante proveniente de fonte não-católica.

Ainda hoje toda família judia preserva com carinho o “copo da bênção” para os jantares da Páscoa e do sábado.

E os Evangelhos nos transmitem que Jesus celebrou o rito pascal numa sala decente, mobiliada com divãs (Mc 14, 15), bênçãos rituais, a última das quais se tornou a primeira consagração eucarística do vinho no Sangue do Redentor.

Os Apóstolos e os primeiros cristãos puderam identificar o vaso da primeira Eucaristia e conservá-lo apesar de sua fragilidade em virtude do milenar costume judaico que vinha desde o Êxodo do Egito.

Pesquisadores recentes, como Michael Hesemann (“Die Entdeckung des Heiligen Grals. Das Ende einer Suche”, Ed. Pattloch 2003), situam a origem das lendas mitológicas do Graal na Espanha com base no Cálice de ágata de San Juan de la Peña, reforçando que os mistificadores sentiram necessidade de se referir ao Santo Cálice de Valência para dar alguma credibilidade a seus romances fingidamente históricos e, no fundo, esotéricos.

A crítica liberal e o materialismo anti-religioso não conseguiram destruir a fé pura da Igreja em Jesus Cristo, o Senhor.

Então espalham suspeitas e falsidades para ver se conseguem manchar a sublime relíquia.

O Cálice, com sua autenticidade arqueológica demonstrada e sua tradição livre de elementos deformantes, nos remete ao tempo de Jesus e nos lembra a instituição da Eucaristia.

A relíquia sagrada é transferida da sua preciosa capela, a antiga casa capitular (século XIV), para o altar-mor na celebração da Santa Missa na Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa e na festa solene da última quinta-feira do mês de outubro.

A Real Irmandade e a Irmandade do Santo Cálice, juntamente com o Conselho Metropolitano, mantêm o culto e a divulgação da devoção ao Santo Cálice que se expressa também nas procissões das paróquias e entidades religiosas e cívicas, todas as semanas, na celebração das “Quintas-feiras do Santo Cálice”.

Os objetos mais proximamente relacionados com a Redenção, como por exemplo o Santo Lenho, o Santo Sudário e o Sagrado Cálice, são testemunhos palpáveis do sofrimento que o Salvador padeceu pelos homens e do incomensurável amor que lhes votou.


Uma visita ao Santo Cálice


O custódio do Santo Cálice explica:



Bibliografia

Beltrán, A.,
Estudio sobre el Santo Cáliz de la Catedral de Valencia,
Valencia 1969; 2ª Ed. revisada, Valencia 1984.

Bennet, Janice,
St. Laurence and the Holy Grail: The Story of the Holy Chalice of Valencia,
Denver (Colorado) 2000.

Hesemann, M.,
Die Entdeckung des Heiligen Grals.
Das Ende einer Suche, München 2003.

Mira, E.,
“El Santo Grial de Valencia”, en Macconi, M. y Montesno, M. (Ed.),
Il Santo Graal, un mito senza tempo, dal Medioevo al cinema. Atti del Convengno Internazionale di Studi su
“La reliquie tra storia e mito: il Sacro Catino di Genova e il Santo Graal, Genova 2002.

Sánchez Navarrete, M.,
El Santo Cáliz de la Cena, (Santo Grial) venerado en la Catedral de Valencia,
Valencia 1994. Contiene una completa bibliografía.

Olmos Canalda, E.,
Cómo fue salvado el Santo Cáliz de la Cena. Rutas del Santo Grial desde Jerusalén hasta Valencia.
6ª Ed. Valencia 1949.

Oñate Ojeda, J. A.,
El Santo Grial. El Santo Cáliz de la cena, venerado en la Sta. Iglesia Catedral Basílica Metropolitana de Valencia.
Su historia, su culto, sus destinos, 3ª Ed., Valencia 1990.

Sancho Andreu, J. (Ed.),
El Santo Cáliz. Historia, leyenda y culto.
Generalitat Valenciana, Valencia 2006.

Sancho Andreu, J.,
Il Santo Calice riafferma la verità dell’Eucaristia.
L’Osservatore Romano, 5 de julio de 2006.




segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Restos de sacrifícios humanos mostram "cultura indígena" antes da evangelização

Os sacerdotes da Pachamama Chimú abriam o peito das crianças vivas
Os sacerdotes da Pachamama Chimú abriam o peito das crianças vivas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Arqueólogos que cavavam em um santuário pré-hispânico na costa norte do Peru acharam os túmulos de 76 crianças sacrificadas há cerca de mil anos em rituais religiosos. Foi um achado que aterrorizou os corações mais endurecidos.

O arqueólogo Luis Flores, um dos que trabalham no denominado santuário Pampa La Cruz fez a descrição esse satânico achado para a agência France Press, que foi retomada por “La Nación”.

Nestes tempos, o comuno-missionarismo atualizado pelo Sínodo da Amazônia, que repercute até longe da Amazônia, exalta as “culturas” indígenas e difama a evangelização de portugueses e espanhóis que tirou esses pobres índios de pavorosas e inúmeras formas de inumanidade.

Mais uma prova desse erro pregado pela Teologia da Libertação e o Sínodo da Amazônia foi tirado à luz no Peru. E também, mais uma prova que nos estimula a agradecer a Nossa Senhora que abençoou a evangelização e tirou aos indígenas dos horrores em que viviam

Os restos foram descobertos entre julho e agosto de 2022 em duas pequenas esplanadas no município de Huanchaco, perto da cidade de Trujillo, 500 quilômetros ao norte de Lima.

