segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Imagem de Nossa Senhora de Coromoto,
padroeira da Venezuela: descobertas surpreendentes

A imagenzinha restaurada
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No transcurso do ano de 2009 foram feitos surpreendentes achados na imagem de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela, por ocasião de trabalhos de restauração, segundo informou na época a agência Zenit.

As descobertas lembram as já feitas na imagem miraculosa de Nossa Senhora de Guadalupe, no México, padroeira das Américas.

As informações foram dadas a público em roda de imprensa na sede da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV), em 3 de setembro daquele ano.

A imagem de Nossa Senhora de Coromoto está ligada aos primórdios da evangelização do país.

Os fatos associados à sua origem falam também diretamente a cada país latino-americano.

A tradição religiosa

Pelo fim de 1651 e inícios de 1652, uma Bela Senhora apareceu ao cacique da tribo Coromoto e à sua mulher.

A Senhora envolta em luz disse na língua deles: “Ide à casa dos brancos, para que eles joguem água em vossas cabeças e assim possam ir para o Céu”.

A tribo obedeceu: abandonou a selva, recebeu a catequese, e um grande número de índios pediu o sacramento do Batismo se tornando católicos.

Nossa Senhora de Coromoto: a imagemzinha dentro do relicário. A lupa central permitia vê-la  melhor.
A imagemzinha dentro do relicário. A lupa central permitia vê-la  melhor.
Entretanto, as tendências desregradas do cacique puxavam-no para voltar à vida selvagem.

Os instintos desordenados levavam-no a achar que perdera a liberdade.

Concebeu, então, a idéia de fugir para a selva e afundar de novo nos vícios do paganismo.

Quando estava para cometer esse projeto desvairado, na alvorada do 8 de setembro de 1652, a Bela Senhora voltou a aparecer para ele e sua mulher, além da cunhada Isabel e um filho dela.

O cacique, cegado pela ilusão da barbárie, pediu-lhe que o deixasse em paz.

Disse-lhe que não iria mais obedecê-la.

Nossa Senhora, então, entrou na choça sorrindo para os índios.

O cacique furioso pegou arco e flechas para matar a Nossa Senhora. Mas, Ela foi se aproximando e a armas caíram das mãos do selvagem.

O cacique não desistiu. Pegou a luminosa Senhora pelo braço para puxá-la fora da choça. Nessa hora, deu-se o milagre.

A brilhante Senhora desapareceu deixando na mão do chefe da tribo sua diminuta imagem.

Os cientistas trabalhando na restauração
O cacique Coromoto ficou com o punho fechado, dizendo que a tinha pegado.

Enorme foi seu espanto quando, por fim, abrindo a mão, encontrou uma imagenzinha de Nossa Senhora coroada segurando o Menino Jesus, tal como tinha aparecido.

Naquele instante começou uma grande história de favores e milagres, de devoção e expansão da fé na Venezuela. Em 1942 a Virgem de Coromoto foi proclamada Padroeira do país.

Sua festa se comemora na mesma data da última aparição ao cacique: o 8 de setembro que é também dia da Natividade de Nossa Senhora.

A análise científica

A imagem é mínima: mede só 2,5 cm de altura por 2 cm de largura. Após 357 anos da aparição nunca foi objeto de nenhum análise nem restauração.

Ela estava submetida a todos os fatores de deterioração e ação do tempo e o descuido ameaçavam-na.

A mídia venezuelana publicou os resultados
A fundação venezuelana Maria Caminho a Jesus, com sede em Maracaíbo, promoveu a partir de 2002 uma campanha para restaurar a sagrada imagem.

O reitor do Santuário de Coromoto, monsenhor José Manuel Brito, aprovou o projeto e a equipe de especialistas que trabalhou no restauro.

Um laboratório foi montado especialmente perto do Santuário.

Os restauradores Pablo Enrique González e Nancy Jiménez estiveram à testa de uma equipe de trabalho composta por 14 especialistas.

A supervisão foi de José Luis Matheus, diretor da Fundação Zuliana (do Estado de Zulia) e monsenhor José Manuel Brito. Eles trabalharam de 9 a 15 de março de 2009.

Previa-se que o restauro duraria meses, pois a imagem estava colada na lupa instalada diante dela para vê-la melhor. Porém tudo correu mais rápido do imaginado e bem.

Ao longo do processo foram descobertos elementos desconhecidos.

A água empregada no tratamento saia sem bactérias e com um pH neutro, fato inexplicável para os cientistas.

A imagem, segundo Matheus, se mantém consistente, nítida e exibe suaves relevos. “A tinta se encontra por cima do algodão prensado e de textura rugosa”.

O trono da Virgem aparece claramente montado dentro de uma construção de taipa típica dos índios.

Nossa Senhora de Coromoto, imagem antes da restauração
Foram detectados ainda outros símbolos que, segundo o antropólogo Nemesio Montiel, tem origem indígena como a própria coroa da Sagrada Imagem.

No microscópio foi possível identificar os olhos da Virgem. Eles medem aproximadamente 0,2 milímetros, porém pode se distinguir o desenho do iris.

O fato desconcertou os especialistas, pois achavam que os olhos eram simples pontos.

Ainda mais, estudando o olho esquerdo através do microscópio puderam discernir um olho com características humanas.

Nele os especialistas diferenciaram com clareza a órbita ocular, o conduto lacrimal, o iris e um pequeno ponto de luz nele.

Mas, a surpresa estava começando.

Maximizando o ponto de luz os especialistas julgaram detectar uma figura humana que se assemelha muito à de um indígena.

