segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Arqueólogos dão com o local
do segundo milagre da multiplicação de pães e peixes

Multiplicação dos pães e peixes, catedral de Lille, França
Multiplicação dos pães e peixes, catedral de Lille, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Andares com cenas de mosaicos coloridos, incluindo uma cesta com pães, um pavão e peixes, foram trazidos à luz por arqueólogos da Universidade de Haifa, em Hippos, perto do Mar da Galileia (ou Lago Kinneret) no local da bizantina “igreja queimada”, noticiou o quotidiano israelense “The Jerusalem Post”.

Hippos era uma rica cidade que fascinava por centenas de colunas de granito vermelho egípcio e era habitada por pagãos.

Esse dado interessa ao tratar do “milagre dos sete pães e peixes”, ou segundo milagre de multiplicação, denominado ainda “alimentando os 4.000”.

Ela é a “cidade situada em uma colina” que Jesus tomou como exemplo para mostrar que a Igreja e a verdade devem se exibir a pleno sol e não ficar dissimuladas ou envergonhadas.

“14. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha

15. nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.

16. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.”” (São Mateus, 5, 14-16

As ruínas da igreja dos achados

A igreja de época bizantina provavelmente foi incendiada durante a invasão iraniana no ano 614 d.C. O Império dos Iranianos foi o último Estado persa antes da chegada do Islã ao Oriente Médio.

Arqueólogos israelenses, poloneses e americanos escavam no local desde 1993, sendo hoje  supervisionados pelo Dr. Michael Eisenberg do Instituto de Arqueologia da Universidade de Haifa.

Outros trabalhos de recuperação da igreja foram confiados à supervisora júnior da área, Jessica Rentz.

Ela expôs toda a área interna da igreja, uma superfície de 10x15 metros, bem como um par de batentes de porta em fundição de bronze na forma de leões rugindo.

Eisenberg disse que os elementos agora postos à luz foram preservados em excelentes condições pelas cinzas que os cobriram e funcionaram como proteção.

Fundamentos da ‘igreja queimada’ cujos mosaicos falam dos milagres das multiplicaç€oes dos pães e peixes
Fundamentos da ‘igreja queimada’ cujos mosaicos falam dos milagres das multiplicaç€oes dos pães e peixes
Há inscrições ligando a igreja ao mártir São Teodoro de Heracleia, dito Estratelata (“comandante militar”), também chamado Teodoro de Euceta, militar renomeado pela sua caridade, bela aparência e bravura.

São Teodoro comandava a cidade de Heracleia Pôntica sob o imperador romano Licínio (307-324) quando se iniciou-se uma feroz perseguição aos cristãos.

São Teodoro fez com que todos os ídolos pagãos em ouro ou prata da cidade fossem levados à sua casa. Então os despedaçou e distribuiu os cacos aos pobres, sendo por isso preso, torturado e crucificado.

A crucificação nada conseguiu e São Teodoro seguia vivo, foi degolado por uma espada.

Na igreja a ele consagrada, Yana Vitkalov, da Autoridade de Antiguidades de Israel, cuidou de recuperar grande parte da área de mosaicos.

A maioria das decorações e duas inscrições em grego ficaram visíveis. A primeira inscrição fala dos dois padroeiros da igreja, São Teodoro e Petros.

Uma segunda localizada dentro de um medalhão, no centro do mosaico, exibe o nome do mártir São Teodoro.

Lembranças da primeira multiplicação para os judeus

Os mosaicos dos pães podem se referir ao milagre com que Jesus alimentou cinco mil judeus com cinco pães e dois peixes ou primeira multiplicação de pães e peixes.

Pois outros mosaicos retratam 12 canastras repletas de pão conferindo com o Novo Testamento que descreve os discípulos de Jesus retornando com esse número de cestos cheios.

“Os peixes têm um número simbólico”, continuou Eisenberg, “você não pode ignorar a semelhança com a descrição no Novo Testamento”, acrescentou.

Por sua vez o quotidiano “The Times of Israel”, citando ao Dr. Eisenberg, destacou o fato que os mosaicos representando peixes, pássaros e cestas de pão podem comemorar o local histórico onde Jesus milagrosamente alimentou uma multidão.

O mosaico colorido apareceu no Projeto de Escavação Hippos-Sussita, em andamento no sudoeste do Parque Nacional de Sussita (Hippos), nas ruínas da “igreja queimada”, nome dado porque não se sabe a denominação histórica, só que foi incendiada.

Cesto com pães no mosaico da 'igreja queimmada' em Hippos-Sussita (cortesia Michael Eisenberg)
Cesto com pães no mosaico da 'igreja queimmada' em Hippos-Sussita
(cortesia Michael Eisenberg)
O tapete de mosaico de 15 metros por 10 metros está repleto de peixes, pássaros e 12 cestas cheias de frutas, flores e pão.

O mosaico representaria a primeira multiplicação milagrosa feita por Nosso Senhor.

Dois peixes ocupam uma posição “heráldica” na abside da igreja, além de 12 cestas, algumas das quais cheias de romãs e provavelmente uma com maçãs e flores.

Outras cestas estão cheias de pães redondos: um com cinco pães, um ou dois com sete pães e dois com seis pães, disse o arqueólogo.

Porém, a localização tradicional do primeiro milagre é do outro lado do mar de Galileia, na Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes em Tabgha.

Essa abriga um famoso mosaico representando dois peixes de cada lado de uma cesta de pão.

Por que esse seria o local da segunda multiplicação feita para os pagãos

É a combinação de cestas de peixe e pão da igreja em Hippos que levou Eisenberg a acreditar que o mosaico poderia ser um registro do segundo milagre da multiplicação de pães e peixes.

“O simbolismo por trás do [mosaico] e a posição da igreja no lugar perfeito, com vista para o Mar da Galileia, me dá a certeza de que as pessoas reconheceram os lugares onde os milagres ocorreram”, disse Eisenberg ao“The Times of Israel”.

