segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Quem foram os Reis Magos?

'A viagem dos Magos' (1894), James Jacques-Joseph Tissot (1836-1902). Brooklyn Museum, New York City.
'A viagem dos Magos' (1894), James Jacques-Joseph Tissot (1836-1902).
Brooklyn Museum, New York City.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém. A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da Internet.

O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”. 

Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.

“Canônico” deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia. Este catálogo está definitivamente encerrado e não sofrerá mais modificação.

Há uma série de argumentos profundos que justificam esta sábia decisão da Igreja.

Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé.

Por isso mesmo, o Vaticano conserva a maior coleção mundial desses “apócrifos”, e os põe à disposição dos críticos de todas as religiões que queiram estudá-los.

A Igreja não tem medo de que possa sair qualquer coisa que desdoure a integridade e a santidade da Bíblia. br />
Antes bem, deseja ardentemente encontrar qualquer dado que possa ajudar a melhor compreendê-la.

O apócrifo “A Revelação dos Magos” aparenta ser um relato de primeira mão da viagem dos Reis do Oriente para homenagear o Filho de Deus.

Reis Magos, Nicolás de Verdun (1130 – 1205).
Urna dos Reis Magos na catedral de Colônia
Só recentemente foi traduzido do siríaco antigo.

O mérito é do Dr. Brent Landau, professor de Estudos Religiosos da Universidade de Oklahoma, EUA, que dedicou dois anos para decifrar o frágil manuscrito.

Trata-se de uma cópia feita no século VIII a partir de algum original perdido que, por sua vez, fora transcrito meio milênio antes.

Portanto, a fonte original desse apócrifo dos Reis Magos remonta a menos de um século depois do Evangelho de São Mateus.

O documento levanta questões em extremo interessantes:

Quem foram ao certo, os Reis Magos?

Foram três?

Quais eram seus nomes?

De onde vieram?

Por quê?


Vejamos primeiro o que nos diz a única fonte digna de fé religiosa, o Evangelho de São Mateus:

“1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
“2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
“3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
“4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
“5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
“6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).
“7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
“8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
“9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
“10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
“11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
“12. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.” (São Mateus, cap. 2, 1ss)

Três Reis Magos, mosaico em San Apollinare Nuovo, Ravenna, Itália.
No muro da igreja, concluida em 569, lê-se os nomes dos três.
Apresentados com gorros frígios (chapéu originário da Ásia Menor.
No Irã era atributo do deus Mitra).
A narração de São Mateus contém tudo o que é necessário para a Fé.

Mas com o beneplácito e a aprovação da Igreja a piedade popular acrescentou muitos outros pormenores, que foram transmitidos por tradição oral e que são aceitos sem contestação.

O que diz a Tradição sobre seu número, condição, proveniência e destino?

É aqui que entra o papel do grande São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra.

São Beda é uma das máximas autoridades dos primeiros tempos da Idade Média pelo fato de ter recolhido relatos transmitidos oralmente pelos Apóstolos aos seus sucessores, e destes aos continuadores.

São Beda é também considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador. Sua História Eclesiástica do Povo Inglês (Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum) lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa.

No tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele:
“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus.
“Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio.
“E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
Três Magos adoram o Menino Jesus.
Sarcófago romano dos primeiros tempos do cristianismo, Museu Vaticano.
É, pois, São Beda quem por primeira vez escreveu o nome dos três. Nomes com significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades.

Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, Gaspar significa “aquele que vai inspecionar” e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.

Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes.

Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.

Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis.

Gaspar ofereceu-Lhe incenso (ou olíbano), em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes.

Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, veem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. br />
A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade.

Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda a humanidade.

Em coerência com essa visão, a exegese católica interpreta a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de Davi:

“Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. br />
11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11) (P.S.: na numeração das traduções direto do hebraico, é o Sl. 72, 10-11).

Alguns especularam que talvez pelo menos um deles veio da terra de Shir (não identificada nos mapas modernos), na antiga China.

Em livro – escrito a título pessoal, portanto não sendo documento do magistério eclesiástico – Joseph Ratzinger (S.S.Bento XVI) comenta que “a promessa contida nestes textos [N.R.: Salmo 72,10] estende a proveniência destes homens até ao extremo Ocidente (Tarsis, Tartessos em Espanha).br />
Mas a tradição desenvolveu posteriormente este anúncio da universalidade aos reinos de que eram soberanos, como reis dos três continentes então conhecidos: África, Ásia e Europa”, segundo informou “Religión Digital” de Espanha.


A amplidão do leque de possibilidades geográficas fica patente neste comentário.

Tarsis ou Tartessos ficaria na Andaluzia, Espanha, especificamente em “algum lugar compreendido entre Cádiz, Huelva e Sevilha”.br />
Segundo o “ABC” de Madri, os sevilhanos acham que se Melquior, Gaspar e Baltasar fossem andaluzes teriam se manifestado mais alegremente, teriam cantado “sevilhanas” e levado pandeiros.

A reação popular suscita um amável sorriso.

O que foi depois dos Reis Magos?

Reis Magos. Representam todas as raças. Andrea Mantegna (1431-1506). J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
Reis Magos. Representam todas as raças.
Andrea Mantegna (1431-1506). J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
De acordo com uma tradição acolhida por São João Crisóstomo, Padre da Igreja, os três Reis Magos foram posteriormente batizados pelo Apóstolo São Tomé e trabalharam muito pela expansão da Fé (Patrologia Grega, LVI, 644).

