Escritor, jornalista,
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política internacional,
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Em diversos posts abordamos as descobertas de arqueólogos e especialistas diversos dos túmulos de Santos Apóstolos que puderam ser identificados de acordo com os critérios das ciências.
Essas informações suscitam o desejo de saber, numa visão de conjunto, onde estão todos os sagrados restos dos 12 Apóstolos.
Em alguns casos, seu lugar de repouso e veneração está averiguado. Em outros, os arqueólogos trabalham afincadamente para encontrar uma luz que seja definitiva sobre o local de descanso de algum dos Apóstolos.
Já o tem feito com certeza científica em bom número deles, e continuam a se aproximarem de uma certeza análoga nos demais casos.
Nosso Senhor Jesus Cristo os enviou os Apóstolos para pregar a todas as nações, e muitos deles morreram martirizados em locais longínquos e suas relíquias atravessaram por muitas vicissitudes.
De ali que achamos interessante apresentar uma visão panorâmica sobre onde estão enterradas agora essas preciosas relíquias e o grau de certeza histórico-científica delas.
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Junto ao Mar da Galileia, também conhecido como Lago Tiberíades ou Kinneret, as ruínas de Betsaida voltaram a ver a luz.
A cidade é bem conhecida dos católicos, pois os Evangelhos nos falam muitas vezes dela.
Trata-se da cidade onde nasceram e moravam os apóstolos Pedro, André e Felipe, que eram pescadores, e na qual pregou Nosso Senhor.
Ela foi destruída como profetizou Nosso Senhor.
Sobre suas ruínas os romanos construíram outra, em estilo pagão, chamada Julias, também desaparecida.
Betsaida não fica longe de Nazaré onde se instalou a Sagrada Família. Portanto, não fica longe do Mar da Galileia.
Em Nazaré Jesus passou a maior parte de sua vida oculta, exceto o Nascimento em Belém e a fuga para o Egito.
Por isso, o povo se referia a Ele dizendo: “É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia” (São Mateus 21, 11)
Nosso Senhor iniciou sua pregação na Judeia e em Jerusalém que fica mais ao sul.
Mas Ele teve que abandonar Jerusalém, capital de seu antepassado, o rei Davi, pois corria risco de morrer, devido ao ódio dos fariseus e do Sinédrio.
Limitou então sua divina ação ao norte do atual Israel – então parte do antigo reino de Israel – onde o ódio assassino do Sinédrio teria mais dificuldade de atentar contra Ele.
Jesus pregou demoradamente na região do Mar da Galileia e lá operou alguns de seus maiores e mais conhecidos milagres, como na Boda de Canaã, a pesca milagrosa, a multiplicação dos pães e peixes.
Ele curou, exorcizou, andou sobre as águas desse mar, ensinou o Pai-Nosso e pregou numerosas parábolas, além de pronunciar o “Sermão da Montanha”.
Tendo sabido Jesus que o rei Herodes Antipas mandara degolar São João Batista, seu primo e precursor, afastou-se para repousar na solidão, não longe do Mar da Galileia.
Ali fez o milagre da multiplicação dos cinco pães e dos dois peixes. Foi o primeiro de dois semelhantes, também referido como “alimentando os 5.000” (em Mateus 14:13-21, Marcos 6:31-44, Lucas 9:10-17 e João 6:5-15), ou como “milagre dos cinco pães e dois peixes”:
“13. A essa notícia, Jesus partiu dali numa barca para se retirar a um lugar deserto, mas o povo soube e a multidão das cidades o seguiu a pé.
“14. Quando desembarcou, vendo Jesus essa numerosa multidão, moveu-se de compaixão para ela e curou seus doentes.
O milagre da multiplicação dos cinco pães e dos dois peixes.
Jacopo Tintoretto (1518/19–1594), Metropolitan Museum of Art, New York
“15. Caía a tarde. Agrupados em volta dele, os discípulos disseram-lhe: Este lugar é deserto e a hora é avançada. Despede esta gente para que vá comprar víveres na aldeia.
