segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Manuscritos do Mar Morto prenunciam o cristianismo

O profeta Elias e o patriarca Henoc que estariam vivos num local ignoto aguardando a ordem para descer à Terra e combater contra o Anticristo. Elias e "os filhos do profeta" podem ter parte na origem dos essênios. Ícone do século XVII. Museu Histórico de Sanok, Polônia
O profeta Elias e o patriarca Henoc que estariam vivos num local ignoto
aguardando a ordem para descer à Terra e combater contra o Anticristo.
Elias e “os filhos do profeta” podem ter parte na origem dos essênios.
Ícone do século XVII. Museu Histórico de Sanok, Polônia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Desde o 26 de setembro de 2011,  puderam passar a ser ser consultados os primeiros manuscritos do Mar Morto digitalizados, informou o jornal de Paris "Le Monde".

Por sua vez, a editora de Paris Editions du Cerf empreendeu há poucos anos a publicação da totalidade dos 900 manuscritos do Mar Morto, ou Qumran, transcritos para o francês.

Os primeiros volumes da “Biblioteca de Qumran” já apareceram, informou o diário suíço “Le Temps”.

Por sua parte, o Conselho de Antiguidades de Israel, custodio dos precisos documentos já tinha anunciado em agosto de 2008 o projeto de disponibilizar para download na internet as fotografias digitalizadas destes valiosíssimos Manuscritos.

O projeto levará anos para ser completado.

Os primeiros documentos online já podem ser consultados no site The Digital Dead Sea Scrolls  (em inglês) promovido pelo Museu de Israel.

Poucas descobertas arqueológicas criaram tanto interesse e controvérsia.

Os documentos desenterrados desde 1947 incluem mais de 900 rolos, e muitos fragmentos, hebraicos, aramaicos e gregos.

Eles pertencem essencialmente ao período que vai do ano 250 a. C. até a metade do século I.

Especialista digital mostra diferenças nas fotos de fragmentos do Manuscrito do Mar MortoO biblista francês André Paul, um dos diretores da iniciativa sustenta que é preciso rever muitas afirmações sobre esses manuscritos.

Segundo ele, não se trataria apenas ou essencialmente de textos da seita dos essênios, como se acreditou nos últimos 50 anos.

Antes bem, de acordo com as novas hipóteses, os documentos refletem as diversas correntes de pensamento, por vezes antagônicas, que trabalhavam a sociedade hebraica do tempo.

Em qualquer hipótese, diz Paul, neles pode se apalpar o cristianismo em gestação.

Na edição francesa mencionada, os documentos foram classificados em três grupos:

1º) “bíblicos”, pois estão presentes na Bíblia (23% do total);

2º) relativos à Tora (correspondente ao Pentateuco, ou cinco primeiros livros do Antigo Testamento) e aos Profetas (75%). Neles estão incluídos alguns textos célebres de Qumran como a “Regra da comunidade”, a “Instrução sobre os dois Espíritos” e a “Regra da guerra dos filhos da luz e dos filhos das trevas”.

3º) um grupo muito minoritário constituído de escritos de dimensão mística e/ou gnóstica.

André Paul publicou também um livro (“Qumrân et les esséniens ‒ L'éclatement d'un dogme”, Cerf, Paris) destinado ao grande público.

Qumran, rolo com salmosNele defende que o judaísmo rabínico formado após a destruição do Templo de Jerusalém em 70 d.C. já pode ser discernido nos textos de Qumran.

Sobre os essênios, ele defende que não há rastros nos documentos do Mar Morto, nem mesmo nos escritos gnósticos que, segundo ele, provêm de um veio místico ligado à Cabala. Teses que por certo darão muita matéria para discussão.

Historiadores do século I d.C., como Plinio o Velho, Philon de Alexandria e Flavio Josefo descreveram a existência de ascetas do deserto.

Plinio o Velho supunha que habitassem no oeste do Mar Morto.

No século XIX o escritor anti-católico Ernest Renan na sua “Vida de Jesus”, defendeu sem provas que o cristianismo era a vitória da seita essênia.

Voltaire, filósofo revolucionário anticristão também soltou uma analogia entre essênios e cristãos sem prova alguma, como era habitual nos seus deboches da religião.

Qumran, a região dos documentos enterrados
Local onde foram feitas as descobertas
Nos anos 134 a 63 a. C., no local teria havido uma cidadela fortificada, e um centro produtor de vasos de argila.

Nos manuscritos registra-se a expectativa pela vinda do Redentor, i. é, Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Ele é imaginado com três grandes representações:

1) a do Messias de Israel, figura régia e guerreira;
2) como Sacerdote supremo;
3) como um personagem de funções celestes.

Jesus Cristo, de fato, foi acolhido como o Messias régio, e após a sua Morte e Ressurreição como o Sumo Sacerdote. Sua Morte e Ressurreição provam sua divindade celeste e ser Rei do Universo.

André Paul levanta muitos outros problemas a partir de analogias e/ou oposições entre os textos de Qumran e o ensino da Igreja, patenteando o quanto Nosso Senhor cumprira as expectativas suscitadas pelas promessas bíblicas e os anúncios dos profetas.

Também, os textos mostram diferenças entre o judaísmo vetero-testamentário e a Boa Nova trazida pelo Salvador.