quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Quem foram os Reis Magos?

'A viagem dos Magos' (1894), James Jacques-Joseph Tissot (1836-1902). Brooklyn Museum, New York City.
'A viagem dos Magos' (1894), James Jacques-Joseph Tissot (1836-1902).
Brooklyn Museum, New York City.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém. A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da Internet.

O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”. 

Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.

“Canônico” deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia. Este catálogo está definitivamente encerrado e não sofrerá mais modificação.

Há uma série de argumentos profundos que justificam esta sábia decisão da Igreja.

Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé.

Por isso mesmo, o Vaticano conserva a maior coleção mundial desses “apócrifos”, e os põe à disposição dos críticos de todas as religiões que queiram estudá-los.

A Igreja não tem medo de que possa sair qualquer coisa que desdoure a integridade e a santidade da Bíblia. Antes bem, deseja ardentemente encontrar qualquer dado que possa ajudar a melhor compreendê-la.

O apócrifo “A Revelação dos Magos” aparenta ser um relato de primeira mão da viagem dos Reis do Oriente para homenagear o Filho de Deus.

Reis Magos, Nicolás de Verdun (1130 – 1205).
Urna dos Reis Magos na catedral de Colônia
Só recentemente foi traduzido do siríaco antigo.

O mérito é do Dr. Brent Landau, professor de Estudos Religiosos da Universidade de Oklahoma, EUA, que dedicou dois anos para decifrar o frágil manuscrito.

Trata-se de uma cópia feita no século VIII a partir de algum original perdido que, por sua vez, fora transcrito meio milênio antes.

Portanto, a fonte original desse apócrifo dos Reis Magos remonta a menos de um século depois do Evangelho de São Mateus.

O documento levanta questões em extremo interessantes:

Quem foram ao certo, os Reis Magos?

Foram três?

Quais eram seus nomes?

De onde vieram?

Por quê?


Vejamos primeiro o que nos diz a única fonte digna de fé religiosa, o Evangelho de São Mateus:

“1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
“2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
“3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
“4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
“5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
“6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).
“7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
“8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
“9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
“10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
“11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
“12. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.” (São Mateus, cap. 2, 1ss)

Três Reis Magos, mosaico em San Apollinare Nuovo, Ravenna, Itália.
No muro da igreja, concluida em 569, lê-se os nomes dos três.
Apresentados com gorros frígios (chapéu originário da Ásia Menor.
No Irã era atributo do deus Mitra).
A narração de São Mateus contém tudo o que é necessário para a Fé.

Mas com o beneplácito e a aprovação da Igreja a piedade popular acrescentou muitos outros pormenores, que foram transmitidos por tradição oral e que são aceitos sem contestação.

O que diz a Tradição sobre seu número, condição, proveniência e destino?

É aqui que entra o papel do grande São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra.

São Beda é uma das máximas autoridades dos primeiros tempos da Idade Média pelo fato de ter recolhido relatos transmitidos oralmente pelos Apóstolos aos seus sucessores, e destes aos continuadores.

São Beda é também considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador. Sua História Eclesiástica do Povo Inglês (Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum) lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa.

No tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele:
“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus.
“Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio.
“E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
Três Magos adoram o Menino Jesus.
Sarcófago romano dos primeiros tempos do cristianismo, Museu Vaticano.
É, pois, São Beda quem por primeira vez escreveu o nome dos três. Nomes com significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades.

Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, Gaspar significa “aquele que vai inspecionar” e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.

Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes.

Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.

Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis.

Gaspar ofereceu-Lhe incenso (ou olíbano), em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes.

Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, veem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade.

Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda a humanidade.

Em coerência com essa visão, a exegese católica interpreta a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de Davi:

“Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. 11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11) (P.S.: na numeração das traduções direto do hebraico, é o Sl. 72, 10-11).

Alguns especularam que talvez pelo menos um deles veio da terra de Shir (não identificada nos mapas modernos), na antiga China.

Em livro – escrito a título pessoal, portanto não sendo documento do magistério eclesiástico – Joseph Ratzinger (S.S.Bento XVI) comenta que “a promessa contida nestes textos [N.R.: Salmo 72,10] estende a proveniência destes homens até ao extremo Ocidente (Tarsis, Tartessos em Espanha), mas a tradição desenvolveu posteriormente este anúncio da universalidade aos reinos de que eram soberanos, como reis dos três continentes então conhecidos: África, Ásia e Europa”, segundo informou “Religión Digital” de Espanha.


A amplidão do leque de possibilidades geográficas fica patente neste comentário.

Tarsis ou Tartessos ficaria na Andaluzia, Espanha, especificamente em “algum lugar compreendido entre Cádiz, Huelva e Sevilha”. 

Segundo o “ABC” de Madri, os sevilhanos acham que se Melquior, Gaspar e Baltasar fossem andaluzes teriam se manifestado mais alegremente, teriam cantado “sevilhanas” e levado pandeiros.

A reação popular suscita um amável sorriso.

O que foi depois dos Reis Magos?

Reis Magos. Representam todas as raças. Andrea Mantegna (1431-1506). J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
Reis Magos. Representam todas as raças.
Andrea Mantegna (1431-1506). J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
De acordo com uma tradição acolhida por São João Crisóstomo, Padre da Igreja, os três Reis Magos foram posteriormente batizados pelo Apóstolo São Tomé e trabalharam muito pela expansão da Fé (Patrologia Grega, LVI, 644).

A fama de santidade dos Reis Magos chega até os nossos dias.

Seus restos são venerados na nave central da Catedral de Colônia, Alemanha, em magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes.

As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas a Constantinopla, capital do Império Romano de Oriente.

Depois foram transferidas a outra capital imperial no Ocidente – Milão –, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).

Por que eram "Magos"?

O nome “mago” era sinônimo de “sábio”. O tratamento dado a eles como grandes eruditos, prudentes e judiciosos, provinha do fato de os sacerdotes da Caldeia serem muito voltados para a consideração dos astros com uma sabedoria que surpreende até hoje.

A eles devemos o início da ciência astronômica.

Sem dúvida, seu caráter de “magos”, reconhecido pelo Evangelho de São Mateus, aponta para a área da civilização caldeia (cujo epicentro foi no atual Iraque, mas incluiu diversos países vizinhos, entre eles o Irã).

Com a decadência moral, os “magos” caldeus viraram uma espécie de bruxos, divulgadores de toda espécie de superstições.

