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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Quem foram os Reis Magos?

'A viagem dos Magos' (1894), James Jacques-Joseph Tissot (1836-1902). Brooklyn Museum, New York City.
'A viagem dos Magos' (1894), James Jacques-Joseph Tissot (1836-1902).
Brooklyn Museum, New York City.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém. A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da Internet.

O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”. 

Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.

“Canônico” deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia. Este catálogo está definitivamente encerrado e não sofrerá mais modificação.

Há uma série de argumentos profundos que justificam esta sábia decisão da Igreja.

Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé.

Por isso mesmo, o Vaticano conserva a maior coleção mundial desses “apócrifos”, e os põe à disposição dos críticos de todas as religiões que queiram estudá-los.

A Igreja não tem medo de que possa sair qualquer coisa que desdoure a integridade e a santidade da Bíblia. br />
Antes bem, deseja ardentemente encontrar qualquer dado que possa ajudar a melhor compreendê-la.

O apócrifo “A Revelação dos Magos” aparenta ser um relato de primeira mão da viagem dos Reis do Oriente para homenagear o Filho de Deus.

Reis Magos, Nicolás de Verdun (1130 – 1205).
Urna dos Reis Magos na catedral de Colônia
Só recentemente foi traduzido do siríaco antigo.

O mérito é do Dr. Brent Landau, professor de Estudos Religiosos da Universidade de Oklahoma, EUA, que dedicou dois anos para decifrar o frágil manuscrito.

Trata-se de uma cópia feita no século VIII a partir de algum original perdido que, por sua vez, fora transcrito meio milênio antes.

Portanto, a fonte original desse apócrifo dos Reis Magos remonta a menos de um século depois do Evangelho de São Mateus.

O documento levanta questões em extremo interessantes:

Quem foram ao certo, os Reis Magos?

Foram três?

Quais eram seus nomes?

De onde vieram?

Por quê?


Vejamos primeiro o que nos diz a única fonte digna de fé religiosa, o Evangelho de São Mateus:

“1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
“2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
“3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
“4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
“5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
“6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).
“7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
“8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
“9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
“10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
“11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
“12. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.” (São Mateus, cap. 2, 1ss)

Três Reis Magos, mosaico em San Apollinare Nuovo, Ravenna, Itália.
No muro da igreja, concluida em 569, lê-se os nomes dos três.
Apresentados com gorros frígios (chapéu originário da Ásia Menor.
No Irã era atributo do deus Mitra).
A narração de São Mateus contém tudo o que é necessário para a Fé.

Mas com o beneplácito e a aprovação da Igreja a piedade popular acrescentou muitos outros pormenores, que foram transmitidos por tradição oral e que são aceitos sem contestação.

O que diz a Tradição sobre seu número, condição, proveniência e destino?

É aqui que entra o papel do grande São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra.

São Beda é uma das máximas autoridades dos primeiros tempos da Idade Média pelo fato de ter recolhido relatos transmitidos oralmente pelos Apóstolos aos seus sucessores, e destes aos continuadores.

São Beda é também considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador. Sua História Eclesiástica do Povo Inglês (Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum) lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa.

No tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele:
“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus.
“Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio.
“E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
Três Magos adoram o Menino Jesus.
Sarcófago romano dos primeiros tempos do cristianismo, Museu Vaticano.
É, pois, São Beda quem por primeira vez escreveu o nome dos três. Nomes com significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades.

Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, Gaspar significa “aquele que vai inspecionar” e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.

Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes.

Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.

Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis.

Gaspar ofereceu-Lhe incenso (ou olíbano), em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes.

Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, veem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. br />
A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade.

Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda a humanidade.

Em coerência com essa visão, a exegese católica interpreta a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de Davi:

“Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. br />
11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11) (P.S.: na numeração das traduções direto do hebraico, é o Sl. 72, 10-11).

Alguns especularam que talvez pelo menos um deles veio da terra de Shir (não identificada nos mapas modernos), na antiga China.

Em livro – escrito a título pessoal, portanto não sendo documento do magistério eclesiástico – Joseph Ratzinger (S.S.Bento XVI) comenta que “a promessa contida nestes textos [N.R.: Salmo 72,10] estende a proveniência destes homens até ao extremo Ocidente (Tarsis, Tartessos em Espanha).br />
Mas a tradição desenvolveu posteriormente este anúncio da universalidade aos reinos de que eram soberanos, como reis dos três continentes então conhecidos: África, Ásia e Europa”, segundo informou “Religión Digital” de Espanha.


A amplidão do leque de possibilidades geográficas fica patente neste comentário.

Tarsis ou Tartessos ficaria na Andaluzia, Espanha, especificamente em “algum lugar compreendido entre Cádiz, Huelva e Sevilha”.br />
Segundo o “ABC” de Madri, os sevilhanos acham que se Melquior, Gaspar e Baltasar fossem andaluzes teriam se manifestado mais alegremente, teriam cantado “sevilhanas” e levado pandeiros.

A reação popular suscita um amável sorriso.

O que foi depois dos Reis Magos?

Reis Magos. Representam todas as raças. Andrea Mantegna (1431-1506). J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
Reis Magos. Representam todas as raças.
Andrea Mantegna (1431-1506). J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
De acordo com uma tradição acolhida por São João Crisóstomo, Padre da Igreja, os três Reis Magos foram posteriormente batizados pelo Apóstolo São Tomé e trabalharam muito pela expansão da Fé (Patrologia Grega, LVI, 644).

A fama de santidade dos Reis Magos chega até os nossos dias.

Seus restos são venerados na nave central da Catedral de Colônia, Alemanha, em magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes.

As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas a Constantinopla, capital do Império Romano de Oriente.

Depois foram transferidas a outra capital imperial no Ocidente – Milão –, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).

Por que eram "Magos"?

O nome “mago” era sinônimo de “sábio”. O tratamento dado a eles como grandes eruditos, prudentes e judiciosos, provinha do fato de os sacerdotes da Caldeia serem muito voltados para a consideração dos astros com uma sabedoria que surpreende até hoje.

