segunda-feira, 31 de maio de 2010

Descobertas da botânica no Santo Sudário

Catedral de Turim durante exposição do Santo Sudario, 2010
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Vem de se concluir a veneração extraordinária do Santo Sudário de Turim.

Mais de dois milhões de pessoas inscreveram-se para poder ver mais de perto a comovedora e augusta relíquia do Redentor.

Um número dificilmente calculável foi venerá-la desde a nave central da catedral de Turim, inteiramente aberta aos fiéis.

A ocasião deu azo para cientistas e estudiosos divulgarem novos trabalhos sobre o sudário que envolveu o corpo de Cristo crucificado.

Entre eles, escreveu “L’Osservatore Romano”, figura o Professor Avinoam Danin, catedrático emérito do Departamento de Evolução sistemática e Ecologia da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Seu livro intitula-se “Botânica do Sudário. História das imagens florais no Santo Sudário de Turim (“Botany of the Shroud: The Story of Floral Images on the Shroud of Turin”, Jerusalém, Danin Publishing, 2010, 104 páginas).

Nele, o Prof. Danin sustenta que centenas de imagens de plantas ficaram impressas no tecido. Estas imagens contribuem para determinar onde e quando as flores originais foram postas em contato com o Sudário.

Santo Sudário, Turim, exposição em 2010
Danin explica que acontece algo semelhante quando uma pessoa põe uma flor a secar num livro. A flor, ou a pétala, fica seca e, ao mesmo tempo, uma imagem da mesma fica marcando as folhas do livro.

O professor julga que podem se decifrar as imagens de novas espinhas, pelo geral na cabeça e nas costas, e até uma cana posta ao longo do corpo de Nosso Senhor.

Além do mais, acrescenta o estudioso judeu, podem se identificar por volta de 2.600 frutas espalhadas sobre todo o corpo.

Também são visíveis imagens parciais de uma corda.

O professor começou a investigar o Santo Sudário em 1995, quando observou algumas fotografias ampliadas. Ele reconheceu já no primeiro olhar as imagens de plantas características da região de Jerusalém.

Professor Avinoam Danin
O especialista é famoso pelos seus trabalhos botânicos largamente difundidos, especialmente sobre plantas do Meio Oriente.

Em 44 anos de carreira ele descobriu variedades de plantas não reparadas em Israel, no Sinai e na Jordânia. A sua obra permitiu a criação de um banco de dados com o qual se pôde montar o mapa fitogeográfico de Israel.

Danin, em primeiro lugar, concluiu que ditas imagens de plantas – seja aquelas identificadas no Santo Sudário com diversas técnicas fotográficas, seja aquelas detectadas diretamente sobre o pano da relíquia ‒, são irretorquivelmente verdadeiras e não foram criadas artificiosamente.

Chrysanthemum coronarium,
uma das flores identificadas no Sudário
Entre centenas de imagens de flores, Danin escolheu para análise as mais úteis como indicadores geográficos e aquelas que têm períodos de floração específicos.

Desta maneira, concluiu que “a área compreendida entre Jerusalém e Hebron é onde foram colhidas as três plantas frescas escolhidas como indicadores e que foram postas sobre o Sudário junto ao corpo do homem crucificado”.

Além do mais, sobre a época de floração constatou: “março e abril são os meses do ano em que florescem dez das espécies identificadas no Sudário”. 

Correspondem pois à época da Crucifixão e do enterro de Nosso Senhor.

Danin julga que as espinhas provêm dos espinheiros da espécie Ziziphus spina-christi e Rhamnus lycioides, fato que, para ele, envolve “importantes indicadores históricos”.

Pois todas elas são tidas como as plantas “mais ferozes” em Israel. Sobre tudo as espinhas do segundo tipo já foram “utilizadas pelos agricultores árabes como lâminas para o arado”, esclareceu.

Continua no próximo post

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Evangelho de Judas patenteia iniqüidade da gnose - 2

Caim, Fernand Cormon
continuação do post anterior

O Evangelho de Judas faz compreender o oceano de maldade que contém a heresia gnóstica. Pois somente um tal ódio à Criação pode levar a venerar Caim, assassino de seu irmão Abel, o justo, cujo sacrifício era grato a Deus (Gen. 4, 3-15); a cultuar Esaú — figura bíblica dos réprobos —, que vendeu a primogenitura em favor de Jacó, o abençoado pai das doze tribos de Israel (Gen. 25, 29-34); a se identificar com os habitantes de Sodoma, que Deus reduziu a cinzas devido a seu vício inveterado da homossexualidade (Gen. 19); a venerar Coré que, com Datã e Abiron, revoltou-se contra Moisés, tendo a terra os engolido com corpo e alma, junto com todos os seus, enquanto um fogo do Céu consumiu seus ministros (Num. 16, 31-35). Só faltou incluir o culto a Lúcifer...

Esse erro gnóstico atinge toda sua hediondez na exaltação de Judas, o traidor que por 30 míseras moedas vendeu Nosso Senhor Jesus Cristo. Segundo São João, o demônio possuíra a alma de Judas (Jo 13, 2). Nosso Senhor disse do apóstolo traidor que “teria sido melhor que este homem não tivesse nascido” (Mt 26, 24). A esse homem, entretanto, os cainitas atribuíram o Evangelho saído da pluma deles.

O Evangelho de Judas torna patente o ódio a tudo quanto existe, acalentado por essa infiltração herética na Igreja do século de Santo Irineu.

Só desse século?

