segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Incógnitas na liquefação do sangue de San Gennaro ( São Januário)

O sangue de São Januário liquefeito
O sangue de São Januário liquefeito
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O milagre da liquefação do sangue do mártir São Januário (ou San Gennaro em italiano) acontece quase todo ano em duas datas principais.

A primeira data da liquefação anual é o sábado que precede o primeiro domingo de maio, festa da translação das relíquias do santo a Nápoles.

A segunda é o dia 19 setembro, festa litúrgica do aniversário do martírio do bispo São Januário. Nas duas datas o sangue se dissolve também nos sete dias sucessivos, segundo relatou “Il Fatto Quotidiano”.

A relação com eventos nefastos é feita pelos fiéis quando não há liquefação do sangue em alguma dessas duas datas. A Igreja não adota nenhuma interpretação, mas deixa correr as suposições piedosas, e até agora não declarou o prodígio como "milagre".

Porém, para pasmo de todos, a liquefação acontece também em datas aleatórias, como 16 dezembro, dia em que no ano 1631 impetuosas torrentes de lava do Vesúvio desciam rumo à cidade de Nápoles, com força para destruí-la como outrora Pompeia e Herculanum.

Os napolitanos confiaram sua vida e sua cidade a São Januário e levaram o artístico busto que contém o crânio e relíquias do santo em procissão pelas ruas. A lava então parou inexplicavelmente na orla da cidade que foi salva.

A média é de 17 liquefações por ano e desde 1389 até hoje foram registradas cerca de 10 mil, sendo verossímil que houve muitas outras não anotadas, explicou um cientista convocado a estudar o caso.

O sangue de São Januário não-liquefeito, sólido
O sangue de San Gennaro não-liquefeito, sólido
O fenômeno da liquefação se repete há séculos, porém o primeiro documento escrito remonta ao 17 de agosto de 1389.

Nele está escrito: “foi feita uma solene procissão em que por milagre, Jesus Cristo Senhor Nosso mostrou seu poder no sangue do beato Januário, que estava numa ampola e se liquefez, como se tivesse saído nesse dia do próprio corpo do Beato”.

O santo foi bispo de Benevento e o imperador Diocleciano mandou decapitá-lo, crime acontecido no dia 19 setembro do ano 305. Durante a execução, uma mulher nobre de nome Eusébia recolheu em duas ampolas o sangue do mártir que ocultou dos carrascos.

Em 1988 o Cardeal Michele Giordano, arcebispo de Nápoles, pediu ao cientista Pierluigi Baima Bollone, professor de Medicina Legal na Universidade de Turim, que tinha uma longa experiência estudando o Santo Sudário, que examinasse com o mesmo rigor científico o sangue de San Gennaro, continua “Il Fatto Quotidiano”.


O cientista realizou uma espectroscopia – técnica que emprega a radiação a fim obter dados da estrutura e das propriedades da matéria – aplicando a câmera sobre a ampola com o sangue do padroeiro napolitano, quando estava em estado fluido.

O resultado fez emergir a presença da hemoglobina – proteína presente nos glóbulos vermelhos que é a responsável pela coloração vermelha do sangue – e os subprodutos de sua degradação.

“Este resultado – afirmou Baima Bollone – não prova com certeza absoluta a presença de sangue, mas leva razoavelmente a excluir que se trate de uma matéria de outra natureza.

“Todas essas constatações convergem para a conclusão de que o evento de San Januário acontece sobre matéria certamente humana”.

Não é bem difundido, mas a liquefação de sangue de mártires católicos é mais frequente do que se conhece comumente.

Há o caso do sangue de São Pantaleão (fim do século III), conservado por séculos na Itália e que se torna líquido anualmente a 27 de julho.

Também uma parte desse sangue que outrora foi levado ao Real Mosteiro da Encarnação de Madri, Espanha, se liquefaz no mesmo dia 27 de julho

Pierluigi Baima Bollone, professor de Medicina Legal na Universidade de Turim
Pierluigi Baima Bollone, professor de Medicina Legal
na Universidade de Turim
O Prof. Baima Bollone sublinhou ainda a pasmosa estatística da “média de 17 liquefações por ano, desde 1389 até hoje ocorreram cerca de 10 mil”, e que elas aconteceram “em locais, em condições ambientais e em climas culturais, até muito diferentes”.

O prof. Baima Bollone também especificou que não parece haver um fator natural constante como a temperatura ambiente ou o horário ou algum ponto de fluidificação definido no conteúdo da ampola.

O derretimento pode acontecer em um ambiente no qual a temperatura varia de 30 graus nos meses quentes a 5-6 graus nos dias frios.

Não há nem mesmo uma relação entre a temperatura e a velocidade da mudança de estado, que é muito diferente de uma liquefação para outra.

O grau de fluidificação se manifesta sem regras. De fato, em alguns casos, o líquido derretido flui como água, enquanto em outros é pastoso, viscoso e quase borrachento.

Às vezes, contém o chamado “globo”, uma porção de substância que não é completamente liquefeita.