A eles devemos o início da ciência astronômica.

Sem dúvida, seu caráter de “magos”, reconhecido pelo Evangelho de São Mateus, aponta para a área da civilização caldeia (cujo epicentro foi no atual Iraque, mas incluiu diversos países vizinhos, entre eles o Irã).

Com a decadência moral, os “magos” caldeus viraram uma espécie de bruxos, divulgadores de toda espécie de superstições.

Os Três Reis Magos teriam sido os últimos sacerdotes honrados daquele mundo pagão que aspiravam sinceramente conhecer o Salvador.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia.
Neste caso, foram exemplos arquetípicos do pagão de boa-fé que deseja conhecer a verdadeira religião, e que assim que a encontra adere a ela sem demoras nem restrições.

Foram "Reis"?

Discute-se também em que sentido podem ser chamados de “Reis”, pois não se lhes conhece a procedência e menos ainda a localização do reino.

Porém, na Antiguidade, os patriarcas, ou chefes de grandes clãs, ou grupos étnico-culturais, governavam com poderes próprios de um rei, sem terem esse título ou equivalente. E seu reinado se concentrava sobre sua hoste, por vezes nômade.

São João Damasceno não recusava que eles fossem descendentes de Set, terceiro filho de Adão.

E este pormenor nos leva de volta ao “apócrifo” do Vaticano.

A estrela que os guiou

O referido manuscrito estava na Biblioteca Vaticana havia pelo menos 250 anos, mas não se sabe mais nada de sua proveniência.

Está escrito em siríaco, língua falada pelos primeiros cristãos da Síria e ainda hoje, bem como do Iraque e do Irã.

O Prof. Landau acredita que no apócrifo entra muita imaginação. Mas, há uma muito longa descrição das supostas práticas, culto e rituais dos Reis Magos.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha.
Feitos, pois, os devidos descontos no apócrifo, lemos nele que Set, terceiro filho de Adão, transmitiu uma profecia, talvez recebida de seu pai, de que uma estrela apareceria para sinalizar o nascimento de Deus encarnado num homem.

Prêmio a uma fidelidade de séculos

Gerações de Magos teriam aguardado durante milênios até a estrela aparecer, confiantes no aviso de Set.

Mistérios da fidelidade! Milênios aguardando, gerações morrendo na esperança e transmitindo aos filhos o anúncio de um dia remoto em que o mundo receberia o Salvador!

Segundo o Prof. Landau, o apócrifo diz que a estrela no fim “transformou-se num pequeno ser luminoso de forma humana que foi Cristo, na gruta de Belém”.

A afirmação não é procedente se a interpretarmos ao pé da letra. Mas, levando em conta o estilo altamente poético do Oriente, poderíamos supor que o brilho da estrela de Belém convergiu no Menino Jesus e desapareceu.

E, de fato, depois de encontrar o Menino Deus, os Magos não mais viram a estrela.

Alertados por um anjo, voltaram por outro caminho às suas terras, como ensina o Evangelho de São Mateus, que não mais menciona a estrela no retorno.

Anúncio dos profetas e juízo de Padres e Doutores da Igreja

Adoração dos Magos, Gentile da Fabriano (1370-1427). Galleria degli Uffizi, Florença
Adoração dos Magos, Gentile da Fabriano (1370-1427). Galleria degli Uffizi, Florença
A festa da adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus recebeu o nome de Epifania do Senhor. Epifania vem do grego: πιφάνεια que significa “aparição; fenômeno miraculoso”.

A festa se comemora no dia 6 de janeiro, ou seja, doze dias após o Natal, ou 2 domingos após o Natal, dependendo do calendário litúrgico usado.

“Andaram as gentes na tua luz e os reis no esplendor do teu nascimento”, profetizou Isaías (Is 60, 3).

E São Tomás de Aquino explica: ‘Os Magos foram as primícias dos gentios que acreditaram em Cristo. E neles se manifestou, como um presságio, a fé e a devoção das gentes que vieram a Cristo das mais remotas regiões’.

Santo Agostinho sublinha que eles procuraram com fé mais ardente Àquele que punham de manifesto o clarão da estrela e a autoridade das profecias.

São João Crisóstomo completa dizendo: “porque buscavam um Rei celeste, embora nada descobrissem nele denotador da excelência real, contudo, satisfeitos só com o testemunho da estrela, adoraram-no”.

Veja também: Dado essencial: houve o fenômeno astronômico denominado “estrela de Belém”

Astrônomo defende com computador a existência da estrela de Belém


segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Astrofísica ateia se rende à Verdade:
Jesus Cristo é a chave do Universo

Na reflexão e na dor Sarah Salviander compreendeu o absurdo da Ciência descolada da Religião
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









A Dra. Sarah Salviander, pesquisadora do Departamento de Astronomia da Universidade do Texas e professora de Astrofísica na Universidade Southwestern descreveu sua maravilhosa história da conversão a Cristo.

A conversão começou com os seus estudos científicos e culminou com a morte de sua filha, segundo informou a agência Aleteia.

“Eu nasci nos Estados Unidos e fui criada no Canadá, contou ela. Meus pais eram ateus, embora preferissem se definir como ‘agnósticos’. Eles eram carinhosos e mantinham uma ótima conduta moral, mas a religião não teve papel nenhum na minha infância".

“O Canadá já era um país pós-cristão, acrescentou. Olhando em retrospectiva, é incrível que, nos primeiros 25 anos da minha vida, eu só conheci três pessoas que se identificaram como cristãs.

“A minha visão do cristianismo era intensamente negativa. Hoje, olhando para trás, eu percebo que foi uma absorção inconsciente dessa hostilidade geral que existe no Canadá e na Europa em relação ao cristianismo.

“Eu não sabia nada do cristianismo, mas achava que ele tornava as pessoas fracas e tolas, filosoficamente banais".

Quanto tinha por volta de 25 anos, Sarah abraçou a filosofia racionalista de Ayn Rand.

“Entrei no curso de Física da Eastern Oregon University e percebi logo a secura e a esterilidade do objetivismo racionalista, incapaz de responder às grandes questões:

“Qual é o propósito da vida?

