segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A travessia do Mar Vermelho estudada por cientistas - 2

Travessia do Mar Vermelho, Ivan Aivazovsky
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Há muita discussão científica séria sobre qual foi o local exato da travessia.

A maioria dos cientistas que estudam o texto bíblico, e que são citados pelos autores Carl Drews e Weiqing Han, julgam que a melhor tradução para o nome hebraico “Yam Suph” não é “mar Vermelho”, mas sim “mar de Caniços”.

Esta denominação geográfica designa uma área pantanosa (daí os caniços, plantas aquáticas) onde o Nilo encontra o mar Mediterrâneo.

E, de fato, as rochas e sedimentos da região do delta do Nilo nessa época apontam a presença de um grande braço do rio que se conectava com uma lagoa salobra, chamada “lago de Tânis”.


O vento do oriente descrito no Êxodo, segundo esta tese científica, teria feito recuar as águas rasas (com cerca de 2 m de profundidade) do braço do Nilo e do lago.

Isso teria permitido a passagem de Moisés e seu povo para longe dos guerreiros do faraó.

Há uma certa hostilidade contra o professor Drews porque é cristão e tem um site no qual defende a compatibilidade entre ciência e fé. Mas esta hostilidade não é parte da ciência e se insere num debate filosófico-teológico.

Han e Drews não pretendem ter provado o milagre do ponto de vista sobrenatural e religioso. É razoável, pois não é esta tarefa do cientista.

Eles sustentam que os fatos naturais referidos na narração bíblica não contrariam a ordem da natureza e mostram como poderiam ter acontecido.

Os cientistas citam a ocorrência de fenômenos parecidos em épocas mais ou menos recentes.

Um vento conseguiu façanha parecida em 2006 e 2008 no lago Erie, nos EUA. No fim do século 19, oficiais britânicos viram algo do gênero acontecer no próprio Nilo.

O recuo das águas pelo vento no Nilo foi testemunhado pelo major-general Alexander Tulloch, do Exército britânico, em 1882 no lago Manzala, norte do Egito. Ele escreveu em artigo:


“Certo dia, uma rajada de vento leste se tornou tão forte que tive de parar de trabalhar. Na manhã seguinte, descobri que o lago Manzala tinha desaparecido totalmente. O vento na água rasa havia levado o lago para além do horizonte, e os nativos estavam caminhando na lama, num local onde, no dia anterior, havia barcos de pesca flutuando n'água.”

Veja vídeo
Travessia do Mar Vermelho
pode ser confirmada
cientificamente
O próprio Tulloch ficou impressionado pela similitude entre o que viu e o relato do Êxodo.

“Ao notar esses efeitos extraordinários, passou pela minha cabeça que eu testemunhara um evento similar ao que aconteceu entre 3.000 e 4.000 anos atrás, na época da travessia do chamado mar Vermelho pelos israelitas”, escreveu o oficial.

É de se notar apenas que o fenômeno foi semelhante mas não idêntico: os judeus atravessaram a pé enxuto enquanto que os nativos caminhavam na lama.

O milagre consistiu em que Deus fez acontecer esse fenômeno natural: “um vento impetuoso vindo do oriente, que soprou toda a noite” que “pôs o mar a seco”.

O fenômeno raríssimo se não é único através dos séculos e dos milênios, aconteceu no exato momento em que os judeus iam ser capturados ou mortos pelos egípcios.

E as águas fecharam-se no exato momento em que o exército do faraó estava no meio.

O gesto de Mosés estendendo as mãos sobre as águas ‒ um gesto de mando e oração ‒ do ponto de vista humano é absolutamente incapaz de produzir os fenômenos de abrir as águas e depois fechá-las, aliás num momento tão específico como se lhe obedecessem.

Esse fenômeno provocado pelo gesto de um profeta de Deus sim constitui um milagre clamoroso.

Deus quis a oração do profeta para mostrar que:

1) só Deus podia desencadear esse jogo de forças da natureza com pasmosa coincidência, e

2) Moisés era o enviado dEle e sem a mediação do profeta Deus não teria feito o milagre.

Há outras hipóteses científicas sobre o local exato do milagre que ainda estão sendo discutidas.

O trabalho dos cientistas Carl Drews e Weiqing Han tem o mérito de confirmar o relato bíblico em seu aspecto natural, que para alguns fracos de fé podia parecer fantasia.

Se nesse ponto prático a Bíblia, mais uma vez, tem razão, então, em sã lógica é criterioso supor que o milagre aconteceu como a Revelação e a Fé nos ensinam.


Vídeo: travessia do Mar Vermelho pode ser confirmada cientificamente



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A travessia do Mar Vermelho estudada por cientistas - 1

Travessia do Mar Vermelho, Cosimo Rosselli.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Um dos mais retumbantes fatos da História Sagrada foi analisado por cientistas americanos. Eles refizeram com modelos computacionais as condições em que ele poderia ter acontecido.

Trata-se da travessia do Mar Vermelho durante o êxodo do povo eleito, que saiu da escravidão no Egito rumo à Terra Prometida, sob a condução de Moisés o grande profeta e legislador de Israel.

O milagre teve duas grandes dimensões: uma natural, sem dúvida pasmosa, e outra sobrenatural, a mais importante.

Na maior parte dos milagres, Deus age através de causas naturais. E estas causas podem ser estudadas pelo homem. E, no caso, o foram por Carl Drews, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA, e Weiqing Han, da Universidade do Colorado em Boulder, EUA.

Veja vídeo
Travessia do Mar Vermelho
pode ser confirmada
cientificamente

Eles chegaram à conclusão que o “milagre” visto pelo lado material, portanto das causas segundas, é compatível com as leis da física. É o que compete à ciência nestes casos. À Igreja cabe se pronunciar sobre o lado sobrenatural, neste caso, revelado por Deus na Bíblia e, portanto, fora de discussão.

Esses cientistas até montaram por via digital um cenário que eles consideram “relativamente próximo” do descrito no livro do Êxodo, o segundo da Bíblia.

O longo e exaustivo trabalho foi publicado pela revista científica “PLoS One” e pode ser lido na Internet. Outro artigo dos mesmos autores menos técnico e mais resumitivo pode ser lido no site NCAR - UCAR News Center (University Corporation for Atmospheric Research).

De fato, na descrição do milagre incluída no livro do Exodus encontram-se descritos os fatores naturais de que Deus se serviu para o milagre com estas palavras:

Moisés
“21. Moisés estendeu a mão sobre o mar. O Senhor fê-lo recuar com um vento impetuoso vindo do oriente, que soprou toda a noite. E pôs o mar a seco. As águas dividiram-se

22. e os israelitas desceram a pé enxuto no meio do mar, enquanto as águas formavam uma muralha à direita e à esquerda.

23. Os egípcios os perseguiram: todos os cavalos do faraó, seus carros e seus cavaleiros internaram-se após eles no leito do mar.

24. À vigília da manhã, o Senhor, do alto da coluna de fogo e da de nuvens, olhou para o acampamento dos egípcios e semeou o pânico no meio deles.

25. Embaraçou-lhes as rodas dos carros de tal sorte que, só dificilmente, conseguiam avançar. Disseram então os egípcios: “Fujamos diante de Israel, porque o Senhor combate por eles contra o Egito.”

