segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A “escada milagrosa” de São José
é verdadeiramente miraculosa?

A escada inexplicável cuja construção a piedade atribui a a São José
A escada inexplicável cuja construção a piedade atribui a a São José
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Há na cidade de Santa Fé, no Estado do Novo México, EUA, uma capela conhecida como Loretto Chapel.

Nela destaca-se uma bela e despretensiosa escada.

A piedade tradicional atribui a construção a São José.

Mas, quem a fez? Como a fez? Ninguém consegue descifrar o mistério da "escada milagrosa".

A piedosa tradição

Em 1898 a Capela passou por uma reforma. Um novo piso superior foi feito, porém faltava a escada para subir.

As Irmãs consultaram os carpinteiros da região e todos acharam difícil fazer uma escada numa Capela tão pequena.

As religiosas, então, rezaram uma novena a São José para pedir uma solução.

No último dia da novena, apareceu um homem com um jumento e uma caixa de ferramentas. Ele aceitou fazer a escada, porém exigiu que fosse com as portas fechadas.

Meses depois a escada estava construída como queriam as Irmãs. No momento de pagar o serviço, o homem desapareceu sem deixar vestígios.

As religiosas puseram anúncios no jornal local e procuraram por toda a região sem encontrar quaisquer noticias ou informações sobre o ignoto carpinteiro.

Nesse momento as Irmãs perceberam que o homem poderia ser São José, enviado por Jesus.

Fachada da capela
Fachada da capela
Há vários elementos que reforçam a aura de piedoso mistério que envolve a construção da escada:

A madeira utilizada não é da região, e ninguém sabe como foi parar lá.

Também não foi utilizado prego na escada, apenas pinos de madeira.

Além do mais, hoje soa misterioso que ela se mantenha em pé pois é do tipo caracol e não tem apoio central.

Na verdade apenas um apoio colateral metálico foi acrescentado a posteriori . Mas isso não resolve a essência do incógnita.

Diz-se que engenheiros e arquitetos não conseguiram desvendar a física por trás da obra.

Por fim, a escada tem 33 degraus, a idade de Jesus Cristo, o que reforça ainda mais a suposição de um fenômeno de origem sobrenatural.

A Capela recebe em média 200 casamentos por ano e centenas de turistas. Ela ficou conhecida como a Escada Milagrosa.

Grande número de artigos e programas de TV foram dedicados a ela e seus “mistérios”. O essencial do piedoso relato encontra-se no site oficial da Capela .

Interior da capela
Interior da capela
As objeções de um cético

Mas, também apareceram análises objetantes ou céticas. Uma das mais características foi do Comitê de Inquérito Cético (The Committee for Skeptical Inquiry). O “cético” responsável pela análise é Joe Nickell.

Ele é autor do livro sintomaticamente intitulado “À procura de um milagre” e outros escritos que põem em dúvida até realidades que, como o Santo Sudário de Turim, são de pasmar até para a ciência.

Ele cita vasta bibliografia para provar o que a cultura e o bom senso conhecem: a técnica de escadas sem eixo é tradicional e já era dominada pelos nossos antepassados.

Apenas que podem ser frágeis, enquanto que esta se mostra especialmente duradoura.

A ausência de pregos não há de espantar.

Um velho marceneiro campista contava com admiração que quando ele próprio apreendeu o ofício, seus mestres faziam questão de construir complicados arranjos sem empregar pregos nem mesmo cola.

Compreendi melhor isso, anos depois, num hotel da Borgonha, França, instalado numa antiga dependência abacial construída na Idade Média.

Um admirável vigamento sustenta o telhado sem um só prego.

Ainda na França voltei a ver num pequeno castelo mais um exemplo da sabedoria dos marceneiros de outrora: todo o vigamento em que se apoiam as ardósias é feito com um jogo admirável de traves encaixadas.

Aliás, essa técnica é a que explica a ousadia do gótico num tempo que no se conhecia o cimento armado.

Catedrais e outros prédios medievais foram levantados com encaixes de pedras que “travam”.

Depois não caíram nem com os bombardeios das Guerras Mundiais.

O cético Joe Nickell entregou ao muito oficial e respeitado U.S. Forest Service’s Center for Wood Anatomy uma amostra da madeira da escada para identificação.

A resposta foi: Pinaceae, da variedade Picea. Ou simplesmente abeto, o pinheiro mais usado no Natal nos EUA.

Nickell trabalhava com a idéia comum que se tem de milagre: um fenômeno que viola as leis da física.

E, tudo considerado, Nickell concluiu com ceticismo que na melhor das hipóteses, a escada não passa de um “milagre parcial”.

Mas concluindo isto, acabou dando reforçando a idéia de um milagre. Pois, o conceito católico de milagre é matizado.

O milagre segundo São Tomás de Aquino

“Milagre equivale a cheio de admiração, quer dizer, aquilo que tem uma causa oculta em absoluto e para todos. Esta causa é Deus.

“Portanto, chamam-se milagres aquelas coisas feitas por Deus fora da ordem de causas conhecidas por nós. (...) O milagre é uma obra difícil porque excede a natureza. Pela mesma razão se diz que é insólito porque acontece fora da ordem costumeira.” (Suma Teológica, I, q. 107, art 7).

Santo Tomás divide os milagres em três categorias.

A primeira, e a mais impressionante, é a dos fenômenos que contradizem as regras da natureza. Por exemplo, se o sol voltar atrás ou parar. Estes são os milagres maiores.

A segunda categoria é a dos fatos admiráveis produzidos por alguém ou algo que não tem capacidade para realizá-los. Por exemplo, um santo ressuscitar um morto ou fazer andar um paralítico.

O santo, por exemplo, é um ser humano e não pode fazer isso, logo se conclui que interveio a propósito dele uma força superior capaz de fazer o prodígio.

E esta força só pode ser sobrenatural, angélica ou divina. São os milagres de segunda grandeza.

Imagem de São José venerada na capela
Imagem de São José venerada na capela
Por fim, a terceira categoria, é a dos fatos que excedem a natureza pelo modo e pela ordem que são produzidos.

Por exemplo, um encadeamento de fenômenos que é inexplicável para os homens.

Em si cada elo da corrente é explicável, mas a sucessão é tão rara que na prática nunca acontece.

Enche de maravilha por tanto que aconteça, e tem propósito falar de milagre, pois interveio uma causa sobrenatural que fez funcionar a natureza com um modo e com uma ordem que maravilha aos homens. É a categoria ínfima dos milagres.

O cético Nickell parece ter sentido algo na linha desta terceira categoria que o levou a escrever que, na melhor das hipóteses, trata-se de um “milagre parcial”.

No caso da “escada milagrosa” de Santa Fé acresce um elemento que não pertence à ordem do milagre, mas que é um sinal sensível da ação da graça: a unção que acompanha o relato da origem da escada.

