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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Imagem de Nossa Senhora de Coromoto,
padroeira da Venezuela: descobertas surpreendentes

A imagenzinha restaurada
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No transcurso do ano de 2009 foram feitos surpreendentes achados na imagem de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela, por ocasião de trabalhos de restauração, segundo informou na época a agência Zenit.

As descobertas lembram as já feitas na imagem miraculosa de Nossa Senhora de Guadalupe, no México, padroeira das Américas.

As informações foram dadas a público em roda de imprensa na sede da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV), em 3 de setembro daquele ano.

A imagem de Nossa Senhora de Coromoto está ligada aos primórdios da evangelização do país.

Os fatos associados à sua origem falam também diretamente a cada país latino-americano.

A tradição religiosa

Pelo fim de 1651 e inícios de 1652, uma Bela Senhora apareceu ao cacique da tribo Coromoto e à sua mulher.

A Senhora envolta em luz disse na língua deles: “Ide à casa dos brancos, para que eles joguem água em vossas cabeças e assim possam ir para o Céu”.

A tribo obedeceu: abandonou a selva, recebeu a catequese, e um grande número de índios pediu o sacramento do Batismo se tornando católicos.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

As reveladoras descobertas na relíquia de Nossa Senhora de Coromoto

O olho de Nossa Senhora de Coromoto mede dois micrômetros (unidade de medida de comprimento que corresponde à milionésima (1 milhão) parte do metro)
O olho de Nossa Senhora de Coromoto mede dois micrômetros
(unidade de medida de comprimento que corresponde à milionésima (1 milhão) parte do metro)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: Os segredos de Nossa Senhora de Coromoto


Pablo González, outro dos restauradores da relíquia de Nossa Senhora de Coromoto observou:

“Nossa Senhora de Coromoto e Nossa Senhora de Guadalupe são as únicas duas aparições da Virgem Santíssima onde a Santíssima Mãe deixa um testemunho físico, não obstante a diferença enorme de tamanho.

“Ela não é uma relíquia. A Virgem Santíssima é uma mariofania, é uma manifestação viva de Maria Santíssima. A Virgem está viva ali.

“Na restauração feita em 2009 se comprovou que o olho esquerdo, por exemplo tem orbita, tem iris, tem cristalino, é um olho humano perfeitamente.

“O tamanho real do olho equivale a uma picada de uma agulha em sua parte mais fininha. Esse é o tamanho do olho. (...)

“A imagem apresentava uma mancha aparentemente como de óxido marrom que lhe cobria parte da cara e impedia totalmente ver seu rosto.

“Aparte disso tinha fungos. Estava sumamente deteriorada.

“Lembrem que foi uma imagem que durante muitíssimos anos não teve proteção, não teve vidros.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Os segredos de Nossa Senhora de Coromoto

Proporções minúsculas da imagem de Nossa Senhora de Coromoto patenteiam aspectos tecnicamente inauditos.
Proporções minúsculas da imagem de Nossa Senhora de Coromoto patenteiam aspectos tecnicamente inauditos.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Já tivemos oportunidade de tratarmos sobre as dificuldades técnicas apresentadas pela restauração da imagem de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela. Confira: Imagem de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela: descobertas surpreendentes

E também da humanamente inexplicável rápida recuperação.

Um conjunto de vídeos, com entrevistas e/ou testemunhos dos restauradores eles próprios, nos fornece a grata oportunidade de voltarmos ao caso, pela voz dos atores de primeira linha.

O restaurador José Luis Mateus, presidente da Associação Maria Caminho a Jesus explicou por que decidiram iniciar a delicada restauração:

“Aqueles que trabalharíamos como restauradores entramos em contato pelo fim de 2008 e ficamos alarmados pela gravidade dos danos que encontramos nEla.

“Por isso, propusemos ao bispo de Guanare [diocese do santuário], Mons. Sotero Valero através do reitor do santuário Pe. Manuel Brito fazer realizar um processo de restauração nas proximidades do Santuário.

“Em janeiro do ano 2009 a Conferência Episcopal venezuelana autorizou levar adiante o processo de restauração”.

A continuação explica o problema com que se depararam:

“A relíquia estava muito suja, muito contaminada, rota em vários pedaços.

José Luis Mateus, um dos restauradores explica os problemas e as surpresas.
José Luis Mateus, um dos restauradores explica os problemas e as surpresas.
“Um pedaço importante dEla estava colado no cristal do estojo onde estava sendo exibida e muitos outros fragmentos pequenos estavam colados num suporte interior.

“O maior desafio para a equipe de restauração era conseguir descolar estas pequenas relíquias sem que sofressem dano.

“A Santíssima Virgem nos encheu de bênçãos e nos mostrou sua gratidão pelo trabalho que fazíamos.

“E o primeiro dia logramos num tempo inusual desprender as partes que estavam coladas sem causar dano algum, logramos recolher todos os fragmentos dispersos e pudemos limpar todas as impurezas que havia nessa relíquia.

“O processo foi assombroso não só pela rapidez com que foi feito, mas porque quando os especialistas mediram o pH das águas que se usaram para limpá-la, de maneira inexplicável verificaram que embora a água estivesse bastante suja o pH dessa água era neutro.

“Enquanto que o pH do suporte inferior era bastante alto.

“Outro dos achados neste primeiro dia de trabalho foi que pondo a pequena relíquia acima de uma mesa de vidro com iluminação pudemos constatar que tinha múltiplas perfurações ao longo das linhas principais que a conformavam.

“Isso pode explicar por que a relíquia estava fragmentada em tantos pedaços.

“Essa técnica se usava antigamente para fazer reproduções de tamanho original de uma peça muito difícil de reproduzir.

“Mas, durante o processo de restauração, houve achados que nos impactaram mais do que outros.

Os restauradores trabalhando
Os restauradores trabalhando
“Por exemplo, ao fazer ampliações fotográficas da relíquia pudemos perceber que a Virgem que nos apresentavam ao longo dos anos como sentada num trono de ouro, na realidade se encontra num contexto indígena.

