A Igreja não só fez a Civilização Cristã, mas acolheu elementos de outras civilizações, cristianizando-os. Na foto o Castel Sant'Angelo, túmulo de um imperador romano
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Uma propaganda insistente quer apresentar os séculos marcados pela influência benéfica da Igreja, como eras de retrocesso, barbárie e ignorância provocada pela própria Fé e costumes pregadas pela Igreja Católica.
E, em consequência, essa falsa propaganda canta louvores exagerados dos progressos tecnológicos atuais, sobre tudo quando ligados à crescente paganização dos povos modernos.
A Igreja entretanto só promoveu o desenvolvimento das artes, técnicas e ciências como nunca se viu outra religião ou instituição fazer na História. Confira por exemplo, uma extensa informação a respeito (mas pequena se comparada com tudo o que a Igreja fez em 2.000 anos de existência), em: “Invenções, progresso, ciência e técnicas medievais”.
A Igreja também acolheu, e salvou, as contribuições de civilizações – que em muitos casos acabou convertendo ao ensinamento de Cristo – que contribuíram ao verdadeiro progresso da humanidade.
Entre essas civilizações originalmente pagãs destacou-se o Império Romano que acabou cedendo sua capital para sede do Papado. A Igreja cristianizou esse império de pecado e costumes horrorosos e, por outro lado, acolheu o que tinha de aproveitável, corrigindo os defeitos, como fez com o Direito Romano.
O açude romano de Almonacid , aproveita degraus da pedra para ralentizar a enxurrada
Também sua arquitetura, cujas basílicas foram adaptadas com facilidade para o culto divino e brilham até hoje.
Por essa aceitação do Evangelho e seus divinos ensinamentos tais civilizações também são objeto do esquecimento, malgrado suas boas realizações.
As últimas mortíferas enchentes no sul da Espanha, patentearam a inteligência com que a Igreja preservou as obras dos romanos.
Nos referimos à Depressão Isolada em Altos Níveis (DANA) que causou estragos em Valência, e deixou mais de 200 mortos. As imagens das tempestades e das graves inundações geraram choque no mundo.
No entanto, uma barragem em Saragoça mostrou a sua eficácia, evitando o desastre que atingiu muitas cidades, informou “La Nación”.
Essa barragem foi construída em tempos do Império Romano em Almonacid de la Cuba e tem quase 2.000 anos.
Nos vídeos é possível ver a água subindo até o limite da barragem e depois cai por etapas criadas com o propósito de frear o impulso.
O açude romano cortando o empuxo da enchente
Tudo o contrário de outras cidades de Valência, que sofreram inundações arrasadoras em questão de segundos.
Dezenas de usuários expressaram seu carinho por esta obra arquitetônica da civilização romana e sua utilidade hoje.
Em Almonacid de la Cuba não foram relatados danos ou feridos, o que aliviou o município.
Os espanhóis ficaram satisfeitos com a eficiência da barragem 2.000 anos depois, pois foi construída na segunda metade do século I d.C., na época do imperador Augusto, sob cujo reinado nasceu Jesus em Belém. É a barragem romana mais alta do mundo e é conhecida como La Cuba.
Como a construção é enormemente antiga, diversas modificações foram feitas para torná-la viável até hoje.
Durante a época muçulmana (século III) foi abandonada e depois serviu como barragem de desvio de fluxos para a zona de Belchite, que ainda hoje vigora.
A basílica e palácio de São João de Latrão foram residência do imperador Constantino, que a Igreja preservou e aprimorou
As referidas condições meteorológicas causaram destruição e fortes inundações que provocaram a morte de centenas de pessoas.
O fenômeno tem origem em uma corrente de ventos polares muito intensos – entre 150 e 300 quilômetros por hora, aproximadamente – que circulam na parte alta da atmosfera, a 9 mil metros de altitude, e cujo percurso gira em torno do Polo Norte e do Oeste para Leste.
Ao contrário das tempestades habituais, pode permanecer no mesmo local durante vários dias, o que aumenta os danos eventuais das muito intensas chuvas que provoca, como aconteceu desta vez, infelizmente.
Mais uma vez ficou provado como a Igreja e os povos convertidos souberam conservar o que outros tinham feito para o bem da humanidade e o encaixaram no progresso da Civilização Cristã,
Entre os mistérios que ficam a serem esclarecidos, um é a conexão entre o cárcere e a sinistra Scalae Gemoniae.
Isto é, a escadaria que saindo do Foro era percorrida pelos condenados a morte. O nome vem do verbo “gemer” = a escadaria dos gemidos.
Naquela escadaria também eram expostos os cadáveres dos justiçados e que depois eram jogados no rio Tibre.
O sinistro cárcere está composto por dois andares de desenho vagamente circular, um sobre o outro.
Prisão de São Pedro após restauro 2010
O superior, ou “Carcere Mamertino” propriamente dito, foi cavado pelo quarto rei de Roma Anco Marcio (640-616 a.C.).
O andar inferior, dito Tullianum, teria sido feito por Servio Tullio, sexto rei de Roma (578-534 a.C.).
Ali se encontra a fonte de São Pedro.
Os trabalhos arqueológicos confirmaram se tratar de um verdadeiro manancial que não está ligado a conduto nenhum.
Segundo a Dra. Patrizia Fortini que dirige os trabalhos de restauração empreendidos a partir de 1985, segundo noticiou o jornal italiano La Repubblica, a “fonte está ativa até hoje e somente com bombas consegue-se impedir que alague todo o ambiente”, acrescentou.
Afresco recuperado: Cristo apoia sua mão
no ombro de São Pedro enquanto abençoa
Também no andar inferior foram exumados restos de sacrifícios pagãos dos séculos VI a III a. C., provavelmente oferecidos pelos insignes prisioneiros a seus falsos deuses que, aliás, não os tiraram da desgraça.
