segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Civilizações perdidas na floresta amazónica
desmentem mitos 'verdes'

Antigo assentamento amazônico de Kuhikugu
Antigo assentamento amazônico de Kuhikugu
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








E se tivesse havido civilizações surpreendentes na Amazônia misteriosamente desaparecidas e que se quer silenciar, deturpando nosso passado e, em consequência, nosso futuro?

A teologia da libertação e o estruturalismo tribalista martelam uma visualização deprimente de nosso continente.

Espalham obsessivamente o mito de que os índios amazônicos levariam uma vida ideal na natureza afundados num primitivismo extremo, sem “intoxicações” culturais do Evangelho, da propriedade privada, da organização racional da vida, do agronegócio, etc.

Esse mito repousa numa conversa excogitada por teólogos e utopistas ultracomunistas na Europa para induzir a tóxica utopia em que visam afundar a humanidade.



Aliás, é o mito condensado na utópica caverna com que Marx sonhou e para onde queria levar a humanidade.

Confira: Karl Marx: o profeta anticristão da vida tribal, e o Sínodo Pan-amazônico

Da caverna de Marx à taba ecolo-missionária

O prof. Martti Pärssinen (upper left) dirige arqueólogos finlandeses que desenterraram cerâmicas amazônicas de formas inteiramente novas
O prof. Martti Pärssinen dirige arqueólogos finlandeses
que desenterraram cerâmicas amazônicas de formas inteiramente novas
O blefe histórico foi mais uma vez desvendado recentemente. Uma equipe de cientistas descobriu o desenho de aldeias e cidades construídas entre 1300 e 1700 d.C. no estado do Acre, na Amazônia brasileira, muito próximas da fronteira com o Peru e a Bolívia, segundo reportagem de “La Nación”.

E isso sem contato com os criticados “brancos”, aliás beneméritos missionários e civilizadores

Já tivemos ocasião, mais de uma vez, de falar destas civilizações desaparecidas na Amazônia e da virtual perseguição oficial dos investigadores que há décadas vem sendo obstaculizados em seus trabalhos de descoberta.

Confira: Amazônia, lar de uma grande civilização perdida

Arqueólogos e linguistas revelam civilização urbana no Alto Xingu, Amazônia

O jornal portenho sublinha que o extraordinário dos fundamentos das cidades agora descobertas é que os edifícios nativos estavam dispostos em forma de círculo e ligados uns aos outros por caminhos que apontavam para os pontos cardeais, como relógios.


Vídeo: Os geoglifos do Acre
clique na foto para ver



O furor comuno-tribalista contra o desmatamento em parte visa impedir que esses fundamentos fiquem visíveis à luz do dia.

Tecnologias que descobrem a verdade


Mas a tecnologia progredindo, a obstaculização comuno-ambientalista acabou driblada.

A descoberta foi feita por meio de um sistema de sensoriamento remoto montado em um helicóptero, segundo levantamento da Universidade de Exeter (Reino Unido).

Além disso, a descoberta foi possível graças à tecnologia de escaneamento LiDAR, a mesma que usam alguns carros autônomos e os novos modelos de iPhone da Apple apresentam para escanear o ambiente e calcular distâncias.

Usando o sensor RIEGL VUX-1 UAV instalado em um helicóptero Bell, os cientistas documentaram uma paisagem muito mais complexa da que pode ser vista a olho nu.

Geoglifos na Amazônia
Geoglifos (grandes figuras feitas no chão) na Amazônia
Ficou assim revelada a silhueta de várias cidadelas escondidas sob a vegetação

Mais de 35 aldeias e dezenas de trilhas antigas foram classificadas. No entanto, os pesquisadores acham que há muito mais a descobrir nesta selva inexplorada.

Cada cidade consistia em 3 a 32 grupos de casas dispostas em círculo. O diâmetro de cada círculo variou entre 40 e 153 metros com um retângulo no meio.

Segundo a pesquisa, publicada no Journal of Computer Applications in Archaeology, as aldeias estavam interligadas por estradas de orientação cardeal, ou seja, as trilhas apontavam para norte e sul.

As estradas retas conectavam uma cidade a outra, criando uma rede de comunidades ao longo de muitos quilômetros.

A disposição das aldeias sugere que os antigos acreanos tinham modelos sociais muito específicos para estabelecerem suas comunidades.

E embora já tivesse sido documentada a presença de aldeias circulares naquela região brasileira, até agora se desconhecia sua extensão, bem como seu vínculo essencial com outros povos.

“O LiDAR permitiu-nos detectar estas cidades e as suas características como estradas, o que antes não era possível porque a maioria não é visível com os melhores dados de satélite disponíveis”, disse José Iriarte, explorador da National Geographic Society e principal responsável do relatório final agora publicado. Cfr. também “Lidar magazine”, 04.01.2019;

Cerâmicas recuperadas na bacia do Tapajós, Santarém, Pará
Cerâmicas recuperadas na bacia do Tapajós, Santarém, Pará
Essas culturas surgiram, sucumbiram, se transformaram e ressurgiram muito antes de os europeus chegarem ao continente americano.

As provas arqueológicas identificadas como as da Caverna da Pedra Pintada demonstram que uma civilização estava instalada na Amazônia há estimados 11.200 anos.

Depois ainda apareceriam cidades densamente povoadas, afastando a ideia de que a floresta tropical amazônica é uma selva intocada.

Pelo contrário, foi desmatada em boa medida e intensamente trabalhada por uma florescente civilização que se pode estimar em milhões de habitantes, ou tal vez mais, segundo recolheu o site “Quora”, se fazendo eco de numerosas publicações científicas.