A imagem está feita de uma espécie de compensado de algodão, material que humanamente não se entende que se mantenha intacto após mais de três séculos e meio de exposição.

Até neste aspecto sem explicação a imagem de Nossa Senhora de Coromoto se assemelha à de Nossa Senhora de Guadalupe.



A milagrosa história e os achados na imagem de Nossa Senhora de Coromoto




segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Como o Papa Gregório XIII elucidou e corrigiu o erro do calendário

O Papa Gregório XIII implantou o calendário na sua forma atual
O Papa Gregório XIII implantou o calendário na sua forma atual
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Há mais de 430 anos que o mundo se rege pelo calendário “gregoriano”, uma das maiores conquista da civilização.

O nome de “gregoriano” vem do Papa Gregório XIII, que no século foi o príncipe italiano Ugo Buoncompagni, eleito como o 225º Papa da Igreja.

Gregório XIII decidiu adotar o novo calendário para substituir o antigo, conhecido como “Juliano”, que se utilizava desde o ano 46 a.C., tempos do imperador romano Júlio César.

Foi um contributo, e não dos menores, da Igreja Católica para a boa ordem da sociedade e das atividades humanas.

Também para a ciência, pois todo fenômeno científico se mede no tempo e no espaço.

Se a regra de medição do tempo for falha, os resultados ficam incertos e o conhecimento não pode progredir sobre eles.

O Calendário Juliano era muito inexato e acumulava uma severa distorção.

Nós estamos acostumados à ordem plácida e imperturbável do calendário gregoriano.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A “escada milagrosa” de São José
é verdadeiramente miraculosa?

A escada inexplicável cuja construção a piedade atribui a a São José
A escada inexplicável cuja construção a piedade atribui a a São José
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Há na cidade de Santa Fé, no Estado do Novo México, EUA, uma capela conhecida como Loretto Chapel.

Nela destaca-se uma bela e despretensiosa escada.

A piedade tradicional atribui a construção a São José.

Mas, quem a fez? Como a fez? Ninguém consegue descifrar o mistério da "escada milagrosa".

A piedosa tradição

Em 1898 a Capela passou por uma reforma. Um novo piso superior foi feito, porém faltava a escada para subir.

As Irmãs consultaram os carpinteiros da região e todos acharam difícil fazer uma escada numa Capela tão pequena.

As religiosas, então, rezaram uma novena a São José para pedir uma solução.

No último dia da novena, apareceu um homem com um jumento e uma caixa de ferramentas. Ele aceitou fazer a escada, porém exigiu que fosse com as portas fechadas.

Meses depois a escada estava construída como queriam as Irmãs. No momento de pagar o serviço, o homem desapareceu sem deixar vestígios.

As religiosas puseram anúncios no jornal local e procuraram por toda a região sem encontrar quaisquer noticias ou informações sobre o ignoto carpinteiro.

Nesse momento as Irmãs perceberam que o homem poderia ser São José, enviado por Jesus.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Negam a autenticidade do Sudário
porque recusam Cristo e Sua Ressurreição

Sempre que tentativas anticatólicas e anticientíficas tentam negar o Santo Sudário,
a boa ciência descobre novos dados impressionantes. Desta vez sobre o estado da pele do Crucificado.
Imagem segundo o Santo Sudário, feita pelo prof. Prof. Juan Manuel Miñarro

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Um estudo publicado no Journal of Forensic Sciences eletrizou a mídia que espalha dúvidas sobre os objetos mais sagrados do catolicismo e suas verdades divinamente reveladas. Neste caso, a autenticidade do Santo Sudário foi visada por enésima vez.

Destacaram-se na divulgação da informação de má lei o grande jornal anticlerical italiano “La Repubblica”. E também o site “Vatican Insider”, dependência do grande jornal “La Stampa” de Turim, habitualmente engajado a defender os erros históricos morais e teológicos que alimentam a perniciosa “mudança de paradigma” que subverte a Igreja Católica. 

A mídia superficial logo fez eco – como é costume – à informação enviesada. O nome dos “cientistas” fonte da contestação à autenticidade do Santo Sudário, convidou-me a tratar a informação como mais uma “fake news”.

Porém, sempre que os inimigos do Santo Sudário se voltam contra a sacratíssima relíquia, cientistas sérios refutam a difamação.

E fazendo isso trazem novos e admiráveis dados que confortam a santidade do pano que envolveu a Nosso Senhor e ficou encharcado com seu Divino Sangue. Foi o que aconteceu agora.

À testa do trabalho supostamente “científico” contra o Santo Sudário reapareceu Luigi Garlaschelli, do Comitê para o Controle das Afirmações sobre as Pseudociências (CICAP), sobre cujas exibições anticlericais já tivemos ocasião de escrever. Confira: Cientistas desmontam artifício para “provar” que o Santo Sudário não é autêntico

segunda-feira, 16 de julho de 2018

As Sandálias de Jesus analisadas por professor de genética:
são do século I e o pó é de Jerusalém

Fragmentos das Sandálias de Cristo
Fragmentos das Sandálias de Cristo, encastoados em sandálias de coroação
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Nosso Jesus Cristo usava sandálias, segundo o costume dos judeus na Palestina.
O Evangelho de São Lucas reproduz as seguintes palavras de São João Batista:

“16. ele tomou a palavra, dizendo a todos: Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.” (São Lucas 3,16)

E São Marcos narra as seguintes palavras de Nosso Senhor:

“7. Então chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos.

8. Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto;

9. como calçado, unicamente sandálias, e que se não revestissem de duas túnicas.” (São Marcos, 6, 7-9)

Mas alguém ouviu que as sandálias de Nosso Senhor, essa divina relíquia, ainda existem?