“Aquilo que está em volta dEla na realidade é a choupana do cacique Coromoto.

“E a parede de canas que há aos lados da Santíssima Virgem há uma série de símbolos.

“Segundo o antropólogo Nemesio Montiel [N.R.: Asesor do Vicerreitorado Académico da Universidade del Zulia] que teve oportunidade de estudar preliminarmente as fotos da relíquia, são símbolos indígenas venezuelanos.

“Numa tabela de simbologia aborígene venezuelana se encontram vários deles.

“Um elemento que chamava a atenção desde os estudos prévios é que a tinta tinha um brilho particular e um certo relevo que não era usual.

“Dali surgiu a ideia de observar mais detidamente a tinta e estudá-la melhor.

“Decidimos ir a um laboratório da Universidade Lisandro Alvarado onde pudemos observar a relíquia através de um microscópio.

“Quando a relíquia ficou sob o microscópio pudemos fotografar de maneira separada e bastante acertada a coroa da Virgem, seu formoso rosto.

“Pudemos ver esses relevos da tinta que se vem à luz rasante.

“Pudemos também ver as múltiplas perfurações nas diversas densidades do papel e nas diversas partes da relíquia.

“Mas, a surpresa que ninguém esperava foi quando descobrimos que os olhos da Virgem estavam perfeitamente desenhados.

“Vocês entenderão que um desenho que só tem dois centímetros de altura e dois centímetros de largura é uma miniatura.

“É muito difícil determinar tanta precisão e tanto detalhe que há na relíquia.

“Era inimaginável, ninguém podia suspeitar que os olhos da Virgem estavam perfeitamente desenhados.

“De fato, quando uma das restauradoras estava calibrando o microscópio e logrou ver isso, praticamente empurrou o microscópio e disse: “venham ver vocês porque ... não quero dizer nada, vejam vocês”

“A sensação que nós tínhamos era que alguém nos olhava através do microscópio. Era um olho vivo. E isso nos comoveu profundamente.

“Este achado foi para nós como a marca que certificava que efetivamente esta relíquia é original e que tem uma origem para além da ciência e do alcance humano.

“Porque pintar um olho com tanto nível de detalhe como tem a Virgem de Coromoto, segundo a opinião de quem temos consultado até agora é humanamente impossível.

“Nossa surpresa foi maior quando estudando este olho descobrimos que tinha um pequeno ponto de luz e ao amplifica-lo pudemos observar o que parece uma silhueta humana.

“Esta silhueta coincide com o relato da índia Isabel da posição do cacique Coromoto após pegar a Virgem pelo braço e a sagrada relíquia que ficou em sua mão.

“Vê-se o perfil de um homem com a cabeça agachada, com o punho fechado e o braço esticado, o outro braço se vê parte por trás.

“Aquilo foi para nós muito, muito especial, nos comoveu de maneira muito intima a todos os membros da equipe de restauração.

“E logo apresentamos todos estes resultados ao bispo de Guanare e depois à Conferência Episcopal venezuelana”.


Vídeo: Os segredos de Nossa Senhora de Coromoto



continua no próximo post: As reveladoras descobertas na relíquia de Nossa Senhora de Coromoto


segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Identificados os restos do bispo medieval que criou o Caminho de Santiago

Santiago o maior, retablo no Alcácer de Segóvia, Espanha
Santiago o maior, retábulo no Alcácer de Segóvia, Espanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Após a descida do Espírito Santo sobre a Igreja nascente, comemorado na festa de Pentecostes, na data aproximada de 33 d. C., os Apóstolos se dispersaram pelo mundo conhecido para pregar o Evangelho.

De início obtiveram muitas conversões em Israel, fato que desatou a cólera do mesmo Sinédrio que instigou a Crucificaxão.

Alguns Apóstolos chegaram a ser presos. Viram então que não poderiam ficar muito tempo livres na Terra Santa e combinaram que São João levaria Nossa Senhora a Éfeso, cidade então do império romano e onde o Sinédrio não tinha poder.

Os demais partiram em todas as direções.

São Pedro acabaria instalado sua Sede em Roma e São Tiago, cruzando o mar Mediterrâneo desembarcou na Hispania (atuais Espanha e Portugal).

Sua pregação teria começado na Gallaecia, atual Galícia espanhola e norte de Portugal, mas percorreu a península ibérica toda fazendo discípulos.

Sete deles quais foram sagrados bispos por São Pedro, após o martírio de São Tiago.

A pregação do Apóstolo não foi nada fácil.

A região estava povoada de pagãos, e muitos o recebiam como um inimigo de seus falsos deuses.

Em Caesaraugusta, atual Zaragoça, onde ganhou conversões em grande número, lançaram víboras contra ele, mas o santo as segurava tranquilamente nas mãos.

Em Granada, foi preso com todos os discípulos e neófitos.

Nossa Senhora lhe teria feito saber misticamente de ir pregar à Galícia.


Aparição de Nossa Senhora do Pilar


De retorno em Zaragoça para atender a pequena, mas crescente comunidade cristã, o Apóstolo rezava pensando em Maria Santíssima quando viu descer um resplendor.

Apareceram anjos carregando uma coluna de luz alta e delgada que terminava num lírio aberto e lançava línguas de fogo em várias direções.

Uma delas ia até Compostela. O fato teria acontecido por volta do 2 de janeiro do ano 40 d.C.

No resplendor do lírio o Apóstolo viu Maria Santíssima, de nívea brancura e transparência, que estava de pé como costumava rezar, com as mãos juntas e um grande véu na cabeça, que lhe caía até os pés.

Segundo outras versões Nossa Senhora se apareceu “em carne mortal”.

São Tiago recebeu interiormente o aviso de erguer ali uma igreja que a intercessão de Maria faria crescer.

Nossa Senhora dol Pilar aparece ao Apóstolo Santiago e anuncia sua próxima Assunção, igreja de Santiago, Madrid
Nossa Senhora do Pilar aparece ao Apóstolo Santiago
e anuncia sua próxima Assunção, igreja de Santiago, Madrid
Essa seria a origem da magnífica basílica atual de Nossa Senhora do Pilar, padroeira da Espanha.

