quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Dois milênios após a morte de São Paulo restauradores descobriram sua mais antiga imagem

Descoberta mais antiga imagem de São Paulo
Arqueólogos no momento que desvendaram a pintura.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Em 19 de junho de 2009 foi descoberta a mais antiga representação conhecida de São Paulo. Ela se remonta ao fim do século IV.

Segundo informaram as agências Reuters, Aleteia e Zenit, entre outras, foi localizada enquanto se praticavam escavações na catacumba de Santa Tecla, na via Ostiense, não longe da basílica do Apóstolo, fora das antigas muralhas de Roma.

Os arqueólogos limpavam com raios laser uma abóbada quando descobriram um exuberante afresco.

No centro estava representado o Bom Pastor. Em volta, tinha quatro círculos com as esfinges de São Pedro, São Paulo, e mais dos apóstolos.

Os arqueólogos Fabrizio Bisconti e Barbara Mazzei forneceram todos os detalhes da descoberta. Bisconti, que é secretario da Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra e presidente da Academia Pontifícia do Culto dos Mártires, ponderou que “pode ser considerado o ícone mais antigo do Apóstolo encontrado até agora”.

A imagem mais antiga de São Paulo descoberta em Roma.
A imagem mais antiga de São Paulo descoberta em Roma.
O achado, entretanto, suscitou mal-estar entre aqueles ‒ inclusive “católicos de esquerda” ‒ que gostam dizer que a tradição da Igreja Católica baseia-se em mitos inverificáveis.

Na pintura, São Paulo aparece com um ar pensativo, olhar penetrante, a frente alta e barba em ponta.

Aquela face, uma vez indo a Damasco para perseguir os cristãos, viu subitamente Nosso Senhor que lhe apareceu envolvido numa nuvem de luz e o derrubou por terra.

“Saulo! Saulo! Por quê me persegues?” (Atos, 9, 4-ss)

Ele então perguntou:

“Quem és, Senhor?”

“Eu sou Jesus a quem tu persegues! Duro te é recalcitrar contra o aguilhão.”

“Quem és, Senhor? O que queres que eu faça?”
“Quem és, Senhor? O que queres que eu faça?”
São Paulo tremeu. O sopro da graça há tempo vinha chamando o Paulo para se converter, e ele recalcitrava. E Nosso Senhor lhe disse:

“Levanta-te, entra na cidade. E aí te será dito o que deves fazer”. (Atos, 9, 4-ss)

O murro tinha valido. Paulo estava embasbacado e com medo. Levou um tranco que sacudiu sua alma.

Mas, respondeu com o radicalismo dele. Não perdeu tempo. Viu que estava errado, pôs-se logo ao serviço de Deus.

Saulo levantou-se cego! Foi tateando, passo ante passo, pé ante pé, sem saber se ficaria cego a vida inteira.

Ele, o grande Paulo, fariseu, excelente e ilustre, entrou como uma criança cega, conduzido por outro na cidade de Damasco.

Ananias pondo as mãos sobre Paulo lhe devolve a vista.
Ananias pondo as mãos sobre Paulo lhe devolve a vista.
A cena foi de uma violência peculiar. Pois, Paulo era, ele próprio, muito violento.

Prova disso é que quando Deus, em sonhos, aconselhou Ananias acolhê-lo.

Ananias respondeu, segundo os Atos dos Apóstolos (Atos, 9, 13-ss):

“Senhor, muitos já me falaram deste homem, quantos males fez aos teus fiéis em Jerusalém. E aqui ele tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam o teu nome.”

Mas Deus lhe respondeu:

“Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel”.

Ananias então entrou na casa e pondo as mãos sobre ele, disse:

“Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.”

São Paulo, uma vez convertido, confundia os judeus demonstrando que Jesus é o Cristo anunciado pelos profetas
São Paulo, uma vez convertido, confundia os judeus
demonstrando que Jesus é o Cristo anunciado pelos profetas
E acrescentam os Atos dos Apóstolos:

“No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado.

“Depois tomou alimento e sentiu-se fortalecido. Demorou-se por alguns dias com os discípulos que se achavam em Damasco.

“Imediatamente começou a proclamar pelas sinagogas que Jesus é o Filho de Deus.

“Todos os seus ouvintes pasmavam e diziam: Este não é aquele que perseguia em Jerusalém os que invocam o nome de Jesus? Não veio cá só para levá-los presos aos sumos sacerdotes?

“Saulo, porém, sentia crescer o seu poder e confundia os judeus de Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo.” (Atos, 9, 18-ss)

Quem sabe se esta descoberta não traz uma mensagem para nós, para o mundo.

Não precisaríamos de uma “queda” como a de São Paulo, uma chacoalhada providencial, para o mundo, nós mesmos, endereçar nossos caminhos e nos engajar pela causa da Igreja?



Vaticano apresenta as imagens mais antigas dos Apóstolos




Descubiertos los retratos más antiguos de San Juan, San Andrés y San Pablo (español)




The oldest portraits of Sts. Andrew, John and Paul discovered (inglês)




segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Cultos originários indígenas sacrificavam crianças
a deuses da Terra, confirmando a Bíblia: “são demônios”

Sacrifício Chimú de crianças. Reconstituição por Gabriel Prieto da Universidade Nacional de Trujillo; John W. Verano, Universidade de Tulane; Nicolas Goepfert, CNRS; Anne Pollard Rowe
Sacrifício Chimú de crianças. Reconstituição pelos arqueólogos Gabriel Prieto da Universidade Nacional de Trujillo;
John W. Verano, Universidade de Tulane; Nicolas Goepfert, CNRS; Anne Pollard Rowe.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Uma equipe de arqueólogos do Peru descobriu o que se acredita ser local do maior sacrifício em massa de crianças da História, segundo informou entre outros “The Guardian” de Londres.

