segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Dr. Collins: o cientista não tem como excluir a Deus

Dr. Francis Sellers Collins: a dor e a esperança  dos doentes tocou o coração do cientista
Dr. Francis Sellers Collins: a dor e a esperança
dos doentes tocou o coração do cientista
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









O Dr. Francis Sellers Collins nasceu em Staunton, estado de Virginia, EUA, em 14 de abril de 1950, e se tornou um dos cientistas mais respeitados do século.

Numa entrevista à CNN que ficou para a história, ele descreveu como abandonou o ateísmo e passou a acreditar em Deus.

Collins doutorou-se em Química e Física na prestigiosa Universidade de Yale, e em Medicina na Universidade de Carolina do Norte.

Foi diretor do Projeto Genoma Humano de 1993 até 2008, substituindo o Prêmio Nobel James D. Watson como diretor do National Center for Human Genome Research dos EUA. 

Ele é um dos responsáveis por um feito espetacular da ciência moderna: o mapeamento do DNA humano, em 2001, o código da vida.

Ele é tido como o cientista que mais rastreou genes com a finalidade de encontrar tratamento para diversas doenças.

Collins ficou conhecido porque passou a defender, como é razoável, que a investigação do mundo natural não impede a profissão da fé religiosa.

Criticado por colegas que na sua maioria negam a existência de Deus, Collins lançou em 2006 o livro The Language of God: A Scientist Presents Evidence for Belief (A linguagem de Deus: um cientista apresenta provas para crer).

Nas quase 300 páginas da obra, o biólogo conta como deixou de ser ateu para se tornar cristão e narra as dificuldades que enfrentou no meio acadêmico ao revelar sua fé.

A fabulosa complexidade do código genéticco fala de um Deus supremo  Criador da vida e de tudo quanto existe.
A fabulosa complexidade do código genéticco fala de um Deus supremo
Criador da vida e de tudo quanto existe.
A mudança espiritual começou com uma necessidade de saber e compreender. “Eu tinha faíscas, certa saudade de algo fora de mim mesmo, em certo sentido de um Deus que esteja por cima de mim e ao qual eu pudesse me aproximar”.

Porém, ele ficava preso nas atividades materiais e achava que o ateísmo era a posição “mais correta”.

Ele também estudou mecânica quântica e queria acreditar que o universo se explica com equações.

Collins virou um ponto de referência nas discussões existenciais e relativistas dos círculos intelectuais americanos dos anos 70.

“Eu assumi o propósito de tentar descobrir quais eram realmente os argumentos rigorosos existentes que para uma pessoa pensante descartariam qualquer possibilidade de Deus existir”.

Quando tinha 27 anos, praticando a medicina testemunhou a dor e a esperança de pacientes que lhe faziam pensar nessa Pessoa na qual ele se recusava acreditar.

“Lutei durante dois anos com esse debate dentro de mim mesmo, e fui chegando gradualmente à conclusão de que crer em Deus era a mais plausível das opções, mas que não podia ser provada”.

Após meses de luta interior, num dia de outono, caminhando por um bosque do noroeste dos EUA, “com meu intelecto um pouco mais claro que de costume, eu percebi que não podia seguir me resistindo e passei a crer”, contou.

Collins não ficou católico, mas protestante, porém a descrição de seu itinerário espiritual é da alma que procura sincera e gradualmente a verdade.

Muito diversa atitude dos que denigram aqueles que aderiram sem reservas Àquele que é “o Caminho, a Verdade e a Vida” na Igreja Católica.

Dr. Collins: “uma das grandes tragédias do nosso tempo  é a impressão criada de que a ciência e a religião  têm que estar em guerra uma com a outra”
Dr. Collins: “uma das grandes tragédias do nosso tempo
é a impressão criada de que a ciência e a religião
têm que estar em guerra uma com a outra”
Em seu livro A linguagem de Deus ele explica que “uma das grandes tragédias do nosso tempo é a impressão criada de que a ciência e a religião têm que estar em guerra uma com a outra”.

Pelo contrário, segundo ele, investigando a “majestosa e impressionante obra de Deus, a ciência pode servir realmente de meio para glorificá-lO”.

“Como cientista que tem fé, eu descubro na exploração da natureza uma via para compreender melhor a Deus. Pode-se encontrar a Deus no laboratório, além de numa catedral”.

Francis Collins ganhou numerosos prêmios e honras, incluindo a eleição para o Instituto de Medicina (Institute of Medicine) e a Academia de Ciências Norte-Americana (National Academy of Sciences).

Também foi galardoado com o Prêmio espanhol Príncipe de Astúrias de investigação científica e técnica em 2001.

Em 2009 foi feito membro da Academia Pontifícia das Ciências pelo Papa Bento XVI, e recebeu a Encomenda Presidencial da Liberdade das mãos do presidente dos EUA.


Vídeo: entrevista ao Dr. Francis Sellers Collins legendada. CLIQUE NA FOTO



segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Onde estão os 12 Apóstolos?

A reunião dos Santos e Venerabilissimos Doze Apóstolos', século XIV, Pushkin Museum
A reunião dos Santos e Venerabilissimos Doze Apóstolos', século XIV, Pushkin Museum
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em diversos posts abordamos as descobertas de arqueólogos e especialistas diversos dos túmulos de Santos Apóstolos que puderam ser identificados de acordo com os critérios das ciências.

Essas informações suscitam o desejo de saber, numa visão de conjunto, onde estão todos os sagrados restos dos 12 Apóstolos.

Em alguns casos, seu lugar de repouso e veneração está averiguado. Em outros, os arqueólogos trabalham afincadamente para encontrar uma luz que seja definitiva sobre o local de descanso de algum dos Apóstolos.

Já o tem feito com certeza científica em bom número deles, e continuam a se aproximarem de uma certeza análoga nos demais casos.

Nosso Senhor Jesus Cristo os enviou os Apóstolos para pregar a todas as nações, e muitos deles morreram martirizados em locais longínquos e suas relíquias atravessaram por muitas vicissitudes.

De ali que achamos interessante apresentar uma visão panorâmica sobre onde estão enterradas agora essas preciosas relíquias e o grau de certeza histórico-científica delas.

São Pedro

Jesus entrega as chaves da Igreja a São Pedro
Jesus entrega as chaves da Igreja a São Pedro

No caso de São Pedro e São Paulo os arqueólogos confirmaram a localização de seus túmulos em Roma, malgrado a arqueologia raramente alega estar certa 100% sobre qualquer descoberta.