Menina peruana cuida de uma pequena alpaca. Assim poderiam ter sido as crianças sacrificadas pela crueldade indígena
Menina peruana cuida de uma pequena alpaca.
Assim poderiam ter sido as crianças sacrificadas pela crueldade indígena
A equipe de pesquisadores, liderada pelo arqueólogo Gabriel Prieto, havia encontrado entre 2016 e 2019 os restos de outras 240 crianças sacrificadas pelo povo Chimú, que se desenvolveu entre os anos 900 e 1450.

Agora se trata de “300 crianças em Pampa La Cruz em todos esses anos de escavações” nos vestígios desse mesmo povo Chimú, destacou Flores.

A identificação dos restos mortais de crianças sacrificadas revela que foram massacradas quando tinham entre 6 e 15 anos.

Os 76 túmulos foram encontrados perto de um bairro em Huanchaco. Também havia vestígios de chamas no local.

“Ficamos surpresos que, à medida que escavamos 10 ou 20 centímetros, mais e mais restos foram saindo. Percebemos que eram crianças”, disse Flores.

Explicou que os sacerdotes “abriam o peito das crianças transversalmente para retirar o coração” em rituais aos deuses do povo Chimú.

“Os sacrifícios podem ser por falta de chuva, seca, problemas políticos ou guerras. Há várias hipóteses que estamos investigando”, comentou o arqueólogo.

Entre os restos estão os de cinco mulheres “sentadas” enterradas com as cabeças juntas, fazendo uma espécie de círculo.

“Graças a Pampa La Cruz, sabemos que os sacrifícios humanos, especialmente de crianças, eram uma parte estrutural da religião Chimú para celebrar e glorificar seu estado”, disse Prieto à agência estatal peruana Andina.

Nossa Senhora da Paz, na catedral de Trujillo, na região do sinistro achado. A evagelização trouxe uma maravilhosa mudança nas crenças religiosas
Nossa Senhora da Paz, na catedral de Trujillo, na região do sinistro achado.
A evangelização trouxe uma maravilhosa mudança nas crenças religiosas
“O sacrifício naquele lugar foi feito para consagrar e abrir os campos de cultivo que os Chimús possibilitaram naquela época”, acrescentou o diretor do Programa Arqueológico de Huanchaco.

Além de arqueólogos peruanos, estudantes e acadêmicos das universidades da Flórida e Tulane (Louisiana) nos EUA participaram dessas escavações.

Os trabalhos de escavação terminaram serão retomados em 2023, disse Flores, e nessa ocasião o número de restos humanos cruelmente sacrificados pode aumentar.

Pampa La Cruz fica a dois quilômetros do sítio arqueológico de Huanchaquito, onde em abril de 2018 foram encontrados os restos mortais de 140 crianças e 200 lhamas oferecidos em rituais.

A revista National Geographic destacou que testes de radiocarbono em cordas e tecidos datam os restos encontrados entre os anos de 1400 e 1450, cerca de um século antes da chegada do conquistador espanhol Francisco Pizarro ao Peru (1532).

A civilização Chimú se espalhou ao longo da costa peruana até o atual Equador e o local fica perto da costa e cerca de 300 metros acima do nível do mar.

Essa descoberta levou a uma revisão das teorias sobre as oferendas humanas nos rituais pré-hispânicos.

Por volta do ano de 1475 essa monstruosa “cultura” desapareceu quando foi conquistada pelo império inca, cuja capital era Cusco (no sudeste do Peru).

Francisco Pizarro foi o herói que abriu o passo à evangelização. Estatua ecuestre emm Trujillo, Espanha
Francisco Pizarro foi o herói que abriu o passo à evangelização.
Estátua equestre em Trujillo, Espanha
Por sua vez, o paganismo do império inca foi subjugado pelo conquistador Francisco Pizarro (1478 – 1541), missionários e um punhado de soldados espanhóis, apoiados por indígenas de outras tribos espantadas com o satanismo dos incas, algumas décadas depois.

Em consequência da gesta de Pizarro, aconteceram massivos batismos e conversões, os costumes se suavizaram, a vida foi valorizada.

E o Peru é hoje um dos países mais católicos de América Latina, com inúmeros santuários e imagens milagrosas, além de catedrais e igrejas que deslumbram pela sua beleza e sacralidade, intensamente frequentadas pelos indígenas que ainda existem dotados de um charme especial.

Os teólogos da libertação, comuno-progressistas e ativistas do Sínodo da Amazônia, deblateram contra a glorificação pública de Francisco Pizarro, aliás enterrado na catedral de Lima, e heroicos companheiros.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

O que diz a ciência sobre a Torre de Babel?
Existiu? Por que ruiu? Sobrou algo? Onde?

Torre de Babel, representação artística
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs




O episódio da Torre de Babel e dispersão da humanidade é um dos assuntos mais presentes na memória dos povos.

Prefigurou também momentos caóticos que se repetiriam em muitos lugares em épocas históricas posteriores, inclusive nos dias de hoje. Além de ser uma imagem da imensa confusão que vai prevalecer no fim do mundo.

Entretanto, sabe-se pouco sobre essa torre.

Como era ela: retangular, circular, elíptica? Quanto media de altura? Foi uma mera torre ou um templo?

Onde ficava? Existem ainda vestígios? Quem a concebeu?

Foi Deus quem puniu? Por que puniu? Deus derrubou a Torre? Se não foi Deus, quem foi?

Por que ela ficou como o símbolo da maldição? Para onde foram seus construtores?

Os homens que fizeram as pirâmides do Egito, dos maias ou outras semelhantes têm algo a ver com os arquitetos da Torre de Babel?

Significado e época

A Torre de Babel paradigmática, de que nos fala o Gênesis e da qual procede a diversidade das línguas humanas, está envolvida em densas nuvens de interrogações.