A fama de santidade dos Reis Magos chega até os nossos dias.

Seus restos são venerados na nave central da Catedral de Colônia, Alemanha, em magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes.

As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas a Constantinopla, capital do Império Romano de Oriente.

Depois foram transferidas a outra capital imperial no Ocidente – Milão –, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).

Por que eram "Magos"?

O nome “mago” era sinônimo de “sábio”. O tratamento dado a eles como grandes eruditos, prudentes e judiciosos, provinha do fato de os sacerdotes da Caldeia serem muito voltados para a consideração dos astros com uma sabedoria que surpreende até hoje.

A eles devemos o início da ciência astronômica.

Sem dúvida, seu caráter de “magos”, reconhecido pelo Evangelho de São Mateus, aponta para a área da civilização caldeia (cujo epicentro foi no atual Iraque, mas incluiu diversos países vizinhos, entre eles o Irã).

Com a decadência moral, os “magos” caldeus viraram uma espécie de bruxos, divulgadores de toda espécie de superstições.

Os Três Reis Magos teriam sido os últimos sacerdotes honrados daquele mundo pagão que aspiravam sinceramente conhecer o Salvador.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia.
Neste caso, foram exemplos arquetípicos do pagão de boa-fé que deseja conhecer a verdadeira religião, e que assim que a encontra adere a ela sem demoras nem restrições.

Foram "Reis"?

Discute-se também em que sentido podem ser chamados de “Reis”, pois não se lhes conhece a procedência e menos ainda a localização do reino.

Porém, na Antiguidade, os patriarcas, ou chefes de grandes clãs, ou grupos étnico-culturais, governavam com poderes próprios de um rei, sem terem esse título ou equivalente. E seu reinado se concentrava sobre sua hoste, por vezes nômade.

São João Damasceno não recusava que eles fossem descendentes de Set, terceiro filho de Adão.

E este pormenor nos leva de volta ao “apócrifo” do Vaticano.

A estrela que os guiou

O referido manuscrito estava na Biblioteca Vaticana havia pelo menos 250 anos, mas não se sabe mais nada de sua proveniência.

Está escrito em siríaco, língua falada pelos primeiros cristãos da Síria e ainda hoje, bem como do Iraque e do Irã.

O Prof. Landau acredita que no apócrifo entra muita imaginação. Mas, há uma muito longa descrição das supostas práticas, culto e rituais dos Reis Magos.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha.
Feitos, pois, os devidos descontos no apócrifo, lemos nele que Set, terceiro filho de Adão, transmitiu uma profecia, talvez recebida de seu pai, de que uma estrela apareceria para sinalizar o nascimento de Deus encarnado num homem.

Prêmio a uma fidelidade de séculos

Gerações de Magos teriam aguardado durante milênios até a estrela aparecer, confiantes no aviso de Set.

Mistérios da fidelidade! Milênios aguardando, gerações morrendo na esperança e transmitindo aos filhos o anúncio de um dia remoto em que o mundo receberia o Salvador!

Segundo o Prof. Landau, o apócrifo diz que a estrela no fim “transformou-se num pequeno ser luminoso de forma humana que foi Cristo, na gruta de Belém”.

A afirmação não é procedente se a interpretarmos ao pé da letra. Mas, levando em conta o estilo altamente poético do Oriente, poderíamos supor que o brilho da estrela de Belém convergiu no Menino Jesus e desapareceu.

E, de fato, depois de encontrar o Menino Deus, os Magos não mais viram a estrela.

Alertados por um anjo, voltaram por outro caminho às suas terras, como ensina o Evangelho de São Mateus, que não mais menciona a estrela no retorno.

Anúncio dos profetas e juízo de Padres e Doutores da Igreja

Adoração dos Magos, Gentile da Fabriano (1370-1427). Galleria degli Uffizi, Florença
Adoração dos Magos, Gentile da Fabriano (1370-1427). Galleria degli Uffizi, Florença
A festa da adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus recebeu o nome de Epifania do Senhor. Epifania vem do grego: πιφάνεια que significa “aparição; fenômeno miraculoso”.

A festa se comemora no dia 6 de janeiro, ou seja, doze dias após o Natal, ou 2 domingos após o Natal, dependendo do calendário litúrgico usado.

“Andaram as gentes na tua luz e os reis no esplendor do teu nascimento”, profetizou Isaías (Is 60, 3).

E São Tomás de Aquino explica: ‘Os Magos foram as primícias dos gentios que acreditaram em Cristo. E neles se manifestou, como um presságio, a fé e a devoção das gentes que vieram a Cristo das mais remotas regiões’.

Santo Agostinho sublinha que eles procuraram com fé mais ardente Àquele que punham de manifesto o clarão da estrela e a autoridade das profecias.

São João Crisóstomo completa dizendo: “porque buscavam um Rei celeste, embora nada descobrissem nele denotador da excelência real, contudo, satisfeitos só com o testemunho da estrela, adoraram-no”.

Veja também: Dado essencial: houve o fenômeno astronômico denominado “estrela de Belém”

Astrônomo defende com computador a existência da estrela de Belém


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Maior pirâmide do mundo fica na América latina e é pedestal da Igreja

Sobre a maior pirámide do mundo foi construída igreja para Nossa Senhora dos Remédios
Sobre a maior pirâmide do mundo está a igreja de Nossa Senhora dos Remédios.
No fundo o vulcão Popocatepetl, mais ativo e maior do México
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A maior pirâmide do planeta não está no Egito. Está na América Latina e foi feita pelos astecas em Cholula, México, tendo uma base quatro vezes maior que a Grande Pirâmide de Gizé, Egito, e o dobro de seu volume.