Por volta do ano 64, São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo no Circo de Nero na Colina do Vaticano.

Os cristãos o enterraram em um cemitério próximo. Por volta do ano 326, o imperador Constantino ergueu uma grande basílica com o altar-mor acima do túmulo de São Pedro.

Mas depois de séculos de construções e reconstruções, a localização exata da sepultura ficou envolta na incerteza. Com segurança estiveram sempre em São Pedro, mas ali também foram enterradas outras pessoas.

Em 1939, trabalhadores estavam cavando uma sepultura para o Papa Pio XI nas grutas sob a Basílica de São Pedro quando um deles sentiu sua pá cortar um vazio em vez de sujeira.

Passando uma lanterna pelo buraco, a equipe de trabalho viu o interior de um mausoléu do século II.

Uma exploração posterior revelou uma necrópole romana inteira, coberta por Constantino e perfeitamente preservada. Diretamente abaixo do altar-mor de São Pedro, os arqueólogos encontraram uma tumba simples contendo os ossos de um homem idoso e robusto.

Riscado na parede do túmulo havia inúmeras orações e petições a São Pedro, bem como uma inscrição grega que dizia: “Pedro está dentro”.

Depois de anos de estudo, o Beato Papa Paulo VI declarou em 1968 que os ossos daquela tumba eram os de São Pedro.


São Paulo


Túmulo de São Paulo
Constantino construiu uma basílica sobre o túmulo de São Paulo na Via Ostia.

Em 2009, o Papa Bento XVI anunciou que os arqueólogos do Vaticano concluíram que os restos mortais guardados em um sarcófago sob o altar-mor da Basílica de São Paulo Fora dos Muros de Roma são de fato de São Paulo.


São João

Mais antiga representação de São Paulo
Segundo a tradição São João Evangelista morreu em Éfeso, hoje Turquia, por volta do ano 100. No século IV, os cristãos construíram uma capela sobre seu túmulo.

No século V, o imperador Justiniano substituiu a capela por uma grande basílica.

Depois que a área foi conquistada pelos turcos, a basílica foi convertida em uma mesquita, que por sua vez foi destruída por Tamerlão em 1402.

Na década de 1920, equipes arqueológicas da Grécia e da Áustria escavaram os restos da basílica e dentro encontraram o túmulo de São João.

A tumba estava vazia e ninguém sabe o que aconteceu com seu corpo.

Acresce que segundo algumas vozes de doutores respeitáveis, mas não unanimes, São João não teria morrido e teria sido levado em vida ao Céu.



Relicário de Santo André, catedral de Amalfi
Santo André

Santo André foi o primeiro chamado para ser Apóstolo e era irmão de São Pedro. Junto com amigos e os irmãos Tiago e João, pescavam numa barca no mar da Galiléia.

Após a Ascensão, Santo André levou o Evangelho à Rússia e à Ucrânia. Na velhice, foi para a Grécia onde foi martirizado na cidade de Patras.

Foi enterrado lá, mas em 357 a maioria de seus ossos foi transferida para Constantinopla.

Em 1204, cruzados italianos levaram essas relíquias para Amalfi, em cuja catedral permanecem até hoje.

 As que estavam em Patras permanecem numa basílica especialmente dedicada. Há numerosas outras pequenas relíquias em diversas catedrais.

São Tiago Maior

No ano 44, São Tiago Maior, irmão de São João, foi martirizado em Jerusalém, aliás foi o primeiro dos Apóstolos a dar a vida pela fé católica.

Segundo a tradição, seu corpo foi milagrosamente transportado para o norte da Espanha e enterrado em um cemitério cristão em Compostela.

Em 814, o eremita Pelayo viu uma estrela sobre um campo aberto e descobriu os restos mortais do Apóstolo.

Hoje são venerados na magnífica catedral de Santiago, em Compostela. Abaixo da catedral, os arqueólogos localizaram um cemitério cristão do primeiro século.
Urna de São Tiago o Maior, Compostela, Espanha
São Tiago Maior, Compostela, Espanha


São Tiago Menor


São Tiago Menor foi o primeiro bispo de Jerusalém. Lá foi martirizado sendo jogado do telhado do Templo.

Como caindo ainda estava vivo foi espancado e apedrejado pelos judeus até a morte.

São Tiago foi sepultado no Monte das Oliveiras olhando para Jerusalém. No século VI, o imperador Justiniano II levou suas relíquias para Constantinopla.

Em data incerta suas relíquias foram transferidas para a Igreja dos Doze Apóstolos em Roma.

 

Elas hoje estão nesse mesmo santuário com as relíquias do Apóstolo São Filipe.

São Filipe

Tumba de São Filipe e Santiago o menor Apóstolos, Basílica Dodici Apostoli, Roma
Tumba de São Filipe e Santiago o menor Apóstolos, Basílica Dodici Apostoli, Roma

Em 2011, uma equipe de arqueólogos descobriu o túmulo original de São Filipe, uma tumba romana do século I nas ruínas de um complexo religioso dos séculos IV e V.

O santuário foi destruído no século VII por um terremoto e incêndio.

As relíquias de São Filipe foram transferidas para Constantinopla, e de lá para Roma, onde ainda são veneradas com as relíquias de São Tiago Menor na cripta da Basílica dos Doze Apóstolos.


São Tomé

Urna com as relíquias de Santo Tomé Apóstol, Ortona, Itália
Urna com as relíquias de Santo Tomé Apóstol, Ortona, Itália

São Tomé viajou mais longe do que os outros apóstolos, pregando o evangelho na Índia, onde foi martirizado por um sacerdote hindu que o atravessou com uma lança.

Ele teria pregado também nas Américas.

Hoje, uma parte de seus ossos é venerada na Basílica de São Tomé em Chennai, Índia.

Mas, a maioria de seus restos mortais foi transportada para Edessa, na Mesopotâmia.

Em 1258, eles foram levados para Ortona, Itália, onde estão guardados em uma urna de ouro num altar de mármore branco na Basílica de São Tomé o Apóstolo.

São Bartolomeu

Túmulo de São Bartolomeu Apóstolo, basílica de San Bartolomeo, na ilha Tiberina, Roma

Após o Pentecostes, São Bartolomeu (também conhecido como Natanael) levou o cristianismo para a Armênia, onde foi martirizado ao ser esfolado vivo.

Em 809, suas relíquias foram transferidas da Armênia para Lipari e, em 838, para Benevento, no sul da Itália.