26 .O Senhor disse a Moisés: “Estende tua mão sobre o mar, e as águas voltar-se-ão sobre os egípcios, seus carros e seus cavaleiros.”

27. Moisés estendeu a mão sobre o mar, e este, ao romper da manhã, voltou ao seu nível habitual. Os egípcios que fugiam foram de encontro a ele, e o Senhor derribou os egípcios no meio do mar.

28. As águas voltaram e cobriram os carros, os cavaleiros e todo o exército do faraó que havia descido no mar ao encalço dos israelitas. Não ficou um sequer.

29. Mas os israelitas tinham andado a pé enxuto no leito do mar, enquanto as águas formavam uma muralha à direita e à esquerda.

30. Foi assim que naquele dia o Senhor livrou Israel da mão dos egípcios. E Israel viu os cadáveres dos egípcios na praia do mar.” Êxodo, cap. 14

Os cientistas Drews e Han, estimam que para empilhar as águas e abrir uma passagem com alguns quilômetros de largura teria sido necessário um vento de velocidade próxima de 100 km/h, soprando sobre a desembocadura do rio Nilo durante 12 horas. Portanto, se “soprou toda a noite” (n. 21) teria sido suficiente.

Drews e Han chegaram a essa conclusão com simulações, em computador, do comportamento do líquido, e levando em conta como seria a topografia do Egito no fim da Idade do Bronze (por volta de 1250 a.C.).

Essa é a época mais aceita para a fuga dos israelitas, liderados pelo profeta Moisés.



Vídeo: travessia do Mar Vermelho pode ser confirmada cientificamente



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O corpo incorrupto do Servo de Deus D. Buenaventura Codina y Augerolas, bispo de Canárias

Rosto do Servo de Deus Buenaventura Codina y Augerolas,
exposto na Catedral de Santa Ana, Las Palmas de Gran Canaria, Espanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Servo de Deus Mons. Buenaventura Codina y Augerolas foi bispo de Las Palmas, Canárias, Espanha.

Nasceu em Hoatalia (Gerona, Espanha), em 1785. Em 1809 ingressou na congregação da Missão ou de São Vicente de Paula, na qual foi ordenado sacerdote.

Durante vinte anos foi diretor geral da Congregação das Filhas da Caridade na Espanha.

Foi sagrado em 1848 e foi enviado a Las Palmas, capital das ilhas Canárias, junto com Santo Antonio Maria Claret.

Ele enfrentou com heroísmo as revoluções anticlericais laicistas que causaram incontáveis mortes e destruições na Espanha, expondo sua própria vida.

Teve que agir com firmeza e habilidade face a governos liberais e de fundo anti-cristão.

Trabalhou incansavelmente durante a peste de cólera que atacou as ilhas e dizimou a metade da população.

O prelado foi perseguido até pelo diretor de sua ordem religiosa que o expulsou dela alegando ter aceitado o bispado sem licença.

D. Buenaventura em verdade renunciara três vezes ao bispado, mas o Papa o manteve pela força da obediência.

O Servo de Deus morreu em 1857 com fama de santidade.

Por ocasião da exumação, seu corpo foi achado incorrupto e está exposto na catedral das Canárias.


Vídeo: Servo de Deus Mons. Buenaventura Codina y Augerolas, bispo de Canárias, Espanha
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sábado, 21 de agosto de 2010

Corpos incorruptos: diferença entre milagrosos e naturais

Beata Ana Maria Taigi, urna na igreja de de São Crisógono, Roma




Um dos fenômenos que mais chamam a atenção é a preservação até a incorruptibilidade do corpo de certos santos.

É fato que em condições excepcionais pode acontecer que um corpo não se desfaça inteiramente por razões meramente naturais.

Porém, o fenômeno dá-se com os santos em proporções muito acima do normal, sendo que na quase totalidade das vezes foram sepultados em condições comuns e que, portanto, deveriam se pulverizar como os outros.

No processo de canonização, a Igreja estabelece a apertura dos sarcófagos para conferir que o corpo ali enterrado pertence verdadeiramente ao Servo de Deus e constatar seu estado.

A conservação inusitada desse corpo é um sinal que, entre outros, contribui a definição da santidade do Servo de Deus.

Há, portanto, três tipos de preservação:

1 ‒ milagrosa (incorruptíveis strictu sensu),

2 ‒ deliberada por meios científicos (quando o corpo foi embalsamado, como foi o caso de B. Juan XXIII),

3 ‒ natural e acidental.

Video: Corpo da Beata Ana Maria Taigi, igreja de São Crisógono, Roma
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A incorruptibilidade propriamente dita é a preservação milagrosa que não se explica por nenhuma lei ou fator natural e é independente das circunstâncias (umidade, temperatura, tempo, cal ou outros elementos que poderiam acelerar a decomposição).

Só pode se ter certeza da incorruptibilidade quando o corpo admiravelmente conservado jamais foi embalsamado ou tratado com qualquer tipo de procedimento visando uma preservação.

Em alguns casos acresce que os corpos de santos também exsudam aromas ou perfumes, sobre tudo no momento da exumação.

Video: Corpo de Santa Bernadette Soubirous, Nevers, França
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A incorruptibilidade não é a mumificação (nem natural, nem por obra humana). Os corpos mumificados apresentam características facilmente reconhecíveis pela ciência.

Um dos casos mais impressionantes é o da vidente de Lourdes, Santa Bernadette Soubirous.

Seu corpo encontra-se exposto na capela do convento de Saint-Gildard, na cidade de Nevers, França, nas condições que podem ser vistas no vídeo abaixo, registrado em julho de 2010.

Junto ao túmulo de Santa Bernadette, um cartaz esclarece:

“O corpo de Santa Bernadette repousa nesta capela desde o dia 3 de agosto de 1925. Ele está intacto e “como petrificado” segundo foi reconhecido pelos médicos juramentados e pelas autoridades civis e religiosas por ocasião das exumações de 1909, 1919 e 1925.

Santa Bernadette Soubirous, a vidente de Lourdes. Nevers, convento de Saint-Gildard
“O rosto e as mãos enegreceram em contato com o ar e foram recobertos com ligeiras máscaras de cera, moldadas diretamente do corpo.

“A posição da cabeça inclinada à esquerda foi tomada pelo corpo dentro do caixão.”

Nas referidas exumações constatou-se:

Na primeira, em 22 de setembro de 1909: na presença do bispo, da Madre superiora, de dois médicos e quatro operários que fizeram juramento de declarar a verdade, o corpo apareceu totalmente preservado, sem odor, a pele tinha cor pálida, os músculos e os ossos estavam unidos pelos ligamentos naturais, dentes e unhas também no seu lugar.

Verificou-se que o hábito estava ensopado pela umidade do túmulo e o terço estava completamente enferrujado. As freiras lavaram o corpo, o vestiram e o puseram num ataúde forrado de seda.

Na segunda, em 3 de abril de 1919, o corpo estava no mesmo estado. Apenas que por causa da lavagem feita pelas freiras tinha-se criado mofo no corpo. Foi observado que as veias ainda estavam proeminentes como se estivessem cheias de sangue.

Na terceira, em 18 de abril de 1925, o corpo estava no mesmo estado, com a pele mais escura. Os músculos mostravam-se tonificados, a pele estava elástica e inteira salvo em algumas partes mínimas. O fígado estava elástico, quase normal, quando deveria estar reduzido a pó ou petrificado.


