segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Manuscritos do Mar Morto prenunciam o cristianismo

O profeta Elias e o patriarca Henoc que estariam vivos num local ignoto aguardando a ordem para descer à Terra e combater contra o Anticristo. Elias e "os filhos do profeta" podem ter parte na origem dos essênios. Ícone do século XVII. Museu Histórico de Sanok, Polônia
O profeta Elias e o patriarca Henoc que estariam vivos num local ignoto
aguardando a ordem para descer à Terra e combater contra o Anticristo.
Elias e “os filhos do profeta” podem ter parte na origem dos essênios.
Ícone do século XVII. Museu Histórico de Sanok, Polônia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Desde o 26 de setembro de 2011,  puderam passar a ser ser consultados os primeiros manuscritos do Mar Morto digitalizados, informou o jornal de Paris "Le Monde".

Por sua vez, a editora de Paris Editions du Cerf empreendeu há poucos anos a publicação da totalidade dos 900 manuscritos do Mar Morto, ou Qumran, transcritos para o francês.

Os primeiros volumes da “Biblioteca de Qumran” já apareceram, informou o diário suíço “Le Temps”.

Por sua parte, o Conselho de Antiguidades de Israel, custodio dos precisos documentos já tinha anunciado em agosto de 2008 o projeto de disponibilizar para download na internet as fotografias digitalizadas destes valiosíssimos Manuscritos.

O projeto levará anos para ser completado.

Os primeiros documentos online já podem ser consultados no site The Digital Dead Sea Scrolls  (em inglês) promovido pelo Museu de Israel.

Poucas descobertas arqueológicas criaram tanto interesse e controvérsia.

Os documentos desenterrados desde 1947 incluem mais de 900 rolos, e muitos fragmentos, hebraicos, aramaicos e gregos.

Eles pertencem essencialmente ao período que vai do ano 250 a. C. até a metade do século I.

Especialista digital mostra diferenças nas fotos de fragmentos do Manuscrito do Mar MortoO biblista francês André Paul, um dos diretores da iniciativa sustenta que é preciso rever muitas afirmações sobre esses manuscritos.

Segundo ele, não se trataria apenas ou essencialmente de textos da seita dos essênios, como se acreditou nos últimos 50 anos.

Antes bem, de acordo com as novas hipóteses, os documentos refletem as diversas correntes de pensamento, por vezes antagônicas, que trabalhavam a sociedade hebraica do tempo.

Em qualquer hipótese, diz Paul, neles pode se apalpar o cristianismo em gestação.

Na edição francesa mencionada, os documentos foram classificados em três grupos:

1º) “bíblicos”, pois estão presentes na Bíblia (23% do total);

2º) relativos à Tora (correspondente ao Pentateuco, ou cinco primeiros livros do Antigo Testamento) e aos Profetas (75%). Neles estão incluídos alguns textos célebres de Qumran como a “Regra da comunidade”, a “Instrução sobre os dois Espíritos” e a “Regra da guerra dos filhos da luz e dos filhos das trevas”.

3º) um grupo muito minoritário constituído de escritos de dimensão mística e/ou gnóstica.

André Paul publicou também um livro (“Qumrân et les esséniens ‒ L'éclatement d'un dogme”, Cerf, Paris) destinado ao grande público.

Qumran, rolo com salmosNele defende que o judaísmo rabínico formado após a destruição do Templo de Jerusalém em 70 d.C. já pode ser discernido nos textos de Qumran.

Sobre os essênios, ele defende que não há rastros nos documentos do Mar Morto, nem mesmo nos escritos gnósticos que, segundo ele, provêm de um veio místico ligado à Cabala. Teses que por certo darão muita matéria para discussão.

Historiadores do século I d.C., como Plinio o Velho, Philon de Alexandria e Flavio Josefo descreveram a existência de ascetas do deserto.

Plinio o Velho supunha que habitassem no oeste do Mar Morto.

No século XIX o escritor anti-católico Ernest Renan na sua “Vida de Jesus”, defendeu sem provas que o cristianismo era a vitória da seita essênia.

Voltaire, filósofo revolucionário anticristão também soltou uma analogia entre essênios e cristãos sem prova alguma, como era habitual nos seus deboches da religião.

Qumran, a região dos documentos enterrados
Local onde foram feitas as descobertas
Nos anos 134 a 63 a. C., no local teria havido uma cidadela fortificada, e um centro produtor de vasos de argila.

Nos manuscritos registra-se a expectativa pela vinda do Redentor, i. é, Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Ele é imaginado com três grandes representações:

1) a do Messias de Israel, figura régia e guerreira;
2) como Sacerdote supremo;
3) como um personagem de funções celestes.

Jesus Cristo, de fato, foi acolhido como o Messias régio, e após a sua Morte e Ressurreição como o Sumo Sacerdote. Sua Morte e Ressurreição provam sua divindade celeste e ser Rei do Universo.

André Paul levanta muitos outros problemas a partir de analogias e/ou oposições entre os textos de Qumran e o ensino da Igreja, patenteando o quanto Nosso Senhor cumprira as expectativas suscitadas pelas promessas bíblicas e os anúncios dos profetas.

Também, os textos mostram diferenças entre o judaísmo vetero-testamentário e a Boa Nova trazida pelo Salvador.


 

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Por que muda o calendário todo ano? A Igreja e a astronomia

Obelisco de São Pedro também é agulha de imenso relógio solar
Obelisco de São Pedro também é agulha de imenso relógio solar
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Cada novo ano tem início num momento muito preciso do relógio.

A partir do primeiro segundo do ano, a imensa maioria dos homens vai ritmar sua vida pelo calendário que recomeça como nos anos anteriores, porém com algumas importantes datas mudadas.

A data da Páscoa muda a cada ano, impondo consigo mudanças gerais, por exemplo, as datas de Carnaval. Nos anos bissextos fevereiro tem um dia a mais.

