segunda-feira, 19 de julho de 2021

As pirâmides do Egito foram feitas com ciência e técnica herdadas de Adão?

Concepção artística de como poderia ter sido a construção das pirâmides
Concepção artística de como poderia ter sido a construção das pirâmides
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Até não muito, hipóteses das mais diversas, e até bizarras, pretendiam explicar a construção das pirâmides do Egito.

De fato, elas surpreendem pela inteligência de sua engenharia e conhecimentos científicos inscritos em suas formas.

As teorias mais comuns falavam de escravos sacrificados aos milhares num trabalho inumano, mas há maluquices como a de Elon Musk, que quer ser o homem mais rico de mundo, e as atribui a extraterrestres.

Especulou-se também com a teoria de que judeus escravizados foram explorados para faze-las.

Segundo o jornal “Clarín”, a hipótese de judeus escravizados foi descartada desde uma perspectiva hebraica pelos arqueólogos Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman no livro “Bíblia Desenterrada: a nova visão da arqueologia de Israel antigo e a origem de seus textos sagrados”.

No livro, eles garantiram que não foi encontrado registro arqueológico algum do povo hebreu no Egito datando de 4.500 anos, quando as pirâmides de Gizé foram erguidas.

“Não temos ideia, nem mesmo uma palavra, sobre os primeiros israelitas no Egito. Nem nas inscrições monumentais nas paredes dos templos, nem nas inscrições nos túmulos, nem nos papiros”, escreveram Finkelstein e Silberman em sua obra.

O "Diário de Merer"
O "Diário de Merer"
O mistério dos construtores das pirâmides parece ter chegado ao fim porque uma categorizada equipe de arqueólogos foi estudar o papiro conhecido como “Diário de Merer”, descoberto em 2013.

Também foi desvendado um revelador cemitério para os construtores daqueles gigantes de pedra, segundo registrou “Clarín”.

O papiro conserva as notas do capataz egípcio Merer e é o único registro de primeira mão que conta como as pirâmides egípcias foram construídas.

Eatueta que representaria ao capataz Merer,  Metropolitan Museum of Art, New York
Eatueta que representaria ao capataz Merer
Metropolitan Museum of Art, New York

Nele, o remoto autor explica que as pedras foram extraídas por uma equipe habitualmente de cerca de 200 homens. 

Depois foram transferidas para Gizé por canais especialmente construídos até um porto interno aberto a poucos metros da base da Grande Pirâmide.

Zahi Hawass, famoso egiptólogo e ex-ministro das Antiguidades do Egito, descreveu os construtores como “trabalhadores muito bem tratados”.

É testemunho loquaz disso o cemitério especial feito para eles descoberto em 2013.

Nele há pelos menos 12 esqueletos em perfeito estado de conservação e na posição ditada pelas antigas crenças do sepultamento e demais objetos que os egípcios colocavam nas tumbas.

Cidade dos engenheiros das pirámides
Cidade dos engenheiros das pirámides
“Se eles fossem escravos, não seriam enterrados ao lado de reis e rainhas”, explicou Hawass.

Descartar as outras teorias foi assaz mais fácil porque em favor delas nunca foi encontrada evidência arqueológica alguma, em nenhum momento.

A ideia de que os construtores teriam sido habitantes da cidade perdida de Atlântida, para muitos pesquisadores ficou reduzida a uma invenção, a um mito novelesco.

No que diz respeito aos alienígenas do bilionário exibicionista, a hipótese se autoexclui.

Zahi Hawass, ex-ministro de Antiguidades do Egito
Arqueólogo Zahi Hawass, ex-ministro de Antiguidades do Egito
O arqueólogo e egiptólogo americano Mark Lerner descobriu os restos da cidade onde viviam os engenheiros, e encontrou um grande número de ossos de boi e milhares de ossos de peixes.

Ele calculou que esses animais podem ter alimentado bem centenas de trabalhadores por quase um século.

As pirâmides do Egito são os vestígios emblemáticos mais poderosos e reconhecidos do mundo antigo, visitadas até hoje por milhões de turistas cada ano.

Existem mais de 100 conhecidas sendo as mais famosas as de Quéops, Quéfren e Miquelinos, na planície de Gizé: perto do Cairo.

Os referidos achados esclarecem muito sobre como foram feitas.

Mas deixam em pé uma outra enorme interrogação.

Pe. Théophile Moreux descodificou a "Ciência Misteriosa dos Faraós"
O Pe. Théophile Moreux descodificou a "Ciência Misteriosa dos Faraós"
Os dados citados acima apontam para uma categoria de engenheiros de uma ciência e de uma técnica admirável a ponto de serem enterrados junto a reis e rainhas.