Sua construção constituiu sem dúvida um dos momentos mais pecaminosos da história da humanidade, deixando um rastro de desgraças que sofremos até hoje.

“Babel” significa “confusão”.





Estima-se que sua construção se deu por volta do ano 2.420 a.C., quer dizer, aproximadamente 130 anos após o Dilúvio.

Portanto, bem antes do início da Grande Pirâmide do Egito (por volta de 2.170 a.C.), do nascimento de Abraão (1.976 a.C.) e da fundação do reino de Babilônia (por volta de 1.894 a.C.).

Usamos a escala do tempo que aponta a criação de Adão no ano aproximado de 4.000 a.C.

A Torre de Babel é, pois, o mais antigo monumento de grande importância do qual se tem noticia.


O Gênesis

A Bíblia Sagrada é o documento mais digno de Fé e a fonte histórica mais séria e pormenorizada.

A Torre foi construída por descendentes próximos de Noé, num tempo em que o reduzido número da humanidade de então vivia reunido e falava uma mesma língua, provavelmente a mesma de Adão e Noé.

Nemrod dirigiu a construcao da Torre de Babel,
pintura de Frans Francken II, Museo del Prado, Madri
Segundo a tradição, Nemrod, bisneto do patriarca Noé, foi o “rei” que comandou a construção da Torre:

“Nemrod foi o primeiro homem poderoso da terra (Gênesis 10,8), e “Ele estabeleceu o seu reino primeiramente em Babilônia, Arac, Acad e em Calane, na terra de Senaar”. (Gênesis, 10,10).

Supõe-se habitualmente que a Torre de Babel foi erguida no sul da Mesopotâmia. Ou seja, no atual Iraque, não longe da cidade de Babilônia, fundada muito depois; ou no máximo no sul do Irã. As ruínas de Babilônia se encontram sobre o rio Eufrates, 100 km a sul de Bagdá, capital do atual Iraque.

Há outras teorias sobre a localização, apoiadas em diversos raciocínios, também pobres de provas arqueológicas ou materiais definitivas.

Lemos no Gênesis:

1. Toda a terra tinha uma só língua, e servia-se das mesmas palavras.

2. Alguns homens, partindo para o oriente, encontraram na terra de Senaar uma planície onde se estabeleceram.

“Façamos uma torre cujo cimo atinja os céus”,
quadro de Hendrick III van Cleve (1525-1589).
3. E disseram uns aos outros: “Vamos, façamos tijolos e cozamo-los no fogo.” Serviram-se de tijolos em vez de pedras, e de betume em lugar de argamassa.

4. Depois disseram: “Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus. Tornemos assim célebre o nosso nome, para que não sejamos dispersos pela face de toda a terra.”

5. Mas o senhor desceu para ver a cidade e a torre que construíram os filhos dos homens.

6. “Eis que são um só povo, disse ele, e falam uma só língua: se começam assim, nada futuramente os impedirá de executarem todos os seus empreendimentos.

7. Vamos: desçamos para lhes confundir a linguagem, de sorte que já não se compreendam um ao outro.”

8. Foi dali que o Senhor os dispersou daquele lugar pela face de toda a terra, e cessaram a construção da cidade.

9. Por isso deram-lhe o nome de Babel, porque ali o Senhor confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra, e dali os dispersou sobre a face de toda a terra. (Gênesis, 11, 1-9)

Foi por causa do orgulho dos homens que empreenderam a construção da famosa Torre que Deus lhes confundiu a linguagem, fazendo com que não se entendessem pelos diferentes idiomas que falavam.

Incapazes de se porem de acordo, os homens se dispersaram em todas as direções.

Outros testemunhos

Estela de Nabucodonosor II, The Schøyen Collection
Fora da Bíblia, o testemunho mais explícito encontra-se gravado numa placa babilônica de pedra escura conservada hoje na famosa The Schøyen Collection, (MS 2063) com sede em Oslo e Londres.

Nessa placa o rei de Babilônia Nabucodonosor II mandou escrever, no ano 570 a.C.:

“Um antigo rei construiu o Templo das Sete Luzes da Terra, mas ele não completou a sua cabeça.

“Desde um tempo remoto, as pessoas tinham-no abandonado, sem poderem expressar as suas palavras.

“Desde aquele tempo terremotos e relâmpagos tinham dispersado o seu barro secado pelo sol; os tijolos da cobertura tinham-se rachado, e a terra do interior tinha sido dispersada em montes”.

Desta maneira, o próprio rei Nabucodonosor II nos fornece uma ideia do que tinha restado da Torre de Babel.

Também nos informa que ele próprio ordenou recolher os últimos elementos aproveitáveis para construir uma nova Torre, não sobrando nada da torre originária.

A nova Torre de Babel foi provavelmente o zigurat (torre-templo) conhecido como Marduk ou Etemenanki, na cidade de Babilônia.

Para o imenso trabalho que exigiu, Nabucodonosor II escravizou os judeus e levou-os para Babilônia, destruindo Jerusalém e o Templo de Salomão.

A nova Torre de Babel referida na placa em pedra, tinha sete (ou oito) andares e 91 metros de altura. O historiador grego Heródoto a descreveu no ano 440 a. C.:

“A parede exterior da Babilônia é a principal defesa da cidade. Há, contudo, uma segunda parede interior. (...)

“O centro de cada divisão da cidade era ocupado por uma fortaleza. Numa ficava o palácio dos reis, (...) na outra estava o sagrado recinto de Belus, um cercado quadrado de 201 metros de cada lado, com portões de latão sólido, que também lá estavam no meu tempo.