E, se existem, onde estão?

Poucos católicos sabem que, após dois mil anos de o Redentor ter pisado nossa Terra, algumas partes de suas sandálias se conservam dignamente veneradas numa basílica da Cristandade.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A Santa Casa de Loreto: descobertas científicas de causar pasmo.

A Santa Casa de Loreto transportada pelos anjos. São Nicolau de Tolentino  (1245 – 1305) teve a visão do fato. Antonio Liozzi (1730–1807) ou Ubaldo Ricci di Fermo (1669-1732), igreja de San Michele, S.Angelo in Pontano, Itália.
A Santa Casa de Loreto transportada pelos anjos.
São Nicolau de Tolentino  (1245 – 1305) teve a visão do fato.
Antonio Liozzi (1730–1807) ou Ubaldo Ricci di Fermo (1669-1732),
igreja de San Michele, S.Angelo in Pontano, Itália.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









Desmentida a intervenção humana

Aventaram-se hipóteses de uma trasladação operada por homens. Além de carecem de qualquer documentação, elas se revelaram insustentáveis do ponto de vista científico.

Para essas hipóteses serem históricas teria sido necessário desmontar as pedras e os tijolos da Casa em Nazaré para depois refazer as paredes no local de chegada. A operação deveria ter sido repetida em cada uma das mudanças.

Desde a Palestina até a costa do Mar Adriático, onde a Casa apareceu em cinco lugares diversos, medeiam dois mil quilômetros de viagem terrestre e marítima. Materialmente, o transporte teria sido impossível sem graves danos, perdas e/ou sinais da mudança.

Rapidez inexplicável da translação

Acresce-se, ainda, a momentaneidade – ou quase – da viagem. Os dados conhecidos apontam que a Santa Casa saiu de Nazaré em maio de 1291. A chegada a Tersatto (primeira etapa) aconteceu em 9/10 de maio de 1291, segundo registro esculpido em pedra na época.

A Santa Casa foi retirada milagrosamente da Palestina para impedir que caísse nas mãos dos maometanos.

De fato, São João de Acre, a última fortaleza do Reino Latino de Jerusalém criado pelas Cruzadas, começou a ser sitiada pelo sultão Khalil em 5 de abril de 1291.

Acabou caindo em mãos anticristãs em 28 de maio de 1291. Nazaré fica a 41 km desse antigo enclave cristão. A desgraça pôs fim à hegemonia católica na Terra Santa.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A transladação da Santa Casa de Nossa Senhora desde Nazaré até Loreto. Comprovações científicas surpreendentes.

Santuário da Santa Casa em Loreto, Itália
Santuário da Santa Casa em Loreto, Itália
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Em Loreto, Itália, se venera a Santa Casa: quer dizer o edifício onde Nossa Senhora nasceu, viveu e recebeu o anjo São Gabriel na Anunciação, momento em que o Sim da Virgem permitiu a Encarnação do Verbo e o início da Redenção do gênero humano.

Em Nazaré, Terra Santa, sob a cúpula da igreja da Anunciação também se venera o local onde aconteceu este sublime mistério.

Como se explica essa aparente duplicidade de endereços?

A contradição, ou superposição de atribuições, encerra maravilhosos fatos religiosos, notadamente a translação da Santa Casa de Nazaré até Loreto por obra dos anjos.

Mas, o que diz a ciência a respeito?

Não é tarefa da ciência declarar se um fato foi miraculoso ou não, se foram os anjos ou não. Mas, analisar a realidade segundo seus métodos, instrumentos e objetivos próprios.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Catedrais góticas: mistério mais grandioso que o das pirâmides do Egito

Amiens, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A técnica é definida pela Escolástica, da mesma forma que as artes, como “recta ratio factibilium”.

 Quer dizer, a reta ordenação do trabalho, ou também, a ciência de trabalhar bem.

Hoje, o mal uso da técnica, a empurra para produzir para além do que é bom, e espalhar instrumentos que afligem a vida dos homens.

Nos tempos em que o espírito do Evangelho penetrava todas as instituições, a técnica produziu frutos que vão além do tudo o que a Humanidade conheceu previamente.

Um desses frutos inigualados foi ‒ e continuam sendo ‒ as catedrais medievais.

Até hoje especialistas tentam decifrar como fizeram os arquitetos da Idade Média para, com tão pobres instrumentos, criar obras colossais que “humilham” as técnicas modernas mais avançadas.

Os técnicos das mais variegadas especialidades da construção e também da física, da química e das matemáticas se debruçam para tentar descobrir como os medievais erigiram esses portentos arquitetônicos.

Mergulham eles nos “mistérios das catedrais”.

São muitos os que até agora não estão elucidados: desde as fórmulas químicas desaparecidas que dão aos vitrais tonalidades únicas e irreproduzíveis até os mais complexos cálculos matemáticos e astronômicos que orientaram as proporções cósmicas das Bíblias de pedra.

Beauvais, França
Como decifrar o enigma?

“As catedrais se burlam de nós há oito séculos. Elas resistiram não só às intempéries e aos ataques insidiosos do clima, mas mais ainda por vezes a provas tão violentas como os bombardeios. Como é que estas catedrais loucas aguentam em pé?”, pergunta o arquiteto, historiador e geógrafo Roland Bechmann em seu livro “As raízes das catedrais” (“Les racines des cathédrales”, Payot, Paris, 2011, 330p.).

O livro de Bechmann recebeu elogios das maiores autoridades acadêmicas da França. Ele tem o mérito de mexer numa polêmica silenciosa, mas aberta como uma chaga nas almas de inúmeros franceses.