Onde eles tiraram essa ciência e essa técnica tão aprimorada?

Temos publicado posts no nosso blog sobre essa problemática apaixonante abordada por um brilhante sacerdote astrônomo que não é mencionado como merece.

E isso quando até a NASA batizou uma área de Marte com seu nome: é o Pe. Théophile Moreux.

Na sua obra “A Ciência Misteriosa dos Faraós” (“La Science Mystérieuse des Faraons”, Librairie Octave Doin, Gaston Doin editor, Paris, 1925, 238pp.), que citamos abundantemente em nossos posts, ele defende sapientemente que:

As pirâmides do Egito são o testemunho registrado em pedra de que na origem da história Deus comunicou ao primeiro homem ‒ Adão ‒ conhecimentos naturais de alto nível necessários para fundar a civilização.

Segundo este ensinamento, explicado logicamente por Santo Tomás de Aquino, é improcedente supor que o homem tenha passado por épocas escuras das que foi saindo, por evolução, de um estado animalesco até adquirir a inteligência.

A hipótese é além do mais achincalhante.

Muito pelo contrário, o ser humano tem uma origem muito alta que está de acordo com sua dignidade natural.

Ele descende da obra prima de Criação divina: nossos primeiros pais Adão e Eva.

E como Deus tudo faz com perfeição, o primeiro casal foi de uma perfeição que fizeram de Adão o homem naturalmente mais parecido com Jesus Cristo.

Deus se revelou a eles e passeava pelo Paraíso com eles até o pecado original. Segundo Santo Tomás de Aquino, Deus revelou ao patriarca da humanidade todos os conhecimentos necessários para erigir a civilização.

Mesmo depois do pecado original, nesta terra de exílio, Adão teria transmitido esses conhecimentos à sua descendência.

Teriam sido então remotos herdeiros desse saber comunicado por Deus ao primeiro homem, os mestres de obra admiráveis que dirigiram a construção das pirâmides?

O tema é muito extenso e ocupa estes posts:

I. As pirâmides do Egito e a ciência de Adão comparadas por um sacerdote astrônomo
 
II. As revelações de Quéops, a Grande Pirâmide

III. Quem revelou os conhecimentos científicos contidos na pirâmide de Quéops?
 
IV. A revelação de Deus a Adão, os mistérios do Egito e das civilizações desaparecidas

V. (fim) Adão recebeu de Deus conhecimentos que transmitiu oralmente e que os egípcios gravaram na pedra.



quarta-feira, 7 de julho de 2021

Arca de Noé podia levar dezenas de milhares de animais

A Arca de Noé é prefigura da Igreja Católica, Arca da Salvação. Vitral da igreja de Saint' Étienne du Mont, Paris
A Arca de Noé é prefigura da Igreja Católica, Arca da Salvação.
Vitral da igreja de Saint' Étienne du Mont, Paris
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Um dos recentes filmes que exploram o episódio bíblico da Arca de Noé e do Dilúvio num sentido ambientalista e sensacionalista, veio colateralmente levantar problemas relativos a esse acontecimento magno da História da Salvação.

Não nos deteremos nas fantasias do filme, mas procuraremos aproveitar algumas matérias recentemente publicadas sobre a odisseia de Noé.

Noé e sua Arca de que nos fala o Gênesis, ainda continuam uma fonte de enigmas, não para a Fé, mas para a ciência.

De fato, até o presente não foi possível encontrar nada de positivo a respeito do local onde poderiam estar os restos da célebre Arca. Fala-se com certo fundamento que estaria no Monte Ararat, montanha sagrada da Armênia, hoje em território turco.

Expedição alguma reconhecida pela comunidade científica chegou a fazer descobertas relevantes. As teorias e suposições baseadas nestes ou aqueles fundamentos até agora não foram confirmadas por descobertas ou outros fatores.

Mas isso não quer dizer que algum dia virão a sê-lo. Aguardemos.

Entrementes, os Livros Sagrados fornecem informações interessantes sobre a Arca de Noé que alguns cientistas procuraram analisar à luz da ciência.

Uma das perguntas às quais tentam responder é: podia a Arca descrita no Gênesis levar dentro o mundo de animais que diz ter levado?

Noé recolhe os animais na Arca. Catedral de Ely, Inglaterra
Noé recolhe os animais na Arca. Catedral de Ely, Inglaterra
As dimensões da Arca definidas por Deus estão no Gênesis 6:15, porém em “côvados”: 300 de cumprimento, 50 de largura e 30 de altura.

