segunda-feira, 20 de maio de 2019

Como ao profeta Jonas: baleia engole mergulhador
e o devolve na costa

O profeta Jonas engolido pela baleia, vitral da capela do Wadham College, Oxford.
O profeta Jonas engolido pela baleia. Vitral da capela do Wadham College, Oxford.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Não rara vez ouve-se dizer que as Sagradas Escrituras constituem um amontoado de narrações míticas, por vezes até lecionadoras, mas que não devem ser mais atendidas do que outros conjuntos religiosos lendários ou poéticos, com os Vedas da Índia, ou o Corão de Maomé.

Uma dessas lendas – e das mais pitorescas – teria sido a do profeta Jonas (entre os séculos IX e VIII a.C., cfr Livro de Jonas no Antigo Testamento).

Esse profeta foi enviado por Deus para pregar penitência a Nínive, na Mesopotâmia (Iraque), cidade cujos habitantes se destacavam pela crueldade.

O profeta temia muito não ser ouvido e fracassar na missão. De início desobedeceu a Deus e não foi.

“1. A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, filho de Amati, nestes termos:

“2. ‘Levanta-te, vai a Nínive, a grande cidade, e profere contra ela os teus oráculos, porque sua iniquidade chegou até a minha presença’.” (Jonas, 1)

No porto escolheu um navio que ia na direção contrária: rumo a Tarsis na atual Andaluzia, Espanha.

Eis que já no mar, uma violenta tempestade estava no ponto de afundar o barco e os marinheiros jogaram Jonas pela borda julgando-o culpado.

“4. O Senhor, porém, fez vir sobre o mar um vento impetuoso e levantou no mar uma tempestade tão grande que a embarcação ameaçava despedaçar-se.

“5. Aterrorizados, os marinheiros puseram-se a invocar cada qual o seu deus, e atiraram no mar a carga do navio para aliviarem-no. Entretanto, Jonas tinha descido ao porão do navio e, deitando-se ali, dormia profundamente.

“6. Veio o capitão e o despertou: “Dorminhoco! Que estás fazendo aqui? Levanta-te e invoca o teu Deus, para ver se ele se lembra talvez de nós e nos livre da morte”.

“7. Em seguida, disseram os marinheiros entre si: “Vinde e tiremos à sorte para sabermos quem é a causa deste mal”. Lançaram a sorte e esta caiu sobre Jonas. (...)

Marinheiros jogam o profeta Jonaás ao mar, igreja paroquial de Preston-on-Stour.
Marinheiros jogam o profeta Jonas ao mar. Igreja paroquial de Preston-on-Stour.
“10. Ficaram, então, aqueles homens possuídos de grande temor, e disseram-lhe: “Por que fizeste isto?”. Pois tinham compreendido, pela própria declaração de Jonas, que este fugia para escapar à ordem do Senhor. (...)

“15. E, pegando em Jonas, lançaram-no às ondas, e a fúria do mar se acalmou.” (Jonas, 1)

Nessa hora, Jonas aceitou que andava mal, pediu perdão a Deus e aconteceu o imprevisível:

“1. O Senhor fez que ali se encontrasse um grande peixe para engolir Jonas, e este esteve três dias e três noites no ventre do peixe.

“2. Do fundo das entranhas do peixe, Jonas fez esta prece ao Senhor, seu Deus: (...)

“9. Os que servem a ídolos vãos abandonam a fonte das graças.

“10. Eu, porém, oferecerei um sacrifício com cânticos de louvor, e cumprirei o voto que fiz. Do Senhor vem a salvação.

11. Então, o Senhor ordenou ao peixe, e este vomitou Jonas na praia.” (Jonas, 2)

Supõe-se comumente que o “grande peixe” que o tragou e depois o cuspiu na praia tenha sido uma baleia, e assim aparece na iconografia católica.

Deus então voltou a lhe aparecer e lhe cobrar o cumprimento da missão profética. Então Jonas acabou partindo a pé rumo à cidade pecadora.