A unção sobrenatural é tal vez o fator que mais atrai os fiéis. E é dos sinais mais sensíveis da presença de Deus. Algo dessa unção pode se sentir na apresentação seguinte:


Se seu email não visualiza corretamente o vídeo embaixo CLIQUE AQUI



segunda-feira, 30 de julho de 2018

Negam a autenticidade do Sudário
porque recusam Cristo e Sua Ressurreição

Sempre que tentativas anticatólicas e anticientíficas tentam negar o Santo Sudário,
a boa ciência descobre novos dados impressionantes. Desta vez sobre o estado da pele do Crucificado.
Imagem segundo o Santo Sudário, feita pelo prof. Prof. Juan Manuel Miñarro

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Um estudo publicado no Journal of Forensic Sciences eletrizou a mídia que espalha dúvidas sobre os objetos mais sagrados do catolicismo e suas verdades divinamente reveladas. Neste caso, a autenticidade do Santo Sudário foi visada por enésima vez.

Destacaram-se na divulgação da informação de má lei o grande jornal anticlerical italiano “La Repubblica”. E também o site “Vatican Insider”, dependência do grande jornal “La Stampa” de Turim, habitualmente engajado a defender os erros históricos morais e teológicos que alimentam a perniciosa “mudança de paradigma” que subverte a Igreja Católica. 

A mídia superficial logo fez eco – como é costume – à informação enviesada. O nome dos “cientistas” fonte da contestação à autenticidade do Santo Sudário, convidou-me a tratar a informação como mais uma “fake news”.

Porém, sempre que os inimigos do Santo Sudário se voltam contra a sacratíssima relíquia, cientistas sérios refutam a difamação.

E fazendo isso trazem novos e admiráveis dados que confortam a santidade do pano que envolveu a Nosso Senhor e ficou encharcado com seu Divino Sangue. Foi o que aconteceu agora.

À testa do trabalho supostamente “científico” contra o Santo Sudário reapareceu Luigi Garlaschelli, do Comitê para o Controle das Afirmações sobre as Pseudociências (CICAP), sobre cujas exibições anticlericais já tivemos ocasião de escrever. Confira: Cientistas desmontam artifício para “provar” que o Santo Sudário não é autêntico

Luigi Garlaschelli, do Comitê para o Controle das Afirmações sobre as Pseudociências (CICAP) protagoniza regularmente teatralizações para escarnecer os fatos religiosos
Luigi Garlaschelli, do Comitê para o Controle das Afirmações sobre as Pseudociências (CICAP)
protagoniza regularmente teatralizações para escarnecer os fatos religiosos
Desta feita, o ativista anti-Sudário aduziu um trabalho de Matteo Borrini, da Liverpool John Moores University, apresentado como “especialista em blood pattern analysis, analise das manchas de sangue observadas no cadáver objeto de um homicídio”

Garlaschelli também se ofereceu como mais um manequim enquanto Borrini com uma esponja lhe jogava um liquido vermelho para “provar” que o Santo Sudário é uma falsificação medieval, como insiste o realejo anticlerical.

A pele de Nosso Senhor lacerada, suja e inflamada pela flagelação

O vaticanista Andrea Tornielli, do Vatican Insider, site habitualmente engajado na subversão da Igreja é um polemista sagaz que procurando dar margem ao falso achou mais prudente entrevistar o vice-diretor do Centro Internacional de Sindonologia, o físico Paolo Di Lazzaro.

O especialista começou destacando as perplexidades que suscita o método usado pelos objetantes.

Eles usaram uma bolsa de sangue tratado com anticoagulantes e que parece água colorida. O anticoagulante é indispensável para conservar o sangue para transfusões.

Mas isso “não tem nada a ver com a situação do homem crucificado que se vê no Santo Sudário, replicou o prof. Di Lazzaro.

“O homem do Santo Sudário foi torturado e estava desidratado, não comia nem bebia havia pelo menos um dia.

“Foi submetido a um estresse: havia carregado o patibulum, o braço transversal da Cruz até o alto do Calvário.

“Em consequência, seu sangue devia estar mais viscoso que o normal, e o escorregamento do sangue que saia das feridas pode ter tomado direções muito diversas do sangue fluidificado usado na experiência.

O prof. Paolo Di Lazzaro junto com colegas cientistas do ENEA
(Agência Nacional italiana para as novas tecnologias,
a Energia e o Desenvolvimento Econômico Sustentável):
“a objeção não é séria”
“Não se conhece a velocidade com que saiu o sangue das feridas do homem do Sudário. Portanto não se pode reproduzi-lo numa experiência, como pretendem Borrini e Garlaschelli.

“Outro dado importante que foi desconsiderado é o estado da pele do homem do Sudário”.

O vice-diretor do Centro Internacional de Sindonologia observa que não se pode fazer o teste que fizeram os objetantes sobre uma pele limpa e íntegra de uma pessoa em boa saúde.

Porque a pele de um homem torturado, desidratado, tumefacto é totalmente diversa.

“Sobre o Santo Sudário achamos restos de terra que provam que a pele do homem do Sudário tinha se sujado por causa de repetidas quedas.

“A pele do Crucificado devia estar recoberta de suor, suja de pó de terra, com inchaços e hematomas e cheia de crostas de sangue resultantes das feridas da flagelação”.

Borrini e Garlaschelli para “justificar” sua contestação usaram também um manequim.

Sobre ele fizeram escorrer sangue sintético com uma esponja visando imitar a saída do sangue na ferida do lado e concluir que a mancha de sangue do lado no Sudário não deveria se ter produzido do jeito que está.

Garlaschelli e Borrini colaram um pano no manequim molhado contrariando os critérios prudenciais da experiência honesta.
Garlaschelli e Borrini colaram um pano no manequim molhado
contrariando os critérios prudenciais da experiência honesta.
Mas o vice-diretor do Centro Internacional de Sindonologia mostra que os objetantes trabalham com base em condicionantes desconhecidos e irreproduzíveis num laboratório.

O prof. Paolo Di Lazzaro dá as boas-vindas aos novos experimentos,

“mas – acrescenta – antes de tirar conclusões um cientista sério deve levar em consideração os limites do próprio experimento, os parâmetros desconhecidos e as configurações da pele e do sangue que são diferentes entre um homem torturado, desidratado e ferido, e outro homem em boas condições de saúde”.

Em suma, o experimento para desmoralizar o Santo Sudário não foi sério.

Prof.a Marinelli: grupos ideológicos financiam pesquisas pré-concebidas

A professora Emanuela Marinelli, estudiosa do Sudário de renome mundial, nem se incomodou com a montagem publicitária, quando procurada pelo “Vatican News”. 

Para ela o uso de um manequim como os que servem para expor roupas nas lojas e o recurso a uma esponja embebida em sangue artificial “não tem rigor científico”.