Disse-lhe a Virgem que, uma vez concluída a igreja, voltasse para Jerusalém. Ele partiu para encontra-la em Éfeso.

Maria lhe anunciou sua morte próxima que aconteceria em Jerusalém na presença de todos os Apóstolos miraculosamente convocados.

Após a Assunção, São Tiago foi preso e decapitado no monte Calvário.

Seus discípulos São Atanasio e São Teodoro levaram o corpo de volta para a Espanha pelo mar.

O navio foi conduzido providencialmente até as praias da Galícia, onde teria sido enterrado precisamente no local identificado como Iria Flavia, e que acabou sendo identificado no século IX.

A descoberta teve muito de maravilhoso. Por volta do ano 813 (ou 820 segundo outros) reinando em Astúrias, Afonso II el Casto.

Nessa época um ermitão de nome Paio (Pelayo) declarou ao bispo diocesano de Iria Flavia, Mons. Teodomiro, que vira luzes brilhando sobre um morro desabitado.

Feitas as averiguações, no local foi encontrado um túmulo, de época romana, que guardava os restos de um corpo decapitado e cuja cabeça estava sob um dos braços.

Os restos eram de três pessoas distintas: dois de idade mediana e uma na fase final da vida.

Assim se supôs piedosamente que pertenciam ao que narrava a tradição: São Tiago e seus discípulos Atanasio e Teodoro

Um rei é o primeiro peregrino a Compostela


A notícia chegou ao rei Afonso II da região vizinha das Astúrias, que marchou com a sua corte de Oviedo para Compostela.

Essa peregrinação real de 146 quilômetros foi a primeira, pelo que hoje é conhecido como o “Caminho Primitivo”, o caminho mais antigo usado pelos peregrinos do Caminho de Santiago.

Busto relicário de Santiago Apóstolo, na basílica de Compostela
Busto relicário de Santiago Apóstolo, na basílica de Compostela
E a igreja que o rei mandou construir acima do túmulo deu origem à atual Catedral de Santiago de Compostela.

O nome de Compostela provém do latim campus stellae ou “campo das estrelas”, em atenção às luzes que apareceram no morro em que estava o túmulo.

A glória do Apóstolo, de cujo sacrifício nasceu a nação ardente de zelo como um lírio pegando fogo em que ele viu a Nossa Senhora desde então se manifesta atraindo multidões de peregrinos que ainda hoje fazem o “Caminho de Santiago” completando até mil ou dois mil quilômetros a pé.

Comprovação científica das relíquias


Na medida em que o desenvolvimento do processo histórico revolucionário progredia, ele foi pondo em tela de juízo todas as histórias maravilhosas da Igreja.

No século XIX já andava debandada a suspeita estapafúrdia segundo a qual os santuários são fruto de mentiras do clero para atrair doações de fiéis ignaros, logrados inescrupulosamente.

Compostela seria um desses locais de furto sistemático com fachada religiosa.

No século XIX o papa Leão XIII pediu aos bispos da Espanha todos os documentos que pudessem encontrar a respeito.

Ele recebeu muitos documentos com relatos do acontecido, mas nenhum com as características científicas que requeria uma comissão extraordinária para o estudos dos restos.

Então, enviou a Compostela a Monsenhor Agostino Caprara, promotor da Congregação da Fe no processo, para que examinara os restos no local e colhesse declarações dos responsáveis.

Antes de ir a Compostela, Mons. Caprara, mandou ao Doutor Chiapelli analisar um resto ósseo venerado como relíquia do Apóstolo na cidade de Pistóia, na Itália.

O cientista afirmou se tratar de parte a apófises mastoidea direita com restos de sangue coagulado e que a peça teria sido separada do crânio em consequência da violência da decapitação.

O historiador Patxi Pérez-Ramallo na necrópolis descoberta na basílica de Compostela
O historiador Patxi Pérez-Ramallo na necrópolis descoberta na basílica de Compostela
A comissão chegou em Santiago de Compostela no dia 8 de junho de 1884 durante os exames constatou que um dos três crâneos precisamente carecia da apófises mastoidea direita.

A coincidência foi reveladora e o ditame foi positivo.

Em 25 de julho do mesmo ano, na festividade do Apóstolo Santiago, foi publicado o documento comprobatório da Congregação.

E em 1º de novembro do mesmo ano S.S. o Papa Leão XIII publicou a Bula Deus Omnipotens, sobre a história do Santuário e convocava a empreender novas peregrinações.

Placas identificadoras


Mas, as investigações não ficaram por ali. Foi a hora dos arqueólogos analisando todos os vestígios que puderam se encontrar

O professor Enrique Alarcón, que ensina Filosofia na Universidade de Navarra, publicou em 24 de junho de 2011 um estudo das inscrições encontradas no local.

O estudo foi ampliado e reeditado em 2013 com a colaboração de Piotr Roszak.

A análise do catedrático aponta a existência de um culto funerário ao Apóstolo, pelo menos desde o século II, na cripta da dama romana crista Atia Modesta.

Ele identificou a inscrição Ya'akov (Santiago, em hebreu), acompanhada da simbologia própria da estética sepulcral judeu-cristã do século I, análogas às achadas em outros ossários de Dominus Flevit.

Numa dela há referências à festa judia de Shavu'ot que incluem a representação de pães rituais que deixaram de ser usados por volta do ano 70 d.C. motivados pela destruição do Templo de Jerusalém pelos romanos.

Ditas inscrições permitem precisar cronologicamente a antiguidade do túmulo, apontando ser verdadeiro o que sempre foi acreditado: esse é o túmulo do Apóstolo São Tiago.

Descobertos os restos mortais do bispo Teodomiro


Ossatura na basílica de Compostela que os arqueólogos dizem ser do bispo Teodomiro
Ossatura na basílica de Compostela que os arqueólogos dizem ser do bispo Teodomiro
Como que fechando o conjunto de confirmações científicas, recentemente foram identificados os restos mortais do bispo Teodomiro.