Os Três Reis Magos teriam sido os últimos sacerdotes honrados daquele mundo pagão que aspiravam sinceramente conhecer o Salvador.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia.
Neste caso, foram exemplos arquetípicos do pagão de boa-fé que deseja conhecer a verdadeira religião, e que assim que a encontra adere a ela sem demoras nem restrições.

Foram "Reis"?

Discute-se também em que sentido podem ser chamados de “Reis”, pois não se lhes conhece a procedência e menos ainda a localização do reino.

Porém, na Antiguidade, os patriarcas, ou chefes de grandes clãs, ou grupos étnico-culturais, governavam com poderes próprios de um rei, sem terem esse título ou equivalente. E seu reinado se concentrava sobre sua hoste, por vezes nômade.

São João Damasceno não recusava que eles fossem descendentes de Set, terceiro filho de Adão.

E este pormenor nos leva de volta ao “apócrifo” do Vaticano.

A estrela que os guiou

O referido manuscrito estava na Biblioteca Vaticana havia pelo menos 250 anos, mas não se sabe mais nada de sua proveniência.

Está escrito em siríaco, língua falada pelos primeiros cristãos da Síria e ainda hoje, bem como do Iraque e do Irã.

O Prof. Landau acredita que no apócrifo entra muita imaginação. Mas, há uma muito longa descrição das supostas práticas, culto e rituais dos Reis Magos.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha.
Feitos, pois, os devidos descontos no apócrifo, lemos nele que Set, terceiro filho de Adão, transmitiu uma profecia, talvez recebida de seu pai, de que uma estrela apareceria para sinalizar o nascimento de Deus encarnado num homem.

Prêmio a uma fidelidade de séculos

Gerações de Magos teriam aguardado durante milênios até a estrela aparecer, confiantes no aviso de Set.

Mistérios da fidelidade! Milênios aguardando, gerações morrendo na esperança e transmitindo aos filhos o anúncio de um dia remoto em que o mundo receberia o Salvador!

Segundo o Prof. Landau, o apócrifo diz que a estrela no fim “transformou-se num pequeno ser luminoso de forma humana que foi Cristo, na gruta de Belém”.

A afirmação não é procedente se a interpretarmos ao pé da letra. Mas, levando em conta o estilo altamente poético do Oriente, poderíamos supor que o brilho da estrela de Belém convergiu no Menino Jesus e desapareceu.

E, de fato, depois de encontrar o Menino Deus, os Magos não mais viram a estrela.

Alertados por um anjo, voltaram por outro caminho às suas terras, como ensina o Evangelho de São Mateus, que não mais menciona a estrela no retorno.

Anúncio dos profetas e juízo de Padres e Doutores da Igreja

Adoração dos Magos, Gentile da Fabriano (1370-1427). Galleria degli Uffizi, Florença
Adoração dos Magos, Gentile da Fabriano (1370-1427). Galleria degli Uffizi, Florença
A festa da adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus recebeu o nome de Epifania do Senhor. Epifania vem do grego: πιφάνεια que significa “aparição; fenômeno miraculoso”.

A festa se comemora no dia 6 de janeiro, ou seja, doze dias após o Natal, ou 2 domingos após o Natal, dependendo do calendário litúrgico usado.

“Andaram as gentes na tua luz e os reis no esplendor do teu nascimento”, profetizou Isaías (Is 60, 3).

E São Tomás de Aquino explica: ‘Os Magos foram as primícias dos gentios que acreditaram em Cristo. E neles se manifestou, como um presságio, a fé e a devoção das gentes que vieram a Cristo das mais remotas regiões’.

Santo Agostinho sublinha que eles procuraram com fé mais ardente Àquele que punham de manifesto o clarão da estrela e a autoridade das profecias.

São João Crisóstomo completa dizendo: “porque buscavam um Rei celeste, embora nada descobrissem nele denotador da excelência real, contudo, satisfeitos só com o testemunho da estrela, adoraram-no”.

Veja também: Dado essencial: houve o fenômeno astronômico denominado “estrela de Belém”

Astrônomo defende com computador a existência da estrela de Belém


quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Feliz Natal e Bom Ano Novo!




Vídeo Natal 2021. Comentários de Plinio Corrêa de Oliveira:
Jesus se faz pequenino para nós podermos adorá-lo

Clique na foto para ver:




Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Por que se faz a “Missa do Galo” na noite de Natal?

Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da meia-noite, na véspera do Natal.

A expressão vem da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer outro, anunciando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como o galo anuncia o nascer do sol e seu canto preludia o amanhecer, assim também a “Missa do Galo” comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que, clareando a escuridão do pecado, veio nos remir.

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé proclamada no auge das trevas.

Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.

A celebração é feita à meia-noite porque o nascimento ocorreu por volta dessa hora. A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século V pelo Papa Xisto III na então nova basílica de Santa Maria Maior, onde são hoje veneradas as relíquias do Santo Presépio, conservadas em artístico relicário.

Nos primórdios da Igreja, os cristãos se encontravam para rezar na cidade de Belém à hora do primeiro canto do galo. Com a expansão da Igreja, na vigília do Natal os fiéis se reuniam na igreja mais próxima e passavam a noite rezando e cantando.

Em algumas aldeias espanholas era costume os camponeses levarem um galo à igreja para que ele cantasse na missa.

A igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e tochas. As paredes eram revestidas com panos e tapetes. O templo era perfumado com alecrim, rosmaninho e murta.

Desde o início desta devoção a véspera de Natal é suave e nobremente jubilosa. Por isso é chamada de Noite Santa. Seus cânticos são festivos, como o tradicional Glória litúrgico.

Adoração do Menino Jesus no fim da Missa do Galo, igreja do Oratório, Londres
Adoração do Menino Jesus no fim da Missa do Galo, igreja do Oratório, Londres
Segundo uma tradição católica muito generalizada, os fiéis iam acendendo uma vela a mais em cada semana do Advento, ou período de quatro domingos antes do Natal.

Elas já estavam todas acesas na “Missa do Galo”, solenemente celebrada e na qual a comunhão era oferecida pelo nascimento do Messias.

Em Roma, o Papa deve conduzir pessoalmente a celebração, pois ele é sucessor de Pedro, o Apóstolo designado pelo próprio Jesus para primeiro monarca da Igreja (Mt 16,18).

O Natal é uma das raríssimas datas litúrgicas que contemplam três Missas diferentes: a da noite, a da aurora e a do dia.

Segundo São Gregório Magno, a Missa da noite, ou “do Galoin galli cantu (à hora em que o galo canta) comemora a vinda de Jesus à Terra; a Missa da aurora, celebrada logo depois, comemora o nascimento de Jesus no coração dos fiéis; a Missa do dia, ou Missa de Natal propriamente dita, evoca o nascimento do Verbo de Deus.