Esse andar inferior foi cárcere até que no ano 314 o papa São Silvestre I (270-335) o transformou em local de culto com o título de San Pietro in Carcere.
Por sinal, San Silvestre foi o primeiro sucessor de São Pedro a cingir a tiara, símbolo também da realeza do Papa sobre a cidade de Roma e dos Estados Pontifícios.
Entre os afrescos agora desvendados figura o de Cristo apoiando sua mão esquerda sobre o ombro de São Pedro enquanto este com expressão sorridente levanta a mão direita para abençoar (foto).
A imagem do Príncipe dos Apóstolos que sorri triunfante sobre a brutalidade pagã jamais tinha sido vista em outros locais.
A pintura também transparece o comprazimento de Cristo transmitindo seus poderes a Pedro e seus sucessores.
A barba de São Pedro é representada como espuma branca e suas vestimentas exibem cor ocre por uma degradação da cor azul original.
Afresco recuperado apresenta muros de Roma medieval
Também pode se perceber netamente uma coroa, parte de um afresco da coroação de Nossa Senhora.
Um grande manto vermelho e uma pequena mão fazem pensar na “Madonna della Misericordia”, testemunho da devoção a Nossa Senhora nos tempos medievais.
Em outras cenas, malgrado o estrago irreparável do tempo, podem se distinguir torres e muralhas da Roma medieval, inclusive da praça do Campidoglio, provavelmente feitas entre os anos 1100 e 1300.
O fragmento mais antigo é do século VIII-IX, está no “Tullianum”, e representa a mão de Deus Pai sobre um retângulo branco.
A mão de Deus que conduziu São Pedro e seus sucessores à vitória sobre a Roma pagã é a mesma mão que guia a marcha invicta da Igreja contra todos seus adversários até a consumação dos séculos.
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Restauração arqueológica do “Cárcere de São Pedro” em Roma trouxe revelações além de toda expectativa sobre São Pedro e a antiguidade pagã
O “Carcere Mamertino”, ou “cárcere de São Pedro”, foi a “prisão de Estado” do antigo Império Romano.
Lá ficaram presos antes de morrer reis e potentados da terra derrotados pelas legiões romanas, como Vercingetorix, chefe bárbaro da Gália (França); Jugurta, rei da Numídia; Pôncio rei dos Sannitas e muitos outros.
Porém, esse cárcere ficou mais famoso por ter aprisionado os Apóstolos São Pedro e São Paulo, nos tempos de Nero. São Pedro, notadamente, ali operou milagres históricos.
Local onde ficou impresso o rosto de São Pedro
Entre esses está a impressão miraculosa da testa do Vigário de Cristo numa parede. O cárcere foi cavado numa camada de pedra vulcânica conhecida como ‘tufo’.
Quando São Pedro descia pela estreita escada ainda hoje usada foi brutalmente empurrado pelos algozes e bateu no muro. A pedra amoleceu e parte de seu rosto ficou impresso, e ali pode ser visto e venerado.
Aquela escada era uma autêntica “descida aos infernos” pois do andar inferior habitualmente nunca mais se saía.
Os prisioneiros morriam de frio, fome e doença, ou eram jogados num fosso onde faleciam destroçados.
Naquele antro escuro desapareciam, após serem exibidos como troféus, reis e chefes de Estado inimigos de Roma.
“Dessa maneira, eram abandonados às potências dos infernos, tragados pela terra e cancelados da existência. Não existem outros exemplos comparáveis”, observa a Dra. Patrizia Fortini, arqueóloga da Superintendência para os bens arqueológicos de Roma, que dirige os trabalhos de restauração empreendidos a partir de 1985, segundo noticiou o jornal italiano La Repubblica.
O ambiente é abafado. O teto muito baixo comunica uma sensação apavorante reforçada pelas grades de ferro negro que ainda perduram.
Nesse porão sem janelas, úmido e fétido, São Pedro converteu os carcereiros Processo e Martiniano, posteriormente mártires, e 47 prisioneiros.
Prisão de São Pedro, à esquerda a fonte milagrosa
Não tendo água para batizá-los fez brotar uma fonte do chão. Por fim, São Pedro foi liberto por um anjo.
As correntes que o prendiam hoje são veneradas como relíquias na igreja próxima de San Pietro ai Vincoli (São Pedro das correntes).
Os arqueólogos retiraram diversos pisos modernos e renascentistas e deixaram aparente o chão do tempo que São Pedro passou pela prisão.
Os trabalhos revelaram afrescos dos séculos XII e XIV inteiramente desconhecidos. Também foi possível localizar a comunicação que unia a prisão ao prédio do Senado enfrente ao “cárcere de São Pedro”.
Porém, ainda há mistérios a serem esclarecidos.
Continua no próximo post: Os achados no “cárcere de São Pedro” (2)
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No ano de 1900, um mergulhador resgatou do fundo do Mediterrâneo um aparelho estranho que se encontrava entre muitas obras de arte gregas dos séculos I e II antes de Cristo.
O achado ocorreu na Ilha de Anticitera, na Grécia, tendo sido feito por um simples coletor de esponjas marítimas de nome Elias Stadiatos.
Ele desceu sem equipamento algum, como era costume, e voltou dizendo que tinha encontrado corpos desfeitos, cabeças e braços arrancados, cavalos mutilados.
Julgando-o tonto devido à falta de oxigênio, ou até bêbado, o capitão Dimitrios Kondos desceu até o local.
E voltou dizendo que Elias não só não estava errado, mas que havia muito mais coisas: lançadores de discos, efebos de mármore, estátuas de bronze e ânforas de cerâmica.
Certamente era um tesouro transportado outrora por um navio cujos restos desfeitos ainda podiam ser identificados.