“16. Jesus, porém, respondeu: Não é necessário: dai-lhe vós mesmos de comer.
“17. Mas, disseram eles, nós não temos aqui mais que cinco pães e dois peixes.
“18. Trazei-mos, disse-lhes ele.
“19. Mandou, então, a multidão assentar-se na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos seus discípulos, que os distribuíram ao povo.
“20. Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios.
“21. Ora, os convivas foram aproximadamente cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças.”
(São Mateus 14, 13-21)
Jesus continuou pregando na região até que, sentindo que os tempos tinham chegado, voltou para Jerusalém.
Ele sabia que ia cumprir o supremo holocausto para a Redenção dos homens:
“17. Subindo para Jerusalém, durante o caminho, Jesus tomou à parte os Doze e disse-lhes:
“18. Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte.
“19. E o entregarão aos pagãos para ser exposto às suas zombarias, açoitado e crucificado; mas ao terceiro dia ressuscitará.” (São Mateus, 20, 17-19)
No fim de sua vida pública, Jesus Cristo desceu até Jerusalém.
Então Ele fez uma entrada triunfal na capital de Davi e Salomão, que é comemorada no Domingo de Ramos. Vendo isso, o Sinédrio tramou sua morte.
A Paixão transcorreu muito rapidamente. Na sexta-feira da mesma semana, o Sinédrio já tinha conseguido completar a conspiração e Lhe havia dado Morte no alto do Calvário.
Porém, Jesus ressuscitou. E logo após a Ressurreição, encaminhou-se para a única região que O tolerava: a Galileia.
Quando apareceu a Santa Maria Madalena “e à outra Maria” junto ao Santo Sepulcro “disse-lhes Jesus: ‘Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galileia, pois é lá que eles me verão’” (São Mateus 28, 10)
Betsaida: casa dos três Apóstolos na praia de Kinneret. Crédito: Zachary Wong.
Entretanto, após a Ascensão aos Céus, Betsaida teve um fim tremendo.
A cidade, juntamente com Cafarnaum e Corazim, foi amaldiçoada por Jesus, que predisse a completa destruição das três durante seu ministério na Galileia.
No Evangelho de Mateus, Jesus lança três “ais” contra as três cidades (Corazim, Betsaida e Cafarnaum), por não terem feito penitência, nem mesmo após os grandes milagres que Ele realizou nelas.
E até as increpou, dizendo que no Dia do Juízo haverá menos rigor para os habitantes das cidades pagãs de Tiro, Sidônia e Sodoma que para os dessas três cidades judaicas.
21. Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e a cinza.
22. Por isso vos digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Tiro e para Sidônia que para vós!
23. E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu? Não! Serás atirada até o inferno! Porque, se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia.
24. Por isso te digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Sodoma do que para ti! (Mt 11:20-24)
Pelos anos 30/31 ela foi toda reformada como cidade greco-romana pelo rei judeu Filipe, o Tetrarca.
Esse rei de costumes paganizados lhe trocou o nome para Julias, em louvor da mulher do imperador Augusto, segundo o historiador judeu contemporâneo Flavio Josefo, referido pelo jornal francês “Le Figaro”.
Restos da cidade romana de Julias construída sobre Betsaida amaldiçoada por Nosso Senhor
A nova cidade acabou sendo arrasada na Grande Revolta Judaica contra Roma, iniciada no ano 67 e terminada desastrosamente em 70.
O historiador Flavio Josefo (Vida 399-403) diz ter sido ferido em combate perto das muralhas de Julias, citado pelo jornal israelense “Haaretz”.
Hoje, os arqueólogos que foram à procura dos restos dessas cidades afirmam ter encontrado suas ruínas.
“Achamos o que parece ser a cidade dos três apóstolos, onde Jesus multiplicou os pães e os peixes”, declarou à Agência Efe o arqueólogo Mordejai Aviam, do israelense Kinneret College, que escava o local há três anos.