Leia também:
O corpo incorrupto de Santa Bernadette Soubirous segundo os médicos que fizeram as exumações

A verdadeira fisionomia de Santa Bernadette
Breve resumo da vida de Santa Bernadette
Como foi a 1ª aparição: à procura de gravetos para suportar o frio
O inefável da Gruta de Lourdes
A casa natal de Santa Bernadette: muita simplicidade mas nada de vulgaridade
A tragédia da família de Santa Bernadette
Santa Bernadette parte para o Céu

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Evangelho de Judas patenteia iniqüidade da gnose - 2

Caim, Fernand Cormon
continuação do post anterior

O Evangelho de Judas faz compreender o oceano de maldade que contém a heresia gnóstica. Pois somente um tal ódio à Criação pode levar a venerar Caim, assassino de seu irmão Abel, o justo, cujo sacrifício era grato a Deus (Gen. 4, 3-15); a cultuar Esaú — figura bíblica dos réprobos —, que vendeu a primogenitura em favor de Jacó, o abençoado pai das doze tribos de Israel (Gen. 25, 29-34); a se identificar com os habitantes de Sodoma, que Deus reduziu a cinzas devido a seu vício inveterado da homossexualidade (Gen. 19); a venerar Coré que, com Datã e Abiron, revoltou-se contra Moisés, tendo a terra os engolido com corpo e alma, junto com todos os seus, enquanto um fogo do Céu consumiu seus ministros (Num. 16, 31-35). Só faltou incluir o culto a Lúcifer...

Esse erro gnóstico atinge toda sua hediondez na exaltação de Judas, o traidor que por 30 míseras moedas vendeu Nosso Senhor Jesus Cristo. Segundo São João, o demônio possuíra a alma de Judas (Jo 13, 2). Nosso Senhor disse do apóstolo traidor que “teria sido melhor que este homem não tivesse nascido” (Mt 26, 24). A esse homem, entretanto, os cainitas atribuíram o Evangelho saído da pluma deles.

O Evangelho de Judas torna patente o ódio a tudo quanto existe, acalentado por essa infiltração herética na Igreja do século de Santo Irineu.

Só desse século?

Beijo de Judas, Cimabue
Trevas do “evangelho” cainita sobre o século XXI

Aqui começa o aspecto talvez mais revelador desse falso evangelho, tão favorecido pela orquestração anticatólica. Esta sugere um como que retorno vitorioso do cainismo, no atual auge de pecado e de desfiguramento da Igreja Católica. O Evangelho de Judas encontrou o terreno psicológico preparado, em largos setores da opinião pública, por sucessivas ofensivas de blasfêmia e de contestação das leis e da disciplina da Igreja. Seria preciso um livro para conter um sumário delas. Basta pensar no movimento gnóstico e neopagão que leva o rótulo de Nova Era. O Código Da Vinci –– novela e filme –– é um dos episódios mais recentes e notórios dessa ofensiva.

Mas, se fosse só isso...

O postulado essencial do Evangelho de Judas vem sendo defendido, com matizações diversas, por teólogos que estão no fulcro da revolução eclesiástica que levou S.S. Paulo VI a afirmar que “a fumaça de Satanás penetrou no templo de Deus”. Expoentes da teologia moderna defendem há décadas uma reabilitação de Judas Iscariotes, forçando uma apresentação dele como instrumento da vontade de Nosso Senhor.

Conseqüência: tentativa de demolição da Igreja

Desde logo, a propaganda desse evangelho apócrifo semeia dúvidas entre os fiéis a respeito da Igreja e das Sagradas Escrituras. Mas, se essa ofensiva continuar, pode ir mais longe. Até onde?

Trabalhos sobre os papiros na Universidade de Arizona
Para responder nos limites de um post, consideremos o que aconteceria se, como querem insinuar tantas manchetes midiáticas, o conteúdo do Evangelho de Judas fosse verídico. Forçosamente, teríamos que concluir que os Evangelistas deturparam o Novo Testamento, pois entenderam mal o verdadeiro ensinamento de Nosso Senhor. Em conseqüência, a Igreja católica seria uma falsa instituição, fundada nesses Evangelhos. Seria necessário que Ela revisse dois mil anos de história e fizesse pública emenda de sua atuação visando a salvação das almas. Em sentido inverso, deveria exaltar o evangelho cainita e tudo o que Ela condenou como heresia, mal ou pecado.

O culto dos santos deveria ser substituído pelo dos heréticos que a Igreja condenou: Lutero esmagaria Santo Inácio, Santa Teresa de Jesus e o Concílio de Trento; Maomé sobrepor-se-ia aos Papas e cruzados santos; Robespierre, a Luís XVI, a Maria Antonieta e aos contra-revolucionários do século XIX; Freud, às santas virgens; Marx, aos mártires do comunismo. No Brasil, a obra de missionários santos como Anchieta deveria ser rejeitada em favor dos costumes idólatras dos índios primitivos, cujo estilo de vida mais lembrasse os errantes filhos de Caim.

A mãe que aborta seu filho estaria mais em consonância com Judas, que ajuda Jesus a se libertar do seu “invólucro carnal” entregando-o à morte cruel e injusta. Outro tanto poder-se-ia dizer dos promotores da eutanásia. Afinal, a tão denunciada “cultura da morte” não estaria mais próxima de uma “cultura cainita”, sintonizada com o Evangelho de Judas? A revolução homossexual não seria a reabilitação de Sodoma, e portanto mais uma vitória reparadora do cainismo?

O caos moral e religioso de nosso século, à luz do Evangelho de Judas, não teria então uma coerência e uma lógica — aliás, uma anti-lógica — pavorosamente estruturada?

Idéia do Evangelho de Judas circulava antes de ser revelada

Em contraposição, alguém poderia argumentar: é árduo julgar que os artífices desse caos atual estivessem compenetrados do espírito e das doutrinas de um pseudo-evangelho, que há 1.700 anos aguardava numa caverna do Egito o momento de ser descoberto.

Eis outro dos enigmas a respeito do qual este evangelho gnóstico levanta uma ponta de véu. Nos anos 1970, Paulo Coelho e Raul Seixas compuseram a música Judas. Nela cantavam a idéia central do papiro, hoje sob os holofotes: “Parte de um plano secreto, / amigo fiel de Jesus, / eu fui escolhido por ele / para pregá-lo na cruz”.(3) Em 1973, na ópera-rock Jesus Cristo Superstar, Judas cantava: “Realmente não vim aqui por minha própria vontade”. Em 1977 o mesmo conceito apareceu na novela de Taylor Caldwell, Eu, Judas.(4) Exemplos sintomáticos como estes abundam na cultura rock ou contestatária e no progressismo mais avançado.

Como esses autores chegaram a tal sintonia profunda com o Evangelho de Judas? Não sei. Apenas constato sua concordância, superando um espaço temporal de séculos. Mas, sobretudo, verifico que entre o espírito da “autodemolição” da Igreja e, na ordem temporal, a Revolução Cultural, existe uma afinidade com a filosofia desse anti-evangelho gnóstico.


O que fará a Providência Divina em revide a essa revelação da gnose cainita, contida no Evangelho de Judas, mas já professada por agentes revolucionários antes mesmo de se conhecer os papiros coptas? A ação de Nossa Senhora costuma ir indizivelmente além de tudo o que de melhor possamos imaginar.