A cor também varia, passando de preto a vermelho-escuro, ora vermelho-vivo ora vermelho-amarelado.

O volume também muda e parece dobrar, e muitas vezes forma espuma.

Finalmente, o peso muda com uma oscilação de até trinta gramas, em alguns casos até em relação inversa às variações de volume: aumenta esse e diminuiu o peso, e vice-versa.

“Tudo isso – explicou Baima Bollone – escapa a qualquer explicação científica possível”.

Mais cientistas confessam incapacidade da ciência diante do prodígio

A análise espectroscópica do Prof. Baime Bollone em 1989 concordou com a primeira análise similar de 25 de setembro de 1902 feita pelos professores Sperindeo e Januario (Ferdinando Grassi, I Pastori della Cattedra Beneventana, Auxiliatrix 1969, pag. 13, apud UCCR)

Em fevereiro de 2010, o Departamento de Biologia Molecular da Universidade Federico II de Nápoles, guiado pelo professor Giuseppe Geraci, demonstrou definitivamente a presença de sangue humano dentro da ampola San Gennaro.

Após quatro anos de intensas pesquisas, o biólogo afirmou: “apliquei o máximo rigor científico a um acontecimento considerado absolutamente metafísico, inexplicável”.

E após centenas de observações e levantamentos, chegou a uma confirmação substancial da posição do professor Baima Bollone e sua análise espectroscópica.

O Cardeal Sepe exibe o sangue de San Januário liquefeito
O Cardeal Sepe exibe o sangue de San Januário liquefeito
O professor Geraci teve a disposição uma ampola semelhante à de San Gennaro, proveniente do Eremo dei Camaldoli do século XVII e que submeteu a vários testes.

Geraci concluiu que “quanto a San Januário, não há dados científicos unívocos que expliquem por que essas mudanças ocorrem.

“Não basta atribuir ao movimento a capacidade de dissolver o sangue, o líquido muda de estado por motivos ainda a serem identificados” (Il Mattino di Napoli, 5/2/10, apud UCCR)

O prof. Geraci apresentou suas conclusões à Academia Nacional de Ciências física e matemática presidida em Nápoles pelo reitor Guido Trombetti e um congresso de altos cientistas.

Nela, o biólogo Geraci voltou a reconhecer a incapacidade da ciência para desvendar o evento: “não sabemos em que circunstâncias o sangue da ampola de San Januário passa de sólido para líquido e vice-versa” (Il Levante, 9/5/10, apud UCCR).

E voltou a sublinhar “na liquefação do sangue de San Gennaro permanece o mistério de que em alguns casos o sangue permanece sólido e em outros se dissolve sem intervenção externa”.

A posição do biólogo Gerasi foi reforçada pelo matemático Guido Trombetti, Presidente da Academia de Ciências Matemáticas e Físicas, e ex-Presidente da Conferência de Reitores das Universidades Italianas.

Ele disse: “no caso guardado na catedral certamente há sangue humano... devemos parar com a alegada superioridade intelectual da posição dos não crentes sobre a dos crentes” (Il Messaggero, 7/2/10, apud UCCR)

Por muito tempo aqueles, mesmo entre os cientistas, que alegaram a falsidade do milagre de San Gennaro, tentaram explicar o prodígio pelas repetidas oscilações da caixa contendo o sangue feito pelos eclesiásticos responsáveis. Essa suposição ficou afastada nos testes.

Por vezes esses movem a ampola com o sangue para evidenciar ante os fiéis se se deu a liquefação ou se se mantém sólido.

Busto de San Gennaro, catedral de Nápoles conserva o cránio e ossos do mártir
Busto de San Gennaro, catedral de Nápoles
conserva o crânio e ossos do mártir
A não dissolução que houve neste último caso como em anos anteriores em dezembro 2020 malgrado a movimentação, mostra que essa suposição é absolutamente falsa.

Na verdade, a oscilação do relicário não desencadeia a liquefação do sangue.

Nos últimos anos quando foi aberto o cofre que continha o relicário com a relíquia, nas duas datas principais, em maio e em setembro, o sangue já estava completamente dissolvido, sem ter sido sujeito a qualquer movimentação.

A última não-liquefação de 16 dezembro se caracterizou, como sempre, com uma expectativa popular bem menor e a ausência habitual dos altos eclesiásticos da arquidiocese.

Entrementes, aquilo que “Il Mattino”, o principal jornal de Nápoles e maior do sul da Itália, qualificou de “terrível 2020” suscitou temores alimentados pelo espetáculo deplorável da pandemia universal.

“Se há alguma coisa que deve se derreter, é o coração do homem” disse o pároco de Santa Maria Assunta na catedral de Nápoles, Mons. Vincenzo Papa, em referência a uma necessidade de profunda conversão.

Aliás, é o que Nossa Senhora vem pedindo em Fátima e La Salette há mais de um século.

Infelizmente vem encontrando os ouvidos endurecidos à graça diante da perspectiva de tremendos castigos de que a atual pandemia parece ser um início.


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Quem foram os Reis Magos?