Em 983, o Sacro Imperador Romano Otto III, ergueu em Roma uma igreja na Ilha Tiberina no meio do Rio Tibre para as relíquias.

Portanto, em Roma e Benevento estão os principais santuários de São Bartolomeu.

São Mateus

Túmulo de São Mateus, na cripta da catedral de Salerno
Túmulo de São Mateus, na cripta da catedral de Salerno


Diz-se que o coletor de impostos que se tornou evangelista. São Mateus, pregou na Etiópia, onde foi martirizado enquanto rezava a missa.

Em 954, as relíquias de São Mateus foram transladadas de seu túmulo na Etiópia para a cidade de Salerno, na Itália. 

As relíquias são veneradas na cripta da Catedral de São Mateus de Salerno.

São Matias

Urna de São Matias, catedral de Trier, Alemanha
Urna de São Matias, catedral de Trier, Alemanha


Por volta do ano 326, a imperatriz Santa Helena encontrou o túmulo de São Matias em Jerusalém e enviou suas relíquias aos cristãos de Trier, na Alemanha.

Essas ainda são veneradas na Basílica de São Matias de Trier.

 Os onze apóstolos escolheram São Matias para substituir Judas que traiu Nosso Senhor e se enforcou.

São Simão e São Judas Tadeo

Todos os anos, milhões de peregrinos das Américas visitam a magnífica Basílica de São Pedro em Roma, e a maioria deles caminha bem ao lado do altar que contém as relíquias do imensamente popular São Judas e do menos venerado São Simão.
Santos Simão e Judas Tadeu, sepulcro na Basilica de São Pedro, Vaticano
Santos Simão e Judas Tadeu, sepulcro na Basílica de São Pedro, Vaticano

A tradição diz que os dois apóstolos viajaram juntos para pregar o evangelho na Pérsia e que os dois foram martirizados lá.

São Judas foi espancado até a morte com uma clava e Simão foi serrado ao meio.

Não se sabe quando suas relíquias foram transferidas para Roma.


segunda-feira, 31 de agosto de 2020

O túmulo originário do apóstolo São Filipe:
um mausoléu com milagres como em Lourdes

São Filipe Apóstolo catequiza eunuco etiope,
Exeter College chapel, Oxford.
Fato nos Atos 8,26-4
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Uma missão arqueológica italiana encontrou a primeira tumba de São Filipe Apóstolo.

Ele foi um dos 12  escolhidos por Nosso Senhor Jesus Cristo para serem os primeiros bispos.

Sobre eles, sob o primado de Pedro, Jesus estabeleceu a hierarquia da Igreja Católica.

A descoberta aconteceu em Pamukkale, antiga Hierápolis, na Anatólia Ocidental (Turquia).

O apóstolo Filipe morreu nessa cidade, depois de ter pregado na Grécia e na Ásia Menor, informou a agência Zenit.

Hoje as relíquias de São Filipe são veneradas na basílica dos Doze Apóstolos em Roma, para onde foram levadas em tempos remotos.

A Basílica foi construída para conservar seus restos e depois passou a ser dedicada aos Doze Apóstolos.

Está na praça do mesmo nome, junto ao Palácio Colonna, muito perto da centralíssima Piazza Venezia.

Porém, sabia-se que o primeiro túmulo do grande apóstolo estivera em Hierápolis, onde ele fora objeto de grande veneração.

Túmulo de São Filipe Apóstolo em Roma.
Junto com o apóstolo São Tiago o menor
No século IV, Eusébio de Cesareia escreveu que duas estrelas brilhavam na Ásia: João, sepultado em Éfeso, e Filipe, “que descansa em Hierápolis”.

Entretanto, a outrora orgulhosa e poderosa cidade de Hierápolis hoje está em ruínas.

Os vestígios do túmulo original haviam desaparecido.

Agora, a feliz descoberta foi realizada pela missão arqueológica italiana iniciada em 1957.

A missão de uma equipe internacional foi dirigida desde o ano 2000 por Francesco D’Andria, professor da Universidade de Salento-Lecce e diretor da Escola de Especialização em Arqueologia dessa universidade.

Por mais de trinta anos, ele trabalhou em Hierápolis, procurando o túmulo de São Filipe.

Em 2008, a equipe encontrou a rua que os peregrinos percorriam para chegar ao sepulcro do apóstolo. Até que no fim se atingiu essa tão procurada meta.

Ruínas de Hierápolis
“Junto ao Martyrion (edifício de culto octogonal, construído no lugar onde São Filipe foi martirizado), encontramos uma basílica de três naves, do século V”, explicou o diretor da missão.

“Esta igreja foi construída ao redor de um túmulo romano do século I, que evidentemente gozava da máxima consideração, já que mais tarde se decidiu edificar ao seu redor uma basílica.

"Trata-se de uma tumba em forma de nicho, com uma câmara funerária.”

Colocando em relação esses e muitos outros elementos, “chegamos à certeza de ter encontrado o túmulo do apóstolo Filipe, que era meta de peregrinação a este lugar”, afirma D'Andria.

Todas as grandezas terrenas, como a da pomposa Hierápolis, passam e caem no esquecimento dos próprios humanos.

Museu de Hierápolis
A grandeza dos santos, embora perseguidos e menosprezados em vida, permanece para sempre.

Seus túmulos são procurados até por especialistas sem fé, erguem-se igrejas para eles em cidades longínquas.

Até que no dia do Juízo Final ressuscitem em corpo e alma para reinar eternamente em tronos junto a Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Cristofobia que hoje se manifesta na Turquia nessa hora terá sido reduzida a nada.


Fala o chefe da missão para achar o túmulo do apóstolo Filipe


Professor Francesco d'Andria
Professor Francesco d'Andria

“Há poucas notícias históricas sobre São Filipe”, diz o professor Francesco d'Andria, diretor da missão arqueológica que fez a descoberta.

Pelos Evangelhos sabe-se que era natural de Betsaida, no Lago de Genesaré, portanto pertencia a uma família de pescadores.

São João em seu Evangelho conta que São Filipe entrou no grupo de apóstolos desde o início da vida pública de Jesus, ele é o quinto depois de Tiago, João, André e Pedro.

“Pelos Atos dos Apóstolos sabemos que Filipe estava presente com os outros no momento da Ascensão de Jesus e no dia de Pentecostes, quando aconteceu a descida do Espírito Santo. A informação escrita termina nesse dia. Todo o resto vem da tradição”.