Será sempre a resposta de uma bondade e de uma beleza que empolga os bons e aterroriza os maus. A Ela volta-se pois nossa prece, confiando na vinda próxima do Reino do seu Imaculado Coração, como prometido em Fátima.

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Revelações do enganoso Evangelho de Judas - 1

Evangelho de Judas, local da descoberta, El Minya, Egito
O apócrifo Evangelho de Judas foi bafejado pela mídia de modo a semear dúvidas em relação à Igreja Católica, em sincronia com a onda de blasfêmias impulsionada pelo romance O Código Da Vinci.

A notícia sobre um papiro, velho de 1.700 anos, deu volta ao mundo com grande orquestração publicitária. O nome do escrito inspira horror: Evangelho de Judas.

O conteúdo é tão ofensivo quanto falso: Judas teria sido o discípulo perfeito do Redentor! O mercador péssimo teria perpetrado a infame traição em combinação com o próprio Filho de Deus! E isso porque Nosso Senhor Jesus Cristo ansiava libertar-se do “invólucro carnal”, segundo pregam as religiões pagãs mais prenhes de panteísmo e gnose.

Um documento sobre esse pseudo-evangelho, dito de Judas, foi emitido pelo National Geographic Channel no Domingo de Ramos, reincidindo no velho costume anticlerical de difundir blasfêmias ou fraudes religiosas durante a Semana Santa.

Porém, bem analisada, a manobra publicitária acaba se voltando contra os seus autores. Pois o estudo sereno do velho papiro fornece, de um lado, uma inesperada confirmação de ensinamentos¬ da Igreja; de outro, esclarece aspectos nebulosos da “autodemolição” da Igreja, de que falou S.S. Paulo VI.

Assim é a santidade da Igreja Católica. Quando seus adversários julgam dar-lhe um golpe formidável, este vira-se contra eles, para maior glorificação da Esposa de Cristo.

Mostra sobre o Evangelho de Judas, National Geographic Society, Washington
Os falsos e milenares papiros encontrados

O Evangelho de Judas consta de 13 folhas escritas frente e verso, em língua copta, tendo poucos parágrafos claramente legíveis. Foi encontrado em 1978 numa caverna de El Minya, no Egito, integrando um conjunto de apócrifos de conotações esotéricas.

Chamam-se apócrifos os livros não-canônicos, ou seja, que não pertencem à Revelação. Há dezenas deles. Alguns aportam dados históricos, muitos contêm graves erros e outros não passam de panfletos mal-intencionados.

Após muitas peripécias — algumas, por certo, bastante obscuras — os papiros chegaram à National Geographic Society, graças à Maecenas Foundation for Ancient Art e ao Waitt Institute for Historical Discovery, que arcaram com os milionários custos de restauração e análise. Os estudos científicos foram efetivados por uma equipe de técnicos especializados em manuscritos coptas. Estes concluíram que as folhas datam dos anos 220-340 da era cristã.

Origem do Evangelho de Judas denunciada por Santo Irineu

Assim sendo, tratar-se-ia de cópia de um apócrifo –– já condenado no ano 180 por Santo Irineu, bispo de Lyon e Padre da Igreja –– do qual não se conservava exemplar algum.

Fragmento do Evangelho de Judas
O próprio Santo Irineu, em sua obra apologética Contra as heresias, transmitiu-nos o conteúdo do fraudulento Evangelho de Judas. Explica o santo bispo de Lyon que, nos tempos apostólicos, houve numerosas tentativas de infiltração de heresias nas comunidades cristãs. Falsos convertidos espalhavam erros e perturbavam a união na fé e na caridade.

O cabeça de tais perturbadores foi Simão, o Mago. Esse feiticeiro quis comprar dos Apóstolos o poder de fazer milagres. São Pedro repeliu-o, dizendo: “Tu estás preso nos laços da iniqüidade” (Atos, 8, 23).

Simão, o Mago, é tido como o “pai das heresias”, e de sua sacrílega tentativa vem o nome do pecado de simonia. Seus seguidores pregavam a velha doutrina da gnose (literalmente: “conhecimento”), segundo a qual os seres teriam sido criados por uma potência maligna ou seriam fruto de alguma desgraça cósmica.

Para os gnósticos, seria bom que os seres deixassem de existir ou se dissolvessem no nada. Em estulta contradição, eles atribuem a esse nada um valor divino. No conhecimento dessa doutrina e dos meios para realizar seu objetivo niilista consiste a essência da gnose — talvez o pior dos erros.

Entre os prosélitos de Simão, o Mago, Santo Irineu aponta a seita dos cainitas. Estes diziam que Caim foi criado por um poder superior. Ademais, julgavam-se irmãos espirituais de Esaú, de Coré, dos habitantes de Sodoma e outros semelhantes.

“E dizem — acrescenta Santo Irineu — que Judas, o traidor, foi o único que conheceu todas estas coisas exatamente, porque só ele entre todos conheceu a verdade, para realizar o mistério da traição [...]. Para isso mostram um livro que eles inventaram, que chamam de Evangelho de Judas”. Santo Irineu conta ter “recolhido esses escritos, nos quais eles incitam a destruir a obra do Criador do Céu e da Terra”.

continúa no próximo post

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Onda de professores refuta o falso mito de que a Igreja seria oposta à ciência

Luis Dufaur
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Um dos erros que mais danificaram o bom relacionamento entre as ciências e a Igreja foi uma campanha iniciada nos remotos tempos do naturalismo humanista que abriu um fosso entre elas.

Esse fosso foi acentuado pela aversão filosófica da Era das Luzes que preparou a anticristã Revolução Francesa.

Voltaire, Rousseau e outros propagandistas avessos à Igreja apresentaram-na como a fonte da ignorância e do obscurantismo.

A Idade Média foi rebaixada ao nível de Era das Trevas enquanto que o século que culminou nas chacinas do Terror foi promovido a Era das Luzes.

Porém, no século XX e no atual milênio essas tendências que queriam opor ciência e religião foram perdendo fôlego.

E apareceu toda uma corrente de historiadores que, com massas de documentos na mão, estão demolindo o falso mito de a Igreja inimiga do conhecimento e do progresso.

O Prof. Thomas E. Woods Jr. é um jovem integrante dessa nova corrente de investigadores e professores.

Ele é autor de um dos livros mais atualizados sobre a matéria e que virou um ponto de referência: "How the Catholic Church built Western Civilization", Regnery Publishing, Washington DC, 2005, 280 p..

O Prof. Woods deplora ouvir ainda hoje surradas cantilenas contra a Igreja. Nenhum historiador profissional honesto, diz ele, acredita nelas.

Seu livro foi um sucesso e já foi traduzido ao português (“Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental”, Quadrante, São Paulo, 2008, 222 p.).

Mais recentemente Woods iniciou uma série de aulas sobre seu livro na TV americana EWTN.

Eis as primeiras com legendas em português.

Como esses historiadores chegaram a essas e outras conclusões que reabilitam o papel da Igreja como a verdadeira construtora da Civilização Ocidental e, portanto, das ciências naturais?

Ele explica nos vídeos a seguir:

Se seu email não visualiza corretamente o vídeo embaixo CLIQUE AQUI

A Igreja Católica: Construtora da Civilização — Aula 1 completa







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segunda-feira, 8 de março de 2010

Os anjos povoam e governam as vastidões estelares (II)

Continuação do post anterior.