Enquanto o mundo parece rumar para uma modernidade cada vez mais caótica, as catedrais góticas em seu mutismo eloquente apontam um caminho inteiramente diverso.

O comentarista Paul François Paoli, do jornal “Le Figaro”, resume esse conflito interior dos franceses:

“As catedrais góticas são as pirâmides do Ocidente e nós não acabamos ainda de compreender como é que elas puderam ser construídas numa época considerada como obscura e arcaica do ponto de vista científico”.

O historiador Jacques Le Goff saudou o livro de Bechmann como uma obra prima de interdisciplinaridade sobre “esses prodígios de pedra que continuamos admirando em Amiens, Chartres ou Paris”.





Mas, segundo Bechmann, esses prodígios dizem uma coisa aos homens do século XXI: “como vocês são pequenos!”
Chartres, França
“No fim da época gótica ‒ explica o autor ‒ havia uma igreja para cada 200 habitantes da França, e esses prédios considerados em seu conjunto podiam abrigar uma população maior que a do país inteiro. Calcula-se que em trezentos anos a França extraiu, transportou de charrete e erigiu mais pedra que o antigo Egito em toda sua história”.

Mas não é só uma questão de tamanho e volumes, não, diz Bechmann. É uma questão de ciência e grandeza de alma. E explica:

Se hoje nós devêssemos construir catedrais góticas com os meios de que eles dispunham, nós não conseguiríamos. E mesmo que nós conhecêssemos até os pormenores de seus procedimentos, nós não ousaríamos.

“Calcular a resistência de construções como eles souberam realizar exigiria a ajuda de computadores. E ainda que nós conseguíssemos, haveria todas as chances de que nós chegássemos à conclusão de que essas catedrais, segundo as normas e coeficientes de segurança que nós aplicamos hoje, não poderiam ficar em pé...”

E, entretanto, elas continuam em pé e continuam nos emocionando, acrescenta Paul F. Paoli, jornalista do “Figaro”.

Colônia, Alemanha

O enigma profundo das catedrais e dos homens que as conceberam e realizaram em tão grande número e variedade nos conduz a considerações que superam a própria ciência e à própria técnica.

A primeira e mais imediata consideração é sobre a sabedoria dos construtores.

Monges, teólogos, arquitetos, artistas, simples pedreiros, neles parecia habitar uma sabedoria que ia muito além de suas naturezas humanas, por vezes rudes e imperfeitas.

Pelos frutos se conhece a árvore. Pela catedral se conhece a alma dos construtores.

Como foi possível tal afloração simultânea de homens com almas sólidas e plácidas, fortes e delicadas, lógicas e jeitosas, como as que fizeram essas Bíblias de pedra?

Homens que foram a encarnação da virtude da sabedoria. Da sabedoria sobrenatural que só a graça divina dispensa às suas almas mais amadas.

E essa é uma segunda consideração de natureza espiritual.

Foi essa sabedoria sobrenatural, de que a Igreja Católica é a tesoureira, que gerou aqueles homens e suas catedrais.

Beauvais, França
Longe da Igreja, o homem do terceiro milênio sente-se apequenado, tristonho e cheio de incertezas.

Mas, as portas da Igreja estão abertas de par em par, como as portas das catedrais, para acolher esse homem de hoje e reconduzi-lo maternalmente pelas vias da Sabedoria eterna e encarnada, Nosso Senhor Jesus Cristo, pela intercessão de sua Santíssima Mãe.

Basta que a alma queira se abrir inteiramente a esse influxo sobrenatural.

P.S.: Alguém poderia perguntar: como conseguir me doar tão inteiramente à Igreja para receber essa sabedoria? Eu tento e não consigo... sou tão fraco...

Há séculos um grande santo respondeu isso para nós. Ele até excogitou um método para nós miseráveis pecadores receber a Sabedoria eterna e encarnada “sem esforço”.

Foi São Luis Maria Grignion de Montfort com seu método de consagração à Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, na qualidade de servos e escravos.

Foi Ela que inspirou as mais gloriosas catedrais que levam seu nome: Notre Dame.

Essa devoção está explicada no famosíssimo livro, disponível em todas as línguas: “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”.





segunda-feira, 21 de maio de 2018

As civilizações perdidas da Amazônia
e a evangelização dos indígenas

Reconstituição artística
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Após dez anos de pesquisas arqueológicas no Alto Xingu, cientistas do Brasil e dos EUA constataram que, antes de Colombo, os índios da região moravam em conglomerados comparáveis a algumas cidades da Grécia ou da Idade Média.

Há 2.000 anos, essas cidades de até 50 hectares eram dotadas de muros, praças e centros cerimoniais, e estavam ligadas por uma densa rede de estradas.

Excavações no Alto Xingu
Seus habitantes desmatavam, construíam canais, tinham roças, pomares, tanques para criar tartarugas, pescavam em larga escala e faziam uso contínuo e sistemático da terra.

As conclusões desses trabalhos foram sendo publicadas numa série de artigos da reputada “Science”, revista da Associação Americana para o Progresso da Ciência (American Association for the Advancement of Science ‒ AAAS).

Na região amazônica de Beni, Bolívia, arqueólogos haviam observado de avião o traçado muito bem definido de canalizações e divisórias de roças, bem como a existência de intrigantes “terras negras”, que só podiam provir da adubação.

Os trabalhos tiveram dificuldades para avançar devido à hostilidade dos ambientalistas.