“De onde foi que viemos?

“Por que estamos aqui?

“O que acontece quando morremos?

“Eu notei também que esse racionalismo sofria de uma incoerência interna: toda a sua atenção se volta para a verdade objetiva, mas sem apresentar uma fonte para a verdade.

“E, embora se dissessem focados em desfrutar a vida, os objetivistas racionalistas não pareciam sentir alegria alguma. Pelo contrário: estavam ferozmente preocupados em se manter independentes de qualquer pressão externa".

“Comecei a perceber uma ordem subjacente ao universo.
ia despertando em mim o que diz o Salmo 19:
‘Os céus proclamam a glória de Deus;
o firmamento anuncia a obra das suas mãos’".
Cristo Rei, vitral da igreja de Ss Felipe e Tiago, Oxford
Fundo: Nuvem de Magalhães, Hubble Space Laboratory
A atenção da jovem estudante se voltou completamente ao estudo da física e da matemática.

“Entrei nos clubes universitários, comecei a fazer amigos, e, pela primeira vez na minha vida, conheci cristãos.

“Eles não eram como os racionalistas: eram alegres, felizes e inteligentes, muito inteligentes. Fiquei de boca aberta ao descobrir que os meus professores de física, a quem eu admirava muito, eram cristãos.

“O exemplo pessoal deles começou a me influenciar e eu me via cada vez menos hostil ao cristianismo.

“No verão, depois do meu segundo ano, participei de um estágio de pesquisa na Universidade da Califórnia, num grupo do Centro de Astrofísica e Ciências Espaciais que estudava as evidências do Big Bang.

“Era incrível procurar a resposta para a pergunta sobre o nascimento do Universo. Aquilo me fez pensar na observação de Einstein de que a coisa mais incompreensível a respeito do mundo é que o mundo é compreensível.

“Foi aí que eu comecei a perceber uma ordem subjacente ao universo. Sem saber, ia despertando em mim o que Salmo 19 diz com tanta clareza: ‘Os céus proclamam a glória de Deus; o firmamento anuncia a obra das suas mãos’".

“Comecei a perceber que o conceito de Deus e da religião não eram tão filosoficamente banais como eu pensava que fossem.

“Durante o meu último ano, conheci um estudante finlandês de ciências da computação. Um homem de força, honra e profunda integridade, que, assim como eu, tinha crescido como ateu num país laico, mas que acabou abraçando Jesus Cristo como o seu Salvador pessoal, aos 20 anos de idade, graças a uma experiência particular muito intensa. Nós nos apaixonamos e nos casamos.

“De alguma forma, mesmo não sendo religiosa, eu achava reconfortante me casar com um cristão. Terminei a minha formação em física e matemática naquele mesmo ano e, pouco tempo depois, comecei a dar aulas de astrofísica na Universidade do Texas em Austin".

A penúltima etapa da jornada de Sarah foi a descoberta, também casual, de um livro de Gerald Schroeder: “The Science of God” [“A Ciência de Deus”].

“Fiquei intrigada com o título e alguma coisa me levou a lê-lo, talvez o anseio por uma conexão mais profunda com Deus. Tudo o que sei é que aquilo que eu li mudou a minha vida para sempre.

“O Dr. Schroeder é físico do MIT e teólogo. Eu notei então que, incrivelmente, por trás da linguagem metafórica, a Bíblia e a ciência estão em completo acordo.

“Também li os Evangelhos e achei a pessoa de Jesus Cristo extremamente convincente; me senti como quando Einstein disse que ficou ‘fascinado com a figura luminosa do Nazareno’.

“Mesmo com tudo isso, apesar de reconhecer a verdade e de estar intelectualmente segura quanto a ela, eu ainda não estava convencida de coração".

A mudança decisiva de Sarah para o cristianismo aconteceu há apenas dois anos, depois de um acontecimento dramático:

“Eu fui diagnosticada com câncer. Não muito tempo depois, meu marido teve meningite e encefalite; ele se curou, felizmente, mas levou certo tempo.

“A nossa filhinha Ellinor tinha cerca de seis meses quando descobrimos que ela sofria de trissomia 18, uma anomalia cromossômica fatal. Ellinor morreu pouco depois. Foi a perda mais devastadora da nossa vida.

“Eu caí nas mãos do desespero até que tive, lucidamente, uma visão da nossa filha nos braços amorosos do Pai celestial: foi só então que eu encontrei a paz.

“Depois de todas essas provações, o meu marido e eu não só ficamos ainda mais unidos, como também mais próximos de Deus. A minha fé já era real. Eu não sei como teria passado por essas provações se tivesse continuado ateia.

“Quando você tem 20 anos, boa saúde e a família por perto, você se sente imortal. Mas chega um momento em que a sensação de imortalidade evapora e você se vê forçada a enfrentar a inevitabilidade da própria morte e da morte das pessoas mais queridas”.

“Eu amo a minha carreira de astrofísica. Não consigo pensar em nada melhor do que estudar o funcionamento do universo e me dou conta, agora, de que a atração que eu sempre senti pelo espaço não era nada mais do que um intenso desejo de me conectar com Deus.

“Eu nunca vou me esquecer de um estudante que, pouco tempo depois da minha conversão, me perguntou se era possível ser cientista e acreditar em Deus. Eu disse que sim, claro que sim. Vi que ele ficou visivelmente aliviado. Ele me contou que outro professor tinha respondido que não.

“Eu me perguntei quantos outros jovens estavam diante de questões semelhantes e decidi, naquela hora, que iria ajudar os que estivessem lutando com esses questionamentos.

“Eu sei que vai ser uma jornada difícil, mas o significado do sacrifício de Jesus não deixa dúvidas quanto ao que eu tenho que fazer”.

O caso de Sarah é mais um exemplo de que a pretensa oposição entre a Ciência e a Religião não corresponde à realidade profunda das coisas.

Se essa oposição existiu e ainda existe é por causa de fatores extrínsecos à própria Ciência, e obviamente à Religião. A Igreja Católica foi a grande promotora das ciências sistematicamente organizadas já nos inícios da Idade Média e nos séculos posteriores.