'A viagem dos Magos' (1894), James Jacques-Joseph Tissot (1836-1902). Brooklyn Museum, New York City.
'A viagem dos Magos' (1894), James Jacques-Joseph Tissot (1836-1902).
Brooklyn Museum, New York City.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém. A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da Internet.

O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”. 

Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.

“Canônico” deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia. Este catálogo está definitivamente encerrado e não sofrerá mais modificação.

Há uma série de argumentos profundos que justificam esta sábia decisão da Igreja.

Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé.

Por isso mesmo, o Vaticano conserva a maior coleção mundial desses “apócrifos”, e os põe à disposição dos críticos de todas as religiões que queiram estudá-los.

A Igreja não tem medo de que possa sair qualquer coisa que desdoure a integridade e a santidade da Bíblia. Antes bem, deseja ardentemente encontrar qualquer dado que possa ajudar a melhor compreendê-la.

O apócrifo “A Revelação dos Magos” aparenta ser um relato de primeira mão da viagem dos Reis do Oriente para homenagear o Filho de Deus.

Reis Magos, Nicolás de Verdun (1130 – 1205).
Urna dos Reis Magos na catedral de Colônia

Só recentemente foi traduzido do siríaco antigo. O mérito é do Dr. Brent Landau, professor de Estudos Religiosos da Universidade de Oklahoma, EUA, que dedicou dois anos para decifrar o frágil manuscrito.

Trata-se de uma cópia feita no século VIII a partir de algum original perdido que, por sua vez, fora transcrito meio milênio antes.

Portanto, a fonte original desse apócrifo dos Reis Magos remonta a menos de um século depois do Evangelho de São Mateus.

O documento levanta questões em extremo interessantes: 

Quem foram ao certo, os Reis Magos? 

Foram três? 

Quais eram seus nomes? 

De onde vieram? 

Por quê?

Vejamos primeiro o que nos diz a única fonte digna de fé religiosa, o Evangelho de São Mateus:

“1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
“2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
“3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
“4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
“5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
“6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).
“7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
“8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
“9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
“10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
“11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
“12. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.” (São Mateus, cap. 2, 1ss)

Três Reis Magos, mosaico em San Apollinare Nuovo, Ravenna, Itália.
No muro da igreja, concluida em 569, lê-se os nomes dos três.
Apresentados com gorros frígios (chapéu originário da Ásia Menor.
No Irã era atributo do deus Mitra).
A narração de São Mateus contém tudo o que é necessário para a Fé. Mas com o beneplácito e a aprovação da Igreja a piedade popular acrescentou muitos outros pormenores, que foram transmitidos por tradição oral e que são aceitos sem contestação.


O que diz a Tradição sobre seu número, condição, proveniência e destino?

É aqui que entra o papel do grande São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra.

São Beda é uma das máximas autoridades dos primeiros tempos da Idade Média pelo fato de ter recolhido relatos transmitidos oralmente pelos Apóstolos aos seus sucessores, e destes aos seguintes.

São Beda é também considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador. Sua História Eclesiástica do Povo Inglês (Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum) lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa.

No tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele:
“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
Três Magos adoram o Menino Jesus.
Sarcófago romano dos primeiros tempos do cristianismo, Museu Vaticano.
É, pois, São Beda quem por primeira vez escreveu o nome dos três. Nomes com significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades.

Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, Gaspar significa “aquele que vai inspecionar” e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.

Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes.

Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.

Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis.

Gaspar ofereceu-Lhe incenso (ou olíbano), em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes.

Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, veem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade.

Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda a humanidade.

Em coerência com essa visão, a exegese católica interpreta a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de Davi:

“Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. 11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11) (P.S.: na numeração das traduções direto do hebraico, é o Sl. 72, 10-11).

Alguns especularam que talvez pelo menos um deles veio da terra de Shir (não identificada nos mapas modernos), na antiga China.

Em livro – escrito a título pessoal, portanto não sendo documento do magistério eclesiástico – Joseph Ratzinger (S.S.Bento XVI) comenta que “a promessa contida nestes textos [N.R.: Salmo 72,10] estende a proveniência destes homens até ao extremo Ocidente (Tarsis, Tartessos em Espanha), mas a tradição desenvolveu posteriormente este anúncio da universalidade aos reinos de que eram soberanos, como reis dos três continentes então conhecidos: África, Ásia e Europa”, segundo informou “Religión Digital” de Espanha.


A amplidão do leque de possibilidades geográficas fica patente neste comentário.

Tarsis ou Tartessos ficaria na Andaluzia, Espanha, especificamente em “algum lugar compreendido entre Cádiz, Huelva e Sevilha”. 

Segundo o “ABC” de Madri, os sevilhanos acham que se Melquior, Gaspar e Baltasar fossem andaluzes teriam se manifestado mais alegremente, teriam cantado “sevilhanas” e levado pandeiros. A reação popular suscita um amável sorriso.

O que foi depois dos Reis Magos?