Tratava-se na verdade de um dos mais importantes naufrágios da História. Era um navio que levava um tesouro com joias e esculturas que hoje estão nos museus.
Após estudarem as moedas que faziam parte do tesouro, os arqueólogos calcularam que o navio afundou entre os anos 85 e 60 a. C.
Ele foi um dos maiores da época e não se sabe bem por que naufragou. Talvez devido a uma tempestade, ou por sobrecarga de riquezas.
Reconhecida a riquíssima carga, constatou-se ser o botim de guerra que o cônsul romano Lúcio Cornélio Sila havia amealhado dos atenienses na Primeira Guerra Mitridática (88 a.C. – 84 a.C.).
Naquela guerra, que opôs Roma ao famoso Mitrídates VI, rei do Ponto, Sila invadiu a Grécia e saqueou Atenas, que era aliada de Mitrídates.
O botim provavelmente devia ser exibido num desfile triunfal do imperador Júlio César, mas o mar resolveu ficar com ele.
As obras de arte, ânforas e outros objetos resgatados foram para o Museu Arqueológico Nacional de Atenas.
Uma peça, entretanto, era sumamente intrigante.
Computador de Arquimedes: a peça principal foi a primeira achada
Havia sido catalogada como “item 15.087” e, contrariamente ao resto do tesouro, não se sabia ao certo para que servia. Mas devia ser muito valiosa para estar entre tantos artefatos seletos.
O diretor do Museu de Atenas, Valerios Stais, analisou cuidadosamente aquilo que parecia ser uma máquina.
Pois se tratava de uma peça de bronze calcificado e corroído pela água que exibia incrustados restos de engrenagens.
Novas expedições juntaram fragmentos desse objeto: 82 no total.
Ele deve ter tido 30 centímetros de altura por 15 de largura, e estava composto de várias rodas dentadas superpostas, onde estavam gravados 3.000 caracteres. O todo ficava protegido por uma caixa de madeira.
Acreditava-se que os níveis de precisão e miniaturização do engenho só haviam aparecido cerca de 1.400 anos depois, como nos relógios astronômicos das catedrais, capazes de reproduzir o movimento dos planetas, do Sol e da Lua, e predizer suas fases.
Os investigadores discutiram durante anos o que seria aquela peça. Só concordaram em que era um aparelho pequeno, leve e portátil.
À procura de uma pista, os arqueólogos recorreram às bibliotecas. E identificaram alusões inquietantes, que acabaram sendo esclarecedoras.
Encontraram que Arquimedes (287 a.C. – 212 a.C.), o maior matemático e inventor da Antiguidade, escrevera um manual com o título: Sobre a construção de máquinas de astronomia.
Também o filósofo e político Marco Túlio Cícero (106 a.C. – 43 a.C.), em seu tratado De republica, descreve engenhos que podiam calcular os eclipses em função de outros movimentos dos astros.
Ele também menciona que no ano 212 a. C., o cônsul romano Marco Claudio Marcelo (268 a.C. – 208 a.C.) conquistou Siracusa (Sicília). E dali trouxe um objeto fascinante feito por Arquimedes.
Documentário do History Channel:
Tudo apontava na direção do “item 15.087”, que os cientistas começaram a chamar de “mecanismo de Anticitera”, local da descoberta, e parecia ter relação com o aparelho roubado em Siracusa. Ele talvez fosse uma versão mais aperfeiçoada do invento de Arquimedes.
De 1951 até 1983, o físico inglês Derek de Solla Price tirou muitas radiografias das peças enferrujadas e reconstituiu o mecanismo.
Segundo ele, o modelo mostrava a posição do Sol e da Lua no zodíaco e apontava as datas para as colheitas.
A descoberta de Solla Price foi ouvida com desconfiança: parecia algo moderno demais, até desprestigiante para a ciência da computação moderna.
Mas Michael Wright, especialista em engenharia mecânica do Museu da Ciência de Londres, obteve tomografias irrefutáveis com tecnologia 3D.
O mecanismo reproduzia com exatidão os movimentos do céu, as fases lunares, e apontava as festividades religiosas.
Wright construiu uma nova réplica usando as mesmas ferramentas dos gregos, e demonstrou que se tratava de um computador mecânico.
“Tu introduzes uma série de dados e ele te devolve outros relacionados”, explicou num documentário do History Channel.
Computador de Arquimedes (réplica): muitas de suas funcionalidades ainda não foram descobertas
Eis a surpresa: os antigos antes de Cristo já tinham concebido e construído o primeiro computador da História.
O consenso científico hodierno concorda em que o “mecanismo de Anticitera” ou “computador de Arquimedes” era um planetário portátil que era movido com uma manivela lateral e mostrava a posição presente e futura do Sol, da Lua e dos cinco planetas então conhecidos: Marte, Júpiter, Vênus, Saturno e Mercúrio.
Tinha detalhes extremamente refinados: a agulha da Lua acelerava e desacelerava ritmicamente, copiando a órbita real.
Outra agulha lembrava ao usuário que este devia fazer retroceder um dia em cada 76 anos, o hiper-preciso calendário.
No início do III milênio o “computador de Arquimedes” ainda continha segredos a revelar.
Um consórcio de astrônomos e historiadores liderados pelo matemático inglês Tony Freeth lançou o Antikythera Mechanism Research Project.
Um fabricante de tomógrafos aceitou criar um com potência suficiente para penetrar em todos os níveis do equipamento enferrujado retirado do fundo do mar.
Não foi pouca coisa. Pois o singular tomógrafo pesa oito toneladas e foi levado em caminhão de Londres até Atenas.
O esforço foi bem compensado: o tomógrafo produziu uma série de imagens em alta resolução e em 3D.