Sem ser esse o objetivo dos cientistas, acabaram puxando o fulcro das atenções para uma das frases mais polêmicas das Sagradas Escrituras, confirmando-a.

Com efeito, quando elas se referem aos pagãos e a seus deuses, fazem-no com horror e execração. O Salmo 95 reza “todos os deuses dos gentios são demônios” (“Omnes dii gentium, daemonia”) (Salmo 95, 5).

Em numerosas passagens bíblicas, vemos os profetas e os representantes de Deus destruindo dos ídolos e os condenando ardendo de zelo pelo único Criador merecedor da única adoração.

Os crimes e os costumes depravados associados ao culto dos ídolos são também condenados com horror. Mas não faltou quem julgasse exageradas essas atitudes dos profetas e dos autores sagrados.

As ciências que investigam a Antiguidade, estudam particularmente as civilizações pagãs idolátricas que interferem na História do povo eleito, e tentam desviá-lo de sua vocação.

Elas fornecem em continuidade provas da perversão dos ídolos, tidos como deuses, que cultuavam os gentios e patenteiam seu demonismo.

Alguns dos corpos das crianças chacinadas pelo culto Chimú em Huanchaco.
Alguns dos corpos das crianças chacinadas pelo culto Chimú em Huanchaco.
O mesmo acontece no que se refere às civilizações indígenas ou originárias das Américas, especialmente antes da chegada abençoada dos missionários católicos e o nascimento dos nossos país.

Exemplo recente disso foi a macabra descoberta dos corpos de 227 vítimas de entre 5 e 14 anos perto da cidade costeira de Huanchaco, 570 km ao norte de Lima.

Como disseram os arqueólogos à agência de notícias AFP, alguns dos corpos ainda tinham cabelos e pele no momento em que foram desenterrados.

Embora não esteja claro em que ano eles foram objeto do holocausto, os especialistas acreditam que as crianças foram sacrificadas há mais de 500 anos.

A descoberta ocorre apenas um ano depois que os restos de 200 crianças vítimas de sacrifício humano foram achados em outros dois locais no Peru.

Segundo a investigação, os corpos das crianças mostram sinais de terem sido executadas durante o clima úmido e enterradas olhando para o mar.

Isso significa que provavelmente elas foram sacrificadas para apaziguar as forças da natureza, cultuadas torpemente como divinas pela “cultura” Chimú.

Faca sacrifical Chimú, Metropolitan Museum of Art, NYC
Faca sacrifical Chimú, Metropolitan Museum of Art, NYC
Essa “cultura” animou uma das organizações mais poderosas da região da costa norte do Peru, onde residiam.

Eles alcançaram destaque entre os anos 1200 e 1400, antes de serem subjugados pelos incas.

Estes, por sua vez, foram apaziguados e evangelizados pelos espanhóis católicos, conversão que acabou com esses cruéis rituais.

A civilização Chimú adorava um deus da lua chamado Shi, que ao contrário dos incas, acreditavam que fosse mais poderoso que o sol.

Os devotos ofereciam regularmente sacrifícios humanos e outras ofertas perversas durante rituais espirituais.

Essa mística religiosa “originária”, com múltiplas variantes mais ou menos lendárias, aparece no cerne de muitas superstições indígenas na América e está no âmago da crença na Pachamama, cultuada nos jardins do Vaticano em concomitância com o Sínodo Pan-amazônico.

Na medula dessa crença demoníaca houve um deus primigênio – que recebe vários nomes: “deus vermelho”, “Shi” e outros –, que foi enxotado para as profundidades da terra por um deus branco, o sol.

Esse “deus vermelho” tem momentos em que está próximo de sair de sua prisão infernal. Seus adoradores então devem praticar cultos perversos para ajudá-lo a se libertar.

Esse é o poder que está no centro da terra, e a energia que palpita na Pachamama (“Mãe Terra”). Uma espécie de teologia da libertação demoníaca que evoca certas doutrinas invocadas no Sínodo Pan-amazônico.

O trabalho de escavação dos arqueólogos continua no local do enterro em massa, porque, como eles apontaram, mais corpos ainda podem ser descobertos.

“Este é o maior local onde foram encontrados restos de crianças sacrificadas. Não há outro igual em nenhum outro lugar do mundo.

“É incontrolável, onde quer que você cave, há outro (corpo)”, disse o arqueólogo-chefe Feren Castillo da Universidade Nacional de Trujillo ao jornal inglês.

Igreja de São Pedro, em Andahuaylillas, Peru, com forte contributo de indígenaa cristianizados, patenteia o resgate moral feito pela civilização católica.
Igreja de São Pedro, em Andahuaylillas, Peru, com forte contributo
de indígenaa cristianizados, patenteia o resgate moral feito pela civilização católica.
As equipes estão escavando desde o ano passado o local de sacrifício de Huanchaco, cidade turística à beira-mar perto de Trujillo, terceira maior cidade do Peru.