Reis Magos. Representam todas as raças. Andrea Mantegna (1431-1506). J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
Reis Magos. Representam todas as raças.
Andrea Mantegna (1431-1506). J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
De acordo com uma tradição acolhida por São João Crisóstomo, Padre da Igreja, os três Reis Magos foram posteriormente batizados pelo Apóstolo São Tomé e trabalharam muito pela expansão da Fé (Patrologia Grega, LVI, 644).

A fama de santidade dos Reis Magos chega até os nossos dias.

Seus restos são venerados na nave central da Catedral de Colônia, Alemanha, em magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes.

As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas a Constantinopla, capital do Império Romano de Oriente.

Depois foram transferidas a outra capital imperial no Ocidente – Milão –, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).


Por que eram "Magos"?

O nome “mago” era sinônimo de “sábio”. O tratamento dado a eles como grandes eruditos, prudentes e judiciosos, provinha do fato de os sacerdotes da Caldeia serem muito voltados para a consideração dos astros com uma sabedoria que surpreende até hoje.

A eles devemos o início da ciência astronômica.

Sem dúvida, seu caráter de “magos”, reconhecido pelo Evangelho de São Mateus, aponta para a área da civilização caldeia (cujo epicentro foi no atual Iraque, mas incluiu diversos países vizinhos, entre eles o Irã).

Com a decadência moral, os “magos” caldeus viraram uma espécie de bruxos, divulgadores de toda espécie de superstições.

Os Três Reis Magos teriam sido os últimos sacerdotes honrados daquele mundo pagão que aspiravam sinceramente conhecer o Salvador.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia.
Neste caso, foram exemplos arquetípicos do pagão de boa-fé que deseja conhecer a verdadeira religião, e que assim que a encontra adere a ela sem demoras nem restrições.

Foram "Reis"?

Discute-se também em que sentido podem ser chamados de “Reis”, pois não se lhes conhece a procedência e menos ainda a localização do reino.

Porém, na Antiguidade, os patriarcas, ou chefes de grandes clãs, ou grupos étnico-culturais, governavam com poderes próprios de um rei, sem terem esse título ou equivalente. E seu reinado se concentrava sobre sua hoste, por vezes nômade.

São João Damasceno não recusava que eles fossem descendentes de Set, terceiro filho de Adão.

E este pormenor nos leva de volta ao “apócrifo” do Vaticano.

A estrela que os guiou

O referido manuscrito estava na Biblioteca Vaticana havia pelo menos 250 anos, mas não se sabe mais nada de sua proveniência.

Está escrito em siríaco, língua falada pelos primeiros cristãos da Síria e ainda hoje, bem como do Iraque e do Irã.

O Prof. Landau acredita que no apócrifo entra muita imaginação. Mas, há uma muito longa descrição das supostas práticas, culto e rituais dos Reis Magos.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha.
Feitos, pois, os devidos descontos no apócrifo, lemos nele que Set, terceiro filho de Adão, transmitiu uma profecia, talvez recebida de seu pai, de que uma estrela apareceria para sinalizar o nascimento de Deus encarnado num homem.

Prêmio a uma fidelidade de séculos

Gerações de Magos teriam aguardado durante milênios até a estrela aparecer, confiantes no aviso de Set.

Mistérios da fidelidade! Milênios aguardando, gerações morrendo na esperança e transmitindo aos filhos o anúncio de um dia remoto em que o mundo receberia o Salvador!

Segundo o Prof. Landau, o apócrifo diz que a estrela no fim “transformou-se num pequeno ser luminoso de forma humana que foi Cristo, na gruta de Belém”.

A afirmação não é procedente se a interpretarmos ao pé da letra. Mas, levando em conta o estilo altamente poético do Oriente, poderíamos supor que o brilho da estrela de Belém convergiu no Menino Jesus e desapareceu.

E, de fato, depois de encontrar o Menino Deus, os Magos não mais viram a estrela.

Alertados por um anjo, voltaram por outro caminho às suas terras, como ensina o Evangelho de São Mateus, que não mais menciona a estrela no retorno.

Anúncio dos profetas e juízo de Padres e Doutores da Igreja

Adoração dos Magos, Gentile da Fabriano (1370-1427). Galleria degli Uffizi, Florença
Adoração dos Magos, Gentile da Fabriano (1370-1427). Galleria degli Uffizi, Florença
A festa da adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus recebeu o nome de Epifania do Senhor. Epifania vem do grego: πιφάνεια que significa “aparição; fenômeno miraculoso”.

A festa se comemora no dia 6 de janeiro, ou seja, doze dias após o Natal, ou 2 domingos após o Natal, dependendo do calendário litúrgico usado.

“Andaram as gentes na tua luz e os reis no esplendor do teu nascimento”, profetizou Isaías (Is 60, 3).

E São Tomás de Aquino explica: ‘Os Magos foram as primícias dos gentios que acreditaram em Cristo. E neles se manifestou, como um presságio, a fé e a devoção das gentes que vieram a Cristo das mais remotas regiões’.

Santo Agostinho sublinha que eles procuraram com fé mais ardente Àquele que punham de manifesto o clarão da estrela e a autoridade das profecias.