A oposição foi induzida por fatores extrínsecos à Ciência, notadamente pela explosão de orgulho e sensualidade no fim da era medieval, e sua derivação doutrinária expressa em filosofias igualitárias, visceralmente cristofóbicas.


segunda-feira, 27 de setembro de 2021

O “computador de Arquimedes”:
lição para a ufania da modernidade

Computador de Arquimedes réplica científica do século XX
Computador de Arquimedes: réplica científica do século XX
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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No ano de 1900, um mergulhador resgatou do fundo do Mediterrâneo um aparelho estranho que se encontrava entre muitas obras de arte gregas dos séculos I e II antes de Cristo.

O achado ocorreu na Ilha de Anticitera, na Grécia, tendo sido feito por um simples coletor de esponjas marítimas de nome Elias Stadiatos.

Ele desceu sem equipamento algum, como era costume, e voltou dizendo que tinha encontrado corpos desfeitos, cabeças e braços arrancados, cavalos mutilados.

Julgando-o tonto devido à falta de oxigênio, ou até bêbado, o capitão Dimitrios Kondos desceu até o local.

E voltou dizendo que Elias não só não estava errado, mas que havia muito mais coisas: lançadores de discos, efebos de mármore, estátuas de bronze e ânforas de cerâmica.

Certamente era um tesouro transportado outrora por um navio cujos restos desfeitos ainda podiam ser identificados.

Tratava-se na verdade de um dos mais importantes naufrágios da História. Era um navio que levava um tesouro com joias e esculturas que hoje estão nos museus.

Após estudarem as moedas que faziam parte do tesouro, os arqueólogos calcularam que o navio afundou entre os anos 85 e 60 a. C.

Ele foi um dos maiores da época e não se sabe bem por que naufragou. Talvez devido a uma tempestade, ou por sobrecarga de riquezas.

Reconhecida a riquíssima carga, constatou-se ser o botim de guerra que o cônsul romano Lúcio Cornélio Sila havia amealhado dos atenienses na Primeira Guerra Mitridática (88 a.C. – 84 a.C.).

Naquela guerra, que opôs Roma ao famoso Mitrídates VI, rei do Ponto, Sila invadiu a Grécia e saqueou Atenas, que era aliada de Mitrídates.

O botim provavelmente devia ser exibido num desfile triunfal do imperador Júlio César, mas o mar resolveu ficar com ele.

As obras de arte, ânforas e outros objetos resgatados foram para o Museu Arqueológico Nacional de Atenas.

Uma peça, entretanto, era sumamente intrigante.

Computador de Arquimedes: a peça principal foi a primeira achada
Computador de Arquimedes: a peça principal foi a primeira achada
Havia sido catalogada como “item 15.087” e, contrariamente ao resto do tesouro, não se sabia ao certo para que servia. Mas devia ser muito valiosa para estar entre tantos artefatos seletos.

O diretor do Museu de Atenas, Valerios Stais, analisou cuidadosamente aquilo que parecia ser uma máquina.

Pois se tratava de uma peça de bronze calcificado e corroído pela água que exibia incrustados restos de engrenagens.

Novas expedições juntaram fragmentos desse objeto: 82 no total.

Ele deve ter tido 30 centímetros de altura por 15 de largura, e estava composto de várias rodas dentadas superpostas, onde estavam gravados 3.000 caracteres. O todo ficava protegido por uma caixa de madeira.

Acreditava-se que os níveis de precisão e miniaturização do engenho só haviam aparecido cerca de 1.400 anos depois, como nos relógios astronômicos das catedrais, capazes de reproduzir o movimento dos planetas, do Sol e da Lua, e predizer suas fases.

Os investigadores discutiram durante anos o que seria aquela peça. Só concordaram em que era um aparelho pequeno, leve e portátil.

À procura de uma pista, os arqueólogos recorreram às bibliotecas. E identificaram alusões inquietantes, que acabaram sendo esclarecedoras.

Encontraram que Arquimedes (287 a.C. – 212 a.C.), o maior matemático e inventor da Antiguidade, escrevera um manual com o título: Sobre a construção de máquinas de astronomia.

Também o filósofo e político Marco Túlio Cícero (106 a.C. – 43 a.C.), em seu tratado De republica, descreve engenhos que podiam calcular os eclipses em função de outros movimentos dos astros.

Ele também menciona que no ano 212 a. C., o cônsul romano Marco Claudio Marcelo (268 a.C. – 208 a.C.) conquistou Siracusa (Sicília). E dali trouxe um objeto fascinante feito por Arquimedes.

Documentário do History Channel:




Tudo apontava na direção do “item 15.087”, que os cientistas começaram a chamar de “mecanismo de Anticitera”, local da descoberta, e parecia ter relação com o aparelho roubado em Siracusa. Ele talvez fosse uma versão mais aperfeiçoada do invento de Arquimedes.

De 1951 até 1983, o físico inglês Derek de Solla Price tirou muitas radiografias das peças enferrujadas e reconstituiu o mecanismo.

Segundo ele, o modelo mostrava a posição do Sol e da Lua no zodíaco e apontava as datas para as colheitas.

A descoberta de Solla Price foi ouvida com desconfiança: parecia algo moderno demais, até desprestigiante para a ciência da computação moderna.

Mas Michael Wright, especialista em engenharia mecânica do Museu da Ciência de Londres, obteve tomografias irrefutáveis com tecnologia 3D.

O mecanismo reproduzia com exatidão os movimentos do céu, as fases lunares, e apontava as festividades religiosas.

Wright construiu uma nova réplica usando as mesmas ferramentas dos gregos, e demonstrou que se tratava de um computador mecânico.

“Tu introduzes uma série de dados e ele te devolve outros relacionados”, explicou num documentário do History Channel.

Computador de Arquimedes (réplica): muitas de suas funcionalidades ainda não foram descobertas
Computador de Arquimedes (réplica): muitas de suas funcionalidades ainda não foram descobertas
Eis a surpresa: os antigos antes de Cristo já tinham concebido e construído o primeiro computador da História.