Segundo “The Guardian”, o arqueólogo Feren Castillo explicou que as crianças sacrificadas para apaziguar a natureza, ou Pachamama, em verdade visavam o fenômeno El Niño que esses índios supersticiosos e sádicos desconheciam.

Por isso os sinais da morte sacrifical apontam tempo chuvoso, e as vítimas estão enterradas voltadas para o mar.

Algumas exibiam brincos de prata, afastando a ideia de serem cativas e sugerindo que foram mortas com anuência de pais ricos.

Os arqueólogos encontraram os primeiros corpos de crianças a curta distância no bairro de Pampa la Cruz, em junho de 2018, desenterrando 56 esqueletos.

Em Huanchaquito, no mês de abril de 2018, apareceram os restos de 140 crianças sacrificadas e 200 lhamas, animais oferecidos aos Andes.

Os esqueletos continham lesões no osso esterno, provavelmente feitas por uma faca cerimonial. As costelas deslocadas sugerem que o sacerdote tentou extrair o coração palpitante das crianças.

Casamento de Martín García de Loyola (descendente indireto de Santo Inácio) e Beatriz Clara Coya (da família real dos Incas). Igreja da Compania, Cuzco, século XVII.
Casamento de Martín García de Loyola (descendente indireto de Santo Inácio)
e Beatriz Clara Coya (da família real dos Incas). A evangelização uniu os povos.
Igreja da Compania, Cuzco, século XVII.
Pegadas que sobreviveram à chuva e à erosão indicam que as crianças foram levadas para a morte em Chan Chan, uma cidade antiga a 1,5 km de Las Llamas, disse Gabriel Prieto, professor de arqueologia da Universidade Nacional de Trujillo, no Peru, que liderou a escavação juntamente com John Verano, da Universidade de Tulane, EUA.

Os resultados foram publicados pela National Geographic, apontou “The Guardian”.

A civilização Chimú desapareceu em 1475, conquistada pelo império Inca, que por sua vez foi felizmente suprimido com suas arrepiantes práticas pela difusão do Evangelho e da doce lei de Cristo trazida pelos conquistadores espanhóis.

Jeffrey Quilter, diretor do Museu Peabody de Arqueologia e Etnologia da Universidade de Harvard, constatou que o site fornece “evidências concretas” de que sacrifícios em larga escala de crianças ocorriam no Peru e faziam parte das “culturas originárias”.

“Relatos de grandes sacrifícios são conhecidos em outras partes do mundo, mas é difícil saber se os números são exagerados ou não”, disse Quilter, que lidera a equipe de cientistas que analisará amostras de DNA dos restos das crianças.

Várias culturas antigas nas Américas, incluindo os maias, astecas e incas, praticavam sacrifícios humanos, mas o sacrifício em massa de crianças até o presente raramente havia sido tão bem documentado.

Execução ritual registrada no Códice Magliabechiano
É um dos aspectos mais horríveis do paganismo embebido de satanismo.

Uma perversa “lenda negra” ainda procura dar a impressão contrária: a de maravilhosas culturas esmagadas por europeus católicos ávidos de ouro e escravos.

Na América do Norte são ainda mais numerosas as descobertas que vem sendo feitas há décadas, como por exemplo documentou em 2006 a The History News Network, e nos mesmos termos mais recentemente The Daily Mail.

Arqueólogos desenterraram perto da cidade do México os restos de aproximadamente 550 pessoas sacrificadas ritualmente.

Com esse massacre oferecido pelos sacerdotes astecas, os adoradores pagãos das forças da Terra achavam que deteriam a chegada dos evangelizadores e espanhóis em 1519.

As vítimas foram guardadas em gaiolas durante meses, tiveram os corações arrancados, os ossos foram fervidos e os crânios escalpelados.

Nossa Senhora de Guadalupe apareceu a São Juan Diego e conquistou o coração dos americanos. Assim, a Mãe de Deus exorcizou esses corações, malgrado as insistências diabólicas sempre ativas.
Nossa Senhora de Guadalupe apareceu a São Juan Diego e conquistou o coração dos americanos.
Assim, a Mãe de Deus exorcizou esses corações, malgrado as insistências diabólicas sempre ativas.
Com frequência os restos mortais ainda palpitantes eram devorados por bruxos e demais indígenas. A satânica chacina durou seis meses.

Esses sacrifícios coletivos eram comuns entre índios antes da evangelização das Américas.

Apesar disso, a neomissiologia comuno-progressista pretende que a cultura indígena é a boa, e que os males começaram com a ação evangelizadora dos missionários católicos, após a descoberta do continente americano.

A descoberta reforça a convicção no acerto da Igreja enviando os missionários que tiraram América do paganismo, da barbárie, ignorância e cruel selvageria em que jaziam seus habitantes indígenas.

Agradeçamos sempre a Nossa Senhora e à Santa Igreja Católica que nos trouxeram Jesus Cristo e a civilização cristã.

Veja também: Pirâmides macabras no México e o juízo bíblico dos deuses pagãos: “são demônios”


domingo, 29 de dezembro de 2019

Quem foram os Reis Magos?

'A viagem dos Magos' (1894), James Jacques-Joseph Tissot (1836-1902). Brooklyn Museum, New York City.
'A viagem dos Magos' (1894), James Jacques-Joseph Tissot (1836-1902).
Brooklyn Museum, New York City.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém. A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da Internet.

O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”. Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.

“Canônico” deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia. Este catálogo está definitivamente encerrado e não sofrerá mais modificação.