Maqueta do zigurat de Etemenanki, de Nabucodonosor II
“No meio do recinto estava uma torre de alvenaria sólida, de 201 metros de comprimento e de largura, sobre a qual estava erguida uma segunda torre, e nessa uma terceira, e assim até oito.

“A ascensão até o topo está do lado de fora, por um caminho que rodeia todas as torres.

“Quando se está a meio do caminho, há um lugar para descansar e assentos, onde as pessoas podem sentar-se por algum tempo na sua ascensão até o topo.

“Na torre do topo há um templo espaçoso, e dentro do templo está um sofá de tamanho invulgar, ricamente adornado, com uma mesa dourada ao seu lado.

“Não há estátua de espécie alguma nesse sítio”.

Essa segunda Torre de Babel acabou ruindo. O rei Alexandre Magno (356 a.C.—323 a.C.), conquistador vindo da Macedônia, mandou recolher os restos para reconstruí-la, desmontando o que tinha sobrado.

Mas foi surpreendido pela morte na própria Babilônia. Nada foi concluído e o material foi dispersado.

Desta maneira, da Torre de Babel originária não sobraram nem os restos dos restos.

A segunda Torre de Babel feita por Nabucodonosor é por vezes confundida com a primeira. Registramos aqui estes dados históricos para efeitos de esclarecimento. Não voltaremos a falar dela, concentrando-nos apenas na primeira Torre.

Sobre ela, o historiador hebreu Flávio Josefo (37 ou 38 d.C. – 100 d.C.), em seu livro “Antiguidades Judaicas” (1.4.3) fornece a seguinte descrição:

Veja vídeo

“Foi Nemrod quem os excitou a praticar semelhante afronta na presença de Deus. Ele foi o neto de Ham, filho de Noé, homem corajoso e de grande força de mando.

“Nemrod persuadiu-os a não atribuir sua obra a Deus, como se fossem felizes somente por si próprios, e acreditarem que só seu esforço lhe daria a felicidade.

“Ele foi transformando seu governo numa tirania, procurando afastar os homens do temor de Deus, e mantê-los numa constante dependência de seu poder...

“Então a multidão estava sempre prestes a obedecer as ordens de Nemrod e julgar amostra de covardia se submeter a Deus.

“Eles construíram uma torre, não poupando nenhum esforço e em nada sendo negligentes no trabalho.

“E por causa das muitíssimas mãos empregadas, a torre subiu muito rapidamente, mais rápido do que se podia esperar.

“Sua espessura era tão grande e estava tão solidamente construída, que sua grande altura parecia, de qualquer ponto de vista, ser menor do que realmente era.

“Foi feita de tijolos cozidos cimentados com uma argamassa feita de betume que não permitia filtrações de água.

O desentendimento tomou conta dos homens.
Quadro de Lodewyk Toeput (1550-1605)
“Quando Deus viu que agiam com tanta maldade Ele decidiu não exterminá-los totalmente. E, posto que não tinham progredido em sabedoria após a destruição dos pecadores que os precederam [no Dilúvio]; então Ele gerou um tumulto entre eles fazendo que falassem línguas diferentes, e tornando-os incapazes de se entenderem um com o outro.

“O local onde construíram a torre hoje é chamado Babilônia por causa da confusão das línguas, sendo que antes se compreendiam facilmente.

“Pela palavra Babel, os hebreus entendem confusão...”

Tanto pelo que ensina a Bíblia quanto pelo que explica o historiador Flávio Josefo, vemos que a causa da punição foi o orgulho contido num sonho laico de grandeza completamente humana.

Movidos por ele os homens da Torre de Babel tencionaram erigir uma obra “cujo cimo atinja os céus” para assim tornarem “célebre o nosso nome” (Gen, 11, 4)




continua no próximo post: Torre de Babel: as lendas pagãs, a ciência moderna e a Babel do Anticristo





segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Os achados no “cárcere de São Pedro” (2)

Altar de São Pedro e São Paulo após restauro de 2010
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Entre os mistérios que ficam a serem esclarecidos, um é a conexão entre o cárcere e a sinistra Scalae Gemoniae.

Isto é, a escadaria que saindo do Foro era percorrida pelos condenados a morte. O nome vem do verbo “gemer” = a escadaria dos gemidos.

Naquela escadaria também eram expostos os cadáveres dos justiçados e que depois eram jogados no rio Tibre.

O sinistro cárcere está composto por dois andares de desenho vagamente circular, um sobre o outro.

Prisão de São Pedro após restauro 2010
O superior, ou “Carcere Mamertino” propriamente dito, foi cavado pelo quarto rei de Roma Anco Marcio (640-616 a.C.).

O andar inferior, dito Tullianum, teria sido feito por Servio Tullio, sexto rei de Roma (578-534 a.C.).

Ali se encontra a fonte de São Pedro.

Os trabalhos arqueológicos confirmaram se tratar de um verdadeiro manancial que não está ligado a conduto nenhum.

Segundo a Dra. Patrizia Fortini que dirige os trabalhos de restauração empreendidos a partir de 1985, segundo noticiou o jornal italiano La Repubblica, a “fonte está ativa até hoje e somente com bombas consegue-se impedir que alague todo o ambiente”, acrescentou.

Afresco recuperado: Cristo apoia sua mão
no ombro de São Pedro enquanto abençoa
Também no andar inferior foram exumados restos de sacrifícios pagãos dos séculos VI a III a. C., provavelmente oferecidos pelos insignes prisioneiros a seus falsos deuses que, aliás, não os tiraram da desgraça.

Esse andar inferior foi cárcere até que no ano 314 o papa São Silvestre I (270-335) o transformou em local de culto com o título de San Pietro in Carcere.