São João Crisóstomo completa dizendo: “porque buscavam um Rei celeste, embora nada descobrissem nele denotador da excelência real, contudo, satisfeitos só com o testemunho da estrela, adoraram-no”.

Veja também: Dado essencial: houve o fenômeno astronômico denominado “estrela de Belém”

Astrônomo defende com computador a existência da estrela de Belém


segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Reaparece em Belém
o Anjo que aponta onde Jesus nasceu

Anjo redescoberto na basílica Natividade, Belém, olha fixo para o local onde Jesus nasceu
Anjo redescoberto na basílica Natividade, Belém,
olha fixo para o local onde Jesus nasceu
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Veio à luz graças a uma equipe de restauradores italianos precioso mosaico de um anjo encoberto por uma massa de pintura na Basílica da Natividade, em Belém, informou a BBC Brasil.

O feliz achado, depois da primorosa restauração, exibe em toda sua beleza um anjo que olha fixo para o local onde Jesus nasceu.

Coberta por reboco há quase mil anos, a obra encontrava-se fora do alcance do olhar humano.

A Basílica da Natividade, em Belém, precisava de uma importante restauração que envolvia a própria estrutura do milenar templo.

Contudo, um imprudente “ecumenismo” fazia depender as obras de restauro da aprovação de um conjunto de denominações cristãs.

As denominações ditas “ortodoxas” vivem apegadas a um passado mofado e amarfanhado, antipatizando-se com as restaurações.

Ademais, não têm a escola teológica nem o amor pelo passado que é sinal distintivo dos católicos. Esses possuem outra visão da tradição, da importância das obras de arte do passado e de sua contribuição para o presente e o futuro.

Malgrado os defeitos que possam ocorrer, o dinamismo católico é impulsionado por um amor sincero ao belo, à tradição, à história e de tudo o que se refere a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em tudo procura o brilho que merece a única Igreja e que resplandece ao longo das vicissitudes tempestuosas dos milênios.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Dado essencial: houve o fenômeno astronômico da “estrela de Belém”

O astrônomo e matemático alemão Johannes Kepler (1571 — 1630)
também propendeu para a hipótese de uma conjunção estelar única.
Luis Dufaur
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No post anterior referimos a tese do astrônomo Mark Thompson, da Royal Astronomical Society de Londres e apresentador científico da BBC, noticiada por "The Telegraph".

Veja: Astrônomo defende com computador a existência da estrela de Belém

Cabe ponderar que essa tese não é a única nos meios científicos.

Há anos, Werner Keller, num livro muito divulgado e que é digno de uma atualização com as novas descobertas científicas (Werner Keller, “E a Bíblia tinha razão”) recolhe afirmações avalizadas de cientistas de fama universal.

Pouco antes do Natal, no dia 17 de dezembro de 1603, o famoso matemático imperial e astrônomo da corte, Johannes Kepler (ao lado), estava em Praga observando, com seu modesto telescópio, a “conjunção” de Saturno e Júpiter na constelação de Peixes.

Kepler lembrou que segundo o rabino Abarbanel (1437-1508) para os astrólogos judeus o Messias viria por ocasião de uma conjunção de Saturno e Júpiter na constelação dos Peixes.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Tabuleta babilônica descreve a odisseia de Noé e o Dilúvio

Narração parcial do dilúvio,  decodificada pelo assiriologista Irving Finkel.  British Museum.
Narração parcial do dilúvio,
decodificada pelo assiriologista Irving Finkel.
British Museum.
Luis Dufaur
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Há quatro mil anos um escriba caldeu – talvez na Babilônia, atual Iraque – gravou a narração do Dilúvio numa tabuleta de argila.

Também da Caldeia, mais provavelmente de Ur, partiu Abraão, que acabou sendo escolhido por Deus para Patriarca do povo eleito.

O ignoto autor caldeu escreveu a narração daquele fato histórico-religioso único com caracteres cuneiformes (em forma de cunha). Por certo, narra uma tradição fincada há séculos entre os caldeus, que eram pagãos.

Por isso mesmo, alguns elementos da tradição que ele recolheu estão manchados de paganismo ou elementos meramente poético-lendários.

O que ele nunca poderia saber é que sua tabuleta haveria de atravessar dezenas de séculos, até ser decifrada no III milênio numa cidade que não existia em sua época: Londres.

Há cerca de 30 anos, o assiriologista – especialista na Assíria, Mesopotâmia antiga – Dr. Irving Finkel, manuseando a tabuleta percebeu que se tratava de um dos mais importantes achados dos últimos tempos. 

Aliás, era uma entre as 130.000 trazidas da Mesopotâmia por arqueólogos ou expedicionários ingleses.

Em 2009, Dr. Finkel traduziu os milenares caracteres e percebeu com certeza tratar-se de uma narração parcial do Dilúvio, feita por um habitante da Assíria (atual Iraque).