Beijo de Judas, Cimabue
Trevas do “evangelho” cainita sobre o século XXI

Aqui começa o aspecto talvez mais revelador desse falso evangelho, tão favorecido pela orquestração anticatólica. Esta sugere um como que retorno vitorioso do cainismo, no atual auge de pecado e de desfiguramento da Igreja Católica. O Evangelho de Judas encontrou o terreno psicológico preparado, em largos setores da opinião pública, por sucessivas ofensivas de blasfêmia e de contestação das leis e da disciplina da Igreja. Seria preciso um livro para conter um sumário delas. Basta pensar no movimento gnóstico e neopagão que leva o rótulo de Nova Era. O Código Da Vinci –– novela e filme –– é um dos episódios mais recentes e notórios dessa ofensiva.

Mas, se fosse só isso...

O postulado essencial do Evangelho de Judas vem sendo defendido, com matizações diversas, por teólogos que estão no fulcro da revolução eclesiástica que levou S.S. Paulo VI a afirmar que “a fumaça de Satanás penetrou no templo de Deus”. Expoentes da teologia moderna defendem há décadas uma reabilitação de Judas Iscariotes, forçando uma apresentação dele como instrumento da vontade de Nosso Senhor.

Conseqüência: tentativa de demolição da Igreja

Desde logo, a propaganda desse evangelho apócrifo semeia dúvidas entre os fiéis a respeito da Igreja e das Sagradas Escrituras. Mas, se essa ofensiva continuar, pode ir mais longe. Até onde?

Trabalhos sobre os papiros na Universidade de Arizona
Para responder nos limites de um post, consideremos o que aconteceria se, como querem insinuar tantas manchetes midiáticas, o conteúdo do Evangelho de Judas fosse verídico. Forçosamente, teríamos que concluir que os Evangelistas deturparam o Novo Testamento, pois entenderam mal o verdadeiro ensinamento de Nosso Senhor. Em conseqüência, a Igreja católica seria uma falsa instituição, fundada nesses Evangelhos. Seria necessário que Ela revisse dois mil anos de história e fizesse pública emenda de sua atuação visando a salvação das almas. Em sentido inverso, deveria exaltar o evangelho cainita e tudo o que Ela condenou como heresia, mal ou pecado.

O culto dos santos deveria ser substituído pelo dos heréticos que a Igreja condenou: Lutero esmagaria Santo Inácio, Santa Teresa de Jesus e o Concílio de Trento; Maomé sobrepor-se-ia aos Papas e cruzados santos; Robespierre, a Luís XVI, a Maria Antonieta e aos contra-revolucionários do século XIX; Freud, às santas virgens; Marx, aos mártires do comunismo. No Brasil, a obra de missionários santos como Anchieta deveria ser rejeitada em favor dos costumes idólatras dos índios primitivos, cujo estilo de vida mais lembrasse os errantes filhos de Caim.

A mãe que aborta seu filho estaria mais em consonância com Judas, que ajuda Jesus a se libertar do seu “invólucro carnal” entregando-o à morte cruel e injusta. Outro tanto poder-se-ia dizer dos promotores da eutanásia. Afinal, a tão denunciada “cultura da morte” não estaria mais próxima de uma “cultura cainita”, sintonizada com o Evangelho de Judas? A revolução homossexual não seria a reabilitação de Sodoma, e portanto mais uma vitória reparadora do cainismo?

O caos moral e religioso de nosso século, à luz do Evangelho de Judas, não teria então uma coerência e uma lógica — aliás, uma anti-lógica — pavorosamente estruturada?

Idéia do Evangelho de Judas circulava antes de ser revelada

Em contraposição, alguém poderia argumentar: é árduo julgar que os artífices desse caos atual estivessem compenetrados do espírito e das doutrinas de um pseudo-evangelho, que há 1.700 anos aguardava numa caverna do Egito o momento de ser descoberto.

Eis outro dos enigmas a respeito do qual este evangelho gnóstico levanta uma ponta de véu. Nos anos 1970, Paulo Coelho e Raul Seixas compuseram a música Judas. Nela cantavam a idéia central do papiro, hoje sob os holofotes: “Parte de um plano secreto, / amigo fiel de Jesus, / eu fui escolhido por ele / para pregá-lo na cruz”.(3) Em 1973, na ópera-rock Jesus Cristo Superstar, Judas cantava: “Realmente não vim aqui por minha própria vontade”. Em 1977 o mesmo conceito apareceu na novela de Taylor Caldwell, Eu, Judas.(4) Exemplos sintomáticos como estes abundam na cultura rock ou contestatária e no progressismo mais avançado.

Como esses autores chegaram a tal sintonia profunda com o Evangelho de Judas? Não sei. Apenas constato sua concordância, superando um espaço temporal de séculos. Mas, sobretudo, verifico que entre o espírito da “autodemolição” da Igreja e, na ordem temporal, a Revolução Cultural, existe uma afinidade com a filosofia desse anti-evangelho gnóstico.


O que fará a Providência Divina em revide a essa revelação da gnose cainita, contida no Evangelho de Judas, mas já professada por agentes revolucionários antes mesmo de se conhecer os papiros coptas? A ação de Nossa Senhora costuma ir indizivelmente além de tudo o que de melhor possamos imaginar.

Será sempre a resposta de uma bondade e de uma beleza que empolga os bons e aterroriza os maus. A Ela volta-se pois nossa prece, confiando na vinda próxima do Reino do seu Imaculado Coração, como prometido em Fátima.

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