Um dos aspectos únicos do mosaico da “igreja queimada”, é o presépio “muito simples, ingênuo e até encantador encomendado pela população local”, afirmou.

Por volta de 20% do mosaico ainda não foi desentulhado.

Os dois milagres da multiplicação

Mosaicos da Igreja da Multiplicação em Tabgha, que lembrram o primeiro milagre
Mosaicos da Igreja da Multiplicação em Tabgha, que lembrram o primeiro milagre
Nos Evangelhos temos a narração de duas multiplicações de pães e peixes relativas a dois diferentes milagres de Nosso Senhor, junto ao mar da Galileia.

O padre Francesco Giosuè Voltaggio, da Galileia, doutor em arqueologia e diretor de um seminário na Galileia, explicou que “de acordo com o Evangelho e a antiga tradição cristã, houve duas multiplicações e dois lugares”.

A primeira multiplicação, conhecida como “alimentando os 5.000” (Mateus 14:13-21, Marcos 6:31-44, Lucas 9:10-17 e João 6:5-15) também é denominada “milagre dos cinco pães e dois peixes”. O número 5.000 estái arredondado por razões simbólicas.

Nessa vez, Nosso Senhor alimentou cerca de 5.000 homens judeus (mulheres e crianças não foram contadas) ao lado do mar da Galileia.

Na Antiguidade os números tinham uma importância simbólica que desapareceu na nossa época de mero pragmatismo contábil, mas foi bem conhecida pelos judeus e até pela Idade Média.

O cinco mil alude aos cinco livros da lei de Moisés, ou Pentateuco multiplicado mil vezes, onde o mil representa a plenitude da bem-aventurança. Quer dizer, os cinco mil representam os seguidores da Lei de Moisés que receberam o ensino das bem-aventuranças.

A localização exata é tradicionalmente apontada na Igreja da Multiplicação construída no século V em Tabgha. Cfr.: “Identificam o local do ‘milagre dos cinco pães e dois peixes’”

Evangelho de São Marcos:
“34. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.

35. A hora já estava bem avançada quando se achegaram a ele os seus discípulos e disseram: “Este lugar é deserto, e já é tarde.

36. Despede-os, para irem aos sítios e aldeias vizinhas a comprar algum alimento”.

37. Mas ele respondeu-lhes: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Replicaram-lhe: “Iremos comprar duzentos denários de pão para dar-lhes de comer?”.

38. Ele perguntou-lhes: “Quantos pães tendes? Ide ver”. Depois de se terem informado, disseram: “Cinco, e dois peixes”.

Multiplicação dos pães e peixes, catedral de Greensburg, Kansas
Multiplicação dos pães e peixes, catedral de Greensburg, Kansas
39. Ordenou-lhes que mandassem todos sentar-se, em grupos, na relva verde.

40. E assentaram-se em grupos de cem e de cinquenta.

41. Então, tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e os deu a seus discípulos, para que lhos distribuíssem, e repartiu entre todos os dois peixes.

42. Todos comeram e ficaram fartos.

43. Recolheram do que sobrou doze cestos cheios de pedaços, e os restos dos peixes.

44. Foram cinco mil os homens que haviam comido daqueles pães.” (São Marcos, 6, 34-44)
 Evangelho de São João:
“5. Jesus levantou os olhos sobre aquela grande multidão que vinha ter com ele e disse a Filipe: “Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?”.

6. Falava assim para o experimentar, pois bem sabia o que havia de fazer.

7. Filipe respondeu-lhe: “Duzentos denários de pão não lhes bastam, para que cada um receba um pedaço”.

8. Um dos seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:

9. “Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixes... mas que é isto para tanta gente?”.

10. Disse Jesus: “Fazei-os assentar”. Ora, havia naquele lugar muita relva. Sentaram-se aqueles homens em número de uns cinco mil.

11. Jesus tomou os pães e rendeu graças. Em seguida, distribuiu-os às pessoas que estavam sentadas, e igualmente dos peixes lhes deu quanto queriam.

12. Estando eles saciados, disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca”.

13. Eles os recolheram e, dos pedaços dos cinco pães de cevada que sobraram, encheram doze cestos.” (São João, 6, 5-13)

Ruínas de Hippos, ou Sussita, a cidade pagã perto de onde foi desenterrada a 'igreja queimada'
Ruínas de Hippos, ou Sussita, a cidade pagã perto de onde foi desenterrada a 'igreja queimada'
Nosso Senhor fez um segundo milagre da multiplicação semelhante, explicou o Pe. Voltaggio, dando de comer a cerca de 4.000 pagãos. Por isso é referido como “alimentando os 4.000”.

Está narrado em São Mateus 15:32-39 e em São Marcos 8:1-9. Também é conhecido como “milagre dos sete pães e peixes” porque multiplicou sete pães e “alguns peixinhos”, na beira do lago.

O número quatro significa os quatro Evangelhos e a também às quatro partes do mundo que a Santa Igreja reunirá.

O mil representa, como dissemos, a plenitude da bem-aventurança. Quer dizer, esses 4.000 pagãos receberam também o ensino das bem-aventuranças, como sinal da futura conversão dos povos gentios que haveriam de se converter nos quatro cantos da Terra.

Evangelho de São Mateus:
"29. Jesus saiu daquela região e voltou para perto do mar da Galileia. Subiu a uma colina e sentou-se ali. (...)

32. Jesus, porém, reuniu os seus discípulos e disse-lhes: “Tenho piedade desta multidão: eis que há três dias está perto de mim e não tem nada para comer. Não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho”.

33. Disseram-lhe os discípulos: “De que maneira procuraremos neste lugar deserto pão bastante para saciar tal multidão?”.