O lugar coincide com o Novo Testamento e hoje constitui a Reserva Natural do Vale de Betsaida.
Junto com sua equipe de mais de 25 arqueólogos e voluntários, Aviam tinha descoberto no local uma capa do período das Cruzadas, uma feitoria de açúcar do século XIII, um mosteiro e provavelmente uma igreja.
Escavando ainda mais, eles encontraram objetos da cidade greco-romana enterrados dois metros abaixo.
“Existem moedas, cerâmica, um mosaico, paredes e umas termas de estilo romano, o que nos leva a crer que não se tratava simplesmente de um povoado, mas de uma grande cidade romana”, explicou Aviam.
O Dr. Mordejai Aviam que dirigiu os trabalhos.
Aviam tem certeza de que os objetos descobertos provam ser esse o local do milagre da multiplicação dos cinco pães e dois peixes, afastando outras teorias arqueológicas que imaginam o grande evento evangélico em outros pontos da Galileia.
Para Aviam, a identificação de um banho público, como era costume greco-romano, “atesta a existência de uma cultura urbana”, citou o “Haaretz”.
O local exato mais provável é chamado Tabgha (Sete Fontes) que se encontra na costa norte do Mar da Galileia, na estrada que sai de Cafarnaum.
Ali há uma igreja beneditina onde está a pedra sobre a qual Jesus teria operado o “milagre dos cinco pães e dois peixes”.
A “pedra da multiplicação” é grande e irregular, e era venerada numa capela destruída pelos muçulmanos mas foi recuperada em 1930.
Nas escavações apareceu um mosaico com um cesto, peixes e pães. Uma grande igreja desaparecida teria sido também encontrada.
É o que fazem pensar paredes com ricos vidros dourados formando um mosaico, sinal de uma igreja abastada e importante.
Willibald, bispo de Eichstätt, na Baviera, que visitou a Terra Santa em 725, descreve sua visita a uma igreja em Betsaida, construída sobre a casa de São Pedro e Santo André, acrescentou o “Haaretz”.
Hoje as ruínas de Betsaida saem à luz testemunhando a maravilhosa pregação de Nosso Senhor e alguns de seus mais portentosos milagres.
Mas, também, do tremendo abandono em que incorreu até desaparecer de todo por ter recusado os apelos divinos à penitência e à conversão.
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Em 2010 foram descobertos os retratos mais antigos dos Apóstolos São Pedro, São Paulo, São João e Santo André.
Eles estavam numa catacumba recuperada sob um moderno prédio de uma empresa de seguros em Roma.
As imagens datam da segunda metade do século IV e decoram o teto do túmulo de uma aristocrática dama cristã ligado à catacumba de Santa Tecla.
Eles vinham sendo trabalhados pelos restauradores com técnicas laser para queimar acumulações sedimentares seculares de sais e desvendar os originais em todo seu esplendor.
Os rostos dos Apóstolos aparecem em medalhões nos quatro cantos da sala principal.
Eles fazem parte de um conjunto pictórico mais vasto que rodeia uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo apresentado como o Bom Pastor, que foi sendo revelado em fases sucessivas.
“Estas são as primeiras imagens dos Apóstolos”, anunciou Fabrizio Bisconti, superintendente das catacumbas, por indicação da Comissão Pontifícia para a Arqueologia Sagrada, citado por Fox News.
As cores predominantes são o ocre, o preto, o verde e o amarelo.
As catacumbas contêm algumas das primeiríssimas provas do culto e devoção aos Apóstolos no nascente cristianismo, explicaram representantes do Vaticano.
No centro, Jesus como o Bom Pastor, nos ângulos os Apóstolos Pedro, Paulo, João e André
Barbara Mazzei, responsável pelo trabalho de restauração, disse que todas as descrições anteriores de São Pedro e São Paulo se encontravam em narrações escritas.
Mas agora temos seus rostos fixados nos quatro cantos da pintura do teto da sala subterrânea, num posicionamento devocional por natureza.