Os anjos vivem na presença de Deus, O contemplam e glorificam, como príncipes da Corte Celeste. Mas, seria digno de Deus estar rodeado de príncipes sem reino, legiões de aleijados, de potentados que não têm nada a fazer?

A este respeito, São Tomás de Aquino com toda sua imensa autoridade e sabedoria dá-nos preciosos ensinamentos na sua magistral “Suma Teológica”.

Sobre tudo no tratado “A providência divina, ou o governo divino do mundo por meio dos anjos” (“De Deo gubernatore: De gubernatione Dei ab Angelis”) que faz parte da Suma Teológica (Parte III, questões 106 até 114).

Nele, o Anjo das escolas demonstra em primeiro lugar que “pela mesma razão pela qual os anjos inferiores são regidos pelos superiores; todas as coisas corporais são regidas por anjos.” (q.101, a.1)

Logo a seguir esclarece que isto não só é ensinamento de todos os Doutores da Igreja ‒ que para nós católicos seria suficiente. Mas, é a opinião de todos os filósofos não-cristãos que não foram ateus ou materialistas: “Esta opinião não é exclusiva dos Santos doutores, mas é também a de todos os filósofos que admitiram a existência de substancias incorpóreas.”

Essa presidência dos anjos sobre os astros não prescinde das leis naturais inscritas por Deus na natureza. Pelo contrário, as pressupõe. O poder angélico lhes comunica impulso e vigia para que tudo corra em ordem. Como o carro que funciona de acordo com as leis da mecânica, mas precisa de um motorista que o guie e controle.

Por isso, São Tomás diz: “os seres corpóreos têm ações determinadas; mas só as executam na medida que são movidos: porque é próprio do corpo só agir por meio do movimento; e portanto é preciso que a criatura corporal seja movida pela espiritual” (id. ibid., ad 1)

Para o Angélico Doutor, uma das provas de que os anjos presidem as coisas puramente corporais, é que pelo ministério dos anjos Deus opera muitos milagres (q.110 a.1).

Destas e muitas outras doutrinas que o Anjo das Escolas desenvolve no mesmo lugar, podemos tirar a conclusão tranqüila que as imensidades astronômicas estão povoadas por uma presença angélica ativa que as governa e conduz a seu fim.

Então, as maravilhas que a astronomia desvenda dia após dia no Universo sideral são também manifestações da atividade dos espíritos angélicos que regem o número infindável de astros, estrelas e constelações.


Só os anjos?

Ainda caberia uma consideração que não provém das ciências naturais ‒ como nos posts anteriores ‒ mas da teologia.

Na hora da revolta de Lucifer, um certo número de demônios não foi precipitado logo no inferno com o pai da mentira. E ainda pervagam pela criação até serem encerrados definitivamente no inferno.

Eles são aludidos geralmente como “demônios dos ares”.

Contra eles nos adverte São Paulo Apóstolo: “Não temos que lutar somente contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares...” (Ef 6, 10-11).


Entram nessa categoria as casas e lugares infestados: objetos que voam ou se deslocam de lugar, sons estranhos ou perturbadores; distúrbios visíveis, estranhos e repentinos que se verificam no mundo vegetal e no mundo animal (árvores ou plantações que secam repentinamente, doenças desconhecidas nos animais, pragas, etc.).


Certos fenômenos ou calamidades de aparência e estruturas naturais (tempestades, terremotos e outros cataclismos, incêndios, desastres, etc.) podem ter igualmente o demônio como autor, senão único direto, ao menos parcial e dirigente.


Por exemplo, o raio que caiu do céu e consumiu os pastores e as ovelhas de Jó, do mesmo modo que o vento do deserto que fez cair a casa dos filhos do Patriarca, esmagando-os sob as ruínas, foram suscitados por Satanás (Jó 2, 16-19). (cfr. “Anjos e Demônios ‒ A Luta Contra o Poder das Trevas
”, Gustavo Antônio Solimeo ‒ Luiz Sérgio Solimeo)

Não seria pois de estranhar que diabos desses quisessem por em desordem as maravilhas do Universo astronômico.

Mais, uma razão para os anjos de Deus presidirem os astros e uma esplendida oportunidade de exercerem os poderes que Deus lhe conferiu pondo em fuga esses diabos desordeiros e perturbadores.

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Os anjos povoam as vastidões estelares (I)

Nos posts anteriores sobre o tema “Estaríamos sós no Universo Sideral” vimos uma atualização dos dados fornecidos pelos cientistas.

Os cientistas, inclusive os que admitem a possibilidade de existir vida em outros planetas, reconhecem que na melhor de suas hipóteses, tratar-se-ia de vida de micróbios capazes de enfrentar condições extremamente adversas em planetas inóspitos.

Quanto à existência de vida superior fora da Terra, a hipótese dos autores é de molde a excluí-la.

Supor alguma espécie de seres vagamente comparável aos humanos pertence mais à ciência-ficção do que à ciência verdadeira.

Entretanto, põe-se uma questão psicológica que serve de encalço às vezes para imaginações fantasiosas ou malucas como as da ciência-ficção.

Ela poderia se formular assim: o ser humano tem horror do vazio. Teria Deus criado essas imensidades materiais com belezas luminosas insondáveis e as teria deixado irremissivelmente ermas, sem nenhuma presença superior lá? Isso não repugna à mente humana?

Cada vez mais a ciência nos apresenta novas fronteiras do universo. Essas imensidões estão preenchidas por quantidades fabulosas de entidades astronômicas: galáxias, nebulosas, etc. e fenômenos materiais insuspeitados. As fotografias dos grandes centros de pesquisa espacial mostram-nos formações de estrelas e astros de uma beleza deslumbrante.

Estaria tudo isso vazio como um deserto? Se até no Saara há povos e vegetações mínimas, repugna pensar que lá longe no alto tudo seja morte.

Já vimos a resposta da ciência. A teologia não teria algo a dizer?

Sem dúvida aquela fabulosa manifestação material constituída pelos astros que preenchem os Céus nos falam do incomensurável poder criador de Deus e nisso já tem uma alta razão de ser.

E, como em todas as coisas criadas há uma presença divina que mantêm todos esses corpos na existência.

Mas ainda assim, tudo aquilo vazio, desoladoramente vazio?

A resposta esta indagação, entretanto, ao materialismo dominante.

Deus criou os anjos, seres vivos e inteligentes, muito superiores em número aos próprios humanos que já existiram, existem e existirão.

Dotou Deus a esses anjos de poderes extraordinários, inclusive sobre a matéria, como podermos ver nos Livros Sagrados e em muitos milagres.

Aquilo que os homens conseguem fazer aplicando todo seu engenho e imensos esforços ‒ construir canais, remover morros para passar auto-estradas e viadutos, etc. ‒ para o anjo é uma “brincadeira de criança”. Eles têm poder para fazer isso ‒ e muito mais ainda ‒ com um simples ato de vontade.

Mas, então. Deus os teria criado tão poderosos e não teria criado objetos materiais sobre os quais eles pudessem exercer seus imensos poderes sobre a matéria?

A pergunta é quase irreverente. Pois pressupõe que Deus errou ao fazer o mundo. Seria como imaginar que Ele que fez os homens com pernas os tivesse instalado num mundo onde não podem fazer uso delas. Teria criado uma humanidade de paralíticos!!!