34. Pergunta-lhes Jesus: “Quantos pães tendes?”. “Sete, e alguns peixinhos” – responderam eles.

35. Mandou, então, a multidão assentar-se no chão,

36. tomou os sete pães e os peixes e abençoou-os. Depois os partiu e os deu aos discípulos, que os distribuíram à multidão.

37. Todos comeram e ficaram saciados, e, dos pedaços que restaram, encheram sete cestos.

38. Ora, os que se alimentaram foram quatro mil homens, sem contar as mulheres e as crianças." (São Mateus, 15, 29-38)

Jesus nos Evangelhos lembra que foram dois. Simbolismo de cada um

Jesus envia os Apóstolos para evangelizar. Domenico Ghirlandaio (1449 – 1494)
Jesus envia os Apóstolos para evangelizar.
Eles voltariam com os cestos cheios de almas.
Domenico Ghirlandaio (1449 – 1494)
Posteriormente, Jesus lembrou aos Apóstolos as duas multiplicações como fatos diferentes  que realizou para lhes fazer sentir a pouca atenção que deram ao que Ele praticava.

“17. Jesus percebeu-o e disse-lhes: “Por que discutis por não terdes pão? Ainda não tendes refletido nem compreendido? Tendes, pois, o coração insensível?

18. Tendo olhos, não vedes? E tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais mais?

19. Ao partir eu os cinco pães entre os cinco mil, quantos cestos recolhestes cheios de pedaços?”. Responderam-lhe: “Doze”.

20. “E quando eu parti os sete pães entre os quatro mil homens, quantos cestos de pedaços levantastes?” “Sete” – responderam-lhe.

21. Jesus disse-lhes: “Como é que ainda não entendeis?”.” (São Marcos, 8, 17-21)

A primeira multiplicação foi para os judeus, disse Voltaggio. Os apóstolos voltaram com 12 cestas cheias em alusão ao apostolado que haveriam de fazer colhendo conversões entre membros das 12 tribos de Israel.

A segunda multiplicação foi para os pagãos pois restou comida suficiente para encher sete cestas.

O sete é número simbólico de infinidade, e aludia às conversões que os Apóstolos haveriam de fazer entre a infinidade dos povos gentios.

“Os peregrinos guardam a memória de um segundo milagre em Tel Hadar”, explicou Voltaggio. Tel Hadar que fica a cerca de 10 quilômetros ao norte da localização da antiga Hippos (chamada Sussita em aramaico), onde se encontra o mosaico da “igreja queimada”.

Ruínas da cidade de Hippos, ou Sussita, a cidade na elevação que dominava o Mar da Galileia (ao fundo)
Ruínas da cidade de Hippos, ou Sussita, a cidade na elevação que dominava o Mar da Galileia (ao fundo)
O arqueólogo Eisenberg supõe que este milagre poderia ter acontecido na extremidade norte do Território de Hippos (nome romano), que se estendia da parte sul ao canto norte do mar da Galileia, muito próximo de Tel Hadar.

“Acho que o milagre aconteceu lá”, disse ele.

Embora a segunda multiplicação esteja registrada em dois Evangelhos, existem aqueles que não acreditam que tenha ocorrido historicamente.

“Para alguns estudiosos, a segunda multiplicação é uma duplicação meramente simbólica”, disse o Pe. Voltaggio.

Porém, a nova descoberta, acrescentou, “revaloriza a historicidade dos dois milagres”, que segundo os Evangelhos ocorreram nos dois lados do mar da Galileia.


Vídeo: Arqueólogos nos locais da multiplicação de pães e peixes (espanhol)




Arqueólogos nos locais da multiplicação de pães e peixes (inglês)



segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Abraão: o Patriarca fundador da linhagem dos filhos de Nossa Senhora, Lot e a extinção de Sodoma

Porta de Abraão, Tel Dan, Terra Santa
A “Porta de Abraão” é o monumento mais antigo de Terra Santa
e por ela teria passado o patriarca Abraão indo a resgatar Lot na primeira vez
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O Israel Nature and Parks Authority – organismo governamental para a proteção dos parques naturais de Israel ‒ no ano 2009 culminou a restauração da “Porta de Abraão”, antiga de 4.000 anos, segundo noticiou a imprensa israelense da época.

Desde então ficou aberto à visitação e até ele vão muitos peregrinos que desejam ver o que tudo indica ser o mais antigo monumento da Terra Santa, e por onde teria passado o patriarca Abraão.

O pórtico encontra-se numa reserva natural de Tel Dan, norte de Israel, aos pés do Monte Hermon. Foi descoberto em 1979.

O acesso foi liberado após uma década de trabalhos de restauração executados também pelo Israel Antiquities Authority, informou o The Jerusalem Post.

A estrutura monumental foi construída com tijolos por volta do ano 1.750 antes de Cristo.

Chegou-se a supor que o patriarca Abraão teria atravessado essa porta quando foi tirar seu sobrinho Lot do cativeiro em Sodoma. De ali seu nome “Porta de Abraão”.

O episódio aconteceu antes que Deus destruísse essa cidade em castigo pelo vicio de homossexualismo. Por isso mesmo o homossexualismo é também é conhecido como sodomia.

Abraão, vitral da capela de Wadham College
Abraão com o cutelo do sacrifício e a vara de pastor
O fato patenteia a misericórdia da Providência divina em relação à cidade que acabaria se pervertendo e desapareceria até os fundamentos por castigo divino.

Mas, o coração dos sodomitas endurecido pela recusa da ordem natural como que invocou o desaparecimento da cidade sob uma chuva de fogo.

A história é bem conhecida e esta descrita no Livro do Gênesis.

A Torre de Babel, divisão da humanidade, Abraão

Em virtude da dispersão após a ímpia tentativa da Torre de Babel, os homens partiram em grupos ou tribos em todas as direções.

Algumas dessas tribos construíram cidades onde começaram a reinar o culto dos falsos deuses e os vícios morais.