Ele foi o principal responsável pela criação da peregrinação – que já tem mais de doze séculos – do Caminho de Santiago, segundo informou o quotidiano de Madrid “El País”.

O quotidiano espanhol informou baseado em artigo científico, publicado na revista especializada britânica “Antiquity”, da autoria do arqueólogo Patxi Pérez-Ramallo, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.

Pérez-Ramallo aplicou diferentes métodos – análise óssea, datação por carbono, análise de isótopos estáveis e testes de ADN – para chegar à conclusão.

Ele garantiu a “El País”. haver “98% de probabilidade de se tratar de Teodomiro”.

Durante séculos, foi muito contestada a existência de Teodomiro projetando uma sombra indireta de dúvida sobre a autenticidade dos relatos antigos relativos ao túmulo de São Tiago.

Em 1955 o arqueólogo espanhol Manuel Chamoso Lamas descobrira uma lápide por baixo da catedral de Santiago de Compostela com o nome de Teodomiro inscrito.

A datação por carbono-14 revelou que essas ossadas correspondiam a uma pessoa cujo estilo de vida correspondia à do alto clero da época, acrescentou “Sapo”.

Túmulo de Teodomiro na Catedral de Santiago de Compostela
Túmulo de Teodomiro na Catedral de Santiago de Compostela
O quotidiano londinense “The Guardian” recolheu as mesmas informações acrescentando que a equipe dos pesquisadores liderada pelo arqueólogo Patxi Pérez-Ramallo, escrevem em “Antiquity” que: 

“A aplicação de uma combinação de técnicas bioarqueológicas está ajudando a desvendar muitas das questões (...) esses dados apoiam a possibilidade de que os restos mortais humanos encontrados em associação com a lápide inscrita sob o piso da Catedral de Santiago de Compostela em 1955 sejam os do Bispo Teodomiro”.

A análise da equipe descobriu que os restos mortais pertenciam a um homem magro e idoso que provavelmente cresceu na área ao redor de Santiago de Compostela e cuja dieta, baixa em proteínas animais, era consistente com as regras monásticas que limitavam o consumo de carne.

Os pesquisadores concluem em “Antiquity”que “esta informação contribuirá diretamente para a conservação dos restos mortais e promoverá um local especial de culto na Catedral de Santiago, enriquecendo as visitas ao templo e à cidade, pois Teodomiro representa uma figura significativa não apenas para a história de Santiago de Compostela, Galícia, mas também para a Espanha, Europa e Catolicismo”.

 

O artigo de “Antiquity”completo em .PDF em https://www.cambridge.org/core/services/aop-cambridge-core/content/view/3D7EA1E8EEE9E2B0F9832547FCF1B545/S0003598X24000917a.pdf


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Achada a oração mais antiga a Nossa Senhora

Papiro do ano 250 com a oração mais antiga à Virgem, recuperado nas excavações arqueológicas em Oxirrinco, Egito
Papiro do ano 250 com a oração mais antiga à Virgem,
recuperado nas escavações arqueológicas em Oxirrinco, Egito
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A saudação de São Gabriel à Santíssima Virgem por ocasião da Anunciação, em Nazaré, é a mais antiga e sublime oração a Ela.

É aquela que os homens mais rezam e rezarão até o fim do mundo: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto de Vosso ventre, Jesus”.

Mas qual é a oração mais antiga composta pelos homens a Nossa Senhora?

De modo inesperado, ela apareceu inscrita num pequeno papiro milenar, de textura frágil, redigida em grego, desenterrado das areias de um deserto do Egito.

O mais incrível é que o manuscrito, após quase dois mil anos, foi descoberto de modo legível.

Agora é cuidadosamente guardado entre dois vidros para evitar a sua deterioração.

Seria como se anjos tivessem querido conservar o texto para o revelar nos presentes dias, em que tanto se blasfema contra os mais insignes atributos da Santa Mãe de Deus, a fim de despertar os nossos contemporâneos.

O papiro desaparecera no século III e foi encontrado em 1897 num depósito de lixo das ruínas da extinta cidade de Oxirrinco, no norte do Egito.

Os arqueólogos Grenfell (izq.) e Hunt (dir.) encontraram o papiro, foto de 1896
Arqueólogos Grenfell (izq.) e Hunt (dir.) acharam o papiro, foto de 1896
O sitio arqueológico de Oxirrinco
O sitio arqueológico de Oxirrinco
Os arqueólogos ingleses Bernard Pyne Grenfell e Arthur Surridge Hunt recuperaram no local abundante coleção de manuscritos, agora conservados na Coleção John Rylands, da Universidade de Manchester (Inglaterra).

Eles só foram dados a conhecer na década de 1930, porém ninguém os havia transcrito corretamente.

O filólogo espanhol Felipe Hernández Muñoz, do Departamento de Clássicos da Universidade Complutense, foi em dezembro de 2022 à Rylands Collection e efetuou uma transliteração correta do grego e a tradução para o inglês e o latim.

Assim, ele nos forneceu uma conscienciosa primeira versão da oração, que tem algo da célebre “Salve Rainha”, mas muito simples. Ei-la:

“Sob vossas /

misericordiosas entranhas /

nos refugiamos, /

Mãe de Deus. Não desprezeis os nossos /

pedidos na pressa, /

mas do perigo, /

livrai-nos, /

só vós, santa, /

a bem-aventurada”.

Felipe Hernández explica que a “escrita está cuidada. Tudo em letras maiúsculas e em grego, a língua mais difundida na época.

“Há rasgões no papiro, mas as letras podem ser adivinhadas sem problemas”.

O filólogo também destaca que as primeiras palavras são “sob vossas misericordiosas entranhas” e evocam a “Salve Rainha”.

E as palavras “sob vossa proteção” indicam que Maria era invocada como Mãe de Misericórdia, como também na “Salve Rainha” implorando seus “olhos misericordiosos”.

A oração pede à Virgem que nos liberte do perigo. E um deles era a perseguição contra os cristãos perpetrada pelo Império Romano.