Para o escritor científico Charles C. Mann, autor de "1491", obra que ganhou o prêmio da U.S. National Academy of Sciences para o melhor livro do ano (2005), os ambientalistas temiam que o trabalho científico trouxesse um desmentido ao “prístino mito”.

O livro premiado sobre cidades perdidas
Segundo esse mito ideológico e teológico, antes da descoberta e evangelização de América, os índios viviam num relacionamento edênico com a selva amazônica.

Pertencendo eles, porém, ao gênero humano, é natural que fizessem o que os homens fazem e sempre fizeram: construir casas, cidades e estradas, plantar, criar animais para se alimentar, tecer para se vestir e acumular para garantir o sustento de seus filhos.

Muitas das observações dos cientistas já haviam sido parcialmente publicadas, e as fotos podem se obter na Internet.

O antropólogo Carlos Fausto e a linguista Bruna Franchetto, ambos do Museu Nacional, estiveram entre os pesquisadores no Alto Xingu; como também o arqueólogo americano Michael Heckenberger, da Universidade da Flórida, autor principal do estudo.

Para Heckenberger, o planejamento urbano amazônico pré-Colombo era mais complicado que o da Europa medieval, e incluía, segundo Fausto, “uma distribuição geométrica precisa”.

A diferença dos tons de verde patenteia a adubação das terras em tempos remotos
Ficou assim comprovado que a Amazônia pré-colombiana viu florescer remarcáveis concentrações urbanas.

Na plenitude de sua expansão, a civilização do Xingu incluía 50 mil habitantes, dotados de autoridades políticas e religiosas que governavam as cidades menores a partir das principais.

Algumas de suas estradas – que podiam ter entre 20 e 50 metros de largura – foram identificadas como tendo cinco quilômetros de extensão. Para atravessar alagamentos foram construídas pontes, elevações de terreno e canais para canoas.

Também foram erigidas barragens que formavam lagos artificiais, sinais que mostram o grau de civilização daquele conjunto humano.

Os pesquisadores detectaram perto de 15 grupos principais de aldeias, espalhados numa superfície de dois milhões de hectares.

As cidades tinham formas geométricas, muros e fossos protetores, visíveis após o desmatamento
As tradições orais dos índios kuikuro – habitantes da região que, segundo Fausto, “têm um nome para cada uma das aldeias” – orientaram as pesquisas e foram confirmadas pelos achados. Existiram, portanto, civilizações política, religiosa, econômica e culturalmente definidas.

O arqueólogo Heckenberger sublinha que aquilo que até agora se supunha ser “uma floresta tropical virgem”, de fato é uma região altamente influenciada pela ação humana.

Segundo o arqueólogo, o planejamento urbano amazônico pré-histórico era mais complicado que o da Europa medieval. “Lá você tinha a “town” [vila] e a “hinterland” [zona rural] sem integração. Aqui estava tudo junto”, diz.

Mapa satelital das "cidades jardim" no Alto Xingu
“A organização espacial xinguana também denota uma hierarquia política entre vilas que remete às cidades-estado gregas. Cada “aglomerado galáctico” era um centro independente de poder, que provavelmente mantinha relações com outros aglomerados.

“Você não encontra uma capital da região”, diz Carlos Fausto. “O maior nível de organização é a vila cerimonial”.

Embora o escopo dos trabalhos no Alto Xingu e no Beni fosse apenas científico, eles acabaram por mostrar que o mito de uma floresta intocada é um sonho ideológico anti-histórico.

Uma propaganda da qual o ambientalismo e o comuno-tribalismo são useiros e vezeiros quer fazer crer que o próprio da cultura dos índios da Amazônia é de viverem como selvagens, vagando nus pelo mato e incapazes por natureza de constituir uma civilização.

Segundo tal propaganda, essa forma de vida selvagem seria uma fase da evolução do macaco ao homem.

Localização de "civilizações perdidas" já detetadas na Amazônia.
Fonte: "Washington Post"
E, mais ainda, os civilizados teríamos sido “desviados” da evolução “boa” pela civilização.

Agora se pode, a partir de dados científicos, sustentar com tranquilidade que a lamentável situação em que vivem certos índios não é decorrente de uma fatalidade cultural imposta pela “evolução”, mas sim uma decadência de povos que tiveram uma cultura mais alta.

Obviamente, esta constatação é um convite para ajudar esses índios a se recuperarem, inclusive do ponto de vista civilizatório.

As descobertas patenteiam um princípio que sempre orientou a obra missionária da Igreja: embora pagãos e decaídos, os índios são seres humanos beneficiados pelos frutos infinitos da Redenção conquistados por Nosso Senhor Jesus Cristo no alto da Cruz.

Assim, também a eles se aplica o mandamento evangélico: “Ide e evangelizai todos os povos”.

É portanto injusto e anticristão atribuir-lhes uma condição de entes integrados na floresta, privados de entrar em contato com a civilização, de progredir e receber a pregação da Palavra de Deus; em suma, de se tornarem parte da grei abençoada da Santa Igreja Católica.

Marcas das antigas cidades e vias de comunicação
Eles têm alma e estão chamados a serem filhos de Deus, a conhecerem a Igreja, a receber a graça divina e conquistar a vida eterna!

Se outra prova fosse necessária, os referidos achados arqueológicos apontam-nos como provenientes de um elevado estágio civilizatório que defeitos e/ou vícios morais rebaixaram até o lamentável estado em que se encontram.

Porém, nada disso pode ser empecilho para levar até eles as palavras de salvação da Igreja, a graça do batismo e os sacramentos, sinais sensíveis da graça divina.

E, junto com a vida sobrenatural, os tesouros culturais da Civilização Cristã.