A gigantesca pirâmide coroada por um templo pagão foi concluída entre 900 e 1100 d.C., antes da chegada dos evangelizadores e conquistadores.

O clero católico o substituiu por um santuário dedicado a Nossa Senhora dos Remédios, extraordinário símbolo do triunfo da religião verdadeira sobre as torpezas do paganismo que hoje causa admiração, narrou reportagem do “Clarín”. 

Maquete das pirâmides superpostas que fazem a maior pirâmide do mundo
Maquete das pirâmides superpostas que fazem a maior pirâmide do mundo
Seu grande volume é resultado da sobreposição de sucessivas pirâmides.

A primitiva pirâmide foi completamente coberta por uma nova, cuja base atingiu mais de 400 metros de comprimento por lado, 66 metros de altura e comportou quase 4,5 milhões de metros cúbicos de pedras e terra.

Com a chegada dos missionários e conquistadores espanhóis, o templo pagão foi abandonado e recoberto pela selva se assemelhando a uma pequena colina.

O vulcão Popocatépetl, um dos mais perigosos do mundo, serve de magnifico marco para o santuário que parece dominar vitorioso não só as doenças, mas os piores males geológicos.

É comum venerarmos imagens da Imaculada Conceição esmagando a serpente infernal. Em Cholula, o santuário de Nossa Senhora parece domesticar o gigantesco vulcão em atividade.

Devido à sua importância, foi objeto de pesquisas de estudiosos como Humboldt e Dupaix, além de arqueólogos como Manuel Gamio e Enrique Juan Palacios.

Em 1930, sob a direção do arquiteto Ignacio Marquina, iniciaram-se as explorações arqueológicas formais por meio de um inovador sistema de túneis.

Base da Grande Pirâmide de Cholula no México
Base da Grande Pirâmide de Cholula no México
Esse permitiu a determinação das diferentes etapas da construção da Grande Pirâmide, bem como a localização das pinturas murais.

Ao contrário das pirâmides egípcias, a Grande Pirâmide de Cholula não possui formato pontiagudo.

Em vez disso, apresenta a aparência de uma colina ou montanha devido às múltiplas camadas de construção e às estruturas localizadas no topo.

E nesse topo que está a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, construída na época do vice-reinado espanhol.

Nossa Senhora dos Remédios venerada no topo da maior pirâmide do mundo
Nossa Senhora dos Remédios 
venerada no topo da maior pirâmide do mundo
Trata-se de uma devoção mariana que remonta ao século XIII, com a fundação da Ordem Hospitalar da Santíssima Trindade por São João da Mata e São Félix de Valois.

A Virgem apareceu-lhes com uma bolsa de dinheiro para que pudessem resgatar cristãos escravizados no Oriente.

Assim teve origem ao título “Nossa Senhora dos Remédios”, que significa “o remédio para todas as necessidades”.

E ela fica lá remediando todas as necessidades atuais de seus fiéis tendo curado os monstruosos sofrimentos e extinto os sacrifícios humanos que os indígenas pagãos praticavam nessas pirâmides.


segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Descoberta do jardim do Santo Sepulcro confirma relato evangélico

Jardim do Sepulcro, vista aérea do estado atual superficial
Jardim do Sepulcro, vista aérea do estado atual superficial
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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O Evangelho ensina que Nosso Senhor Jesus Cristo foi crucificado numa área verde entre o Calvário e o Santo Sepulcro.

Santa Helena achou o local, recuperou as relíquias da Cruz e seu filho o imperador Constantino fez a Basílica do Santo Sepulcro sobre um templo pagão romano.

O jardim descrito por São João sumiu nas reformas podendo se duvidar da localização.

Agora, escavações o descobriram e a chefe dos arqueólogos Francesca Stasolla comentou que a descoberta “é a arqueologia falando com fé (...) na fé há evidência”, noticiou “Gazeta do Povo”. 

A equipe arqueológica foi liderada pela professora Francesca Romana Stasolla, da Universidade de Roma “La Sapienza”.

Prof.a Francesca Romana Stasolla, diretora das escavações
Prof.a Francesca Romana Stasolla, diretora das escavações
Ela conduz as maiores escavações na Basílica do Santo Sepulcro desde 2022, trabalhos, entretanto, prejudicados pela guerra subsequente ao massacre terrorista do Hamas de 2023.

Em 7 de março 2025, os investigadores anunciaram a descoberta de restos de oliveiras e videiras, incluindo sementes e pólen.

Stasolla disse ao jornal “Times of Israel” que as análises arqueobotânicas permitem situar essas plantas no período em que Jesus viveu.

“Na época de Jesus, essa região não fazia parte da cidade”, afirma a pesquisadora.

Após a desastrosa insurreição dos judeus em 70 d.C., que teve como uma consequência a destruição do famoso Templo de Jerusalém, o dominador romano decidiu construir uma cidade sobre as ruínas de Jerusalém que denominou Élia Capitolina.

A nova cidade do século II devia seguir os patrões romanos e ser rasa. Foi assim que o Templo de Jerusalém já em ruinas foi arrasado até seus mais profundos fundamentos, pois estava na maior elevação da cidade.

