segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Por que muda o calendário todo ano? A Igreja e a astronomia

Obelisco de São Pedro também é agulha de imenso relógio solar
Obelisco de São Pedro também é agulha de imenso relógio solar
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Cada novo ano tem início num momento muito preciso do relógio.

A partir do primeiro segundo do ano, a imensa maioria dos homens vai ritmar sua vida pelo calendário que recomeça como nos anos anteriores, porém com algumas importantes datas mudadas.

A data da Páscoa muda a cada ano, impondo consigo mudanças gerais, por exemplo, as datas de Carnaval. Nos anos bissextos fevereiro tem um dia a mais.

O calendário com suas mudanças é aceito por todos. Todo o mundo civilizado intui que os critérios usados para as mudanças são sábios, úteis e benéficos.

Contudo, tais critérios são desconhecidos da imensa maioria que se pauta por eles.

A que se deve essa mudança tão grande, constante, porém certa e bem recebida, do calendário?

Poucos têm disso uma ideia clara.

Menos ainda de que foi a Igreja que definiu quanto durava um ano e em qual dia do ano viviam os homens.

A Igreja Católica também definiu todas as mudanças que deveriam ser introduzidas no calendário até o fim do mundo de maneira a harmonizar a atividade dos homens com o movimento da Terra, do Sol, da Lua e das estrelas.



Obelisco e, no chão, o meridiano e uma das placas
Praça de São Pedro no Vaticano: imenso relógio solar

Menos numerosos ainda são os que sabem que nas pedras que pavimentam a Praça de São Pedro, em Roma, está incrustado um relógio e um calendário simples mas imenso, onde se podem conferir os momentos exatos do tempo na Terra.

Esta espécie de relógio princeps tem uma só agulha e está diante dos olhos de todos.

Trata-se do obelisco de 83 pés de altura, instalado no meio da famosa Praça dedicada ao Príncipe dos Apóstolos.

Ele foi conquistado pelos antigos romanos e adotado pela Igreja, que o despojou de seus significados pagãos.

Sim, o obelisco no meio da Praça de São Pedro é um ponteiro solar que indica com toda precisão o meio-dia e os solstícios (os dias mais longos e curtos do ano em 21/22 de junho e 21/22 de dezembro).

Portanto, o início do inverno e do verão no Hemisfério Norte, e em sentido inverso, no Sul.

O momento exato em que o dia atinge sua máxima ou mínima duração pode ser verificado no meridiano de granito e nas marcas de mármore incrustadas na Praça, sobre as quais passam inúmeros turistas sem perceberem do que se trata.

A sombra da ponta do obelisco bate em Leo em 23 de julho e em Gémeos em 22 de maio
Em 21 de dezembro, a sombra do obelisco atinge o disco de mármore mais longínquo da base do obelisco.

No 21 de junho, solstício de verão, a sombra do obelisco egípcio adotado pela Igreja atinge o disco mais próximo de sua base, sinal que é o dia mais longo do ano (no Hemisfério Norte, é claro; para o Sul vale o inverso).

Quando a sombra da ponta do obelisco atinge outros cinco discos na praça, significa que o sol entra num novo signo do zodíaco.

Bem entendido, o zodíaco sem nenhuma alusão supersticiosa, mas segundo seu verdadeiro sentido: cada uma das partes em que se divide o céu visível.

A linha de granito que funciona como meridiano começa na fonte central da praça (em cujo centro está o obelisco) e vai na direção da janela do Papa, como a significar que o mundo deve acertar os ponteiros com o sucessor de Pedro.

Papa Gregório XIII definiu o calendário universal

Marca do solisticio de verão e início de Câncer
E de fato foi o Papa Gregório XIII (1502-1585) quem deu forma definitiva ao calendário utilizado pelo mundo ocidental e foi o responsável pelas mudanças mencionadas no início.

Em lembrança desse Papa, nosso calendário também é chamado de gregoriano.

A Igreja Católica sempre esteve cuidadosamente engajada na astronomia, visando especialmente definir os tempos litúrgicos e os horários certos das orações, como o Ângelus.

Esse interesse provém de antiquíssimas tradições que incluem as dos três Reis Magos, assim chamados por serem voltados para os fenômenos celestes. Confira: Quem foram os Reis Magos?

E também está ligado à expectativa escatológica do dia em que Cristo voltará em pompa e majestade para encerrar a História e julgar os vivos e os mortos.