O Altar dos Apóstolos (iluminado) na Santa Casa de Loreto
O Altar dos Apóstolos (iluminado) na Santa Casa de Loreto
Por que fomos encontrar nesse velho papiro do ano 250 d.C. a versão mais primitiva que nos recorda a “Salve Rainha”?

Grandes santos mariais, como São Luís Maria Grignion de Montfort, ensinam que a devoção a Nossa Senhora começou já em sua vida.

Com destaque para a veneração dos próprios Apóstolos que iam até sua casa de Nazaré visitá-la e rezar a Missa num altar, hoje conhecido como “Altar dos Apóstolos”, o qual se conserva na Santa Casa de Loreto (Itália) aos pés da imagem da Virgem.

Naqueles remotos tempos, devido aos vícios e às fraquezas dos neófitos oriundos do paganismo, a devoção à Mãe de Deus era revelada com discrição e prudência.

De fato percebendo a sua excelsa virtude, os ex-pagãos poderiam achar que Ela fosse uma deusa.

Com a posterior consolidação do apostolado, essa dificuldade desapareceu e o culto a Nossa Senhora se espalhou livremente.

O culto a Nossa Senhora nos primeiros séculos da Igreja teve sua aprovação magisterial no Concílio Ecumênico de Éfeso, do ano 431.

Nele, Ela foi proclamada “Mãe de Deus” (theotokos, em grego). O herói dessa proclamação foi São Cirilo (375 ou 378 – 444), patriarca de Alexandria no Egito.

São Cirilo Patriarca de Alexandria obteve a proclamação de Nossa Senhora como Mãe de Deus
São Cirilo Patriarca de Alexandria, Doutor da Igreja,
obteve a proclamação de Nossa Senhora como Mãe de Deus
Naquele Concílio, por defender Maria como Mãe de Deus, São Cirilo foi invectivado pelo heresiarca Nestório e seus bispos cúmplices como “monstro, nascido e educado para a destruição da Igreja”.

Com análogo ódio, os protestantes, estultamente, como de costume, contestaram a origem histórica da devoção a Nossa Senhora, arrancando da Bíblia páginas nas quais Ela é citada.

Pior ainda, em nossos tempos, o progressismo dito católico, que tudo subverte, empenha-se em negar com maior furor os mais excelsos atributos da Santíssima Virgem, como o de Medianeira Universal de todas as Graças e seu correspondente título de Advogada nossa.

Se Ela é Medianeira Universal, só a Igreja Católica é o único canal que nos leva a Deus por meio d’Ela, Advogada nossa por excelência, em quem podemos confiar com certeza plena.

Mas foi nestes nossos tempos de negação empedernida, protestante e/ou progressista, que a Providência Divina fez reaparecer o histórico papiro provando que os celestes atributos da Virgem não são invenção tardia, mas que vêm sendo cultuados há quase dois milênios.

Icone de Nossa Senhora no mosteiro de Monte Mario, Roma. Atribuído a São Lucas, seria o mais antigo conhecido
Ícone de Nossa Senhora no mosteiro de Monte Mario, Roma.
Atribuído a São Lucas, seria o mais antigo conhecido
“Por muitos anos, esse documento foi deixado de lado. Talvez um dos motivos seja o fato de ser controverso por conter uma oração à Virgem Maria.

“O texto tem intrigado vários teólogos porque aparece em meados do terceiro século, antes do que qualquer um poderia pensar” — diz o filólogo Felipe Hernández, que traduziu o papiro e confirmou o que tantos intuíam, alguns com amor redobrado, outros com ódio e revolta.

“Quando Jesus, do alto da Cruz, diz a São João: ‘Eis aí a tua mãe’, indicou que a Virgem não era só mãe espiritual do Apóstolo virgem, o primeiro devoto d´Ela, mas também a Mãe de toda a Igreja e de todos os cristãos” — explicou Felipe Hernández, ecoando o ensinamento unânime da Igreja.


As representações artísticas muito antigas nos apresentam Nossa Senhora em ícones.

A mais antiga delas, cuja autoria é atribuída ao Apóstolo São Lucas, se venera no mosteiro das dominicanas do Monte Mário, o ponto mais alto de Roma, e é conhecido como “Advocata”.

O culto da Virgem como sendo uma invenção medieval não tem o menor fundamento, pois as imagens anteriores também nos falam de um culto que remonta aos tempos apostólicos.


segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Há 175 anos apareceu Nossa Senhora em La Salette

Mélanie e Maximin, os dois videntes, desceram para ver uma grande luz, dentro da qual havia uma Dama
Mélanie e Maximin, os dois videntes, desceram para ver uma grande luz, dentro da qual havia uma Dama
Luis Dufaur
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Na manhã do 19 de setembro de 1846 Maximin acompanhou Mélanie para cuidar do gado. Era um dia bonito, o céu estava sem nuvens e o sol brilhava intensamente.

Subiram o morro de La Salette (França) até uma altura de 1.800 metros, sem poderem imaginar o evento sobrenatural que haveriam de testemunhar.

Maximin queria brincar. Ela lhe propôs seu entretenimento preferido: fazer o que ela chamava de paraíso, isto é, uma casinha de pedras toda recoberta de ramalhetes feitos com flores silvestres, que desabrocham naturalmente nas alturas.

Chegando a uma curva do terreno protegida dos ventos, começaram a levantar o paraíso. No local há muita ardósia, pedra que forma placas e se prestava para o brinquedo.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

O labirinto das catedrais, um mistério decifrado.
Verdadeiros simbolismos e ensinamentos

Labirinto da catedral de Amiens, França
Labirinto da catedral de Amiens, França
Luis Dufaur
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Na catedral de Chartres, na França, existe o mais renomado labirinto do mundo. Ele serviu de inspiração e modelo a muitos outros, ainda existentes em catedrais da maior respeitabilidade no orbe católico.

Sabe-se que muitos desses labirintos foram destruídos em séculos de iluminismo ou anticatolicismo.