A Missa começava com um cântico natalício. No momento do “Gloria in excelsis Deo”, as campainhas tocavam para assinalar o nascimento do Redentor. No fim da celebração, todos iam oscular o Menino. Em algumas Igrejas, o presépio permanecia coberto até o momento do cântico.

De início jejuava-se durante a vigília, como forma de desprendimento e convite à contemplação do grande mistério que vai se celebrar. Comia-se apenas peixe — e em Portugal bacalhau, costume que ainda perdura em muitos lares brasileiros.

Depois que se aboliu o jejum, o povo continuou a chamar a ceia de Natal de “consoada”, embora esta tenha passado a ser mais abundante. “Consoada” significa pequena refeição e surgiu no século XVII. Era feita após a “Missa do Galo”.

Os fiéis chegando para a 'Missa do Galo' (Clarence Gagnon,1933)
Os fiéis chegando para a 'Missa do Galo' (Clarence Gagnon,1933)
Até a revolução “pós-conciliar”, após a “Missa do Galo” as famílias voltavam para suas casas, colocavam a imagem do Menino Jesus no Presépio, cantavam e rezavam em seu louvor, faziam a Ceia de Natal e trocavam presentes.

O nome “Missa do Galo” usa-se apenas em português e espanhol. Na maior parte do mundo chama-se simplesmente Missa da noite de Natal ou Missa da meia-noite.

Na Espanha havia uma tradição peculiar: “Antes de baterem as 12 badaladas da meia-noite de 24 de dezembro, cada lavrador da província de Toledo matava um galo, em memória daquele que cantou três vezes, quando Pedro negou Jesus, por ocasião da sua morte”.

Em seguida, a “ave era levada para a igreja e oferecida aos pobres”, informa a agência católica Ecclesia.

Apesar do laicismo moderno e da escalada do ateísmo materialista, nessa abençoada noite as catedrais de Paris, Londres, Barcelona e muitas outras se enchem, para acompanhar os coros que cantam as santas alegrias do Natal iminente... até o galo cantar anunciando a Boa Nova!



"Stille Nacht, Heilige Nacht" (Noite silenciosa, noite santa, Alemanha)




"Il est né le Divin Enfant" (Nasceu o Divino Menino, França)




"Gabriel, fram Heven-King" (Gabriel anunciou o Rei do Céu, Inglaterra)





"Pastores loquebantur" (Os pastores falavam, Daniel Bollius)





"Adeste fideles" (Vinde, fiéis, Daniel tradicional)





"Canta ruiseñor" (Canta rouxinol, Peru, tradicional)





"O du fröhliche, o du seliche" (O você feliz, oh você mesmo, Alemanha)





"Dormi Jesu dulcissime" (Dorme, oh meu docíssimo Jesus, Pal Esterhazy, Áustria)






segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

As relíquias de Belém no mundo

Relicário com os madeiros da manjedoura, Santa Maria Maggiore, Roma
Relicário com os madeiros da manjedoura, Santa Maria Maggiore, Roma
Luis Dufaur
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Neste Natal serão veneradas preciosas relíquias da Gruta de Belém que se preservam até hoje após mais de 2.000 anos do grande evento que mudou a História da humanidade.

O presépio e o feno


Na imponente Basílica Romana de Santa Maria Maior o Papa Sisto III criou em 432, uma réplica da gruta de Belém, e a basílica romana foi rebatizada de Santa Maria ad praesepem (Santa Maria do Presépio).

Nessa réplica se veneram as cinco ripas de madeira da Sagrada Cuna custodiadas num solene relicário de cristal e ouro. Também há um resto da palha de feno do presépio que pertenceu aos Reis da Espanha e que a doaram à Basílica.

Essa gruta ficou tão famosa que os cruzados e peregrinos que voltavam da Terra Santa lhe ofereciam as relíquias do portal que trouxeram da Terra Santa.

Em 1370, o Papa Gregório XI colocou as relíquias num precioso relicário, que foi roubado pelas tropas revolucionárias de Napoleão que ocuparam a Cidade Santa nos anos 1798-99. Mas os democráticos invasores só olharam para o valor do saque, e levaram o relicário descartando as relíquias.

Uma duquesa deu um donativo substancial para esculpir o atual relicário. Cfr. “El Mundo”.

O enxoval do Menino Jesus


Fios do enxoval (brancos) do Menino Jesus na catedral de Lleida, Espanha
Fios do enxoval (brancos) do Menino Jesus na catedral de Lleida, Espanha

Na mesma basílica de Santa Maria também dita Maggiore além disso se conserva o panniculum, um pedaço do pano que a Virgem usou para envolver o Divino Menino.

Essa relíquia tem o tamanho de uma mão, mas na igreja de San Marcello al Corso, na Via del Corso (antiga Via Lata), são venerados mais pedaços das fraldas do Menino Jesus.

A mais famosa relíquia do enxoval sagrado é conformada por três fios que estão na cidade espanhola de Lérida.

A relíquia – o “Santo Pañal” – é famosa pelos milagres feitos como curar as doenças de quem a colocava na cabeça e foi até imune ao fogo.

Enxoval do Menino Jesus. Foto anterior ao furto pelos comunistas
Enxoval do Menino Jesus. Foto anterior ao furto pelos comunistas
Essa relíquia foi levada de Jerusalém a Túnis, onde foi resgatada pelo comerciante Arnau de Solsona, que a doou para a catedral de Lérida em 1297.

Durante a Guerra Civil ficou depositada no Banco da Espanha, mas desapareceu levado por um militante socialista-comunista da Esquerda Republicana, segundo o registro do banco.

Dessa relíquia ficaram só dois fios que estavam na cidade de Lérida e um terceiro em Escalona del Prado, província de Segóvia, doado pelo rei Leopoldo da Bélgica. Cfr. “El Mundo”.

O “leite da Virgem”


Desde antigos tempos os peregrinos observaram que as pedras de calcáreo branco da Gruta exerciam um efeito curativo, especialmente nas complicações ligadas à maternidade e ao aleitamento.

Os peregrinos trouxeram como um tesouro fragmentos dessas pedras brancas que ficaram chamadas “leite da Virgem” ou “relíquias do santo leite da Virgem” às quais se atribuíam numerosos milagres e eram veneradas solenemente.

A gruta de Belém ficou conhecida então como “Gruta do Leite”. Cfr. Wikipedia, verbete “Reliques de la Grotte du Lait”

Cruz relicário do 'Santo Leite',igreja de Saint-HIlaire em Orval, Cher, França
Obviamente não era leite materno, mas as pedras foram levadas em grande número a Europa onde foram conservadas com honra e até expostas à veneração em relicários em numerosas igrejas e palácios.