O mecanismo ainda conservava 27 engrenagens, talvez a metade dos originais, concentrados em sete centímetros.
“Foi como ver um mundo novo”, comenta Freeth no documentário The 2000 year-old computer (“O computador de dois mil anos”) documentário especial da BBC.
Com base nas tomografias e técnicas especiais para detectar antigos traços de pintura, Feeh identificou as letras gregas que a corrosão do mar havia apagado.
Documentário da BBC:
As letras formavam frases: “a cor é negra”, “a cor é vermelho-sangue”. Isso confirmava que o aparelho também predizia eclipses solares e lunares.
Freeth também verificou que uma espécie de relógio embutido anunciava a data dos jogos pan-helênicos, que incluíam gladiadores.
O relógio dava maior destaque aos Jogos Ístmicos, celebrados em Corinto. Os investigadores descobriram também que o calendário concordava com o da colônia grega de Siracusa.
Então, a mão inspiradora ou inventora de Arquimedes tornou-se ainda mais patente.
Desde 2008, outra equipe, sustentada pela Universidade Puget Sound de Tacoma e pela Fundação Fulbright, e liderada pelos cientistas James Evans e Christián Carman, descobriu que a escala do zodíaco não estava dividida em partes iguais.
A agulha que representava o Sol demorava mais em algumas das zonas, acelerava e desacelerava acompanhando o ritmo da Lua.
As reconstituições tentam compreender como e para o que
pode ter sido feito na Antiguidade
um mecanismo que se acreditava exclusivo da Era Contemporânea
Procura-se saber o uso que lhe era dado.
“O mais provável é que fosse uma espécie de computador. Se queres saber quando será o próximo eclipse, bastava girar a manivela até sair a predição. Se queres saber onde estava Marte no dia em que nasceste, basta girar o calendário até o dia de teu nascimento e ficarás sabendo”, disse Christián ao jornal “Clarin” de Buenos Aires.
Christián estudou as imagens gravadas na face posterior do mecanismo e descobriu os eclipses ordenados num ciclo que se repetia a cada 47 meses.
Tratava-se só dos eclipses no hemisfério norte, o único que os gregos podiam observar.
Os cientistas queriam saber a data em que foi feito o “computador de Arquimedes”.
Por sua parte, os epigrafistas, ou especialistas em inscrições antigas, dataram as inscrições entre o ano 250 a.C. e o 50 a.C., um espectro de tempo assaz grande que incluía dez eclipses.
Com base nos estudos de Alexander Jones, que estabeleceram a velocidade lunar de alguns eclipses, Christián descartou nove dos dez possíveis.
Só uma hipótese ficou de pé: o primeiro eclipse do mecanismo aconteceu no dia 25 de junho de 205 a. C., às 15.35, hora local de Atenas.
Portanto, o calendário de Anticitera começou a funcionar em agosto ou setembro do ano 216 antes de Cristo, quando Arquimedes ainda estava vivo.
Apesar da precisão deste dado, ainda há outras variáveis para serem decifradas, sugeridas por engrenagens cuja finalidade ainda não foi identificada.
Christián observou o fascínio que produz um instrumento que passou 2.000 anos no fundo do mar.
De fato, o reaparecimento do engenho aponta que muitas coisas de que a modernidade se ufana foram, na realidade, inventadas há milênios, sem dinheiro nem maquinarias complicadas, mas apenas contemplando com sabedoria natural a ordem posta por Deus no Universo criado.
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Um dos fenômenos mais específicos da vida religiosa é o da conversão interior, espiritual, que para ser autêntica e sincera só pode acontecer pela graça de Deus.
É precisamente por causa disto que a conversão religiosa não é suscetível de uma explicação das ciências físicas.
Os tentativos de dar uma explicação por vias psicológicas que deliberadamente abstraem do fator divino jamais produziram algo convincente ou concludente.
Tal vez a conversão do hebreu banqueiro Afonso Ratisbonne seja uma das mais rumorosas dos últimos séculos.
Seu caso é digno de especial análise pois foi acompanhado muito de perto por várias pessoas qualificadas para descrevê-la.
É para compreender essa ação de Deus nas almas que reproduzimos a continuação a longa descrição desse caso histórico, tirada do blog "Luzes de Esperança".
Um jovem judeu, de uma família de banqueiros de Estrasburgo, de notável projeção social pelas riquezas e pelo parentesco com os banqueiros Rothschild, pelo meio-dia do dia 20 de janeiro de 1842, andava despreocupado, na aparência, por uma rua do centro histórico de Roma.
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Há mais de 430 anos que o mundo se rege pelo calendário “gregoriano”, uma das maiores conquista da civilização.
O nome de “gregoriano” vem do Papa Gregório XIII, que no século foi o príncipe italiano Ugo Buoncompagni, eleito como o 225º Papa da Igreja.
Gregório XIII decidiu adotar o novo calendário para substituir o antigo, conhecido como “Juliano”, que se utilizava desde o ano 46 a.C., tempos do imperador romano Júlio César.
Foi um contributo, e não dos menores, da Igreja Católica para a boa ordem da sociedade e das atividades humanas.
Também para a ciência, pois todo fenômeno científico se mede no tempo e no espaço.
Se a regra de medição do tempo falhar, os resultados ficam incertos e o conhecimento não pode progredir sobre eles.
O Calendário Juliano era muito inexato e acumulava uma severa distorção.
Nós estamos acostumados à ordem plácida e imperturbável do calendário gregoriano.
Torre dei Venti. No fundo: cúpula da Basilica de São Pedro.
E não fazemos ideia da confusão em que vivem os povos que se regem por outros sistemas, em geral inexatos e por vezes esdrúxulos.
A decisão da Igreja não foi arbitrária, mas fruto de consciencioso e demorado estudo.