E Nínive, contrariamente ao que Jonas achou no primeiro momento, se arrependeu e fez penitência.

Jonas prega e converte Nínive, vitral da capela de All Souls' College, Oxford
Jonas prega e converte Nínive. Vitral da capela de All Souls' College, Oxford
“4. Jonas foi pela cidade durante todo um dia, pregando: “Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída”.

“5. Os ninivitas creram nessa mensagem de Deus, e proclamaram um jejum, vestindo-se de sacos desde o maior até o menor.

“6. A notícia chegou ao conhecimento do rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza.

“7. Em seguida, foi publicado pela cidade, por ordem do rei e dos príncipes, este decreto: “Fica proibido aos homens e aos animais, tanto do gado maior como do menor, comer o que quer que seja, assim como pastar ou beber.

“8. Homens e animais se cobrirão de sacos. Todos clamem a Deus, em alta voz; deixe cada um o seu mau caminho e converta-se da violência que há em suas mãos.

“9. Quem sabe, Deus se arrependerá, acalmará o ardor de sua cólera e deixará de nos perder!”. (Jonas 3, 4-9)

Jonas ficou surpreso com a conversão.

Deus pode agir, e age muitas vezes através de causas terceiras, ou causas naturais, como no caso da ‘baleia’.

Para pessoas de pouca fé, o episódio do “grande peixe”, entretanto, pode parecer inacreditável, uma mera lenda no máximo. Um conto para crianças ou para mentes infantilizadas.

Então Deus parece ter excogitado uma lição para nossa época tão descrente.

No oceano Índico, perto de Porto Elizabeth, ao leste da Cidade do Cabo, extremo sul da África e do país local a África do Sul, Deus permitiu que uma baleia engolisse um mergulhador profissional e depois o devolvesse a proximidade da praia, sem sofrer dano algum, nem a seu corpo nem a seus equipamentos.

Baleia engole mergulhador inteiro. Mas o devolverá são e salvo na praia não muito depois
Baleia engole mergulhador inteiro. Mas o devolverá são e salvo na praia não muito depois
O fotógrafo e mergulhador profissional sul-africano Rainer Schimpf estava filmando a vida submarina junto com uma equipe de outros cameramen especializados.

Em fevereiro (2019) subitamente apareceu uma baleia que o engoliu por completo e desapareceu rumo às profundezas do oceano na frente dos colegas de Rainer que conseguiram filmar o que parecia um episódio de trágico desfecho.

O cetáceo era da variedade Baleia-de-bryde que pode atingir 15,5 metros de cumprimento e pesar perto de 30 toneladas.

No grupo estava também a mulher de Rainer quem testemunhou o fato para as câmeras junto com os outros.

“Percebi logo o que tinha acontecido e instintivamente segurei a respiração”, contou depois Schimpf à mídia mundial, como “La Nación”.

“Achei que a baleia iria me cuspir em algum lugar do Oceano Índico”, disse ao jornal britânico “The Telegraph”, enquanto se recompunha do choque psicológico.

E assim aconteceu.

O animal marino o devolveu inteiro a poucos metros da costa, são e salvo, junto com o cardume de peixes que tinha pego na hora de tragar o mergulhador.

A profissão de Schimpf é dar aulas para mergulhadores profissionais e aficionados. Tem 51 anos é muita experiência nas profundezas submarinas.

Apenas não chegou a passar três dias no papo do “grande peixe” como o profeta, mas sim durante alguns minutos na mais perfeita escuridão que para ele, pareceram eternos.