Relíquias da 'Gruta do Leite', Belém
Relíquias da 'Gruta do Leite', Belém
As mais famosas se encontram com os agostinianos de Santa Maria del Popolo em Roma.

Na Espanha há na catedral de Oviedo; na catedral de Murcia e no museu da catedral de Maiorca.

Aquelas que estão guardadas numa ampola relicário na catedral de Murcia se liquidificam todos os anos na festa da Assunção. Cfr. “La Verdad”.

Relíquias dos pastores


Na igreja de São Pedro e São Fernando de Ledesma, província de Salamanca, Espanha, estão os restos mortais dos três pastores Jacobo, Isácio e Josefo que adoraram os primeiros ao Menino Jesus, junto com as suas bolsas e tesouras.

Os pastores mais famosos da história descansam em Ledesma
Os pastores mais famosos da história descansam em Ledesma
Os três morreram no mesmo dia, na madrugada de 25 de dezembro do ano 40.

Eles foram trazidos pelo cavaleiro cruzado Micael Dominiquiz no ano de 1149.

O cruzado as levou para sua cidade Ledesma, onde ficaram ocultas em meio às guerras de Reconquista contra os mouros.

O Papa Inocêncio XI concedeu a uma irmandade o privilégio de salvaguardar esse tesouro. Cfr. “La Gaceta”.

Relíquias dos Reis Magos


A imperatriz Santa Helena, que pesou muito na conversão de seu filho o imperador Constantino, fez muita questão de peregrinar a Terra Santa, aliás com oitenta anos, onde a região estava abandonada e devastada por invasores pagãos.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha.
Ela fez questão de resgatar e levar à capital imperial todas as relíquias ligadas à Paixão, a mais famosa é a Santa Cruz, hoje em Roma na basílica de Santa Croce in Gerusalemme.

Também se empenhou em restaurar todos os locais santificados pelos grandes eventos da Redenção, notadamente o Santo Sepulcro.

Fez parte dessa piedosa tarefa identificar e levar os corpos dos Reis Magos para pô-los a seguro em Milão, então capital imperial.

Mas o impiedoso imperador Frederico Barbarossa (1122 – 1190) em luta contra o Papa roubou o túmulo dos santos Reis e o levou para Colônia querendo transforma-la numa cidade objeto de peregrinação semelhante a Compostela.

Tudo isso visando sua glória pessoal e submeter o Papa e os bispos sob seu jugo.

Barbarossa acabou mal. Afinal sentindo próxima sua perda, se engajou na Terceira Cruzada para recuperar prestigio mas se afogou no rio Saleph, perto do Castelo de Silifke.

Os crâneos dos Três Reis, na urna de Colônia
Os crânios dos Três Reis, na urna de Colônia
Os homens de Frederico trouxeram seu corpo em um barril cheio de vinagre querendo preservá-lo. Mas foi inútil, seus restos ficaram espalhados em diversas cidades do Oriente hoje muçulmano.

Desde então, as relíquias dos Reis Magos estão expostas à veneração popular na catedral de Colônia num maravilhoso relicário de ouro, prata e madeira.

Ele demorou 45 anos para ser entalhado e que ocupa posto eminente na nave central da imensa catedral. Cfr. Quem foram os Reis Magos?

O mosteiro cismático do Monte Athos alega possuir em rico cofre os próprios presentes dos Reis ao Divino Menino. Considerado o inveterado vício dos cismáticos em falsificar relíquias e sua recusa a uma análise científica imparcial, não incluímos nesta lista.

Pedras do portal de Belém


E há mais. Os romeiros também se engenhavam para conseguir uma pedra do chão da gruta abençoada. Por isso, proliferam os santuários e lugares em que há pedaços de pedras do portal de Belém.

No mosteiro de San Juan de la Peña de Santa Cruz de la Serós (Huesca); na catedral de Maiorca (em um de cujos numerosos relicários há um fragmento da manjedoura) e na catedral de Valência, que preserva uma laje inteira do portal.

Hoje o local onde nasceu Jesus está todo recoberto de preciosos mármores e lâmpadas de prata e ouro.

As relíquias dos Santos Inocentes


Relicário com um dos pés de um Santo Inocente, Schweizerisches Landesmuseum
Relicário com um dos pés de um Santo Inocente, Schweizerisches Landesmuseum
Estreitamente conexo com o Natal é a monstruosa matança das crianças recém-nascidas ordenada pelo cruel – e ilegítimo – rei Herodes. 

Os corpos desses santos mártires foram jogados numa cova que hoje faz parte da Basílica da Natividade em Belém. Porém foram misturados indistintamente com os corpos dos católicos massacrados na invasão do império sassânida pagão persa em 614.

Um trabalho científico de discernimento não foi feito, porque o setor se encontra sob o controle da igreja cismática grega. Antes desses eventos históricos, os peregrinos levaram à Europa ossos dos Santos Mártires que se encontram em muitas igrejas.

Se destaca o pé de um deles que foi levado inteiro pelo monge irlandês São Columbano (540 - 615), que o doou à catedral de Basileia. Hoje está no museu Schweizerisches Landesmuseum de Zurich em preciosíssimo relicário que se salvou milagrosamente do ódio iconoclasta protestante. Cfr. “The Cave With the Relics of the Holy Innocents in Bethlehem”

Há ainda outras atribuídas “relíquias” da Gruta de Belém, porém das quais, algumas soam fantasiosas, outras carecem de provas ou de devoção popular continuada durante séculos, ou de aprovação eclesiástica. Preferimos omiti-las ou suprimi-las desta lista. Cfr. “El Mundo”.



segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Adão recebeu de Deus conhecimentos que transmitiu oralmente
e que os egípcios gravaram na pedra. (fim)

Túmulo de Ramsés IV
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post anterior: A revelação de Deus a Adão, os mistérios do Egito e das civilizações desaparecidas (IV)



Os sacerdotes-arquitetos das Pirâmides utilizavam como unidade de medida o côvado sagrado, diferente do côvado comum ou real.

Segundo o Pe. Moreux, é o mesmo côvado dos hebreus. E foram estes que o aportaram ao Egito.
“Não podemos fugir da conclusão, escreve o Pe Moreux, de que antes da ereção da Grande Pirâmide, existia sobre a Terra um povo que possuía esse côvado sagrado e que transmitiu essa medida aos construtores desse monumento único, e aos antecessores do povo de Israel.