Também foram niveladas as elevações do Calvário e do local do Santo Sepulcro, mas menos severamente a ponto de ficarem preservados. Mas no local foi elevado um templo romano pagão.

Os evangelistas se referem ao local mencionando que o Redentor foi crucificado fora de dois muros de Jerusalém.

“O Evangelho cita uma área verde entre o Calvário e o túmulo, e nós identificamos esses campos cultivados”, acrescenta a arqueóloga.

Jardim do Túmulo, como se ve hoje
Jardim do Túmulo, como se ve hoje
A basílica original católica constantiniana foi incendiada e atacada por persas e muçulmanos nos séculos VII e XI, respectivamente, e sua aparência atual remonta ao século XII em virtude da obra restauradora dos Cruzados.

À agência de notícias católica Zenit, Francesca Stasolla comentou: “Não estamos apenas lendo as Escrituras, estamos entrando nelas”, acrescentando que a descoberta “de terras cultivadas entre o local da crucificação e o túmulo não é mera coincidência. É arqueologia falando com fé (...) Descubro que na fé há evidência”.

O jornal “Times of Israel” havia insinuado a dúvida que é também de outros, com base em que há 2.000 anos, oliveiras e videiras cresciam no terreno onde hoje se encontra a Igreja do Santo Sepulcro. 

Qualquer dúvida nesse pormenor ficou também afastada pelas revelações das novas escavações arqueológicas de que falamos.

O Evangelho de João diz: “No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, onde ninguém jamais havia sido colocado. Ali colocaram Jesus” (João 19:19-20).

Interior da igreja do Santo Sepulcro sobre o Gólgota
Interior da igreja do Santo Sepulcro sobre o Gólgota
As amostras recuperadas sob o piso da antiga basílica pertencem à era pré-cristã. Enquanto se aguardam testes de radiocarbono a Profa. Francesca Romana Stasolla, da Universidade Sapienza de Roma, diz:

“Sabemos que a área já fazia parte da cidade na época do Imperador Adriano, quando os romanos construíram a Élia Capitolina (...) No entanto, na época de Jesus, a área ainda não fazia parte da cidade.”

A escavação arqueológica foi aprovada pela Autoridade de Antiguidades de Israel, conforme exigido por lei.

Stasolla enfatizou que, devido à natureza sensível do sítio e às suas necessidades logísticas, eles tiveram que trabalhar com extrema cautela.

Ocasionalmente, especialistas em áreas específicas, como geólogos, arqueobotânicos ou arqueozoólogos de Roma, juntam-se aos arqueólogos em Jerusalém.

“No entanto, a maior parte da nossa equipe permanece em Roma, para onde enviamos os dados para o trabalho de pós-produção”, explica Stasolla.

Interior da igreja do Santo Sepulcro
Interior da igreja do Santo Sepulcro
“As novas tecnologias estão nos permitindo reconstruir o panorama geral em nossos laboratórios”, disse Stasolla.

“Se estivéssemos falando de um quebra-cabeça, poderíamos dizer que estamos escavando apenas uma peça de cada vez, mas, eventualmente, teremos uma reconstrução multimídia completa do panorama completo.”

De acordo com Stasolla, as camadas ocultas sob o piso da igreja, semelhantes às páginas de um livro, oferecem uma crônica extraordinária da história de Jerusalém, começando com a Idade do Ferro (1200-586 a.C.).

“A igreja fica em uma pedreira, o que não nos surpreende, pois uma grande parte da Cidade Velha de Jerusalém também fica em uma pedreira”, disse Stasolla.

“A pedreira já estava ativa na Idade do Ferro. Durante a escavação, encontramos cerâmica, lâmpadas e outros objetos do cotidiano que datam desse período.”

Como a pedreira deixou de ser explorada, antes da construção da igreja, parte da área era usada para agricultura.

Na época de Jesus, a antiga pedreira também era usada como local de sepultamento, com vários túmulos escavados na rocha, como em outras áreas de Jerusalém.

Vários outros túmulos são conhecidos como parte do complexo do Santo Sepulcro, incluindo um que a tradição cristã atribui a José de Arimateia, que se diz ter presenteado Jesus com seu túmulo vazio.

Interior da igreja do Santo Sepulcro
Interior da igreja do Santo Sepulcro
“É a fé daqueles que acreditaram na santidade deste local por milênios que permitiu que ele existisse e se transformasse”, disse ela. “Isso vale para todos os locais sagrados.”

“O verdadeiro tesouro que estamos revelando é a história das pessoas que fizeram deste local o que ele é, expressando sua fé aqui”, acrescentou.

“Quer alguém acredite ou não na historicidade do Santo Sepulcro, o fato de gerações de pessoas terem acreditado é objetivo. A história deste lugar é a história de Jerusalém e, pelo menos a partir de certo momento, é a história da adoração a Jesus Cristo.”

O “Jerusalem Post” focou o detalhe de a equipe de pesquisadores da Universidade Sapienza de Roma descobrir restos de uma planta datada da época da morte de Jesus, na primavera de 33 d.C. 



segunda-feira, 3 de novembro de 2025

A pirámide de Huaca Cao Viejo e a mentira de que todas as religiões levam a Deus

Imagem da cruel deidade-adorada na Huaca-Cao-Viejo
Imagem da cruel deidade adorada na Huaca-Cao-Viejo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A mentira de que todas as religiões conduzem a Deus sendo apenas “vestes culturais” de uma mesma religiosidade, ficou mais uma vez demonstrada pela equipe arqueológica que estudou a cultura da Huaca Cao Viejo, no Peru.