Pesquisas análogas feitas sobre os cadáveres de homens mortos em circunstâncias parecidas forneceram “resultados diferentes aos de Borrini e Garlaschelli”, explicou de vez.

O espanto é como é possível que uma instituição do calibre da Universidade de Liverpool valide e publique uma palhaçada que pode minar a credibilidade de uma prestigiosa instituição.

Prof.a Emmanuela Marinelli: grupos ideológicos financiam, sem poupar esforços, pesquisas pré-concebidas
Prof.a Emmanuela Marinelli: grupos ideológicos
financiam, sem poupar esforços, pesquisas pré-concebidas
Mas a prof.a Marinelli não hesitou: há grupos ideológicos que financiam, sem poupar esforços, pesquisas pré-concebidas, pré-construídas.
Basta pagar para que as pesquisas sejam realizadas – explicou ela. E também há quem as publica para você. É inegável que por trás de algumas delas, se escondem grupos que querem fazer acreditar que o Sudário é uma falsidade histórica”.

Ela fornece como exemplo um documentário que nunca foi transmitido pela Radio Televisão Italiana (RAI) chamado “A Noite do Sudário” porque continha afirmações que confortavam a fé.

E ainda citou carta em papel timbrado da Cúria de Turim, em que o cardeal Anastásio Ballestrero, na época custódio do Sudário, “sustentava firmemente que em matéria de datação por carbono 14 (mais tarde refutada por várias pesquisas sucessivas, ndr), houve a mão da maçonaria que queria a todo custo provar que o Sudário era da época medieval”.

Em suma, observa “Vatican News”, há uma oposição contra o “verdadeiro Sudário da parte daqueles que querem negar não somente a Cristo, mas também a sua Ressurreição”.



Custódio Pontifício: contemplar o Sudário é como ler o Evangelho

Por sua vez, o Custódio Pontifício do Sudário, Dom Cesare Nosiglia, voltou ao problema, dizendo:

“No decorrer dos séculos, e com maior frequência nos últimos anos, existiram muitas tentativas de questionar a autenticidade do Sudário”.

Cabe aos cientistas e estudiosos sérios contestar no plano científico ou experimental a validade e solidez da pesquisa realizada.

“No entanto, tudo isso não afeta minimamente o significado espiritual e religioso do Sudário como um ícone da Paixão e Morte do Senhor, como o definiu o ensinamento dos Pontífices.

“Ninguém pode negar a evidência de que contemplar o Sudário é como ler as páginas do Evangelho que nos falam sobre a Paixão e Morte na Cruz do Filho de Deus”.

Marinelli: negam a verdade do Sudário porque negam a Cristo e Sua Ressurreição

Prof.a Marinelli: “antipatizam contra o Sudário porque negam Cristo e Sua Ressurreição”
Prof.a Marinelli: “antipatizam contra o Sudário porque negam Cristo e Sua Ressurreição”
O jornal britânico “Catholic Herald”, registrou que a prof.a Marinelli lembrou que o objetante Luigi Garlaschelli tinha promovido outra montagem contra a autenticidade do Santo Sudário financiado por uma associação italiana de ateus e agnósticos.

“É inegável, disse a especialista, que há grupos que se ocultam por trás desses estudos para fazer acreditar ao povo que o Santo Sudário é fruto de uma falsificação histórica”.

“Há uma antipatia contra a verdade do Sudário por parte daqueles que não só querem negar a Cristo, mas também Sua Ressurreição”, concluiu.



segunda-feira, 16 de julho de 2018

As Sandálias de Jesus analisadas por professor de genética:
são do século I e o pó é de Jerusalém

Fragmentos das Sandálias de Cristo
Fragmentos das Sandálias de Cristo, encastoados em sandálias de coroação
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Nosso Jesus Cristo usava sandálias, segundo o costume dos judeus na Palestina.
O Evangelho de São Lucas reproduz as seguintes palavras de São João Batista:

“16. ele tomou a palavra, dizendo a todos: Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.” (São Lucas 3,16)

E São Marcos narra as seguintes palavras de Nosso Senhor:

“7. Então chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos.

8. Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto;

9. como calçado, unicamente sandálias, e que se não revestissem de duas túnicas.” (São Marcos, 6, 7-9)

Mas alguém ouviu que as sandálias de Nosso Senhor, essa divina relíquia, ainda existem?

E, se existem, onde estão?

Poucos católicos sabem que, após dois mil anos de o Redentor ter pisado nossa Terra, algumas partes de suas sandálias se conservam dignamente veneradas numa basílica da Cristandade.

Basílica do Santíssimo Salvador, Prüm, Alemanha
Essas relíquias se encontram na Basílica Pontifícia do Santíssimo Salvador, na cidade de Prüm na Alemanha.

Prüm fica perto da fronteira com o Luxemburgo, portanto, do mundo de língua francesa. A Basílica pertenceu a uma grande abadia e hoje é a paróquia da cidade.

O historiador Michael Hesemann descreveu como chegaram ali: uma doação do Papa Zacarias (*679 – 741 – +752), que favoreceu muito a evangelização da Alemanha através de São Bonifácio e promoveu a primeira reforma da Igreja franca coroando rei a Pepino III, o Breve.

Este rei ficou muito conhecido por ter sido o pai do primeiro Imperador do Sacro Império, Carlos Magno, e filho de Carlos Martel, herói da guerra contra os muçulmanos invasores, tendo-os derrotado decisivamente em Poitiers, França. Cfr. Na batalha de Poitiers a Cruz franca esmaga o Crescente invasor

No último ano de seu pontificado, o Papa Zacarias consignou as relíquias das Sandálias de Cristo como inestimável tesouro a Pepino.

O rei escolheu como tesoureiro o mosteiro de Prüm, fundado pela sua avó, Bertrada a Velha (660 – 721), que ele tinha confiado à Ordem de São Bento.

As Sandálias de Cristo chegaram à basílica de Prüm no ano de 725. O templo, em virtude daquele dom, foi chamado do Santíssimo Salvador.

O Papa Zacarias e a esperança da Igreja posta França

O Papa Zacarias, como seus predecessores, explica Heseman, via na nação franca “a filha primogênita da Igreja”, o braço armado que poderia libertá-la dos assaltos dos pagãos, muçulmanos e pagãos de toda espécie, e proteger a expansão do Evangelho.

A estirpe dos vencedores de Poitiers era a única esperança material da Igreja, então muito atribulada.

Convencido disso, o papa Zacarias foi até a abadia de Saint-Denis, na vizinha de Paris, para ungir o primeiro rei carolíngio.

Basílica do Santíssimo Salvador, Prüm, detalhe
Basílica do Santíssimo Salvador, Prüm, detalhe

Quando o turbulento Astulfo, rei dos Longobardos, soube do fato, logo acertou o passo e cedeu a Pepino extensas regiões que o rei franco logo transferiu ao Papa.

Com a doação teve notável expansão material aos Estados Pontifícios, que subsistem até hoje com o nome de Estado da Cidade do Vaticano.