Por sinal, San Silvestre foi o primeiro sucessor de São Pedro a cingir a tiara, símbolo também da realeza do Papa sobre a cidade de Roma e dos Estados Pontifícios.

Entre os afrescos agora desvendados figura o de Cristo apoiando sua mão esquerda sobre o ombro de São Pedro enquanto este com expressão sorridente levanta a mão direita para abençoar (foto).

A imagem do Príncipe dos Apóstolos que sorri triunfante sobre a brutalidade pagã jamais tinha sido vista em outros locais.

A pintura também transparece o comprazimento de Cristo transmitindo seus poderes a Pedro e seus sucessores.

A barba de São Pedro é representada como espuma branca e suas vestimentas exibem cor ocre por uma degradação da cor azul original.

Afresco recuperado apresenta muros de Roma medieval
Também pode se perceber netamente uma coroa, parte de um afresco da coroação de Nossa Senhora.

Um grande manto vermelho e uma pequena mão fazem pensar na “Madonna della Misericordia”, testemunho da devoção a Nossa Senhora nos tempos medievais.

Em outras cenas, malgrado o estrago irreparável do tempo, podem se distinguir torres e muralhas da Roma medieval, inclusive da praça do Campidoglio, provavelmente feitas entre os anos 1100 e 1300.

O fragmento mais antigo é do século VIII-IX, está no “Tullianum”, e representa a mão de Deus Pai sobre um retângulo branco.

A mão de Deus que conduziu São Pedro e seus sucessores à vitória sobre a Roma pagã é a mesma mão que guia a marcha invicta da Igreja contra todos seus adversários até a consumação dos séculos.



Video: O cárcere de São Pedro em Roma



segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Os achados no “cárcere de São Pedro” (1)

Interior do “Carcere Mamertino”, ou “cárcere de São Pedro”.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Restauração arqueológica do “Cárcere de São Pedro” em Roma trouxe revelações além de toda expectativa sobre São Pedro e a antiguidade pagã


O “Carcere Mamertino”, ou “cárcere de São Pedro”, foi a “prisão de Estado” do antigo Império Romano.

Lá ficaram presos antes de morrer reis e potentados da terra derrotados pelas legiões romanas, como Vercingetorix, chefe bárbaro da Gália (França); Jugurta, rei da Numídia; Pôncio rei dos Sannitas e muitos outros.

Porém, esse cárcere ficou mais famoso por ter aprisionado os Apóstolos São Pedro e São Paulo, nos tempos de Nero. São Pedro, notadamente, ali operou milagres históricos.

Local onde ficou impresso o rosto de São Pedro
Entre esses está a impressão miraculosa da testa do Vigário de Cristo numa parede. O cárcere foi cavado numa camada de pedra vulcânica conhecida como ‘tufo’.

Quando São Pedro descia pela estreita escada ainda hoje usada foi brutalmente empurrado pelos algozes e bateu no muro. A pedra amoleceu e parte de seu rosto ficou impresso, e ali pode ser visto e venerado.

Aquela escada era uma autêntica “descida aos infernos” pois do andar inferior habitualmente nunca mais se saía.

Os prisioneiros morriam de frio, fome e doença, ou eram jogados num fosso onde faleciam destroçados.

Naquele antro escuro desapareciam, após serem exibidos como troféus, reis e chefes de Estado inimigos de Roma.

“Dessa maneira, eram abandonados às potências dos infernos, tragados pela terra e cancelados da existência. Não existem outros exemplos comparáveis”, observa a Dra. Patrizia Fortini, arqueóloga da Superintendência para os bens arqueológicos de Roma, que dirige os trabalhos de restauração empreendidos a partir de 1985, segundo noticiou o jornal italiano La Repubblica.

O ambiente é abafado. O teto muito baixo comunica uma sensação apavorante reforçada pelas grades de ferro negro que ainda perduram.

Nesse porão sem janelas, úmido e fétido, São Pedro converteu os carcereiros Processo e Martiniano, posteriormente mártires, e 47 prisioneiros.

Prisão de São Pedro, à esquerda a fonte milagrosa
Não tendo água para batizá-los fez brotar uma fonte do chão. Por fim, São Pedro foi liberto por um anjo.

As correntes que o prendiam hoje são veneradas como relíquias na igreja próxima de San Pietro ai Vincoli (São Pedro das correntes).

Os arqueólogos retiraram diversos pisos modernos e renascentistas e deixaram aparente o chão do tempo que São Pedro passou pela prisão.

Os trabalhos revelaram afrescos dos séculos XII e XIV inteiramente desconhecidos. Também foi possível localizar a comunicação que unia a prisão ao prédio do Senado enfrente ao “cárcere de São Pedro”.

Porém, ainda há mistérios a serem esclarecidos.



Continua no próximo post: Os achados no “cárcere de São Pedro” (2)

Vídeo: O cárcere de São Pedro em Roma



segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Astrofísica ateia se rende à Verdade:
Jesus Cristo é a chave do Universo

Na reflexão e na dor Sarah Salviander compreendeu o absurdo da Ciência descolada da Religião
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Dra. Sarah Salviander, pesquisadora do Departamento de Astronomia da Universidade do Texas e professora de Astrofísica na Universidade Southwestern descreveu sua maravilhosa história da conversão a Cristo.

A conversão começou com os seus estudos científicos e culminou com a morte de sua filha, segundo informou a agência Aleteia.

“Eu nasci nos Estados Unidos e fui criada no Canadá, contou ela. Meus pais eram ateus, embora preferissem se definir como ‘agnósticos’. Eles eram carinhosos e mantinham uma ótima conduta moral, mas a religião não teve papel nenhum na minha infância".