Essa erigiu uma estrutura cerimonial, a “huaca”, que lembra uma pirâmide na costa do Peru, perto da atual cidade de Trujillo noticiou a “Folha de S.Paulo”. 

A “huaca” media cerca de 30 m de altura e foi feita com tijolos de barro que secaram ao sol, sendo ricamente decorada com pinturas.

O estilo se assemelha ao de outros monumentos da chamada cultura Moche, que dominou nove vales da costa norte peruana entre os anos 300 d.C. e 950 d.C.

Nela foram descobertas quatro tumbas em 2005, três delas de adultos masculinos rodeados por tecidos, esteiras e adornos de metal, indicando status elevado.

Representação de mulher nobre de Cao Viejo. O olhar irradia o desespero proprio do paganismo
Representação de mulher nobre de Cao Viejo. 
O olhar irradia o desespero próprio do paganismo
A quarta era de um defunta, e a seu lado havia o corpo de uma jovem de entre 13 e 15 anos, com uma corda no pescoço.

Também acharam os restos de um jovem de idade equivalente com uma corda no pescoço aos pés de um dos homens adultos.

Em ambos os casos, tudo indica que eles foram sacrificados em honra aos nobres mais velhos.

Os dados de DNA indicam que todos os indivíduos enterrados ali tinham parentesco próximo entre si. Os dois jovens foram ofertados em sacrifícios humanos e parecem ter sido irmãos.

Tudo indica que um dos adolescentes sacrificados era filho do homem de status mais elevado e que a menina sacrificada tinha um parentesco dito “de segundo grau” com a mulher principal.

Túmulo de um casal real da família Tudor exibe uma visão católica oposta à pagã
Túmulo de um casal real da família Tudor exibe uma visão católica oposta à pagã.
A escultura patenteia a doçura da caridade católico e o respeito mútuo.
Essa morreu com no máximo 30 anos de idade, pelo que poderia ser sobrinha ou neta dela.

A julgar pela composição química dos ossos, os defuntos provem de regiões montanhosas do país.

Resultou assim mais plausível aos arqueólogos imaginar que eles foram levados para o sacrifício por intrigas políticas ou superstições religiosas.

Crimes horríveis assim eram frequentes em religiões pagas como as de Roma ou da longínqua China imperiais por vezes com a monstruosa crença de que esta forma iria a servir os mais velhos no além.

Funeral moche incluia enforcamento de parientes
Funeral moche incluía enforcamento de parentes.
Essa religião não podia levar a Deus.
Só a suavidade da religião de Cristo afastou essa práticas cruéis. Pois, pode conduzir a Deus uma religião que pratica sacrifícios humanos para enviar as vítimas ao além com os já falecidos?

Todos os deuses pagãos são demônios, ensina a Bíblia, e todas as religiões não católicas tem um fundo diabólico.

Só a religião católica, a única verdadeira conduz suave e harmonicamente as almas a Deus.



segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Hóstias de 1.300 anos achadas na Turquia trazem muitas lições

A imagem na hóstia lembra as palavras de Jesus 'Eu sou o pão da vida'.
A imagem na hóstia lembra as palavras de Jesus 'Eu sou o pão da vida'.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Arqueólogos escavando sob a supervisão da Diretoria do Museu de Karaman e do Ministério da Cultura e Turismo da Turquia, se depararam com cinco hóstias na forma de pães carbonizados datados dos séculos VII e VIII d.C.

O achado aconteceu na antiga cidade de Topraktepe (Eirenepolis), localizada na província de Karaman, na Turquia, segundo informou a publicação especializada “Anatolian Archeology”

Inscrito nas hóstias “Com gratidão ao Bem-aventurado Jesus”


Os pães eucarísticos de 1.300 anos, provavelmente produzidos entre os séculos 7 d.C. e 8 d.C., levam impressa a inscrição grega “Com a nossa gratidão a Jesus Abençoado”, acompanhada por uma representação de Cristo enquanto “Semeador” ou “Cristo Agricultor”.

Especialistas veem nesta iconografia a ênfase bizantina na Providência Divina pela qual Jesus a criou o trigo cultivado pelos homens no trabalho agrícola e depois o transformam no pão que Cristo em pessoa escolheu para consagrar e que segundo a doutrina católica se transubstancia na Missa para ser o verdadeiro Corpo e a Sangre do Redentor.

A fé na Presencia Real de Cristo na Eucaristía inicia junto com a Igreja. Catedral São Egidio, Edinburgo
A fé na Presencia Real de Cristo na Eucaristia 
inicia junto com a Igreja.
Catedral São Egidio, Edinburgo
Entre a ordem divina da Criação material e a ordem sobrenatural da Igreja, há, pois, uma relação profunda instituida por Deus, mas, infelizmente, posta em dúvida ou negada pelo protestantismo ou pelas aberrantes novas teologias.

Outras hóstias apresentam decorações em forma de cruz de Malta. Os pesquisadores acreditam que os pães teriam sido destinados serem a Eucaristia já nos primeiros rituais cristãos.

Cumpriam assim a ordem de Cristo aos Apóstolos na Última Ceia: “Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lucas, 22-19). 