As descobertas no Alto Xigu constituem assim mais um estímulo caritativo à obra de evangelização dos indígenas. Evangelização que é ponto de partida natural para uma cultura genuinamente cristã e brasileira.

Os silvícolas serão destarte beneficiados com a plenitude de bens hauridos pelos filhos de Deus na Santa Igreja Católica em decorrência da prática de seus santos e salutares ensinamentos.

Missão jesuítica, Concepción, Moxos, região amazônica boliviana.
Os indígenas mostraram excecionais capacidades artísticas
Os povos indígenas amazônicos possuem capacidades artísticas excepcionais.

O trabalho dos missionários dos bons tempos, como nesta Missão de Santo Inácio - Concepción, Bolívia - mostra que uma civilização amazônica inteiramente original poderia surgir bafejada pelo espírito vivificador e civilizador da Igreja Católica.

Um falso missionarismo de fundo comunista quer, entretanto, impedir que esses povos saiam da antiga decadência e, até, quer empurrá-los de volta ao paganismo e à selvageria.

Veja vídeo
Música barroca nascida
no coração da Amazônia.
Missão de Santo Inácio - Concepción, Bolívia.



segunda-feira, 7 de maio de 2018

Descoberta confirmaria vida e existência do profeta Isaías

Fotocomposição: Isaias profetizou a Redenção. Detalhe de escultura de Aleijadinho.
Em destaque o selo achado que leva seu nome inscrito
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O profeta Isaías é um dos maiores profetas do Antigo Testamento. O nome Isaías significa “Deus ajuda” ou “Deus é auxílio” e viveu entre 765 a.C. e 681 a.C.

Numa visão do trono de Deus no Templo rodeado de serafins, um anjo lhe purificou os lábios com brasas ardentes enquanto a voz de Deus lhe ordenava levar Sua mensagem ao povo.

Em seu livro, incluído na Bíblia, Isaías é o profeta que mais fala sobre o Messias prometido, Nosso Senhor Jesus Cristo, descrevendo-o como “servo sofredor” que morreria pelos pecados da humanidade e como um príncipe soberano que governará com justiça.

O capítulo 53 profetiza nossa Redenção pelo Messias:

“Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas”. (Is 53:5)
Um serafim purifica os lábios de Isaias. Vitral na catedral de Bruxelas.
Um serafim purifica os lábios de Isaías. Vitral na catedral de Bruxelas.
Ele também profetizou que Nosso Senhor nasceria de Maria Virgem:

“o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco [Emanuel]” (Is 7,14).

No Novo Testamento há centenas de citações ou referências às suas predições, fato reconhecido até por não católicos:

“O Livro de Isaías contém muitas referências diretas e indiretas ao Messias, chamando-O de ‘Renovo do Senhor’” (Is 4.2), “rebento do tronco de Jessé” (Is 11.1), “meu servo [de Deus]” (Is 42.1), e “o meu escolhido [de Deus], em quem a minha alma se compraz” (Is 42.1).

“A Palavra declara que Ele é o herdeiro por direito ao trono de Davi (Is 9.7; cf. Lc 1.32-33) e diz que Ele autenticará Seu papel como Messias ao curar os cegos, os surdos e os aleijados (Is 29.18; Is 35.5-6; cf. Mt 11.3-5; Lc 7.22).

“Ele também estabelecerá a Nova Aliança (Is 55.3-4; cf. Lc 22.20) e um dia estabelecerá um Reino Messiânico sobre o qual reinará e no qual será adorado (Is 9.7; Is 66.22-23; cf. Lc 1.32-33; Lc 22.18,29-30; Jo 18.36)”. (apud “O Evangelho Segundo Isaías”

Ele viveu no reino de Judá entre os séculos VIII e VII a.C., durante os reinados de Ozias, Jotão, Acaz e Ezequias. Também participou na defesa de Jerusalém cercada pelo rei assírio Senaqueribe.

Isaías profetizou que uma Virgem daria a luz o Messias. Isaías aparece em afresco recentemente descoberto na Basílica de Santo Antonio em Pádua.
Isaías profetizou que uma Virgem daria a luz o Messias.
Isaías aparece em afresco recentemente descoberto na Basílica de Santo Antonio, em Pádua.
Mas, fora desta enorme contribuição registrada na Bíblia que constata documentalmente sua existência, não se tinha evidências arqueológicas, portanto materiais, da vida do profeta.

Mas, só até agora, comemorou Eilat Mazar, pesquisadora do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém:

“Nós encontramos a marca de um selo do século VIII a.C. que deve ter sido feita pelo próprio profeta Isaías a apenas três metros de onde havíamos descoberto uma impressão de selo do rei Ezequias de Judá”.

A descoberta foi anunciada por Eliat em seu artigo “Esta é a assinatura do profeta Isaias?” (“Is This the Prophet Isaiah's Signature?”) publicado na revista Biblical Archaeology Review.

O selo, ou mais propriamente “bula”, foi encontrado num sítio arqueológico em Ophel, área entre o Monte do Templo e a Cidade de Davi, usada na antiguidade como complexo residencial da família real em Jerusalém.

Os arqueólogos encontraram 34 pequenas peças de argila com impressões de “bulas”, com os nomes de seus donos.

Vista geral de Jerusalém com o campo arqueológico de Ophel, local do achado.
Vista geral de Jerusalém com o campo arqueológico de Ophel, local do achado.
Os pedaços de argila tinham apenas um centímetro de diâmetro.

Entre as peças, uma traz o nome do rei Ezequias.