São Filipe Apostolo, Bernat Jiménez (1483-1487) Igreja Paroquial de Blesa, Teruel. Museu de Zaragoza
São Filipe Apóstolo, Bernat Jiménez (1483-1487)
Igreja Paroquial de Blesa, Teruel. Museu de Zaragoza
Segundo a tradição e os documentos antigos dos Santos Padres, São Filipe evangelizou nos últimos anos de sua vida em Hierápolis, na Frígia.

“Eusébio de Cesareia, em sua História Eclesiástica, refere que Papías, que foi bispo de Hierápolis no início do século III, conheceu as filhas de São Filipe e delas aprendeu detalhes importantes da vida do apóstolo, entre eles também a história de um milagre retumbante: a ressurreição de um morto”.


São Filipe morreu e foi sepultado em Hierápolis, no ano 80 DC. C., quando tinha cerca de 85 anos. 

Ele morreu mártir pela fé, crucificado de cabeça para baixo como São Pedro.

Em uma data não especificada, o corpo de Filipe foi levado a Constantinopla para protegê-lo da profanação pelos bárbaros.

No século VI, sob o Papa Pelágio I, foi transferido para Roma e sepultado junto com o Apóstolo Tiago na igreja construída para eles chamada “Dos Santos Apóstolos”.

Em 1957, o professor Paolo Verzone, professor de engenharia da Politécnica de Turim, foi o primeiro a procurar o túmulo do apóstolo.

Ele concentrou as escavações em um monumento conhecido como a igreja de São Filipe, e descobriu uma extraordinária igreja octogonal.

Essa fazia pensar em um santuário identificado como o Martyrion, ou seja, a igreja do martírio de São Filipe, mas nunca encontrou nada que fizesse pensar no túmulo.

Vista aérea das ruínas do Martyrion
Vista aérea das ruínas do Martyrion
Pelas fotos de satélite vê-se que o Martyrion era o centro de um grande e articulado complexo devocional, identificamos uma escadaria de travertino, com largos degraus inclinados que levavam ao topo, diz o prof. d’Andria.

Foi uma descoberta esclarecedora que nos fez compreender que toda a colina fazia parte de uma rota de peregrinação.

Cavando e limpando, veio à luz a planta de uma grande igreja com planta de basílica, com três naves.

Igreja maravilhosa, com capiteis de mármore, decorações requintadas, cruzes, frisos, ramos de plantas, palmeiras estilizadas dentro de nichos e um piso central com mosaicos de mármore com motivos geométricos coloridos: todos referentes ao século V.

Mas, no centro desta construção maravilhosa havia algo que nos tirou o fôlego.

Uma tumba romana típica do século I d.C. estava no centro da igreja construída ao redor do túmulo.

Podia ser o túmulo onde o corpo de São Filipe foi depositado após sua morte.
“Ao redor desse túmulo localizamos um grande complexo arqueológico que mostra que São Filipe, em Hierápolis, nos primeiros séculos da história cristã, gozou de grande popularidade e o culto a ele atribuído foi máximo”, diz o professor Francesco D’Andria.
Túmulo romano onde repousaram originalmente os restos de São Filipe Apostolo.
Túmulo romano onde repousaram originalmente os restos de São Filipe Apóstolo.
No verão de 2011, elementos extraordinários confirmaram nossas premissas.

Vimos que as superfícies de mármore dos degraus foram consumidas pela passagem de milhares e milhares de pessoas.

Portanto, o túmulo recebeu uma extraordinária veneração.

Na fachada, nas paredes, encontram-se numerosos grafites com cruzes.

Encontramos, conta d’Andria, banheiras de água para imersão individual para os peregrinos enfermos, que após venerarem o túmulo, eram submersos nessas banheiras, como é feito em Lourdes.

Mas a confirmação principal, eu diria matemática, que atesta sem sombra de dúvida que aquela construção é a tumba de São Filipe, vem de um pequeno objeto que está no museu de Richmond, nos EUA, acrescenta.

É um selo de bronze usado para autenticar o pão de São Filipe para distribuir aos peregrinos.

Foram encontrados ícones representando São Filipe com um grande pão na mão.

E este pão, para o distinguir do pão comum, era marcado com aquele selo para que os peregrinos soubessem que se tratava de um pão especial, para ser conservado com devoção.

Nesse selo existem imagens.

Há a figura de um santo e uma inscrição que diz “São Filipe”. Todos os especialistas disseram que veio de Hierápolis.

Selo do pão de São Filipe em Hierápolis
Selo do pão de São Filipe em Hierápolis
A figura do santo é apresentada entre dois edifícios: o da esquerda é coberto por uma cúpula, e representa o Martyrion octogonal.

O da direita do santo tem cobertura de duas águas como a da igreja com três naves que agora descobrimos.

Parece certamente uma representação feita no século VI do então existente complexo em torno do túmulo de São Filipe.

Portanto, naquele selo é indicado que o túmulo estava na basílica e não no Martyrion.

Concluímos uma obra iniciada há 55 anos.

Tive a honra de apresentar a descoberta na Pontifícia Academia Arqueológica de Roma, perante estudiosos e representantes do Vaticano.


segunda-feira, 17 de agosto de 2020

O apocalíptico fim de Sodoma, segundo os arqueólogos

Lot e filhas fogem de Sodoma. John Martin (1789-1854), Wellcome Library no. 15821i
Ló e filhas fogem de Sodoma. John Martin (1789-1854), Wellcome Library no. 15821i
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Sodoma e Gomorra, juntamente com mais três cidades – Adama, Seboim e Bala – formavam a chamada Pentápolis.

A destruição delas foi sempre uma lição para a humanidade. Bala, também conhecida como Zóar ou Segor, onde se refugiou Ló e cuja localização não se conhece, teria sido perdoada nas condições indicadas pela Bíblia.

Mas muitas vezes esse perdão lhe foi recusado como uma fantasia exageradamente trágica.

E se a realidade superar em horror qualquer fantasia?

É o que apontam estudos que já levam anos na região suposta da Pentápolis, junto ao Mar Morto, feitos por equipes multidisciplinares de cientistas de diversas procedências.

“24. O Senhor fez então cair sobre Sodoma e Gomorra uma chuva de enxofre e de fogo, vinda do Senhor, do céu.