“Então voltamos à mesma questão: de onde esse povo desconhecido tirou essa medida à qual as nações modernas serão um dia obrigadas a adotar porque é invariável?”

Há uma enorme semelhança entre a capacidade da Arca da Aliança e a urna da Grande Pirâmide, explica o sacerdote-cientista comparando as proporções das duas.

No coração da Grande Pirâmide:
só uma urna com significados matemáticos
Mas, uma assimilação entre ambas parece grotesca, inverossímil e fantasiosa.

Moisés, que conhecia a ciência dos sacerdotes egípcios, jamais penetrou — como, aliás, ninguém — em Quéops. Ela ficou inviolada até nossa época. A fechadura quebrava ao tentar abri-la.

Há mais: dita capacidade era a mesma do “mar de bronze”, bacia feita por Hirão para o Templo de Salomão.

Trata-se de uma proporção que se repete nos séculos sem que se possa perceber o mecanismo de transmissão.
“Como explicar esses dados metrológicos comuns a esses três grandes personagens: o arquiteto da Grande Pirâmide, Moisés e Salomão: dados que implicavam uma unidade de medida idêntica, igual à dez-milionésima parte do eixo polar da Terra.

“Quer dizer, relações tão profundas e escondidas com os atributos do Globo que uma ciência antiga ainda que avançadíssima, deveria ser incapaz de descobrir?
Adão e Eva no Paraíso, catedral de Saint Edmundsbury, Inglaterra
Adão e Eva no Paraíso,
catedral de São Edmundsbury, Inglaterra
O Pe. Moreux aprofunda diversos episódios bíblicos. E conclui da famosa interpretação do sonho do Faraó sobre as vacas gordas e magras que José possuía uma ciência astronômica acabada.

Por sua parte, o ciclo enunciado pelo profeta Daniel corresponde perfeitamente a duração do ano: 365 dias, 5 horas, 48 minutos, 55 segundos.

Hoje em dia atribuí-se o mesmo valor com uma diferença de poucos segundos.
“Assim, a ciência de que fez prova o profeta hebreu é quase tão desconcertante quanto os feitos incríveis da Grande Pirâmide.

“De um lado, um estudo aprofundado dos movimentos celestes que até atualmente provoca nossa admiração e cujas conclusões só serão redescobertas muito tempo depois;

“De outro um monumento imorredouro que inaugura a era da arquitetura, não com um começo insignificante, destinado a crescer a través dos séculos em forma de progressos lentos e continuados, mas por um impulso inicial de ciência, majestade e excelência incomparáveis, atingindo de uma só vez um ideal que, tal vez, a humanidade jamais superará”.

As Escrituras são o depósito da Revelação primitiva

“Todos os povos não teriam primitivamente se alimentado de uma tradição comum, transmitida primeiramente de modo oral a traves de uma longa série de séculos, e depois afixada de modo irrevogável numa certa época com a ajuda da escritura em cada nação em particular?” 

Esta teoria explicaria as divergências e os pontos de contacto.

Criação de Adão, catedral de Saint Edmundsbury, Inglaterra
Criação de Adão,
catedral de São Edmundsbury, Inglaterra
As narrativas pagãs da Criação elucidam este aspecto, pois contêm notáveis semelhanças com o relato bíblico, mas o deformam misturando-o com deuses, lendas e superstições.

Sinal desta deformação é que só os hebreus usaram a semana de sete dias em que se divide a Criação, argumenta Moreux.
“A origem de nossa semana é bem de ordem religioso e não astronômico.

“Todos os outros povos dividiram seus meses em três partes de dez dias cada uma (...) Entretanto, a tradição popular, sempre lenta para ser destruída, não a tinha esquecido (...)

“Para os Babilônios, por exemplo, os dias 7,14, 21, 28 de cada mês eram considerados nefastos;era preciso nesses dias se abster de certos atos bem definidos (...)."
O tesouro e a fonte dessa tradição primordial se encontra nas Escrituras.
“Como o autor dos Salmos, do Livro de Jô, e o próprio Moisés, puderam, cada um na sua época, perceber o passado de nosso globo?

“Como puderam eles saber o que nossa ciência nos ensina como a coisa mais certa?

“Admitir que eles tivessem adquirido esses conhecimentos por via científica não é defensável; eles não fizeram senão fixar uma tradição que se remontava às primeiras épocas de humanidade, e a prova é que nos encontramos as linhas mestras dessa mesma tradição em todas as cosmogonias dos povos orientais.”
“Sim, quando se lê sem preconceitos o primeiro capítulo do Gênesis, pode se constatar em seu autor uma ciência tão profunda que supera de cem côvados todas as noções dos sábios de sua época, uma ciência ainda mais inexplicável, humanamente, que a dos construtores da Grande Pirâmide e ao mesmo tempo, uma adivinhação incrível dos fatos os mais certos e autênticos revelados pela Ciência.”
O astrônomo Piazzi-Smith, que dedicou uma parte de sua vida às pirâmides, concluiu:
Criação, catedral de Saint Edmundsbury, Inglaterra
A Criação, catedral de São Edmundsbury, Inglaterra
“ou bem os construtores desse monumento único no mundo possuíam uma ciência tão avançada quanto a nossa, coisa que é extravagante e quase incrível, ou bem agindo como guardiões de uma tradição que se remontava às épocas primeiras, quiseram fixar na pedra, dados depositados pela Revelação no espírito do primeiro homem (...)

“assim se explicaria, pensava ele, como se transmitiram de época em época os secretos relativos a dados científicos brutos, por meio de castas privilegiadas.
Tal seria a origem, por meio dos sacerdotes egípcios, do que eu chamei de “ciência misteriosa dos Faraós”.

“Se tudo tivesse acontecido como imaginava Piazzi-Smith, não seria inverossímil acreditar que uma parte pelo menos desta ciência hierática transudou nas inscrições hieroglíficas dessas épocas remotas”, afirma o Pe. Moreux.

O Pe. Théophile Moreux em sua mesa de trabalho
O Pe. Théophile Moreux em sua mesa de trabalho
Por certo, as teses do Pe. Moreux causaram polêmica. E ainda causarão.

Nessa polêmica tal vez haja dados ou considerações a corrigir, retirar ou acrescentar. Não será de espantar, é próprio da ciência.

A crescente precisão das teorias e dos instrumentos científicos vieram a trazer números mais exatos, sem entretanto invalidar os utilizados pelo sacerdote. Antes bem, pela sua proximidade falam bem da seriedade do trabalho do Pe. Moreux.