Mas, o que faz um labirinto gravado no chão? Qual é a função desse desenho matemático no recinto sagrado de uma catedral?

O termo ‘labirinto’ designa um percurso sinuoso, com ou sem cruzamentos, becos-sem-saída e falsas pistas, destinado a perder ou enganar o intruso que nele penetra.

Quem visita Chartres pode encontrar pessoas executando um estranho ritual. Estão percorrendo esse labirinto com ares de procurar “energias” provenientes de obscuras forças telúricas.

Em poucas palavras, trata-se de mais uma superstição Nova Era, de tipo neopagão, que nada tem a ver com o catolicismo.Na catedral de Chartres ou nas suas lojas de souvenirs, ninguém soube explicar-me direito a razão de ser do labirinto.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Lápide de 1.400 anos fala da fé incipiente na Imaculada Conceição

Lápide funerária glorifica Imaculada Conceição há 1.400 anos. Nitzana National Park.Credit David Palmach
Lápide funerária glorifica Imaculada Conceição há 1.400 anos.
Nitzana National Park.Credit: David Palmach
Luis Dufaur
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No deserto de Negev, em Israel perto da fronteira com o Egito, arqueólogos descobriram uma lápide bizantina com a inscrição “Abençoada Maria, que viveu uma vida imaculada” proveniente do túmulo de uma mulher que habitou na área de Nitzana há 1.400 anos.

A descoberta se juntou a outras feitas em escavações em túmulos da região que pertenceram a cristãos e foram enterrados em igrejas locais e cemitérios. Foi noticiada pelo jornal israelense “Haaretz”.

A inscrição está em grego antigo do final do período bizantino e inclui a data da morte da piedosa mulher: 9 de fevereiro.

Ela é mais uma das demonstração histórica da veneração cristã a Nossa Senhora, enfatizando especialmente o fato de carecer de mancha do pecado, que nos leva à ideia de sua Imaculada Conceição. Cfr. Aleteia

A profissão de fé na vida imaculada da Virgem em tão remotos tempos e em local para nós tão afastado não é desprovida de importância.

Quando a Igreja vai proclamar um dogma solene, como é o da Imaculada Conceição, e ainda mais, como foi neste caso, uma doutrina de Fé que está contida nas Sagradas Escrituras, mas não é patentemente afirmada, a Igreja pondera com sabedoria diversos fatores.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Maravilhosa predileção de Deus para com o Japão

26 mártires de Nagasaki. Em convento franciscano da Senhora das Neves em Praga
26 mártires de Nagasaki. Em convento franciscano da Senhora das Neves em Praga
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Um minucioso e demorado trabalho de arqueólogos e especialistas da História permitiu reconstituir uma das páginas mais belas do Cristianismo.

Trata-se da perseverança dos católicos japoneses durante mais de dois séculos a uma das mais desapiedadas perseguições religiosas que registra a humanidade.

E seu maravilhoso e emocionante fim com a intervenção de potencias ocidentais e a chegada de missionários da Europa.

Em post anteriores, tivemos ocasião de nos ocupar dos achados das ciências arqueológicas e históricas.

Cfr.: Descobertas capelas dos católicos japoneses perseguidos durante séculos
Arqueólogos revelam perseverança heroica dos católicos japoneses perseguidos durante séculos
Três imagens que escaparam da destruição pelos pagãos em Nagasaki


O espantoso número de vítimas mortais, feridos físicos e mentais deixados pelas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki na II Guerra Mundial é muito aquém daquele das vítimas das perseguições pagãs aos católicos no Japão.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

D. Gemma: laicismo é porta para o demônio entrar nas almas e nas sociedades ‒ O exorcismo e a ciência 2

Mons Andrea Gemma, bispo emérito de Isernia-Venafro
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuamos com a recensão do livro "Eu, bispo exorcista" de Mons. Andrea Gemma.

Como observamos no primeiro post, D. Andrea Gemma, hoje bispo emérito, escreveu o livro quando estava à testa da diocese de Isernia-Venafro, narrando suas experiêncas na prática do exorcismo.

Dom Andrea Gemma deixou a diocese a seu sucessor em 2007, quando atingiu o limite de idade fixado pelo Direito Canônico.

No livro, o bispo confirma a espantosa influência que tem no mundo moderno e no andamento da sociedade humana o príncipe das trevas e o poder vitorioso do exorcismo sobre ele.

Ele fornece uma atualizada confirmação de quanto o bem-aventurado Pe. Francisco Palau y Quer O.C.D. denunciou ao respeito.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Bispo descreve experiências exorcizando demônios ‒ O exorcismo e a ciência 1

Mons Andrea Gemma, bispo de Isernia-Venafro
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em diversos posts reproduzimos o pensamento do Bem-aventurado Pe. Francisco Palau y Quer O.C.D. a respeito da influência do demônio em nossos dias.

Vendo-a descrita como tão grande, tal vez alguém possa ter achado que o santo autor nesse ponto pode ter sido levado pelo seu fervor e pelo seu temperamento espanhol.

Não teria exagerado?

Por isso achamos oportuno relembrar o que no livro “Eu, bispo exorcista”, o então bispo diocesano, hoje emérito, de Isernia-Venafro, Itália, descreveu de suas experiências de exorcista e as surpreendentes conclusões a que foi levado durante uma década de prática do Exorcistado

(D. Andrea Gemma, “Io, vescovo esorcista” (“Eu, bispo exorcista”), Editora Mondadori, Milão, 2002, 208 pp. Todas as citações do post são extraídas desse livro. Não sabemos se o livro foi vertido ao português)

D. Andrea Gemma, hoje bispo emérito, escreveu o livro quando estava à testa da diocese de Isernia-Venafro, narrando suas experiências na prática do exorcismo.

Dom Andrea Gemma deixou a diocese a seu sucessor em 2007, quando atingiu o limite de idade fixado pelo Direito Canônico.

Na manhã de 29 de junho de 1992, o novo bispo de Isernia-Venafro, D. Andrea Gemma, saía da Basílica Vaticana, olhando pensativo para a Praça de São Pedro.