A data da Páscoa determina a Semana Santa, a Quaresma, e, portanto, o Carnaval, que precede a mesma, bem como o desenvolvimento de todo o ano litúrgico.

A Páscoa é a lembrança da saída do Egito. Moisés ordenou que se fizesse numa noite de lua cheia, que foi a primeira lua cheia da primavera no Hemisfério Norte.

Nosso Senhor Jesus Cristo celebrou a Páscoa com seus Apóstolos de acordo com o costume dos judeus no Antigo Testamento, como refere o Evangelho.

No ano 325 da era cristã, a festa da Páscoa foi marcada pelo Concílio de Nicéia para o domingo que se seguia à primeira lua cheia após o 21 de Março (equinócio vernal).

Porém, o calendário usado no tempo desse Concílio já não batia com as estações. Era o Calendário Juliano.

Por fim, a reforma do Papa Gregório XIII fixou a data certa do início da primavera (Hemisfério Norte) no verdadeiro 21 de março, mandando pular vários dias para corrigir o erro de cálculo em que caíram os romanos e que foi aumentando nos séculos posteriores.

Confira: Como o Papa Gregório XIII elucidou e corrigiu o erro do calendário

Jato de luz solar batendo no relógio de Santa Maria degli Angeli
A chamada Igreja Ortodoxa, cismática que recusa a autoridade do Papa, não quis ligar para os argumentos científicos que apoiam a reforma gregoriana.

Ela usa o chamado calendário juliano sancionado pelo célebre general romano Júlio César, que entrou em vigor no dia 1 de janeiro do ano 45 a.C. e depois foi modificado pelo imperador Augusto. Também é utilizado pelos cristãos ortodoxos de diversos países.

E ainda se debate nas imprecisões do velho calendário romano. As grandes festas religiosas como o Natal e a Páscoa andam sempre desatualizadas e não coincidem com a data certa.

O relógio astronômico da igreja de Santa Maria degli Angeli, Roma

O relógio solar da Praça de São Pedro não é o único na Roma dos Papas.

A aparição dos relógios mecânicos não adiantou grande coisa, pois eram bastante imprecisos, e foram feitos vários relógios aproveitando a regularidade do movimento do sol.

Por isso, no século XVIII, o Papa Clemente XI encomendou ao astrônomo Francesco Bianchini a instalação de um meridiano no chão da Basílica de Santa Maria degli Angeli, em Roma

Este meridiano é muito mais sofisticado: servia para observações altamente precisas do céu e resolvia complexos problemas astronômicos.

John Heilbron, professor emérito de História das Ciências na Universidade de Califórnia – Berkeley, explica que o meridiano no chão de Santa Maria degli Angeli “pode fazer coisas que não se conseguia com os telescópios da época”, como calcular com exatidão a inclinação do eixo da Terra.

Heilbron escreveu o livro “O Sol na Igreja: as catedrais vistas como observatórios solares” (“The Sun in the Church: Cathedrals as Solar Observatories”, Harvard University Press, 2001).

Relógio solar de Santa Maria degli Angeli
Com esse meridiano, o Papa Clemente confirmou a exatidão da reforma gregoriana do calendário, e especialmente o cálculo da Páscoa, que os protestantes obstinavam-se a contestar.

O calendário aperfeiçoado pelo Papa Gregório XIII em 1582 é o usado atualmente, donde o nome Gregoriano.

Os atuais relógios atômicos e outros instrumentos de altíssima sofisticação permitiram obter medições quase infinitesimais.

Porém, o calendário da Igreja revelou-se tão apurado que os relógios atômicos só previram lhe fazer uma correção... mas para ano 4500: o aumento de um dia!

Semana de sete dias: lembrança incontornável da Criação

O calendário envolve questões religiosas que desafiam a ciência. O Pe. Juan Casanovas, SJ, astrônomo solar e historiador da astronomia, mostra que dividir o ano em semanas de sete dias, em teoria não ajuda a matemática.

E explica: “Se V. divide o número de dias do ano por sete, sempre fica sobrando um dia e nos anos bissextos dois dias”.

Santa Maria degli Angeli: cientista confere dados
Porém, acrescenta o sacerdote-cientista, ninguém quer saber de renunciar à semana de sete dias.

Até os calendários hebreu e muçulmano, embora radicalmente diferentes, estão baseados numa semana de sete dias.

A razão da divisão em sete está no Gênese e na ordem posta por Deus na Criação do Universo.