Há uma série de argumentos profundos que justificam esta sábia decisão da Igreja.

Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé.

Por isso mesmo, o Vaticano conserva a maior coleção mundial desses “apócrifos”, e os põe à disposição dos críticos de todas as religiões que queiram estudá-los.

A Igreja não tem medo de que possa sair qualquer coisa que desdoure a integridade e a santidade da Bíblia. Antes bem, deseja ardentemente encontrar qualquer dado que possa ajudar a melhor compreendê-la.

O apócrifo “A Revelação dos Magos” aparenta ser um relato de primeira mão da viagem dos Reis do Oriente para homenagear o Filho de Deus.

Reis Magos, Nicolás de Verdun (1130 – 1205).
Urna dos Reis Magos na catedral de Colônia
Só recentemente foi traduzido do siríaco antigo. O mérito é do Dr. Brent Landau, professor de Estudos Religiosos da Universidade de Oklahoma, EUA, que dedicou dois anos para decifrar o frágil manuscrito.

Trata-se de uma cópia feita no século VIII a partir de algum original perdido que, por sua vez, fora transcrito meio milênio antes. Portanto, a fonte original desse apócrifo dos Reis Magos remonta a menos de um século depois do Evangelho de São Mateus.

O documento levanta questões em extremo interessantes: quem foram ao certo, os Reis Magos? Foram três? Quais eram seus nomes? De onde vieram? Por quê?

Vejamos primeiro o que nos diz a única fonte digna de fé religiosa, o Evangelho de São Mateus:

“1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
“2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
“3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
“4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
“5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
“6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).
“7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
“8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
“9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
“10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
“11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
“12. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.” (São Mateus, cap. 2, 1ss)

Três Reis Magos, mosaico em San Apollinare Nuovo, Ravenna, Itália.
No muro da igreja, concluida em 569, lê-se os nomes dos três.
Apresentados com gorros frígios (chapéu originário da Ásia Menor.
No Irã era atributo do deus Mitra).
A narração de São Mateus contém tudo o que é necessário para a Fé. Mas com o beneplácito e a aprovação da Igreja a piedade popular acrescentou muitos outros pormenores, que foram transmitidos por tradição oral e que são aceitos sem contestação.


O que diz a Tradição sobre seu número, condição, proveniência e destino?

É aqui que entra o papel do grande São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra.

São Beda é uma das máximas autoridades dos primeiros tempos da Idade Média pelo fato de ter recolhido relatos transmitidos oralmente pelos Apóstolos aos seus sucessores, e destes aos seguintes.

São Beda é também considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador. Sua História Eclesiástica do Povo Inglês (Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum) lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa.

No tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele:
“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
Três Magos adoram o Menino Jesus.
Sarcófago romano dos primeiros tempos do cristianismo, Museu Vaticano.
É, pois, São Beda quem por primeira vez escreveu o nome dos três. Nomes com significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades.

Gaspar significa “aquele que vai inspecionar”; Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.

Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes.

Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.

Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis.

Gaspar ofereceu-Lhe incenso (ou olíbano), em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes.

Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, vêem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade.

Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda a humanidade.

Em coerência com essa visão, a exegese católica interpreta a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de David:

“Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. 11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11) (P.S.: na numeração das traduções direto do hebraico, é o Sl. 72, 10-11).

Alguns especularam que talvez pelo menos um deles veio da terra de Shir (não identificada nos mapas modernos), na antiga China.

Em livro – escrito a título pessoal, portanto não sendo documento do magistério eclesiástico – Joseph Ratzinger (S.S.Bento XVI) comenta que “a promessa contida nestes textos [N.R.: Salmo 72,10] estende a proveniência destes homens até ao extremo Ocidente (Tarsis, Tartessos em Espanha), mas a tradição desenvolveu posteriormente este anúncio da universalidade aos reinos de que eram soberanos, como reis dos três continentes então conhecidos: África, Ásia e Europa”, segundo informou “Religión Digital” de Espanha.

A amplidão do leque de possibilidades geográficas fica patente neste comentário.

Tarsis ou Tartessos ficaria na Andaluzia, Espanha, especificamente em “algum lugar compreendido entre Cádiz, Huelva e Sevilha”. Segundo o “ABC” de Madri, os sevilhanos acham que se Melquior, Gaspar e Baltasar fossem andaluzes teriam se manifestado mais alegremente, teriam cantado “sevilhanas” e levado pandeiros. A reação popular suscita um amável sorriso.


O que foi depois dos Reis Magos?

Reis Magos. Representam todas as raças. Andrea Mantegna (1431-1506). J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
Reis Magos. Representam todas as raças.
Andrea Mantegna (1431-1506). J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
De acordo com uma tradição acolhida por São João Crisóstomo, Padre da Igreja, os três Reis Magos foram posteriormente batizados pelo Apóstolo São Tomé e trabalharam muito pela expansão da Fé (Patrologia Grega, LVI, 644).

A fama de santidade dos Reis Magos chega até os nossos dias.

Seus restos são venerados na nave central da Catedral de Colônia, Alemanha, em magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes.

As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas a Constantinopla, capital do Império Romano de Oriente.

Depois foram transferidas a outra capital imperial no Ocidente – Milão –, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).


Por que eram "Magos"?