As palavras de São Mateus, ”as portas do inferno não prevalecerão” (Mt 16,18), ecoavam em seu espírito com um atrativo sobrenatural. E lhe inspiravam graves considerações:

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A Santa Casa de Loreto: descobertas científicas de causar pasmo.

A Santa Casa de Loreto transportada pelos anjos. São Nicolau de Tolentino  (1245 – 1305) teve a visão do fato. Antonio Liozzi (1730–1807) ou Ubaldo Ricci di Fermo (1669-1732), igreja de San Michele, S.Angelo in Pontano, Itália.
A Santa Casa de Loreto transportada pelos anjos.
São Nicolau de Tolentino  (1245 – 1305) teve a visão do fato.
Antonio Liozzi (1730–1807) ou Ubaldo Ricci di Fermo (1669-1732),
igreja de San Michele, S.Angelo in Pontano, Itália.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Desmentida a intervenção humana

Aventaram-se hipóteses de uma trasladação operada por homens. Além de carecem de qualquer documentação, elas se revelaram insustentáveis do ponto de vista científico.

Para essas hipóteses serem históricas teria sido necessário desmontar as pedras e os tijolos da Casa em Nazaré para depois refazer as paredes no local de chegada. A operação deveria ter sido repetida em cada uma das mudanças.

Desde a Palestina até a costa do Mar Adriático, onde a Casa apareceu em cinco lugares diversos, medeiam dois mil quilômetros de viagem terrestre e marítima. Materialmente, o transporte teria sido impossível sem graves danos, perdas e/ou sinais da mudança.

Rapidez inexplicável da translação

Acresce-se, ainda, a momentaneidade – ou quase – da viagem. Os dados conhecidos apontam que a Santa Casa saiu de Nazaré em maio de 1291. A chegada a Tersatto (primeira etapa) aconteceu em 9/10 de maio de 1291, segundo registro esculpido em pedra na época.

A Santa Casa foi retirada milagrosamente da Palestina para impedir que caísse nas mãos dos maometanos.

De fato, São João de Acre, a última fortaleza do Reino Latino de Jerusalém criado pelas Cruzadas, começou a ser sitiada pelo sultão Khalil em 5 de abril de 1291.

Acabou caindo em mãos anticristãs em 28 de maio de 1291. Nazaré fica a 41 km desse antigo enclave cristão. A desgraça pôs fim à hegemonia católica na Terra Santa.

Nazaré: cripta da igreja da Anunciação, gruta à esquerda
Nazaré: cripta da igreja da Anunciação, gruta à esquerda
O santuário de Nazaré estava muito ligado aos Cruzados.

A primeira igreja construída no local foi  arrasada em 1090 pelos turcos seljúcidas que haviam invadido a Terra Santa. A Santa Casa salvou-se, pois ficava na cripta do santuário e os bárbaros islâmicos foram cegados e não perceberam.

As atrocidades desses turcos levaram o Bem-aventurado Papa Urbano II a convocar a I Cruzada. Após a tomada de Jerusalém por Godofredo de Bouillon, um magnífico santuário foi construído sobre a cripta.

Ele foi visitado por São Francisco de Assis na sua viagem à Terra Santa para tentar converter o sultão turco, nos anos 1219-1220.

Também por São Luís IX, que tentava recuperar a Terra Santa, além de muitos outros santos e cruzados.

Em 1263 os islâmicos demoliram o santuário, mas a cripta voltou a ser salva providencialmente.

Com a queda da última fortaleza cruzada, os dias estavam contados para essa relíquia extraordinária da História da Salvação.

Sem alicerces: um milagre permanente

Outro fato extraordinário é o de sua instalação numa estrada pública de Loreto.

Esse posicionamento é humanamente impossível, segundo os arqueólogos e arquitetos que examinaram o subsolo da Santa Casa e a estrada sobre a qual ela está apoiada.

O arquiteto Giuseppe Sacconi (1854-1905), por exemplo, constatou que “a Santa Casa está apoiada em parte sobre a extremidade da estrada velha e em parte sobre um antigo fosso”, inexistindo base material para ali erigir uma casa (“Annali Santa Casa”, ano 1925, nº 1).

Um elemento arqueológico relevante fala em favor de que a casa “posou” e não foi construída ou reconstituída.

Esse elemento é um espinheiro que crescia na margem da estrada e que ficou preso e esmagado entre a Casa e o solo no momento em que a Casa desceu.

Romeiros no lado externo da Santa Casa de Loreto
Romeiros no lado externo da Santa Casa de Loreto
O arquiteto Federico Mannucci (1848-1935) foi encarregado pelo Papa Bento XV de examinar os alicerces da Santa Casa de Nossa Senhora, numa ocasião em que foi necessário renovar o piso, após um incêndio em 1921.

Mannucci redigiu um relatório em 1923 onde afirma ser “absurdo achar” que a construção possa ter sido transportada “com meios mecânicos” (F. Mannucci, Annali della Santa Casa , 1923, 9-11).

Mannucci escreveu que “é surpreendente e extraordinário o fato de o prédio da Santa Casa se conservar inalterado, sem ceder o mínimo sequer, e sem a menor rachadura ou lesão nas paredes, malgrado não se encontrar apoiado em alicerce algum, sobre um terreno sem qualquer consistência, solto e sobrecarregado, ainda que parcialmente, pelo peso da cúpula construída para substituir o teto” (F. Mannucci, Annali della Santa Casa, 1932, 290).

Religioso cientista explica

O Pe. Giuseppe Santarelli OFM Cap, diretor-geral da Congregação da Santa Casa de Loreto, e também historiador e arqueólogo de renome internacional, dedicou grande parte da sua vida para organizar, em colaboração com outros cientistas famosos, pesquisas sobre a origem da casa. Suas numerosas publicações sobre o caso fizeram história.

A Casa foi trazida de Nazaré à Itália “para salvá-la da destruição”, explica o religioso-cientista.

“Na segunda metade do século XIII, a Palestina vivia uma grande e violenta invasão muçulmana, com a destruição sistemática de lugares santos cristãos”.