A tabuleta fala que Deus alertou um grande homem e o instruiu para construir um grande navio onde devia reunir toda sua família e dois animais de cada espécie, porque o mundo seria purificado com um dilúvio.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Dr. Collins: o cientista não tem como excluir a Deus

Dr. Francis Sellers Collins: a dor e a esperança  dos doentes tocou o coração do cientista
Dr. Francis Sellers Collins: a dor e a esperança
dos doentes tocou o coração do cientista
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Dr. Francis Sellers Collins nasceu em Staunton, estado de Virginia, EUA, em 14 de abril de 1950, e se tornou um dos cientistas mais respeitados do século.

Numa entrevista à CNN que ficou para a história, ele descreveu como abandonou o ateísmo e passou a acreditar em Deus.

Collins doutorou-se em Química e Física na prestigiosa Universidade de Yale, e em Medicina na Universidade de Carolina do Norte.

Foi diretor do Projeto Genoma Humano de 1993 até 2008, substituindo o Prêmio Nobel James D. Watson como diretor do National Center for Human Genome Research dos EUA. 

Ele é um dos responsáveis por um feito espetacular da ciência moderna: o mapeamento do DNA humano, em 2001, o código da vida.

Ele é tido como o cientista que mais rastreou genes com a finalidade de encontrar tratamento para diversas doenças.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Onde estão os túmulos dos 12 Apóstolos?

A reunião dos Santos e Venerabilissimos Doze Apóstolos', século XIV, Pushkin Museum
A reunião dos Santos e Venerabilissimos Doze Apóstolos', século XIV, Pushkin Museum
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em diversos posts abordamos as descobertas de arqueólogos e especialistas diversos dos túmulos de Santos Apóstolos que puderam ser identificados de acordo com os critérios das ciências.

Essas informações suscitam o desejo de saber, numa visão de conjunto, onde estão todos os sagrados restos dos 12 Apóstolos.

Em alguns casos, seu lugar de repouso e veneração está averiguado. Em outros, os arqueólogos trabalham afincadamente para encontrar uma luz que seja definitiva sobre o local de descanso de algum dos Apóstolos.

Já o tem feito com certeza científica em bom número deles, e continuam a se aproximarem de uma certeza análoga nos demais casos.

Nosso Senhor Jesus Cristo os enviou os Apóstolos para pregar a todas as nações, e muitos deles morreram martirizados em locais longínquos e suas relíquias atravessaram por muitas vicissitudes.

De ali que achamos interessante apresentar uma visão panorâmica sobre onde estão enterradas agora essas preciosas relíquias e o grau de certeza histórico-científica delas.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

O túmulo originário do apóstolo São Filipe:
um mausoléu com milagres como em Lourdes

São Filipe Apóstolo catequiza eunuco etiope,
Exeter College chapel, Oxford.
Fato nos Atos 8,26-4
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Uma missão arqueológica italiana encontrou a primeira tumba de São Filipe Apóstolo.

Ele foi um dos 12  escolhidos por Nosso Senhor Jesus Cristo para serem os primeiros bispos.

Sobre eles, sob o primado de Pedro, Jesus estabeleceu a hierarquia da Igreja Católica.

A descoberta aconteceu em Pamukkale, antiga Hierápolis, na Anatólia Ocidental (Turquia).

O apóstolo Filipe morreu nessa cidade, depois de ter pregado na Grécia e na Ásia Menor, informou a agência Zenit.

Hoje as relíquias de São Filipe são veneradas na basílica dos Doze Apóstolos em Roma, para onde foram levadas em tempos remotos.

A Basílica foi construída para conservar seus restos e depois passou a ser dedicada aos Doze Apóstolos.

Está na praça do mesmo nome, junto ao Palácio Colonna, muito perto da centralíssima Piazza Venezia.

Porém, sabia-se que o primeiro túmulo do grande apóstolo estivera em Hierápolis, onde ele fora objeto de grande veneração.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

O apocalíptico fim de Sodoma, segundo os arqueólogos

Lot e filhas fogem de Sodoma. John Martin (1789-1854), Wellcome Library no. 15821i
Ló e filhas fogem de Sodoma. John Martin (1789-1854), Wellcome Library no. 15821i
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Sodoma e Gomorra, juntamente com mais três cidades – Adama, Seboim e Bala – formavam a chamada Pentápolis.

A destruição delas foi sempre uma lição para a humanidade. Bala, também conhecida como Zóar ou Segor, onde se refugiou Ló e cuja localização não se conhece, teria sido perdoada nas condições indicadas pela Bíblia.

Mas muitas vezes esse perdão lhe foi recusado como uma fantasia exageradamente trágica.

E se a realidade superar em horror qualquer fantasia?

É o que apontam estudos que já levam anos na região suposta da Pentápolis, junto ao Mar Morto, feitos por equipes multidisciplinares de cientistas de diversas procedências.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Planeta de diamante: luxo que só Deus pode criar

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O conceituado Max-Planck-Institute für Radioastronomie, de Berlim, anunciou que uma equipe internacional de astrônomos da Austrália, Alemanha, Itália, Reino Unido e EUA, incluindo o Prof. Michael Kramer, do próprio Max Planck Institute for Radio Astronomy, identificaram um planeta quase todo feito de diamante.

Esta espécie de jóia natural gira em torno de uma pequena estrela nos confins da Via Láctea – a nossa galáxia.

