segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Ruínas do Hospital cruzado de Jerusalém à luz do dia – 1
Magnitude da descoberta

Fundo: ruínas do Hospital de Jerusalém.
Frente: brasão de feitio moderno dos hospitalários

Uma equipe de arqueólogos da Autoridade de Antiguidades de Israel – AAI (máxima autoridade na matéria do país), liderada por Renee Forestany e Amit Reem, confirmou ter encontrado as ruínas daquele que foi o hospital que serviu de modelo para as casas de saúde que se consstruíram a partir de então.

A notícia repercutiu largamente na imprensa internacional. Por exemplo “Público” de Portugal, “ABC” de Madri, e em sites especializados em arqueologia como “Heritage Daily”

As ruínas do edifício ficam na Cidade Velha de Jerusalém, no coração do bairro cristão, num local também conhecido como Muristão, uma corruptela de Hospital em língua persa.

A parte desentulhada revela um imenso prédio construído pelos Cruzados entre os anos 1099 e 1291 d.C. Trata-se em verdade do famosíssimo Hospital de São João de Jerusalém, criado pela ínclita Ordem hoje conhecida como Soberana Ordem Militar e Hospitalar de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta. Abreviadamente: Ordem de Malta.

Um monumento erigido nos tempos modernos no local pela própria Ordem de Malta testemunha que lá existiu o famoso Hospital.

Segundo o jornal israelita Haaretz, a revelação é o produto de anos de investigação e restauro. Durante muito tempo, as ruínas foram usadas para um mercado árabe de frutas e legumes. O fato impedia os trabalhos. O mercado fechou de há muito.


Um aspecto do Hospital de Jerusalém após desentulhar o local
Ordem cruzada criou o modelo do hospital para os séculos futuros

O que resta do velho hospital impressiona pela sua magnitude. Ele cobre pelo menos uma área equivalente a um campo de futebol e meio. O total do prédio deve ter atingido 15.000 metros quadrados.

Os grandes arcos e as colunas, o pé-direito de seis metros de altura, e a divisão do espaço em salas grandes e pequenas dão pistas preciosas em relação à sua dimensão e ao seu uso.

Os monges-cavaleiros da Ordem dos Hospitalários também garantiam a segurança dos peregrinos da Terra Santa.

Nos momentos críticos, os monges hospitalares acompanhavam os romeiros em suas viagens por locais infestados de assaltantes e bandos mouros até os portos ou as cidades por onde Jesus passou.

Caso necessário, juntavam-se à batalha e constituíam uma das mais temíveis unidades de elite cristã e terror dos bandos muçulmanos.

Krak dos Cavaleiros (Síria) hoje.
Foi uma das peças chaves da segurança da Terra Santa
na mão dos cavaleiros hospitalários
Para garantir a segurança, os monges hospitalários chegaram a construir ou possuir na Terra Santa sete grandes fortalezas – entre as quais o mítico Krak dos Cavaleiros – além de outros 140 castelos menores.

Organização e tamanho espantosos para a época

Renee Forestany e Amit Reem, coordenadores da escavação, também pesquisaram documentos da época. “Informamo-nos a respeito do hospital através de documentos históricos contemporâneos, a maior parte em latim”, contam.

Eles ainda explicam que esse sofisticado hospital tinha capacidade para dois mil pacientes de todo tipo, independente de idade, gênero ou religião. Homens e mulheres eram atendidos em setores separados.

Tal como as atuais unidades hospitalares, ele estava dividido em asas e departamentos, segundo a natureza das doenças e a condição dos pacientes.

Acolhiam recém-nascidos abandonados, que eram atendidos com grande dedicação, segundo o comunicado da AAI. O orfanato recebia crianças que perdiam os pais ou que eram simplesmente deixadas por eles ao cuidado dos monges.

Muitas dessas crianças viriam a trabalhar mais tarde para a Ordem, e alguns dos rapazes chegaram mesmo a combater nas fileiras dos cruzados.

A mesma AAI procura minimizar o prestígio dessa grande instituição católica acenando para os pobres conhecimentos da medicina da época. Mas essa ignorância era geral, e não culpa dos frades.

Antes pelo contrário, a ordem e a higiene que reinavam no Hospital estabeleceram o modelo de instituição hospitalar para o mundo civilizado, contribuindo poderosamente para o desenvolvimento da ciência médica.
Monumento confirma que ali estava o famoso Hospital

A instituição do hospital era desconhecida dos pagãos, inclusive dos muçulmanos. A medicina era venerada pelos árabes, porém desde que nasceu o Hospital de São João os médicos árabes iam a aprender da boca dos frades Cruzados.

O Hospital de São João de Jerusalém maravilhou a Saladino (1138-1193), sultão e chefe militar islâmico que conquistou Jerusalém em 1187. Por isso o implacável guerreiro permitiu aos monges manterem as portas abertas e até ampliarem o Hospital.

Porém, as autoridades maometanas não souberam cuidar de uma instalação tão específica. E quando, devido a um terremoto, grande parte do prédio velho desmoronou no ano 1457, os islâmicos nem souberam restaurá-lo ou voltar a pô-lo em funcionamento.

O Império Otomano apenas conseguiu abrir o mercado de frutas e legumes nas ruínas.

E o povo de Jerusalém, islâmico ou não, ficou às voltas com as doenças, sem ter onde procurar tratamento ou auxílio.

Hospital: uma invenção católica desconhecida dos antigos

O caso do Hospital de São João de Jerusalém é paradigmático do papel da Igreja Católica impulsionando as ciências médicas quando e onde estas, ou não existiam ou estavam no último ponto do esquecimento.

A instituição do hospital, assim como dos orfanatos e dos asilos na área da saúde é um produto específico da Cristandade nascida sob o bafejo da caridade cristã.

Fundo: aspecto dos trabalhos nas ruínas do Hospital de Jerusalém.
Frente: brasão de feitio moderno dos hospitalários
No ano 600, o Papa São Gregório Magno impulsionou a construção de um hospital em Jerusalém para tratar e dar hospedagem aos peregrinos da Terra Santa.

Esse primeiro hospital-albergue foi ampliado por ordem de Carlos Magno, Imperador do Sacro Império Romano Alemão, por volta do ano 800. A reforma incluiu a criação de uma biblioteca que dependia do hospital

Em 1005, os fanáticos da seita islâmica fatimita, que achavam que o califa Al Hakim era uma encarnação de Alá, realizaram a “proeza” de destruir o hospital e 300 outros prédios em Jerusalém.

Os historiadores ocidentais se referem a Al Hakim como o “Califa louco”, mas hoje em dia ele continua sendo venerado por diversas sub-seitas islâmicas.

Em 1023, à vista dos resultados desastrosos, o califa Ali az-Zahir do Egito autorizou a reconstrução do hospital sobre as ruínas do mosteiro de São João Batista fundado por monges beneditinos.

continua no próximo post


Um comentário:

  1. Agradeço envio excelente mensagem. Deus seja louvado e abençoe-nos todos. Salve Maria Auxiliadora!

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