O consenso científico hodierno concorda em que o “mecanismo de Anticitera” ou “computador de Arquimedes” era um planetário portátil que era movido com uma manivela lateral e mostrava a posição presente e futura do Sol, da Lua e dos cinco planetas então conhecidos: Marte, Júpiter, Vênus, Saturno e Mercúrio.

Tinha detalhes extremamente refinados: a agulha da Lua acelerava e desacelerava ritmicamente, copiando a órbita real.

Outra agulha lembrava ao usuário que este devia fazer retroceder um dia em cada 76 anos, o hiper-preciso calendário.

No início do III milênio o “computador de Arquimedes” ainda continha segredos a revelar.

Um consórcio de astrônomos e historiadores liderados pelo matemático inglês Tony Freeth lançou o Antikythera Mechanism Research Project.

Um fabricante de tomógrafos aceitou criar um com potência suficiente para penetrar em todos os níveis do equipamento enferrujado retirado do fundo do mar.

Não foi pouca coisa. Pois o singular tomógrafo pesa oito toneladas e foi levado em caminhão de Londres até Atenas.

O esforço foi bem compensado: o tomógrafo produziu uma série de imagens em alta resolução e em 3D.

O mecanismo ainda conservava 27 engrenagens, talvez a metade dos originais, concentrados em sete centímetros.

“Foi como ver um mundo novo”, comenta Freeth no documentário The 2000 year-old computer (“O computador de dois mil anos”) documentário especial da BBC.

Com base nas tomografias e técnicas especiais para detectar antigos traços de pintura, Feeh identificou as letras gregas que a corrosão do mar havia apagado.


Documentário da BBC:



As letras formavam frases: “a cor é negra”, “a cor é vermelho-sangue”. Isso confirmava que o aparelho também predizia eclipses solares e lunares.

Freeth também verificou que uma espécie de relógio embutido anunciava a data dos jogos pan-helênicos, que incluíam gladiadores.

O relógio dava maior destaque aos Jogos Ístmicos, celebrados em Corinto. Os investigadores descobriram também que o calendário concordava com o da colônia grega de Siracusa.

Então, a mão inspiradora ou inventora de Arquimedes tornou-se ainda mais patente.

Desde 2008, outra equipe, sustentada pela Universidade Puget Sound de Tacoma e pela Fundação Fulbright, e liderada pelos cientistas James Evans e Christián Carman, descobriu que a escala do zodíaco não estava dividida em partes iguais.

A agulha que representava o Sol demorava mais em algumas das zonas, acelerava e desacelerava acompanhando o ritmo da Lua.

As reconstituições tentam compreender como e para o que pode ter sido feito na Antiguidade um mecanismo que se acreditava exclusivo da Era Contemporânea
As reconstituições tentam compreender como e para o que
pode ter sido feito na Antiguidade
um mecanismo que se acreditava exclusivo da Era Contemporânea
Procura-se saber o uso que lhe era dado.

“O mais provável é que fosse uma espécie de computador. Se queres saber quando será o próximo eclipse, bastava girar a manivela até sair a predição. Se queres saber onde estava Marte no dia em que nasceste, basta girar o calendário até o dia de teu nascimento e ficarás sabendo”, disse Christián ao jornal “Clarin” de Buenos Aires. 

Christián estudou as imagens gravadas na face posterior do mecanismo e descobriu os eclipses ordenados num ciclo que se repetia a cada 47 meses.

Tratava-se só dos eclipses no hemisfério norte, o único que os gregos podiam observar.

Os cientistas queriam saber a data em que foi feito o “computador de Arquimedes”.

Por sua parte, os epigrafistas, ou especialistas em inscrições antigas, dataram as inscrições entre o ano 250 a.C. e o 50 a.C., um espectro de tempo assaz grande que incluía dez eclipses.

Com base nos estudos de Alexander Jones, que estabeleceram a velocidade lunar de alguns eclipses, Christián descartou nove dos dez possíveis.

Só uma hipótese ficou de pé: o primeiro eclipse do mecanismo aconteceu no dia 25 de junho de 205 a. C., às 15.35, hora local de Atenas.

Portanto, o calendário de Anticitera começou a funcionar em agosto ou setembro do ano 216 antes de Cristo, quando Arquimedes ainda estava vivo.

Apesar da precisão deste dado, ainda há outras variáveis para serem decifradas, sugeridas por engrenagens cuja finalidade ainda não foi identificada.

Christián observou o fascínio que produz um instrumento que passou 2.000 anos no fundo do mar.

De fato, o reaparecimento do engenho aponta que muitas coisas de que a modernidade se ufana foram, na realidade, inventadas há milênios, sem dinheiro nem maquinarias complicadas, mas apenas contemplando com sabedoria natural a ordem posta por Deus no Universo criado.

Documentário do governo grego:



segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Satélite procura-planetas: só na Terra há vida inteligente. As “inteligências extraterrestres” ou são angêlicas, ou... diabólicas

Dados do satélite "caçador de planetas" Kepler afastam certeza de vida ET
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs






Segundo John Rehling, cientista de computação no Dartmouth College e na Universidade de Indiana e que já trabalhou para a NASA, ainda estamos bem longe de encontrar um planeta gêmeo da Terra.

A afirmação soou como “desanimadora” para aqueles que não gostam da ideia da centralidade do ser humano e de sua natureza por assim dizer monárquica e exclusiva dentro da ordem do universo, feito a imagem e semelhança de Deus.

Esta antipatia subjaz em muitas pesquisas à procura de vida extra-terrestre – ou ET. Procura que de momento só pôde exibir números mais ou menos hipotéticos sobre planetas que eventualmente reuniriam condições análogas às da Terra para poderem albergar alguma forma de vida.

Agora, com base nos dados do satélite caçador de planetas Kepler, o Prof. Rehling explicou que das 156 mil estrelas que o Kepler monitora em busca de planetas, apenas 27 podem estar orbitando um planeta que possa ser comparado legitimamente à Terra, em termos de tamanho e órbita.