Entre essas cidades, destacava-se uma aliança de cinco cidades, todas desaparecidas, mencionadas pelo Gênesis como Pentápolis. Sodoma e Gomorra faziam parte.

Abraão pertencia a uma tribo semita que vindo da Caldeira ‒ localização de Babel ‒ conservou a pureza da Lei que Deus revelou a Adão.

Levava uma vida pastoril, sóbria, digna, e praticava sacrifícios agradáveis ao Criador. Praticava a transumância, migrando com seus rebanhos à procura de pastagens.

No verão subia as montanhas e no inverno descia para as planícies mais cálidas irrigadas pelas chuvas.

Precisamente ao pé do Monte Hermon, nas colinas do Golã, foi achada a “Porta de Abraão”.

Abraão, Lot e Sodoma

A tribo cresceu em número e os pastores de Lot e de Abraão disputavam muito pelo gado.

Para evitar males maiores, os dois decidiram se separar. Lot, como narra o Gênesis dirigiu-se para a planície de Jordão, muito beneficiada pelas águas.

Ali, entretanto, encontrou o perigo: Sodoma e Gomorra.
10. Lot, levantando os olhos, viu que a toda a planície de Jordão era regada de água (o Senhor não tinha ainda destruído Sodoma e Gomorra) como o jardim do Senhor, como a terra do Egito ao lado de Tsoar.

11. Lot escolheu toda a planície do Jordão e foi para o oriente. Foi assim que se separam um do outro.

12. Abraão fixou-se na terra de Canaã, e Lot nas cidades da planície, onde levantou suas tendas até Sodoma.

13. Ora, os habitantes de Sodoma eram perversos, e grandes pecadores diante do Senhor. (Gen 13, 10-ss)

Abraão Abraão e Lot incarnam duas psicologias dos bons em face do mundo pecador.

Abraão está na linha dos bons como Abel, Jacó até chegar por muitos elos intermediários até os filhos e escravos de Nossa Senhora segundo a Sagrada Escravidão de Amor ensinada por São Luis Maria Grignon de Montfort.

Abraão é dessa linhagem espiritual que foge do convívio com os homens perversos, suas festas, suas luxúrias e seus pecados.

Lot, entretanto, é um bom também. Mas dos bons que acham gosto viver entre os maus porque ali, com precauções, poderão goçar de suas riquezas e prazeres sem cair no pior.

Após a separação, Deus escolhe Abraão para inicia a era dos Patriarcas do Antigo Testamento e a linhagem que dará na fundação do povo eleito e no próprio Messias:

14. O Senhor disse a Abraão depois que Lot o deixou: “Levanta os olhos, e do lugar onde estás, olha para o norte e para o sul, para o oriente e para o ocidente.

15. Toda a terra que vês, eu a darei a ti e aos teus descendentes para sempre.

16. Tornarei tua posteridade tão numerosa como o pó da terra: se alguém puder contar os grãos do pó da terra, então poderá contar a tua posteridade.

17. Levanta-te, percorre a terra em toda a sua extensão, porque eu te hei de dar.”(Gen 13, 10-ss)
Entrementes, os reis das cinco cidades, entre as quais estavam Sodoma e Gomorra, engajaram-se numa guerra infeliz e perderam tudo. Lot foi feito prisioneiro junto com toda sua família.

Sabendo da desgraça, Abraão foi resgatá-los. Ele teria partido para o resgate atravessando esta famosa Porta naquela ocasião.

11. Os vencedores levaram todos os bens de Sodoma e Gomorra, e todos os seus víveres, e partiram.

12. Levaram também Lot, filho do irmão do Abraão, que morava em Sodoma, com todos os seus bens.

13. Mas alguém que conseguiu fugir veio dar parte do sucedido a Abraão, o hebreu, que vivia nos carvalhos de Mambré, o amorreu, irmão de Escol e irmão de Aner, aliados de Abraão.

Lot foge da destruição de Sodoma, na segunda ocasião.
Benjamin West, (1738 - 1820), Detroit Institute of Arts.
14. Abraão, tendo ouvido que Lot, seu parente, ficara prisioneiro, escolheu trezentos e dezoito dos seus melhores e mais corajosos servos, nascidos em sua casa, e foi ao alcance dos reis até Dan.

15. Ali, dividindo a sua tropa para os atacar de noite com seus servos, desbaratou-os e perseguiu-os até Hoba, que se encontra ao norte de Damasco.

16. Abraão recobrou todos os bens saqueados e reconduziu também Lot, seu parente, com os seus bens, assim como as mulheres e os homens.

17. Voltando Abraão da derrota de Codorlaomor e seus reis aliados, o rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro no vale de Savé, que és o vale do rei.

18. Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, mandou trazer pão e vinho,

19. e abençoou Abraão, dizendo: “Bendito seja Abraão pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e terra!

20. Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos em tuas mãos!” (Gen 14, 11-ss)

Nesta famosa bênção de Melquisedeque vemos que todos os povos desses primeiros séculos da História reconheciam Abraão como o amado de Deus: "Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Mel­quisedec (Sl 109,4)." (Hebreus, 5, 6).

Se tivessem o obedecido teriam se salvo. Mas preferiram os prazeres da terra e acabaram se entgregando aos ídolos e aos vícios.

Por volta de cinquenta anos depois, quando Sodoma e Gomorra voltaram a clamar pelo auxílio de Abraão, esse já não foi mais.

Porta de AbraãoE só mandou dois enviados para resgatar a família de Lot, seus parentes bons mais mundanos, abandonando as cidades pecadoras ao castigo divino.


A “Porta de Abraão” e a História Sagrada

A porta tem três arcos e sete metros de altura. Foi erigida com tijolos de barro seco sobre fundamentos de pedra. Tem.

É sem dúvida o monumento mais antigo já encontrado em Terra Santa.

É, portanto, a construção que nos remonta aos eventos bíblicos mais afastados no tempo e fala da veracidade do relato sagrado.