O calendário com suas mudanças é aceito por todos. Todo o mundo civilizado intui que os critérios usados para as mudanças são sábios, úteis e benéficos.

Contudo, tais critérios são desconhecidos da imensa maioria que se pauta por eles.

A que se deve essa mudança tão grande, constante, porém certa e bem recebida, do calendário?

Poucos têm disso uma ideia clara.

Menos ainda de que foi a Igreja que definiu quanto durava um ano e em qual dia do ano viviam os homens.

A Igreja Católica também definiu todas as mudanças que deveriam ser introduzidas no calendário até o fim do mundo de maneira a harmonizar a atividade dos homens com o movimento da Terra, do Sol, da Lua e das estrelas.

Obelisco e, no chão, o meridiano e uma das placas
Praça de São Pedro no Vaticano: imenso relógio solar

Menos numerosos ainda são os que sabem que nas pedras que pavimentam a Praça de São Pedro, em Roma, está incrustado um relógio e um calendário simples mas imenso, onde se podem conferir os momentos exatos do tempo na Terra.

Esta espécie de relógio princeps tem uma só agulha e está diante dos olhos de todos.

Trata-se do obelisco de 83 pés de altura, instalado no meio da famosa Praça dedicada ao Príncipe dos Apóstolos.

Ele foi conquistado pelos antigos romanos e adotado pela Igreja, que o despojou de seus significados pagãos.

Sim, o obelisco no meio da Praça de São Pedro é um ponteiro solar que indica com toda precisão o meio-dia e os solstícios (os dias mais longos e curtos do ano em 21/22 de junho e 21/22 de dezembro).

Portanto, o início do inverno e do verão no Hemisfério Norte, e em sentido inverso, no Sul.

O momento exato em que o dia atinge sua máxima ou mínima duração pode ser verificado no meridiano de granito e nas marcas de mármore incrustadas na Praça, sobre as quais passam inúmeros turistas sem perceberem do que se trata.

A sombra da ponta do obelisco bate em Leo em 23 de julho e em Gémeos em 22 de maio
Em 21 de dezembro, a sombra do obelisco atinge o disco de mármore mais longínquo da base do obelisco.

No 21 de junho, solstício de verão, a sombra do obelisco egípcio adotado pela Igreja atinge o disco mais próximo de sua base, sinal que é o dia mais longo do ano (no Hemisfério Norte, é claro; para o Sul vale o inverso).

Quando a sombra da ponta do obelisco atinge outros cinco discos na praça, significa que o sol entra num novo signo do zodíaco.

Bem entendido, o zodíaco sem nenhuma alusão supersticiosa, mas segundo seu verdadeiro sentido: cada uma das partes em que se divide o céu visível.

A linha de granito que funciona como meridiano começa na fonte central da praça (em cujo centro está o obelisco) e vai na direção da janela do Papa, como a significar que o mundo deve acertar os ponteiros com o sucessor de Pedro.

Papa Gregório XIII definiu o calendário universal

Marca do solisticio de verão e início de Câncer
E de fato foi o Papa Gregório XIII (1502-1585) quem deu forma definitiva ao calendário utilizado pelo mundo ocidental e foi o responsável pelas mudanças mencionadas no início.

Em lembrança desse Papa, nosso calendário também é chamado de gregoriano.

A Igreja Católica sempre esteve cuidadosamente engajada na astronomia, visando especialmente definir os tempos litúrgicos e os horários certos das orações, como o Ângelus.

Esse interesse provém de antiquíssimas tradições que incluem as dos três Reis Magos, assim chamados por serem voltados para os fenômenos celestes. Confira: Quem foram os Reis Magos?

E também está ligado à expectativa escatológica do dia em que Cristo voltará em pompa e majestade para encerrar a História e julgar os vivos e os mortos.

A data da Páscoa determina a Semana Santa, a Quaresma, e, portanto, o Carnaval, que precede a mesma, bem como o desenvolvimento de todo o ano litúrgico.

A Páscoa é a lembrança da saída do Egito. Moisés ordenou que se fizesse numa noite de lua cheia, que foi a primeira lua cheia da primavera no Hemisfério Norte.

Nosso Senhor Jesus Cristo celebrou a Páscoa com seus Apóstolos de acordo com o costume dos judeus no Antigo Testamento, como refere o Evangelho.

No ano 325 da era cristã, a festa da Páscoa foi marcada pelo Concílio de Nicéia para o domingo que se seguia à primeira lua cheia após o 21 de Março (equinócio vernal).

Porém, o calendário usado no tempo desse Concílio já não batia com as estações. Era o Calendário Juliano.

Por fim, a reforma do Papa Gregório XIII fixou a data certa do início da primavera (Hemisfério Norte) no verdadeiro 21 de março, mandando pular vários dias para corrigir o erro de cálculo em que caíram os romanos e que foi aumentando nos séculos posteriores.

Confira: Como o Papa Gregório XIII elucidou e corrigiu o erro do calendário

Jato de luz solar batendo no relógio de Santa Maria degli Angeli
A chamada Igreja Ortodoxa, cismática que recusa a autoridade do Papa, não quis ligar para os argumentos científicos que apoiam a reforma gregoriana.

Ela usa o chamado calendário juliano sancionado pelo célebre general romano Júlio César, que entrou em vigor no dia 1 de janeiro do ano 45 a.C. e depois foi modificado pelo imperador Augusto. Também é utilizado pelos cristãos ortodoxos de diversos países.

E ainda se debate nas imprecisões do velho calendário romano. As grandes festas religiosas como o Natal e a Páscoa andam sempre desatualizadas e não coincidem com a data certa.

O relógio astronômico da igreja de Santa Maria degli Angeli, Roma

O relógio solar da Praça de São Pedro não é o único na Roma dos Papas.

A aparição dos relógios mecânicos não adiantou grande coisa, pois eram bastante imprecisos, e foram feitos vários relógios aproveitando a regularidade do movimento do sol.