11. A terra corrompia-se diante de Deus e enchia-se de violência.

12. Deus olhou para a terra e viu que ela estava corrompida: toda a criatura seguia na terra o caminho da corrupção.

13. Então Deus disse a Noé: “Eis chegado o fim de toda a criatura diante de mim, pois eles encheram a terra de violência. Vou exterminá-los juntamente com a terra.

14. Faze para ti uma arca de madeira resinosa: dividi-la-ás em compartimentos e a untarás de betume por dentro e por fora.

15. E eis como a farás: seu comprimento será de trezentos côvados, sua largura de cinquenta côvados, e sua altura de trinta.

Arca de Noé, Edward Hicks (1780 – 1849). Philadelphia Museum of Art
Arca de Noé, Edward Hicks (1780 – 1849).
Philadelphia Museum of Art
16. Farás no cimo da arca uma abertura com a dimensão dum côvado. Porás a porta da arca a um lado, e construirás três andares de compartimentos.

17. Eis que vou fazer cair o dilúvio sobre a terra, uma inundação que exterminará todo ser que tenha sopro de vida debaixo do céu. Tudo que está sobre a terra morrerá.

18. Mas farei aliança contigo: entrarás na arca com teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos.

19. De tudo o que vive, de cada espécie de animais, farás entrar na arca dois, macho e fêmea, para que vivam contigo.

20. De cada espécie de aves, e de cada espécie de quadrúpedes, e de cada espécie de animais que se arrastam sobre a terra, entrará um casal contigo, para que lhes possas conservar a vida.

21. Tomarás também contigo de todas as coisas para comer, e armazená-las-ás para que te sirvam de alimento, a ti e aos animais.” (Gênesis, cap 6, 11ss)

Arca de Noé, afresco na igreja de San Maurizio, Milão
E também:

1. O Senhor disse a Noé: “Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque te reconheci justo diante dos meus olhos, entre os de tua geração.

2. De todos os animais puros tomarás sete casais, machos e fêmeas, e de todos animais impuros tomarás um casal, macho e fêmea;

3. das aves do céu igualmente sete casais, machos e fêmeas, para que se conserve viva a raça sobre a face de toda a terra.

4. dentro de sete dias farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites, e exterminarei da superfície da terra todos os seres que eu fiz.” (Gênesis, cap 7, 1ss)

Há pequenas divergências sobre o valor do “côvado” – pois, de fato, houve mais de um tipo de “côvado”.

Réplica moderna da Arca de Noé feita ha Holanda permite apreciar as dimensões
Réplica moderna da Arca de Noé feita na Holanda permite apreciar as dimensões
Transpostas as medidas bíblicas a unidades de medida modernas, nós teríamos um navio sem mastros de 137-144 metros de cumprimento, 26 metros de largura e 16 metros de altura divididos em três andares, com uma capacidade de carga de perto de 57.000 metros cúbicos.

Isto é o equivalente a um navio porta contêineres capaz de levar perto de 1.500 unidades.

Deus dispôs que entrassem na Arca um casal, macho e fêmea, de cada espécie animal – com exceção dos animais “puros”, quer dizer, os usados nos sacrifícios religiosos, e das aves, dos quais recolheu sete casais.

Quantos animais deveriam então entrar na Arca para que coubessem todas as espécies? O número exato ainda é objeto de disputa. No reputado livro O dilúvio do Gênesis ('The Genesis Flood'), Henry Madison Morris, fundador da Creation Research Society e do Institute for Creation Research e seu colega John Clement Whitcomb sugerem que aproximadamente 35.000 animais subiram na Arca.

Porém, recentemente, uma equipe de pesquisadores do Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha, concluiu que a Arca tinha capacidade para carregar 70.000 animais sem afundar. Portanto, ainda sobrava espaço.

Interior da réplica da Arca de Noé, em Amsterdam
Interior da réplica da Arca de Noé, em Amsterdã
Thomas Morris, um dos autores desse trabalho, declarou ao jornal “The Telegraph”:

“Você não está obrigado a achar que a Bíblia seja necessariamente uma fonte acurada de informação, mas eu confesso que nós ficamos muitos surpresos quando descobrimos que a Arca funcionaria”.

Importa não só o número, mas o volume dos animais. Matthew J. Slick calculou que a Arca podia levar 7.400 mamíferos (obviamente maiores), 120.400 pássaros, 12.600 répteis e 5.000 anfíbios (esses ocupando bem menos espaço). Este cômputo eleva o número dos animais a 145.400, porém faz os descontos dos animais menores.

Deve-se destacar que o cálculo de Slick também inclui espaço para levar alimento para os animais e área para os insetos...!