Com a preciosa relíquia das Sandálias de Cristo, a abadia de Prüm se tornou o mosteiro mais célebre do reino franco.

A escola monástica de Prüm foi sinônimo de ciência e estava consagrada à formação da elite da nobreza.

Em 1794, o mosteiro foi fechado pelo invasor napoleônico. O interesse pela Basílica e suas relíquias diminuiu muito no século XIX.

A torrente de eventos históricos descristianizadores e o entibiamento da Fé contribuíram decisivamente para esquecer a história da relíquia.

É ou não é?

Desta maneira, chegando ao presente, apareceu a pergunta: esta relíquia é deveras autêntica?

Como chegou de Jerusalém até o Papa de Roma?

Pior ainda, quem olha para as Sandálias de Cristo com olhar científico, duvida imediatamente.

Pois há no relicário uma espécie de sola ricamente decorada com uma sublime árvore da vida com folhas de ouro.

“Em ambos os lados dessa artística sola há duas sandálias também decoradas ricamente com placas de ouro, que mais se assemelham a um ornamento de coroação que aos objetos da Judeia do primeiro século, tempo de Cristo.

“Sob este ponto de vista, tudo parece apontar para uma falsificação fantasiosa e até chocante do século VIII”, uma má arte em que se destacavam os falsificadores de Constantinopla.

Fragmentos das Sandálias de Cristo, encastoados em sandálias de coroação
Fragmentos das Sandálias de Cristo, encastoados em sandálias de coroação
Porém, lendo as autênticas da relíquia (documentos que garantem sua origem), os especialistas verificaram que em momento algum se fala de Sandálias de Jesus.

Antes bem, as “autênticas” dizem somente “Particulae Sandaliis SS. Salvatoris”. Quer dizer, “Partículas das Sandálias do Santíssimo Salvador”.

Desta maneira, ficou claro que só algumas partes das sandálias de Nosso Senhor estão ali, incorporadas no interior das pantufas riquíssimas em arte e ouro.

Mas, para a ciência isso é muito insuficiente. Onde estão essas partes não visíveis à simples vista? Como saber se de fato elas são o que dizem ser?

Cientista analisa

Interveio então o professor de genética Gérard Lucotte, para estudar com critérios modernos as valiosíssimas e complicadas peças.

Ele apresentou pela primeira vez seus resultados num colóquio científico realizado em abril de 2011 em Argenteuil, cidade hoje integrada na grande Paris.

O Prof. Lucotte informou que a análise química revelou a presença de minerais de silicato, incluindo montmorilonite, feldspato, silicato de magnésio e sulfato de cálcio, que são característicos do deserto.

A presencia de óxido de ferro também indicava uma região árida como sendo a origem das partes consideradas de época e podendo ser fragmentos das Sandálias de Jesus.

“Ainda mais reveladores – explicou o Prof. Lucotte – são os traços de titânio, elemento relativamente raro. Nós o encontramos nesta composição num ambiente rico em ferro conhecido como ‘Terra Rossa’, principalmente num lugar na terra: a região em volta de Jerusalém”.

Das análises, continuou o especialista, se depreende claramente que sob os enfeites dourados do relicário se encontram “partículas autênticas de Jerusalém”, que no século VIII já eram veneradas como relíquias das Sandálias de Cristo.

Em locais perfeitamente identificados se encontram partes em couro da sola das sandálias com pedacinhos de cadarços.

Para apresentar de modo representativo o valor extraordinário destas relíquias de Jesus, elas foram incrustadas num calçado real da época carolíngia.

Testemunhos históricos

Os testemunhos históricos são da maior importância. Como os múltiplos legados por Santa Helena (*250 +330), mãe do imperador Constantino, que trouxe pessoalmente da Palestina todos os objetos relacionados com Jesus, por volta do 325.

Santa Helena enviou muitas relíquias a Roma, enquanto outras ficaram em Constantinopla.

Um peregrino inglês do século XII deixou escrito que viu naquela capital, além da Coroa de Espinhos, o manto e o instrumento da flagelação, as sandálias de Jesus (cf. Gerhard Kuhnke: “Rome et le linceul – scandale à Turin”, p. 32f).

No catálogo de Mesarita figuram também as sandálias.

Relicário aberto das Sandálias de Cristo, Prüm, Alemanha
Como é possível que Jesus tivesse mais de um par de sandálias, ainda ficam por esclarecer muitos e importantes detalhes.

Porém, o que ficou demonstrado é que as relíquias de Prüm são originárias de Jerusalém (Michael Hesemann: “VATIKAN Magazin”, março 2012 p. 28 ss; 2. Prof. Gérard Lucotte: “La Sandale du Christ cf. ACTES p. 48ss).

Desta maneira, recorrendo pela primeira vez a estudos científicos, pode-se fundamentar o legado da Tradição a respeito das relíquias de Prüm. As tentativas de negar a autenticidade das descobertas terão que proceder com muita cautela.

Entretanto, não está excluído que maiores e mais exigentes estudos venham a revelar outros aspectos das Sandálias de Jesus.

As Sandálias de Cristo de Prüm, com suas partes de couro, provenientes da Jerusalém do século I, nos falam do Filho de Deus caminhando com seus pés sobre esta Terra semeando o bem, recolhendo o entusiasmo transitório, a indiferença e até o ódio mais injusto, rumo ao Calvário.

Rei de Israel e do mundo, Ele o fez para nos remir a nós, tão inferiores, indignos e pecadores.

As Sandálias conservam restos do solo da Terra Santa, da Jerusalém do deicídio que Ele, entretanto, tanto amou.

O crime espantoso foi cometido no Calvário, mas a Redenção gloriosa se operou.

Jesus Cristo subiu aos Céus, mas deixou suas sandálias para nos ensinar a caminhar, a seu exemplo, em meio às asperezas deste vale de lágrimas.

E assim fazendo, aportarmos nossa gotinha de sofrimento em reparação a Ele e como contribuição pobre, mas digna, à obra da Redenção – escreve o Pe. Josef Läufer, que divulga notícias sobre as relíquias de Nosso Senhor Jesus Cristo.


As sandálias de Jesus em Prüm (em alemão)



Fontes:
1. Michael Hesemann: cf. VATIKAN Magazin, mars 2012 p. 28ss
2. Prof. Gérard Lucotte: “La Sandale du Christ”, cf. ACTES (de COSTA/UNEC) p. 48ss .


segunda-feira, 2 de julho de 2018

A Santa Casa de Loreto: descobertas científicas de causar pasmo.