Para atingir o objetivo visado, o Papa Gregório XIII mandou construir uma torre de 73 metros de altura, na qual se realizaram os testes e as medições definitivas.
Essa torre, a mais alta do Vaticano, só superada pela cúpula da Basílica de São Pedro, é conhecida como Torre dos Ventos e está situada muito perto da capela Sistina.
Na Sala do Meridiano dessa torre realizaram-se as experiências astronômicas. Embora fechada ao público, a sala foi aberta para uma reportagem do diário madrilense “El Mundo” e alguns outros jornalistas.
No chão da sala encontra-se a linha meridiana horizontal traçada pelo frade dominicano Pe. Ignazio Danti OP, matemático e astrônomo, cosmógrafo pontifício e membro da comissão para a reforma do Calendário Juliano, presidida pelo cardeal Sirleto.
O Pe. Danti fez um pequeno furo na parede sul da sala, a cinco metros de altura.
Experimento chave: o raio de sol deve bater exatamente no meridiano
Por aquele orifício, ao meio-dia entra um raio de sol. A Torre está decorada com magníficos afrescos de Nicolò Circignani (1520-1597), apelidado Pomarancio, representando episódios bíblicos relacionados com os ventos.
E o orifício foi feito para coincidir com a boca de um anjo que sopra.
Por sua vez, o anjo faz parte de um afresco que pinta Nosso Senhor Jesus Cristo na nau de Pedro agitada pela tempestade, no Mar da Galileia.
Gregório XIII subiu à Torre dos Ventos em 21 de março de 1581, dia do Equinócio de primavera, segundo o Calendário Juliano então em vigor.
Mas o raio de sol que filtrava pela boca do anjo não atingiu o meridiano no chão. Ele apresentou um erro de 60 centímetros.
Isso significava que, quando o Calendário Juliano dizia ser 21 de março, equinócio de primavera, na realidade não era. Ficou provado que havia discrepância entre o calendário em vigor, feito pelos homens, e o calendário astronômico ditado pelos astros. O equinócio de primavera acontecera dez dias antes.
O Papa não hesitou. Em 24 de fevereiro de 1582 promulgou a bula 'Inter Gravissimas', dispondo que o cômputo oficial daria um pulo, e que o dia 4 de outubro de 1582 passaria a ser 15 de outubro do mesmo ano.
Além do mais, estabeleceu que os anos terminados em 00 só serão bissextos se forem múltiplos de 400. Assim, 1700, 1800 e 1900 não foram anos bissextos, mas 2000 foi.
No canto superior direito: o orifício por onde entra a luz.
Nicolò Circignani (1520-1597) 'Pomarancio', na Torre dei Venti, Vaticano
O novo calendário entrou imediatamente em vigor na Itália, França, Espanha, Portugal, Polônia, Luxemburgo e outros países católicos.
Hoje ele é adotado pela quase totalidade dos países do mundo.
Mas os cismas – autodenominados igrejas ortodoxas – da Rússia, Servia e Jerusalém continuam se guiando pelo velho Calendário Juliano.
Por isso eles celebram 13 dias depois do resto do mundo festividades religiosas fundamentais como o Natal, comemorando-o não em 25 de dezembro, mas em 7 de janeiro. E a disparidade tende a crescer.
Essa singularidade, fruto da desobediência a Roma, faz também com que os cismáticos deixem de acompanhar os ritmos da natureza.
Mas desligar-se da natureza parece pouca coisa se comparado com o rompimento com o Vigário de Cristo, que é o máximo mal.
Os muçulmanos adotaram um calendário lunar que é fonte de inúmeras disputas entre eles, não se pondo de acordo nem para as grandes festas do Alcorão como o Ramadã.
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No ano do segundo milênio do nascimento do Apóstolo das Gentes, o grande São Paulo, ficou confirmada a localização do túmulo do apóstolo martirizado em Roma.
Os restos de São Paulo foram venerados continuadamente durante séculos sob o altar papal da basílica de São Paulo extramuros (San Paolo fuori le mura, Roma).
Seu martírio ocorreu, porém, no local da atual abadia das Três Fontes.
Em tempos pagãos, nesse local havia um pântano. Quando os imperadores queriam fazer “desaparecer” um cristão sem chamar a atenção, o levavam lá para martirizá-lo.
São Paulo morreu decapitado. Sua cabeça foi posta sobre uma coluna e na hora tremenda do martírio caiu dando três tombos. No local de cada tombo abriu-se uma fonte.
Na Idade Média foi erigida uma abadia beneditina que existe até hoje, sendo visitada pelos peregrinos. É a Abbazia delle Tre Fontane.
Na Renascença foi erigida riquíssima igreja sobre as três fontes. Há um magnífico altar sobre cada uma delas. (foto embaixo)
O famoso Coliseu de Roma, cujas ruínas relativamente conservadas são visitadas por milhões de turistas todos os anos, foi em seu esplendor um estádio de espetáculos cruéis.
Sobressai na memória dos homens a lembrança gloriosa dos mártires cristãos que eram levados à arena sob o olhar lúbrico e sádico dos imperadores e de uma massa de pagãos ávidos de sangue.
Naquele momento supremo lhes era proposta a péssima opção: ou recusavam a Jesus Cristo queimando incenso aos deuses e salvando assim suas vidas, ou seriam entregues às feras.
Essas feras eram de diversas espécies, cada uma conhecida pelo seu modo de matar e devorar as vítimas.
Outras vezes era a luta de gladiadores contra animais ferozes, espetáculo especialmente sanguinário.
E por fim as lutas entre gladiadores, que terminavam não raro com a morte.
Calcula-se que em poucos séculos foram empregadas algumas dezenas de milhares de animais selvagens nesses espetáculos perversos.