O diário israelense Haaretz acrescenta que o arco se encontra entre os restos duas torres. Em torno delas há ruínas de uma cidade tal vez construída com tijolos nos tempos patriarcais.

Raphael Greenberg do departamento de arqueologia da Universidade de Tel Aviv sublinhou que nenhuma equipe arqueológica usa a Bíblia como critério para definir ruínas ou restos de uma época tão longínqua, mas apenas critérios científicos.

Ze'ev Margalit, responsável pela preservação dos restos arqueológicos dos parques nacionais israelenses voltou a fazer uma ilação entre os restos agora exibidos e o acontecimento bíblico. Mas insistindo na falta de dados materiais que possam esclarecer a atribuída passagem de Abraão.

Entretanto, o achado não deixa de ser sugestivo para quem tem fé.

O próprio Margalit observou que peregrinos cristãos estão indo em crescente número ao local e se mostram muito tocados contemplando a “Porta de Abraão”.

Formação rochosa chamada 'Mulher de Lot' perto do Mar Morto
Formação rochosa chamada 'Mulher de Lot' perto do Mar Morto
Emociona pensar num grande patriarca, enviado de Deus, partindo junto com um exército de servos fiéis, para salvar membros de sua família escravizados por inimigos.

Foi uma das primeiras intervenções de Deus na História por meio de seus condestáveis para salvar os homens afundados no desastre.

Em atenção à fidelidade de Abraão, Deus salvou mais uma vez a Lot quando mandou seus anjos a tirá-lo de Sodoma consumida pelo vício homossexual. Assim que Lot abandonou a cidade, choveu fogo sobre ela e sobre Gomorra.

A procura arqueológica do sitio de Sodoma e Gomorra aponta para uma quase ilha do Mar Morto (ruínas de Bâb ed-Dhra e Numeira).

Em volta do Mar Morto há formações de pedra que evocam o episódio ensinado pelas Sagradas Escrituras.

27. Abraão levantou-se muito cedo e foi ao lugar onde tinha estado antes com o Senhor.

28. Voltando os olhos para o lado de Sodoma e Gomorra e sobre toda a extensão da planície, viu subir da terra um fumo espesso como a fumaça de uma grande fornalha.

29. Quando Deus destruiu as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e livrou Lot do flagelo com que destruiu as cidades onde ele habitava. (Gen 19)

Cfr: Ruínas de Sodoma desvendadas: lições para o presente e para o futuro
 
Sodoma: uma megalópole fastuosa que desapareceu de um modo sem precedentes 


Sodoma e Gomorra foram destruídas por um asteroide?

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

O mais antigo templo católico:
a "igreja dos Apóstolos" no Cenáculo

Última Ceia, de Pietro Lorenzetti. O Cenáculo foi o local da primeira Missa
Última Ceia, de Pietro Lorenzetti. O Cenáculo foi o local da primeira Missa
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Uma descoberta em Megido, Israel, voltou a suscitar o debate sobre qual é o local da mais antiga igreja cristã.

As igrejas católicas apareceram logo após Jesus Cristo.

Os Apóstolos, seguindo o exemplo de Nosso Senhor, pregaram nas sinagogas e locais de reunião dos judeus.

Mas, a perseguição da Sinagoga tornou impossível a pregação do Evangelho nelas.

Simultaneamente a esta pregação houve locais onde os cristãos celebravam o verdadeiro sacrifício, i. é, a Missa, julgado intolerável pelo Sinédrio.

Com efeito, o Templo era o único local onde podia se celebrar o sacrifício no Antigo Testamento.

Este sacrifício era uma prefigura do Sacrifício do Calvário, e da Santa Missa.

Tendo se operado o Sacrifício na Cruz, e sendo celebrada sua renovação incruenta, i. é, a Santa Missa, pelos Apóstolos e seus sucessores, o sacrifício do Templo perdeu todo significado.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Buscas no paço do Herodes que martirizou os santos inocentes; e pai do Herodes que matou a S.João Batista e crucificou Jesus

Vista aérea de Herodium e das excavações.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O túmulo do rei Herodes I, o Grande, que ordenou a massacre dos inocentes visando matar o Menino Jesus, foi localizado em 2007 por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Desde então vem sendo recuperadas salas e instalações desse palácio todo feito em estilo grego pagão.

O local leva o nome de Herodium e fica a poucos quilômetros de Jerusalém.

Esse cruel rei governou a Judéia até sua morte.

Tratava-se de um monarca impostor sustentado pelos romanos. Era idumeru (ou edomita), quer dizer descendente de Esaú.

Ele fez obras colossais como reformar e enriquecer o Templo (o mesmo do tempo de Nosso Senhor), para se granjear a simpatia do povo.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Manuscritos do Mar Morto prenunciam o cristianismo

O profeta Elias e o patriarca Henoc que estariam vivos num local ignoto aguardando a ordem para descer à Terra e combater contra o Anticristo. Elias e "os filhos do profeta" podem ter parte na origem dos essênios. Ícone do século XVII. Museu Histórico de Sanok, Polônia
O profeta Elias e o patriarca Henoc que estariam vivos num local ignoto
aguardando a ordem para descer à Terra e combater contra o Anticristo.
Elias e “os filhos do profeta” podem ter parte na origem dos essênios.
Ícone do século XVII. Museu Histórico de Sanok, Polônia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Desde o 26 de setembro de 2011,  puderam passar a ser ser consultados os primeiros manuscritos do Mar Morto digitalizados, informou o jornal de Paris "Le Monde".

Por sua vez, a editora de Paris Editions du Cerf empreendeu há poucos anos a publicação da totalidade dos 900 manuscritos do Mar Morto, ou Qumran, transcritos para o francês.

Os primeiros volumes da “Biblioteca de Qumran” já apareceram, informou o diário suíço “Le Temps”.