Por isso, no século XVIII, o Papa Clemente XI encomendou ao astrônomo Francesco Bianchini a instalação de um meridiano no chão da Basílica de Santa Maria degli Angeli, em Roma

Este meridiano é muito mais sofisticado: servia para observações altamente precisas do céu e resolvia complexos problemas astronômicos.

John Heilbron, professor emérito de História das Ciências na Universidade de Califórnia – Berkeley, explica que o meridiano no chão de Santa Maria degli Angeli “pode fazer coisas que não se conseguia com os telescópios da época”, como calcular com exatidão a inclinação do eixo da Terra.

Heilbron escreveu o livro “O Sol na Igreja: as catedrais vistas como observatórios solares” (“The Sun in the Church: Cathedrals as Solar Observatories”, Harvard University Press, 2001).

Relógio solar de Santa Maria degli Angeli
Com esse meridiano, o Papa Clemente confirmou a exatidão da reforma gregoriana do calendário, e especialmente o cálculo da Páscoa, que os protestantes obstinavam-se a contestar.

O calendário aperfeiçoado pelo Papa Gregório XIII em 1582 é o usado atualmente, donde o nome Gregoriano.

Os atuais relógios atômicos e outros instrumentos de altíssima sofisticação permitiram obter medições quase infinitesimais.

Porém, o calendário da Igreja revelou-se tão apurado que os relógios atômicos só previram lhe fazer uma correção... mas para ano 4500: o aumento de um dia!

Semana de sete dias: lembrança incontornável da Criação

O calendário envolve questões religiosas que desafiam a ciência. O Pe. Juan Casanovas, SJ, astrônomo solar e historiador da astronomia, mostra que dividir o ano em semanas de sete dias, em teoria não ajuda a matemática.

E explica: “Se V. divide o número de dias do ano por sete, sempre fica sobrando um dia e nos anos bissextos dois dias”.

Santa Maria degli Angeli: cientista confere dados
Porém, acrescenta o sacerdote-cientista, ninguém quer saber de renunciar à semana de sete dias.

Até os calendários hebreu e muçulmano, embora radicalmente diferentes, estão baseados numa semana de sete dias.

A razão da divisão em sete está no Gênese e na ordem posta por Deus na Criação do Universo.

Essa afinidade profunda da alma humana com a série de sete dias como que está impressa nos ritmos da natureza humana.

O Prof. Heilbron também mostrou que as tentativas de fazer calendários “mais racionais” não somente foram mal sucedidas, mas também continham erros grosseiros.

O mais característico desses calendários desastrados foi o excogitado pela Revolução Francesa.

Ele instituiu semanas de dez dias (as “decadi”). Três “decadi” formavam um mês. Cada dia tinha 10 horas e cada hora tinha 100 minutos.

Dói pensar.

A sabedoria da Igreja Católica resplandece no caso com manifesto benefício e estímulo para a ciência e a boa ordem da vida.


segunda-feira, 12 de agosto de 2019

A conversão do hebreu Ratisbonne: foi além do que podem explicar as ciências humanas

Pe. Afonso Ratisbonne, rico banqueiro judeu convertido por Nossa Senhora se fez padre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Um dos fenômenos mais específicos da vida religiosa é o da conversão interior, espiritual, que para ser autêntica e sincera só pode acontecer pela graça de Deus.

É precisamente por causa disto que a conversão religiosa não é suscetível de uma explicação das ciências físicas.

Os tentativos de dar uma explicação por vias psicológicas que deliberadamente abstraem do fator divino jamais produziram algo convincente ou concludente.

Tal vez a conversão do hebreu banqueiro Afonso Ratisbonne seja uma das mais rumorosas dos últimos séculos.

Seu caso é digno de especial análise pois foi acompanhado muito de perto por várias pessoas qualificadas para descrevê-la.

É para compreender essa ação de Deus nas almas que reproduzimos a continuação a longa descrição desse caso histórico, tirada do blog "Luzes de Esperança".

Um jovem judeu, de uma família de banqueiros de Estrasburgo, de notável projeção social pelas riquezas e pelo parentesco com os banqueiros Rothschild, pelo meio-dia do dia 20 de janeiro de 1842, andava despreocupado, na aparência, por uma rua do centro histórico de Roma.

Seu nome era Afonso Ratisbonne.

Seu irmão mais velho, Teodoro, em 1827 converteu-se ao catolicismo e se fez sacerdote, rompendo com a família.

As esperanças dos Ratisbonne se concentraram então em Afonso, nascido em 1814.

Sant'Andrea delle Frate, Roma: a igreja do milagre
Ele completara o curso de Direito e pensava em casar com uma jovem judia. Contava 27 anos e, antes de casar, fez uma viagem pela Itália e pelo Oriente.

Afonso era judeu de religião, embora não praticante, e nutria pela Igreja Católica entranhado ódio, sobretudo pelo ressentimento da família por causa da conversão do primogênito.

Ele dizia que se algum dia mudasse de religião far-se-ia protestante, jamais católico.

Em Roma, visitou por curiosidade cultural algumas igrejas católicas, e saiu mais consolidado em seu anticatolicismo.

Encontrou também um antigo colega seu, de nome Gustavo de Bussières. Gustavo era protestante e tentava convencer Afonso de suas convicções religiosas, porém sem sucesso.

Na casa de Gustavo, Afonso conheceu um irmão deste, o Barão Teodoro de Bussières, havia pouco convertido ao catolicismo e amigo íntimo do Pe. Teodoro Ratisbonne. Tudo isso o tornava sumamente detestável aos olhos de Afonso.

Na véspera de sua partida da Cidade Eterna, Afonso foi deixar um cartão de visitas na casa do Barão, como ardil de despedida e assim evitar um encontro.

Porém, o criado italiano do Barão não entendeu o francês e o fez entrar no salão. Na conversa, o Barão procurou atraí-lo para a Fé católica.

