segunda-feira, 18 de julho de 2016

O Santo Sudário à luz da ciência histórica e das críticas adversas

Pierluigi Baima Bollone, professor emérito de Medicina Legal da Universidade de Turim
Pierluigi Baima Bollone, professor emérito de Medicina Legal da Universidade de Turim
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



Pierluigi Baima Bollone, professor emérito de Medicina Legal da Universidade de Turim e presidente honorário do Centro Internacional de Sindonologia, escreveu o livro 2015. La nuova indagine sulla Sindone (2015. Novo inquérito sobre o Santo Sudário, Priuli & Verlucca, 2015).

Ele foi procurar se aquilo que conhecemos do Homem do Sudário tem alguma correspondência nas ciências humanas, históricas, arqueológicas, médicas, físicas, e até a numismática, segundo reportagem divulgada pela Unione Cristiani Cattolici Razionali – UCCR.

O autor registrou que as representações do rosto de Cristo já no século III evocam o rosto do Homem do Sudário.

Sob o reinado de Justiniano II (685-695), o rosto de Cristo foi reproduzido em moedas de ouro e prata. As características desse rosto coincidem de modo incrível com as do Sudário.

Em 705 o imperador Justiniano II fez cunhar outra moeda com o rosto de Jesus com rasgos mais semíticos, mas a partir de Miguel III os sucessivos imperadores retomaram a imagem do Sudário.



2015. Novo inquérito sobre o Santo Sudário.
2015. Novo inquérito sobre o Santo Sudário.
Sofisticadas técnicas de superposição com luz polarizada permitiram identificar mais de cem pontos de congruência nas moedas (Wangher M.V.e Wangher A.D., The impact of the Face Image on Art, Coins and Religions in the Early Centuries, Insert for CSST News, julho 2007).

Segundo Baima Bollone, especialista em numismática, “é evidente a dependência exclusiva do rosto do Santo Sudário […]. Hoje é fora de dúvida que o modelo adotado para difundir o rosto de Cristo foi o do Santo Sudário” (p. 32,34).

Baima Bollone também responde a objeções mostrando que o pano usado tinha grande valor, como indicam os Evangelhos, e que era usado raramente.

A arqueologia confirma a existência no mundo antigo de teares capazes de produzir panos da dimensão do Sudário.

Também prova que antes da era cristã já se conhecia e usava o tecido “em espinha de peixe”.

Sobre a existência no tecido de manchas de sangue e numerosos tipos de pólen há uma certeza granítica.

Os polens de plantas que só crescem em Edessa e Constantinopla confirmam a tradição segundo a qual o Santo Sudário passou por essas cidades.

Ian Wilson – historiador inglês e um dos muitos agnósticos que se converteram diante da imagem do Santo Sudário – sustenta que o Mandylion ou pano com o rosto de Cristo venerado pelas comunidades cristãs orientais e conhecido em Edessa desde o século VII, não era outro senão o Santo Sudário dobrado dentro de um relicário de modo a exibir só o rosto.

Temos diversos testemunhos da presença do Santo Sudário em Constantinopla. Nicolau Mesarite, guarda do palácio imperial de Bucoleone, registrou no ano 1201 as relíquias conservadas no local, entre as quais “os lenços sepulcrais de Cristo” que “envolveram o inefável cadáver, nu e embalsamado, após a Paixão”.

Moeda cunhada pelo imperador Justiniano II (687-692) Nela aparece Cristo com os rasgos do Santo Sudário.
Moeda cunhada pelo imperador Justiniano II (687-692).
Nela aparece Cristo com os rasgos do Santo Sudário.
A trasladação do Santo Sudário para Europa após a conquista de Constantinopla pelos cruzados em 1203-1204 é confirmada por testemunhas de diversas credibilidades.

O historiador inglês Ian Wilson e Barbara Frale defendem que o Santo Sudário chegou à Europa graças à Ordem dos Templários, que o guardaram até 1307, ano da dispersão da Ordem. Sobre o Santo Sudário e os Templários veja: Os templários veneravam o Santo Sudário e por isso foram difamados, diz historiadora do Arquivo Secreto Vaticano

A primeira certeza histórica inconteste sobre o Santo Sudário na Europa é um documento de Lirey do ano de 1356, o qual afirma que ele é propriedade de Geoffroy de Charny.

Refutando as diversas casuísticas históricas sobre o Santo Sudário que acabaram sendo esclarecidas, o autor Baima Bollone chega ao famoso caso do exame do Sudário com Carbono 14.

Jamais ninguém acreditou seriamente no resultado desse teste, que na sua época suscitou fortíssima polêmica.

Os defeitos de procedimento foram tantos e tão graves, que já antes de se publicitar o resultado, no qual ninguém mais acredita, afirmava-se a existência de um complô para desprestigiar o Santo Sudário.

Algumas outras farsas – como a produzida por Luigi Garlaschelli, que dizia ter encontrado o truque para produzir outro Santo Sudário – não resistiram à crítica científica séria. Sobre esta fraude, veja: Cientistas desmontam artifício para “provar” que o Santo Sudário não é autêntico

A fraude de Garlaschelli e sua refutação não deixaram de ser interessantes. A este propósito, o físico Paolo Di Lazzaro, diretor de pesquisas no Centro Ricerche Enea de Frascati, explicou:

Réplica do Mandylion anterior ao ano 1249, conservada na catedral de Laon, França. O famoso ícone apresenta o rosto de Jesus com traços análogos ao do Santo Sudário
Réplica do Mandylion anterior ao ano 1249, conservada na catedral de Laon, França.
O famoso ícone apresenta o rosto de Jesus com traços análogos ao do Santo Sudário
“A mal sucedida cópia de Garlaschelli é mais uma demonstração de quanto é improvável que um falsário da Idade Média tenha podido fazer um Sudário sem microscópio, sem conhecimentos médico-legais, sem um laboratório químico equipado como o do Prof. Garlaschelli”.

A imagem do Santo Sudário mostrou-se impossível de ser falsificada, e até mesmo de ser reproduzida com as mais avançadas tecnologias.

As mais recentes tentativas com raios laser puderam apenas produzir um fac-símile de pequenas dimensões, pois não existem instrumentos tecnológicos para fazer uma imagem do tamanho do Santo Sudário.

Outro dado – que não reúne consenso – é a imagem registrada de duas moedas presentes no rosto do Sudário, as quais teriam sido cunhadas pelo próprio Pôncio Pilatos e que possuem as mesmas características – inclusive o mesmo erro (“Caicaros” em vez de “Kaicaros”) – de outra moeda procedente da mesma fundição, feita no ano 29-30.

Nenhum falsificador medieval teria podido tomar conhecimento da existência dessas moedas, identificadas apenas por estudos numismáticos do século XX.

O vasto leque de dados comparados presentes no livro do Prof. Baima Bollone, pondo na balança as teses favoráveis e as contrárias à autenticidade do Santo Sudário, leva a reconhecer que a única hipótese que se sustenta diante das provas da história e das ciências é que o Santo Sudário verdadeiramente envolveu o cadáver de Jesus. Isto o livro o demonstra muito bem.



4 comentários:

  1. Sou fascinado pala Historia da Igreja e dos primeiros cristãos

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    1. Deleite-se https://padrepauloricardo.org/cursos/historia-da-igreja-antiga

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  2. Deus é paciente...sujeita- se às nossas duvidas...talvez para alegrar ainda mais aqueles que crêem, sem precisar de tantas provas.

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