Por isso são os mais antigos ícones religiosos conhecidos até o presente, noticiou oportunamente o jornal “The Dallas Morning News”.
Barbara Mazzei explicou que, em atenção ao ano de São Paulo, comemorado em 2009, foi anunciada primeiramente a descoberta da pintura do Apóstolo das Gentes.
Porém, os especialistas sabiam que uma crosta de carbonato de cálcio cobria mais imagens e que poderiam ser apresentadas a público somente após completar sofisticadas tarefas de limpeza.
Santo André
Por fim, o momento do extraordinário anúncio chegou.
Apresentando as imagens aos jornalistas, monsenhor Giovanni Carru disse que as catacumbas “são um testemunho eloquente do Cristianismo em suas origens”.
A sala sepulcral da nobre romana católica passou a ser denominada “Cubículo dos Apóstolos” devido aos afrescos ali descobertos.
Já os especialistas a chamam de “O Colégio dos Apóstolos”, representado em torno do Bom Pastor.
Fabrizio Bisconti explicou que nas pinturas das catacumbas pode se contemplar “a gênese, as sementes da iconografia cristã”, desde o simples peixe usado para simbolizar a Cristo até o próprio Cristo ressuscitando a Lázaro.
“Esse foi o tempo em que o culto dos Apóstolos estava nascendo e se desenvolvendo” e a arte das catacumbas não pintava somente os mártires ou cenas bíblicas.
Na mesma sala há afrescos representando o profeta Daniel na cova dos leões, os três Reis Magos entregando presentes ao Menino Jesus, o sacrifício de Isaac por Abraão.
Numa outra parede está representada a nobre dama que teria mandado fazer as pinturas, ornada com joias, véu e um “estilo de penteado de cabelo”, símbolo de categoria social elevada na antiga Roma, acrescentou Bisconti.
São Pedro
Mazzei contou que quando os restauradores ingressaram na câmera mortuária em 2008, todas as paredes apareciam inteiramente brancas, cobertas pela crosta de carbonato de cálcio com 4 a 5 cm de espessura.
O Vaticano, entretanto, possuía documentos atestando que no local havia pinturas nas paredes e isso impulsionou a procura.
No passado os restauradores teriam usado bisturis e escovas de aço para remover a crosta branca, mas havia o perigo de danificar as pinturas procuradas.
O uso do laser resolveu o problema.
Temia-se, porém, que a umidade ambiente e a falta de ar pudesse prejudicar o uso da nova tecnologia.
Os pesquisadores tiveram que avançar cautelosamente, fazendo da iniciativa um “laboratório experimental” do aproveitamento do laser em condições extremas adversas.
São João
A descoberta veio além do mais confirmar que a devoção aos Santos representados em imagens é própria do cristianismo original, devoção desenvolvida nas catacumbas e depois nas igrejas a céu aberto.
Ficou desprovida de fundamento a alegação feita por iconoclastas orientais, muçulmanos, protestantes e “modernistas” hodiernos, segundo a qual o uso e o culto de imagens não correspondem ao cristianismo autêntico e original.
Segundo essas versões anticatólicas e anti-históricas, o culto das imagens seria uma deturpação.
Tal perversão do culto, dizem eles, aconteceu quando os primeiros cristãos saíram das catacumbas e passaram a imitar os cultos pagãos que idolatravam esculturas de pedra, madeira ou pinturas antropomórficas.
O culto das imagens corresponde bem à Igreja desde seus primórdios, sendo merecedor de encômio no espírito da doutrina tradicional bimilenar do Catolicismo.
As catacumbas de Santa Tecla não estão abertas ao público em geral, mas pode se pedir autorização na referida comissão vaticana para visitas em grupo, guiadas por especialistas.
Vídeo: Vaticano apresenta as imagens mais antigas dos Apóstolos
Descubiertos los retratos más antiguos de San Juan, San Andrés y San Pablo (espanhol)
The oldest portraits of Sts. Andrew, John and Paul discovered (inglês)