Por sua parte, o Conselho de Antiguidades de Israel, custodio dos precisos documentos já tinha anunciado em agosto de 2008 o projeto de disponibilizar para download na internet as fotografias digitalizadas destes valiosíssimos Manuscritos.

O projeto levará anos para ser completado.

Os primeiros documentos online já podem ser consultados no site The Digital Dead Sea Scrolls  (em inglês) promovido pelo Museu de Israel.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Por que muda o calendário todo ano? A Igreja e a astronomia

Obelisco de São Pedro também é agulha de imenso relógio solar
Obelisco de São Pedro também é agulha de imenso relógio solar
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Cada novo ano tem início num momento muito preciso do relógio.

A partir do primeiro segundo do ano, a imensa maioria dos homens vai ritmar sua vida pelo calendário que recomeça como nos anos anteriores, porém com algumas importantes datas mudadas.

A data da Páscoa muda a cada ano, impondo consigo mudanças gerais, por exemplo, as datas de Carnaval. Nos anos bissextos fevereiro tem um dia a mais.

O calendário com suas mudanças é aceito por todos. Todo o mundo civilizado intui que os critérios usados para as mudanças são sábios, úteis e benéficos.

Contudo, tais critérios são desconhecidos da imensa maioria que se pauta por eles.

A que se deve essa mudança tão grande, constante, porém certa e bem recebida, do calendário?

Poucos têm disso uma ideia clara.

Menos ainda de que foi a Igreja que definiu quanto durava um ano e em qual dia do ano viviam os homens.

A Igreja Católica também definiu todas as mudanças que deveriam ser introduzidas no calendário até o fim do mundo de maneira a harmonizar a atividade dos homens com o movimento da Terra, do Sol, da Lua e das estrelas.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

A conversão do hebreu Ratisbonne: foi além do que podem explicar as ciências humanas

Pe. Afonso Ratisbonne, rico banqueiro judeu convertido por Nossa Senhora se fez padre
Luis Dufaur
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Um dos fenômenos mais específicos da vida religiosa é o da conversão interior, espiritual, que para ser autêntica e sincera só pode acontecer pela graça de Deus.

É precisamente por causa disto que a conversão religiosa não é suscetível de uma explicação das ciências físicas.

Os tentativos de dar uma explicação por vias psicológicas que deliberadamente abstraem do fator divino jamais produziram algo convincente ou concludente.

Tal vez a conversão do hebreu banqueiro Afonso Ratisbonne seja uma das mais rumorosas dos últimos séculos.

Seu caso é digno de especial análise pois foi acompanhado muito de perto por várias pessoas qualificadas para descrevê-la.

É para compreender essa ação de Deus nas almas que reproduzimos a continuação a longa descrição desse caso histórico, tirada do blog "Luzes de Esperança".

Um jovem judeu, de uma família de banqueiros de Estrasburgo, de notável projeção social pelas riquezas e pelo parentesco com os banqueiros Rothschild, pelo meio-dia do dia 20 de janeiro de 1842, andava despreocupado, na aparência, por uma rua do centro histórico de Roma.

Seu nome era Afonso Ratisbonne.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Jerusalém: os mais antigos registros arqueológicos cristãos professam a fé na Ressurreição de Cristo, e dos homens no fim do mundo

Braço robótico com câmeras pôde fotograr o túmulo
Luis Dufaur
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Um túmulo localizado em Jerusalém vem sendo estudado por cientistas há três décadas.

Ele apresenta indícios que confirmam a fé na Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo professada já no primeiro século de nossa era, quiçá antes mesmo da redação dos Evangelhos.

Os indícios remontariam a antes mesmo da destruição da cidade pelas legiões romanas e a dispersão dos judeus.

Assim o afirmou o grupo de arqueólogos e especialistas em assuntos religiosos que no fim de fevereiro de 2012 apresentou em Nova York as conclusões da exaustiva pesquisa.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

A Santa túnica de Cristo na Paixão guardada em Argenteuil analisada por um cientista

Argenteuil, ostensao solene, 1984

Luis Dufaur
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Numa igreja de Argenteuil, cidade hoje absorvida pela grande Paris, venera-se uma túnica que, segundo tradição milenar da Igreja, foi tecida por Nossa Senhora para o Menino Jesus.

Seria a mesma que Nosso Senhor usou na sua Paixão.

A mesma, portanto, que os algozes romanos, vendo que era inconsútil – isto é, formando uma só peça, sem costuras – lançaram à sorte, para não ter que dividi-la entre eles.

Utilizando equipamentos os mais avançados, a ciência moderna foi analisar a relíquia.

O professor André Marion, pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique – CNRS (Paris) é especialista no processamento numérico de imagens, leciona na Universidade de Paris-Orsay e é autor de numerosas publicações científicas e técnicas.

Ele já fez descobertas surpreendentes a respeito do Santo Sudário de Turim, com base em métodos ótico-digitais.

Ele publicou suas conclusões sobre a túnica de Argenteuil no livro “Jesus e a ciência – A verdade sobre as relíquias de Cristo” (foto embaixo).

Para o trabalho, o Prof. Marion localizou nos arquivos da Diocese de Versailles chapas tiradas em 1934. Estavam bem conservadas.

Sobre elas aplicou as técnicas de digitalização de imagens, baseadas em scanners e computadores poderosos. É de se salientar a precisão do método, que chega a ser de 10 a 20 milésimos de milímetro.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

O ossuário de Caifás, Sumo Sacerdote que condenou Jesus Cristo

Ossuário da família Caifás
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Os arqueólogos Yuval Goren da Universidade de Tel Aviv e Boaz Zissu da Universidade Bar Ilan confirmaram, segundo noticiou a “Folha de S.Paulo”, a autenticidade de um ossuário pertencente à família do sacerdote que teria conduzido a tumultuada sessão do Sinédrio que considerou “blasfemo” Jesus Cristo.