As hóstias achadas sofreram um processo natural de carbonização. Esse, segundo os cientistas, permitiu uma tão loga sobrevivência em condições excepcionais de preservação, fornecendo uma prova rara do cristianismo primitivo da Anatólia. O fato de terem perdido toda forma de pão fresco indica que nelas cessou a Presencia Real, se alguma vez foram consagradas.

A Governadoria de Karaman declarou que “estas descobertas estão entre os exemplos mais bem preservados de pão cristão primitivo já identificados na Anatólia”.

Importância do local


A cidade de Topraktepe, era conhecida no império como Eirenepolis, que significa “Cidade da Paz”, e ela pertencia ao Império de Bizâncio (Constantinopla), um império cristão de matriz grega, muito antes dos muçulmanos invadirem e massacrarem os fiéis e destruírem suas casas religiosas no Oriente Médio e na Ásia Menor, hoje Turquia, mas que naquele tempo pertencia a área cultural greco-bizantina.

Topraktepe (Eirenepolis) foi sede de diocese sob o Patriarcado de Constantinopla durante os períodos romano e bizantino. Erigida perto da atual Ermenek, ocupava um ponto estratégico na rota comercial Anemurium-Isaura e é caracterizada por estruturas escavadas na rocha, necrópoles e muralhas.

Pão de 1.300 anos com Cristo como semeador
Pão de 1.300 anos com Cristo como semeador
O “Cristo Semeador” ou “Fazendeiro” reforça a ordem hierárquica da região organizada em torno da atividade agrícola. Um pesquisador comentou: “Essa não é meramente uma imagem religiosa — é uma teologia visual do trabalho”.

Esses antiquíssimos pães destinados à Eucaristia confirmam que já nesses séculos longínquos existia a devoção tradicional que continua hoje e reforça o versículo no qual Cristo diz “Eu sou o pão da vida”, comentou a Revista Galileu

O “Greek City Times” observou que na tradição oriental, o pão fermentado simboliza a vida e a ressurreição, enquanto alguns pães podem ter servido como pão abençoado, mas não consagrado, distribuído após a liturgia. 

Lições para o presente


A descoberta das hóstias de Topraktepe apresenta a união da ordem material e a espiritual, oferecendo uma conexão tangível com os rituais e a vida cotidiana da Anatólia cristã.

O “The Jerusalem Post” acha que os pães sobreviveram porque um incêndio repentino os carbonizou, mantendo sua forma e decoração. 

O “Daily Mail” de Londres sublinha seu caráter sagrado e que as marcas em forma de cruz sugerem ser pão eucarístico ou de comunhão. 

Karaman (centro) num mapa da Turquia
Karaman (centro) num mapa da Turquia
A comunhão, ou Eucaristia, é um sacramento que envolve comer pão e beber vinho numa Missa em que se renova de modo incruento o sacrifício de Jesus na Cruz.

A Missa foi instituída por Jesus na Última Ceia, a refeição final que Jesus Cristo compartilhou com seus doze apóstolos em Jerusalém antes de sua crucificação.

Lutero achou segundo seu capricho que a Eucaristia é uma mera distribuição de pão entre os seguidores. A heresia modernista voltou ao mesmo erro protestante pretendendo que esse seria o verdadeiro sentido da distribuição da Comunhão mais de acordo com os costumes primitivos.

O achado recente de Karaman mais uma vez põe em ridículo essas suposições e outros erros análogos.

A imagem impressa na hóstia destaca a bênção divina sobre o trabalho agrícola. Ela exprime a esperança de uma colheita abundante como metáfora da redenção espiritual. Também destaca a santidade do trabalho agrícola diário.

Não é necessário sublinhar o contraste ovante desta visão sacral da sociedade agrícola, com a explosão de ódio revolucionário e a luta de classes contra os proprietários e produtores rurais.

Estado atual das excavações, vista aérea
Estado atual das escavações, vista aérea
Em essência, a representação aponta que a piedade identificava Cristo abençoando os ritmos e os trabalhos da exploração ordenada da terra.

Escritos de Padres da Igreja, de Doutores e de Santos do Oriente assim como ícones ensinavam essas doutrinas, mas até o momento tinham sobrevivido poucos exemplares físicos de tão excepcional clareza.

Os pães de Karaman, forneceram evidências tangíveis de como os primeiros cristãos praticavam sua devoção.

As ruínas de Topraktepe, ou a “Cidade da Paz”, revelam muralhas fortificadas, habitações escavadas na rocha e extensas necrópoles, refletindo tanto sua importância defensiva quanto seu papel como centro religioso e administrativo.

Outro pão, ou antiga hóstia, com cruzes católicas
A descoberta de Topraktepe, continua o “Daily Mail” ressoa com os ensinamentos de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, junto Mar da Galileia, onde Ele realizou milagres, curando os doentes, expulsando demônios e fazendo caminhar os paralíticos. Foi lá que ele declarou: “Eu sou o pão da vida”.

Eis uma suprema lição a um mundo que se afasta cada vez mais da Vida e se precipita estultamente nos precipícios da morte social, histórica, cultural e religiosa.

E também uma suprema lição da imortalidade da Santa Igreja Católica.


segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Ciência confirma as relíquias de Compostela

Altar mor da basílica de Santiago de Compostela, busto relicário
Altar mor da basílica de Santiago de Compostela, busto relicário
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Após uma maravilhosa e quase inverossímil história para quem não tem fé, a ciência confirmou que os restos do Apóstolo São Tiago o Maior estão bem em Compostela!