Conseguiu apenas, e com muita dificuldade, que Afonso Ratisbonne aceitasse uma Medalha Milagrosa e prometesse copiar o “Lembrai-Vos”, bela oração a Nossa Senhora.

O judeu não cabia em si de raiva, pela ousadia das iniciativas do Barão, mas resolveu tomar tudo com civilidade. Ele pensava escrever um livro com o relato da viagem onde o Barão seria um personagem singular.

A 18 de janeiro, faleceu em Roma um amigo íntimo do Barão de Bussières, o Conde de La Ferronays, ex-embaixador da França junto à Santa Sé e homem de grande virtude e piedade.

Na véspera da morte, La Ferronays conversou com Bussières sobre Ratisbonne e rezou cem vezes o “Lembrai-Vos” por sua conversão, a pedido de Bussières.

Esses eram os antecedentes em volta de Afonso Ratisbonne naquele dia 20 de janeiro.

Mas, eis que na rua encontra o Barão de Bussières que estava indo para a Igreja de Sant'Andrea delle Fratte para combinar as exéquias do falecido conde de La Ferronays.

Ratisbonne decidiu acompanhá-lo, mas de mau humor, criticando violentamente a Igreja e zombando das coisas católicas.

Na igreja, o Barão entrou brevemente na sacristia para tratar do assunto das exéquias.

Afonso ficou percorrendo uma das naves laterais, impedido que estava de passar para o outro lado da igreja, pelos preparativos em curso para as exéquias do Conde na nave central.

Busto de Ratisbonne lembra a conversão milagrosa
E eis o que aconteceu segundo o diário do próprio Barão Teodoro de Bussières:

Quinta-feira, 20 de janeiro de 1842:

Ratisbonne não deu sequer um passo rumo à verdade, sua vontade permanece como sempre, ele não deixa de ridiculizar tudo e parece se importar somente das coisas terrenas.

“Perto do meio-dia ele entrou em um café na Piazza di Spagna para ler os jornais.

Lá ele encontrou o meu cunhado, Edmund Humann, eles conversaram sobre as notícias do dia, com uma irreverência e uma facilidade que excluía qualquer preocupação séria.

Parece que a Providência queria dispor as coisas de modo a excluir até a possibilidade de dúvida quanto ao estado de espírito de Ratisbonne pouco antes de a graça inesperada de sua conversão.

Cerca de meio-dia e meia, saindo do café, ele encontrou seu amigo de escola, o barão A. de Lotzbeck e começou a conversar com ele sobre os assuntos mais frívolos.

Ele falou da dança, do prazer, da esplêndida festa dada pelo príncipe T.

“Em verdade, se alguém tivesse dito a ele naquele momento: dentro de duas horas você vai ser católico, ele certamente o teria julgado louco.

Por volta de uma hora. Eu tinha de combinar algumas coisas na igreja de S. Andrea delle Fratte para a cerimônia fúnebre do dia seguinte. Mas encontrei Ratisbonne descendo pela Via Condotti.

Ele aceitou vir comigo, iria me aguardar alguns minutos e, em seguida, iríamos passear juntos. Entramos na igreja. Ratisbonne percebeu os preparativos para um funeral, e perguntou para quem seria feito.

“Para um amigo que acabo de perder, e que eu amava muito, M. de Laferronnays”, respondi.



Ele então começou a andar pela nave e seu olhar frio e indiferente parecia dizer:

“Esta é certamente uma igreja muito feia.”

“Deixei-o do lado da epístola na igreja, à direita de um pequeno compartimento destinado a receber o caixão, e fui para o mosteiro.

Veja vídeo
Igreja do Miracolo
Sant'Andrea delle Frate, Roma
Eu tinha apenas algumas palavras para dizer a um dos frades, porque eu queria uma tribuna preparada para a família do falecido. Eu me demorei não mais do que 10 ou 12 minutos.

Quando voltei para a igreja, de início não achei Ratisbonne. Mas logo o vi ajoelhado em frente ao altar lateral de São Miguel Arcanjo. Fui até ele, toquei-lhe três ou quatro vezes sem que ele percebesse minha presença.

Finalmente, ele se virou para mim, o rosto banhado em lágrimas, com as mãos juntas, e me disse com uma expressão que nenhuma palavra vai render: “Oh, como este senhor [M. de Laferronnays] orou por mim!”

Fiquei petrificado de espanto, naquele momento senti aquilo que as pessoas sentem na presença de um milagre.

“Eu levantei Ratisbonne, acompanhei-o, ou melhor, quase o levei para fora da igreja, e perguntei-lhe qual era o problema, e onde ele queria ir.

“Leva-me onde quiserdes”, respondeu ele, “depois que eu vi, eu obedeço”.

Insisti para que me explicasse o que queria dizer, mas não conseguia por causa de uma emoção forte demais. Ele tirou de seu peito a Medalha Milagrosa, e a cobriu de beijos e lágrimas.

Eu tentei trazê-lo de volta para si, e não obstante as minhas insistentes perguntas, não recebia dele senão exclamações interrompidas por soluços:

“Oh, como eu sou feliz! Oh, como é bom o Senhor! Que plenitude de graça e felicidade! Como é lamentável o lote daqueles que não sabem!” Então ele começou a chorar ao pensar em hereges e descrentes.

Finalmente, ele se perguntou se não estava louco.

“Mas não”, acrescentou ele, “eu estou em meu perfeito juízo. Meu Deus, meu Deus, eu não estou louco, não. Todo mundo sabe que eu não sou louco!”

Quando a delirante agitação foi se acalmando, com um olhar sereno e eu diria quase transfigurado, Ratisbonne estendeu seus braços em volta de mim e me abraçou, me pediu para levá-lo a um confessor.

Queria saber quando ele poderia receber o Santo Batismo sem o qual ele não podia viver, suspirava de felicidade pelos mártires, cujos tormentos ele tinha visto retratados nas paredes da igreja de S. Stefano Rotondo.