O que significa dizer que será preciso muita sorte para que algum deles seja bem identificado, de muito mais sorte ainda para nele haver vida, e de muitíssimo mais sorte para existir vida inteligente!

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Dado essencial: houve o fenômeno astronômico da “estrela de Belém”

O astrônomo e matemático alemão Johannes Kepler (1571 — 1630)
também propendeu para a hipótese de uma conjunção estelar única.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No post anterior referimos a tese do astrônomo Mark Thompson, da Royal Astronomical Society de Londres e apresentador científico da BBC, noticiada por "The Telegraph".

Veja: Astrônomo defende com computador a existência da estrela de Belém

Cabe ponderar que essa tese não é a única nos meios científicos.

Há anos, Werner Keller, num livro muito divulgado e que é digno de uma atualização com as novas descobertas científicas (Werner Keller, “E a Bíblia tinha razão”) recolhe afirmações avalizadas de cientistas de fama universal.

Pouco antes do Natal, no dia 17 de dezembro de 1603, o famoso matemático imperial e astrônomo da corte, Johannes Kepler (ao lado), estava em Praga observando, com seu modesto telescópio, a “conjunção” de Saturno e Júpiter na constelação de Peixes.

Kepler lembrou que segundo o rabino Abarbanel (1437-1508) para os astrólogos judeus o Messias viria por ocasião de uma conjunção de Saturno e Júpiter na constelação dos Peixes.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Como o Papa Gregório XIII elucidou e corrigiu o erro do calendário

O Papa Gregório XIII implantou o calendário na sua forma atual
O Papa Gregório XIII implantou o calendário na sua forma atual
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Há mais de 430 anos que o mundo se rege pelo calendário “gregoriano”, uma das maiores conquista da civilização.

O nome de “gregoriano” vem do Papa Gregório XIII, que no século foi o príncipe italiano Ugo Buoncompagni, eleito como o 225º Papa da Igreja.

Gregório XIII decidiu adotar o novo calendário para substituir o antigo, conhecido como “Juliano”, que se utilizava desde o ano 46 a.C., tempos do imperador romano Júlio César.

Foi um contributo, e não dos menores, da Igreja Católica para a boa ordem da sociedade e das atividades humanas.

Também para a ciência, pois todo fenômeno científico se mede no tempo e no espaço.

Se a regra de medição do tempo falhar, os resultados ficam incertos e o conhecimento não pode progredir sobre eles.

O Calendário Juliano era muito inexato e acumulava uma severa distorção.

Nós estamos acostumados à ordem plácida e imperturbável do calendário gregoriano.

Torre dei Venti. No fundo: cúpula da Basilica de São Pedro.
Torre dei Venti. No fundo: cúpula da Basilica de São Pedro.
E não fazemos ideia da confusão em que vivem os povos que se regem por outros sistemas, em geral inexatos e por vezes esdrúxulos.

A decisão da Igreja não foi arbitrária, mas fruto de consciencioso e demorado estudo.

Para atingir o objetivo visado, o Papa Gregório XIII mandou construir uma torre de 73 metros de altura, na qual se realizaram os testes e as medições definitivas.

Essa torre, a mais alta do Vaticano, só superada pela cúpula da Basílica de São Pedro, é conhecida como Torre dos Ventos e está situada muito perto da capela Sistina.

Na Sala do Meridiano dessa torre realizaram-se as experiências astronômicas. Embora fechada ao público, a sala foi aberta para uma reportagem do diário madrilense “El Mundo” e alguns outros jornalistas.

No chão da sala encontra-se a linha meridiana horizontal traçada pelo frade dominicano Pe. Ignazio Danti OP, matemático e astrônomo, cosmógrafo pontifício e membro da comissão para a reforma do Calendário Juliano, presidida pelo cardeal Sirleto.

O Pe. Danti fez um pequeno furo na parede sul da sala, a cinco metros de altura.

Torre dei Venti: experimento chave: o raio de sol deve bater exatamente no meridiano
Experimento chave: o raio de sol deve bater exatamente no meridiano
Por aquele orifício, ao meio-dia entra um raio de sol. A Torre está decorada com magníficos afrescos de Nicolò Circignani (1520-1597), apelidado Pomarancio, representando episódios bíblicos relacionados com os ventos.

E o orifício foi feito para coincidir com a boca de um anjo que sopra.

Por sua vez, o anjo faz parte de um afresco que pinta Nosso Senhor Jesus Cristo na nau de Pedro agitada pela tempestade, no Mar da Galileia.

Gregório XIII subiu à Torre dos Ventos em 21 de março de 1581, dia do Equinócio de primavera, segundo o Calendário Juliano então em vigor.

Mas o raio de sol que filtrava pela boca do anjo não atingiu o meridiano no chão. Ele apresentou um erro de 60 centímetros.

Isso significava que, quando o Calendário Juliano dizia ser 21 de março, equinócio de primavera, na realidade não era. Ficou provado que havia discrepância entre o calendário em vigor, feito pelos homens, e o calendário astronômico ditado pelos astros. O equinócio de primavera acontecera dez dias antes.

O Papa não hesitou. Em 24 de fevereiro de 1582 promulgou a bula 'Inter Gravissimas', dispondo que o cômputo oficial daria um pulo, e que o dia 4 de outubro de 1582 passaria a ser 15 de outubro do mesmo ano.

Além do mais, estabeleceu que os anos terminados em 00 só serão bissextos se forem múltiplos de 400. Assim, 1700, 1800 e 1900 não foram anos bissextos, mas 2000 foi.

Torre dei Venti: no canto superior direito: o orifício por onde entra a luz
No canto superior direito: o orifício por onde entra a luz.
Nicolò Circignani (1520-1597) 'Pomarancio', na Torre dei Venti, Vaticano
O novo calendário entrou imediatamente em vigor na Itália, França, Espanha, Portugal, Polônia, Luxemburgo e outros países católicos.

Hoje ele é adotado pela quase totalidade dos países do mundo.