Na bacia amazônica poderia haver 1300 vestígios de cidades grandes e pequena
Na bacia amazônica poderia haver 1300 vestígios de cidades grandes e pequena
Uma das razões dos arqueólogos, e não das menores, é a identificação insofismável de terra preta, terra que adubada por agricultores inteligentes ficou extraordinariamente fértil, numa região como a floresta tropical onde o solo é habitualmente pobre.

Ainda faltam dados para se definir a exata identidade dessas civilizações e toda sua história, mas sem dúvida foram as mais antigas civilizações da floresta úmida amazônica.

National Geographic: abandonar velhos mitos


O site da reputada National Geographic Society aborda incisivamente a questão de fundo: é preciso abandonar a ideia da Amazônia povoada por pequenas tribos nômades vagueando numa selva virgem.

Porque antes da chegada de descobridores, colonizadores e evangelizadores em volta do Rio Amazonas floresciam civilizações com grandes cidades e centros cerimoniais. Quer dizer bem antes de Cristóvão Colombo avistar as primeiras praias da América Central.

Milhões de pessoas integravam este imenso conjunto que explorava a agricultura e piscicultura, desmatava, adubava modificando a terra, construindo cidades, fortalezas, estradas e canais de uma perfeição que espanta.

Vídeo: Geoglifos e sambaquis
clique na foto para ver



As mais recentes pesquisas arqueológicas com tecnologia de avançada encontraram que a história da floresta tropical amazônica é bem mais diferente do que se contava até hoje, acrescenta a National Geographic.

Essa publicou no jornal científico Nature Communications, parte dos resultados que desafiam a esclerosada percepção comum sobre a floresta úmida da Amazônia como sendo escassamente povoada.

Essa narrativa menosprezava que já no século XVI europeus fizeram ricos relatos da existência de grandes cidades interconectadas por uma rede de estradas.

Como o satélite 've' vestigios arqueológicos através da vegetação. Na foto cidade perdida na América Central
Como o satélite 'vê' vestígios arqueológicos através da vegetação.
No gráfico: cidade perdida na América Central
“Muita gente ainda acredita que esse foi um paraíso intocado”, explicou Jonas Gregório de Souza, arqueólogo da Universidade de Exeter, Grã-Bretanha, engajado nos trabalhos.

Como a maioria da região ainda não foi explorada e está coberta por uma densa floresta, até agora ficou inacessível aos arqueólogos.

Agora com o recurso de imagens de satélite puderam ser fotografados antigos geoglifos —grandes figuras feitas no chão, em morros ou regiões planas — em partes inexploradas do Mato Grosso.

Com os dados dos satélites, expedições de cientistas foram direto aos locais e encontraram grandes extensões de terra que foram trabalhadas por hábeis agricultores em pelo menos 24 pontos que visitaram.

Num deles encontraram cerâmicas e carvão de uma cidade do ano 1410 a.C.

Com os achados puderam prospectar onde houve outros sítios de cidades semelhantes e criaram um modelo computacional que permite reconhecer pelas elevações feitas pelo homem muitos outros aldeiamentos ou cidades escondidas ao olho humano.

Eles estimam que existam por volta de 1.300 geoglifos reveladores da existência outrora de cidades numa área de quase 400.000 quilômetros quadrados, na maioria no Acre e países vizinhos, dois terços dos quais ainda não foram visitados.

Terra Preta evidencia trabalhos intensivos de adubação
Terra Preta evidencia trabalhos intensivos de adubação
Os computadores também estimam uma densidade populacional muito maior da imaginada. A equipe pensa em algo entre 500.000 e 1 milhão de pessoas em apenas 7% da bacia amazônica desafiando todas as estimativas anteriores.

Esses sítios interconectados sugerem uma série de cidades fortificadas que floresceram numa extensão de mais de 1770 quilômetros entre os anos 1.200 e 1500 a.C.

Com esses dados “nós precisamos reescrever a história da Amazônia”, disse o professor da Universidade de Exeter José Iriarte, co-autor do trabalho.

The Wall Street Journal: ambientalistas mudam de ideia


Zoolito amazônico, procedência indeterminada, na Univ.Federal do Pará
Zoolito amazônico, procedência indeterminada,
na Univ.Federal do Pará
Para o “The Wall Street Journal” o volume de provas recolhidas pelos arqueólogos com imagens de satélites, radares levados em aviões e câmeras em drones estão fazendo que ecologistas e ambientalistas abandonem suas velhas crenças numa Amazônia jamais tocada pela civilização.

O antropólogo Michael Heckenberger da Universidade da Florida em Gainesville, definiu: “Estamos diante de uma floresta influenciada pelo homem como não conhecíamos”.

Os achados incluem 81 instalações anteriores à data da chegada de Colombo a América, na bacia do Tapajós em Mato Grosso, que remontam aos anos 1250‒1500 a.C.

Algumas são pequenas e outras grandes e têm múltiplos montículos provavelmente devotados a cerimônias (com vagas semelhanças com pirâmides), praças e calçadas, disseram os arqueólogos.

Mas, então o que aconteceu com essa imensa povoação? 

De Souza enuncia diversas hipóteses, mas reconhece que ainda há muita coisa a se investigar sobre o destino dessas civilizações que numa hora desconhecida se desvaneceram.


Vídeo: A pedra do Ingá, Paraíba
clique na foto para ver






2 comentários:

  1. PALMAS, PALMAS! Aos arqueólogos, cientistas e todos os trabalhadores, que são verdadeiros desbravadores das civilizações e nos colocam este conhecimento tão importante da vida humana na terra. PARABÉNS, O MEU APRESO, O MEU RESPEITO.

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  2. Resta saber se esses povos eram ancestrais dos atuais índios ou se foram expulsos por estes...

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