No ossuário, os judeus guardavam os ossos dos antepassados depois da fase inicial de sepultamento.

Os especialistas concluíram que o ossuário e suas inscrições são autênticos e antigos, escreveu o “Jerusalem Post”. A peça faz parte de um conjunto de 12 usuários recuperados no mesmo local e pertencentes à família Caifás.

Dentro dessa urna foram encontrados ossos de seis pessoas ao que tudo indica da mesma família: dois bebês, uma criança entre 2 e 5 anos, um rapaz entre 13 e 18, uma mulher adulta e um homem de perto de 60 anos.

Na mesma peça lê-se a inscrição: “Miriam [Maria], filha de Yeshua [Jesus], filho de Caifás, sacerdote de Maazias de Beth Imri”. Num dos lados não decorados aparece o nome “José bar Caifás”, onde “bar” não necessariamente significa “filho de”.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Sais, microalgas e partículas no Santo Sudário retratam seu percurso histórico

O Prof. Pierluigi Baima Bollone anunciou o achado das micropartículas no Santo Sudário.
O Prof. Pierluigi Baima Bollone anunciou o achado das micropartículas no Santo Sudário.
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O Dr. Pier Luigi Baima Bollone, professor de Medicina Forense na Universidade de Turim, citado em posts anteriores, anunciou os resultados de um novo estudo conduzido com a Dra. Grazia Mattutino, criminóloga do Instituto de Medicina Forense de Turim, responsável de importantes casos de perícias judiciais, segundo refere “Infovaticana”.

De fato, esse Instituto de Turim conserva alguns fios do Santo Sudário extraídos durante as investigações do projeto STURP (Shroud of Turin Research Project em inglês. Em português: Projeto de Pesquisa do Sudário de Turim), feito por cientistas da NASA e de grandes laboratórios em 1978, com equipamentos exclusivos.

Os resultados desse imenso trabalho ainda alimentam novos aprofundamentos e descobertas científicas.

Agora uma análise específica dessas amostras pelos citados especialistas detectou partículas de ouro, prata e chumbo na mortalha.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Exposta a escada que Jesus galgou
rumo ao juízo mais iníquo da História

A Escada Santa restaurada. Cruz dourada no lugar onde Nosso Senhor teria vertido uma gota de sangue
A Escada Santa restaurada.
Cruz dourada no lugar onde Nosso Senhor teria vertido uma gota de sangue
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O Pontifício Santuário da “Escada Santa” em Roma, a escada que segundo antiga e consagrada tradição da Igreja, Jesus Cristo subiu derramando sangue para ser julgado pelo cônsul romano Pôncio Pilatos pôde ser vista e subida em contato direto pelos romeiros desde a Páscoa até a festa de Pentecostes.

A “Escada Santa” de Roma foi trazida do pretório [residência do comandante na Roma Antiga] do cônsul Pilatos em Jerusalém e têm 28 degraus de mármore.

É a primeira vez que acontece nos últimos três séculos.

A exceção se compreende bem olhando o estado dos degraus.

Tão grandes multidões de peregrinos penitentes subiram essa escada piedosamente – de joelhos a maioria – que o mármore ficou profundamente desgastado.

Esse ficou tão consumido pela passagem de milhares de fiéis que cada degrau se assemelha a uma calha e em certos pontos acabou furado.

Por causa do desgaste, os papas decidiram revestir a escada de madeira de nogueira, deixando exposta a parte que não se pisa e por onde se pode ver a pedra.

“Durante sessenta dias poderemos galgar com nossos joelhos e tocar diretamente o próprio mármore que Jesus em pessoa pisou no pretório onde foi julgado por Pôncio Pilatos”, explicou o Pe. Francesco Guerra, reitor do Santuário.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Como ao profeta Jonas: baleia engole mergulhador
e o devolve na costa

O profeta Jonas engolido pela baleia, vitral da capela do Wadham College, Oxford.
O profeta Jonas engolido pela baleia. Vitral da capela do Wadham College, Oxford.
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Não rara vez ouve-se dizer que as Sagradas Escrituras constituem um amontoado de narrações míticas, por vezes até lecionadoras, mas que não devem ser mais atendidas do que outros conjuntos religiosos lendários ou poéticos, com os Vedas da Índia, ou o Corão de Maomé.

Uma dessas lendas – e das mais pitorescas – teria sido a do profeta Jonas (entre os séculos IX e VIII a.C., cfr Livro de Jonas no Antigo Testamento).

Esse profeta foi enviado por Deus para pregar penitência a Nínive, na Mesopotâmia (Iraque), cidade cujos habitantes se destacavam pela crueldade.

O profeta temia muito não ser ouvido e fracassar na missão. De início desobedeceu a Deus e não foi.

“1. A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, filho de Amati, nestes termos:

“2. ‘Levanta-te, vai a Nínive, a grande cidade, e profere contra ela os teus oráculos, porque sua iniquidade chegou até a minha presença’.” (Jonas, 1)

segunda-feira, 6 de maio de 2019

As tremendas feridas provocadas pela lançada
segundo o Santo Sudário

Montagem artística da mostra "O homem do Sudário. Foto: Luis Guillermo Arroyave, Curitiba
Montagem artística da mostra "O homem do Sudário". Foto: Luis Guillermo Arroyave, Curitiba
Luis Dufaur
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Numa entrevista especial ao jornal italiano “La Stampa” de Turim, citado por “Infovaticana” e que citamos em post anterior (cfr. Santo Sudário: por que um braço é mais longo que o outro?), o Dr. Filippo Marchisio, chefe de Radiologia do hospital de Rivoli, e Pier Luigi Baima Bollone, professor de Medicina Forense na Universidade de Turim e diretor do Centro Internacional de Sindonologia, descreveram a investigação científica do acontecido no tremendo momento em que o centurião Longino perfurou o lado de Nosso Senhor já morto na Cruz.