“O Canadá já era um país pós-cristão, acrescentou. Olhando em retrospectiva, é incrível que, nos primeiros 25 anos da minha vida, eu só conheci três pessoas que se identificaram como cristãs.

“A minha visão do cristianismo era intensamente negativa. Hoje, olhando para trás, eu percebo que foi uma absorção inconsciente dessa hostilidade geral que existe no Canadá e na Europa em relação ao cristianismo.

“Eu não sabia nada do cristianismo, mas achava que ele tornava as pessoas fracas e tolas, filosoficamente banais".

Quanto tinha por volta de 25 anos, Sarah abraçou a filosofia racionalista de Ayn Rand.

“Entrei no curso de Física da Eastern Oregon University e percebi logo a secura e a esterilidade do objetivismo racionalista, incapaz de responder às grandes questões:

“Qual é o propósito da vida?

“De onde foi que viemos?

“Por que estamos aqui?

“O que acontece quando morremos?

“Eu notei também que esse racionalismo sofria de uma incoerência interna: toda a sua atenção se volta para a verdade objetiva, mas sem apresentar uma fonte para a verdade.

“E, embora se dissessem focados em desfrutar a vida, os objetivistas racionalistas não pareciam sentir alegria alguma. Pelo contrário: estavam ferozmente preocupados em se manter independentes de qualquer pressão externa".

“Comecei a perceber uma ordem subjacente ao universo.
ia despertando em mim o que diz o Salmo 19:
‘Os céus proclamam a glória de Deus;
o firmamento anuncia a obra das suas mãos’".
Cristo Rei, vitral da igreja de Ss Felipe e Tiago, Oxford
Fundo: Nuvem de Magalhães, Hubble Space Laboratory
A atenção da jovem estudante se voltou completamente ao estudo da física e da matemática.

“Entrei nos clubes universitários, comecei a fazer amigos, e, pela primeira vez na minha vida, conheci cristãos.

Eles não eram como os racionalistas: eram alegres, felizes e inteligentes, muito inteligentes. Fiquei de boca aberta ao descobrir que os meus professores de física, a quem eu admirava muito, eram cristãos.

“O exemplo pessoal deles começou a me influenciar e eu me via cada vez menos hostil ao cristianismo.

“No verão, depois do meu segundo ano, participei de um estágio de pesquisa na Universidade da Califórnia, num grupo do Centro de Astrofísica e Ciências Espaciais que estudava as evidências do Big Bang.

“Era incrível procurar a resposta para a pergunta sobre o nascimento do Universo. Aquilo me fez pensar na observação de Einstein de que a coisa mais incompreensível a respeito do mundo é que o mundo é compreensível.

“Foi aí que eu comecei a perceber uma ordem subjacente ao universo. Sem saber, ia despertando em mim o que Salmo 19 diz com tanta clareza: ‘Os céus proclamam a glória de Deus; o firmamento anuncia a obra das suas mãos’".

“Comecei a perceber que o conceito de Deus e da religião não eram tão filosoficamente banais como eu pensava que fossem.

“Durante o meu último ano, conheci um estudante finlandês de ciências da computação. Um homem de força, honra e profunda integridade, que, assim como eu, tinha crescido como ateu num país laico, mas que acabou abraçando Jesus Cristo como o seu Salvador pessoal, aos 20 anos de idade, graças a uma experiência particular muito intensa. Nós nos apaixonamos e nos casamos.

“De alguma forma, mesmo não sendo religiosa, eu achava reconfortante me casar com um cristão. Terminei a minha formação em física e matemática naquele mesmo ano e, pouco tempo depois, comecei a dar aulas de astrofísica na Universidade do Texas em Austin".

A penúltima etapa da jornada de Sarah foi a descoberta, também casual, de um livro de Gerald Schroeder: “The Science of God” [“A Ciência de Deus”].

“Fiquei intrigada com o título e alguma coisa me levou a lê-lo, talvez o anseio por uma conexão mais profunda com Deus. Tudo o que sei é que aquilo que eu li mudou a minha vida para sempre.

“O Dr. Schroeder é físico do MIT e teólogo. Eu notei então que, incrivelmente, por trás da linguagem metafórica, a Bíblia e a ciência estão em completo acordo.

“Também li os Evangelhos e achei a pessoa de Jesus Cristo extremamente convincente; me senti como quando Einstein disse que ficou ‘fascinado com a figura luminosa do Nazareno’.

“Mesmo com tudo isso, apesar de reconhecer a verdade e de estar intelectualmente segura quanto a ela, eu ainda não estava convencida de coração".

A mudança decisiva de Sarah para o cristianismo aconteceu há apenas dois anos, depois de um acontecimento dramático:

“Eu fui diagnosticada com câncer. Não muito tempo depois, meu marido teve meningite e encefalite; ele se curou, felizmente, mas levou certo tempo.

“A nossa filhinha Ellinor tinha cerca de seis meses quando descobrimos que ela sofria de trissomia 18, uma anomalia cromossômica fatal. Ellinor morreu pouco depois. Foi a perda mais devastadora da nossa vida.

“Eu caí nas mãos do desespero até que tive, lucidamente, uma visão da nossa filha nos braços amorosos do Pai celestial: foi só então que eu encontrei a paz.

“Depois de todas essas provações, o meu marido e eu não só ficamos ainda mais unidos, como também mais próximos de Deus. A minha fé já era real. Eu não sei como teria passado por essas provações se tivesse continuado ateia.

“Quando você tem 20 anos, boa saúde e a família por perto, você se sente imortal. Mas chega um momento em que a sensação de imortalidade evapora e você se vê forçada a enfrentar a inevitabilidade da própria morte e da morte das pessoas mais queridas”.