Mas os cismas – autodenominados igrejas ortodoxas – da Rússia, Servia e Jerusalém continuam se guiando pelo velho Calendário Juliano.

Por isso eles celebram 13 dias depois do resto do mundo festividades religiosas fundamentais como o Natal, comemorando-o não em 25 de dezembro, mas em 7 de janeiro. E a disparidade tende a crescer.

Essa singularidade, fruto da desobediência a Roma, faz também com que os cismáticos deixem de acompanhar os ritmos da natureza.

Mas desligar-se da natureza parece pouca coisa se comparado com o rompimento com o Vigário de Cristo, que é o máximo mal.

Os muçulmanos adotaram um calendário lunar que é fonte de inúmeras disputas entre eles, não se pondo de acordo nem para as grandes festas do Alcorão como o Ramadã.



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Os nomes do Zodíaco: indício da união inicial dos homens
e de sua posterior dispersão?

Zodíaco
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Pe. Théoophile Moreux como astrônomo tinha paixão pelo Céu e pela história da própria astronomia. Esse interesse o pôs diante de realidades surpreendente.

É dado certo que os documentos mais remotos sobre o Zodíaco são caldeus. O Zodíaco é o conjunto de constelações cortadas pelo caminho aparente percorrido pelo Sol durante o ano.

Está composto de 13 constelações ‒ a 13ª foi acrescentada em 1930 pela União Astronômica Internacional.

Elas evocam, com esta ou aquela dose de imaginação, certas figuras de onde tiram o nome. Estes nomes apareceram 3.000 anos antes de Cristo.

Mas, o estudo das constelações mostra que há uma posição terrestre para vê-las de modo que coincidam com o nome. Esse estudo conduz a um local de observação bastante aproximado.

Não é nem a Índia, nem o Egito, mas a Ásia Menor, mais provavelmente a Armênia. Os armênios teriam dado esses nomes às formações estelares com maior ou menor fantasia.

Zodíaco chinês, dinastia Sui (581-618 d.C.), Museu Guimet (Paris)
Agora bem, acontece que os mesmos nomes aparecem em civilizações existentes em locais onde as estrelas não formam as figuras que os nomes indicam.

Os nomes são basicamente os mesmos, mas os arranjos estelares vistos desde diferentes latitudes e continentes positivamente não são os mesmos.

Exemplo típico são os índios da América: quando os primeiros europeus chegaram ao continente verificaram, não sem pasmo, que eles dividiam o céu com mais ou menos os mesmos nomes que os caldeus.

Porém, olhando as estrelas desde as Américas, os nomes pouco têm a ver com o que se observa.

Deste fato tiram-se várias conclusões elencadas pelo Pe. Moreux.

A primeira é que as tradições astronômicas de civilizações muito diferentes devem remontar a um tempo em que os homens todos estavam reunidos e partilhavam os mesmos conceitos e observações.

Aquele mundo possuía uma ciência aprofundada.

Zodíaco no relógio astronômico da catedral de Lyon.
Em segundo lugar, que naquele mundo anterior unido houve uma ruptura brusca. Como resultado, os homens perderam contato uns com os outros.

Em terceiro lugar, os povos dispersos conservaram nomes e tradições científicas. Porém, depois da separação decaíram. Aceitaram incongruências.

No fim, esqueceram o valor astronômico do Zodíaco – que, entretanto, continua muito válido – e sob seu nome instalou-se a superstição astrológica.


A tradição do Paraíso, do pecado original e do dilúvio

Essas conclusões apontam para um fato consignado, sob diferentes formas, nas culturas mais longínquas: a catástrofe representada pelo dilúvio de que fala a Bíblia.
“A geologia nos ensina que o homem vivia na Terra muito antes das civilizações egípcia e caldeia (...)

“As primeiras épocas da humanidade não teriam sido separadas dos períodos históricos seguintes por um grande cataclismo, como se teria produzido no próprio período quaternário?” pergunta o sacerdote-astrônomo.
Noé na Arca. Aegidius de Roya, "Compendium historiae universalis",
Den Haag, manuscrito MMW, 10 A 21
A apresentação do problema nos aproxima da questão do Dilúvio.

Na dispersão as tradições científicas passaram para os Assírios e Caldeus. Só estes as conservaram por escrito. Dos Caldeus passou para Medos, Persas, Hindus, Egípcios e Gregos. Por meio destes vieram até nós.

A difusão foi o suficientemente grande para chegar até as Américas séculos antes do desembarco dos evangelizadores.
“Existiu, portanto, uma emigração que partiu da Ásia numa época relativamente pouco afastada da era cristã”, explica o cientista.
Ele escreve: “Se, como nós acreditamos, a origem da humanidade é única — coisa cada vez mais confirmada pela ciência — certos ensinamentos religiosos, assim como os fatos históricos relativos a nosso passado remoto, puderam se transmitir de geração em geração; muitos deles perderam-se no caminho do êxodo dos povos, e evidentemente deformaram-se no curso dos séculos; da mesma maneira que as línguas irmãs cujas raízes ficaram como prova garantida de uma origem comum.

Criação do Mundo e expulsão do Paraíso, Giovanni di Paolo
Criação do Mundo e expulsão do Paraíso. Giovanni di Paolo (1403 — 1482),
Metropolitam Museum of Art, New York City.
“As noções semelhantes que se encontram em várias religiões não podem, pois, serem apontadas como sinal de relação entre umas e outras, mas apenas como indícios de uma origem comum em tempos os mais afastados.”
Todas as religiões da Antiguidade estavam certas de serem mais perfeitas quanto mais se ligavam ao passado.

Agora bem, no fim os caldeus e egípcios acabaram adorando toda espécie de animais.

Porém, quanto mais antigos são os seus documentos menos se mostram politeístas. 

Por exemplo, as pirâmides egípcias da III e IV dinastias falam de um deus único.

A moral do Livro dos mortos, obra da alta antiguidade egípcia, é muito elevada. A sua teodiceia é muito mais pura que as seguintes.