Após a descida do Espírito Santo sobre a Igreja em Pentecostes, na data aproximada de 33 d. C., os Apóstolos obtiveram muitas conversões em Israel. O fato desatou a cólera do Sinédrio que instigou a Crucifixão.

Alguns Apóstolos chegaram a ser presos. Viram então que não poderiam ficar muito tempo seguros na Terra Santa e combinaram que São João levaria Nossa Senhora a Éfeso, cidade então do império romano e onde o Sinédrio não tinha poder. Os demais partiram em todas as direções.

São Pedro acabaria se instalando em Roma e São Tiago o Maior, cruzou o Mediterrâneo e desembarcou na Hispania (atuais Espanha e Portugal).

Sua pregação teria começado na Gallaecia, atual Galícia espanhola e norte de Portugal, mas percorreu a península ibérica toda fazendo discípulos, sete dos quais foram sagrados bispos por São Pedro, após o martírio de São Tiago.

A pregação do Apóstolo não foi nada fácil. A região estava povoada de pagãos, e muitos o recebiam como um inimigo de seus falsos deuses.

Em Caesaraugusta, atual Saragoça, onde ganhou conversões em bom número, lançaram víboras contra ele, mas o santo as segurava tranquilamente nas mãos. Em Granada, foi preso com todos os discípulos e neófitos.

Aparição de Nossa Senhora do Pilar


De retorno em Saragoça para atender a pequena, mas crescente comunidade cristã, o Apóstolo rezava pensando em Maria Santíssima quando viu descer um resplendor.

Relicário do Apóstolo Santiago, cripta en Compostela
Relicário do Apóstolo Santiago, cripta em Compostela
Apareceram anjos carregando uma coluna de luz alta e delgada que terminava num lírio aberto e lançava línguas de fogo em várias direções. Uma delas ia até Compostela. O fato teria acontecido por volta do 2 de janeiro do ano 40 d.C.

No resplendor do lírio o Apóstolo viu Maria Santíssima, de nívea brancura e transparência, que estava em pé como costumava rezar, com as mãos juntas e um grande véu na cabeça, que lhe caía até os pés. 
 
Segundo outras versões Nossa Senhora se apareceu “em carne mortal”.

São Tiago recebeu interiormente o aviso de erguer ali uma igreja que a intercessão de Maria faria crescer. Essa seria a origem da magnífica basílica atual de Nossa Senhora do Pilar, padroeira da Espanha.

Disse-lhe a Virgem que, uma vez concluída a igreja, voltasse para Jerusalém. Ele a encontrou em Éfeso, onde Maria lhe anunciou sua morte próxima em Jerusalém na presença de todos os Apóstolos miraculosamente convocados.

Após a Assunção, São Tiago foi preso e decapitado por ordem de Herodes (Atos 12:1–2), no monte Calvário. Seus discípulos Atanasio e Teodoro levaram o corpo de volta para a Espanha pelo mar.

O navio foi conduzido providencialmente até as praias da Galícia, onde teria sido enterrado no local nomeado de Iria Flavia, e que acabou sendo identificado no século IX.

A descoberta teve muito de maravilhoso. Por volta do ano 813 (ou 820 segundo outros) reinando em Astúrias, Alfonso II el Casto. Nessa época um ermitão de nome Paio (Pelayo) declarou ao bispo diocesano de Iria Flavia, Mons. Teodomiro, que vira luzes brilhando sobre um morro desabitado.

Feitas as averiguações, no local foi encontrado um túmulo, de época romana, que guardava os restos de um corpo decapitado e cuja cabeça estava sob um dos braços.

Os restos eram de três pessoas distintas: dois de idade mediana e uma na fase final da vida. Assim se supôs piedosamente que pertenciam ao que narrava a tradição: São Tiago e seus discípulos Atanasio e Teodoro

Um rei é o primeiro peregrino a Compostela


A notícia chegou ao rei Afonso II das Astúrias, que marchou com a sua corte de Oviedo para Compostela. Essa peregrinação real de 146 quilômetros foi a primeira ao túmulo do Apóstolo, e o percurso hoje é conhecido como o “Caminho Primitivo”, que começou a ser percorrido pelos peregrinos do “Caminho de Santiago”.

A igreja que o rei mandou construir acima do túmulo deu origem à atual Catedral de Santiago de Compostela.

O nome de Compostela provém do latim campus stellae ou “campo das estrelas”, em atenção às luzes que apareceram no morro em que estava o túmulo.

A glória do Apóstolo, de cujo sacrifício nasceu a nação ardente de zelo como um lírio pegando fogo em que ele viu a Nossa Senhora desde então se manifesta atraindo multidões de peregrinos que ainda hoje fazem o “Caminho de Santiago” completando até mil ou dois mil quilômetros a pé.

Comprovação científica das relíquias


O historiador Patxi Pérez-Ramallo na necrópolis descoberta na basílica de Compostela.
O historiador Patxi Pérez-Ramallo na necrópole descoberta na basílica de Compostela.
Na medida em que o processo histórico revolucionário progredia, foi pondo em tela de juízo todas as histórias maravilhosas da Igreja.

No século XIX já andava debandada a difamação segundo a qual os santuários são fruto de mentiras do clero para atrair doações de fiéis ignaros, logrados inescrupulosamente. Compostela seria um desses locais de furto sistemático com fachada religiosa.