25. E destruiu essas cidades e toda a planície, assim como todos os habitantes das cidades e a vegetação do solo.

26. A mulher de Ló, tendo olhado para trás, transformou-se numa estátua de sal.

27. Abraão levantou-se muito cedo e foi ao lugar onde tinha estado antes com o Senhor. [Google maps: até 162 kms]

28. Voltando os olhos para o lado de Sodoma e Gomorra e sobre toda a extensão da planície, viu subir da terra um fumo espesso como a fumaça de uma grande fornalha.

29. Quando Deus destruiu as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e livrou Ló do flagelo com que destruiu as cidades onde ele habitava." Gênesis, 19



Ubicação mais provável de Sodoma e Gomorra. O Mar Morto era maior e de nível mais alto.
Vai tomando cientificamente corpo a reconstrução do fenômeno pelo qual toda a civilização humana e toda forma de vida terminou abruptamente há 3.700 anos nas margens do Mar Morto, relata o jornal “The Times of Israel”

A explosão maciça de um meteorito, registrada há mais de 100 anos na Rússia, permitiu explicar por via de semelhança o desastre bíblico, comparando as evidências arqueológicas similares.

Em 1908, uma grande explosão perto do rio Stony Tunguska, na Sibéria, arrasou cerca de 2.000 quilômetros quadrados de florestas desabitadas de taiga.

Nenhuma cratera foi descoberta e os cientistas explicam o fenômeno através de uma explosão de meteoro entre 5 e 10 km acima da superfície.

A explosão de Tunguska está servindo como modelo explicativo do fim de uma civilização próspera que viveu por milhares de anos em uma planície perto do Mar Morto, no local hoje denominado Tall el-Hammam, na Jordânia, comumente denominado Sodoma.

Segundo a revista Science News, numa recente Reunião Anual da American Schools of Oriental Research – ASOR, sediada em Denver, o diretor de análise científica do Projeto de Escavação Tall el-Hammam (TeHEP), Phillip J. Silvia, apresentou o artigo: “O evento na região do Ghor Médio há 3.700 anos: O fim catastrófico de uma civilização da Idade de Bronze” (“The 3.7kaBP Middle Ghor Event: Catastrophic Termination of a Bronze Age Civilization”) durante uma sessão sobre Arqueologia Ambiental do Antigo Oriente Próximo. Texto completo em PDF.

As evidências apontam um evento explosivo de “alta temperatura” ao norte do Mar Morto que instantaneamente “devastou aproximadamente 500 km2”.

A explosão teria destruído toda a civilização e forma de vida na área, incluindo outras cidades e vilarejos, plantações e animais de toda espécie, além da atividade microbacteriana na terra.

Silvia disse a Science News que a explosão matou instantaneamente entre 40 mil e 65 mil pessoas que habitavam a região do Ghor Médio, uma planície circular de 25 quilômetros de largura na Jordânia.

O solo fértil teria sido perdido porque os nutrientes foram consumidos pelo elevado calor, e as ondas salgadas do Mar Morto teriam esterilizado a área circundante, invadindo-a como um tsunami.

Sodoma e Gomorra em fogo, Herri met de Bles  (1510 – 1555), Museu Nacional de Varsóvia
Sodoma e Gomorra em fogo, Herri met de Bles (1510 – 1555), Museu Nacional de Varsóvia
A explosão causou também fortes ventanias quentes que depositaram uma chuva de grãos minerais, encontrados em cerâmicas em Tall el-Hammam.

Foram escavados cinco grandes locais na região que ofereceram provas adicionais do fim imediato da população no desastre.

A datação por radiocarbono mostrou que as paredes de tijolos de barro das construções “desapareceram repentinamente cerca de 3.700 anos atrás, poupando apenas os alicerces de pedra”.

Os esmaltes dos objetos da época experimentaram temperaturas altas suficientes para transformá-los em vidro.

Para isso foi necessário “um calor talvez tão elevado como a superfície do sol”, disse o Prof. Phillip Silvia.

O Prof. Silvia, que ensina na Trinity Southwest University, juntou-se a uma equipe multidisciplinar de cientistas da New Mexico Tech, Universidade do Norte do Arizona, Universidade Estadual da Carolina do Norte, Universidade Estadual Elizabeth City (NC), Universidade DePaul, Universidade Trinity Southwest, Grupo de Pesquisa Cometa e Laboratórios Nacionais de Los Alamos.

Eles analisaram amostras de 12 temporadas de escavações em Tall el-Hammam e concluíram que a explicação mais lógica para a morte da região foi uma explosão de meteoros.

“Múltiplas linhas de evidência sugerem coletivamente um evento cósmico semelhante ao de Tunguska (Rússia), que apagou a civilização – incluindo a cidade-estado da Idade do Bronze, Tall el-Hammam – no Ghor Médio (planície circular de 25 km de diâmetro imediatamente ao norte do Mar Morto) por volta do ano 1.700 a.C., ou 3.700 anos antes do presente (3.7kaBP)”, escrevem os autores.

“Levou pelo menos 600 anos para a região se recuperar suficientemente da destruição e da contaminação do solo antes que a civilização pudesse se estabelecer novamente”, eles escrevem.

De acordo com um artigo de 2013 da Revista da Arqueologia Bíblica (Biblical Archaeology Review) do co-diretor do TeHEP, Dr. Steven Collins, o lugar de Tall el-Hammam é forte candidato a ser a cidade bíblica de Sodoma devido a uma infinidade de fatores.

Coluna de sal chamada 'mulher de Ló' perto do Mar Morto.
Coluna de sal chamada 'mulher de Ló' perto do Mar Morto.
Entre outras citações bíblicas, Collins cita o Gênesis acima reproduzido.

Collins foi ao local, testemunhou os efeitos de tal destruição e descreveu: “A conflagração violenta que terminou com o povoamento em Tall el-Hammam produziu cerâmica derretida, pedras fundamentais queimadas e vários metros de cinzas e destroços”.

A explosão de meteoros e suas consequências catastróficas teriam sido as causas naturais da destruição maciça executada por ordem divina na orgulhosa cidade pecadora de que fala a Bíblia?

Silvia e Collins escreveram que “as evidências físicas de Tall el-Hammam e locais vizinhos exibem sinais de choque violento e abrasivo altamente destrutivo que se pode esperar seja o descrito em Gênesis 19”.

Os estudos do pesquisador de energia atômica Samuel Gladstone levam a calcular que “o efeito da explosão de 10 megatons [dez milhões de toneladas] no canto nordeste do Mar Morto seria suficiente para produzir o dano físico observado a 10 km de Tall el-Hammam.