Chegou-se a falar que a arena do Coliseu estava tingida pelo sangue de mártires, gladiadores e animais.
Nas profundezas da selva do Cambodge surge uma vasta cidade religiosa de vistosa concepção arquitetônica, recoberta de baixos-relevos e estátuas de tipo iniciático, em geral lascivas ou monstruosas, fazendo alusão a divindades infernais.
Trata-se de Angkor Wat, ou Cidade do Templo, construída pelo rei Suryavarman II no início do século XII. A cidade incluía o templo central e a capital do Estado, tendo-se tornado o centro político e religioso do império khmer, ou cambodgeano.
O centro dessa cidade de 200 hectares era rodeado por um muro e um lago perimetral de 3,6 km de comprimento por 200 metros de largura.
A cidade e a área circunvizinha agora foi vasculhada com um avançado sistema de raios laser operado por cientistas da Universidade de Sidney, Austrália.
Prosseguimos com a transcrição da entrevista ao Pe. Domenico Santangini, pároco da igreja do Sagrado Coração do Sufrágio e curador do Museu das Almas do Purgatório:
– Jornalista : Entendemos, portanto, qual é a diferença entre a evocação, portanto o espiritismo, dos defuntos, e a simples oração e a veneração. Mas voltemos ao Purgatório. Este local que pela sua natureza é uma realidade ultraterrena, deixou sua marca e é uma marca muitíssimo tangível. Olhemos.
– Pe. Domenico Santangini: Aqui, em 1895, não havia nada, apenas uma capela em volta; não havia nada.
Em 1897 houve um incêndio fortuito e, quando o incêndio foi apagado, uma imagem misteriosa ficou impressa na parede da capela.(foto ao lado)
Agora lhe faço ver exatamente o original. É a imagem de um homem que sofre, pelo que o Pe. Victor Jouët (N.T.: 1839-1912, missionário do Sagrado Coração, de Issoudun, França), capelão que cuidava desta igrejinha e devoto das almas do Purgatório, entendeu:
“Este é um sinal dessas almas que querem uma igreja dedicada às suas intenções”.
Então, quando a notícia se espalhou pela região, segundo as crônicas, houve um afluxo de gente durante oito dias, de milhares de pessoas para verem este fenômeno.
Então, o Pe. Jouët teve a ideia de construir neste local uma igreja dedicada ao Sagrado Coração do Sufrágio. Quer dizer, do sufrágio das almas do Purgatório.
Igreja do Sagrado Coração do Sufrágio, rosácea e órgão
E o Pe. Jouët era um engenheiro que se tornara padre. O que é que ele fez?
Fez a planta de uma igreja gótica, porque a área era reduzida. Encomendou trabalhos para poder erigir esta igreja. Mas não havia recursos.
Pediu ajuda ao Papa, e então o Papa Leão XIII aprovou e deu uma ajuda.
Mas ele próprio foi na França ver sua família em Marselha, que era uma família de posses, e ali recebeu também ajudas. E assim o prédio da igreja foi subindo.
Durante esta construção, que durou até 1912, como ele era devoto das almas do Purgatório, foi viajando pela Europa para buscar testemunhos que dissessem a verdade sobre o grande mistério do Purgatório.
– Jornalista: Não somente esta imagem é custodiada como prova da existência do Purgatório. Há outras que constituem verdadeiras provas. Esta história é de tal maneira incrível que ficou decidido dar vida ao único Museu do Purgatório do mundo.
– Pe. Domenico Santangini: Entramos no pequeno Museu do Purgatório. Mostrar-lhes-emos todos os testemunhos reunidos pelo Pe. Jouët, o fundador desta igreja e deste museu.
Esta é a foto reproduzindo a imagem misteriosa da capela, que foi ampliada, e mostra o olhar de um homem complicado com o pecado.
Avental de Sóror Margarida Maria Herendorps,
beneditina de Winnenberg, Alemanha.
Esta imagem é posterior ao incêndio de 1897.
Ela dá uma clara impressão e faz entender o que é uma alma em pena, uma alma que sofre o afastamento de Deus.
Estamos diante do 4º testemunho, que nos faz ver um fac-símile fotográfico de uma marca de fogo deixada no avental de Sóror Margarida Maria Herendorps, religiosa do mosteiro beneditino de Winnenberg, na Alemanha.
Aqui temos a mão da Irmã [N.T.: Clara Schoelers], que morreu de peste em 1637.
Embaixo temos a marca deixada pela mesma freira sobre uma faixa de pano azul.
Depois passamos para a foto número 5 (na foto: 7d).
É uma fotografia da marca deixada pela defunta senhora Leleux, que nos fala disto: o filho teve a visão da mãe, falecida 27 anos antes.
Marca deixada pela defunta senhora Leleux
na camisa do filho
E este homem ficou atormentado por muitas dúvidas a ponto de ficar doente.
E a mãe lhe apareceu e lembrou a este jovem a obrigação de ir a Missa aos domingos e de trabalhar um pouco pela igreja.
Como prova disso, pôs-lhe a mão sobre a camisa, deixando esta marca visibilíssima e pediu-lhe para voltar a ser um bom cristão.
A imagem nº 8 (embaixo) nos apresenta a marca deixada sobre um livro que pertenceu a Margarida Demmerlé, da paróquia de Ellinghen.
A defunta aparecia com as vestimentas da região.
Descia pela escada do celeiro gemendo e olhando com tristeza para a nora, como pedindo alguma coisa.
Margarida Demmerlé, numa aparição subsequente, lhe dirigiu a palavra e obteve esta resposta:
“Eu sou tua sogra, falecida de parto há 30 anos. Vai em peregrinação ao santuário de Nossa Senhora de Mariental e ali faz celebrar duas Santas Missas por mim”.