Ele me disse que não poderia dar explicação alguma sem a permissão de um padre, “porque aquilo que eu tenho a dizer”, acrescentou, “é algo que não posso dizer nem devo dizer senão de joelhos”.

Levei-o imediatamente à igreja do Gesù para ver o Pe. Villefort, que he pediu para se explicar. Então Ratisbonne, estendeu a medalha, beijou-a, mostrou-nos, e exclamou: “Eu a vi, eu a vi!”

E a emoção voltou a embargá-lo. Mas logo ele recuperou a calma e se exprimiu nestes termos:

Eu passei um breve tempo na igreja, quando de repente eu senti uma agitação de espírito indescritível. Ergui os olhos: diante de mim o prédio todo tinha desaparecido, só tinha uma capela, por assim dizer, onde se concentrou toda a luz.

E no meio desse esplendor apareceu para mim em pé sobre o altar, grande, cheio de majestade e de doçura, a Virgem Maria, tal como ela é representada na minha Medalha.

Uma força irresistível me atraiu para ela. A Virgem me fez sinal com a mão que deveria ajoelhar e, em seguida, ela parecia dizer: assim esta bem! Ela não falou uma palavra, mas eu entendi tudo.

Ratisbonne fez esta breve narração parando com freqüência como para tomar fôlego e reprimir a emoção que tomava conta dele. Ouvimos com uma reverência sagrada, misturada com alegria e gratidão, maravilhados com a profundidade das vias do Senhor e os tesouros inefáveis de Sua misericórdia.

Uma frase nos impressionou mais do que as outras pela profundidade do mistério:

“Ela não falou uma palavra, mas eu entendi tudo”.

Afonso Ratisbonne tornou-se sacerdote
e apóstolo da conversão dos judeus
Aliás, agora basta ouvir a Ratisbonne. A fé católica emana de seu coração como um perfume precioso do vaso que a contém, mas não pode confiná-la. Ele falou da Presença Real como um homem que acreditava que com toda a energia de seu ser, mas a expressão é muito fraca, ele falava como aquele que teve uma percepção direta.

Ao deixar o Padre Villefort, fomos dar graças a Deus, em primeiro lugar em Santa Maria Maggiore, nossa cara basílica da Santíssima Virgem, e depois na de São Pedro.

É impossível transmitir uma idéia do transporte de Ratisbonne quando esteve nessas igrejas.

“Ah”, dizia ele, apertando minhas mãos, “agora eu entendo o amor dos católicos por suas igrejas, e a devoção que os leva a embelezá-las e adorná-las! Como é bom estar aqui! Querer-se-ia nunca deixá-las! Aqui não estamos mais na terra, é o vestíbulo do céu ...”

Diante do altar do Santíssimo Sacramento, a Presença Real de Jesus o impressionava de tal maneira que ele ficaria quase fora de si se não fosse afastado logo e levado para longe. Ficava aterrorizado pela idéia de comparecer perante o Deus vivo maculado como estava pelo pecado original. Apressou-se a se refugiar na capela da Virgem.

‒ “Aqui”, ele me disse: “não posso ter medo. Sinto-me sob a proteção de uma misericórdia ilimitada”.

Ele rezou com grande fervor diante do túmulo dos santos Apóstolos. A história da conversão de Paulo, que eu lhe narrei, o fez derramar lágrimas abundantes.

Ele ficou admirado pelo poderoso afeto, aliás póstumo, para usar sua própria expressão, que o unia a M. de Laferronnays, e pretendia passar a noite ao lado de seus restos mortais, pois, dizia ele, este era seu dever imposto pela gratidão.

Mas o padre Villefort, vendo que ele estava exausto de fadiga, contrariando este desejo piedoso, aconselhou-o prudentemente a não permanecer além das 22 horas.

Em seguida, Ratisbonne nos disse que na noite anterior não havia sido capaz de dormir, que ele tinha sempre diante dos olhos uma grande cruz, de uma forma peculiar, sem a imagem de Cristo que ficava constantemente diante dele.

‒ “Eu fiz”, disse ele, “esforços incríveis para afastar essa visão, mas todos foram infrutíferos”.

Algumas horas depois, observando casualmente o reverso da Medalha Milagrosa, ele reconheceu a mesma Cruz!

Afonso (em pé) e seu irmão Teodoro, sacerdotes
Enquanto isso, eu estava muito impaciente querendo voltar a ver a família Laferronnays. Eu levava notícias consoladoras para eles no momento em que se despediam dos restos venerados daquele que eles choravam.

Entrei na câmara mortuária em um estado de agitação, quase se poderia dizer de alegria, que chamou a atenção de todos os presentes porque compreenderam que eu tinha algo gravemente importante para comunicar. Todos eles me acompanharam até uma sala adjacente, e eu às pressas relatei o acontecimento.

Eu tinha trazido boas novas do Céu. As lágrimas de dor em um momento foram transformadas em lágrimas de gratidão. Aqueles pobres corações aflitos podiam agora suportar com perfeita resignação cristã o mais cruel dos sacrifícios que cobra a morte, o último adeus aos restos daquele que eles tinham amado...

Mas eu estava ansioso para voltar a ver o filho que o Céu tinha acabado de me dar. Ele me implorou para não deixá-lo sozinho porque precisava de um amigo em cujo coração derramar as profundas emoções daquele dia.

Perguntei-lhe uma e outra vez as circunstâncias da visão milagrosa. Ele próprio não sabia explicar como ele passou do lado direito da igreja para a capela que está à esquerda, sendo que entre a capela e o local onde estava se encontravam os preparativos para o serviço fúnebre.

Busto no local da conversão.
Tudo o que ele sabia era que se viu de repente de joelhos, prostrado diante desse altar.

De início, ele pôde ver claramente a Rainha do Céu em todo o esplendor de sua beleza imaculada, mas seu olhar não conseguiu suportar o brilho daquela luz divina.