O planeta é assaz mais denso do que qualquer outro já observado e consiste quase só de carbono.

Por causa de sua densidade, os cientistas concluíram que o carbono deve se encontrar em estado cristalino. Em outras palavras, todo ou grande parte dele é feita mesmo de diamante, a preciosíssima pedra que sempre fascinou os homens.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Sodoma e Gomorra foram destruídas por um asteroide?

Planisfério assírio, meteorito sobre Sodoma, British Museum
Tabuleta de argila ou “Planisfério” achada no século XIX.
Foi decifrada no fim do século XX. British Museum.
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Os cientistas britânicos Alan Bond, diretor da empresa de propulsão espacial Reaction Engines, e Mark Hempsell, especialista em astronáutica da Universidade de Bristol, decifraram as inscrições cuneiformes de uma tabuleta de argila datada de 700 a.C.

Eles concluíram se tratar do testemunho lavrado por um astrônomo sumério descrevendo a passagem de um asteroide cujas características se assemelham à chuva de fogo que arrasou as cidades de Sodoma e Gomorra.

As informações circulam largamente há alguns anos difundidas em páginas da Internet como a BBC Brasil ou jornais como o Times de Londres, La Stampa de Turim, ou Daily Mail.

Elas são objeto de crítica e análise. Os especialistas reuniram dados e conclusões no livroA Sumerian Observation of the Kofels Impact, publicado em Londres.

A tabuleta foi descoberta nas ruínas de Nínive por Sir Henry Layard em meados do século XIX. É conservada no British Museum de Londres. Ela é conhecida como “Planisfério” (foto acima) e há 150 anos os cientistas vêm disputando sobre seu verdadeiro significado.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Fim do mundo em mosaicos de antiquíssima sinagoga

Daniel vê quatro bestas representando quatro impérios prévios ao fim do mundo,
Apocalipse de Silos (1109), f.240 - British Library Add, MS 11695.
O mosaico de Huqoq está sendo preparado para presentação.
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Num post anterior – Sansão: monumental sinagoga confirma relatos bíblicos  – abordamos a história de Sansão a partir da descoberta de mosaicos que fizeram parte do chão de uma antiga grande sinagoga de 1.600 anos de antiguidade na cidade de Huqoq, na Galileia.

Dita sinagoga foi reaproveitada como igreja católica de rito greco-bizantino até que sobre ela foi feita uma cidade árabe, hoje em ruínas.

Os trabalhos de recuperação vêm acontecendo há anos e os frutos de fase de 2019 foram apresentados à imprensa pela arqueóloga Prof.a Jodi Magness da Universidade de Carolina do Norte em Chapel Hill, EUA, de acordo com as informações do jornal israelense “The Times of Israel”, , que adotamos como fonte principal neste post.

A professora ressaltou que está se pondo à luz uma verdadeira coleção artística de mosaicos de alto interesse.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Sansão: monumental sinagoga confirma relatos bíblicos

Na ex-sinagoga de Huqoq: mosaico de Sansão derrubando as colunas do templo dos filisteus
Na ex-sinagoga de Huqoq: mosaico de Sansão derrubando as colunas do templo dos filisteus
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Uma monumental sinagoga do período romano-bizantino tardio (séculos IV e V d.C.) foi descoberta em escavações arqueológicas em Huqoq na Galileia, Israel, em julho 2012.

O anúncio foi feito pela Israel Antiquities Authority, a maior autoridade em Israel sobre a matéria. Em campanhas arqueológicas posteriores foram sendo trazidos à luz outros importantes mosaicos.

Esses se referem a diversos episódios bíblicos, como a Arca de Noe e a travessia do Mar Vermelho. Se destacam as representações de Sansão e a derrubada das colunas do templo máximo dos filisteus

As escavações foram conduzidas por Jodi Magness, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill – UNC (EUA), e David Amit e Suá Kisilevitz, da Autoridade de Antiguidades de Israel, sob o patrocínio da UNC, da Universidade de Brigham Young de Utah; da Trinity University de Texas; da Universidade de Oklahoma – todas elas dos EUA –, e da Universidade de Toronto, Canadá.

Estudantes e funcionários da UNC e das entidades consorciadas participam dos trabalhos.

Huqoq é uma antiga aldeia judaica localizada a aproximadamente 2-3 km a oeste de Cafarnaum e Migdal (Magdala), na Galileia.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

A travessia do Mar Vermelho estudada por cientistas - 2

Travessia do Mar Vermelho, Ivan Aivazovsky
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Há muita discussão científica séria sobre qual foi o local exato da travessia.

A maioria dos cientistas que estudam o texto bíblico, e que são citados pelos autores Carl Drews e Weiqing Han, julgam que a melhor tradução para o nome hebraico “Yam Suph” não é “mar Vermelho”, mas sim “mar de Caniços”.

Esta denominação geográfica designa uma área pantanosa (daí os caniços, plantas aquáticas) onde o Nilo encontra o mar Mediterrâneo.