Mas o artefato mais interessante tinha a inscrição “Yesha’yah”, o nome de Isaías em hebraico antigo, acompanhado pelas letras “N”, “V” e “Y”, as três primeiras da palavra “profeta” em hebraico.

O nome de Isaías está claro, mas há discussão sobre uma letra que faltaria para ter certeza da palavra “profeta”.

Para a Dra. Mazar, o lugar exato da letra foi perdido junto com a metade faltante da “bula”.

A inscrição completa deveria dizer “Pertencente a Isaías profeta”.

A Dra. Mazar aponta casos semelhantes verificados em outras descobertas.

E se a interpretação for correta teríamos a primeira prova material extra bíblica da existência do profeta e de que era reconhecido como tal durante sua vida, de acordo com matéria publicada pela “National Geographic”

O selo, ou bula, com o nome do profeta Isaías, desenterrado em Ophel.
O selo, ou bula, com o nome do profeta Isaías, desenterrado em Ophel.
O Antigo Testamento conta episódios em que Ezequias procurou Isaías, indicando que o profeta lhe era bastante próximo e que seria um dos principais conselheiros reais.

“Se for o caso de a peça ser realmente do profeta Isaías, então não seria surpresa encontrá-la perto de uma pertencente ao rei Ezequias dada à relação simbiótica entre o profeta Isaías e o rei Ezequias descrita na Bíblia”, acrescentou Mazar.

A Bíblia é o maior testemunho escrito da Antiguidade. Ela contém a palavra revelada e a ela devemos um assentimento de Fé, inclusive do ponto de vista histórico.

A veracidade inclusive histórica da Bíblia foi confirmada – e continua sendo-o – em inúmeras descobertas de valor científico que confortam às inteligências e corações de boa fé que possam ter dúvidas a respeito.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Pergaminho de 2.000 anos confirma o dilúvio universal

Pergaminho escrito há máis de 2.000 anos e encontrado em Qumran descreve o dilúvio.
Pergaminho escrito há máis de 2.000 anos e encontrado em Qumran
descreve o dilúvio.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O Museu de Israel, em Jerusalém, exibe por vez primeira vez um livro apócrifo do Gênesis, decifrado em um dos pergaminhos achados em Qumran, perto do Mar Morto, informou o jornal de Madri “El País”. 

Até o presente estava conservado numa sala climatizada construída especialmente para albergar os delicados manuscritos encontrados nas grutas de Qumran que têm mais de 2.000 anos de antiguidade, e que só podiam ser vistos pelos conservadores do museu.

Os Rolos do Mar Morto incluem quase 1.000 pergaminhos e papiros escritos em aramaico e hebraico. Eles foram encontrados em onze grutas das quase 300 vasculhadas em Qumran, no deserto de Judeia, perto do Mar Morto, entre 1947 e 1956.

O pergaminho agora exposto, ou Gênesis apócrifo, é um dos textos mais misteriosos dos primeiros sete rolos encontrados.

“Era de longe o documento em pior estado” explicou Adolfo Roitman, diretor do Santuário do Livro, ala do Museu que hospeda os manuscritos.

O pergaminho é do século I antes de Cristo e está escrito em aramaico. Contém o relato transmitido nos capítulos seis, sete e oito do Gênesis.

Dessa maneira temos outra fonte que nos fala de Abraão e Noé. Não se trata de uma mera reprodução da Bíblia, pois contém algumas diferencias ponderáveis, algo comum nos livros apócrifos.

O pergaminho está exposto numa urna de avançada tecnologia.
O pergaminho está exposto numa urna de avançada tecnologia.
A qualificação de “apócrifo” foi criada por São Jerônimo, autor da Vulgata latina, ou versão oficial da Bíblia católica, que o grande doutor da Igreja traduziu do hebraico para o latim.

Com sucessivos aperfeiçoamentos ordenados e aprovados pela Igreja é a versão oficial da Bíblia em nossos dias.

O termo “apócrifo” indica que o livro não foi inspirado por Deus e que não faz parte de nenhum livro oficial da Igreja.

Mas isso não os desqualifica como fonte de informação histórica complementar e a Igreja os recolhe e estuda.

Em muitos casos forneceram dados colaterais valiosos. Este é o caso do manuscrito em questão que fala especialmente do dilúvio.

Segundo o conservador Roitman “é sem dúvida uma cópia muito antiga de um texto original. A caligrafia da escrita está feita com muito esmero, sem erros, e isso naquela época só era possível tendo diante de si o documento que se ia copiar”.

Aspecto geral da sala de exposição dos manuscritos.
Aspecto geral da sala de exposição dos manuscritos.
O pergaminho exposto em Jerusalém, narra o fim do dilúvio universal em primeira pessoa, como se fosse o próprio Noé escrevendo a história.

Na versão oficial do Gênesis, a primeira coisa que fez Noé saindo da arca junto com sua família foi erigir um altar e oferecer um sacrifício a Deus. No apócrifo em questão se lê que Noé fez o sacrifício dentro da arca.

Em qualquer caso, estamos diante de um texto de outra procedência que confirma o essencial do relato bíblico do dilúvio, confirmando-o colateralmente como fato histórico.

Eis como o é descrito pela Bíblia Sagrada:


9. Esta é a história de Noé. Noé era um homem justo e perfeito no meio dos homens de sua geração. Ele andava com Deus. (...)

12. Deus olhou para a terra e viu que ela estava corrompida: toda a criatura seguia na terra o caminho da corrupção.

13. Então Deus disse a Noé: “Eis chegado o fim de toda a criatura diante de mim, pois eles encheram a terra de violência. Vou exterminá-los juntamente com a terra. (...)