Três vezes ele tentou olhar mais uma vez a Mãe de Misericórdia, e três vezes só foi capaz de elevar seus olhos até suas mãos abençoadas, a partir das quais brotava uma torrente de graças em forma de feixes luminosos.

‒ “Ó meu Deus”, exclamou ele, “mas eu, que meia hora antes estava blasfemando ainda! Eu, que sentia um ódio tão violento contra a religião católica!...

“Mas todos os que me conhecem sabem muito bem que, humanamente falando, eu tinha os mais soberbos motivos para continuar a ser um judeu... Minha família é judaica, minha noiva é judia, meu tio é um judeu...

“Ao me tornar católico, eu rompo com todos os interesses e todas as esperanças que tenho na terra e, entretanto, eu não sou louco, vê-se claramente que eu não sou louco, que eu nunca fui louco!

“Portanto, devem acreditar em meu testemunho”.

(Fonte: Theodore de Bussières, “La conversione di Alfonso Maria Ratisbonne”, Ed. Amicizia Cristiana, 2008, Chieti, 63 p., páginas 18-25.)

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Jerusalém: os mais antigos registros arqueológicos cristãos professam a fé na Ressurreição de Cristo, e dos homens no fim do mundo

Braço robótico com câmeras pôde fotograr o túmulo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Um túmulo localizado em Jerusalém vem sendo estudado por cientistas há três décadas.

Ele apresenta indícios que confirmam a fé na Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo professada já no primeiro século de nossa era, quiçá antes mesmo da redação dos Evangelhos.

Os indícios remontariam a antes mesmo da destruição da cidade pelas legiões romanas e a dispersão dos judeus.

Assim o afirmou o grupo de arqueólogos e especialistas em assuntos religiosos que no fim de fevereiro de 2012 apresentou em Nova York as conclusões da exaustiva pesquisa.

Na gravura: peixe expele homem (Jonas): imagem usada
por Jesus Cristo para ensinar sua próxima Morte e Ressurreição
“Até agora me parecia impossível que tivessem aparecido túmulos desse tempo com provas confiáveis da ressurreição de Jesus ou com imagens do profeta Jonas, mas essas evidências são claras”, afirmou à Agência Efe o professor James Tabor, diretor do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade da Carolina do Norte e um dos responsáveis pela pesquisa.

Os judeus não usavam imagens antropomórficas ou de animais em sua arte religiosa, pois tal lhes fora proibido por Deus devido à tendência deles a imitar os povos vizinhos e cair na idolatria.

Portanto as imagens só podem ter sido feitas por cristãos e para túmulos de judeus cristãos conhecedores dos fatos bíblicos.

O referido túmulo foi descoberto em 1981, durante a construção de um prédio no bairro de Talpiot, situado a menos de quatro quilômetros da Cidade Antiga de Jerusalém.

Animal marinho devolve Jonas. Pintura numa catacumba cristã romana
a se comparar com a gravura judaica acima achada em Jerusalém
Ao lado de Rami Arav, professor de Arqueologia da Universidade de Nebraska, e do cineasta canadense de origem judaica Simcha Jacobovici, Tabor conseguiu uma permissão da Autoridade de Antiguidades de Israel para escavar o local entre 2009 e 2010.

Em um dos ossuários encontrados – que os especialistas situam em torno do ano 60 d.C. – pode-se ver a imagem de um grande peixe com uma figura humana na boca. Segundo os pesquisadores, representaria um fato bíblico da vida do profeta Jonas.

O episódio em que uma baleia engoliu o profeta Jonas após um naufrágio e o depositou numa praia foi empregado por nosso Senhor Jesus Cristo como prefigura de sua Morte e Ressurreição.

São Mateus: Nosso Senhor profetiza sua Morte e Ressurreição. Imagem do profeta Jonas

38. Então alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: Mestre, quiséramos ver-te fazer um milagre.

39. Respondeu-lhes Jesus: Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas:

40. do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra.

41. No dia do juízo, os ninivitas se levantarão com esta raça e a condenarão, porque fizeram penitência à voz de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas. (Mateus 12, 38-40)

Mapa do túmulo familiar
Realizada com uma equipe de câmeras de alta tecnologia, a pesquisa também descobriu uma inscrição grega que faz referência à Ressurreição de Jesus, detalhou à Agência Efe o professor Tabor.

O especialista acrescentou que essa prova pode ter sido realizada “por alguns dos primeiros seguidores de Jesus”.

“Nossa equipe aproximou-se do túmulo com certa incredulidade, mas os indícios que encontramos são tão evidentes que nos obrigaram a revisar todas as nossas presunções anteriores”, acrescentou.

A tumba fica a 20 metros de profundidade, mas religiosos ortodoxos judaicos não permitiam a escavação, fato pelo qual as autoridades políticas selaram a tumba.

Tabor e Rami Arav conseguiram um braço robótico equipado com uma câmera para fotografar o subterrâneo através de um respiradouro do mesmo.

Se as inscrições nos ossuários forem de fato cristãs, como acreditam os pesquisadores, essas gravuras constituem o mais antigo registro arqueológico do cristianismo já encontrado.

Inscrição em grego antigo pede a ressurreição
Segundo Tabor, elas foram feitas provavelmente por cristãos de Jerusalém poucas décadas após a Ressurreição e poderiam ser mais antigas que os próprios Evangelhos.

Lê-se num dos ossuários em grego antigo: “Divino Jeová, levanta-me, levanta-me”, ou “Divino Jeová, levanta-me até o Lugar Sagrado”, orações que professam a fé católica na ressurreição, no fim dos tempos.

“Essa inscrição tem algo a ver com a ressurreição dos mortos ou é uma expressão da fé na Ressurreição de Jesus”, disse Tabor.

“Uma declaração sobre a ressurreição em uma tumba judaica desse período seria impossível”, acrescentou.

“Nossa equipe estava descrente, mas com essa evidência saltando aos nossos olhos tivemos que rever nossas premissas anteriores”.