O nome “mago” era sinônimo de “sábio”. O tratamento dado a eles como grandes eruditos, prudentes e judiciosos, provinha do fato de os sacerdotes da Caldeia serem muito voltados para a consideração dos astros com uma sabedoria que surpreende até hoje.

A eles devemos o início da ciência astronômica.

Sem dúvida, seu caráter de “magos”, reconhecido pelo Evangelho de São Mateus, aponta para a área da civilização caldeia (cujo epicentro foi no atual Iraque, mas incluiu diversos países vizinhos, entre eles o Irã).

Com a decadência moral, os “magos” caldeus viraram uma espécie de bruxos, divulgadores de toda espécie de superstições.

Os Três Reis Magos teriam sido os últimos sacerdotes honrados daquele mundo pagão que aspiravam sinceramente conhecer o Salvador.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia.
Neste caso, foram exemplos arquetípicos do pagão de boa-fé que deseja conhecer a verdadeira religião, e que assim que a encontra adere a ela sem demoras nem restrições.

Foram "Reis"?

Discute-se também em que sentido podem ser chamados de “Reis”, pois não se lhes conhece a procedência e menos ainda a localização do reino.

Porém, na Antiguidade, os patriarcas, ou chefes de grandes clãs, ou grupos étnico-culturais, governavam com poderes próprios de um rei, sem terem esse título ou equivalente. E seu reinado se concentrava sobre sua hoste, por vezes nômade.

São João Damasceno não recusava que eles fossem descendentes de Set, terceiro filho de Adão.

E este pormenor nos leva de volta ao “apócrifo” do Vaticano.

A estrela que os guiou

O referido manuscrito estava na Biblioteca Vaticana havia pelo menos 250 anos, mas não se sabe mais nada de sua proveniência.

Está escrito em siríaco, língua falada pelos primeiros cristãos da Síria e ainda hoje, bem como do Iraque e do Irã.

O Prof. Landau acredita que no apócrifo entra muita imaginação. Mas, há uma muito longa descrição das supostas práticas, culto e rituais dos Reis Magos.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha.
Feitos, pois, os devidos descontos no apócrifo, lemos nele que Set, terceiro filho de Adão, transmitiu uma profecia, talvez recebida de seu pai, de que uma estrela apareceria para sinalizar o nascimento de Deus encarnado num homem.

Prêmio a uma fidelidade de séculos

Gerações de Magos teriam aguardado durante milênios até a estrela aparecer, confiantes no aviso de Set.

Mistérios da fidelidade! Milênios aguardando, gerações morrendo na esperança e transmitindo aos filhos o anúncio de um dia remoto em que o mundo receberia o Salvador!

Segundo o Prof. Landau, o apócrifo diz que a estrela no fim “transformou-se num pequeno ser luminoso de forma humana que foi Cristo, na gruta de Belém”.

A afirmação não é procedente se a interpretarmos ao pé da letra. Mas, levando em conta o estilo altamente poético do Oriente, poderíamos supor que o brilho da estrela de Belém convergiu no Menino Jesus e desapareceu.

E, de fato, depois de encontrar o Menino Deus, os Magos não mais viram a estrela.

Alertados por um anjo, voltaram por outro caminho às suas terras, como ensina o Evangelho de São Mateus, que não mais menciona a estrela no retorno.

Anúncio dos profetas e juízo de Padres e Doutores da Igreja

Adoração dos Magos, Gentile da Fabriano (1370-1427). Galleria degli Uffizi, Florença
Adoração dos Magos, Gentile da Fabriano (1370-1427). Galleria degli Uffizi, Florença
A festa da adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus recebeu o nome de Epifania do Senhor. Epifania vem do grego: πιφάνεια que significa “aparição; fenômeno miraculoso”.

A festa se comemora no dia 6 de janeiro, ou seja, doze dias após o Natal, ou 2 domingos após o Natal, dependendo do calendário litúrgico usado.

“Andaram as gentes na tua luz e os reis no esplendor do teu nascimento”, profetizou Isaías (Is 60, 3).

E São Tomás de Aquino explica: ‘Os Magos foram as primícias dos gentios que acreditaram em Cristo. E neles se manifestou, como um presságio, a fé e a devoção das gentes que vieram a Cristo das mais remotas regiões’.

Santo Agostinho sublinha que eles procuraram com fé mais ardente Àquele que punham de manifesto o clarão da estrela e a autoridade das profecias.

São João Crisóstomo completa dizendo: “porque buscavam um Rei celeste, embora nada descobrissem nele denotador da excelência real, contudo, contentes com o só testemunho da estrela, adoraram-no”.

Veja também: Dado essencial: houve o fenômeno astronômico denominado “estrela de Belém”

Astrônomo defende com computador a existência da estrela de Belém


quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

O inimaginável no olhar da Virgem de Guadalupe
desafios às ciências modernas

A imagem aqueropita (não pintada por mão humana)  de Nossa Senhora de Guadalupe, no seu santuário, Cidade do México
A imagem aqueropita (não pintada por mão humana)
de Nossa Senhora de Guadalupe, no seu santuário, Cidade do México
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No dia 9 de dezembro de 1531, na cidade do México, Nossa Senhora apareceu ao nobre índio Quauhtlatoatzin — que havia sido batizado com o nome de Juan Diego — e pediu-lhe que dissesse ao bispo da cidade para construir uma igreja em sua honra.

Juan Diego transmitiu o pedido. O bispo exigiu alguma prova.