Depois da peregrinação, a aparição se mostrou de novo para anunciar a Margarida sua libertação do Purgatório.
Uma das 3 marcas deixadas pelo abade Panzini.
E a nora, por conselho do pároco, lhe pediu um sinal.
Pousando a mão sobre a “Imitação de Cristo”, deixou então o sinal da queimadura, e depois não apareceu mais.
Aqui temos a marca nº 6. Marca de fogo deixada por um dedo da religiosa Sóror Maria de São Luiz Gonzaga entre o 5 e 6 de junho de 1894.
A relação do fato conta como a referida Sóror Maria, que sofria de tuberculose havia dois anos, com fortes febres, tosse, asma e hemoptise, ficou vítima de desencorajamento e, portanto com vontade de morrer para não sofrer mais.
Mas, como era muito fervorosa, submeteu-se com calma à vontade de Deus.
Alguns dias depois, em 5 de junho 1894, expirou santamente e apareceu entre 5 e 6 de junho vestida como Clarissa, mas reconhecível.
A Sóror Margarita, que estava admirada, explicou que estava no Purgatório para expiar seu movimento de impaciência diante da vontade de Deus.
Uma das 3 marcas deixadas pelo abade Panzini.
Pediu orações e sufrágios e, para atestar a realidade de sua aparição, pôs o dedo índice sobre a fronha do travesseiro e prometeu voltar.
Apareceu à mesma religiosa entre 20 e 25 de junho, para agradecer à Irmã e dar avisos espirituais à comunidade antes de voar para o Céu. Muito belo.
Marca sobre uma tabuleta antiga onde se escrevia [N.T.: deixada por frei Panzini, ex-abade da Ordem Beneditina Olivetana, em Mantova, no dia 1º de novembro de 1731].
A marca 7a é de uma mão esquerda na tabuleta sobre a qual escrevia a venerável Madre Abadessa [N.T.: Madre Isabella Fornari, Abadessa das Clarissas do mosteiro de São Francisco em Todi, Itália].
A segunda é da mesma mão esquerda sobre uma folha de papel e a outra é da mão direita sobre a manga da túnica.
Portanto, são três marcas de mão – duas da esquerda, é claro – para indicar a todos a importância e por que a freira queria deixar um testemunho de sua presença.
Pedindo sempre, como muitas outras almas, orações pela sua alma.
Já o dissemos: são imagens, são testemunhos de uma realidade – a do Purgatório – fundamental para nós.
Devemos procurar verdadeiramente ter uma devoção profundíssima pelas santas almas do Purgatório.
São Lourenço libera almas do Purgatório. Lorenzo di Nicolò
Rezar por elas, fazer rezar Missas por elas, porque é o único modo de liberá-las dos sofrimentos do Purgatório. Sofrimento devido ao afastamento do Senhor.
Porque se nós fazemos entrar no Paraíso uma só alma do Purgatório, esta alma, uma vez dentro do Paraíso, terá para conosco um movimento de gratidão pelo dom recebido.
Eis por que resulta muito espontâneo crer na Comunhão dos Santos: os santos do Paraíso, os santos do Purgatório e nós aqui na Terra, Igreja militante que estamos caminhando rumo ao Paraíso e, infelizmente com frequência, passamos pelo Purgatório”.
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
Indo à Basílica de São Pedro pelo Lungotevere – a avenida que bordeja o histórico rio Tibre – o romeiro é surpreso por uma bonita igreja que tem o imponderável de conter algo muito singular.
Não é só o fato de seu estilo neogótico evocar a França e destoar do distendido conjunto arquitetônico romano.
Luminosa, delicada, esguia, sorridente, mas infelizmente fechada boa parte do dia, a igreja do Sagrado Coração do Sufrágio fica a dois quarteirões de Castel Sant’Angelo e da Via dela Conciliazione, que leva direto ao Vaticano.
Perguntei a amigos romanos o que havia nessa igrejinha.
Eles me explicaram – não sem antes me prevenirem de não me espantar – que lá havia um Museu das Almas do Purgatório.
Quer dizer, uma coleção de sinais do além deixados por essas almas, que na maioria das vezes apareceram ardendo internamente a parentes ou irmãos de religião.
A igreja com destaque à direita, no centro Castel Sant'Angelo,
à esquerda sai a Via della Conciliazione rumo a São Pedro
Sempre pedindo orações para saírem do Purgatório, onde pagavam penas devidas a seus pecados e irem para o Céu.
Quando achei o horário certo, ingressei pela igrejinha do Sagrado Coração do Sufrágio naquele inédito museu.
Nele os objetos estão expostos dentro de quadros protegidos por vidros, encostados uns aos outros por causa da exiguidade da sala.
Talvez seja o menor museu do mundo. E, entretanto, pode-se dizer que o tema ao qual se dedica é mais transcendente que o de muitos museus mais ricos e famosos.
Na época, lamentei as parcas informações fornecidas numa simples folha para uso geral dos visitantes. Mas, ainda assim, os testemunhos do além muito me impressionaram.
Interior da igreja
A importância do Museu evidenciou-se ainda mais com a entrevista realizada há pouco por uma TV italiana com o pároco da igreja, o Pe. Domenico Santangini.
Como ela foi feita em italiano, transcrevi todas suas palavras para o português e apresentando-as aqui.
Os singulares objetos que fazem parte do Museu – roupas, madeiras e outros objetos queimados com formas de mãos e outras pelas almas em fogo – merecem serem estudados pela ciência.
Como católicos nada tememos sobre as verdades de Fé envolvidas no caso.
O Purgatório não foi objeto de uma definição solene ex-cathedra, mas são inúmeros os ensinamentos revelados contidos nas Escrituras e não é lícito duvidar de sua existência.