18. Mas farei aliança contigo: entrarás na arca com teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos.

Arca de Noé. Afresco na igreja de São Maurizio, Milão.
Arca de Noé. Afresco na igreja de San Maurizio, Milão.
19. De tudo o que vive, de cada espécie de animais, farás entrar na arca dois, macho e fêmea, para que vivam contigo.

20. De cada espécie de aves, e de cada espécie de quadrúpedes, e de cada espécie de animais que se arrastam sobre a terra, entrará um casal contigo, para que lhes possas conservar a vida.

21. Tomarás também contigo de todas as coisas para comer, e armazená-las-ás para que te sirvam de alimento, a ti e aos animais.” (...)



11. No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, no décimo sétimo dia do mês, romperam-se naquele dia todas as fontes do grande abismo, e abriram-se as barreiras dos céus.

12. A chuva caiu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites. (...)

18. As águas inundaram tudo com violência, e cobriram toda a terra, e a arca flutuava na superfície das águas.

19. As águas engrossaram prodigiosamente sobre a terra, e cobriram todos os altos montes que existem debaixo dos céus;

20. e elevaram-se quinze côvados acima dos montes que cobriam. (...)

23. Assim foram exterminados todos os seres que se encontravam sobre a face da terra, desde os homens até os quadrúpedes, tanto os répteis como as aves dos céus, tudo foi exterminado da terra. Só Noé ficou e o que se encontrava com ele na arca.

24. As águas cobriram a terra pelo espaço de cento e cinquenta dias.



Miniatura mongol, reprodução contemporânea
de uma pintura sobre a Arca de Noé.
1. Ora, Deus lembrou-se de Noé, e de todos os animais selvagens e de todos os animais domésticos que estavam com ele na arca. Fez soprar um vento sobre a terra, e as águas baixaram. (...)

3. As águas foram-se retirando progressivamente da terra; e começaram a baixar depois de cento e cinquenta dias.

4. No sétimo mês, no décimo sétimo dia do mês, a arca parou sobre as montanhas do Ararat. (...)

18. Noé saiu com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.

19. Todos os animais selvagens, todos os répteis, todas as aves, todos os seres que se movem, sobre a terra saíram da arca segundo suas espécies.

20. E Noé levantou um altar ao Senhor: tomou de todos os animais puros e de todas as aves puras, e ofereceu-os em holocausto ao Senhor sobre o altar.

21. O Senhor respirou um agradável odor, e disse em seu coração: “Doravante, não mais amaldiçoarei a terra por causa do homem porque os pensamentos do seu coração são maus desde a sua juventude, e não ferirei mais todos os seres vivos, como o fiz.

22. Enquanto durar a terra, não mais cessarão a sementeira e a colheita, o frio e o calor, o verão e o inverno, o dia e a noite.”


Narração parcial do dilúvio,  decodificada pelo assiriologista Irving Finkel.  British Museum.
Outra fonte extra-bíblica do dilúvio é a narração parcial dele,
decodificada pelo assiriologista Irving Finkel.
British Museum.
O apócrifo está muito deteriorado e por isso nem foi possível digitaliza-lo. Está escrito em 22 colunas, sendo que as últimas, da 18 à 22, são as melhor conservadas.

“Tem sua lógica porque permanecendo enrolado, os caracteres do final ficam menos expostos à luz e à umidade”, explicou Roitman.

O Gênesis apócrifo foi escrito com uma tinta muito sensível à luz e que provoca seu deterioro.

Por isso, os especialistas o instalaram numa urna especial coberta com um cristal inteligente que nunca é iluminado diretamente. O Gênesis apócrifo ficará exposto até junho.

O Gênesis apócrifo faz parte dos primeiros sete manuscritos encontrados em 1947 por pastores beduínos da tribo Tamireh. Eles acharam dez vasilhas de barro com tampa, algumas das quais continham documentos enrolados.

Os pastores venderam o achado a comerciantes de Belém que os revenderam. Três deles acabaram nas mãos do professor da Universidade Hebraica, Eleazar Sukenik.

O arcebispo Athanasius Yeshue Samuel do Mosteiro siríaco de Jerusalém que comprou os outros quatro e, por fim, os revendeu para o arqueólogo Yigael Yadin quem os repassou para o estado de Israel.

Muitos desses manuscritos versam sobre questões religiosas e teriam pertencido aos essênios, grupo religioso judaico que tomou distância da religião hebraica oficial achando que se afastara da religião de Moisés e dos profetas.

Discute-se se Nosso Senhor teve contato com os essênios, pois os escritos de Qumran falam de um personagem chamado Mestre de Justiça, observou “El País”.

Também esse poderia ter sido um chefe dos essênios que prefigurou Nosso Senhor.

Qumran, suas cavernas e seus segredos
Na medida em que foram sendo traduzidos, verificou-se que os famosos rolos continham transcrições de livros inteiros da Bíblia, de digressões teológicas e regras de vida para a comunidade, incluindo monges.

Aquela comunidade de judeus circuncidados, pertencentes à elite da sociedade, criticava muito os fariseus que constituíam a facção dominante no sacerdócio oficial e que eles consideravam de duvidosa ortodoxia.

Nesse ponto apresentam analogias com a impostação de Nosso Senhor face à Sinagoga prevaricadora.


Veja também: Tabuleta babilônica descreve a odisseia de Noé e o Dilúvio
A ciência à procura de indícios do Dilúvio
Arca de Noé podia levar dezenas de milhares de animais



Vídeo: Pergaminho de 2.000 anos confirma o dilúvio universal