E, de fato, as rochas e sedimentos da região do delta do Nilo nessa época apontam a presença de um grande braço do rio que se conectava com uma lagoa salobra, chamada “lago de Tânis”.


O vento do oriente descrito no Êxodo, segundo esta tese científica, teria feito recuar as águas rasas (com cerca de 2 m de profundidade) do braço do Nilo e do lago.

Isso teria permitido a passagem de Moisés e seu povo para longe dos guerreiros do faraó.

Há uma certa hostilidade contra o professor Drews porque é cristão e tem um site no qual defende a compatibilidade entre ciência e fé. Mas esta hostilidade não é parte da ciência e se insere num debate filosófico-teológico.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

A travessia do Mar Vermelho estudada por cientistas - 1

Travessia do Mar Vermelho. atribuído a Cosimo Rosselli (1439 - 1507), e outros. Capela Sistina, Vaticano..
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Um dos mais retumbantes fatos da História Sagrada foi analisado por cientistas americanos.

Eles refizeram com modelos computacionais as condições em que poderia ter acontecido.

Trata-se da travessia do Mar Vermelho durante o êxodo do povo eleito, que saiu da escravidão no Egito rumo à Terra Prometida, sob a condução de Moisés o grande profeta e legislador de Israel.

O milagre teve duas grandes dimensões: uma natural, sem dúvida pasmosa, e outra sobrenatural, a mais importante.

Na maior parte dos milagres, Deus age através de causas naturais. E estas causas podem ser estudadas pelo homem. No caso, o foram por Carl Drews, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA, e Weiqing Han, da Universidade do Colorado em Boulder, EUA.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Maravilhosa predileção de Deus para com o Japão

26 mártires de Nagasaki. Em convento franciscano da Senhora das Neves em Praga
26 mártires de Nagasaki. Em convento franciscano da Senhora das Neves em Praga
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Um minucioso e demorado trabalho de arqueólogos e especialistas da História permitiu reconstituir uma das páginas mais belas do Cristianismo.

Trata-se da perseverança dos católicos japoneses durante mais de dois séculos a uma das mais desapiedadas perseguições religiosas que registra a humanidade.

E seu maravilhoso e emocionante fim com a intervenção de potencias ocidentais e a chegada de missionários da Europa.

Em post anteriores, tivemos ocasião de nos ocupar dos achados das ciências arqueológicas e históricas.

Cfr.: Descobertas capelas dos católicos japoneses perseguidos durante séculos
Arqueólogos revelam perseverança heroica dos católicos japoneses perseguidos durante séculos
Três imagens que escaparam da destruição pelos pagãos em Nagasaki


O espantoso número de vítimas mortais, feridos físicos e mentais deixados pelas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki na II Guerra Mundial é muito aquém daquele das vítimas das perseguições pagãs aos católicos no Japão.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Médica ateia confere 1.400 milagres e diz: “eles existem”

A professora Jacalyn Duffin dando aula de História da Medicina
A professora Jacalyn Duffin dando aula de História da Medicina
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A hematologista canadense Jacalyn Duffin estava observando no microscópio “uma célula letal de leucemia”.

Olhando para a data do exame, concluiu: “fiquei persuadida de que o paciente cujo sangue estava examinando tinha que ter morrido”.

Entretanto, o paciente estava bem vivo.

A hematologista não sabia: ela havia sido solicitada para participar na investigação de um milagre.

Ela escreveu sua incrível história pessoal. em artigo para a BBC

A doutora Duffin, 64, é também uma prestigiosa historiadora, tendo presidido a Associação Americana de História da Medicina e a Sociedade Canadense de História da Medicina. Além de ser catedrática dessa disciplina na Queen’s University de Kingston (Canadá).

O fato se deu em 1986 e foi seu primeiro contato com as canonizações da Igreja.

segunda-feira, 16 de março de 2020

“A entrada do inferno”: o poço mais fundo jamais cavado
chegou ao cárcere de Satanás?

“A entrada do inferno”, ou superpoço soviético de Kola foi selado com formigão.
“A entrada do inferno”, ou superpoço soviético de Kola foi selado com formigão.
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Na península de Kola, quase Círculo Polar Ártico há uma estação científica soviética abandonada. Ali, uma pesada tampa de metal está lacrada num piso de concreto por um anel de ferrolhos grossos e enferrujados.

Para muitos, essa é a entrada do inferno, segundo pormenorizada reportagem da BBC News.

Trata-se do Poço Superprofundo de Kola, o que mais se internou nas entranhas secretas da Terra cavado pelo homem.

Ele desce até 12,2 km e moradores locais juram que nele se podem ouvir os gritos das almas torturadas no inferno.

Os soviéticos levaram quase 20 anos para conclui-lo, mas nem de longe puderam atingir o manto da Terra que era seu objetivo. O projeto foi interrompido na Rússia pós-soviética.

“A perfuração começou na época da Cortina de Ferro”, conta Uli Harms, do Programa Internacional de Perfuração Continental Científica (ICDP, na sigla em inglês).

Portanto, no auge do ateísmo de Estado russo.

Harms trabalhou na “rival alemã” do Poço Superprofundo de Kola.