“Eu amo a minha carreira de astrofísica. Não consigo pensar em nada melhor do que estudar o funcionamento do universo e me dou conta, agora, de que a atração que eu sempre senti pelo espaço não era nada mais do que um intenso desejo de me conectar com Deus.

“Eu nunca vou me esquecer de um estudante que, pouco tempo depois da minha conversão, me perguntou se era possível ser cientista e acreditar em Deus. Eu disse que sim, claro que sim. Vi que ele ficou visivelmente aliviado. Ele me contou que outro professor tinha respondido que não.

“Eu me perguntei quantos outros jovens estavam diante de questões semelhantes e decidi, naquela hora, que iria ajudar os que estivessem lutando com esses questionamentos.

“Eu sei que vai ser uma jornada difícil, mas o significado do sacrifício de Jesus não deixa dúvidas quanto ao que eu tenho que fazer”.

O caso de Sarah é mais um exemplo de que a pretensa oposição entre a Ciência e a Religião não corresponde à realidade profunda das coisas.

Se essa oposição existiu e ainda existe é por causa de fatores extrínsecos à própria Ciência, e obviamente à Religião. A Igreja Católica foi a grande promotora das ciências sistematicamente organizadas já nos inícios da Idade Média e nos séculos posteriores.

A oposição foi induzida por fatores extrínsecos à Ciência, notadamente pela explosão de orgulho e sensualidade no fim da era medieval, e sua derivação doutrinária expressa em filosofias igualitárias, visceralmente cristofóbicas.


segunda-feira, 18 de julho de 2022

Os ministros que tentaram matar o profeta Jeremias

Local achado selo Gedelias, Ciencia confirma a Igreja
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Uma equipe de arqueólogos da Universidade Hebréia de Jerusalém dirigidos pelo Prof. Eilat Mazar desenterrou um selo de Gedelias, ministro do rei Sedecias (597-586 a.C.), informou em seu momento o jornal Haaretz de Israel.

O selo de 2.600 anos foi achado na antiga Cidade de David. Gedelias foi um dos ministros que, segundo o Livro de Jeremias, pediram a morte desse profeta.

Além do relato da Bíblia não se tinha prova histórica ou documental da existência do personagem. Até agora. Pois a descoberta do selo corrobora sua existência no tempo do reinado de Sedecias.

O selo foi achado quase intacto a poucos metros de distância de onde foi localizado, há três anos, o selo de Jucal, outro dos ministros do rei que exigiu a morte do profeta Jeremias.

Os selos medem 1 cm de diámetro cada um e as letras, em caracteres hebraicos antigos estão muito claramente preservadas.

Selo Gedelias, Ciencia confirma a Igreja (divulgação cortesia Dr Eilat Mazar)“Só raras vezes os arqueólogos conseguem achados que confirmam figuras significativas da história, que ajudam a espanar a poeira da história e dão vida à narração bíblica de um modo tão tangível como este”, explicou o Prof. Mazar.

* * *

O primeiro significado da Bíblia é histórico. Ela nos narra fatos verídicos, historicamente acontecidos. Mas muitas vezes, em razão do afastado dos tempos não há outros testemunhos dos eventos descritos.

Porém, a ciência continuamente está desvendando tesouros que comprovam que a Bíblia tem razão.

Os ministros Gedelias e Jucal aparecem no Livro de Jeremias (Jer 38 1-4) junto com Safatias e Fassur. Os quatro ministros pediram ao rei matar o profeta porque pregava que não se fizesse guerra aos babilônios como eles desejavam.

Jeremias profeta, Congonhas do Campo, MG. Ciência confirma a Igreja
Profeta Jeremias, Aleijadinho,
Congonhas, MG
O rei temia seus ministros-cortesãos que tinham conquistado as boas graças do povo judaico. Por isso lhes entregou o profeta.

Os ministros jogaram Jeremias numa cisterna para ali morrer de fome. Porém, no fim, o próprio rei mandou tirá-lo e o crime não se completou.

Acontecia que os judeus não queriam elevar “súplicas ao Senhor e se converter da má vida”. Por isso Deus determinara a queda de Jerusalém. E Jeremias chorou com lamentações divinamente inspiradas sua próxima destruição.

Jeremias pregou:
“Oráculo do Senhor: aquele que ficar na cidade morrerá pela espada, fome e peste, ao passo que o que sair, a fim de se entregar aos caldeus, viverá, e a vida a salvo será seu espólio. E viverá. Oráculo do Senhor: a cidade será entregue ao exército do rei de Babilônia, que a tomará de assalto” (Jer, 38, 2-3).
Porém, com os corações impenitentes, inchados de orgulho, nacionalismo e confiança cega, o rei e o povo desobedeceram.

O resultado foi desolador: Jerusalém foi entregue às chamas, o Templo destruído, os habitantes massacrados. Os sobreviventes, incluído o rei e sua progênie, foram levados em escravidão a Babilônia.

Jeremias, porém, morreu muito depois na paz, rodeado de veneração.

O mesmo profeta que anunciou com palavras de fogo a infeliz sorte que aguardava a Jerusalém pecadora, entretanto, foi escolhido por Deus para anunciar com expressões cheias de doçura a futura restauração do povo eleito. Como, aliás, afinal se verificou.

Não foram raros os casos no Antigo Testamento em que reis, sacerdotes e até o povo quiseram matar os profetas de Deus. A Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo é o exemplo supremo.

Na vida dos Santos há casos assim. Nos nossos dias, o apelo de Nossa Senhora em Fátima pela reforma dos costumes não está sendo ouvido como devia.


segunda-feira, 20 de junho de 2022

As atuais oliveiras são as do tempo em que Jesus agonizou no Getsemani?