Mas, não se pode negar que suas posições teológico-histórico-científicas levantam problemas muito importantes.

E levantar indagações e até polêmicas que induzem a novos e sérios estudos e aprofundamentos já é um mérito inconteste nos âmbitos científicos.

(Fonte: Pe. Théophile Moreux, ”La Science Mystérieuse des Pharaons”, Librairie Octave Doin, Gaston Doin éditeur, Paris, 1925, 238pp.)


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

A revelação de Deus a Adão,
os mistérios do Egito e das civilizações desaparecidas (IV)

Busto do faraó Amenhotep IV (do Museu Egípcio, Cairo, exposto em Viena)
Busto do faraó Akhenaton (chamado Amenhotep IV ou Amenófis).
Do Museu Egípcio, Cairo, exposto em Viena.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Continuação do post anterior: Quem revelou os conhecimentos científicos contidos na pirâmide de Quéops? (III)




A óptica dos antigos

As investigações do Pe Moreux nas pirâmides deram resultados inesperados. O método empregado era rigoroso e os resultados sólidos.

Porém, o sacerdote astrônomo, como cientista que põe em sã dúvida os seus próprios achados, perguntava-se se não haveria uma outra explicação possível.

Ele avançou os resultados de seus estudos a colegas especializados em outras faixas do saber. Uma dúvida o assaltava especialmente.

Se os sacerdotes que construíram Quéops, ou Grande Pirâmide, e se tinham um conhecimento tão avançado da esfera celeste, eles em qualquer caso, precisariam de instrumentos de observação para aplicar corretamente o seu saber na hora de erguer o monumento.

Mas, o Pe Moreux não vira indícios da existência desse instrumental. Problema análogo, e tal vez mais cruciante, põe-se a respeito da astronomia dos caldeus, altamente desenvolvida: e os instrumentos de observação?

Por certo, não pode se duvidar que os antigos conhecessem o vidro e a óptica. No seu tratado da Óptica, Ptolomeu inseriu uma Tábua de Refrações cujos números divergem pouco das tábuas modernas.

Estátuas da Caldéia, British Museum
Estátuas da Caldéia, British Museum, Londres
No Cabinet des Médailles, em Paris, existe um selo que contém 15 figuras gravadas numa superfície circular de 7 milímetros, não sendo visíveis a olho nu.

Cícero fala de uma Ilíada de Homero escrita num pergaminho leve que cabia numa casca de noz. Plinio, o historiador, menciona uma escultura em marfim representando uma quadriga “que uma mosca encobria com suas asas”.

As lupas de Cartago e Nínive

A conclusão dos cientistas é que ao menos na Grécia e Roma, conhecia-se a propriedade amplificadora das lupas e a técnicas para fabricá-las.

Em 1905, o Pe. Moreux foi designado pelo governo francês para estudar um eclipse total de Sol, visível desde Sfax, Tunísia. Ele aproveitou a ocasião para visitar um museu mantido pelos Padres Brancos e dirigido pelo Pe. Delattre.

Pirâmides na cidade real de Meroe, Sudão
Pirâmides na cidade real de Meroe, Sudão
Diante de camafeus minúsculos da antiga Cartago, o Pe. Moreux perguntou a queima-roupa se não havia lupas no acervo do museu.

O Pe. Delattre lhe apresentou várias, que atendiam às diversas exigências.

O Pe. Moreux comunicou o achado a cientistas amigos e tomou uma surpresa.

Já em 1852, Sir David Brewster, célebre físico inglês, tinha apresentado em Bedford, Inglaterra, uma lente descoberta em Nínive. Fabricada, portanto, em tempos bíblicos.

As lentes achadas em Cartago e Nínive mostram um grau de tecnologia superior às usadas por Galileu Galilei ou por seu predecessor nas observações astronômicas, John Lippersey.

Arquimedes utilizou no sitio de Siracusa espelhos côncavos que incendiavam os navios do inimigo Marcellus, concentrando a luz solar. Ptolomeu montou no século III a.C. um instrumento que permitia ver navios a grande distância.

Grafito num muro do observatório de Meroe
Grafito num muro do observatório de Meroe
Os grafites do observatório de Meroe

O professor John Garstang, de Liverpool, fez escavações na antiga cidade real de Meroe.

Lá tirou à luz os fundamentos de um monumento que atentamente analisado revelou ser um observatório astronômico.

Numa coluna estão inscritas as direções do Sol num período determinado do ano na latitude de Meroe.

Nos muros há “grafites” que contem equações numéricas descrevendo fenômenos astronômicos acontecidos 200 anos antes da era cristã.

Numa das muralhas encontra-se um desenho feito às pressas que representa a silhueta de dois personagens. Um deles parece ocupado em analisar a posição dos astros usando um instrumento que lembra fortemente nossos observatórios e seu instrumental azimutal.

Os instrumentos então existiram.


Na Antiguidade encontra-se sempre homens inteligentes e religiosos

O Pe. Moreux registra uma contradição e tira uma conclusão relevante.

A contradição consiste em que por um lado, se fazem todos os esforços para provar que o homem descende de um animal por via de evolução. Mas, de outro lado:
“por mais longe que nós nos remontemos no passado, o homem nos aparece sempre com o mesmo grau de inteligência e religiosidade. (...) que homens entregues a si próprios, obrigados a lutar por sua sobrevivência material contra uma natureza hostil, tenham podido formar esses aldeiamentos cujos restos nos vemos em volta das cavernas pré-históricas; que eles nos tenham deixado sinais de uma indústria e de uma ciência rudimentares, isso não prova absolutamente nada pro ou contra sua inteligência.”.
Pintura rupestre, Montes Akakus, Libia
Pintura rupestre, Montes Akakus, Líbia
As pinturas das cavernas mostram que entre seus frequentadores havia artistas que competem com os modernos.

Há desenhos que reproduzem com realismo e vivacidade impressionante a vida cotidiana.

Tratou-se de artistas de notável talento. eram homens de altas qualidades, embora tal vez materialmente muito decaídos.

“Então, de duas coisas uma: ou bem os homens ascenderam do estado selvagem até a civilização, ou bem nós estamos diante de linhagens degradadas”, conclui o sacerdote cientista.

“Todas as religiões ligadas ao Cristianismo, inclusive a religião judaica, ensinaram que o homem foi criado por Deus num estado de perfeição, portanto de avançada civilização (...) aparece como sendo mais natural considerar os homens da idade de pedra como autênticos decadentes do que acreditar que eles estejam ainda num estado selvagem primitivo”.
Estátua do faraó Ramsés II, Cairo
Estátua do faraó Ramsés II, Cairo

Falam nesse sentido também os trabalhos antropológicos na Polinésia (poderíamos nós no século XXI acrescentar os índios amazônicos).