A Santa Casa de Loreto transportada pelos anjos. São Nicolau de Tolentino  (1245 – 1305) teve a visão do fato. Antonio Liozzi (1730–1807) ou Ubaldo Ricci di Fermo (1669-1732), igreja de San Michele, S.Angelo in Pontano, Itália.
A Santa Casa de Loreto transportada pelos anjos.
São Nicolau de Tolentino  (1245 – 1305) teve a visão do fato.
Antonio Liozzi (1730–1807) ou Ubaldo Ricci di Fermo (1669-1732),
igreja de San Michele, S.Angelo in Pontano, Itália.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Desmentida a intervenção humana

Aventaram-se hipóteses de uma trasladação operada por homens. Além de carecem de qualquer documentação, elas se revelaram insustentáveis do ponto de vista científico.

Para essas hipóteses serem históricas teria sido necessário desmontar as pedras e os tijolos da Casa em Nazaré para depois refazer as paredes no local de chegada. A operação deveria ter sido repetida em cada uma das mudanças.

Desde a Palestina até a costa do Mar Adriático, onde a Casa apareceu em cinco lugares diversos, medeiam dois mil quilômetros de viagem terrestre e marítima. Materialmente, o transporte teria sido impossível sem graves danos, perdas e/ou sinais da mudança.

Rapidez inexplicável da translação

Acresce-se, ainda, a momentaneidade – ou quase – da viagem. Os dados conhecidos apontam que a Santa Casa saiu de Nazaré em maio de 1291. A chegada a Tersatto (primeira etapa) aconteceu em 9/10 de maio de 1291, segundo registro esculpido em pedra na época.

A Santa Casa foi retirada milagrosamente da Palestina para impedir que caísse nas mãos dos maometanos.

De fato, São João de Acre, a última fortaleza do Reino Latino de Jerusalém criado pelas Cruzadas, começou a ser sitiada pelo sultão Khalil em 5 de abril de 1291.

Acabou caindo em mãos anticristãs em 28 de maio de 1291. Nazaré fica a 41 km desse antigo enclave cristão. A desgraça pôs fim à hegemonia católica na Terra Santa.

Nazaré: cripta da igreja da Anunciação, gruta à esquerda
Nazaré: cripta da igreja da Anunciação, gruta à esquerda
O santuário de Nazaré estava muito ligado aos Cruzados.

A primeira igreja construída no local foi  arrasada em 1090 pelos turcos seljúcidas que haviam invadido a Terra Santa. A Santa Casa salvou-se, pois ficava na cripta do santuário e os bárbaros islâmicos foram cegados e não perceberam.

As atrocidades desses turcos levaram o Bem-aventurado Papa Urbano II a convocar a I Cruzada. Após a tomada de Jerusalém por Godofredo de Bouillon, um magnífico santuário foi construído sobre a cripta.

Ele foi visitado por São Francisco de Assis na sua viagem à Terra Santa para tentar converter o sultão turco, nos anos 1219-1220.

Também por São Luís IX, que tentava recuperar a Terra Santa, além de muitos outros santos e cruzados.

Em 1263 os islâmicos demoliram o santuário, mas a cripta voltou a ser salva providencialmente.

Com a queda da última fortaleza cruzada, os dias estavam contados para essa relíquia extraordinária da História da Salvação.

Sem alicerces: um milagre permanente

Outro fato extraordinário é o de sua instalação numa estrada pública de Loreto.

Esse posicionamento é humanamente impossível, segundo os arqueólogos e arquitetos que examinaram o subsolo da Santa Casa e a estrada sobre a qual ela está apoiada.

O arquiteto Giuseppe Sacconi (1854-1905), por exemplo, constatou que “a Santa Casa está apoiada em parte sobre a extremidade da estrada velha e em parte sobre um antigo fosso”, inexistindo base material para ali erigir uma casa (“Annali Santa Casa”, ano 1925, nº 1).

Um elemento arqueológico relevante qual fala em favor de que a casa “posou” e não foi construída ou reconstituída.

Esse elemento é um espinheiro que crescia na margem da estrada e que ficou preso e esmagado entre a Casa e o solo no momento em que a Casa desceu.

Romeiros no lado externo da Santa Casa de Loreto
Romeiros no lado externo da Santa Casa de Loreto
O arquiteto Federico Mannucci (1848-1935) foi encarregado pelo Papa Bento XV de examinar os alicerces da Santa Casa de Nossa Senhora, numa ocasião em que foi necessário renovar o piso, após um incêndio em 1921.

Mannucci redigiu um relatório em 1923 onde afirma ser “absurdo achar” que a construção possa ter sido transportada “com meios mecânicos” (F. Mannucci, Annali della Santa Casa , 1923, 9-11).

Mannucci escreveu que “é surpreendente e extraordinário o fato de o prédio da Santa Casa se conservar inalterado, sem ceder o mínimo sequer, e sem a menor rachadura ou lesão nas paredes, malgrado não se encontrar apoiado em alicerce algum, sobre um terreno sem qualquer consistência, solto e sobrecarregado, ainda que parcialmente, pelo peso da cúpula construída para substituir o teto” (F. Mannucci, Annali della Santa Casa, 1932, 290).

Religioso cientista explica

O Pe. Giuseppe Santarelli OFM Cap, diretor-geral da Congregação da Santa Casa de Loreto, e também historiador e arqueólogo de renome internacional, dedicou grande parte da sua vida para organizar, em colaboração com outros cientistas famosos, pesquisas sobre a origem da casa. Suas numerosas publicações sobre o caso fizeram história.

A Casa foi trazida de Nazaré à Itália “para salvá-la da destruição”, explica o religioso-cientista.

“Na segunda metade do século XIII, a Palestina vivia uma grande e violenta invasão mulçumana, com a destruição sistemática de lugares santos cristãos”.

Mas por que a Itália e não outro lugar? “Não sabemos. Os antigos historiadores, fiéis naturalmente, diziam que ‘por um desígnio providencial’, a casa da Virgem havia passado da terra de Cristo à terra do Vaticano de Cristo”. Loreto então formava parte dos Estados Pontifícios.

“Foram realizadas investigações de todo tipo. Todas demonstraram sempre que a narração da história é autêntica. Isso quer dizer que a Casa de Loreto é a mesma de Nazaré”.

Achados do arqueólogo Nerio Alfieri

Maqueta da casa de Nazaré:  as três paredes foram a Loreto;  a gruta e os alicerces ficaram
Maquete da casa de Nazaré:
as três paredes foram a Loreto;
a gruta e os alicerces ficaram
“Naturalmente, continua Frei Giuseppe Santarelli, as investigações mais importantes foram executadas nos tempos modernos. Sobretudo as realizadas em Nazaré entre 1955 e 1960 supervisionadas pelo padre Bellarmino Bagatti, um dos mais ilustres arqueólogos do século XX, e as realizadas em Loreto pelo arquiteto Nerio Alfieri, professor de arqueologia na Universidade de Bolonha.

“As investigações do professor Alfieri demonstraram que esta construção está cheia de anomalias absurdas, em um claro contraste com as construções da região e também com as regras urbanísticas existentes no século XIII.