A Escritura ensina, e os Padres da Igreja comentaram longamente este ensinamento que Deus fez tudo com “número, peso e medida”.

Quer dizer, na ordem da Criação tudo é proporcionado, adequado, encaixa bem. Os pássaros encontram no ar o ambiente adequado para voarem segundo as capacidades de cada espécie.

Os peixes encontram águas ideais para eles existirem: água doce para uns, salgada para outros, profundas e frias para ainda outros, superfícies cálidas para outros etc.

Deus criou as plantas e uma infinidade de climas e tipos de terra onde cada uma viceja, produz seus melhores flores e frutos. E ainda o mesmo podemos constatar na fabulosa variedade de animais e habitat que há na Terra.

Esse princípio universal não valeria também para os anjos?

Continua no próximo post.

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Estaríamos sós no Universo Sideral - IV. Novos rumos na Ciência indicam: haveria vida inteligente apenas na Terra


Doutrina católica, vida extraterrestre e Redenção

Os cientistas, no primeiro capítulo do livro analisado nos post anteriores, admitem a possibilidade de existir vida em outros planetas.

Mas vida de micróbios, capazes de enfrentar condições extremamente adversas, como as que existem em lugares altamente inóspitos da Terra.

Estas formas de vida nas galáxias, segundo os autores, poderiam ser muito freqüentes. E, quanto à existência de vida superior fora da Terra, a hipótese dos autores é de molde a excluí-la.

Mas, se porventura houver vida inteligente além da nossa no Universo Sideral, como a doutrina católica explicaria tal fato?

Antes de mais nada, é preciso lembrar que tanto a Encarnação do Verbo Divino quanto a Redenção representam privilégios para nós.

Assim, na hipótese — cada vez mais remota — de se comprovar a existência de vida fora da Terra, não faltariam luzes do Espírito Santo à Igreja para explicar, com verdade e objetividade, a nova situação conhecida e tudo quanto dela decorresse.

Desânimo de cientista: buscas infrutíferas...

Em entrevista recente, o astrônomo acima citado, Frank Drake, presidente do Instituto Seti (sigla em inglês para Busca por inteligências extraterrestres), reconhece que essa procura de seres inteligentes pode levar um século.

Em 40 anos, “as buscas ainda não captaram nem um ‘oi’ interplanetário”, destaca o entrevistador Cláudio Ângelo. “Estou envergonhado. E mais cauteloso”, admite o astrônomo Drake.

Perguntado sobre o livro Sós no Universo, Drake admite que “a questão é quão freqüentemente a vida inteligente surge. Ward e Brownlee apresentam uma série de argumentos que dizem que isso pode ser raro”. E persiste na sua busca:

“Ainda vai levar muitas décadas. Pode levar cem anos. .... Mas é tão importante que vale a pena, porque os resultados finais seriam a coisa mais valiosa que já se viu” (“Folha de S. Paulo”, 18-3-01).

Ele não explica por que pensa assim, mas percebe-se seu desconforto diante do fato de estar ficando cada vez mais claro que realmente há algo de especial e único nesta Terra...


Quem diria que, depois de ter sido desbancada, há 400 anos, por Copérnico e Galileu, do centro “geométrico” do universo, a Terra novamente “se movimenta”, desta vez para reocupar, aos olhos da própria ciência, uma posição centralíssima, e talvez única, para a existência da vida — sobretudo inteligente — no Universo?!

É bem o caso de dizer, com Galileu: “Eppur si muove...” rumo ao centro dos acontecimentos!


* Supernovas: As estrelas, ao envelhecerem, queimam todo o seu hidrogênio e terminam por entrar em colapso. Algumas explodem com uma força espantosa, o que, com muita probabilidade, esterilizaria a vida num raio de 1 a 30 anos-luz.

(Fonte: Rosário A. F. Mansur Guérios, “Catolicismo”, junho de 2001)

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Estaríamos sós no Universo Sideral - III


Continuação do post anterior.

Júpiter, como pára-raios, protege a Terra dos impactos siderais

“Outro fator que claramente está envolvido no surgimento e na manutenção de formas de vida superiores na Terra é a raridade relativa de impactos de asteróides e cometas. ....

“O que controla este baixo índice de impactos? A quantidade de material deixado num sistema planetário após sua formação pode influenciar nesse índice: quanto mais cometas e asteróides há entre as órbitas dos planetas, maior é o número de impactos e há mais chance de extinções maciças devido a eles.

“Mas não só isto. Os tipos de planetas num sistema podem também afetar o número de impactos, e assim desempenhar um papel inapreciável na evolução e manutenção dos animais. No caso da Terra, há sinais de que o gigante planeta Júpiter atua como um ‘pára-raios de cometas e asteróides’. ....

“Assim ele reduziu a freqüência de extinções maciças, e talvez seja esta uma razão especial de por que foi possível surgir e manter-se em nosso planeta formas superiores de vida. Qual a freqüência de planetas do tamanho de Júpiter?” (p. XXII).

Tamanho grande da Lua: condições para as quatro estações

Há outras características especiais no nosso sistema solar: “a Terra é o único planeta (excetuado Plutão) com uma lua de tamanho considerável quando comparada com o planeta que ela orbita” (p. XXII). Com efeito, o nosso satélite exerce uma influência crucial na estabilização da inclinação da Terra, mantendo-a num ângulo que permite a existência das quatro estações.


Como se sabe, a Terra possui uma inclinação de aproximadamente 23 graus. Essa inclinação é conhecida como “obliqüidade”, e tem permanecido praticamente constante graças ao fato de nossa Lua ser grande, impedindo variações maiores na inclinação da Terra devido à força da gravidade dela.

Para ilustrar a importância desse fato, os autores observam: “O planeta Mercúrio fornece um exemplo espetacular do que pode ocorrer num planeta cujo eixo é quase perpendicular ao plano de sua órbita. Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol, e a maior parte de sua superfície é infernalmente quente.

“Mas imagens de radar da Terra mostraram que os pólos do planeta são cobertos com gelo. O planeta está muito próximo do Sol, mas visto dos pólos, o Sol está sempre no horizonte. Contrastando com Mercúrio, que não tem inclinação, o planeta Urano possui uma inclinação de 90 graus, e um dos pólos está exposto por meio ano [ano de Urano = 84,01 anos da Terra] de luz solar, enquanto que o outro lado experimenta uma temperatura baixíssima” (pp. 223- 224).

Localização periférica na galáxia possibilita a vida na Terra

“Talvez até a localização de um planeta numa região particular de uma galáxia desempenhe um importante papel. No centro das galáxias, cheio de estrelas, a freqüência de supernovas* e a proximidade entre as estrelas podem ser muito elevadas, a ponto de não permitir as condições estáveis e longas que são aparentemente requeridas para o desenvolvimento da vida animal.

“As regiões mais afastadas das galáxias podem ter uma baixa percentagem de elementos pesados necessários para a construção de planetas montanhosos e de combustível radioativo para aquecer o interior dos planetas. ....

“Até a massa de uma galáxia em particular pode afetar as chances do desenvolvimento de vidas complexas, uma vez que o tamanho da galáxia é correlato com seu conteúdo de metais.