Mas por que a Itália e não outro lugar? “Não sabemos. Os antigos historiadores, fiéis naturalmente, diziam que ‘por um desígnio providencial’, a casa da Virgem havia passado da terra de Cristo à terra do Vaticano de Cristo”. Loreto então formava parte dos Estados Pontifícios.

“Foram realizadas investigações de todo tipo. Todas demonstraram sempre que a narração da história é autêntica. Isso quer dizer que a Casa de Loreto é a mesma de Nazaré”.

Achados do arqueólogo Nerio Alfieri

Maqueta da casa de Nazaré:  as três paredes foram a Loreto;  a gruta e os alicerces ficaram
Maquete da casa de Nazaré:
as três paredes foram a Loreto;
a gruta e os alicerces ficaram
“Naturalmente, continua Frei Giuseppe Santarelli, as investigações mais importantes foram executadas nos tempos modernos. Sobretudo as realizadas em Nazaré entre 1955 e 1960 supervisionadas pelo padre Bellarmino Bagatti, um dos mais ilustres arqueólogos do século XX, e as realizadas em Loreto pelo arquiteto Nerio Alfieri, professor de arqueologia na Universidade de Bolonha.

“As investigações do professor Alfieri demonstraram que esta construção está cheia de anomalias absurdas, em um claro contraste com as construções da região e também com as regras urbanísticas existentes no século XIII.

“A casa não tem bases próprias, é constituída somente por três paredes, as quais, até uma altura de quase três metros, estão feitas de pedra e se sabe que na região não existem pedreiras e que todas as construções daquela época eram feitas de tijolos.

“É anômalo que a única porta, a original, se encontre no centro da parede larga e não da pequena, como em todas as igrejas e capelas daquele tempo e que esteja colocada ao norte, exposta a fortes e frequentes intempéries, contra todo costume de construção local.

“É anômalo também que a única janela esteja colocada a oeste e, portanto, aberta a uma pequena iluminação. Prática de construção também não exercida na época.

“Todavia, se comparamos com os resultados das investigações feitas em Nazaré, todas estas anomalias desaparecem. A casa de Loreto não tem bases porque as bases estão em Nazaré, onde antes se encontrava. Tem somente três paredes porque estava apoiada em uma gruta escavada na rocha que abrigava um único bloco habitacional”.

Arquiteto Nanni Monelli: concordância das medidas de Nazaré e Loreto

Um estudo extraordinário, realizado pelo arquiteto Nanni Monelli em 1982, demonstrou que as medidas da casinha de Loreto e também a espessura das três paredes encaixam perfeitamente com os alicerces que se encontram em Nazaré.

As pedras e paredes são tipicamente palestinas e também os tipos de trabalho aplicados na pedra.

“Nanni Monelli aprofundou a investigação das pedras. Chegou à conclusão de que estão trabalhadas com uma técnica específica desses lugares palestinos, própria da cultura nabatea”, sublinha o Pe. Santarelli.

Os graffitti

“Eu – acrescenta o Pe. Santarelli – depois realizei um estudo específico sobre os gráficos legíveis a respeito das diversas pedras da Santa Casa de Loreto.

“Identifiquei por volta de cinquenta inscrições próprias dos judeu-cristãos da Terra Santa e semelhantes aos encontrados em Nazaré.

“Também decifrei uma inscrição em caracteres gregos sincopados, que traduzida diz: ‘Oh Jesus, filho de Deus’ – frase inicial de uma oração que se encontra escrita em uma gruta anexa à casa de Maria em Nazaré.

“Estes e muitos outros detalhes levam à mesma conclusão: a Casa de Loreto é precisamente aquela que até 1291 se encontrava na Palestina e que era venerada havia 1.300 anos como a Casa da Virgem.

“Depois de anos de estudos, análises e investigações arqueológicas realizadas com os meios mais sofisticados, somos capazes de afirmar categoricamente que esta casa é exatamente aquela que até o final do século XIII era reverenciada em Nazaré como a casa da Virgem” – conclui.

A visão de Santa Catarina de Bolonha

Santa Catarina de Bolonha, corpo incorrupto
Santa Catarina de Bolonha (1413-1463) escreveu em 1440 (portanto, perto de trinta anos antes da narração da “Translatio miraculosa” referida pelo Beato Giovanni Spagnuoli e por Pier Giorgio di Tolomei, apelidado Teramano) que lhe foi sobrenaturalmente revelado como aconteceu o miraculoso traslado. Diz a santa:

“Por fim, esta moradia consagrada pelos Apóstolos que nela celebraram os divinos mistérios e praticaram milagres, por causa da idolatria daquele povo foi transportada até a Dalmácia por um cortejo de anjos.

“A seguir, pelas mesmas razões e outras ainda, levaram esta digníssima igreja a vários locais. Finalmente, foi levada pelos santos anjos e colocada estavelmente em Loreto, província da Itália e nas terras da Santa Igreja” (Rosarium, I Mist. Gaud., vv.73 ss.- tradução do texto latino publicada pelo “Messaggio della Santa Casa”, 2001, nº 7, p.211).

A Anunciação na Santa Casa de Nazaré, 
segundo o Evangelho de São Lucas:

26. No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,

27. a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.

28. Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.

29. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.

30. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.

31. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.

32. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,

33. e o seu reino não terá fim.

34.Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?

35. Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.

36. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,

37. porque a Deus nenhuma coisa é impossível.

38. Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.

(O relato da Visitação a Santa Isabel, prima de Nossa Senhora, imediatamente ligado ao passo da Anunciação acrescenta elementos que ajudam a entender melhor a própria Anunciação)

Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel,
University of California Berkeley
39. Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.

40. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.

41. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.

42. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.

43. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?

44. Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.

45. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!

46. E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,

47. meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,

48. porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,

49. porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.

50. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.

51. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.

52. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.

53. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.

54. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,

55. conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.

São Lucas, 1, 26-55



Padre Pio: “em Loreto nunca poderei entrar na Santa Casa
porque morreria da emoção”



FIM