Cruz inscrita num dos muros
Nos primeiros túmulos cristãos das catacumbas romanas, a figura de Jonas sendo devolvido pelo peixe é um dos motivos mais comuns para significar a ressurreição.

Mas a imagem nunca havia sido encontrada sobre uma peça arqueológica do século I.

Mais inesperado ainda é que se trata de arte judaica em Jerusalém, onde a religião hebraica proibia a reprodução de imagens de pessoas ou animais.

Como é de praxe, em torno dessas descobertas recentes já existe uma certa polêmica, a qual poderá ajudar a esclarecer definitivamente o valor das mesmas.

A desqualificação a priori esvazia qualquer crítica verdadeiramente científica.

Tabor acaba de publicar o livro The Jesus Discovery, o qual contém todas as conclusões de sua pesquisa.

O relatório com as fotos de seu trabalho pode ser descarregado na íntegra AQUI: “A Preliminary Report of a Robotic Camera, James D Tabor”.



segunda-feira, 15 de julho de 2019

A Santa túnica de Cristo na Paixão guardada em Argenteuil analisada por um cientista

Argenteuil, ostensao solene, 1984

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs


Numa igreja de Argenteuil, cidade hoje absorvida pela grande Paris, venera-se uma túnica que, segundo tradição milenar da Igreja, foi tecida por Nossa Senhora para o Menino Jesus.

Seria a mesma que Nosso Senhor usou na sua Paixão.

A mesma, portanto, que os algozes romanos, vendo que era inconsútil – isto é, formando uma só peça, sem costuras – lançaram à sorte, para não ter que dividi-la entre eles.

Utilizando equipamentos os mais avançados, a ciência moderna foi analisar a relíquia.

O professor André Marion, pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique – CNRS (Paris) é especialista no processamento numérico de imagens, leciona na Universidade de Paris-Orsay e é autor de numerosas publicações científicas e técnicas.

Ele já fez descobertas surpreendentes a respeito do Santo Sudário de Turim, com base em métodos ótico-digitais.

Ele publicou suas conclusões sobre a túnica de Argenteuil no livro “Jesus e a ciência – A verdade sobre as relíquias de Cristo” (foto embaixo).

Para o trabalho, o Prof. Marion localizou nos arquivos da Diocese de Versailles chapas tiradas em 1934. Estavam bem conservadas.

Sobre elas aplicou as técnicas de digitalização de imagens, baseadas em scanners e computadores poderosos. É de se salientar a precisão do método, que chega a ser de 10 a 20 milésimos de milímetro.

Jesus et la scienceAssim ele pôde mapear as manchas de sangue, que não são facilmente perceptíveis num primeiro olhar.

Por fim, comparou o mapa obtido com as manchas de sangue – aliás, minuciosamente estudadas – do Santo Sudário de Turim.

Porém, desde logo surgia uma dificuldade. O Santo Sudário envolveu o Corpo de Nosso Senhor esticado e imóvel no Santo Sepulcro.

Porém, a Santa Túnica de Argenteuil fora portada por Ele vergado sob a Cruz, caminhando com passo cambaleante, desequilibrando-se e caindo na ruela pedregosa, imensamente enfraquecido por desapiedadas torturas.

Se ainda imaginarmos Nosso Senhor segurando com suas mãos a extremidade da Cruz na altura do ombro, é fácil supormos que a Túnica deve ter formado pregas.

Essas pregas raspavam nas chagas abertas nas divinas costas, enquanto a parte da frente da Túnica ficava solta por efeito da curvatura geral do corpo.

Todos esses fatores faziam com que o sangue se espalhasse no pano de um modo irregular.

O Prof. Marion solicitou então a ajuda de um voluntário com as proporções anatômicas do Santo Sudário.

Ele simulou os movimentos da Via Crucis, utilizando uma túnica do mesmo tamanho da de Argenteuil. Os movimentos foram repetidos várias vezes e em várias formas, tendo sido sistematicamente fotografados.

A seguir, com base nessas fotos e por métodos computacionais, o Prof. Marion criou um primeiro modelo virtual do corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo carregando a Cruz.

No monitor do computador esse modelo aparece como o desenho de um manequim.

Sobre ele aplicou então as imagens da Túnica de Argenteuil.

Dessa maneira reproduziu as pregas, que naturalmente se formam pelo ajuste ao corpo, e a difusão das manchas de sangue provocada pelos movimentos dolorosíssimos sob a Cruz.

Manchas de sangue nas costas, Santo Sudario de Turim.Manchas de sangue nas costas, tunica de ArgenteuilDa mesma maneira, aplicou a imagem da Santa Túnica a um segundo modelo virtual feito com base no Santo Sudário de Turim.

E eis a admirável surpresa!

Na primeira experiência, a distribuição das manchas sanguíneas na Túnica correspondeu perfeitamente aos ferimentos e às posturas próprias ao carregamento da Cruz.

Na segunda, as manchas ficaram posicionadas de modo a se superporem exatamente com as chagas do Santo Sudário.

Em ambas as experiências, na tela do computador aparecem as feridas – as mais sangrentas de todas – provocadas pelo madeiro, bem diferenciadas das horríveis dilacerações dos açoites da flagelação, indicando com precisão a posição da Cruz.

Até pormenores históricos que intrigavam os cientistas ficaram esclarecidos. Um deles é que os romanos – executores materiais da Crucifixão, sob a pressão do ódio judeu – não costumavam obrigar o condenado a carregar a Cruz inteira.

 Eles já deixavam o tronco principal encravado no local do suplício – no caso, o Calvário –, mas forçavam o sentenciado a levar a trave da Cruz, chamada patibulum.

Manchas de sangue, posicao do cingulo e cruzEm sentido contrário, os quatro Evangelhos não falam do patibulum, mas só da Cruz: “Et baiulans sibi crucem exivit in eum” (Jo 19, 17).

São Mateus, São Marcos e São Lucas mencionam o cruzeiro no episódio em que o Cireneu foi obrigado a ajudar Nosso Senhor Jesus Cristo a carregá-lo.