“A casa não tem bases próprias, é constituída somente por três paredes, as quais, até uma altura de quase três metros, estão feitas de pedra e se sabe que na região não existem pedreiras e que todas as construções daquela época eram feitas de tijolos.

“É anômalo que a única porta, a original, se encontre no centro da parede larga e não da pequena, como em todas as igrejas e capelas daquele tempo e que esteja colocada ao norte, exposta a fortes e frequentes intempéries, contra todo costume de construção local.

“É anômalo também que a única janela esteja colocada a oeste e, portanto, aberta a uma pequena iluminação. Prática de construção também não exercida na época.

“Todavia, se comparamos com os resultados das investigações feitas em Nazaré, todas estas anomalias desaparecem. A casa de Loreto não tem bases porque as bases estão em Nazaré, onde antes se encontrava. Tem somente três paredes porque estava apoiada em uma gruta escavada na rocha que abrigava um único bloco habitacional”.

Arquiteto Nanni Monelli: concordância das medidas de Nazaré e Loreto

Um estudo extraordinário, realizado pelo arquiteto Nanni Monelli em 1982, demonstrou que as medidas da casinha de Loreto e também a espessura das três paredes correspondem perfeitamente com as medidas das bases que se encontram em Nazaré. As pedras e paredes são tipicamente palestinas e também os tipos de trabalho aplicados na pedra.

“Nanni Monelli aprofundou a investigação das pedras. Chegou à conclusão de que estão trabalhadas com uma técnica específica desses lugares palestinos, própria da cultura nabatea”, sublinha o Pe. Santarelli.

Os graffitti

“Eu – acrescenta o Pe. Santarelli – depois realizei um estudo específico sobre os gráficos legíveis a respeito das diversas pedras da Santa Casa de Loreto.

“Identifiquei por volta de cinquenta inscrições próprias dos judeu-cristãos da Terra Santa e semelhantes aos encontrados em Nazaré.

“Também decifrei uma inscrição em caracteres gregos sincopados, que traduzida diz: ‘Oh Jesus, filho de Deus’ – frase inicial de uma oração que se encontra escrita em uma gruta anexa à casa de Maria em Nazaré.

“Estes e muitos outros detalhes levam à mesma conclusão: a Casa de Loreto é precisamente aquela que até 1291 se encontrava na Palestina e que era venerada havia 1.300 anos como a Casa da Virgem.

“Depois de anos de estudos, análises e investigações arqueológicas realizadas com os meios mais sofisticados, somos capazes de afirmar categoricamente que esta casa é exatamente aquela que até o final do século XIII era reverenciada em Nazaré como a casa da Virgem” – conclui.

A visão de Santa Catarina de Bolonha

Santa Catarina de Bolonha, corpo incorrupto
Santa Catarina de Bolonha (1413-1463) escreveu em 1440 (portanto, perto de trinta anos antes da narração da “Translatio miraculosa” referida pelo Beato Giovanni Spagnuoli e por Pier Giorgio di Tolomei, apelidado Teramano) que lhe foi sobrenaturalmente revelado como aconteceu o miraculoso traslado. Diz a santa:

“Por fim, esta moradia consagrada pelos Apóstolos que nela celebraram os divinos mistérios e praticaram milagres, por causa da idolatria daquele povo foi transportada até a Dalmácia por um cortejo de anjos. A seguir, pelas mesmas razoes e outras ainda, levaram esta digníssima igreja a vários locais. Finalmente, foi levada pelos santos anjos e colocada estavelmente em Loreto, província da Itália e nas terras da Santa Igreja” (Rosarium, I Mist. Gaud., vv.73 ss.- tradução do texto latino publicada pelo “Messaggio della Santa Casa”, 2001, nº 7, p.211).

A Anunciação na Santa Casa de Nazaré, 
segundo o Evangelho de São Lucas:

26. No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,

27. a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.

28. Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.

29. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.

30. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.

31. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.

32. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,

33. e o seu reino não terá fim.

34.Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?

35. Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.

36. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,

37. porque a Deus nenhuma coisa é impossível.

38. Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.

(O relato da Visitação a Santa Isabel, prima de Nossa Senhora, imediatamente ligado ao passo da Anunciação acrescenta elementos que ajudam a entender melhor a própria Anunciação)

Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel,
University of California Berkeley
39. Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.

40. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.

41. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.

42. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.

43. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?

44. Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.

45. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!

46. E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,

47. meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,

48. porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,

49. porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.

50. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.

51. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.

52. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.

53. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.

54. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,

55. conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.

São Lucas, 1, 26-55



Padre Pio: “em Loreto nunca poderei entrar na Santa Casa
porque morreria da emoção”





FIM



segunda-feira, 18 de junho de 2018

A transladação da Santa Casa de Nossa Senhora desde Nazaré até Loreto. Comprovações científicas surpreendentes.

Santuário da Santa Casa em Loreto, Itália
Santuário da Santa Casa em Loreto, Itália
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Em Loreto, Itália, se venera a Santa Casa: quer dizer o edifício onde Nossa Senhora nasceu, viveu e recebeu o anjo São Gabriel na Anunciação, momento em que o Sim da Virgem permitiu a Encarnação do Verbo e o início da Redenção do gênero humano.

Em Nazaré, Terra Santa, sob a cúpula da igreja da Anunciação também se venera o local onde aconteceu este sublime mistério.

Gruta da Santa Casa, Nazaré,
Palestina, igreja da Anunciação
Como se explica essa aparente duplicidade de endereços?

A contradição, ou superposição de atribuições, encerra maravilhosos fatos religiosos, notadamente a translação da Santa Casa de Nazaré até Loreto por obra dos anjos.

Mas, o que diz a ciência a respeito?

Não é tarefa da ciência declarar se um fato foi miraculoso ou não, se foram os anjos ou não. Mas, analisar a realidade segundo seus métodos, instrumentos e objetivos próprios.

E as ciências trabalhando sobre o mistério da Santa Casa de Nossa Senhora vêm trazendo a lume revelações materiais que explicam o acontecido e reforçam a fé de um modo maravilhoso.

Eis um apanhado de algumas descobertas feitas nas últimas décadas.

O Altar dos Apóstolos na Santa Casa

O arquiteto Nanni Monelli e o Pe. Giuseppe Santarelli, diretor-geral da Congregação da Santa Casa de Loreto, constataram que as pedras que se encontram na Gruta da Anunciação, em Nazaré, Terra Santa, têm a mesma origem da pedra do altar dos Santos Apóstolos que está na Santa Casa de Loreto, na Itália.

O Altar dos Apóstolos é constituído por uma pedra – hoje coberta por uma grade de metal – trabalhada em estilo nabateano, típico da Palestina.

E leva esse nome porque nele os Apóstolos teriam celebrado a Missa quando iam a Nazaré visitar a casa de Nossa Senhora.