“Observe-se que essa é apenas metade da força da explosão de Tunguska (na Sibéria), bem dentro da experiência humana ‘recente’ de explosões de meteoritos!”, escrevem.

“A destruição não apenas de Tall el-Hammam (Sodoma), mas também de seus vizinhos (Gomorra e as outras cidades da planície) foi provavelmente causada por explosão de meteorito”, concluem.

Na Biblical Archaeology Review, Collins aponta como argumento sólido que o grande desastre ficou gravado na memória cultural coletiva que é preservado na tradição bíblica.

“A memória da destruição da região com sua grande população e extensas terras agrícolas foi conservada no Livro do Gênesis e, finalmente, incorporada a uma tradição oral que lembra um lugar consumido por uma catástrofe inflamada que 'proveio dos céus'”, escreve ele.

E “a Bíblia dá o nome dessa cidade: Sodoma”.

Outras hipóteses não concluem

Graham Harris, geólogo aposentado, apaixonado por enigmas antigos, foi citado nesta polemica pela BBC, por defender que as pistas certas estão na própria Bíblia.

Harris passou uma década trabalhando na área onde a Bíblia coloca Sodoma e Gomorra, na região do Mar Morto, entre Israel e Jordânia. Ele se inclinou para a hipótese de um grande terremoto que provocou um deslizamento de terra colossal capaz de produzir completa destruição.

Tall el-Hammam, só os alicerces de pedra não foram calcinados
Tall el-Hammam, só os alicerces de pedra não foram calcinados
A professora Lynne Frostick, geóloga da Universidade Hull, na Inglaterra, e Jonathan Tubb, do Museu Britânico, viajaram para o Oriente Médio para investigar a hipótese de Harris.

As descobertas de suas pesquisas permitiram ao Dr. Gopal Madabhushi, do Cambridge University Centrifuge Laboratory, na Inglaterra, construir um modelo preciso e em escala reduzida dos prédios em Sodoma e do terreno sobre o qual foi construída.

Madabhushi submeteu o modelo a um terremoto simulado que provaria como cidades inteiras puderam ser destruídas.

Jonathan Tubb objetou que toda a área ao redor do Mar Morto é seca e árida, e não concorda com a imagem bíblica de cidades prósperas.

Porém, escavou um local chamado Tell es-Sa'idiyeh, ao norte do Mar Morto, e achou restos de uma antiga fábrica de azeite. Isso prova que a vida na região foi sofisticada em remotos tempos.

Mais ainda, Tubb acredita que no início da Idade do Bronze ali existiram as únicas cidades que correspondiam às descrições de Sodoma e Gomorra.

O professor antropólogo forense americano Mike Finnegan achou perto do Mar Morto os esqueletos de três homens com sinais de terem sido esmagados num terremoto.

A professora Lynne Frostick consultou o geólogo israelense Shmuel Marco, que lhe mostrou uma enorme falha causada por um terremoto antigo de pelo menos seis na escala Richter.

Se fosse um terremoto, por maior que tivesse sido, teria derrubado os edifícios e deixado ruínas, mas não destruído totalmente, como descrito pela Bíblia e constatado por cientistas.

Então a suposição de um terremoto, avançada por Harris, não parece plausível.

A formação de imensas e catastróficas barreiras – outra hipótese – exigiria que o solo ao redor do Mar Morto contivesse muita água, ou que Sodoma e Gomorra estivessem à beira d’água.

O Dr. Gopal Madabhushi, trabalhando na centrífuga, 'disparou' um terremoto de força seis que criou uma cena de extrema calamidade.

Porém, experimentos em laboratório podem ser muito úteis, mas precisam ser corroborados por achados na própria realidade. E isso falta totalmente a esta hipótese, de momento carente de fundamento in re.

Sopé do Moute Sodoma, onde começava a planície de Sodoma. As construções são recentes.
Sopé do Moute Sodoma, onde começava a planície de Sodoma.
As construções são recentes.
Calor como na superfície do sol

O site australiano de notícias News.com.au julgou como mais seguro e fundado em fatos, além do testemunho bíblico, tratar-se da explosão de um asteroide superaquecido que gerou uma enorme bola de fogo, produzindo ondas de choque no Mar Morto, ou tsunamis.

O site cita o mencionado arqueólogo e pesquisador bíblico da Universidade Trinity Southwest, Phillip Silvia, para quem a área foi colonizada durante pelo menos 2500 anos, até sofrer repentinamente um colapso coletivo.

A catástrofe foi de tal maneira abrupta que já foram achados restos de mais de 120 aldeamentos que teriam desaparecido expostos à explosão ígnea.

Silvia não fala com experimentos de laboratório, mas com o conhecimento de 13 anos de escavações na área, feitas com uma numerosa e graduada equipe.

E os dados colhidos fornecem a maior evidência preliminar de um meteoro que estourou em baixa altitude.

“No início do terceiro milênio a.C., ocorreram perturbações dramáticas na relativa paz da região [leia-se guerras], fazendo com que os habitantes de Tall el-Hammam construíssem um formidável sistema defensivo que incluísse uma muralha de tijolos de pedra e lama”, explica ele.

O reino de Sodoma tinha tudo para continuar a prosperar protegido, e de fato o fez. Até que, de repente, desapareceu.

Que calamidade aconteceu? Isso chamou muito a atenção dos cientistas Silvia e Collins.

Panorama de cinzas na região de Sodoma e Gomorra junto ao Mar Morto
Panorama de cinzas na região de Sodoma e Gomorra junto ao Mar Morto
“Enquanto as cidades a oeste (Jerusalém, Betel, Hebrom), norte (Deir 'Alla, Pella, Beth Shan) e leste (Rabbath-Ammon, Tall al-Umayri, Nebo) continuaram sua existência no final da Idade do Bronze, as cidades e vilarejos do leste do Jordan Disk, não”, entre eles a Pentápolis.

“Que a terra agrícola mais produtiva da região, que apoiou civilizações florescentes continuamente por pelo menos 3000 anos, repentinamente deixe de existir e depois resista à habitação humana por um período tão longo de tempo, é algo que pede investigação”.

Phillip Silvia diz que a onda de choque do estouro do asteroide provavelmente jogou um tsunami de salmoura do Mar Morto sobre o que antes era terra fértil.

“As amostras do solo que virou cinza coletadas em Tall el-Hammam contêm evidências de destruição e contaminação do subsolo com sais do Mar Morto, o que impediria o cultivo de culturas por muitos séculos após o evento”.