Essa afinidade profunda da alma humana com a série de sete dias como que está impressa nos ritmos da natureza humana.

O Prof. Heilbron também mostrou que as tentativas de fazer calendários “mais racionais” não somente foram mal sucedidas, mas também continham erros grosseiros.

O mais característico desses calendários desastrados foi o excogitado pela Revolução Francesa.

Ele instituiu semanas de dez dias (as “decadi”). Três “decadi” formavam um mês. Cada dia tinha 10 horas e cada hora tinha 100 minutos.

Dói pensar.

A sabedoria da Igreja Católica resplandece no caso com manifesto benefício e estímulo para a ciência e a boa ordem da vida.


11 comentários:

  1. JESUS ama vcs parem com essas idolatrias sem sentido, DEUS É PODEROSO não conpartilha sua gloria com imagens de esculturas leia a biblia e analizem, do velho ao novo testamento o SENHOR CONDENA A IDOLATRIA VEJÃO:
    IS42.08/EX20.3-5/LC4.8/SL115.1-8
    E QUE DEUS VOS ABENÇÕE COM ENTENDIMENTO.

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    1. Ninguem que é Catolico adora Imagens... Veja este video: http://www.youtube.com/watch?v=3qL5F_6lQAw

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    2. Olá, anônimo! O anonimato é típico do que tem medo da verdade como tal. De início você já demonstra alguma deficiência em relação à verdade! Procure aprender verdadeiramente sobre a idolatria , como muitos protestante o fizeram e se surpreenderam. Aliás, depois que tiveram coragem e saíram da "toca protestante", se converteram a Igreja católica e até criaram vários sites administrados por maioria de ex protestantes, como o Veritates Spelendor (O Esplendor da Verdade). E aí? Vai continuar se escondendo? Se anonimando? Até quando? A Igreja tem o dever de lhe alertar sobre sua situação de conhecimento. Mas pra sair desta situação, depende só de você! Depois não culpe a Igreja católica por isso.

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    3. Deixa de ser analfa, anônimo!!!

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  2. Meus parabéns, apesar de não ter lido minuciosamente seu artigo, você foi o primeiro site/blog que encontrei na minha pesquisa, que sabe exatamente o que são os obeliscos antigos. O nome do seu blog, me permite perguntar se ao invés da ciência confirmar, ela não poderia ter sido a causa primeva de religião ?

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  3. Sebastião Fonceca27 de agosto de 2019 08:17

    Olá, bom dia com muita paz e bençãos.
    Meu nome é Sebastião Fonceca.
    Há anos acompanho esse belíssimo trabalho de vocês e, demasiadas vezes me vem a vontade de compartilhar na minhas redes sociais como por exemplo: fecebook, WhatsApp, etc. Porém, não identifiquei essa possibilidade.
    Gostaria muito de obter uma versão que me permitisse o compartilhamento.

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    1. Prezado Sebastião Fonceca,
      No fim de cada matéria do blog estão os ícones de quase todas as redes sociais.
      No caso das assinaturas, primeiro clicar no título da matéria para ir ao blog.
      No blog ir ao fim da matéria e então basta clicar na sua rede social preferida e automaticamente se abre uma janela de confirmação. Basta confirmar. Se alguma não estiver visível, clicar em Share e aparecerão. Tenho feito isso muitas vezes com Facebook sem problemas.
      Atenciosamente,

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    2. Sebastião Fonseca28 de agosto de 2019 11:33

      Ah! Sim.
      Ok.
      Obrigado.

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  4. Prezado Amigo Luis Dufaur Adoro o seu trabalho e agradeço A Deus, te-lo posto no meu caminho, pois tem me ajudado imenso e também tenho partilhado nas redes Sociais... Bem hajam pessoas como o amigo! Obrigada

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  5. MARAVILHA! Tudo isso, nos emociona muito. A GRANDIOSIDADE DE DEUS SEMPRE NOS FASCINA E NOS IMPULSIONA A AMÁ-LO, LOUVÁ-LO E AGRADECÊ-L0 SEMPRE! OBRIGADA PELA INSTRUÇÃO, DESCOBERTA.

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  6. Caro irmão Luis Dufaur, agradeço imensamente o seu trabalho ajudando-nos a cada dia entender a religião e seus condicionamentos históricos! Deus o abençoe e lhe dê perseverança em seu trabalho! Pe. Marcelo A. M. Fachina

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