Protegido pela grade sob o altar novo: Altar dos Apóstolos
O Prof. Giorgio Nicolini, especialista na matéria, é o autor do livro La veridicità storica della miracolosa Traslazione della Santa Casa di Nazareth a Loreto (“A veracidade da milagrosa trasladação da Santa Casa de Nazaré a Loreto”).

Ele explicou à agência Zenit que “sobre a autenticidade da Santa Casa de Loreto enquanto verdadeira Casa de Nazaré de Maria jamais houve dúvida alguma, a não ser da parte daqueles que não conhecem os estudos científicos a respeito.

“Isso é tão verdadeiro que todos os Sumos Pontífices, durante sete séculos, confirmaram a autenticidade com solenes atas canônicas de aprovação”.

Nicolini acrescentou que este estudo sobre o Altar dos Apóstolos “é importante porque, além de proporcionar uma ulterior prova da autenticidade da Santa Casa de Loreto como a Casa de Maria em Nazaré, proporciona também uma prova ainda mais espetacular da milagrosa trasladação da Santa Casa de Nazaré”.

Percurso do Altar e das paredes de Nazaré até Loreto
Percurso da Santa Casa desde Palestina até Loreto
Percurso da Santa Casa desde Palestina até Loreto

A tradição sempre afirmou que entre 1291 e 1296 três paredes da Santa Casa de Nazaré foram miraculosamente transportadas a “vários lugares” pelo ministério angélico.

Isto está registrado em documentos antigos nos quais se fala da presença desse Altar unido às três paredes.

Por exemplo, em Tersatto, Dalmácia (hoje Trsat, Croácia), onde a Santa Casa esteve entre 10 de maio de 1291 e 10 de dezembro de 1294.

Por isso pode se afirmar que houve um duplo milagre.

Primeiro: o transporte milagroso das três santas paredes na sua integridade;

e, em segundo lugar, junto com elas, mas como um objeto distinto da casa, o Altar dos Apóstolos.

Santa Casa de Loreto
Santa Casa de Loreto
Em seu livro, Nicolini demonstra que do ponto de vista histórico e arqueológico pelo menos cinco translações milagrosas ficaram constatadas de modo indiscutível entre 1291 e 1296.

A primeira levou a Santa Casa até Tersatto (Croácia);

a segunda até Posatora (província de Ancona, Itália);

a terceira até a floresta da senhora Loreta, na planície que está sob a atual cidade de Loreto (cujo nome deriva precisamente do nome dessa senhora);

a quarta até a roça de dois irmãos sobre o morro lauretano (conhecido também como Monte Prodo);

e a quinta até uma estrada pública, onde ainda se encontra sob a cúpula da magnífica basílica posteriormente construída em volta.

Todas estas mudanças foram registradas nos diversos lugares por testemunhas oculares contemporâneas.

Maqueta da casa de Nazaré
Maquete da casa de Nazaré
As mudanças foram rigorosamente controladas pelos Bispos diocesanos da época, que emitiram pronunciamentos canônicos sobre a veracidade dos fatos e dos testemunhos.

Para maior confirmação ainda ficam as igrejas construídas nos diversos locais na época das mudanças e consagradas pelos Bispos de Fiume, Ancona, Recanati, Macerata e Nápoles, entre outros.

Nicolini esclareceu que em Loreto se encontram apenas as três paredes que constituíam o quarto de Nossa Senhora, geralmente chamado de Santa Casa, local onde aconteceu a Anunciação.

A quarta parede do quarto é a gruta, a qual pode ser visitada na igreja da Anunciação em Nazaré, Terra Santa. Ali só ficaram a gruta e os alicerces da Casa.

Enquanto em Loreto se venera a Casa desprovida de seus alicerces, em Nazaré ficaram a gruta e os alicerces sem a casa.

Análise de pedras, tijolos e argamassa

Loreto: a Santa Casa. O altar ocupa o lugar da gruta que ficou em Nazaré
Loreto: a Santa Casa. O altar ocupa o lugar da gruta que ficou em Nazaré
Ao mesmo tempo em que a análise química da massa que une as pedras apresenta características típicas da zona de Nazaré, sua homogeneidade exclui qualquer possibilidade de uma hipotética desmontagem e remontagem das pedras.

A massa foi feita com sulfato de cálcio hidratado (gesso) engrossado com pó de carvão de madeira, segundo uma técnica utilizada na Palestina há 2.000 anos, mas jamais empregada na Itália.

Portanto, a Santa Casa chegou a Loreto com as pedras e os tijolos unidos pela mesma massa usada para uni-los há 2.000 anos em Nazaré, assim se encontrando até hoje.

Ensinamento dos Papas sobre a Santa Casa de Loreto

O Bem-aventurado Papa Pio IX escreveu na Carta Apostólica Inter Omnia, de 26 de agosto de 1852:

“Entre todos os Santuários consagrados à Mãe de Deus, a Imaculada Virgem Maria, um se encontra no primeiro lugar e brilha com incomparável fulgor: a venerável e augustíssima Casa de Loreto.

“Consagrada pelos mistérios divinos, ilustrada por inumeráveis milagres, honrada pelo concurso e afluência dos povos, a glória de seu nome atinge toda a Igreja Universal, e constitui muito justamente objeto de culto para todas as nações e para todas as raças humanas.

Beato Pio IX
Beato Pio IX
“Em Loreto venera-se aquela Casa de Nazaré, tão querida ao Coração de Deus, e que, fabricada na Galileia, foi mais tarde separada de suas bases e, pela força divina, trasladada além do mar, primeiro à Dalmácia e logo à Itália”.

E o Santo Pontífice acrescentou: “Exatamente em aquela Casa, a Santíssima Virgem, que por eterna e divina disposição ficou perfeitamente isenta da culpa original, foi concebida, nasceu e cresceu, e o celestial mensageiro A saudou ‘cheia de graça’ e ‘bendita tu és entre todas as mulheres’.

“Exatamente naquela Casa, Nossa Senhora, repleta de Deus e sob a ação fecunda do Espírito Santo, sem perder nada de sua inviolável virgindade, tornou-se a Mãe do Filho Unigênito de Deus”.

Por sua vez, o Sumo Pontífice Leão XIII escreveu no Breve Felix Nazarethana, de 23 de janeiro de 1894:

“Compreendam todos, e em primeiro lugar os italianos, quão especial dom lhes foi concedido por Deus que, com suma providência, subtraiu prodigiosamente a Casa a um poder indigno [N.: refere-se aos muçulmanos] e com um expressivo ato de amor ofereceu-a a eles.

“De fato naquela beatíssima moradia foi sancionado o início da salvação humana, com o grande e prodigioso mistério de Deus se fazendo homem, que reconcilia a humanidade perdida com o Pai eterno e renova todas as coisas”.

E ainda: “Deus quis de tal maneira exaltar o Nome de Maria para tornar realidade neste lugar (Loreto), aquela famosa profecia: ‘Todas as gerações chamar-me-ão bem-aventurada’”.