Os sobreviventes dos cerca de 50.000 moradores da área foram forçados a sair.

Por isso, os professores Silvia e Steven Collins afirmam que os dados colhidos em Tall el-Hammam afirmam que a tese da destruição pelo meteorito é inteiramente consistente com a História e com o Gênesis.

Eles apresentam o achado de cristais de zircão, que só poderiam se formar no primeiro segundo da explosão de calor extremo, ou por temperaturas tão quentes como a superfície do sol.

Confirmando a explosão no ar, foram descobertos pequenos grãos minerais esféricos que choveram após a detonação, junto com quantidades incomuns de platina-paládio, diz Silvia.

“Atualmente, os resultados da pesquisa referentes ao “Evento 3.7KYrBP Kikkar” estão sendo compilados para publicação e apresentação”, relata o site do Tall-el-Hammam Excavation Project (TeHEP).






segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Planeta de diamante: luxo que só Deus pode criar

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O conceituado Max-Planck-Institute für Radioastronomie, de Berlim, anunciou que uma equipe internacional de astrônomos da Austrália, Alemanha, Itália, Reino Unido e EUA, incluindo o Prof. Michael Kramer, do próprio Max Planck Institute for Radio Astronomy, identificaram um planeta quase todo feito de diamante.

Esta espécie de jóia natural gira em torno de uma pequena estrela nos confins da Via Láctea – a nossa galáxia.

O planeta é assaz mais denso do que qualquer outro já observado e consiste quase só de carbono.

Por causa de sua densidade, os cientistas concluíram que o carbono deve se encontrar em estado cristalino. Em outras palavras, todo ou grande parte dele é feita mesmo de diamante, a preciosíssima pedra que sempre fascinou os homens.

Na Terra, o diamante é pedra muito rara e muito cotada.
Na foto: o Oppenheimer achado na África do Sul
Os dados foram conferidos e confirmados por observações feitas com o radiotelescópio de Lovell, Reino Unido, e o de Keck em Hawaii.

“A história e a incrível densidade desse planeta sugerem que ele é composto de carbono.

“Ou seja, é um enorme diamante orbitando uma estrela de nêutrons a cada duas horas, numa órbita tão estreita que caberia dentro do nosso Sol”, explicou Matthew Bailes, da Universidade de Tecnologia Swinburne, de Melbourne, Austrália.

Sua massa é ligeiramente superior à de Júpiter, mas é 20 vezes mais denso.

“A densidade do planeta é, pelo menos, a da platina”, acrescentou. A platina, também conhecida como ouro branco, é altamente valorizada pela sua beleza e pureza nas joalherias.

A equipe pôde detectar e analisar o “planeta de diamante” com o radiotelescópio de 64 metros de Parkes, Austrália. Outras características sugerem tratar-se de um ‘pulsar’.

O intrigante e maravilhoso planeta (conhecido tecnicamente como pulsar PSR J1719-1438 se encontra a 4.000 anos luz da Terra, na constelação de Serpente, na Via Láctea.

Os pulsares são estrelas de nêutrons, pequenas e mortas, com apenas cerca de 20 quilômetros de diâmetro, girando centenas de vezes por segundo e emitindo feixes de radiação.

Costumam ser lapidados para ressaltar a beleza.
Na foto o "Incomparável", 3º maior do mundo, de rara cor champagne.
O que é ao lado de um diamante de dimensão planetária?
Os feixes do planeta varrem regularmente a Terra e já foram monitorados por telescópios da Austrália, do Reino Unido e do Havaí.

Sua grande densidade sugere que os elementos mais leves – hidrogênio e hélio – que compõem a maior parte de gigantes gasosos, como Júpiter, não estão presentes.

Como será o aspecto de um mundo todo feito de diamante?

Para os cientistas, isto é um mistério. “Em termos do seu aspecto, não sei nem se posso especular”, confessou Ben Stappers, da Universidade de Manchester.

Para os simples leigos, entretanto, podem pôr-se perguntas de outra natureza.

Por que Deus terá querido criar um planeta todo ele de diamante?

Mais ainda, por que ele terá querido que os homens apenas possam contemplar essa singular jóia astronômica desde uma imensa distância, tornando-a inacessível?

Sem dúvida, sendo todo-poderoso, Deus pode sem esforço algum criar essa maravilha que agora a ciência desvenda. As estrelas não brilham na noite como diamantes no céu?

Porém, Deus quis que os homens chegassem a conhecer essa imensa pedra preciosa. E certamente Ele, que é a Sabedoria infinita, teve a intenção de nos ensinar algo.

Talvez tenha pensado em fazer bem aos homens de nossa época, única capaz – pelo menos até agora – de contemplar esse luxo exclusivo de um Deus: um diamante do tamanho de um planeta.

O diamante aparece na Revelação simbolizando a dureza:

“acha-se inscrito o pecado de Judá com estilete de ferro; e gravado com ponta de diamante sobre a pedra de seu coração” (Jeremias 17,1);

A nobreza do diamante justifica
ser usado para a glória de Deus.
Foto: custódia de diamantes, Palermo, Itália, séc. XIX.
“a casa de Israel recusará escutar-te, porque eles não querem atender a mim! Pois, toda a casa de Israel nada mais é do que gente teimosa, de coração insensível.

Pois bem!, tornarei o teu semblante tão endurecido quanto o deles; vou dar a teu rosto a rigidez do diamante, que é mais resistente que a rocha.

Não os temas, pois, e não te deixes amedrontar por causa deles, pois são uma raça de recalcitrantes” (Ezequiel, 3, 7-9).

Mas o diamante aparece também como símbolo da perfeição, virtude e beleza, entre outras pedras preciosas que são do agrado de Deus. Ezequiel transmitiu nestes termos a palavra do Senhor ao príncipe de Tiro, referindo-se a um passado em que ele tinha sido bom:

“Eis o que diz o Senhor Javé: Eras um selo de perfeição, cheio de sabedoria, de uma beleza acabada.

13. Estavas no Éden, jardim de Deus, coberto de gemas diversas: sardônica, topázio e diamante, crisólito, ônix e jaspe, safira, carbúnculo e esmeralda; trabalhados em ouro. Tamborins e flautas, estavam a teu serviço, prontos desde o dia em que foste criado”. (Ezequiel, 28, 12-14)

Particularmente instrutivo da “mentalidade de Deus” – para dizer em termos talvez muito humanos – é a utilização das pedras preciosas.