No século XIX o papa Leão XIII pediu aos bispos da Espanha todos os documentos que pudessem encontrar a respeito.

Ele recebeu muitos relatos do acontecido, mas nenhum com as características científicas que requeria uma comissão cardinalícia extraordinária para o estudo dos restos.

Essa enviou a Compostela a Monsenhor Agostino Caprara, “advogado do diabo” na Congregação da Fe, para que examinara os restos no local e colhesse declarações dos responsáveis.

Antes de ir a Compostela, Mons. Caprara, pediu o auxílio do médico forense Francesco Chiapelli para analisar um resto ósseo venerado como relíquia do Apóstolo na cidade de Pistóia, na Itália.

O cientista reconheceu se tratar da apófises mastoidea direita com restos de sangue coagulado e que a peça teria sido separada do crânio em consequência da violência da decapitação.

A comissão chegou em Santiago de Compostela no dia 8 de junho de 1884 e durante os exames constatou que um dos três crânios precisamente carecia da apófises mastoidea direita. A coincidência foi reveladora e o ditame foi positivo.

Em 25 de julho do mesmo ano, na festividade do Apóstolo Santiago, foi publicado o documento comprobatório da Congregação.

E em 1º de novembro do mesmo ano S.S. o Papa Leão XIII publicou a Bula Deus Omnipotens, sobre a história do Santuário e convocava a empreender novas peregrinações. A Bula é o documento moderno mais transcendental que dá fundamento magisterial ao esplendor das peregrinações.

Inscrições identificadoras


Portão da Glória, entrada na basílica de Compostela
Portão da Glória, entrada na basílica de Compostela
Mas, as investigações não ficaram por ali. Veio a hora dos arqueólogos analisando todos os vestígios que puderam desenterrar.

O professor Enrique Alarcón Moreno que ensina Filosofia na Universidade de Navarra, publicou em 24 de junho de 2011 um estudo das inscrições encontradas no local.

O estudo foi ampliado e reeditado em 2013 com a colaboração de Piotr Roszak. A análise do catedrático aponta a existência de um culto funerário ao Apóstolo, pelo menos desde o século II, na cripta da dama romana crista Atia Modesta.

Ele identificou a inscrição Ya'akov (Santiago, em hebreu), acompanhada da simbologia própria da estética sepulcral judeu-cristã do século I., análogas às achadas em outros.

Numa dela há referências à festa judia de Shavu'ot que incluem a representação de pães rituais que deixaram de ser usados por volta do ano 70 d.C. motivados pela destruição do Templo de Jerusalém pelos romanos.

Ditas inscrições permitem posicionar cronologicamente o túmulo, apontando ser verdadeiro o que sempre foi acreditado: esse é o túmulo do Apóstolo São Tiago.

Achado o túmulo do bispo Teodomiro


Como que fechando o conjunto de confirmações científicas, recentemente foram identificados os restos mortais do bispo Teodomiro, o principal responsável pela criação da peregrinação – que já tem mais de doze séculos – do Caminho de Santiago, segundo informou o quotidiano de Madri “El País” baseado em artigo científico, publicado na revista especializada britânica “Antiquity”, da autoria do arqueólogo Patxi Pérez-Ramallo, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.

Pérez-Ramallo aplicou diferentes métodos – análise óssea, datação por carbono, análise de isótopos estáveis e testes de ADN – para chegar à conclusão. Ele garantiu a “El País” haver “98% de probabilidade de se tratar de Teodomiro”.

Durante séculos, foi muito contestada a existência de Teodomiro projetando uma sombra indireta de dúvida sobre a autenticidade dos relatos antigos relativos ao túmulo de São Tiago. Em 1955 o arqueólogo espanhol Manuel Chamoso Lamas descobrira uma lápide por baixo da catedral de Santiago de Compostela com o nome de Teodomiro inscrito.

A datação por carbono-14 revelou que essas ossadas correspondiam a uma pessoa cujo estilo de vida correspondia à do alto clero da época, acrescentou “Sapo”. 

O quotidiano londrinense “The Guardian” recolheu as mesmas informações acrescentando que a equipe dos pesquisadores liderada pelo arqueólogo Patxi Pérez-Ramallo, escrevem em “Antiquity” que:

Túmulo do bispo Teodomiro na Catedral de Santiago de Compostela
Túmulo do bispo Teodomiro na Catedral de Santiago de Compostela
“A aplicação de uma combinação de técnicas bioarqueológicas está ajudando a desvendar muitas das questões (...) esses dados apoiam a possibilidade de que os restos mortais humanos encontrados em associação com a lápide inscrita sob o piso da Catedral de Santiago de Compostela em 1955 sejam os do Bispo Teodomiro”. 

A análise da equipe descobriu que os restos mortais pertenciam a um homem magro e idoso que provavelmente cresceu na área ao redor de Santiago de Compostela e cuja dieta, baixa em proteínas animais, era consistente com as regras monásticas que limitavam o consumo de carne.

Os pesquisadores concluem em “Antiquity” que “esta informação contribuirá diretamente para a conservação dos restos mortais e promoverá um local especial de culto na Catedral de Santiago, enriquecendo as visitas ao templo e à cidade, pois Teodomiro representa uma figura significativa não apenas para a história de Santiago de Compostela, Galícia, mas também para a Espanha, Europa e Catolicismo”.

Mais uma vez, a tradição menosprezada pela modernidade, mostrou ser mais cientificamente verdadeira que o ateísmo insidioso reinante.