Os partidários da evolução pretendem que as tribos da Nova-Guiné (ou da Amazônia) vivem num estado primordial.

Mas, observa o Pe. Moreux, se hoje há homens que vivem como na pré-história, logo “a Idade de Pedra é de todas as épocas” e não uma fase da “evolução”.

“A Idade da Pedra” não se identifica com um período determinado do tempo, mas com um estado cultural, que normalmente se define com o termo “decadência”.

Decaídos de onde? Do quê?


Continua no próximo post: Adão recebeu de Deus conhecimentos que transmitiu oralmente e que os egípcios gravaram na pedra. (fim)

 

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Quem revelou os conhecimentos científicos
contidos na pirâmide de Quéops? (III)

Padre Théophile Moreux no observatório
O Pe. Théophile Moreux, também foi astrônomo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



Continuação do post anterior: As revelações de Quéops, a Grande Pirâmide



As pirâmides do Egito são o testemunho registrado em pedra de que na origem da história, como ensina a teologia católica, Deus comunicou ao primeiro homem ‒ Adão ‒ conhecimentos naturais de alto nível necessários para fundar a civilização.

É a tese defendida pelo Pe. Théophile Moreux, sacerdote famoso pela sua ciência astronômica. Ele a demonstrou partindo de uma análise estritamente científica das pirâmides.

Segundo este ensinamento, explicado logicamente por Santo Tomás de Aquino, é improcedente supor que o homem tenha passado por épocas escuras em que foi saindo, por evolução, de um estado animalesco até adquirir a inteligência. A hipótese é além do mais achincalhante.

Muito pelo contrário, o ser humano tem uma origem muito alta que está de acordo com sua dignidade natural.

Ele descende da obra prima de Criação divina: de Adão e Eva. E como Deus tudo faz com perfeição, o primeiro casal foi de uma perfeição natural não-atingida depois.

Crucifixão, Pesellino, National Gallery of Art, WashingtonNão sem razão, a liturgia se refere a Jesus Cristo como o novo Adão. Pois é razoável supor que foi o homem naturalmente mais parecido com o Salvador.

Também a tradição católica costume apresentar uma caveira e ossos embaixo do Redentor crucificado. Isso simboliza que, segundo a tradição, Adão está enterrado no Gólgota, o monte onde se operou a Crucifixão e a Redenção do gênero humano.

Isto é o pecado original, praticado pelo mesmo Adão, foi redimido por Nosso Senhor, verdadeiro homem e verdadeiro Deus.

Isto não é pura teologia.

Um povo antiqüíssimo ‒ hoje desaparecido ‒ habitou o Egito e construiu monumentos que até hoje surpreendem a Humanidade. Pois eles revelam uma ciência que só se conseguiu obter nos séculos recentes e com muitíssimo esforço.

Nos “posts” anteriores nós vemos a apresentação do problema. Mas, o Pe. Théophile Moreux, não fica por ali.

Ele é exaustivo, metódico, foi à procura meticulosa, crítica dos dados inscritos nas pirâmides.

A exposição, ainda que muito resumida, dos resultados de sua investigação exige ainda certo espaço.

AS REVELAÇÕES GEODÉSICAS DA GRANDE PIRÂMIDE

O Pe. Moreux observa que o conhecimento preciso da forma e das dimensões do planeta é uma das conquistas modernas. Porém, foi difícil. Por isso, nos esforços para calcular as dimensões da Terra verifica-se, ao mesmo tempo, a engenhosidade e a pequenez do homem. (Na foto embaixo, a Terra vista desde o espaço, América do Sul no centro, NASA).

Terra vista desde o espaço
A Terra vista desde o espaço
O sacerdote-astrônomo exemplifica com os estratagemas usados para calcular quanto mede em metros um grau do meridiano terrestre.

E, de fato, durante séculos obtiveram-se os resultados os mais dispares, contraditórios e grosseiramente aproximados. Isto ficou patente quando se descobriu que a Terra é achatada nos polos e mais larga no Equador.

A Revolução Francesa que acreditou ter a solução para tudo, achou que descobriria a medida certa. E definiu então o metro, unidade de medida universalmente aceita, que deveria equivaler à milionésima parte do quarto do meridiano.

Foi um fiasco. A pretensão revolucionária falhou porque a Terra não é igual. E o metro saiu errado.

Mas, se segue usando o metro como uma “unidade de pura convenção embora fundada num princípio manifestamente falso”.

A ninguém ocorreu de tomar como grandeza linear o eixo da Terra que é invariável. Isso se compreende no tempo da Revolução Francesa porque ninguém sabia medi-lo, explica o astrônomo.

Entretanto, essa medida precisa e invariável está inscrita na base da Grande Pirâmide: é o côvado sagrado (635,66 mm) que serviu de unidade de medida para seus sacerdotes arquitetos: multiplicado por 10 milhões fornece o raio polar da Terra (6.356,6 km).

As medições mais atualizadas fixam essa distância em 6.356,7523142 km. A diferencia é ínfima, devendo se considerar ainda que neste último número há uma pequena margem de incerteza.

Neste ponto, o Pe. Moreux exclama quase gracejando vendo todo o esforço aplicado: recorrer a todas as ciências, gastar anos de esforços ao longo de séculos para chegar ... a uma descoberta velha de 4.000 anos!

A duração do ano

Quéops, corredor interno
Quéops, corredor interno
Existe o fenômeno da precessão: quer dizer, o eixo da Terra apresenta-se obliquo em relação ao Sol e girando lentamente, como um pião que vai perdendo velocidade. Por causa disso, o eixo da Terra aponta a diferentes estrelas através dos milênios.

É preciso aguardar 25.770 anos para que o eixo da Terra aponte novamente para a mesma estrela.

Este número encontra-se implicitamente na Grande Pirâmide: 25.800 polegadas piramidais.

Uma conseqüência da precessão é que o ano medido entre dois equinócios de primavera (ano trópico) é diferente do medido com base no tempo de rotação da Terra em torno seu eixo (ano sideral). Só o ano trópico serve para calcular a duração do ano.

E a extensão da antecâmara real medida em polegadas sagradas (25,4264 mm) e multiplicada por Pi fornece a duração do ano com uma precisão que nem gregos nem romanos, posteriores aos egípcios, conseguiram calcular. I. é: 365,242 dias por ano.

Além do mais a duração do ano bissexto encontra-se em cada lado da base do monumento.