Entre elas sobressai o diamante, utilizado nas vestes e nos símbolos religiosos que Deus mandou confeccionar para Aarão, irmão de Moisés, ungido Sumo Sacerdote. Portanto, uma prefigura do Papa:

Lemos no Êxodo 28:

3. Fala aos homens inteligentes a quem enchi do espírito de sabedoria, para que confeccionem as vestes de Aarão, de sorte que ele seja consagrado ao meu sacerdócio.

4. Eis as vestes que deverão fazer: um peitoral, um efod, um manto, uma túnica bordada, um turbante e uma cintura. Tais são as vestes que farão para teu irmão Aarão e para os seus filhos, a fim de que sejam sacerdotes a meu serviço;

Deus mandou a Moisés
que o Sumo Sacerdote fosse ornado com tudo
quanto há de mais nobre, rico e simbólico.
Efod no peito.
5. empregarão ouro, púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho fino.

6. O efod será feito de ouro, de púrpura violeta e escarlate, de carmesim e de linho fino retorcido, artisticamente tecidos.

7. Nas duas extremidades, haverá duas alças, que o sustentarão.

8. O cinto que se passará sobre o efod para fixá-lo será feito do mesmo trabalho e fará com ele uma só peça: ouro, púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho fino retorcido.

9. Tomarás duas pedras de ônix e gravarás nelas o nome dos filhos de Israel:

10. seis nomes numa pedra, seis noutra, por ordem de idade.

11. Os nomes dos filhos de Israel, que gravarás nas duas pedras, serão à maneira de selos gravados por lapidadores; e as duas pedras serão encaixadas em filigranas de ouro. (...)

13. Farás engastes de ouro

14. e duas correntinhas de ouro puro entrelaçadas em forma de cordões, que fixarás nos engastes.

15. Farás um peitoral de julgamento artisticamente trabalhado, do mesmo tecido que o efod: ouro, púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho fino retorcido.

Tiara (coroa do Papa) usada por Pio VII
16. Será quadrado, dobrado em dois, do comprimento de um palmo e de largura de um palmo.

17. Guarnecê-lo-ás com quatro fileiras de pedrarias. Primeira fileira: um sárdio, um topázio e uma esmeralda;

18. Segunda fileira: um rubi, uma safira, um diamante;

19. terceira fileira: uma opala, uma ágata e uma ametista;

20. quarta fileira: um crisólito, um ônix e um jaspe. Serão engastadas em uma filigrana de ouro.

21. E, correspondendo aos nomes dos filhos de Israel, serão em número de doze, e em cada uma será gravado o nome de uma das doze tribos, à maneira de um sinete. (...)

26. Farás ainda dois anéis de ouro que fixarás nas duas extremidades do peitoral, na sua orla interior aplicada contra o efod. (...)


28. Prender-se-ão os anéis do peitoral aos do efod por meio de uma fita de púrpura violeta, a fim de que o peitoral se fixe sobre a cintura do efod, e assim não se separe dele. (...)

31. Farás o manto do efod inteiramente de púrpura violeta.

32. Haverá no meio uma abertura para a cabeça, e em volta uma orla tecida, que será como a abertura de um corselete, para que não se rompa.

33. Em volta de toda a orla inferior, porás romãs de púrpura violeta e escarlate, assim como carmesim, entremeadas de campainhas de ouro:

Tiara do Beato Papa Pio IX, doada pelos católicos belgas
34. uma campainha de ouro, uma romã, outra campainha de ouro, outra romã em todo o contorno da orla inferior do manto. (...)

36. Farás uma lâmina de ouro puro na qual gravarás, como num sinete, Santidade a Javé

37. Prendê-la-ás com uma fita de púrpura violeta na frente do turbante.

38. Estará na fronte de Aarão, que levará assim a carga das faltas cometidas pelos israelitas, na ocasião de algumas santas ofertas que possam apresentar: estará continuamente na sua fronte, para que os israelitas sejam aceitos pelo Senhor.

39. Farás uma túnica de linho, um turbante de linho e uma cintura de bordado.

40. Farás túnicas para os filhos de Aarão, cinturas e tiaras, em sinal de dignidade e de ornato.

41. Revestirás desses ornamentos teu irmão Aarão e seus filhos e os ungirás, os empossarás e os consagrarás, a fim de que sejam sacerdotes a meu serviço.

42. Far-lhes-ás também, para cobrir a sua nudez, calções de linho que irão dos rins até as coxas.

43. Aarão e seus filhos os levarão quando entrarem na tenda de reunião, ou quando se aproximarem do altar para fazer o serviço do santuário, sob pena de incorrerem numa falta mortal. Esta é uma lei perpétua para Aarão e sua posteridade.”
Deus não poupa riquezas, até as exige em superabundância para as vestes do sacerdote que o representará no mais alto degrau da religião verdadeira.

E, num degrau menor, mas sempre riquíssimo e pomposo, dos sacerdotes submetidos ao Sumo Sacerdote.

Cálice dito "do abade Suger". França.
Criador do ouro e das pedras preciosas como o diamante, Deus os criou com Sabedoria divina para uma finalidade.

Aqui vemos uma de suas mais altas finalidades. Tão importante a ponto de os sacerdotes que não as utilizarem segundo prescrito “incorrerem numa falta mortal”. E isto vale para sempre: “Esta é uma lei perpétua para Aarão e sua posteridade”.

Esta prescrição do culto divino é, aliás, interessante para a polêmica sobre o modo de os sacerdotes se apresentarem no altar.

Porém, a descoberta científica que está na origem deste post nos leva a uma pergunta.

Se Deus tivesse querido evidenciar ainda mais aos homens do século XXI o quanto Ele preza os materiais nobres como o ouro e as pedras preciosas, o que teria feito?

Nós, humanos, fiéis católicos, poderíamos levantar muitas hipóteses. Alguns, desejando legitimamente se mostrar mais entusiastas de Deus, teriam avançado as idéias mais arrojadas.

Mas quem teria podido imaginar, instalado por Deus em algum canto do Universo, um diamante do tamanho de um planeta, cuja única finalidade é a de brilhar para Lhe dar glória e convidar à admiração seus filhos que moram a milhões de anos luz da jóia sem igual?

Esse imenso supérfluo dá uma lição à mediania e curteza de vista. E uma extraordinária oportunidade para cantar a glória, o poder e a Sabedoria do Criador.

Agradeçamos à ciência que nos trouxe esta tão preciosa notícia da maravilha criada pelo Autor e Senhor dos Céus e da Terra.