Então Nossa Senhora fez crescer flores numa colina semi-desértica em pleno inverno, as quais Juan Diego devia levar ao bispo.

Este o fez no dia 12 de dezembro, acondicionando-as no seu manto. Ao abri-lo diante do bispo e de várias outras pessoas, verificaram admirados que a imagem de Nossa Senhora estava estampada no manto.

O interesse da ciência começou na hora de investigar como é possível que o manto de Juan Diego se tenha conservado até hoje.

Esse tipo de manto, conhecido no México como tilma, é feito de tecido grosseiro, e deveria ter-se desfeito há muito tempo.

No século XVIII, pessoas piedosas decidiram fazer uma cópia da imagem, a mais fidedigna possível.

Teceram uma tilma idêntica, com as mesmas fibras de maguey da original.

Apesar de todo o cuidado, a tilma se desfez em quinze anos.

O manto de Guadalupe tem hoje 477 anos, portanto nada deveria restar dele.

Nossa Senhora de Guadalupe, MexicoUma vez que o manto (ou tilma) existe, é possível estudá-lo a fim de definir, por exemplo, o método usado para se imprimir nele a imagem.

Em 1936, o bispo da cidade do México pediu ao Dr. Richard Kuhn que analisasse três fibras do manto, para descobrir qual o material utilizado na pintura.

Para surpresa de todos, o cientista constatou que as tintas não têm origem vegetal, nem mineral, nem animal, nem de algum dos elementos atômicos conhecidos.

“Erro do cientista” — poderia se objetar. Mas o Dr. Kuhn foi prêmio Nobel de Química em 1938. Além do mais, ele não era católico, mas de origem judia, o que exclui parti-pris religioso.

No dia 7 de maio de 1979 o prof. Phillip Serna Callahan, biofísico da Universidade da Flórida, junto com especialistas da NASA, analisou a imagem. Desejavam verificar se a imagem é uma fotografia.

Resultou que não é fotografia, pois não há impressão no tecido. Eles fizeram mais de 40 fotografias infravermelhas para verificar como é a pintura.

E constataram que a imagem não está colada ao manto, mas se encontra 3 décimos de milímetro distante da tilma.

Verificaram também que, ao aproximar os olhos a menos de 10 cm da tilma, não se vê a imagem ou as cores dela, mas só as fibras do manto.

Talvez o que mais intriga os cientistas sobre o manto de Nossa Senhora de Guadalupe são os olhos dela. Com efeito, desde que em 1929 o fotógrafo Alfonso Marcué Gonzalez descobriu uma figura minúscula no olho direito, não cessam de aparecer as surpresas.

Os olhos da imagem são muito pequenos, e as pupilas deles, naturalmente ainda menores. Nessa superfície de apenas 8 milímetros de diâmetro aparecem nada menos de 13 figuras!

José Aste Tonsmann, engenheiro de sistemas da Universidade de Cornell e especialista da IBM no processamento digital de imagens, dá três motivos pelos quais essas imagens não podem ser obra humana:

• Primeiro, porque elas não são visíveis para o olho humano, salvo a figura maior, de um espanhol. Ninguém poderia pintar silhuetas tão pequenas;

• Em segundo lugar, não se consegue averiguar quais materiais foram utilizados para formar as figuras. Toda a imagem da Virgem não está pintada, e ninguém sabe como foi estampada no manto de Juan Diego;

• Em terceiro lugar, as treze figuras se repetem nos dois olhos. E o tamanho de cada uma delas depende da distância do personagem em relação ao olho esquerdo ou direito da Virgem.

Esse engenheiro ficou seriamente comovido ao descobrir que, assim como os olhos da Virgem refletem as pessoas diante dela, os olhos de uma das figuras refletidas, a do bispo Zumárraga, refletem por sua vez a figura do índio Juan Diego abrindo sua tilma e mostrando a imagem da Virgem.

Qual o tamanho desta imagem? Um quarto de mícron, ou seja, um milímetro dividido em quatro milhões de vezes. Quem poderia pintar uma figura de tamanho tão microscópico? Mais ainda, no século XVI...

Muito grandes ampliações fotográficas dos olhos de Nossa Senhora permitiu reconhecer nas duas córneas da imagem 13 pessoas em total.

Este fenômeno só é possível em olhos vivos.

O milagre: a imagem aparece pintada na tilma do santo. Basílica de Guadalupe, Cidade do México
O milagre: a imagem aparece pintada na tilma do santo.
Basílica de Guadalupe, Cidade do México
As pessoas puderam ser reconhecidas, menos uma. E se tratava de uma pessoa de raça negra.

Isto parecia impossível, pois não havia notícia de alguém dessa cor no México daquele tempo. Esta descoberta punha em dúvida todas as anteriores que poderiam ser tidas como ditadas por alguma ideia ou preferência preestabelecida.

Foi, então, que um historiador informado do problema, telefonou ao Dr. Aste Tonsmann, dizendo jocosamente:

-- "Já encontrei sua 'negrita'!"

De fato, nos registros históricos consta que o bispo espanhol Frei Juan de Zumárraga, na hora da morte, lavrou documento concedendo a liberdade a um casal negro que foram seus servidores no México.

Provavelmente, os dois tinham sido trazidos pelos espanhóis. O nome dela era Maria.

Os testes passaram assim por uma prova crucial.

Veja mais detalhes no vídeos embaixo.