Agonia de Jesus no Monte das Oliveiras, ou jardim do Getsemani
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Alguns amigos que estiveram em peregrinação pela Terra Santa voltaram trazendo inesquecíveis lembranças dos locais divinamente abençoados por Nosso Senhor Jesus Cristo na divina odisseia da Redenção.

Eles visitaram múltiplos locais sagrados de um valor espiritual que lhes marcou profundamente a alma.

E como que apalparam a presença sobrenatural e a dimensão histórica conferidas a esses lugares pela passagem do Redentor, de sua Mãe Santíssima e dos Apóstolos com a Igreja Católica nascente.

Ficaram eles também impressionados com a antiguidade das oliveiras existentes no Jardim sagrado onde Nosso Senhor agonizou, foi traído por Judas e preso pelos romanos para iniciar sua longa e dolorosa Paixão.

Meus amigos contrataram guias para melhor aproveitar o tempo da peregrinação.

E como esses guias muitas vezes não são sequer cristãos e preocupam-se mais com o dinheiro, os peregrinos tomavam com alguma cautela certas coisas que eles diziam.

No Monte das Oliveiras, um desses guias lhes apontou uns pés de oliveiras que datariam, segundo ele, do tempo em que Jesus Cristo foi entregue à Morte no Getsemani.

“As oliveiras do Getsemani estão entre  as mais antigas árvores de folha larga do mundo”.
“As oliveiras do Getsemani estão entre
as mais antigas árvores de folha larga do mundo”.
A extraordinária longevidade natural das oliveiras e o multissecular aspecto daquelas falavam no sentido da informação.

Mas os guias não eram de toda confiança, sobretudo diante de estrangeiros dos quais queriam tirar uma boa gorjeta.

Teria sido verdade?

Aquelas velhíssimas oliveiras estavam ali quando Nosso Senhor bebeu o cálice que o anjo Lhe trouxe da parte do Pai para O reconfortar na iminência da Paixão?

Junto a alguma delas dormiram ingloriamente os Apóstolos, enquanto Jesus agonizava?

Em alguma delas teria se apoiado o soldado Malco, que teve a orelha cortada por São Pedro e colada milagrosamente por Jesus?

Recentemente, uma equipe de pesquisadores de cinco universidades italianas, trabalhando para o Consiglio Nazionale delle Ricerche - CNR, publicou um estudo sobre a longevidade das oito oliveiras mais antigas do Getsemani intitulado “Os segredos do jardim do Getsemani”.

Aspecto do jardim do Monte das Oliveiras
Aspecto do jardim do Monte das Oliveiras
Às três árvores menos velhas foram atribuídas idades de “pelo menos 900 anos”.

Não são os dois milênios que nos separam daquela augusta data, mas o “pelo menos” deixa aberta uma porta.

As outras cinco oliveiras mais antigas não puderam ser testadas.

A causa foi que suas partes mais velhas, as mais interessantes para o estudo, que ficavam no cerne, haviam secado.

Os troncos que hoje se podem ver imensamente alargados resultam de brotos de épocas posteriores.

Os resultados dos testes não permitiram definir se as árvores são exatamente as mesmas que estavam no Monte das Oliveiras quando Jesus foi traído e entregue aos soldados romanos e aos enviados do Sinédrio.

O sono dos Apóstolos no Getsemani
O sono dos Apóstolos no Getsemani
Os especialistas explicaram a hesitação que marca seu relatório pelo fato de as oliveiras rebrotarem muito facilmente após serem cortadas pela base.

“Não podemos excluir a possibilidade de que tenha havido uma intervenção para renovar os pés, quando pararam de produzir ou começaram a secar”, disse o chefe dos pesquisadores, Prof. Antonio Cimato, durante a apresentação dos resultados em Roma.

Caso essa renovação tivesse acontecido, as oliveiras poderiam ter o dobro da idade e com isso se aproximariam muito do ano da Paixão.

“Quero esclarecer – disse o Prof. Cimato – que na literatura científica não há menção a árvores de tão grande idade como estas oliveiras.

“As oliveiras do Getsemani estão entre as mais antigas árvores de folha larga do mundo”.

Testes de datação pelo carbono sobre amostras extraídas das partes mais velhas dos troncos de três oliveiras, apontaram respectivamente para os anos de 1092, 1166 e 1198.

Prof Antonio Cimato (sentado) liderou a pesquisa
Os testes foram realizados pelo Conselho Nacional das Pesquisas - CNR da Itália e por acadêmicos de mais cinco universidades italianas.

Esses cernes de tal maneira antigos teriam existido nos momentos trágicos e gloriosos daquele passo da Paixão?

A ciência não pode dizê-lo. Ao menos, com os conhecimentos, tecnologias e métodos que possui atualmente.

Malgrado a sua imensa idade, os estudos mostraram que as três oliveiras mais antigas testadas encontram-se em excelentes condições e não foram afetadas pela poluição da região.

Análises de DNA indicaram que os pés foram plantados a partir de uma mesma oliveira, talvez com a finalidade de preservar uma mesma espécie ou linhagem de árvores, disseram os especialistas.

O cerne das mais antigas secou, impossibilitando a análise
O Pe. Pierbattista Pizzaballa, O.F.M., Zelador de Terra Santa, responsável pelo local, disse que esta procedência comum das oliveiras mostra a tentativa deliberada de passar uma preciosa herança às gerações futuras.

“A questão mais importante não é se essas são as mesmas árvores, mas se este aqui é o local referido no Evangelho. E este é o local, a respeito disto não há dúvida alguma”, concluiu Fr. Pizzaballa.