“Algumas galáxias, então, podem ser muito mais favoráveis do que outras ao surgimento da vida e sua evolução. Nossa estrela e nosso sistema solar são anômalos, pelo alto conteúdo de metais. É possível que nossa própria galáxia seja incomum” (p. XXIII).

Centro geométrico do Universo ou centralidade do homem?

Os autores de Sós no Universo comentam: “Desde que o astrônomo Nicolau Copérnico tirou-a do centro do Universo e a pôs numa órbita em torno do Sol, a Terra tem sido periodicamente trivializada.

“Saímos do centro do Universo para um planeta pequeno, orbitando uma pequena e indistinta estrela numa região secundária da galáxia Via Láctea — uma visualização formalizada pelo assim chamado Princípio da Mediocridade, que sustenta não sermos um planeta único com vida, mas um entre muitos. As estimativas para o número de outras civilizações inteligentes variam de nenhuma a 10 trilhões” (pp. XXIII, XXIV).

A “trivialização” da Terra tem como efeito, na cabeça de muitos, a diminuição da importância do próprio homem, que não deveria mais ver-se como um ser todo especial no Universo.

Pelo contrário, ele deveria ter a humildade de reconhecer que não está no centro de todas as coisas, como pensava. Assim, desbancada a Terra do centro do sistema solar, cairia a tese correlata da centralidade do homem no Universo.

Trata-se, porém, de um engano: as duas teses não são correlatas! Quando se pensava que a Terra estava no centro do cosmos, era fácil associar essa centralidade de nosso planeta com a centralidade da posição do homem.

Mas, de fato, a centralidade do homem na obra da Criação resulta de muitas outras considerações de toda ordem, que nada têm a ver com a posição da Terra no Universo. A grandeza do homem como único ser, sobre a face da Terra, dotado de inteligência racional e de vontade, resulta da observação mais comezinha de tudo quanto nos cerca, e sempre foi evidente para todos os povos.

Por isso, o mandado divino a nossos primeiros pais — “Crescei e multiplicai-vos, e enchei a Terra, e sujeitai-a, e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu, e sobre todos os animais que se movem sobre a Terra” (Gen. 1, 28) — foi seguido com naturalidade por todos os povos, em todos os tempos.

Acontece que a Ciência também dá cambalhotas — e quantas! —, e eis que agora vêm esses dois cientistas, cujo livro estamos comentando, advertir-nos de que, se é verdade que a Terra não está no centro do Universo, há uma quantidade muito grande de fatos, aceitos pela Ciência, que acenam ser ela um planeta absolutamente incomum, possivelmente o único a oferecer condições para a vida humana.

Tudo se passaria, pois, como se Deus tivesse projetado um planeta único para possibilitar a existência do homem. E, neste caso, a Terra, em certo sentido, voltaria a ocupar o centro do Universo, e o homem retomaria sua centralidade na obra da Criação, da qual procuraram desbancá-lo quatro séculos de ciência atéia.

É o que dizem os professores Ward e Brownlee em seu livro: “Se for considerada correta, entretanto, a hipótese de Sós no Universo , reverteremos essa tendência de descentralização. O que dizer se a Terra, com sua carga de animais adiantados, for virtualmente única neste quadrante da galáxia — o planeta mais diverso num perímetro, digamos, de 10.000 anos-luz?


“O que dizer se ela for extremamente única — o único planeta com vida animal nesta galáxia e até no Universo visível, um bastião de animais num mar de mundos infestados de micróbios?” (p. XXIV).

(Fonte: Rosário A. F. Mansur Guérios, “Catolicismo”, junho de 2001)

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

São Luiz de Paraitinga: povo acha que enchente foi um “castigo de Deus”


A histórica cidade de São Luiz de Paraitinga, 11 mil habitantes, foi destruída pelo poder das enchentes na passagem do ano. Para muitos moradores Deus decidiu punir a cidade porque na opinião deles tinha se transformado numa espécie de Sodoma e Gomorra.

Assim informa a “Folha de S.Paulo” de 17 de janeiro 2010, em matéria de seu enviado especial Rogério Pagnan.

Sem dúvida há explicações técnicas procedentes: altos índices pluviométricos, sistema de escoamento deficiente, construções irregulares.

Porém, para grande parte dos moradores, diz a “Folha”, há um único motivo para explicar o que aconteceu: um castigo de Deus.

De fato, uns e outros não entram em contradição: Deus nos seus desígnios superiores pode se valer de fatores naturais por Ele criados para executar sua vontade suprema.

“Assim como as cidades bíblicas perdidas no pecado ‒ continua o diário paulista ‒ e também destruídas por decisão divina, São Luiz do Paraitinga teria abandonado os ensinamentos de Deus e se perdido em festas mundanas.

“A queda da igreja matriz deixou, para eles, claro o recado. “Vai mais gente à Festa do Saci do que à Festa do Divino, que é a festa do padroeiro”, diz a cozinheira Bruna Aparecida da Silva, 23.

“É um castigo. Deus tá vendo tudo isso”, emenda a colega de profissão, Benedita Arlete.

O Saci Pereré é uma versão indígena do demônio, por vezes amenizada com elementos folclóricos. Certas vezes é representado mais consoante com o furor maléfico dos espíritos infernais. Outras vezes é apresentado como um espírito brincalhão ou gracioso comparável aos espíritos revoltados que a teologia chama de “demônios dos ares”. Isto é, anjos de perdição que na hora da revolta de Lucifer escolheram um meio termo não tendo sido imediatamente aprisionados no inferno, mas ficaram na terra fazendo judiações e pequenos males à espera de serem precipitados definitivamente no abismo de fogo no Dia do Juízo Final.

Uns e outros fazem parte das legiões infernais e servem a Lucifer na obra de perder as almas.

“A grande atração de Paraitinga é ‒ prossegue o jornal ‒, porém, seu Carnaval, que chega a reunir em suas apertadas ruas 60 mil pessoas por dia.

“Tem que fazer festa para Deus, não para o outro lado. Saci é do outro lado, da esquerda, não é não?”, explica o agricultor João Rangel dos Santos, 67, que perdeu um filho em soterramento na noite da enchente.

“Isso é para as pessoas acordarem e voltarem a pensar em Deus”, diz a dona de casa Rita de Cássia Cezar Ramalho, 45, vizinha da família dos Santos, no bairro Bom Retiro.

“Para a aposentada Olga Pires Fontes, 85, há também a ingratidão de parte dos moradores da cidade com seus padres ‒ assim como aconteceu com anjos enviados a Sodoma. “Aqui tem muita lágrima de padre. Isso contribui”, diz ela, também entre lágrimas. “Cada padre que vem aqui sai sentido com alguma coisa. Conheço uns oito que saíram chorando daqui feito criança”, afirmou ela.

O engenheiro Jairo Borriello, prefere a explicação técnica do desastre, porém reconhece que as “coincidências reforçam a versão religiosa. Uma delas é uma casa ter sido destruída pelas águas e apenas uma parede, a única com crucifixo pregado, ter resistido.”

“Que as imagens de santo estão sendo encontradas de pé, isso é fato, e ajuda a aumentar esse sentimento”, afirmou” segundo a “Folha”.