Numerosos Papas aprovaram ininterruptamente desde o início a veracidade histórica do milagroso traslado da Santa Casa, engajando sua Suprema Autoridade Apostólica: desde Nicolau IV em 1292 até João Paulo II em 2005. S.S. Bento XVI visitou Loreto em 2007.

Entre os primeiros Papas que reconheceram oficialmente o prodígio da translação angélica se destacam Pio II, Paulo II, Sixto IV, Clemente VII, Leão X e Sixto V.


Vídeo: Santa Casa de Loreto: a translação milagrosa e a ciência







segunda-feira, 4 de junho de 2018

Catedrais góticas: mistério mais grandioso que o das pirâmides do Egito

Amiens, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A técnica é definida pela Escolástica, da mesma forma que as artes, como “recta ratio factibilium”.

 Quer dizer, a reta ordenação do trabalho, ou também, a ciência de trabalhar bem.

Hoje, o mal uso da técnica, a empurra para produzir para além do que é bom, e espalhar instrumentos que afligem a vida dos homens.

Nos tempos em que o espírito do Evangelho penetrava todas as instituições, a técnica produziu frutos que vão além do tudo o que a Humanidade conheceu previamente.

Um desses frutos inigualados foi ‒ e continuam sendo ‒ as catedrais medievais.

Até hoje especialistas tentam decifrar como fizeram os arquitetos da Idade Média para, com tão pobres instrumentos, criar obras colossais que “humilham” as técnicas modernas mais avançadas.

Os técnicos das mais variegadas especialidades da construção e também da física, da química e das matemáticas se debruçam para tentar descobrir como os medievais erigiram esses portentos arquitetônicos.

Mergulham eles nos “mistérios das catedrais”.

São muitos os que até agora não estão elucidados: desde as fórmulas químicas desaparecidas que dão aos vitrais tonalidades únicas e irreproduzíveis até os mais complexos cálculos matemáticos e astronômicos que orientaram as proporções cósmicas das Bíblias de pedra.

Beauvais, França
Como decifrar o enigma?

“As catedrais se burlam de nós há oito séculos. Elas resistiram não só às intempéries e aos ataques insidiosos do clima, mas mais ainda por vezes a provas tão violentas como os bombardeios. Como é que estas catedrais loucas aguentam em pé?”, pergunta o arquiteto, historiador e geógrafo Roland Bechmann em seu livro “As raízes das catedrais” (“Les racines des cathédrales”, Payot, Paris, 2011, 330p.).

O livro de Bechmann recebeu elogios das maiores autoridades acadêmicas da França. Ele tem o mérito de mexer numa polêmica silenciosa, mas aberta como uma chaga nas almas de inúmeros franceses.

Enquanto o mundo parece rumar para uma modernidade cada vez mais caótica, as catedrais góticas em seu mutismo eloquente apontam um caminho inteiramente diverso.

O comentarista Paul François Paoli, do jornal “Le Figaro”, resume esse conflito interior dos franceses:

“As catedrais góticas são as pirâmides do Ocidente e nós não acabamos ainda de compreender como é que elas puderam ser construídas numa época considerada como obscura e arcaica do ponto de vista científico”.

O historiador Jacques Le Goff saudou o livro de Bechmann como uma obra prima de interdisciplinaridade sobre “esses prodígios de pedra que continuamos admirando em Amiens, Chartres ou Paris”.





Mas, segundo Bechmann, esses prodígios dizem uma coisa aos homens do século XXI: “como vocês são pequenos!”
Chartres, França
“No fim da época gótica ‒ explica o autor ‒ havia uma igreja para cada 200 habitantes da França, e esses prédios considerados em seu conjunto podiam abrigar uma população maior que a do país inteiro. Calcula-se que em trezentos anos a França extraiu, transportou de charrete e erigiu mais pedra que o antigo Egito em toda sua história”.

Mas não é só uma questão de tamanho e volumes, não, diz Bechmann. É uma questão de ciência e grandeza de alma. E explica:

Se hoje nós devêssemos construir catedrais góticas com os meios de que eles dispunham, nós não conseguiríamos. E mesmo que nós conhecêssemos até os pormenores de seus procedimentos, nós não ousaríamos.

“Calcular a resistência de construções como eles souberam realizar exigiria a ajuda de computadores. E ainda que nós conseguíssemos, haveria todas as chances de que nós chegássemos à conclusão de que essas catedrais, segundo as normas e coeficientes de segurança que nós aplicamos hoje, não poderiam ficar em pé...”

E, entretanto, elas continuam em pé e continuam nos emocionando, acrescenta Paul F. Paoli, jornalista do “Figaro”.

Colônia, Alemanha

O enigma profundo das catedrais e dos homens que as conceberam e realizaram em tão grande número e variedade nos conduz a considerações que superam a própria ciência e à própria técnica.

A primeira e mais imediata consideração é sobre a sabedoria dos construtores.

Monges, teólogos, arquitetos, artistas, simples pedreiros, neles parecia habitar uma sabedoria que ia muito além de suas naturezas humanas, por vezes rudes e imperfeitas.

Pelos frutos se conhece a árvore. Pela catedral se conhece a alma dos construtores.

Como foi possível tal afloração simultânea de homens com almas sólidas e plácidas, fortes e delicadas, lógicas e jeitosas, como as que fizeram essas Bíblias de pedra?

Homens que foram a encarnação da virtude da sabedoria. Da sabedoria sobrenatural que só a graça divina dispensa às suas almas mais amadas.

E essa é uma segunda consideração de natureza espiritual.

Foi essa sabedoria sobrenatural, de que a Igreja Católica é a tesoureira, que gerou aqueles homens e suas catedrais.

Beauvais, França
Longe da Igreja, o homem do terceiro milênio sente-se apequenado, tristonho e cheio de incertezas.

Mas, as portas da Igreja estão abertas de par em par, como as portas das catedrais, para acolher esse homem de hoje e reconduzi-lo maternalmente pelas vias da Sabedoria eterna e encarnada, Nosso Senhor Jesus Cristo, pela intercessão de sua Santíssima Mãe.

Basta que a alma queira se abrir inteiramente a esse influxo sobrenatural.

P.S.: Alguém poderia perguntar: como conseguir me doar tão inteiramente à Igreja para receber essa sabedoria? Eu tento e não consigo... sou tão fraco...

Há séculos um grande santo respondeu isso para nós. Ele até excogitou um método para nós miseráveis pecadores receber a Sabedoria eterna e encarnada “sem esforço”.

Foi São Luis Maria Grignion de Montfort com seu método de consagração à Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, na qualidade de servos e escravos.

Foi Ela que inspirou as mais gloriosas catedrais que levam seu nome: Notre Dame.

Essa devoção está explicada no famosíssimo livro, disponível em todas as línguas: “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”.