Ora, na análise computadorizada das fotografias da Túnica aparecem com toda clareza possível as chagas e tumefações provocadas por uma cruz, e não por um mero patibulum.

As manchas de sangue indicam que na Via Sacra os dois madeiros cruzaram-se na altura da omoplata esquerdo de Nosso Senhor.

Na iconografia tradicional, na Via Sacra Nosso Senhor aparece habitualmente com um cíngulo, ou cordão cingindo os rins.

Tal cordão não deixara nenhum vestígio conhecido. Mas, no ensaio digital, a presença do cordão, de que nos fala a tradição aparece perfeitamente identificada!

A conclusão do Prof. Marion é a seguinte:

Ostensao 1984
“O procedimento praticado foi, de longe, muito mais preciso que os que tiveram lugar no passado.

“Segundo nossos antepassados, era necessário acreditar que um só e mesmo supliciado tinha manchado com seu sangue a túnica [de Argenteuil] e o Sudário [de Turim].

“Estas repetidas afirmações requeriam um estudo aprofundado: desejamos então verificar, por nós mesmos, se tal comparação pode se justificar.

“Os resultados aparecem entretanto perfeitamente conclusivos.

“A correspondência das feridas é um argumento a favor da autenticidade das duas relíquias, que devem se referir bem ao mesmo supliciado.

“É muito difícil imaginar que falsários tenham tentado correlacionar de modo tão perfeito os dois objetos...”




A Santa Túnica de Argenteuil, momentos da veneração e da restauração (em francês):



A Santa Túnica de Argenteuil, pelo Pe. Josef Läufer (em francês):



segunda-feira, 1 de julho de 2019

O ossuário de Caifás, Sumo Sacerdote que condenou Jesus Cristo

Ossuário da família Caifás
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Os arqueólogos Yuval Goren da Universidade de Tel Aviv e Boaz Zissu da Universidade Bar Ilan confirmaram, segundo noticiou a “Folha de S.Paulo”, a autenticidade de um ossuário pertencente à família do sacerdote que teria conduzido a tumultuada sessão do Sinédrio que considerou “blasfemo” Jesus Cristo.

No ossuário, os judeus guardavam os ossos dos antepassados depois da fase inicial de sepultamento.

Os especialistas concluíram que o ossuário e suas inscrições são autênticos e antigos, escreveu o “Jerusalem Post”. A peça faz parte de um conjunto de 12 usuários recuperados no mesmo local e pertencentes à família Caifás.

Dentro dessa urna foram encontrados ossos de seis pessoas ao que tudo indica da mesma família: dois bebês, uma criança entre 2 e 5 anos, um rapaz entre 13 e 18, uma mulher adulta e um homem de perto de 60 anos.

Na mesma peça lê-se a inscrição: “Miriam [Maria], filha de Yeshua [Jesus], filho de Caifás, sacerdote de Maazias de Beth Imri”. Num dos lados não decorados aparece o nome “José bar Caifás”, onde “bar” não necessariamente significa “filho de”.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Sais, microalgas e partículas no Santo Sudário retratam seu percurso histórico

O Prof. Pierluigi Baima Bollone anunciou o achado das micropartículas no Santo Sudário.
O Prof. Pierluigi Baima Bollone anunciou o achado das micropartículas no Santo Sudário.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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O Dr. Pier Luigi Baima Bollone, professor de Medicina Forense na Universidade de Turim, citado em posts anteriores, anunciou os resultados de um novo estudo conduzido com a Dra. Grazia Mattutino, criminóloga do Instituto de Medicina Forense de Turim, responsável de importantes casos de perícias judiciais, segundo refere “Infovaticana”.

De fato, esse Instituto de Turim conserva alguns fios do Santo Sudário extraídos durante as investigações do projeto STURP (Shroud of Turin Research Project em inglês. Em português: Projeto de Pesquisa do Sudário de Turim), feito por cientistas da NASA e de grandes laboratórios em 1978, com equipamentos exclusivos.

Os resultados desse imenso trabalho ainda alimentam novos aprofundamentos e descobertas científicas.

Agora uma análise específica dessas amostras pelos citados especialistas detectou partículas de ouro, prata e chumbo na mortalha.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Exposta a escada que Jesus galgou
rumo ao juízo mais iníquo da História

A Escada Santa restaurada. Cruz dourada no lugar onde Nosso Senhor teria vertido uma gota de sangue
A Escada Santa restaurada.
Cruz dourada no lugar onde Nosso Senhor teria vertido uma gota de sangue
Luis Dufaur
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O Pontifício Santuário da “Escada Santa” em Roma, a escada que segundo antiga e consagrada tradição da Igreja, Jesus Cristo subiu derramando sangue para ser julgado pelo cônsul romano Pôncio Pilatos pôde ser vista e subida em contato direto pelos romeiros desde a Páscoa até a festa de Pentecostes.

A “Escada Santa” de Roma foi trazida do pretório [residência do comandante na Roma Antiga] do cônsul Pilatos em Jerusalém e têm 28 degraus de mármore.

É a primeira vez que acontece nos últimos três séculos.

A exceção se compreende bem olhando o estado dos degraus.

Tão grandes multidões de peregrinos penitentes subiram essa escada piedosamente – de joelhos a maioria – que o mármore ficou profundamente desgastado.

Esse ficou tão consumido pela passagem de milhares de fiéis que cada degrau se assemelha a uma calha e em certos pontos acabou furado.

Por causa do desgaste, os papas decidiram revestir a escada de madeira de nogueira, deixando exposta a parte que não se pisa e por onde se pode ver a pedra.

“Durante sessenta dias poderemos galgar com nossos joelhos e tocar diretamente o próprio mármore que Jesus em pessoa pisou no pretório onde foi julgado por Pôncio Pilatos”, explicou o Pe. Francesco Guerra, reitor do Santuário.