Para isso utilizaram equipamentos radiológicos destinados ao trabalho profissional no hospital de Rivoli.

54. O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus!”. (Mt 27,54)

39. O centurião que estava diante de Jesus, ao ver que ele tinha expirado assim, disse: “Este homem era realmente o Filho de Deus”. (Mc 15,39)

46. Jesus deu então um grande brado e disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. E, dizendo isso, expirou.

47. Vendo o centurião o que acontecia, deu glória a Deus e disse: “Na verdade, este homem era um justo”. (Lc 23,47)

Malgrado o acúmulo de provas e indícios, ainda há resistência no Vaticano a reconhecer oficialmente o Santo Sudário enquanto mortalha que verdadeiramente envolveu o Corpo do Redentor.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Santo Sudário: por que um braço é mais longo que o outro?

Braço direito é mais cumprido. Manchas nos antebraços são do sangue que correu dos pregos.
Manchas laterais são de partes queimadas no incêndio de 1532.
Trabalho digital sobre o 'negativo' do Sudário que por isso aparece invertido
Luis Dufaur
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Um dado evidenciado no Santo Sudário é a desigualdade notória na extensão de ambos os braços. A anomalia sempre intrigou os especialistas, sobre tudo considerando a maravilhosa harmonia do corpo de Nosso Senhor.

A diferença faz que não coincidam as mãos na posição mortuária. Naturalmente deveriam se cruzar e se superpor no mesmo ponto. A mão direita excede a esquerda em alguns centímetros.

Também a posição do braço direito é diversa. Ele se encontra mais separado do corpo como se a intenção fosse forçar a equidistância com a posição do braço esquerdo.

Em poucas palavras, o braço direito é mais longo que o esquerdo. A diferença entre os dois é de 6 centímetros, segundo o estudo que apresentamos neste post.

Como se explica?

O corpo de Nosso Senhor é extraordinariamente harmonioso e proporcionado. Porém nele se observam deformações provocadas pelos brutais golpes recebidos durante a Paixão, como o desvio de septo nasal.

terça-feira, 16 de abril de 2019

O rosto de Jesus Cristo impresso em Notre Dame

A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
Luis Dufaur
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“Eu não posso me esquecer que uma das viagens que eu fiz a Paris, eu cheguei à noitinha. Jantei, e fui imediatamente ver a Catedral de Notre-Dame.

Era uma noite de verão, não extraordinariamente bonita, comum.

A Catedral estava iluminada, e o automóvel em que eu vinha passava da rive gauche para a ilha, e eu via a Catedral assim de lado, e numa focalização completamente fortuita.

Ela me pareceu desde logo, naquele ângulo tomado assim, se acaso existisse ‒ em algum sentido existe ‒ eu diria que é tomado ao acaso, eu olhei e achei tão belo que eu fiquei com vontade de dizer ao automóvel:

segunda-feira, 8 de abril de 2019

As reveladoras descobertas na relíquia de Nossa Senhora de Coromoto

O olho de Nossa Senhora de Coromoto mede dois micrômetros (unidade de medida de comprimento que corresponde à milionésima (1 milhão) parte do metro)
O olho de Nossa Senhora de Coromoto mede dois micrômetros
(unidade de medida de comprimento que corresponde à milionésima (1 milhão) parte do metro)
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Os segredos de Nossa Senhora de Coromoto


Pablo González, outro dos restauradores da relíquia de Nossa Senhora de Coromoto observou:

“Nossa Senhora de Coromoto e Nossa Senhora de Guadalupe são as únicas duas aparições da Virgem Santíssima onde a Santíssima Mãe deixa um testemunho físico, não obstante a diferença enorme de tamanho.

“Ela não é uma relíquia. A Virgem Santíssima é uma mariofania, é uma manifestação viva de Maria Santíssima. A Virgem está viva ali.

“Na restauração feita em 2009 se comprovou que o olho esquerdo, por exemplo tem orbita, tem iris, tem cristalino, é um olho humano perfeitamente.

“O tamanho real do olho equivale a uma picada de uma agulha em sua parte mais fininha. Esse é o tamanho do olho. (...)

“A imagem apresentava uma mancha aparentemente como de óxido marrom que lhe cobria parte da cara e impedia totalmente ver seu rosto.

“Aparte disso tinha fungos. Estava sumamente deteriorada.

“Lembrem que foi uma imagem que durante muitíssimos anos não teve proteção, não teve vidros.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Os segredos de Nossa Senhora de Coromoto

Proporções minúsculas da imagem de Nossa Senhora de Coromoto patenteiam aspectos tecnicamente inauditos.
Proporções minúsculas da imagem de Nossa Senhora de Coromoto patenteiam aspectos tecnicamente inauditos.
Luis Dufaur
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Já tivemos oportunidade de tratarmos sobre as dificuldades técnicas apresentadas pela restauração da imagem de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela. Confira: Imagem de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela: descobertas surpreendentes

E também da humanamente inexplicável rápida recuperação.

Um conjunto de vídeos, com entrevistas e/ou testemunhos dos restauradores eles próprios, nos fornece a grata oportunidade de voltarmos ao caso, pela voz dos atores de primeira linha.

O restaurador José Luis Mateus, presidente da Associação Maria Caminho a Jesus explicou por que decidiram iniciar a delicada restauração:

“Aqueles que trabalharíamos como restauradores entramos em contato pelo fim de 2008 e ficamos alarmados pela gravidade dos danos que encontramos nEla.

“Por isso, propusemos ao bispo de Guanare [diocese do santuário], Mons. Sotero Valero através do reitor do santuário Pe. Manuel Brito fazer realizar um processo de restauração nas proximidades do Santuário.

“Em janeiro do ano 2009 a Conferência Episcopal venezuelana autorizou levar adiante o processo de restauração”.

A continuação explica o problema com que se depararam: