segunda-feira, 6 de julho de 2015

Coliseu restaura elevador que alçava as feras
para devorar os mártires

Os sinistros elevadores do Coliseu consumiam a força de oito escravos. Eis um restaurado.
Os sinistros elevadores do Coliseu consumiam a força de oito escravos. Eis um restaurado.




O famoso Coliseu de Roma, cujas ruínas relativamente conservadas são visitadas por milhões de turistas todos os anos, foi em seu esplendor um estádio de espetáculos cruéis.

Sobressai na memória dos homens a lembrança gloriosa dos mártires cristãos que eram levados à arena sob o olhar lúbrico e sádico dos imperadores e de uma massa de pagãos ávidos de sangue.

Naquele momento supremo lhes era proposta a péssima opção: ou recusavam a Jesus Cristo queimando incenso aos deuses e salvando assim suas vidas, ou seriam entregues às feras.

Essas feras eram de diversas espécies, cada uma conhecida pelo seu modo de matar e devorar as vítimas.

Outras vezes era a luta de gladiadores contra animais ferozes, espetáculo especialmente sanguinário.

E por fim as lutas entre gladiadores, que terminavam não raro com a morte.

Calcula-se que em poucos séculos foram empregadas algumas dezenas de milhares de animais selvagens nesses espetáculos perversos.

Chegou-se a falar que a arena do Coliseu estava tingida pelo sangue de mártires, gladiadores e animais.



Hoje se sabe onde ficavam a tribuna imperial, as prisões nas quais os mártires aguardavam a terrível provação e depois a morte, o lugar dos leões, leopardos e ursos, além de outras dependências.

Sabia-se da existência de uma espécie de elevador manual que alçava os animais até a arena e os libertava para suas cruéis tarefas.

O quadro 'A última oração dos mártires cristãos', de Jean-Léon Gérôme (1824 — 1904),
apresenta o drama das feras saindo de um elevador para devorar os mártires.
Agora, 1.500 anos após os últimos espetáculos, foi reconstituído o engenhoso sistema de máquinas de madeira que elevava os animais mantidos na escuridão até a arena sem risco para os guardiões, informou o jornal britânico The Telegraph.

Uma grande estrutura de madeira perpassava andares de celas e túneis fétidos onde ficavam as feras e nos quais escravos, cristãos e gladiadores aguardavam o momento trágico.

A peça principal era uma gaiola de madeira puxada até o nível do campo do espetáculo por um sistema de cordas, polias e contrapesos.

Os animais ferozes eram obrigados a entrar na caixa desse elevador e, chegados ao destino, um mecanismo automático abria a porta, voltada para o centro da arena. Eles então saíam, para satisfazer as perversas delícias do imperador e de cerca 50 mil espectadores que ululavam e blasfemavam.

A máquina demorou um ano e meio para ser refeita e foi testada com um lobo domesticado, que foi premiado com um biscoito.

“Foi a primeira vez em 1.500 anos que um animal selvagem foi liberado no Coliseu”, explicou Gary Glassman, responsável pelo documentário filmado no momento.

“Eu teria preferido usar um leão, mas havia razões óbvias de segurança. Por fim, escolhemos o lobo, que é o símbolo de Roma”, disse.

“Um dos atrativos para tanta gente ir ao Coliseu era a violência incrível que nele se praticava”, explicou o diretor.

Santo Inácio de Antioquia devorado pelas feras. Ícone do século XVII.
A caminho de Roma, ele escreveu que ele ia “para ser trigo de Deus,
moído pelos dentes das feras e ser convertido em pão puro de Cristo” (Ad Rom. 4, 1)
“Como é que uma cultura tão avançada como a romana podia se regozijar com esses espetáculos sanguinários? O Coliseu ficou como uma foto instantânea tirada em pedra que registrou a cultura de Roma”.

Precisava-se de oito escravos para pôr em movimento o elevador, com capacidade para transportar um animal de até 300 quilos. Ele era também utilizado para subir armas e peças até os cenários que deviam decorar os lances brutais e cruéis das batalhas dos gladiadores.

Transportava ainda outros animais, como antílopes e cervídeos, que eram depois mortos por caçadores conhecidos como venatores, a título de mero entretenimento.

O novo elevador ficará permanentemente exposto para fazer entender aos turistas como funcionava o Coliseu, disse Francesco Prosperetti, responsável pela herança cultural de Roma.

Na realidade, os romanos chegaram a instalar um total de 28 desses elevadores em diversos pontos do anfiteatro.

Assim, as feras podiam aparecer de surpresa, para terror de mártires e gladiadores, e regozijo do sádico público.

O ministro Dario Franceschini apresentou a réplica do elevador como um exemplo de ressurgimento da Itália hodierna.

O Coliseu tem a forma de anfiteatro e foi inaugurado pelo imperador Tito no ano 80 com um “festim extravagante de combates, caçada de bestas e derramamento de sangue que, segundo se diz, durou cem dias”, escreveu a historiadora Mary Beard em seu livro “O Coliseu”.

O Coliseu era um imenso estádio ou salão de espetáculos cruéis ou assassinos. Hoje não há cenários semelhantes?
O Coliseu era um imenso estádio ou salão de espetáculos cruéis ou assassinos.
Hoje não há cenários semelhantes?
O general Pompeio, que acabou sendo derrotado por Júlio César, montou no século I um espetáculo com 20 elefantes, 600 leões e 410 leopardos que teriam sido sacrificados.

No século II o imperador Comodo às vezes combatia na arena e se diz que ele matou cinco hipopótamos, dois elefantes, um rinoceronte e uma girafa. Animais aliás não tão difíceis de sacrificar.

Mas o espetáculo mais cruel e mais desejado pelos pagãos era a soltura de animais selvagens por cima dos cristãos – incluídos entre os criminosos – num sádico procedimento denominado ‘damnatio ad bestias’ (morte pelas feras), pelo qual as vítimas eram mortas e devoradas por animais ferozes.

A nova instalação repõe a questão se o mundo hodierno está de fato progredindo para patamares morais mais altos ou se está voltando aos vícios do passado pagão.

Enquanto os mártires triunfam na glória de Deus, seus cruéis algozes que morreram sem arrependimento gemem na geena eterna.

O que pensarão esses mártires vendo o rumo do mundo ex-cristão?

Temerão e rezarão pelas vítimas da perseguição anticristã que cresce em tantos locais da terra e a cujo holocausto milhões de pessoas insensíveis assistem pela mídia ou pela Internet, como se fosse mais um espetáculo virtual?


Vídeo: O elevador das feras no Coliseu - Soltando o lobo






4 comentários:

  1. Excelente documentário que não apenas mexe nas feridas da humanidade, como também comprova que em termos de maldade sádica o humano em nada nelhorou no decorrer dos séculos.

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  2. Fantástico documentário, parabéns pelas ricas informações à respeito do Coliseu. Pena que muitas vidas humanas e de animais selvagens foram dizimadas nesse palco pela crueldade humana, unicamente para satisfazer seus instintos repugnantes e sórdidos do poder e da glória humana.

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  3. Imperadores sádicos e assassinos tais e quais os extremistas dos dias de hoje. Se dependesse da minha vontade implodiria aquelas ruínas malditas. Por mim, aquilo pode ir junto com seus idealizadores para onde nunca deveria ter saído: o fundo do inferno. Jesus vive e Jesus voltará, quer queriam os reis, imperadores, manda-chuvas e similares ou não, quer gostem ou não.

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  4. Os livros,documentários,filmes,etc só mostram o lado negativo da Roma antiga,nunca mostra o legado positivo que o império
    deixou até hoje.Tanto Grecia como Roma nos deixou um bom legado,também não devemos julgar estes povos com o olhar de hoje
    não tem cabimento porque era outra época,outra mentalidade.

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