Testemunho de um internauta


No Portal Plugados Net o internauta Leonardo Rios Duarte postou o comentário “A mão de Deus pesou sobre São Luiz do Paraitinga”

Nele diz que “o povo deve se concientizar é que Deus não está se agradando com as obras e feitos da maioria do povo luizense (São Luiz do Paraitinga - a cidade do carnaval, a cidade do saci perere...). Tenho parentes ali, homens de Deus, mas que hoje também pagam o preço e se encontram somente com a roupa do corpo desde o dia 01/01/2010.

“As pessoas estão esquecendo de Deus, o amor de muitos estão se esfriando e estão enraizados no mundo satisfazendo vontades da carne.. Favorecendo as vontades do inimigo... Não condeno festas ou curtições, mas para tudo há um limite.

“O último carnaval foi terrível, a cidade não comportava os habitantes, crianças e jovens a partir de 11 anos praticando orgias, fornicações, prostituição frente aos templos sagrados da cidade.. são pessoas católicas, crentes assembleianos e outras denominações que reconhecem o erro, e ainda estão presas ao pecado, são pessoas corruptíveis...

“O povo deve ter consciência que Deus não terá paciência “infinita” com o povo, uma vez que “inocentes estão pagando o preço dos pecadores”...

Segundo a Igreja: Deus castiga ou não?


Por certo não faltarão vozes eclesiásticas pregando que Deus não castiga o pecado e que, em última análise não há pecado... Ou que, seguindo nessa linha, só há “estruturas de pecado” que devem ser combatidas com revolução social enquanto isso a religião, a família, e a propriedade vão sendo impiedosamente demolidas...

Porém, a Igreja ensina que Deus pune os pecados dos homens. E os pecados coletivos com castigos coletivos. Porém o faz com misericórdia visando a conversão e o perdão dos pecadores.


Isto nos ensina o grande doutor da moral católica Santo Afonso Maria de Ligório no sermão por ele composto para ser pregado em tempos de grandes calamidades: “Alguns vêem os castigos e fingem não vê-los. Outros ainda, diz Santo Ambrósio, não querem ter medo do castigo se não vêem que já chegou. Irmão meu, quem sabe se esta é a última chamada que Deus te faz”.

Quando o pecador reconhece a sua culpa e glorifica a Justiça divina, atrai sobre si as doces e inefáveis torrentes de misericórdia de Nossa Senhora. Porém, quando se torna indiferente ao castigo, só atrai maiores e mais terríveis punições.

No mesmo sentido pronunciou-se ‒ sendo intensamente aplaudido pelos fiéis ‒ Mons. Philip M. Hannan, arcebispo emérito de Nova Orleans (EUA), por ocasião do furacão Katrina que destruiu a cidade:

“Atingimos um grau de imoralidade nunca visto, e o castigo foi o Katrina. Devemos contar à nossa posteridade como ele foi terrível, para que ela entenda que se tratou de um castigo, o qual deve melhorar nossa moralidade.

“Eu penso que nos corresponde pregar muito fortemente, sinceramente e diretamente que isto foi um castigo de Deus. Deus nos deu direitos e tudo o mais. Mas também nos deu deveres. Nós temos que prestar atenção neste castigo. [...] Para quem lê seriamente as Escrituras, não há como escapar disso. Todos os que eu conheço, sacerdotes e bispos, acreditam nisso também”.

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Estaríamos sós no Universo Sideral - II


Vida banal em toda nossa galáxia?

Da Califórnia à Europa a comunidade científica pareceria afirmar que a vida poderia ser algo recorrente em toda a nossa galáxia e, portanto, banal.

Equivocar-se-iam, pois, os que pensam que nosso mundo tenha algo de especial e único. Nós, na realidade, seríamos como ervas que brotam em qualquer lugar, sujeitos à extinção ou a “nascer” por impacto de asteróides ou cometas, como certos cientistas acreditam ser o modo como se originou a vida em nosso planeta.

Essas teorias não negam uma divindade criadora nem uma Providência divina. Elas ignoram inteiramente a questão.

E se a realidade for como a descrita, a grandeza do drama que se desenrola sobre a Terra, de uma humanidade criada para glorificar a Deus, decaída pelo pecado de nossos primeiros pais e redimida por Nosso Senhor Jesus Cristo, pareceria enormemente reduzida. Essa impressão se forma, ainda que difusamente, em quem lê notícias similares à citada.

Desfazer impressões difusas é extremamente árduo. Contribuem para isso múltiplos fatores, um dos quais convém analisar: o triunfo da ciência sobre a “ignorância”.


Essa impostação poderia ser reduzida a uma regra de três: assim como, no passado, as teorias de Copérnico e Galileu “venceram” a ignorância e desfizeram o mito de que a Terra era o centro do Universo, também agora, quem não concorda com a visualização sugerida pelas descobertas científicas atuais arrisca-se a ter, no futuro, de reconhecer seu erro e pedir perdão...

Consideremos, porém: existe alguma prova apresentada em favor da tese de que há vida abundante no Universo?

Nenhuma.

Na realidade, os cientistas em questão baseiam-se em indícios e extrapolações para chegar à conclusão (apressada) de que existiriam “bilhões de sistemas solares com potencial para abrigar a vida”, ainda que “apenas 1% das estrelas da Via Láctea tiver planetas rochosos à sua volta” (OESP, ib.).

Que credibilidade dar a isso? É o que veremos a seguir.

Obras científicas contra-corrente: silêncio da mídia

Há algo de novo nos próprios meios científicos — dentre os mais qualificados — e que abala as “certezas” midiáticas.

Como era previsível, esses novos estudos e publicações têm pouca ou nenhuma repercussão junto à mídia brasileira. Esta, de modo especial, só tem “olhos” para aquilo que ela quer ver. E vendo, silencia fatos que lhe são desfavoráveis, apresentando apenas o que lhe convém.

Não fosse assim, já teríamos repercussões a propósito do que ocorre nos meios científicos e editoriais dos Estados Unidos e da Europa — conforme noticiamos em artigo anterior sobre evolucionismo e criacionismo (cfr. Catolicismo, nº 596, agosto de 2000) —, onde um número crescente de cientistas vem publicando estudos, livros e artigos contestando dogmas evolucionistas.


Recentemente veio a lume um livro que trata exatamente desse tema: Rare Earth: Why Complex Life Is Uncommon in the Universe (Sós no Universo: Por que a vida complexa é incomum no Universo), 333 pp., publicado pela editora Copernicus, em 2000.

Os autores são dois cientistas norte-americanos, Peter D. Ward e Donald Brownlee, ambos professores da Universidade do Estado de Washington, em Seattle.

O paleontólogo Ward é professor de Ciências Geológicas e especialista em extinções maciças. Brownlee é professor de Astronomia, e lidera a missão Stardust (Poeira de Estrelas) da NASA, e é especializado no estudo das origens de sistemas solares, de cometas e meteoritos. É membro da Academia Nacional de Ciências.

O enfoque adotado pelos professores Ward e Brownlee é muito original. Convencidos de que a vida no Universo é menos disseminada do que se supõe, resolveram explicar o porquê.

Com franqueza admitem: “Não podemos provar” que a vida animal seja rara no Universo. Prova é algo raro em ciência. Nossos argumentos são post hoc, no seguinte sentido: examinamos a história terrestre e procuramos chegar a generalizações a partir daquilo que vimos aqui” (op. cit. p. IX).

Mas esses autores não ficam só por ai. É o que trataremos no próximo post.

(Fonte: Rosário A. F. Mansur Guérios, “Catolicismo”, junho de 2001)

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