Vídeo: Como ao profeta Jonas: baleia engole mergulhador e o devolve na costa





segunda-feira, 6 de maio de 2019

As tremendas feridas provocadas pela lançada
segundo o Santo Sudário

Montagem artística da mostra "O homem do Sudário. Foto: Luis Guillermo Arroyave, Curitiba
Montagem artística da mostra "O homem do Sudário". Foto: Luis Guillermo Arroyave, Curitiba
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Numa entrevista especial ao jornal italiano “La Stampa” de Turim, citado por “Infovaticana” e que citamos em post anterior (cfr. Santo Sudário: por que um braço é mais longo que o outro?), o Dr. Filippo Marchisio, chefe de Radiologia do hospital de Rivoli, e Pier Luigi Baima Bollone, professor de Medicina Forense na Universidade de Turim e diretor do Centro Internacional de Sindonologia, descreveram a investigação científica do acontecido no tremendo momento em que o centurião Longino perfurou o lado de Nosso Senhor já morto na Cruz.

Para isso utilizaram equipamentos radiológicos destinados ao trabalho profissional no hospital de Rivoli.

54. O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus!”. (Mt 27,54)

39. O centurião que estava diante de Jesus, ao ver que ele tinha expirado assim, disse: “Este homem era realmente o Filho de Deus”. (Mc 15,39)

46. Jesus deu então um grande brado e disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. E, dizendo isso, expirou.

47. Vendo o centurião o que acontecia, deu glória a Deus e disse: “Na verdade, este homem era um justo”. (Lc 23,47)

Malgrado o acúmulo de provas e indícios, ainda há resistência no Vaticano a reconhecer oficialmente o Santo Sudário enquanto mortalha que verdadeiramente envolveu o Corpo do Redentor.

De ali procede a importância destes trabalhos, embora em clave científica e não religiosa.

São João testemunhou a tremenda lançada:

Lança Sagrada conservada na Schatzkammer, Viena, Áustria
Lança Sagrada conservada na Schatzkammer, Viena, Áustria
“31. Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.

“32. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados.

“33. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas,

“34. mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água.

“35. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais.

“36. Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46).” (São João, 19: 31 ss)

Como é bem conhecido, o centurião (chefe de centúria: 100 homens aprox.) romano Longinos reconheceu que Cristo é Deus na hora de dar a lançada.

E tendo sido curado da cegueira pelo respingo de gotas do lado aberto, se converteu e foi apóstolo da fé de Jesus Cristo.

Ele é venerado como Santo pela Igreja. São Longinos recolheu o sangue que pode e levou consigo.

Procissão do Preciosíssimo Sangue, em Weingarten, Alemanha
Procissão do Preciosíssimo Sangue, em Weingarten, Alemanha
Essa relíquia do divino sangue se encontra na abadia de Weingarten, na Alemanha e é objeto de veneração popular. Cfr: Procissão do Preciosíssimo Sangue, em Weingarten, Alemanha

Os investigadores identificaram o ponto exato em que a lançada atravessou o lado da divina vítima e também o orifício menor de saída.

Por esta via, puderam fazer o esquema de quais foram os órgãos internos perfurados pelo brutal golpe de graça.

Essa “liberou uma acumulação de sangue reunida na cavidade pleural”, quer dizer, no espaço cheio de líquido entre as duas pleuras pulmonares de cada pulmão.

O Dr. Marchisio explicou que “o sangue escorreu principalmente para o lado direito, ao longo do canal formado pelo braço até a altura do cotovelo e se acumulava para formar o cinturão de sangue que se observa [no Sudário] na altura da região lombar”.

“As relações anatómicas reveladas pela reconstrução das partes faltantes fornecem uma demonstração da natureza extraordinária e a coerência do Santo Sudário”, sublinhou o investigador.

“Quanto mais a gente estuda, mais surpresas leva”, concluiu.


Vídeo: Os instrumentos da Paixão. A ponta da lança (italiano)





Isaías 53
 
3. Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele.*

4. Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado.

5. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas.*

6. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós.

7. Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca.*

8. Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender sua causa, quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo?*

9. Foi-lhe dada sepultura ao lado de facínoras e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em sua boca nunca tenha havido mentira.



Vídeo: O mistério do Santo Sudário