Vídeos: O inimaginável no olhar da Virgem de Guadalupe








Dr. Jorge Antonio Escalante Padilla, cirugião oftalmólogo: "é um olho vivo, um íris humano como o de meus pacientes"



Dr. Jorge A. Escalante Padilla, cirugião oftalmólogo: "não é possível que isto exista aqui, mas na córnea vi a figura de um homem barbado"



segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Por que Jesus nasceu em Belém?

Igreja da Natividade, local da Gruta de Belém
Igreja da Natividade, local da Gruta de Belém
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O imperador romano Augusto (63 a.C. – 14 d.C.) mandou fazer o que se chamava Breviarium Imperii (Estatística do Império).

Nessa estatística devia constar as riquezas de seu imenso reino: soldados, naves, reinos, províncias, tributos, impostos, doações...

A estatística obrigava, em consequência, o recenseamento da população.

Assim diz São Lucas em seu Evangelho, capítulo 2:
“1. Naqueles tempos, apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. (...)

“3. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade.

“4. Também José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi,

“5. para se alistar com a sua esposa, Maria, que estava grávida.

“6. Estando eles ali, completaram-se os dias dela.

“7. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria”. (São Lucas, 2, 1-7)

José e Maria tiveram que ir a Belém para recensear-se de acordo com a norma de que “todos os que habitassem fora das suas regiões nativas, voltassem ao seu recanto natal para cumprir a disciplina habitual do recenseamento”, contida por exemplo no decreto de Gaio Víbio Máximo, Prefeito do Egito, de 104 d.C.

No Oriente a pertença à família ou estirpe era de importância capital; todo cidadão sabia a que estirpe pertencia.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Achada uma civilização perdida: o reino maldito de Esaú

Túmulos perto de Petra, Jordânia. Foi uma capital edomita
mas os entalhes são nabateus, civilização posterior.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Há cidades ou civilizações perdidas que intrigam os homens modernos. Algumas pertencem mais provavelmente à lenda, mas de outras há lembranças dignas de crédito.

O que foi delas? Por que desapareceram? Foram amaldiçoadas’

Desapareceram totalmente ou acabaram se integrando em alguma outra, dando origem a filões psicológicos que continuaram influenciando a História mais ou menos sorrateiramente?

Os casos de Caim e Esaú nos interessam especialmente pela sua presença na Bíblia. Aonde foram eles? No que é que deram?

Entre essas incógnitas históricas cabe o reino bíblico de Edom, ou o reino fundado por Esaú após vender sua primogenitura e abandonar o lar paterno.

Mais recentemente, um longo trabalho veio trazer a lume os vestígios desse reino, extinto há milênios, mas que deixou um filão moral e cultural de representantes até no Novo Testamento.

E houve os que tiveram um papel horroroso na Paixão e Morte de Nosso Senhor, segundo narram os Evangelhos.

Edom significa “vermelho”, da mesma maneira que “Esaú”, pela cor da sopa em troca da qual vendeu seus nobres direitos.

Abandonando o lar, internou-se no deserto com a família e animais e sua sorte foi sempre foi um quebra-cabeça significativo para a arqueologia bíblica.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Arqueólogos dão com o local
do segundo milagre da multiplicação de pães e peixes

Multiplicação dos pães e peixes, catedral de Lille, França
Multiplicação dos pães e peixes, catedral de Lille, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Andares com cenas de mosaicos coloridos, incluindo uma cesta com pães, um pavão e peixes, foram trazidos à luz por arqueólogos da Universidade de Haifa, em Hippos, perto do Mar da Galileia (ou Lago Kinneret) no local da bizantina “igreja queimada”, noticiou o quotidiano israelense “The Jerusalem Post”.

Hippos era uma rica cidade que fascinava por centenas de colunas de granito vermelho egípcio e era habitada por pagãos.

Esse dado interessa ao tratar do “milagre dos sete pães e peixes”, ou segundo milagre de multiplicação, denominado ainda “alimentando os 4.000”.

Ela é a “cidade situada em uma colina” que Jesus tomou como exemplo para mostrar que a Igreja e a verdade devem se exibir a pleno sol e não ficar dissimuladas ou envergonhadas.

“14. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha

15. nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.

16. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.”” (São Mateus, 5, 14-16

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Abraão: o Patriarca fundador da linhagem dos filhos de Nossa Senhora, Lot e a extinção de Sodoma

Porta de Abraão, Tel Dan, Terra Santa
A “Porta de Abraão” é o monumento mais antigo de Terra Santa
e por ela teria passado o patriarca Abraão indo a resgatar Lot na primeira vez
Luis Dufaur
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O Israel Nature and Parks Authority – organismo governamental para a proteção dos parques naturais de Israel ‒ no ano 2009 culminou a restauração da “Porta de Abraão”, antiga de 4.000 anos, segundo noticiou a imprensa israelense da época.

Desde então ficou aberto à visitação e até ele vão muitos peregrinos que desejam ver o que tudo indica ser o mais antigo monumento da Terra Santa, e por onde teria passado o patriarca Abraão.

O pórtico encontra-se numa reserva natural de Tel Dan, norte de Israel, aos pés do Monte Hermon. Foi descoberto em 1979.

O acesso foi liberado após uma década de trabalhos de restauração executados também pelo Israel Antiquities Authority, informou o The Jerusalem Post.

A estrutura monumental foi construída com tijolos por volta do ano 1.750 antes de Cristo.