No centro do altar mor, o Sagrado Coração de Jesus recebe as orações
de Nossa Senhora e São José.
Embaixo, as almas do Purgatório se voltam para o anjo e Nossa Senhora
enquanto o sacerdote oferece a Missa pelas almas que purgam.
Se os teólogos discutem sobre ele, é apenas sobre seu lugar e outras circunstâncias que não mudam o fato essencial: o Purgatório existe e por ele devem passar as almas destinadas ao Céu, mas que devem pagar penas por faltas cometidas na Terra.
Diz-se até que a grande Santa Teresa de Jesus teria passado pelo Purgatório para fazer uma genuflexão que não fez certa vez ao atravessar uma capela...
Como sói acontecer, estudos científicos poderiam fornecer detalhes materiais que contribuiriam para compreendermos melhor a realidade desse lugar do além, o qual não está tão longe de nós como poderíamos achar.
Em consequência, nós nos sentiríamos mais convidados a rezar pelas almas que nele estão – quem garante que também nós não poderemos estaremos um dia? – e fazermos uma meditação sobre o destino final de nossa existência.
“Pensa nos teus novíssimos e não pecarás eternamente” (Eclo 7, 40) – ensinam as Escrituras.
Aliás, o caso desse museu não é o único sobre o qual as ciências não se debruçam.
Mas é algo muito concreto, material: as provas estão gravadas com fogo em panos, folhas, livros e móveis que a gente vê com os próprios olhos e que nos abre uma janela para uma imensa realidade.
Eis a transcrição da entrevista do pároco e curador do Museu do Purgatório:
Pe. Domenico Santangini, pároco do Sagrado Coração do Sufrágio, Roma: É certo que o Purgatório existe, embora não seja uma verdade de fé absoluta como o Inferno e o Paraíso. Porém, para a Igreja, é uma realidade autêntica, verdadeira.
Muitos, infelizmente, fingem não acreditar ou não acreditam de fato, por motivos pessoais. Para nós existe.
Como? Por quê?
Porque o homem é pecador e, enquanto tal, para chegar ao Senhor tem necessidade de purificação. E esta passagem das almas boas é obrigatória, uma passagem para ter uma alma limpíssima.
É lógico que o Purgatório é uma passagem para o Paraíso, não pode ser para o Inferno. Porque o Inferno é uma condenação absoluta e imediata.
Nossa Senhora do Carmo resgata almas do Purgatório.
Brooklyn Museum, escola de Cuzco, Peru
Portanto, procuremos descobrir a importância do Purgatório e de rezar muito pelas almas do Purgatório.
Porque, uma vez que estas almas entram no Paraíso, elas podem interceder por nós que estamos aqui embaixo.
Portanto, caros amigos, caríssimos fiéis, permanecei tranquilos e serenos. O Purgatório é uma grande verdade, uma grande realidade que não podemos deixar de reconhecer.
Quando falamos do além, falamos das almas do Purgatório.
Certamente podemos falar do Inferno.
Mas, não cabe a nós estabelecer quem está no Inferno ou no Purgatório. Só o Padre Eterno sabe, por isso nós cristãos de boa fé, quando encomendamos uma Missa pelos defuntos, a encomendamos pelas almas do Purgatório.
As almas santas podem se fazer sentir, “se apresentar” a nós, de muitas maneiras.
Poder ser num sonho, pode ser num elemento exterior, pode ser uma intuição, pode ser algumas vezes uma aparição.
Assim como temos nesta paróquia, existem testemunhos que põem em evidência como as almas do Purgatório pedem a nós, vivos, orações ou Santas Missas para que elas possam ser liberadas dos sofrimentos do Purgatório.
Por que o Purgatório é sofrimento? Por quê? É sofrimento porque ainda não chegaram a Deus. É o sofrimento da separação de Deus. Esta separação cessa quando entram no Paraíso.
Quem pratica o espiritismo não faz outra coisa senão evocar a alma dos mortos, mas, se respondem, esses mortos querem dizer que estão no Inferno.
Porque as almas que estão no Purgatório, embora distantes do Senhor, não se prestam ao nosso jogo humano de evocação, enquanto que as almas do inferno, que já são almas perdidas, como verdadeiros diabos então respondem, para poder atrair outras almas para onde elas estão.
Portanto, o espiritismo é exatamente o oposto da oração ou da aparição dessas almas aos vivos. É exatamente o oposto.
Altar pelas almas do Purgatório. Igreja de São Francisco, Pontevedra, Espanha
O bom cristão não pode não acreditar no Purgatório. Porque se ele não crê no Purgatório não é um verdadeiro cristão, transforma-se quase num pagão. Sim, um pagão.
Jesus nos disse muitas vezes no Evangelho que, no Fim do Mundo, Ele levará ao Paraíso as almas dos justos que dormem o sono da paz. Os levará ao Paraíso. Então, quer dizer que existe esta passagem.
Lógico, há santos que talvez vão direto ao Paraíso. Mas muitas almas, por faltas mais ou menos graves, passam pelo Purgatório.
Mas o espiritismo é uma coisa nefasta, e os cristãos que vão consultar esses charlatões cometem pecado grave, gravíssimo.
Jornalista : E fazer encomendas é pecado?
Pe. Domenico Santangini: É pior ainda. É pior ainda. Por favor, não façam essas coisas. Porque é o demônio que responde, e de fato toma conta da vossa alma.
O demônio é velhaco, velhaquíssimo. Devemos verdadeiramente evitar ir, e dizer aos outros para não fazê-lo – a nossos parentes, amigos –porque, de outro modo, podem comprometer sua alma.
Quando dizemos que alguém vende a alma ao demônio é através dessa via, desse espiritismo, dessas evocações.
O Purgatório e seu Museu em Roma (legendado em português)