A densidade da Terra


O volume de Quéops multiplicado pela densidade média das pedras que a compõem fornece a densidade da Terra: 5,52 (Nos cálculos mais recentes é 5,515×103 kg/m³).

Tomando como unidade de medida o côvado sagrado cúbico, em relação ao Planeta a Pirâmide está na proporção de 1 a 1015, proporção estranhamente simples, como se Quéops fosse a unidade de medida de toda a Terra.

A temperatura da Terra


A temperatura constante na Câmara do rei, no coração da Pirâmide (20º Celsius) corresponde por muito pouco à média da temperatura do planeta no paralelo 30º N sobre o qual está construída.

A bacia

No centro da Pirâmide não há, pois, um sarcófago nem um túmulo. Mas, uma bacia retangular.
Bacia no centro de Quéops
Bacia no centro de Quéops
“Estranho sarcófago, aliás, ‒ diz o Pe. Moreux ‒ que em nada parece com nenhum dos que têm sido exumados.

“Imaginai uma bacia de granito vermelho maravilhosamente polida com ângulos retos, espécie de cofre sem tampa, sonora como um sino: ali vós tereis uma ideia de este túmulo singular que jamais recebeu restos humanos!

“Então, como explicar sua presença ali! Aqueles que a tem estudado veem nela, não sem razão, talvez uma obra de geometria e de ciência avançada” .
O volume exterior da bacia é exatamente o dobro da capacidade interior. É grande demais para ter sido introduzida pelo corredor que leva à câmara.

Por isso deve ter sido colocada ali, vazia e sem tampo, enquanto a Pirâmide estava sendo construída. A profundidade de 0,85 metros é extravagante para um sarcófago. Ela é essencialmente um objeto geométrico e métrico.

O peso da água que cabe na bacia representaria a unidade de peso na escala da Grande Pirâmide, equivalente à livra inglesa (453,59 gramas).

E esta livra está fundada na densidade do globo e uma fração do eixo polar terrestre, e é uma das conquistas modernas em matéria de critério estável e seguro.

AS REVELAÇÕES ASTRONÔMICAS DA GRANDE PIRÂMIDE

Distância do Sol à Terra

Unidade astronômica, distância da Terra ao Sol, Universidade de Oregon
Unidade astronômica: distância da Terra ao Sol, Universidade de Oregon
Conhecer esta distância é capital, pois serve aos astrônomos como unidade de medida (Astronomical Unit – AU). Um erro mínimo prejudica os resultados finais num número enorme.

Uma imprecisão de uma décima de segundo, quer dizer o arco formado por um fio de cabelo visto a 240 metros de distância, produz um erro final de cálculo de perto de 500 quilômetros.

Precisar essa distancia foi dificílimo. Tycho Brahe a estimou em 8 milhões de quilômetros.

Em 1672, Cassini e Richer calcularam 140 milhões. Flamsteed, na mesma época, 130. Picard achou que eram 66 milhões e La Hire 219 milhões. Halley em 1676 ficou perto da verdadeira distância. Em 1752, Lacaille concluiu 132 milhões.

Só após 1860 foi-se atingindo um consenso próximo da realidade.

Agora bem, resulta que a altura da pirâmide multiplicada por um milhão nos fornece o número de 148.208.000 quilômetros, isto é, algo muito perto do que os cientistas conseguiram após séculos de fatigantes e meritórios estudos inclusive no século XXI.

No início do século XX, após inúmeros trabalhos chegou-se ao número de 149.400.000 quilômetros com uma incerteza equivalente a duas vezes o raio do globo terrestre.

Na XXVIII Assembleia Geral da União Astronômica Internacional, 3.000 astrônomos reunidos em Pequim, em 31 de agosto de 2012 fixaram como definitivo para todos os efeitos a distância de 149.597.870.700 metros, embora reconhecendo certa variabilidade..

A órbita da Terra

Multiplicando a polegada sagrada por cem bilhões tira-se a distância percorrida pela Terra num dia de 24 horas.

A estrela polar

O corredor de entrada de Quéops mirava a estrela polar na posição da época em que a pirâmide foi erigida.

Faraó, Museu da Universidade de Pennsylvania
Faraó, Museu da Universidade de Pennsylvania,
proveniente do Templo de Harsaphes, Heracleopolis (Tebas)
1897-1843 a.C.
O paradoxo: eles sabiam tudo isso, mas eram incapazes de deduzi-lo

Muitos e complexos dados poderiam ser expostos, escreve o Pe. Moreux. Mas, estes já são suficientes para definir a magnitude do mistério.

Pois, o mais perplexitante é que se os antigos egípcios conheciam tudo isso, eles deviam ter tratados, ou métodos, dos quais tiraram esses conhecimentos.

Porém, como sublinha o Pe. Moreux, nada sugere a existência desses tratados ou métodos entre os egípcios.

Antes bem, pode se dizer que eles eram incapazes de concluir essa ciência por dedução.
“Seja o que for essas revelações ficam ainda mais misteriosas considerando que os historiadores são unânimes na afirmação dos fatos seguintes:

“Os antigos egípcios em parte alguma fazem alusão à relação entre a circunferência e o diâmetro, nem ao número Pi ; (...) nada nos permite supor que eles conhecessem as relações entre a latitude com a altura do polo, nem que eles tivessem uma ideia clara da refração devida às camadas do ar.

“Eles ignoravam sem dúvida a largura da Terra; eles não empregavam habitualmente o côvado sagrado e eles estavam longe de achar que este côvado representasse uma fração exata do raio polar de nosso globo; com mais razão ainda eles não puderam avaliar em côvados piramidais a distância percorrida pela Terra numa revolução em torno do Sol.

“Eles não tinham mensurado a esfera terrestre nem medido a distância da Terra ao Sol; o peso da Terra e sua temperatura média estavam fora do alcance de seu pensamento; suas unidades de capacidade e de peso não foram deduzidas dos dados piramidais; eles não mencionam jamais a estrela Polar nem os anos da precessão, etc., etc.”.

Adão e Jesus Cristo, Fra Angelico
Jesus ressurrecto libera as almas dos justos do limbo.
Em primeiro lugar: Adão. Beato Angélico.
Por tudo isso, à luz da investigação ou da dedução, o conhecimento dessas proporções e números é naturalmente inexplicável.

Entretanto, os construtores de Quéops as deixaram inscritas num monumento colossal...

Então, só fica a hipótese que esses conhecimentos resultassem de uma revelação.

De quem?

Para quem?



Continua no próximo post: A revelação de Deus a Adão,
os mistérios do Egito e das civilizações desaparecidas (IV)