Chegou-se a supor que o patriarca Abraão teria atravessado essa porta quando foi tirar seu sobrinho Lot do cativeiro em Sodoma. De ali seu nome “Porta de Abraão”.

O episódio aconteceu antes que Deus destruísse essa cidade em castigo pelo vicio de homossexualismo. Por isso mesmo o homossexualismo é também é conhecido como sodomia.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

O mais antigo templo católico:
a "igreja dos Apóstolos" no Cenáculo

Última Ceia, de Pietro Lorenzetti. O Cenáculo foi o local da primeira Missa
Última Ceia, de Pietro Lorenzetti. O Cenáculo foi o local da primeira Missa
Luis Dufaur
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Uma descoberta em Megido, Israel, voltou a suscitar o debate sobre qual é o local da mais antiga igreja cristã.

As igrejas católicas apareceram logo após Jesus Cristo.

Os Apóstolos, seguindo o exemplo de Nosso Senhor, pregaram nas sinagogas e locais de reunião dos judeus.

Mas, a perseguição da Sinagoga tornou impossível a pregação do Evangelho nelas.

Simultaneamente a esta pregação houve locais onde os cristãos celebravam o verdadeiro sacrifício, i. é, a Missa, julgado intolerável pelo Sinédrio.

Com efeito, o Templo era o único local onde podia se celebrar o sacrifício no Antigo Testamento.

Este sacrifício era uma prefigura do Sacrifício do Calvário, e da Santa Missa.

Tendo se operado o Sacrifício na Cruz, e sendo celebrada sua renovação incruenta, i. é, a Santa Missa, pelos Apóstolos e seus sucessores, o sacrifício do Templo perdeu todo significado.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Buscas no paço do Herodes que martirizou os santos inocentes; e pai do Herodes que matou a S.João Batista e crucificou Jesus

Vista aérea de Herodium e das excavações.
Luis Dufaur
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O túmulo do rei Herodes I, o Grande, que ordenou a massacre dos inocentes visando matar o Menino Jesus, foi localizado em 2007 por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Desde então vem sendo recuperadas salas e instalações desse palácio todo feito em estilo grego pagão.

O local leva o nome de Herodium e fica a poucos quilômetros de Jerusalém.

Esse cruel rei governou a Judéia até sua morte.

Tratava-se de um monarca impostor sustentado pelos romanos. Era idumeru (ou edomita), quer dizer descendente de Esaú.

Ele fez obras colossais como reformar e enriquecer o Templo (o mesmo do tempo de Nosso Senhor), para se granjear a simpatia do povo.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Manuscritos do Mar Morto prenunciam o cristianismo

O profeta Elias e o patriarca Henoc que estariam vivos num local ignoto aguardando a ordem para descer à Terra e combater contra o Anticristo. Elias e "os filhos do profeta" podem ter parte na origem dos essênios. Ícone do século XVII. Museu Histórico de Sanok, Polônia
O profeta Elias e o patriarca Henoc que estariam vivos num local ignoto
aguardando a ordem para descer à Terra e combater contra o Anticristo.
Elias e “os filhos do profeta” podem ter parte na origem dos essênios.
Ícone do século XVII. Museu Histórico de Sanok, Polônia
Luis Dufaur
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Desde o 26 de setembro de 2011,  puderam passar a ser ser consultados os primeiros manuscritos do Mar Morto digitalizados, informou o jornal de Paris "Le Monde".

Por sua vez, a editora de Paris Editions du Cerf empreendeu há poucos anos a publicação da totalidade dos 900 manuscritos do Mar Morto, ou Qumran, transcritos para o francês.

Os primeiros volumes da “Biblioteca de Qumran” já apareceram, informou o diário suíço “Le Temps”.

Por sua parte, o Conselho de Antiguidades de Israel, custodio dos precisos documentos já tinha anunciado em agosto de 2008 o projeto de disponibilizar para download na internet as fotografias digitalizadas destes valiosíssimos Manuscritos.

O projeto levará anos para ser completado.

Os primeiros documentos online já podem ser consultados no site The Digital Dead Sea Scrolls  (em inglês) promovido pelo Museu de Israel.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Por que muda o calendário todo ano? A Igreja e a astronomia

Obelisco de São Pedro também é agulha de imenso relógio solar
Obelisco de São Pedro também é agulha de imenso relógio solar
Luis Dufaur
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Cada novo ano tem início num momento muito preciso do relógio.

A partir do primeiro segundo do ano, a imensa maioria dos homens vai ritmar sua vida pelo calendário que recomeça como nos anos anteriores, porém com algumas importantes datas mudadas.

A data da Páscoa muda a cada ano, impondo consigo mudanças gerais, por exemplo, as datas de Carnaval. Nos anos bissextos fevereiro tem um dia a mais.

O calendário com suas mudanças é aceito por todos. Todo o mundo civilizado intui que os critérios usados para as mudanças são sábios, úteis e benéficos.

Contudo, tais critérios são desconhecidos da imensa maioria que se pauta por eles.

A que se deve essa mudança tão grande, constante, porém certa e bem recebida, do calendário?

Poucos têm disso uma ideia clara.

Menos ainda de que foi a Igreja que definiu quanto durava um ano e em qual dia do ano viviam os homens.

A Igreja Católica também definiu todas as mudanças que deveriam ser introduzidas no calendário até o fim do mundo de maneira a harmonizar a atividade dos homens com o movimento da Terra, do Sol, da Lua e das estrelas.