As invocações que a alma deve fazer ao Juiz celeste são um exemplo:

“Louvado seja, Deus grande, Senhor da Verdade e da Justiça! Eu venho até Ti, ó meu Mestre, eu me apresento diante de Ti para contemplar tuas perfeições”.

Prisse papyrus, Biblioteca Nacional de França, Paris
Papyrus Prisse, o livro mais antigo do mundo.
Biblioteca Nacional da França, Paris
O mais velho livro conhecido do mundo — o Papyrus Prisse — fala de um personagem em quem não é muito difícil reconhecer o Adão das Escrituras, embora algum tanto deformado e apresentado com pai de todos os deuses e de todos os homens.

A história do pecado original aparece deformada pelos pagãos na Índia e na Grécia.

A “mulher com a serpente” (a tentação de Eva) aparece nos mais velhos monumentos mexicanos.

Os egípcios falavam do Dragão celeste (Satanás), da árvore da vida (do Paraíso). Os assírios e babilônios foram os que mais pintaram a árvore sagrada.

Tradições análogas se encontram entre os persas, iranianos, sabinos, etc.

Moisés com as tábuas da Lei. Rembrandt.
A tradição universal por excelência, sublinha o sacerdote-astrônomo, é a do Dilúvio.

Ela tem sido encontrada até nas Ilhas Fiji.

Por sinal, o signo zodiacal Aquário se refere à onda vingadora e ao rei do abismo.

No tempo de Abraão, os caldeus já tinham deformado a história.

De acordo com suas inscrições, pode se afirmar que 3.000 anos a. C. eles ainda mantinham a tradição do Dilúvio degenerada e amalgamada com mitos astrológicos de feitio humano.

Tudo indica que Moisés recolheu uma tradição antes de tudo oral, fielmente transmitida pelos patriarcas.

Dos povos da Antiguidade só os hebreus conservaram o culto verdadeiro a Deus até a chegada do Messias, Nosso Senhor Jesus Cristo em que se realizou a plenitude da Lei.




segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Astrônomo defende com computador
a existência da estrela de Belém

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O astrônomo Mark Thompson, membro da Royal Astronomical Society de Londres e apresentador de astronomia no The One Show da BBC, realizou um estudo científico que explicaria a natureza da estrela que conduziu os Reis Magos até Belém, confirmando a narração do Evangelho de São Mateus.

Usando registros históricos e simulações de computador que permitem mapear a posição das estrelas e dos planetas em torno da data em que Jesus nasceu, Thompson defende que nessa época houve um evento astronômico incomum.

Segundo ele, entre setembro do ano 3 a.C. e maio do ano 2 d.C. houve três “conjunções” onde o planeta Júpiter e a estrela Regulus passaram perto um do outro no céu da noite estrelada.

A estrela Regulus ‒ literalmente “pequeno rei” ‒ está no plano dos planetas e não raro ela aparece próximo a um dos planetas.

1ª) Júpiter cruzou com Regulus por vez primeira seguindo seu movimento habitual rumo ao leste.

2ª) Depois apareceu revertendo o caminho e cruzou a estrela novamente, desta vez em direção oeste.

3ª) Por fim, mudando de direção mais uma vez, retomou sua direção normal rumo ao leste e cruzou com a estrela pela terceira vez.

Thompson, que apresentou na BBC o programa de astronomia Stargazing Live junto com o Professor Brian Cox, disse:

“Curiosamente no mundo da astrologia antiga, Júpiter é considerado o rei dos planetas e Regulus, que é a estrela mais brilhante da constelação de Leão, é considerada a rainha das estrelas.”

“Os três Reis Magos, acrescentou, eram considerados por alguns como sacerdotes zoroastristas, que eram astrônomos de renome na época, e quando o rei dos planetas passou tão perto da rainha das estrelas e em três ocasiões, devem ter julgado que era um fato muito significativo interpretável como o nascimento de um novo rei”.

Numerosas teorias de astrônomos do passado tentaram apresentar como explicação científica da estrela de Belém um cometa, uma supernova ‒ quando uma estrela explode e produz enormes quantidades de luz ‒ ou até um planeta.

Thompson disse que ele considerou “todas essas possibilidades” antes de chegar à sua conclusão.


As três conjunções de Júpiter e Regulus, tiveram lugar em 14 de setembro do ano 3 a.C., em 17 de Fevereiro e em 8 de maio do ano 2 d.C. Elas foram causadas pelo fenômeno astronômico chamado de movimento retrógrado aparente, em que um planeta parece que para na noite sua marcha normal rumo ao leste e ruma para o oeste, por um período de várias semanas.

Isso acontece porque os planetas exteriores do nosso sistema solar orbitam em volta do Sol a uma velocidade mais lenta que a Terra, e por isso nosso planeta, ocasionalmente os ultrapassa.

“O movimento retrógrado [no caso estudado] deu a impressão que Júpiter estava se movendo em direção oeste do céu e por isso os [Três Reis Magos] puderam segui-lo a partir da Pérsia”, explicou Thompson.

“Uma viagem de camelo até Israel teria levado cerca de três meses. Curiosamente, este é aproximadamente o mesmo tempo em que Júpiter parecia estar viajando na direção oeste”, disse

E concluiu: “Não cabe a mim dizer se realmente a Bíblia está certa ou errada, eu estou apresentando o mapa dos fatos que estão diante de mim”.

De fato, é esse o papel da ciência dentro de seus limites. E é natural concluir que confirma de modo sugestivo o relato evangélico.

O astrônomo inglês chegou a essas conclusões utilizando tecnologias computacionais avançadas e o saber acumulado pela ciência ao longo dos séculos.

Sua teoria, entretanto, não é inteiramente nova. Ela concorda com as apresentadas por outras autoridades da astronomia em épocas diversas.

Esta concordância reforça a teoria de Thompson.

De fato, a estrela de Belém sempre intrigou filósofos, teólogos e cientistas. E a ideia que a famosa estrela tinha sido resultante de uma conjunção de astros de primeira magnitude já foi defendida por respeitadas autoridades da astronomia.

Veja também: Dado essencial: houve o fenômeno astronômico denominado “estrela de Belém”

Quem foram os Reis Magos?